Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

A carta na manga da China para resistir à guerra comercial de Trump

Pequim impõe restrições à exportação de minerais essenciais para tecnologia avançada, afetando indústrias americanas em meio a tensões comerciais crescentes

Menos de um ano após o início da primeira guerra comercial de Donald Trump com a China, o líder chinês Xi Jinping fez uma visita de alto perfil a uma modesta fábrica em Ganzhou, uma cidade industrial aninhada entre montanhas no sudeste do país.

Durante a visita à sala de exposições em 2019, Xi examinou fileiras de blocos metálicos cinzentos aparentemente comuns e declarou à sua comitiva de oficiais do Partido Comunista: “As terras raras são um recurso estratégico vital”.

Quase seis anos depois, o domínio da China na cadeia de suprimentos de terras raras emergiu como uma de suas ferramentas mais potentes em uma renovada guerra comercial com os Estados Unidos.

Os minerais – usados para alimentar desde iPhones até veículos elétricos – são componentes vitais para os tipos de tecnologia avançada que definirão o futuro.

Terras raras são um grupo de 17 elementos mais abundantes que o ouro e podem ser encontrados em muitos países, incluindo os Estados Unidos. Mas são difíceis de processar de forma econômica e segura.

Por décadas, os EUA e outros países têm dependido do fornecimento de Pequim desses metais processados. A China responde por 61% da produção global de terras raras mineradas, mas seu controle sobre o estágio de processamento é de 92% da produção global, segundo a Agência Internacional de Energia.

Em 4 de abril, após anos de advertências veladas, o governo chinês impôs restrições à exportação de sete tipos de minerais de terras raras, como parte de sua retaliação contra as tarifas “recíprocas” iniciais de 34% de Trump sobre produtos chineses.

As novas regras exigem que todas as empresas obtenham permissão governamental para exportar os sete minerais e produtos associados, como ímãs.

Ímãs feitos de terras raras permitem motores e geradores menores e mais eficientes usados em smartphones, motores de carros e aviões, e máquinas de ressonância magnética. Eles também são componentes essenciais em uma série de armamentos de alto custo, desde caças furtivos F-35 até submarinos de ataque movidos a energia nuclear.

“É a China mostrando que pode exercer um poder econômico incrível sendo estratégica e cirúrgica, atingindo a indústria americana exatamente onde dói”, disse Justin Wolfers, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Michigan.

Desde a primeira administração Trump, os EUA têm tentado recuperar o atraso e construir sua própria cadeia de suprimentos doméstica de terras raras.

Três empresas americanas do setor disseram à CNN que estão em processo de expansão das capacidades de produção e buscando materiais de aliados e parceiros dos EUA. Mas esses esforços levarão anos para atender à enorme demanda das principais indústrias americanas.

Por enquanto, o impacto dos controles de exportação de Pequim está sendo rapidamente sentido no terreno. John Ormerod, fundador da consultoria de ímãs de terras raras JOC, disse à CNN que remessas de ímãs de terras raras pertencentes a pelo menos cinco empresas americanas e europeias foram interrompidas na China desde a imposição da ordem.

“Eles foram pegos de surpresa, então há muita confusão do lado deles e precisavam de esclarecimentos das autoridades sobre o que é necessário (para obter as licenças de exportação necessárias)”, disse ele.

Joshua Ballard, CEO da USA Rare Earth, disse que os controles de exportação focam em terras raras “pesadas”, que são 98% controladas pela China. (Terras raras pesadas são menos comuns, mais difíceis de processar e mais valiosas).

Isso significa que as empresas agora devem buscar a aprovação de Pequim para entregar esses materiais críticos às principais indústrias americanas, acrescentou.

“Neste momento, literalmente essas exportações estão sendo suspensas”, disse Ballard. “Não mantemos muito estoque de reserva disso em inventário aqui nos EUA. Esta é a melhor jogada da China. Eles não têm muita influência quando se trata de tarifas sobre nós, mas certamente têm influência aqui”.

Os controles de exportação não visam apenas materiais únicos, mas também ligas e produtos onde os elementos estão contidos mesmo em quantidades mínimas, disse Thomas Kruemmer, diretor da empresa de cadeia de suprimentos de minerais e metais Ginger International Trade and Investment, com sede em Cingapura.

“Muitas exportações agora caem sob este sistema de licenciamento”, acrescentou, observando que alguns atrasos são esperados enquanto os exportadores navegam pelo novo sistema.

A China teve um início precoce na extração de terras raras, começando na década de 1950, segundo a mídia estatal, mas a indústria só começou realmente a se desenvolver no final dos anos 1970.

Durante esse período, a China combinou seus baixos custos de mão de obra com a adoção de tecnologias estrangeiras, de acordo com Stan Trout, fundador da consultoria de materiais magnéticos e terras raras Spontaneous Materials.

“Grande parte da tecnologia que eles trouxeram foi desenvolvida aqui nos EUA, no Japão ou na Europa”, disse ele. “E com o tempo, tenho certeza que fizeram melhorias nela.”

À medida que a produção de terras raras do país aumentava, Pequim gradualmente compreendeu a importância estratégica desses minerais.

“Houve um reconhecimento de que esta poderia ser uma tecnologia muito importante para eles dominarem”, acrescentou Trout.

Em 1992, durante uma visita a um dos principais centros de produção de terras raras do país na Mongólia Interior, Deng Xiaoping, o ex-líder chinês que liderou as reformas econômicas do país, disse famosamente: “Enquanto há petróleo no Oriente Médio, a China tem terras raras.”

Hoje, a China cumpriu a visão de Deng ao dominar toda a cadeia de suprimentos desses materiais. Embora os custos trabalhistas sejam agora mais altos, o controle da China sobre a indústria foi consolidado devido à “disposição de investir em tecnologia, P&D e automação” em uma indústria altamente intensiva em capital, disse Ormerod.

Já existiram empresas americanas fabricando esses ímãs de terras raras. Mas Ormerod observou que elas gradualmente saíram do negócio conforme alternativas chinesas de menor custo surgiram.

“Perdemos o know-how, perdemos a capacidade de recursos humanos e é uma operação muito intensiva em capital”, disse ele.

Agora, é difícil competir com o “preço chinês”, devido às maiores economias de escala do país, bem como aos incentivos governamentais que lhes deram uma vantagem adicional, acrescentou Ormerod.

Entre 2020 e 2023, os EUA dependeram da China para 70% de suas importações de todos os compostos e metais de terras raras, segundo relatório do Serviço Geológico dos EUA deste ano.

Os últimos controles de exportação não são a primeira vez que Pequim aproveitou sua dominância na indústria. Em 2010, a China interrompeu as remessas de terras raras para o Japão por quase dois meses devido a uma disputa territorial. No final de 2023, Pequim impôs uma proibição sobre tecnologias de extração e separação de terras raras.

Pequim também restringiu as exportações de outros minerais críticos, uma categoria mais ampla de recursos minerais que também são vitais para a economia e as cadeias de suprimentos globais.

Especialistas e profissionais do setor disseram que os controles de exportação da China deixaram o resto do mundo com alternativas muito limitadas.

Mas os EUA estão trabalhando para preencher essa lacuna. Desde 2020, o Departamento de Defesa dos EUA concedeu mais de US$ 439 milhões para estabelecer cadeias de suprimentos domésticas de elementos de terras raras.

E estabeleceu uma meta para desenvolver uma cadeia de suprimentos sustentável, da mina ao ímã, capaz de atender a todos os requisitos de defesa dos EUA até 2027.

Algumas empresas americanas veem os controles de exportação da China como uma oportunidade para acelerar a produção doméstica e pressionar por uma cadeia de suprimentos mais forte fora da China.

Nicholas Myers, CEO da Phoenix Tailings, uma startup de processamento de terras raras com sede em Massachusetts, disse que sua empresa desenvolveu tecnologia para refinar minerais de terras raras com “zero resíduos, zero emissões” em metais e ligas metálicas, obtendo os materiais de minérios domésticos, bem como do Canadá e Austrália.

Sua empresa atualmente produz 40 toneladas métricas de metais e ligas de terras raras por ano e pretende aumentar para 400 toneladas com uma nova instalação em New Hampshire.

“Os Estados Unidos têm absolutamente as capacidades para produzir os metais de terras raras nos prazos que realmente precisamos. Só precisamos garantir que todos os clientes e formuladores de políticas estejam focados em apoiar a indústria para realmente expandir”, acrescentou Myers.

A USA Rare Earth está construindo uma fábrica de ímãs no Texas, com o objetivo de produzir 5.000 toneladas de ímãs de terras raras anualmente; também possui um depósito rico em terras raras pesadas no oeste do Texas, incluindo todos os minerais na última lista de controle de exportação da China, segundo seu CEO Ballard. (O depósito também é rico em gálio, um material crítico proibido pela China para exportação aos EUA em dezembro.)

Mas a empresa ainda está trabalhando na tecnologia de processamento para extrair minerais das rochas, disse Ballard.

“A questão é como fazemos isso mais rápido? Como desbloqueamos esses ativos que temos nos EUA, por menos que sejam? Precisamos desbloquear o que temos e construir o mais rápido possível”, disse ele.

Após anos de discussão, as empresas americanas podem finalmente ter o impulso necessário para realizar o difícil trabalho de reestabelecer a indústria de extração e processamento de matérias-primas, fundamental para vencer a corrida tecnológica com a China.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

URGENTE: Sem esclarecer pontos, governo dos EUA anuncia tarifa de 245% contra produtos chineses

Em novo capítulo da escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, divulgou documento que fala em tarifas de até 245% sobre os produtos importados do país asiático, em função das “ações retaliatórias” de Pequim.

A informação não está acompanhada por uma explicação sobre a eventual nova tarifa nem há dados a respeito do cálculo usado pelos EUA para definir a taxa.

Até então, ao menos publicamente, as tarifas aplicadas pelos EUA sobre a China eram de 145%. Em resposta, o governo chinês anunciou taxas retaliatórias de 125% sobre os produtos norte-americanos.No documento publicado no site da Casa Branca, o governo norte-americano faz um balanço sobre as principais medidas tomadas por Trump na economia desde que assumiu o mandato, em janeiro deste ano.

O documento é intitulado “O presidente Donald J. Trump garante a segurança nacional e a resiliência econômica por meio de ações da Seção 232 sobre minerais essenciais processados ​​e produtos derivados”.

Segundo a mensagem do governo dos EUA, o tarifaço é uma forma de “nivelar o campo de atuação e proteger a segurança nacional dos EUA”.

Em 2 de abril, naquele que Trump chamou de “Dia da Libertação”, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos importados de mais de 180 países.

Além disso, a Casa Branca decidiu individualizar tarifas recíprocas para países com os quais os EUA têm seus maiores déficits comerciais. Essas taxas chegaram a 50%.

Uma semana depois, em 9 de abril, Trump anunciou uma pausa no tarifaço, mantendo apenas as taxas mínimas de 10% sobre todos os países por um período de 90 dias. Apenas as tarifas sobre a China foram aumentadas.

Nesta quarta-feira (16/4), ao ser questionado sobre o documento publicado no site da Casa Branca, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, desconversou. “Podem perguntar ao lado americano o valor específico das tarifas”, pontuou.

Fonte: Diário do Brasil

Ler Mais
Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

Embraer lidera ganhos no Ibovespa após rumores de Boeing barrada na China

Expectativa dos investidores é de que a empresa brasileira possa suprir parte da demanda chinesa com a venda de aeronaves

As ações da Embraer disparavam nesta terça-feira (15) e lideravam os ganhos do Ibovespa, devido aos rumores de que a China bloqueou a compra de aeronaves da americana Boeing. Com isso, a expectativa dos investidores é de que a companhia brasileira possa suprir parte da demanda chinesa com a venda de aeronaves.

Por volta das 11h15, EMBR3 subia 3,89%, cotada a R$ 65,17.

As ações ordinárias da Embraer chegaram a avançar mais de 4% pela manhã, isolando a empresa como a maior contribuidora para a alta do Ibovespa, com 117 pontos.

O principal índice acionário da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,12% no horário acima, aos 129.611 pontos.

A China ordenou que suas companhias aéreas não aceitem mais recebimento de jatos Boeing em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 145% sobre os produtos chineses. A informação foi publicada inicialmente pela Bloomberg News, citando fontes familiarizadas com o assunto.

Além disso, Pequim também ordenou que as companhias aéreas chinesas suspendam as compras de equipamentos e peças relacionadas a aeronaves de empresas norte-americanas.

As ações da Boeing – que vê a China como um de seus maiores mercados em crescimento e onde a rival Airbus detém uma posição dominante – caíram 3% antes da abertura dos mercados.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Logística, Mercado Internacional, Negócios

Premiê da China pede a exportadores que diversifiquem os mercados em meio a mudanças “profundas”

PEQUIM (Reuters) – O primeiro-ministro da China, Li Qiang, pediu aos exportadores do país nesta terça-feira que diversifiquem seus mercados para lidar com as “profundas” mudanças externas e prometeu apoiar mais o consumo interno, informou a mídia estatal.

A China foi atingida pelas tarifas mais altas nas medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor pesadas taxas sobre as importações. Na semana passada, Trump aumentou as tarifas sobre as importações chinesas para 145%, levando Pequim a aumentar as taxas sobre os produtos norte-americanos para 125% em uma guerra comercial cada vez mais intensa entre as duas maiores economias do mundo.

“No momento, mudanças profundas no ambiente externo afetaram negativamente o comércio exterior e as exportações da China”, disse Li em Pequim, segundo a rádio estatal.

“Devemos responder com calma às dificuldades e desafios trazidos pelos choques externos, promover o consumo e expandir a demanda doméstica com mais esforços”, disse Li, que não mencionou Trump ou os EUA em seus comentários.

As empresas chinesas devem explorar ativamente mercados diversificados, inovar os canais e métodos de comércio e se esforçar para estabilizar o comércio exterior, disse Li.

A China ajudará os produtos de comércio exterior de alta qualidade a se expandirem para o mercado interno e promoverá de forma constante o desenvolvimento integrado do comércio interno e externo, acrescentou.

As exportações da China aumentaram acentuadamente em março, depois que as fábricas apressaram as remessas antes que as mais recentes tarifas dos EUA entrassem em vigor, mas a escalada da guerra comercial entre a China e os EUA afetou as perspectivas das fábricas e do crescimento chineses.

Li também se comprometeu a tomar medidas para estabilizar o emprego, promover o crescimento da renda e fortalecer as redes de segurança social para ajudar a impulsionar o consumo.

Ainda há espaço significativo para o desenvolvimento do mercado imobiliário chinês e devem ser feitos esforços para desbloquear ainda mais o potencial do mercado, disse Li.

(Reportagem de Ethan Wang e Kevin Yao)

Fonte: Investing

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

PIB da China cresce 5,4% em meio à guerra comercial e supera expectativas

A economia da China cresceu 5,4% no primeiro trimestre de 2025 — o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos, subiu mais do que o esperado. A comparação foi feita com o mesmo período do ano passado.

O resultado superou as expectativas de analistas, que projetavam uma alta de 5,1%, e repetiu a taxa de crescimento do último trimestre de 2024, quando o PIB chinês também avançou 5,4%. Os dados foram divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China nesta quarta-feira (16).

Em meio à guerra comercial travada entre a China e os EUA, um documento oficial reconheceu que “o ambiente externo está se tornando mais complexo e severo” e que “o impulso para o crescimento da demanda doméstica efetiva é insuficiente”.

Fonte: Diário do Brasil

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior, Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Indústria de soja prevê margem menor no Brasil com guerra comercial

A guerra comercial entre Estados Unidos e China já eleva a demanda do país asiático por soja do Brasil, e deve comprimir as margens da indústria processadora ao longo deste ano, estima André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Após a eleição do presidente americano, Donald Trump, as processadoras anteciparam compras de soja e fixaram o que foi possível de preços, mas não conseguiram adquirir toda a necessidade anual. Assim, uma parcela entre 30% e 40% da safra, ainda não comprada, deve gerar margens menores, já que tem preços mais elevados.

“O que está acontecendo agora é um pouco parecido com o que aconteceu em 2018, quando a China fechou a importação de soja americana e comprou mais do Brasil. Isso gera uma valorização da soja brasileira”, disse Nassar, ontem, durante o seminário “A Lei Combustível do Futuro e as Perspectivas para os Biocombustíveis”.

“Olhando o preço no porto, já vemos há uma semana ou dez dias o prêmio subindo. Ele sinaliza que a soja está sendo valorizada. Essa soja que ainda não foi comprada vai ficar mais cara para a indústria, não acho que vá ter impacto grande (no volume) de esmagamento, mas isso reduz a margem da indústria”, acrescentou.

Segundo dados da Sin Consult, os prêmios da soja, base porto de Santos (SP) estão entre US$ 0,52 e US$ 0,55 o bushel para maio e US$ 0,60 a US$ 0,65 o bushel para junho, fruto de uma demanda acelerada da China pela soja brasileira. “A China está comprando tudo o que pode do Brasil. Nos últimos dez dias, foram 75 navios enviados para lá. Temos o produto para entregar, e nessa disputa comercial a procura cresceu ainda mais”, disse João Birkhan, CEO da Sin Consult.

A perspectiva do presidente da Abiove de que o custo de processamento será maior, mas os volumes vão se manter tem como base os cenários positivos para os mercados de óleo de farelo de soja no país. No caso do óleo, ele disse que há demanda oriunda dos mandatos de mistura do biodiesel ao diesel. O óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel no Brasil.

Já para o farelo de soja, a expectativa é promissora porque o insumo é utilizado como ração animal e a produção de carnes é crescente no país, com recordes de exportação e consumo interno aquecido.

A projeção mais recente da Abiove, divulgada no mês passado, indicava o esmagamento de 57,5 milhões de toneladas neste ano. A perspectiva para a produção de farelo e óleo de soja permaneceu estável, na projeção mensal, em 44,1 milhões de toneladas e 11,4 milhões de toneladas, respectivamente.

Para a produção do grão, a Abiove estimou um volume de 170,9 milhões de toneladas, levemente abaixo dos 171,7 milhões de toneladas projetados em fevereiro, mas ainda uma safra cheia.

“Essa foi uma safra com muita compra antecipada, a maior em compras antecipadas comparada há duas ou três safras anteriores, mas a indústria não consegue adquirir uma safra de 170 milhões de toneladas”, ressaltou Nassar.

Ele acredita que, na ponta da demanda, a China pode estar tentando antecipar o máximo que consegue as compras de soja na América do Sul, com Brasil e Argentina como fornecedores, mas no segundo semestre “haverá um incentivo muito grande para EUA e China conversarem, por preocupação de abastecimento da China”, disse.

Assim, a retração nas margens da indústria nacional deve ser um fenômeno de curto prazo, enquanto não houver nenhuma mudança na conjuntura envolvendo Washington e Pequim. Outro efeito de curto prazo que contribui para a compressão das margens das processadoras é a queda dos preços domésticos do óleo de soja, acrescentou.

Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, vê um cenário negativo para as esmagadoras este ano em decorrência do recuo de até 30% nos valores do biodiesel no mercado brasileiro e do congelamento da mistura em 14%. Tudo isso num momento em que a demanda chinesa fortalece os preços domésticos da soja.

O analista ressaltou que sazonalmente os preços do biodiesel são mais baixos no primeiro trimestre do ano, marcado por um período de demanda menor. No entanto, “para o segundo e terceiro trimestres era esperado uma reação nos valores [do biodiesel] que compensaria o recuo no início no ano, mas que foi neutralizada com a decisão de manter a mistura em 14%”.

Fonte: Datamar News

Ler Mais
Mercado Internacional, Oportunidade de Mercado, Portos

Chancay, o porto com projeto auspicioso, mas com início de operação cheio de desafios

Inaugurado em novembro de 2024 pelo líder chinês Xi Jinping sob os auspícios do programa Nova Rota da Seda, o complexo portuário de Chancay, 60 quilômetros ao norte de Lima (Peru), foi saudado com entusiasmo por setores do empresariado nacional por encurtar o trajeto marítimo pelo Oceano Pacífico em direção à Ásia em dez dias, se comparado às saídas dos portos brasileiros pelo Oceano Atlântico. Mas, passado o frisson inicial, o impacto tanto do porto de Chancay como dos demais portos do Pacífico é nulo tanto na entrada como na saída de mercadorias brasileiras (commodities e bens industrializados) em razão dos altos fretes, dos trâmites aduaneiros e, principalmente, das dificuldades e da falta de estrutura rodoviária e ferroviária para transpor a Cordilheira dos Andes.

Fruto de um investimento de US$ 3,5 bilhões da estatal chinesa Cosco Shipping, Chancay ocupa uma área de 280 hectares e, quando finalizado, terá quatro berços para cargas a granel, carga geral e carga rolante, 11 berços para contêineres e seis quilômetros de cais. É o único porto do continente com capacidade para receber cargueiros de 18 mil a 24 mil contêineres (TEUs, medida padrão de um contêiner) em plena carga. Um navio partindo de Chancay alcança o porto de Xangai entre 20 e 30 dias; pelo porto de Santos, o mesmo trajeto, dobrando o cabo da Boa Esperança, pode demorar até 45 dias, conforme as condições climáticas.

Mesmo tendo a China como principal cliente, o agro não se mostra animado. “Não há nenhuma movimentação de soja pelos portos do Chile e do Peru. A soja é um produto de baixo valor agregado. Teria de haver uma ferrovia até Chancay. Nossas carretas de nove eixos transportam até 55 toneladas, enquanto o limite nas cordilheiras é de 27 toneladas por veículo”, diz Luiz Pedro Bier, presidente da Aprosoja-MT. “Há ainda o gargalo aduaneiro. É preciso uma integração para desburocratizar as aduanas nos países vizinhos e no Chile.”

Com objetivo de integrar as economias do continente, o governo federal lançou, em 2023, o programa Rotas de Integração Sul-Americana, que estabelece cinco rotas prioritárias em conjunto com os governos de todos os países do continente, em um investimento previsto de US$ 10 bilhões. Em um primeiro momento, as rotas com mais afinidade ao acesso pelo Pacífico via região Norte são as rotas 2 (Amazônica) e 3 (Quadrante Rondon). Na Rota 2, já estão em andamento as obras de dragagem do rio Solimões até a fronteira com o Peru e a modernização da aduana alfandegária em Tabatinga (AM), na Tríplice Fronteira (BR-PE-COL). Pela Rota 3, o programa prevê obras nas rodovias BR-264 e BR-317, que seriam canais de acesso pelo Acre ao Peru. “O objetivo é potencializar a Zona Franca de Manaus no comércio com países vizinhos, e não necessariamente que os produtos sigam direto até Chancay. Em um primeiro momento, as obras vão favorecer a bioeconomia”, afirma João Villaverde, secretário de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Para Augusto Cesar Barreto Rocha, diretor da comissão de logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o programa de rotas é positivo quando se fala em integração, mas insuficiente para atender às necessidades da Zona Franca de Manaus. “A dragagem do Solimões é para a fluidez do fluxo de barcaças. Tanto no lado brasileiro como no peruano, é um rio muito sinuoso, e depois haveria necessidade de transbordo para chegar aos portos do Pacífico, o que compromete a segurança das cargas.” Rocha põe ainda em dúvida as vantagens competitivas de Chancay. “O tempo que se ganha no trajeto marítimo seria compensado pelos transbordos, armazenamento, fiscalização policial, documentação aduaneira, intempéries climáticas e condição precária da infraestrutura.” O ideal, segundo ele, seria o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), hoje praticamente intransitável em um trecho de 400 quilômetros.

“Há anos se buscam soluções modais para o acesso ao Pacífico, mas os fretes inviabilizam”, afirma Olivier Girard, CEO da consultoria Macroinfra. Nos últimos anos, houve o esboço de dois projetos ligando por modal ferroviário o Brasil e o Peru. O primeiro seria a Ferrovia Transoceânica, conectando os portos de Açu (RJ) e Callao (Peru), em um trajeto de quase 17 mil quilômetros. O projeto nunca saiu do papel. “Tanto na região de Pucalpa (Peru) como no lado brasileiro, no Acre, há reservas ambientais intocáveis”, diz Girard. No governo Bolsonaro, houve a proposta de uma ferrovia ligando os portos de Santos e Ilo (Peru), passando pela Bolívia. A ideia foi descartada pelo governo Lula e substituída pelo programa de integração de rotas.

Fonte: Valor Econômico

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Ações da Embraer disparam com veto da China contra jatos da Boeing

A proibição da compra de jatos faz parte de medidas de Pequim contra o tarifaço de Trump.

Nessa terça-feira (15) as ações da Embraer dispararam na Bolsa brasileira (B3), depois da decisão do governo da China de proibir a compra de jatos e peças da Boeing por parte de empresas aéreas chinesas.

A proibição da compra de jatos feita pelo governo chinês faz parte de medidas adotadas por Pequim contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na guerra comercial entre as duas potências econômicas.

Reflexo das medidas adotadas pelo governo chinês, por volta das 12 horas, os papéis da Embraer registravam valorização de 3,75%, cotados a R$ 65.07. A tendência de alta desenhou-se desde o início do pregão, às 10 horas.

Pela manhã, as ações ordinárias (ON), que dão direito a voto em assembleias da Embraer chegaram a subir mais de 4%. Com isso, os papéis da empresa tornaram-se o principal propulsor da alta da Bolsa brasileira (B3) naquele período.

Com represália contra a Boeing, mas cujo alvo é o governo americano, os investidores passaram a acreditar que a companhia brasileira possa suprir parte da demanda chinesa com a venda de aeronaves.

Fonte: Guararema News

Ler Mais
Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Rumo ao fim do SWIFT? A Rússia anuncia uma expansão global do BRICS Pay

Enquanto as tensões geopolíticas redesenham os equilíbrios globais, os BRICS aceleram a implementação de sua própria rede de pagamento. Liderada pela Rússia, essa infraestrutura visa emancipar-se do SWIFT e abrir um caminho financeiro fora do controle ocidental. O anúncio de sua acessibilidade a países não-membros marca uma ruptura estratégica. Além de uma ferramenta regional, o BRICS Pay torna-se uma alavanca de influência global e um sinal forte a favor de uma ordem monetária multipolar.

A rede BRICS Pay se abre para o mundo

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, confirmou que a futura rede de pagamento dos BRICS, ainda em fase de finalização, será acessível a países terceiros.

De fato, em uma declaração oficial, ele afirmou que “países que não são membros dos BRICS terão a possibilidade de usar esse sistema de pagamento assim que ele for lançado“.

Essa abertura representa uma expansão estratégica significativa para uma infraestrutura inicialmente pensada como uma ferramenta de integração regional.

Um sistema como esse visa fortalecer a autonomia das economias emergentes diante da hegemonia do sistema SWIFT, frequentemente percebido como uma alavanca de influência ocidental. Várias características conferem ao sistema BRICS Pay um potencial de atratividade :

  • A interoperabilidade regional: a rede visa conectar os sistemas de pagamento nacionais dos membros dos BRICS, como MIR (Rússia), RuPay (Índia) ou ainda o CIPS (China);
  • Uma abertura a países não-membros: a arquitetura do sistema é pensada para integrar estados terceiros assim que for implementado;
  • O contorno das sanções: ao se desvincular dos canais dominados pelos Estados Unidos e pela Europa, as trocas comerciais podem prosseguir sem obstáculos;
  • Uma promoção das moedas nacionais: o pagamento das transações seria feito sem o uso do dólar, utilizando diretamente as moedas dos países participantes.

Essa iniciativa poderia deste modo atrair nações que desejam garantir seus fluxos financeiros internacionais fora da influência ocidental. Resta validar sua robustez técnica e sua capacidade de se integrar aos padrões internacionais existentes.

Uma estratégia de dedolarização com contornos ainda nebulosos

Além da parte tecnológica, a questão do BRICS Pay também é monetária. A extensão do sistema a países terceiros se insere em um movimento global para reduzir a dependência do dólar americano.

Nesse sentido, as discussões em torno da criação de um mecanismo unificado de pagamento baseado em uma cesta de moedas nacionais refletem a ambição de construir uma forma de soberania financeira. Durante sua intervenção, Serguei Lavrov mencionou a necessidade de “desenvolver um sistema de pagamento independente, baseado no uso de moedas nacionais e fora do controle das estruturas ocidentais“.

No entanto, se a vontade política é evidente, a implementação se mostra mais complexa. As divergências internas entre os membros da aliança dos BRICS, especialmente entre a China e a Índia, complicam a perspectiva de uma moeda comum.

No estado atual, as soluções consideradas dependem mais da interconexão dos sistemas de pagamento nacionais existentes do que da criação de um único instrumento monetário. Paralelamente, a supremacia atual do dólar, que ainda representa a maior parte das reservas de câmbio globais, constitui um obstáculo estrutural difícil de contornar a curto prazo.

Essa estratégia de dedolarização progressiva, embora coerente com as dinâmicas multipolares atuais, pode, no entanto, gerar fricções, tanto dentro do bloco quanto com parceiros externos.

A credibilidade do sistema BRICS Pay internacionalmente dependerá de sua capacidade de demonstrar sua confiabilidade, segurança e compatibilidade com as necessidades das economias que considerariam adotá-lo. A médio prazo, essa iniciativa promovida pela Rússia poderia acelerar a fragmentação do sistema financeiro mundial em blocos regionais ou políticos, cada um com suas próprias infraestruturas de liquidação. Resta saber se essa tendência se traduzirá em uma real mudança de equilíbrio ou se apenas reforçará a diversificação sem desafiar a ordem monetária atual.

Maximize sua experiência na Cointribune com nosso programa “Read to Earn”! Para cada artigo que você lê, ganhe pontos e acesse recompensas exclusivas. Inscreva-se agora e comece a acumular vantagens.

Fonte: Revista O Contribuinte

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

China exige que EUA eliminem tarifas e corrijam ‘erros’ na relação comercial

Nos últimos anos, as relações comerciais entre China e Estados Unidos têm sido marcadas por tensões e negociações complexas. Em 2025, a questão das tarifas recíprocas continua a ser um ponto de discórdia significativo entre as duas potências econômicas. Recentemente, a China solicitou que os Estados Unidos eliminem completamente essas tarifas, argumentando que elas representam um erro estratégico que precisa ser corrigido.
O pedido chinês veio após a decisão do governo dos Estados Unidos de isentar certos produtos eletrônicos, como celulares e computadores, das tarifas recíprocas previamente anunciadas. Essa medida foi vista como um alívio para os consumidores americanos e para grandes empresas do setor tecnológico, que poderiam enfrentar aumentos de custo significativos devido às tarifas.

EUA retiram tarifas de quais produtos chineses?

A isenção anunciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA abrangeu uma lista de 20 categorias de produtos. Entre eles, destacam-se os celulares, computadores, semicondutores, chips de memória e monitores de tela plana. Esses itens são fundamentais nas importações da China para os Estados Unidos, representando uma parte significativa do comércio bilateral.

Em 2024, os smartphones foram a principal importação chinesa para os Estados Unidos, com um valor total de 41,7 bilhões de dólares. Os laptops ficaram em segundo lugar, com 33,1 bilhões de dólares. A decisão de isentar esses produtos das tarifas foi recebida positivamente por analistas e investidores, que veem a medida como um alívio para o setor tecnológico.

Quais as razões da China para exigir o fim total das tarifas dos EUA?

A posição da China em relação às tarifas recíprocas é clara: o país considera que essas medidas são prejudiciais para ambas as economias e para o comércio global. O porta-voz do Ministério do Comércio chinês enfatizou a necessidade de os Estados Unidos corrigirem seus “erros” e retornarem ao caminho do respeito mútuo nas relações comerciais.

Para a China, a eliminação completa das tarifas poderia facilitar um ambiente de negócios mais estável e previsível, beneficiando não apenas os dois países, mas também o mercado global. A postura chinesa reflete uma busca por soluções diplomáticas que possam evitar uma escalada nas tensões comerciais.

Para onde caminha o comércio bilateral entre China e Estados Unidos?

O futuro das relações comerciais entre China e Estados Unidos permanece incerto, com muitos fatores em jogo. A recente isenção de tarifas sobre produtos eletrônicos pode ser vista como um passo na direção certa, mas ainda há muitos desafios a serem superados. A questão das tarifas recíprocas é apenas uma parte de um quadro mais amplo de negociações e disputas comerciais.

Analistas acreditam que, para alcançar uma solução duradoura, ambos os países precisarão se engajar em diálogos construtivos e buscar compromissos que atendam aos interesses de ambas as partes. A evolução dessas negociações será crucial para determinar o impacto econômico global e a estabilidade das cadeias de suprimentos internacionais.

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook