Investimento

Visto brasileiro por investimento: por que o programa atrai poucos investidores estrangeiros?

Apesar de ser uma das principais economias da América Latina e liderar a região em Investimento Estrangeiro Direto (IED), o Brasil ainda está longe de ocupar as primeiras posições quando o tema é residência por investimento.

A constatação aparece no relatório Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa, produzido pela consultoria internacional Global Citizen Solutions. O estudo analisou 11 programas de migração por investimento em funcionamento na região, considerando fatores como tempo de processamento, benefícios fiscais, flexibilidade das modalidades de investimento e exigências de permanência.

No ranking, o Panamá aparece em primeiro lugar, seguido por Paraguai e República Dominicana. Costa Rica, Equador e Uruguai também estão à frente do Brasil.

Brasil tem economia forte, mas programa migratório pouco competitivo

A posição brasileira indica que a capacidade do país de atrair estrangeiros está mais associada ao tamanho de sua economia e às oportunidades de negócios do que à competitividade de seu programa de imigração por investimento.

Ainda assim, o levantamento destaca que o Brasil apresenta alternativas consideradas acessíveis para quem busca obter residência para investidores estrangeiros.

Investimento pode começar em cerca de US$ 30 mil

Entre as modalidades identificadas pelo estudo estão investimentos relacionados a inovação e tecnologia, com valores a partir de aproximadamente US$ 30 mil. Também há opções vinculadas à abertura de empresas, a partir de US$ 100 mil, e à aquisição de imóveis, com investimento inicial em torno de US$ 125 mil.

Os critérios mudam de acordo com cada modalidade e precisam atender à legislação migratória brasileira. Portanto, os valores indicados pelo estudo não significam que a residência ou a cidadania brasileira por investimento possa ser simplesmente comprada.

Outro ponto favorável é a exigência relativamente baixa de permanência no território nacional. Para manter a residência temporária, são necessários 30 dias de permanência por ano. O período é inferior aos 180 dias exigidos em países como Colômbia e Chile.

Naturalização pode ocorrer em quatro anos

O Brasil também se destaca pelo prazo para naturalização de estrangeiros. Segundo o relatório, há possibilidade de obtenção da cidadania após quatro anos, enquanto determinadas modalidades de investimento imobiliário acima de US$ 200 mil podem reduzir esse período para três anos.

Apesar dessas condições, a procura pelo programa permanece baixa. A modalidade brasileira de residência por investimento imobiliário recebeu menos de 700 candidatos nos últimos cinco anos.

Para a Global Citizen Solutions, uma das principais razões para essa baixa adesão é a limitada divulgação internacional do programa. A consultoria também aponta a presença menor de empresas especializadas em apresentar o Brasil como destino para investidores interessados em mobilidade global.

América Latina ganha espaço com restrições na Europa

O cenário regional se torna ainda mais relevante diante das mudanças nos tradicionais programas europeus destinados a investidores.

A Espanha encerrou seu golden visa em abril de 2025. Portugal, por sua vez, retirou a compra direta de imóveis entre as alternativas elegíveis de seu programa. Já a Grécia aumentou para até 800 mil euros o valor mínimo necessário para investimentos imobiliários em regiões de maior demanda.

Com o endurecimento dessas regras, países latino-americanos podem ganhar espaço como alternativas aos programas europeus e aos tradicionais programas de cidadania por investimento no Caribe.

Entre os atrativos estão valores mínimos de entrada mais baixos, acesso a mercados considerados em expansão e, em alguns casos, requisitos menos rígidos de permanência.

Brasileiros também buscam residência fora do país

O movimento não ocorre apenas no sentido de entrada de capital estrangeiro no Brasil. O país também se destaca como origem de investidores que procuram alternativas de residência dentro do Mercosul.

No Paraguai, brasileiros representaram 76% das residências concedidas durante a primeira metade de 2026, de acordo com o estudo.

Para Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, a busca por uma segunda residência deixou de estar ligada exclusivamente a questões de estilo de vida. Segundo ela, a decisão passou a fazer parte de estratégias de proteção patrimonial, diversificação de riscos e planejamento internacional de longo prazo.

A executiva avalia ainda que o mercado tende a avançar de modelos tradicionais de migração por investimento para estruturas mais abrangentes de planejamento de mobilidade internacional, reunindo análise de riscos, organização patrimonial e administração de ativos em diferentes países.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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