Exportação

Laranja de mesa perde espaço enquanto Brasil segue líder na exportação de suco

O Brasil continua ocupando a liderança mundial na produção e exportação de suco de laranja, mas tem perdido competitividade no mercado internacional de laranja de mesa. Enquanto a demanda global por frutas frescas cresce, países como Egito e África do Sul ampliam sua presença nas exportações, conquistando mercados que antes eram atendidos pelos produtores brasileiros.

O cenário é tão diferente que, atualmente, o Brasil importa laranjas, principalmente de produtores egípcios, para atender parte da demanda interna.

Exportações de laranja de mesa despencaram

Dados da Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM) mostram a mudança no perfil do setor. Em 2010, o Brasil exportou cerca de 835 mil caixas de 40,2 quilos de laranja fresca. Para 2026, a previsão é de apenas 140 mil caixas.

Na direção oposta, as importações seguem em alta. A expectativa é que o país compre cerca de 1,3 milhão de caixas de laranja neste ano, tendo o Egito como principal fornecedor.

Brasil priorizou a indústria do suco

Segundo representantes do setor, a perda de espaço no mercado de fruta fresca está relacionada às escolhas feitas pela citricultura brasileira ao longo das últimas décadas.

Enquanto outros países investiram em variedades voltadas ao consumo in natura — mais doces, sem sementes e com melhor aparência — o Brasil concentrou sua produção em frutas destinadas ao processamento industrial.

Hoje, aproximadamente 70% da produção nacional de laranja abastece a indústria de suco, enquanto apenas 30% é destinada ao mercado de mesa.

Doenças dos citros mudaram o rumo da produção

Outro fator que contribuiu para essa mudança foi o avanço de doenças que afetam os pomares brasileiros, especialmente enfermidades quarentenárias que dificultaram o cumprimento das exigências sanitárias impostas por mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, a consolidação da maior indústria mundial de suco de laranja ofereceu aos produtores um mercado seguro e rentável, reduzindo o interesse pelas exportações de fruta fresca.

Além disso, o grande mercado consumidor brasileiro também passou a absorver boa parte da produção destinada ao consumo in natura.

Consumidor mudou e o Brasil ficou para trás

Nos últimos anos, o mercado internacional passou a valorizar frutas frescas com características específicas, como laranjas premium, além de tangerinas e mandarinas sem sementes, mais doces e fáceis de descascar.

Durante esse período, concorrentes internacionais investiram no desenvolvimento de novas variedades protegidas por royalties e direcionadas ao consumo fresco.

Enquanto isso, a produção brasileira permaneceu concentrada em cultivares voltadas ao mercado interno e à fabricação de suco.

Egito se tornou um dos principais concorrentes

O Egito é hoje um dos maiores exemplos dessa transformação.

Em pouco mais de duas décadas, o país saiu de uma participação discreta para se tornar um dos maiores exportadores mundiais de laranja fresca. O avanço foi impulsionado por fatores como clima favorável, menores custos de produção, incentivos governamentais e acordos comerciais que facilitaram o acesso aos principais mercados consumidores.

Já o Brasil enfrenta desafios como custos logísticos elevados, financiamento mais caro, limitações na infraestrutura portuária e oscilações cambiais, fatores que reduzem a competitividade das exportações.

Greening abre oportunidades, mas ainda há desafios

O avanço do greening, considerada a principal doença da citricultura mundial, também está redesenhando a produção brasileira.

Regiões como Petrolina, no Vale do São Francisco, passaram a despertar interesse por estarem fora das áreas mais afetadas pela doença, oferecendo condições para a implantação de novos pomares.

Entretanto, especialistas destacam que produzir em regiões mais quentes não garante acesso ao mercado externo. As temperaturas elevadas fazem com que a casca da fruta permaneça mais esverdeada, enquanto consumidores europeus preferem laranjas com coloração alaranjada intensa.

Recuperação depende de novos investimentos

Apesar da perda de espaço, o setor acredita que o Brasil ainda pode voltar a competir no mercado internacional de laranja de mesa. Para isso, será necessário investir em novas variedades, ampliar acordos comerciais, fortalecer os protocolos fitossanitários, modernizar a logística e adaptar a produção às exigências dos consumidores internacionais.

FONTE: Abrafrutas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Safra de laranja cai 3,9% no Cinturão Citrícola e pressiona oferta de suco

Produção revisada para baixo
A safra de laranja 2025/26 no Cinturão Citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi revisada para 294,81 milhões de caixas (40,8 kg), queda de 3,9% em relação à projeção anterior, informou o Fundecitrus nesta quarta-feira (10). A nova estimativa reflete problemas climáticos e o avanço do greening, doença que reduz a produtividade dos pomares.

Segundo a CitrusBR, a redução na colheita afetará diretamente a oferta brasileira de suco de laranja, segmento em que o país lidera a produção e exportação global.

Clima adverso e greening pesam sobre os pomares
O Fundecitrus detalhou que dois fatores explicam a retração: o menor tamanho dos frutos devido à falta de chuvas e a alta da taxa de queda dos frutos, que passou de 22% para 23%. O aumento está ligado ao agravamento do greening, ao ritmo acelerado da colheita e às condições climáticas desfavoráveis.

Mesmo com o corte, a safra atual deve superar em 27,7% a colheita do ciclo anterior, marcada como a segunda menor em quase quatro décadas.

Ritmo da colheita e impacto industrial
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a reestimativa reforça a imprevisibilidade climática: “Por mais que uma safra comece bem, nada garante que termine bem.” Ele destacou que a quebra representa 20 milhões de caixas, volume capaz de alterar o “patamar de safra”.

Para a indústria, isso significa uma redução entre 65 mil e 70 mil toneladas de suco — perda que dificilmente será compensada pelo rendimento industrial, também afetado pelo clima. “Isso enxuga a disponibilidade de produto ao fim do ciclo”, afirmou.

Até meados de novembro, cerca de 65% da safra havia sido colhida. Entre as variedades, as precoces (hamlin, westin e rubi) estavam praticamente concluídas (99%), enquanto as demais precoces somavam 95%. A pera tinha 85% colhidos e, entre as tardias, valência e folha murcha acumulavam 40%, e natal, 30%.

Mercado internacional e preços em queda
Apesar da previsão menor no Brasil, o contrato futuro do suco de laranja congelado e concentrado em Nova York recuava 1,7%, para US$ 1,54/lb. A commodity segue em forte queda desde o recorde acima de US$ 5 registrado no fim do ano passado, quando a safra brasileira foi fraca.

A disparada anterior das cotações derrubou o consumo mundial e permitiu que os estoques finais da última safra subissem mais de 25%, segundo dados da CitrusBR.

Mesmo com preços mais baixos em 2024, as exportações brasileiras de suco caíram 12,29% no acumulado da safra 2025/26 (julho a novembro), para 367 mil toneladas, principalmente devido à retração da demanda europeia. Os Estados Unidos agora assumem a liderança como principal destino.

“Suco de laranja é altamente elástico: preço sobe, consumo cai”, explicou Netto. Ele reconhece que a queda nos preços pode estimular uma recuperação do consumo europeu, mas ressalta que esse retorno costuma ser gradual.

Em receita, as exportações despencaram 25%, somando US$ 1,2 bilhão.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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