Exportação

Acrimat alerta para impacto da tarifa de 55% da China sobre a carne bovina brasileira

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou preocupação com a decisão da China de aplicar tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar os volumes estabelecidos por país. A medida, anunciada nesta quarta-feira (31), entra em vigor nesta quinta-feira (1º) e terá validade até 31 de dezembro de 2028.

Segundo a entidade, a adoção das chamadas medidas de salvaguarda pode gerar reflexos diretos em toda a cadeia produtiva, especialmente para o produtor rural, considerado o elo mais vulnerável do setor.

Preocupação com o impacto no produtor rural

Em nota oficial, a Acrimat avalia que a decisão chinesa ocorre em um momento sensível para a pecuária brasileira. “Vemos com muita preocupação essas medidas de salvaguarda determinadas pela China para a nossa carne bovina, especialmente neste fim de ano”, afirmou a associação.

A China é atualmente o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina e lidera também as compras do produto mato-grossense. Qualquer mudança nas condições de acesso a esse mercado, segundo a entidade, tende a impactar preços, renda e planejamento da atividade pecuária.

Efeitos na cadeia produtiva

A Acrimat ressalta que crises econômicas ou sanitárias envolvendo grandes compradores costumam recair sobre o produtor. “Sabemos que qualquer incidente, seja sanitário ou econômico, impacta negativamente no bolso do pecuarista, que acaba arcando com toda a conta”, destacou a associação.

Como exemplo recente, a entidade cita o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, que provocou queda nos preços da arroba. Para a Acrimat, situações como essa demonstram como decisões externas afetam diretamente o mercado interno.

Capacidade dos frigoríficos e defesa do produtor

A associação também avalia que grandes frigoríficos exportadores têm condições de redirecionar volumes excedentes para outros mercados, sem repassar prejuízos ao produtor rural. “Os grandes exportadores brasileiros conseguem pulverizar esse excedente para outros destinos, sem prejudicar o pecuarista com manobras especulativas”, pontua a entidade.

Ao final, a Acrimat reforça a necessidade de valorização do produtor e cobra atuação do governo federal. “É fundamental que o produtor seja respeitado, especialmente neste momento de incertezas e mudança de ciclo. Esperamos que o governo defenda quem produz, e não apenas quem exporta”, conclui.

Cotas e números do comércio com a China

De acordo com o Ministério do Comércio da China (Mofcom), as cotas de importação sem tarifa adicional para o Brasil serão de 1,106 milhão de toneladas em 2026, 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. Qualquer volume acima desses limites estará sujeito à tarifa extra de 55%.

Somente em 2025, até novembro, o Brasil exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China, gerando receita de US$ 8,028 bilhões.

Em Mato Grosso, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações de carne bovina somaram 867,72 mil toneladas equivalente carcaça (TEC) entre janeiro e novembro de 2025, alta de 23,87% em relação ao mesmo período de 2024, que já havia sido recorde.

No recorte por destino, a China respondeu por 54,88% dos embarques do estado em 2025, frente a 46,31% no mesmo intervalo de 2024, evidenciando a crescente dependência do mercado chinês.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Comércio Exterior

Brasil avalia efeitos de corte nas tarifas de importação anunciado pela China

O governo brasileiro analisa os possíveis impactos da decisão da China de reduzir tarifas de importação, medida anunciada nesta segunda-feira (29) e com previsão de entrada em vigor a partir de 2026. A iniciativa pode influenciar diretamente o comércio bilateral e setores estratégicos da economia nacional.

Redução inclui insumos industriais e produtos médicos

De acordo com informações divulgadas por autoridades chinesas, o pacote de ajustes tarifários prevê a diminuição de impostos sobre commodities baseadas em recursos naturais, incluindo materiais como pólvora negra reciclada utilizada em baterias de íon-lítio.

A lista também deve contemplar produtos médicos, como kits de diagnóstico voltados à detecção de determinadas doenças infecciosas, ampliando o acesso a insumos considerados estratégicos.

Governo brasileiro acompanha possíveis impactos

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que acompanha atentamente as mudanças anunciadas por Pequim e está avaliando os possíveis reflexos para o Brasil.

Segundo a pasta, ajustes tarifários são instrumentos comuns dentro da política comercial internacional, desde que respeitados os compromissos firmados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em acordos bilaterais ou multilaterais em vigor.

Setor produtivo deve avaliar riscos e oportunidades

O ministério também orientou que o setor produtivo brasileiro acompanhe de perto as alterações, a fim de identificar tanto oportunidades comerciais quanto possíveis impactos negativos sobre a competitividade das exportações nacionais.

A análise inclui efeitos sobre cadeias produtivas estratégicas e o posicionamento do Brasil frente às novas condições de acesso ao mercado chinês.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mapa

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Comércio Exterior

China anuncia redução de tarifas de importação para 935 produtos a partir de 2026

A China anunciou que vai reduzir temporariamente as tarifas de importação de 935 produtos a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida foi divulgada pela Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado e prevê alíquotas inferiores às atualmente praticadas, como parte da estratégia de estímulo à economia e ao comércio exterior.

Medida busca fortalecer integração econômica

De acordo com o governo chinês, a redução tarifária tem como objetivo fortalecer a integração entre os mercados interno e externo, ampliar a oferta de produtos no país e otimizar o uso de recursos nacionais e internacionais. A iniciativa também faz parte do esforço para impulsionar o desenvolvimento econômico e industrial.

Insumos estratégicos e produtos médicos terão redução de tarifas

Entre os principais ajustes, a China vai reduzir tarifas sobre componentes estratégicos e materiais avançados, com foco no fortalecimento da indústria tecnológica doméstica. Também haverá diminuição de impostos para insumos voltados ao desenvolvimento sustentável e para produtos médicos, como vasos sanguíneos artificiais, ampliando o acesso da população a tratamentos de saúde.

Novas categorias para tecnologia e economia verde

O governo chinês também anunciou mudanças na classificação tarifária de produtos importados, utilizada como base para a cobrança de impostos. Serão criadas novas categorias específicas para itens ligados à inovação, como robôs biônicos inteligentes e querosene de aviação de origem biológica, alinhando a política comercial às metas de tecnologia e economia circular.

Acordos comerciais e tarifa zero para países menos desenvolvidos

No comércio exterior, a China manterá em 2026 as tarifas preferenciais aplicadas a produtos importados de 34 parceiros comerciais, conforme os 24 acordos de livre comércio e regimes preferenciais em vigor.

Além disso, o país seguirá adotando tarifa zero para todas as categorias de produtos provenientes de 43 países menos desenvolvidos que mantêm relações diplomáticas com Pequim, reforçando sua política de cooperação internacional.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zhang Ailin/ Xinhua

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Internacional

China intensifica preparação militar e adapta transporte civil para cenários de guerra em larga escala

A China vem ampliando, ao longo de 2025, os preparativos militares do Exército de Libertação Popular (ELP) com uma série de exercícios de grande porte voltados à mobilização rápida de tropas, reservistas e recursos civis. A estratégia segue a diretriz de integração militar-civil, com foco especial no uso de sistemas de transporte comerciais para fins militares e atenção redobrada ao Estreito de Taiwan.

De acordo com análises divulgadas pela Reuters, os treinamentos têm se tornado mais frequentes e complexos, indicando um esforço coordenado para reduzir o tempo de resposta em cenários de conflito de alta intensidade.

Uso de navios civis e logística integrada chama atenção

Durante exercícios realizados no verão asiático, o ELP empregou embarcações civis, como navios do tipo roll-on/roll-off (RO-RO) e cargueiros, em operações anfíbias. Imagens de satélite apontam desembarques diretos de veículos militares em praias da província de Guangdong, evidenciando a incorporação de ativos comerciais às operações militares.

Segundo avaliações do Pentágono, a China testa de forma recorrente a capacidade de transporte multimodal civil para deslocamento rápido de forças, alinhando-se ao conceito de “início rápido e vitória decisiva”. A prática reduz barreiras logísticas e amplia a flexibilidade operacional em possíveis cenários de conflito.

Base legal sustenta estratégia de fusão militar-civil

A adaptação do transporte civil ao uso militar é respaldada por uma estrutura legal consolidada. A política de fusão militar-civil, formalizada a partir de 2015, foi reforçada pela Lei de Transporte de Defesa Nacional, de 2017, e por reformas no Sistema Nacional de Mobilização de Defesa.

Estudos do Asia Times e do ChinaPower Project indicam que o uso de infraestrutura de dupla finalidade — como portos, ferrovias, rodovias e aviação comercial — amplia significativamente a capacidade anfíbia do país, reduzindo gargalos logísticos em operações de grande escala.

Repercussão regional e resposta internacional

No cenário regional, Taiwan intensificou seus próprios exercícios militares, enquanto os Estados Unidos acompanham de perto a movimentação chinesa no Indo-Pacífico. Especialistas avaliam que os treinamentos têm efeito dissuasório, mas também representam ganhos reais de capacidade operacional.

O Ministério da Defesa da China, por sua vez, afirma que as atividades têm caráter defensivo e visam proteger a soberania nacional. Ainda assim, a intensificação dos exercícios ao longo de 2025 reforça a prioridade de Pequim em modernizar o ELP para conflitos prolongados e tecnologicamente avançados, em um ambiente geopolítico cada vez mais tensionado.

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FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/X/Diário do Brasil

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Logística

China reforça apoio financeiro ao Corredor Internacional Terra-Mar para impulsionar comércio exterior

Autoridades chinesas anunciam pacote com 21 medidas para fortalecer financiamento, integração regional e uso do yuan em transações internacionais

A China anunciou um novo pacote de políticas para ampliar o apoio financeiro ao Novo Corredor Internacional Terra-Mar, iniciativa estratégica voltada à integração logística e ao fortalecimento do comércio exterior. As diretrizes foram divulgadas pelo Banco Popular da China (PBoC), em conjunto com outros sete órgãos governamentais, incluindo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) e o Ministério das Finanças.

O documento reúne 21 medidas voltadas à ampliação do financiamento e à melhoria dos sistemas de liquidação, com foco no desenvolvimento de alta qualidade do corredor logístico. Segundo especialistas, a iniciativa representa um passo relevante para estabilizar o comércio e os investimentos estrangeiros, em um contexto de diversificação das parcerias comerciais da China, especialmente com países da Iniciativa Cinturão e Rota e nações vizinhas.

Fortalecimento da estrutura financeira e integração internacional

As diretrizes priorizam o aprimoramento da coordenação institucional e da qualidade dos serviços financeiros ao longo do corredor. Entre os objetivos está o fortalecimento da conexão entre os sistemas financeiros domésticos e internacionais, além do incentivo à expansão das operações externas de instituições financeiras chinesas.

O plano também prevê a ampliação da presença de instituições financeiras estrangeiras, permitindo que bancos da ASEAN e das Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau atuem em cidades e províncias estratégicas por meio da abertura de filiais, subsidiárias ou estruturas especializadas.

Facilitação de pagamentos e investimentos transfronteiriços

Outro eixo central das medidas é a simplificação das liquidações financeiras internacionais. O governo pretende facilitar pagamentos comerciais transfronteiriços, ampliar a conveniência para investimentos externos e testar modelos integrados de gestão de moedas onshore e offshore para multinacionais. Também será estimulada a reinversão doméstica de empresas com capital estrangeiro.

Segundo Li Changan, professor da Universidade de Economia e Negócios Internacionais da China, as políticas ajudam a resolver gargalos de financiamento em projetos de infraestrutura e cooperação regional, além de fortalecer o uso internacional do yuan. Ele destaca que empresas de logística, comércio exterior e manufatura devem ser diretamente beneficiadas.

Expansão do uso do yuan e cooperação financeira

O plano prevê a ampliação do uso transfronteiriço da moeda chinesa, com ações como:

  • fortalecimento da cooperação monetária com países do Sudeste e da Ásia Central;
  • incentivo ao uso do yuan em comércio exterior e investimentos;
  • apoio a transações em yuan por empresas estrangeiras, investidores da ASEAN e no comércio de commodities;
  • estímulo ao uso da moeda chinesa em financiamentos, garantias e transferências internacionais.

Também estão previstas iniciativas de cooperação financeira internacional, como a participação no projeto de moeda digital de bancos centrais (m-CBDC) e testes de pagamentos transfronteiriços com yuan digital em parceria com Tailândia, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Singapura.

Crescimento do corredor e impacto econômico

O documento também reforça a importância da prevenção de riscos financeiros e da criação de mecanismos de segurança para sustentar a expansão do corredor.

Segundo a agência estatal Xinhua, o plano geral do Corredor Internacional Terra-Mar foi lançado em 2019 com o objetivo de impulsionar a abertura econômica do oeste chinês. Entre janeiro e outubro deste ano, o valor total de importações e exportações pelo corredor alcançou 1,35 trilhão de yuans, crescimento de 17,9% na comparação anual.

Em Chongqing, um dos principais polos logísticos da rota, o comércio exterior somou 48,96 bilhões de yuans nos primeiros 11 meses de 2025, alta de 170% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Atualmente, o corredor conecta 157 nós logísticos em 73 cidades de 18 províncias e regiões chinesas, alcançando 555 portos em 127 países e regiões ao redor do mundo.

FONTE: Global Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Zhang Ailin

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Exportação

Exportações para a China crescem 28,6% e neutralizam impacto do tarifaço dos EUA

O crescimento das exportações brasileiras para a China ajudou a compensar a forte retração nas vendas ao mercado americano após a entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos, iniciado em agosto. No período entre agosto e novembro, o Brasil conseguiu equilibrar sua balança externa ao ampliar o fluxo comercial com o principal parceiro asiático.

Dados mostram que o valor exportado para a China avançou 28,6% em comparação com o mesmo intervalo de 2024. No sentido oposto, as exportações destinadas aos Estados Unidos recuaram 25,1% no mesmo período.

Volume exportado segue tendência semelhante

O comportamento se repete quando analisado o volume das exportações. As vendas brasileiras para portos e aeroportos chineses registraram alta de 30%, enquanto os embarques para os Estados Unidos caíram 23,5%. A diferença entre valor e volume está relacionada, sobretudo, à variação dos preços dos produtos exportados.

As informações constam no Indicador de Comércio Exterior (Icomex), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

China consolida liderança como principal destino das exportações

A China, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras, manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. Segundo o Icomex, esse peso foi decisivo para mitigar os efeitos negativos do tarifaço americano.

O relatório aponta que o governo dos EUA superestimou sua capacidade de provocar danos amplos às exportações brasileiras, ao considerar que o país possui elevada diversificação de mercados.

Setores mais afetados pelas tarifas americanas

Entre agosto e novembro, alguns segmentos registraram quedas expressivas nas vendas aos Estados Unidos, com destaque para:

Extração de minerais não metálicos, com retração de 72,9%
Fabricação de bebidas, queda de 65,7%
Fabricação de produtos do fumo, recuo de 65,7%
Extração de minerais metálicos, redução de 65,3%
Produção florestal, baixa de 60,2%
Produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, queda de 51,2%
Produtos de madeira, recuo de 49,4%

Evolução mensal das exportações em 2025

O levantamento da FGV mostra que as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram de abril a julho, sempre na comparação anual. No entanto, após a adoção das tarifas, o país acumulou quatro meses consecutivos de retração.

Já as exportações para a China aceleraram de forma significativa a partir de agosto, com taxas mensais expressivas, impulsionadas principalmente pelo embarque de soja, concentrado no segundo semestre.

Segundo a pesquisadora do Ibre/FGV Lia Valls, o redirecionamento dos embarques teve papel relevante no desempenho global do comércio exterior brasileiro. Ela explica que o aumento das vendas à China ocorreu justamente quando as exportações aos Estados Unidos começaram a cair.

No acumulado até novembro, as exportações totais do Brasil cresceram 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.

Argentina tem crescimento, mas impacto limitado

O Icomex também analisou o desempenho das exportações para a Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Entre agosto e novembro, houve crescimento de 5% em valor e 7,8% em volume.

Apesar do avanço, Lia Valls ressalta que o peso da Argentina na pauta exportadora brasileira é reduzido e não tem capacidade de compensar perdas geradas pelo tarifaço americano, sobretudo porque o comércio bilateral é concentrado no setor automotivo.

Entenda o tarifaço imposto pelos Estados Unidos

O tarifaço de Donald Trump entrou em vigor em agosto de 2025, elevando impostos sobre produtos importados com o objetivo declarado de estimular a produção interna americana. No caso do Brasil, a medida incluiu sobretaxas de até 50%, uma das mais elevadas aplicadas pelo governo dos EUA.

Além de razões econômicas, Trump chegou a justificar a medida como retaliação política ao Brasil, em meio às críticas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde então, os dois países negociam ajustes no acordo comercial. No último dia 20, o governo americano retirou uma sobretaxa adicional de 40% sobre 269 produtos, principalmente do setor agropecuário, como carnes e café. Segundo o Icomex, os efeitos dessa decisão devem ser percebidos apenas a partir de dezembro e janeiro.

O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, estima que 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda seguem sujeitas às tarifas adicionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Notícias

Cobre clandestino rumo à China: Receita Federal intercepta esquema milionário em portos do Sul

A Receita Federal apreendeu mais de 457 toneladas de minério de cobre que seriam exportadas de forma irregular para a China. A operação ocorreu na primeira semana de dezembro de 2025 e resultou na retenção das cargas nos portos de Itapoá (SC) e Paranaguá (PR).

Segundo o órgão, o material estava distribuído em 17 contêineres e tem valor estimado superior a R$ 2,1 milhões. As cargas haviam sido despachadas a partir de estados da região Norte, o que levantou suspeitas sobre a origem e a legalidade do minério.

Esquema milionário usava empresas de fachada
As investigações apontaram a existência de um esquema milionário estruturado para viabilizar a saída ilegal do minério do país. Os responsáveis utilizavam empresas de fachada, sem funcionários, sem atividade econômica real e sem estrutura operacional, criadas exclusivamente para simular operações regulares de exportação.

De acordo com a Receita, alguns dos sócios envolvidos já possuem histórico de infrações, incluindo tentativas anteriores de exportação ilegal, uso de documentos falsos, irregularidades em autorizações de exploração mineral e registros ligados a contrabando.

Troca de portos era usada para burlar fiscalização
Outro ponto identificado pela fiscalização foi a mudança constante de portos como estratégia para driblar o controle aduaneiro. Antes das apreensões no Sul, movimentações semelhantes já haviam sido detectadas em terminais do Pará, Ceará, Bahia e São Paulo.

A repetição do padrão em diferentes estados levou as equipes de inteligência a intensificarem o monitoramento logístico e o cruzamento de informações, o que culminou na interceptação das cargas.

Inteligência fiscal fortalece combate ao comércio ilegal
A Receita Federal informou que a operação é resultado de ações de inteligência fiscal, análise de risco e cruzamento de dados do comércio exterior. O órgão destacou que continuará atuando de forma rigorosa para coibir práticas que geram prejuízos à economia e ao patrimônio mineral brasileiro.

Em nota, a Receita reforçou que as operações de exportação devem cumprir integralmente a legislação e reiterou o compromisso com a legalidade, transparência e segurança nas transações internacionais do país.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal/Divulgação/ND Mais

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Transporte

China testa trem-bala magnético em tubo de vácuo, atinge 650 km/h e mira 4.000 km/h

Projeto T-Flight aposta em levitação magnética e baixa pressão, mas enfrenta desafio crítico de manter tubos selados por centenas de quilômetros

A China deu mais um passo em sua corrida por tecnologias de transporte de altíssima velocidade ao testar o trem-bala magnético T-Flight, desenvolvido pela estatal CASIC. Em ambiente controlado e dentro de um tubo de baixa pressão com apenas 1 quilômetro de extensão, o protótipo alcançou 650 km/h em apenas sete segundos, superando o recorde validado de 623 km/h registrado em 2024.

Teste recente acelera ambição chinesa no transporte de alta velocidade

A meta de curto prazo é chegar a 800 km/h ainda em 2025. No horizonte mais distante, o plano é ambicioso: atingir 4.000 km/h, velocidade que colocaria o sistema em um patamar comparável ao de aeronaves supersônicas.

Da ferrovia tradicional ao salto tecnológico

Em 2008, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, a China contava com apenas 120 quilômetros de linhas de alta velocidade, ligando Pequim a Tianjin. Dezessete anos depois, em 2025, o país opera a maior malha ferroviária de alta velocidade do mundo.

Agora, o foco não é apenas expandir a rede, mas testar tecnologias capazes de reduzir a dependência de voos domésticos, especialmente em trajetos curtos e médios. O T-Flight simboliza essa mudança de estratégia: ir além dos limites tradicionais da ferrovia.

O que é o Maglev e por que ele permite velocidades extremas

O Maglev é um sistema de levitação magnética, no qual o trem não toca os trilhos. Ímãs e campos eletromagnéticos fazem o veículo “flutuar”, eliminando o atrito físico entre rodas e trilhos.

Essa tecnologia já é realidade na China, que opera o Maglev comercial mais rápido do mundo, com velocidades de até 431 km/h. No Japão, testes experimentais superam 600 km/h. Ainda assim, esses números são considerados modestos frente à proposta do T-Flight.

Maglev em tubo de vácuo: conceito inspirado no Hyperloop

O diferencial do T-Flight está na combinação entre levitação magnética e tubo de vácuo, conceito semelhante ao do Hyperloop. Ao retirar grande parte do ar do interior do tubo, a resistência aerodinâmica — um dos principais limitadores de velocidade — é drasticamente reduzida.

Enquanto a levitação elimina o atrito de contato, o ambiente de baixa pressão reduz o “freio” imposto pelo ar, criando as condições necessárias para velocidades inéditas no transporte ferroviário.

Supercondutores ampliam estabilidade do sistema

Outro elemento-chave do projeto é o uso de supercondutores. Com eles, o trem poderia flutuar até 100 milímetros acima do trilho, bem acima dos cerca de 10 milímetros observados em sistemas Maglev convencionais.

Essa maior folga aumenta a estabilidade em velocidades extremas, reduzindo a sensibilidade do sistema a pequenas variações estruturais que, em altas velocidades, podem se tornar críticas.

O que os testes de 1 km já revelam

Mesmo com uma pista extremamente curta, de apenas 1 quilômetro, os testes foram considerados reveladores. A aceleração até 650 km/h em sete segundos, seguida de frenagem segura, indica níveis muito elevados de aceleração e desaceleração, algo incomum em sistemas ferroviários tradicionais.

Segundo a CASIC, a próxima etapa é estender a pista para 60 quilômetros, condição necessária para validar velocidades maiores em cenários mais próximos do uso real.

As fases do T-Flight: 1.000, 2.000 e 4.000 km/h

O projeto está dividido em etapas progressivas:

  • Fase 1: atingir 1.000 km/h, com pista de testes ampliada;
  • Fase 2: avançar para 2.000 km/h;
  • Fase 3: alcançar 4.000 km/h, entrando definitivamente no território supersônico.

A promessa é conectar grandes centros urbanos chineses em poucos minutos, reduzindo o apelo de voos domésticos curtos, especialmente quando se considera o tempo total gasto com aeroportos, embarque e deslocamentos.

O maior obstáculo: manter o tubo selado

Apesar dos avanços na levitação magnética, o principal desafio técnico está no tubo de vácuo. Manter centenas de quilômetros de tubos parcialmente evacuados exige vedação quase perfeita.

Variações de temperatura provocam dilatações nos materiais, aumentando o risco de vazamentos. Estimativas indicam que um tubo de 600 quilômetros precisaria de uma junta de dilatação a cada 100 metros, resultando em milhares de pontos potenciais de falha.

Por que uma descompressão seria catastrófica

Em um sistema de baixa pressão, a entrada súbita de ar não é apenas um vazamento comum. Trata-se de uma ruptura das condições operacionais, capaz de comprometer desempenho e segurança de forma imediata.

Além disso, ainda não existem padrões internacionais de certificação ou protocolos de segurança consolidados para sistemas desse tipo, o que torna a transição de testes para operação comercial ainda mais complexa.

O que está em jogo para a China

A avaliação geral é cautelosa. Embora o projeto avance em ritmo acelerado, especialistas veem dificuldades significativas para uma aplicação comercial no curto prazo, especialmente devido aos desafios estruturais e regulatórios.

Mesmo assim, o histórico chinês pesa a favor. Em menos de duas décadas, o país saiu de uma rede modesta para liderar o mundo em ferrovias de alta velocidade. Agora, tenta repetir o feito em um novo patamar tecnológico, colocando o trem-bala magnético como potencial rival da aviação.

Fonte: Portal clickpetroleoegas.com.br com informações da base original do projeto T-Flight e testes divulgados pela CASIC

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO CLICK PETRÓLEO E GÁS

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Exportação

Exportações da China intensificam tensão comercial com a Europa

As exportações da China vêm alimentando um clima de tensão com a Europa, que já fala abertamente em risco de confronto comercial. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o desequilíbrio nas trocas com Pequim como “insuportável” e afirmou que a situação representa “vida ou morte para a indústria europeia”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também declarou que os laços econômicos com a China “chegaram a um ponto de inflexão”.

O alerta ganhou força após o anúncio de que o superávit chinês com a União Europeia (UE) atingiu o nível recorde de quase 300 bilhões em 2025. As exportações chinesas para o bloco já superam em mais do dobro o volume importado, impulsionadas pelo redirecionamento de produtos que enfrentam novas tarifas nos Estados Unidos.

Pressão por mudanças na política europeia

Para analistas, o impacto do chamado “choque chinês” está se tornando visível. Andrew Small, diretor do programa Ásia do Conselho Europeu de Relações Exteriores, afirma que a UE vive um momento de urgência e que reuniões internas de crise já são frequentes. Segundo ele, o cenário pode levar à maior revisão da política europeia para a China em mais de uma década.

Nos últimos anos, a atenção da Europa esteve voltada à guerra na Ucrânia e às tensões comerciais com os EUA, mas Pequim voltou ao centro das preocupações. Um pacote de medidas considerado “represado”, segundo Small, está em preparação.

Estratégia europeia para proteger suas indústrias

Em resposta ao avanço das exportações chinesas, a Comissão Europeia apresentou um plano para impedir que indústrias do bloco sejam ultrapassadas por concorrentes globais. Entre as propostas estão a criação de um centro de segurança econômica, novos critérios para investimentos estrangeiros e políticas para evitar que produtos baratos inundem o mercado único.

O movimento ocorre no momento em que outras grandes economias também erguem barreiras comerciais. No México, legisladores aprovaram novas tarifas sobre importações asiáticas.

Impacto econômico direto na Europa

Economistas do Goldman Sachs estimam que a pressão das exportações chinesas deve reduzir o crescimento do PIB de países como Alemanha, Espanha e Itália em pelo menos 0,2 ponto percentual ao ano entre 2026 e 2029. Estudo do Banco Central Europeu aponta que quase um terço dos empregos da zona do euro pode ser afetado — mais de 50 milhões de trabalhadores.

Segundo Stephen Jen, CEO da Eurizon SLJ Capital, a combinação de comércio acelerado e moeda desvalorizada torna o cenário “insustentável”. Para ele, a desvalorização do yuan funciona como um “subsídio” às exportações chinesas, ao mesmo tempo em que reduz o poder de compra interno.

Dependência europeia e riscos estratégicos

A UE continua sendo um dos poucos mercados grandes o suficiente para absorver produtos chineses antes destinados aos EUA. Em Bruxelas, preocupações aumentaram após Pequim usar sua dominância sobre terras raras para pressionar setores estratégicos, provocando paralisações em indústrias europeias.

Apesar de ter reservado ao menos 3 bilhões de euros para diminuir a dependência de insumos chineses, especialistas afirmam que os efeitos dessas medidas levarão anos para aparecer.

Superávit em expansão e concorrência crescente

A disparada das exportações chinesas durante a pandemia ampliou a diferença comercial. Com consumidores comprando mais produtos ligados ao home office e à vida doméstica, e com empresas chinesas avançando em setores de alta tecnologia, como carros elétricos e dispositivos médicos, o desequilíbrio aumentou.

Hoje, a China responde por 7% das exportações europeias, mas fornece quase um quarto de todas as importações externas do bloco. Seu superávit com UE e Reino Unido já representa um terço do total comercial chinês, que ultrapassou 1 trilhão.

Alemanha: o epicentro da crise comercial

A Alemanha, maior economia europeia, sentiu o impacto de forma mais intensa. Em 2019, a China tinha um déficit de 25 bilhões com o país; agora, registrou superávit de 23 bilhões nos primeiros 11 meses do ano, reflexo da queda drástica nas importações alemãs.

A indústria alemã enfrenta estagnação, perda de competitividade e cortes superiores a 10 mil empregos por mês, segundo a Destatis. Combinados a preços altos de energia e ao envelhecimento populacional, esses fatores levaram o governo a revisar para baixo a previsão de crescimento, que deve ficar abaixo de 1%.

Avanço chinês em todas as frentes

A competitividade chinesa não se restringe a produtos de ponta. A China segue dominando o mercado de bens de consumo baratos, roupas, calçados e itens vendidos por plataformas de comércio eletrônico. O volume de produtos enviados por essas plataformas subiu 56% nos primeiros dez meses do ano em comparação a 2024.

Para a Câmara de Comércio da UE, esse ritmo pode criar uma falsa sensação de segurança para Pequim, que aposta na autossuficiência enquanto aproveita sua posição dominante no comércio global.

Caminho para novas barreiras comerciais

Diante da pressão crescente, especialistas afirmam que governos podem adotar tanto tarifas antidumping quanto novas ferramentas comerciais para conter o fluxo de produtos chineses. Wendy Cutler, ex-negociadora dos EUA, prevê que a UE e outros países adotem medidas adicionais para limitar as importações da China ao longo do próximo ano.

FONTE: Valor
TEXTO: Redação
IMAGEM: glaborde7/Pixabay

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Exportação

Exportações da China sobem 5,9% em novembro enquanto envios para EUA caem 29%

As exportações da China cresceram 5,9% em novembro na comparação anual, recuperando-se da contração de 1,1% registrada em outubro, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas. O valor total das vendas externas alcançou US$ 330,3 bilhões, superando as expectativas dos economistas e indicando uma melhora frente ao mês anterior.

O resultado reforça o aumento do superávit comercial, que nos primeiros 11 meses de 2025 ultrapassou US$ 1,08 trilhão, maior nível anual da série histórica, acima do excedente de US$ 992 bilhões registrado em 2024.

Exportações para os EUA em queda

Apesar do crescimento geral, as exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram quase 29% em novembro, marcando o oitavo mês consecutivo de quedas de dois dígitos. O declínio reflete o impacto de tarifas aplicadas durante a guerra comercial, embora a trégua anunciada em outubro entre Xi Jinping e Donald Trump abra espaço para recuperação nos próximos meses.

Economistas apontam que os efeitos do corte de tarifas ainda não foram totalmente refletidos nos números de novembro, e o desempenho futuro dependerá do avanço do acordo e da demanda externa.

Exportações para outros mercados se fortalecem

Enquanto os envios para os EUA caíram, as exportações chinesas dispararam para outras regiões, incluindo Sudeste Asiático, América Latina, África e União Europeia, diversificando os mercados e compensando parcialmente o recuo no principal parceiro comercial.

As importações da China também apresentaram crescimento de 1,9% em novembro, atingindo US$ 218,6 bilhões, melhorando frente à alta de 1% de outubro, apesar da crise persistente no setor imobiliário e da desaceleração nos investimentos empresariais.

Foco em manufatura avançada e crescimento interno

Em paralelo, o governo chinês reforçou a aposta no fabrico avançado como motor de crescimento para os próximos anos. Durante a reunião anual de planejamento econômico, liderada por Xi Jinping, foi destacado o compromisso com “prosseguir o progresso garantindo a estabilidade”, priorizando novas tecnologias e indústrias emergentes.

Apesar das tensões comerciais e do protecionismo internacional, especialistas esperam que a China continue ganhando quota de mercado global. A Morgan Stanley projeta que, até 2030, o país alcance 16,5% da participação nas exportações mundiais, impulsionado por setores de alto crescimento, como veículos elétricos, robótica e baterias.

Perspectivas para a economia chinesa

Mesmo com a trégua comercial temporária, analistas destacam que o ambiente global de comércio permanece incerto, com relações entre China e EUA ainda fragilizadas. No entanto, o crescimento das exportações fora do mercado americano e o foco em inovação tecnológica reforçam a capacidade do país em manter a liderança no comércio internacional nos próximos anos.

FONTE: Euronews
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Chinatopix

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