Agronegócio

CNA pede redução emergencial de impostos sobre diesel para aliviar custos do agronegócio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal a redução emergencial e temporária de tributos sobre o diesel. O pedido foi encaminhado na terça-feira (10) ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Segundo a entidade, a medida busca conter os impactos da alta do petróleo e dos combustíveis no mercado internacional, que vem pressionando os custos de produção e a logística no país.

Alta do diesel preocupa setor agropecuário

De acordo com o presidente da CNA, João Martins, o momento é sensível para o agronegócio brasileiro, especialmente por coincidir com o período de plantio e colheita da segunda safra.

O dirigente afirma que o diesel tem peso significativo na estrutura de custos da atividade rural. O combustível é amplamente utilizado em máquinas agrícolas, transporte de insumos e escoamento da produção, o que faz com que qualquer aumento de preço tenha impacto direto na rentabilidade do setor.

Tributos federais representam mais de 10% do preço

Em ofício enviado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a CNA destacou o peso de tributos federais na formação do preço do combustível.

Entre os principais impostos citados estão:

  • PIS (Programa de Integração Social)
  • Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público)
  • Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)

De acordo com a entidade, esses tributos correspondem juntos a cerca de 10,5% do valor do diesel comercializado no Brasil.

ICMS amplia carga tributária sobre combustível

Em outro documento, enviado ao presidente da Comissão Técnica Permanente do ICMS (Cotepe/ICMS), Carlos Henrique de Azevedo Oliveira, a confederação ressaltou o peso dos impostos estaduais no preço final do combustível.

Segundo a CNA, a tributação estadual acrescenta em média 38,4% ao valor do diesel, sendo o ICMS um dos principais componentes dessa carga.

A Cotepe está vinculada ao Conselho Nacional de Política Fazendária, colegiado que reúne as secretarias de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal e é presidido pelo ministro da Fazenda.

Redução de impostos pode ajudar a conter inflação

Na avaliação da CNA, uma redução temporária dos tributos sobre o diesel poderia gerar efeitos positivos em diferentes setores da economia.

Entre os impactos esperados estão:

  • diminuição dos custos de produção no campo
  • redução das despesas com logística e transporte
  • possível queda nos preços dos alimentos ao consumidor
  • alívio nas pressões inflacionárias

A entidade também avalia que a medida pode contribuir para um ambiente macroeconômico mais equilibrado, favorecendo o processo de redução da taxa básica de juros, a Selic.

CNA diz estar aberta ao diálogo com o governo

Ao final dos ofícios, João Martins afirmou que a confederação permanece disponível para colaborar com medidas que reduzam os custos logísticos e produtivos no país.

Segundo ele, iniciativas desse tipo são relevantes diante dos efeitos econômicos provocados por conflitos geopolíticos internacionais, que têm impactado diretamente o mercado de energia e combustíveis.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Informação

Petróleo dispara 9% após fechamento do Estreito de Hormuz e tensão no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou uma forte alta no preço do petróleo nesta terça-feira (3). Após o anúncio do Irã sobre o fechamento do Estreito de Hormuz, o barril do tipo Brent chegou a avançar 9%, superando a marca de US$ 85 e atingindo o maior patamar desde julho de 2024.

Por volta das 11h30, o Brent, referência global da commodity, era negociado a US$ 83,88, com alta de 7,87%. Já o WTI (West Texas Intermediate) subia quase 8%, alcançando US$ 77,57, também no maior nível desde junho de 2025.

Fechamento do Estreito de Hormuz eleva tensão no mercado de energia

A decisão do Irã ocorre em meio à guerra envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país. A ameaça da Guarda Revolucionária iraniana de atingir embarcações que cruzem o estreito elevou o temor de interrupção no fluxo global de energia.

O Estreito de Hormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos diariamente no mundo passam pelo corredor de apenas 40 km de largura em seu ponto mais estreito. China e Índia estão entre os principais destinos da carga transportada pela região.

O impacto imediato foi a retenção de centenas de navios petroleiros nas proximidades de polos logísticos como Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Produção ameaçada e paralisações no Oriente Médio

A tensão geopolítica já provoca interrupções na cadeia produtiva de energia. O Irã responde por cerca de 3% da produção mundial, com aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, mas sua posição estratégica amplia sua influência sobre o abastecimento global.

Empresas e governos da região anunciaram medidas emergenciais:

  • A estatal do Qatar suspendeu parte da produção de GNL e derivados industriais.
  • A Arábia Saudita interrompeu operações em sua maior refinaria doméstica.
  • Israel e o Curdistão iraquiano reduziram atividades no setor de petróleo e gás.
  • A Índia iniciou racionamento de gás para indústrias.

A gigante saudita Saudi Aramco orientou compradores do petróleo Arab Light a redirecionar carregamentos para Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a rota pelo estreito.

Especialistas avaliam que, caso o bloqueio persista, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e o próprio Irã poderão ser forçados a reduzir a produção em poucos dias.

Impactos no Brasil e na inflação global

A disparada do petróleo internacional aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e pode influenciar decisões de política monetária. Um ciclo prolongado de alta pode dificultar cortes na taxa de juros, diante do risco de reaceleração da inflação.

Apesar do cenário tenso, analistas descartam, por ora, risco imediato de desabastecimento global, destacando que a oferta mundial ainda supera o crescimento da demanda.

O comportamento das cotações dependerá principalmente da duração e intensidade do conflito e do tempo de fechamento do Estreito de Hormuz.

Bolsas despencam com aversão ao risco

O avanço do conflito também provocou forte queda nas Bolsas de valores ao redor do mundo.

Na Ásia, mercados como Seul registraram perdas superiores a 7%, enquanto índices chineses tiveram o pior desempenho em um mês. Praças europeias operavam com recuos acima de 3% no fim da manhã.

Nos Estados Unidos, os futuros indicavam abertura negativa em Wall Street:

  • Nasdaq: -2,3%
  • Dow Jones: -1,76%
  • S&P 500: -1,84%

Ações de tecnologia como Nvidia e Microsoft também recuaram.

Nem mesmo o ouro, tradicional ativo de proteção, escapou da volatilidade e operava em queda. Já o bitcoin avançava mais de 2%, refletindo movimentos especulativos.

Juros e política monetária no radar

O salto do petróleo reacendeu preocupações com a inflação global. Investidores passaram a rever expectativas sobre cortes de juros pelo Federal Reserve, adiando projeções de redução da taxa básica de julho para setembro.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu ao maior nível em mais de uma semana, sinalizando maior cautela do mercado diante do cenário geopolítico.

Analistas destacam que, caso o petróleo permaneça em patamares elevados por período prolongado, o movimento de aversão ao risco pode se intensificar nos mercados globais.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Planet Labs

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