Tecnologia

Renault acelera eletrificação no Brasil com parceria com a Geely e novos investimentos no Paraná

A Renault está ampliando o ritmo de sua estratégia de eletrificação no Brasil e aposta na produção nacional para ganhar escala em um mercado que passou por mudanças mais rápidas do que o previsto pelas montadoras tradicionais.

Nesta terça-feira, 15, a fabricante iniciou a produção do Renault Geely EX5 no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. A empresa também anunciou um novo investimento de R$ 2 bilhões para produzir, a partir de 2027, outro veículo eletrificado da marca Renault no país.

O novo aporte se soma aos R$ 3,8 bilhões anunciados em novembro do ano passado, dentro da parceria com a chinesa Geely. Com isso, os investimentos relacionados à nova etapa da operação brasileira chegam a R$ 5,8 bilhões.

Geely passa a ter papel central na operação brasileira

A Geely, grupo chinês que controla marcas como Volvo e Zeekr, adquiriu 26% da operação brasileira da Renault no ano passado. A participação deu origem à Renault Geely do Brasil (RGdB) e colocou a fabricante chinesa como uma das principais parceiras da Renault na expansão dos veículos eletrificados no mercado brasileiro.

A associação também representa uma mudança na velocidade da estratégia elétrica da montadora francesa.

Na Europa, a Renault avançou de forma mais rápida na eletrificação de seu portfólio. No Brasil, porém, o processo foi mais gradual. Modelos como Kwid E-Tech e Megane E-Tech chegaram ao mercado, mas boa parte da renovação da gama brasileira ficou concentrada em SUVs e motores a combustão mais eficientes.

Montadoras chinesas aceleraram a transformação do mercado

Enquanto a Renault avançava de maneira mais cautelosa, fabricantes chinesas, como BYD e GWM, ampliaram a oferta de carros elétricos e híbridos no Brasil.

A entrada dessas empresas elevou a concorrência em segmentos tradicionalmente dominados pelas montadoras estabelecidas e contribuiu para acelerar a procura por carros eletrificados.

François Provost, CEO mundial da Renault, reconheceu que a empresa levou mais tempo do que deveria para retomar os investimentos no país.

Segundo o executivo, a Renault priorizou a recuperação de sua operação europeia, o que acabou reduzindo o ritmo de investimentos no Brasil. Ele também afirmou que a companhia demorou a identificar a velocidade da transformação do mercado brasileiro.

Para Provost, a mudança não está relacionada apenas à chegada dos fabricantes chineses. O consumidor também passou a valorizar mais tecnologia, modernidade e menor custo de utilização.

Produção nacional é vista como essencial

A Renault pretende responder a esse cenário combinando produção local e tecnologia desenvolvida pela Geely.

Fabrice Cambolive, presidente do conselho da RGdB, afirmou que aumentar a fabricação no Brasil é fundamental para acelerar a eletrificação.

A estratégia também está relacionada à competitividade. Segundo o executivo, simplesmente importar para o Brasil os mesmos veículos desenvolvidos para a Europa não seria suficiente. A montadora pretende adaptar os produtos às características do mercado brasileiro e aumentar gradualmente a nacionalização de plataformas e componentes.

A empresa trabalha com uma gama que poderá reunir carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais, atendendo diferentes faixas de preço e necessidades de utilização.

Renault pretende ampliar oferta de híbridos

Cambolive afirmou que a Renault pretende aumentar a participação dos modelos híbridos em seu portfólio brasileiro, incluindo veículos como Boreal e Niagara.

A estratégia prevê a convivência de diferentes tecnologias durante o período de amadurecimento do mercado de elétricos e da infraestrutura de recarga.

Provost também defende uma abordagem diversificada para o Brasil. Na visão do executivo, o mercado deverá combinar veículos elétricos, híbridos e modelos flex, sem depender de uma única tecnologia de propulsão.

Essa necessidade de adaptação é apontada como uma das razões pelas quais a eletrificação da Renault ocorreu em ritmo diferente no Brasil e na Europa.

Tecnologia chinesa reduz tempo de desenvolvimento

A parceria com a Geely permite à Renault reduzir o período necessário para desenvolver uma nova geração de veículos eletrificados.

Victor Yang, vice-presidente da Geely Holding Group, afirmou que a empresa chinesa contribuirá principalmente com tecnologias de eletrificação, arquiteturas e componentes estratégicos.

Ao mesmo tempo, a parceria prevê avanço na nacionalização de plataformas e peças, combinando tecnologia internacional com capacidade de desenvolvimento no Brasil.

O objetivo é criar produtos adaptados não apenas aos consumidores brasileiros, mas também aos mercados da América Latina.

Renault e Geely combinam competências

A estrutura da associação também tem uma lógica industrial. De um lado, a Geely contribui com plataformas, componentes e experiência acumulada no desenvolvimento de veículos eletrificados.

Do outro, a Renault disponibiliza uma estrutura produtiva já instalada, engenharia local, rede de distribuição e décadas de atuação no mercado brasileiro.

Para Provost, esse modelo permite à Renault acelerar sua recuperação no país e compensar parte do tempo perdido na transição para a eletrificação.

A parceria também oferece à Geely acesso a um ecossistema industrial estabelecido no Brasil.

Montadora muda estratégia global de produtos

A expansão das fabricantes chinesas também está influenciando a maneira como a Renault desenvolve seus veículos.

Segundo Cambolive, a montadora tradicionalmente trabalhava com produtos diferentes para Europa e Brasil. Esse modelo vem sendo revisto diante da expansão global das empresas chinesas, que utilizam veículos e plataformas comuns em diversos mercados.

Provost também destaca a pressão sobre os custos. Na avaliação do executivo, a estrutura de produção europeia dificulta a importação de veículos e componentes para o Brasil em condições competitivas diante dos fabricantes chineses.

A resposta envolve plataformas desenvolvidas localmente, maior integração entre operações internacionais e parcerias tecnológicas.

Brasil ganha importância como base para a América do Sul

Com a nova estratégia, o Brasil assume papel relevante dentro dos planos internacionais da Renault.

A localização da produção permite aproveitar fatores como logística, regras comerciais e regulamentações para atender principalmente os mercados sul-americanos.

Cambolive aponta a região como o principal destino dos veículos produzidos no país. Yang, da Geely, também afirmou que os modelos fabricados no âmbito da parceria terão como foco o Brasil e a América Latina, e não o mercado europeu.

Provost coloca Brasil e Índia entre as principais prioridades de crescimento da Renault fora da Europa.

EX5 marca nova fase da eletrificação

A estratégia brasileira da Renault passa, portanto, por uma combinação de tecnologia chinesa, produção nacional e adaptação ao mercado local.

A fabricante, que anteriormente dependia principalmente da importação de modelos elétricos, começa agora a colocar a eletrificação no centro de seu planejamento industrial brasileiro.

O início da produção do EX5 e o anúncio de mais R$ 2 bilhões em investimentos sinalizam essa mudança de etapa, com a Renault buscando ampliar sua presença no segmento de veículos eletrificados e recuperar espaço em um mercado que se tornou mais competitivo com a expansão das montadoras chinesas.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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