Tecnologia

Infraestrutura e tecnologia ajudam transportadoras a crescer em cenário de incerteza

A instabilidade econômica aumenta a pressão sobre as margens das transportadoras brasileiras e torna mais cauteliosas as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, esse ambiente cria oportunidades para empresas capazes de operar com mais eficiência e conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.

Nesse cenário, crescer não significa simplesmente ampliar o número de caminhões. As empresas que conseguem avançar são aquelas que buscam extrair mais produtividade dos ativos que já possuem e utilizam a gestão de frotas como ferramenta para reduzir custos e aumentar a segurança.

Dados transformam gestão de frotas

Uma das principais mudanças está na substituição de uma gestão reativa por um modelo preventivo e orientado por dados.

Esperar o fechamento do mês para descobrir que uma rota consumiu combustível acima do esperado ou que determinados motoristas apresentaram maior exposição a riscos significa agir depois que o prejuízo já aconteceu.

Com o uso de videotelemetria, as transportadoras conseguem acompanhar o comportamento dos veículos em tempo real, identificar desvios e adotar medidas corretivas antes que pequenas ocorrências se transformem em perdas financeiras.

O diferencial está justamente na capacidade de transformar informações em decisões rápidas e aplicáveis à rotina operacional.

Segurança também reduz custos operacionais

Na operação de veículos pesados, segurança e eficiência estão diretamente relacionadas. Comportamentos que elevam o risco de acidentes também costumam aumentar as despesas da frota.

Excesso de velocidade, acelerações intensas, frenagens bruscas e utilização inadequada da faixa de rotação podem elevar o consumo de diesel e acelerar o desgaste de pneus, freios e outros componentes.

Quando a tecnologia permite identificar e corrigir esses hábitos durante a operação, o efeito aparece diretamente no custo por quilômetro rodado.

Estudos técnicos e projetos de videotelemetria na gestão de frotas pesadas indicam que a substituição de uma condução agressiva por um comportamento mais econômico e preventivo pode proporcionar uma redução de 5% a 12% no consumo de diesel.

Além da economia de combustível, a prevenção ajuda a evitar prejuízos maiores relacionados a acidentes. Uma ocorrência grave pode deixar caminhões parados, comprometer cargas e provocar impactos em toda a programação logística e financeira da empresa.

Eficiência pode valer mais do que uma frota maior

Em um cenário de margens apertadas, os dados também ajudam a identificar desperdícios que nem sempre são percebidos na operação cotidiana.

Informações sobre ociosidade, tempo de espera em pátios, deslocamentos desnecessários e circulação de veículos vazios permitem ao gestor entender onde estão os principais gargalos.

A partir desse diagnóstico, uma frota menor, mas com maior disponibilidade e uma roteirização eficiente, pode realizar o mesmo volume de trabalho por um custo inferior.

A lógica passa a ser utilizar melhor os recursos existentes antes de simplesmente ampliar a estrutura.

Tecnologia como proteção de margem

A resistência aos investimentos em tecnologia costuma aumentar durante períodos de volatilidade econômica. No entanto, enxergar essas ferramentas apenas como uma nova despesa pode limitar a capacidade de reação das transportadoras.

Combustíveis, juros e condições das rodovias estão entre os fatores que as empresas não conseguem controlar diretamente. Por isso, ampliar o domínio sobre as variáveis internas da operação ganha ainda mais importância.

Nesse contexto, a tecnologia para transporte funciona como uma ferramenta de proteção de margem, ajudando a aumentar a previsibilidade, reduzir desperdícios e diminuir a exposição a riscos.

Tecnologia precisa estar ligada à gestão

Apesar dos ganhos proporcionados pelas ferramentas digitais, a tecnologia, por si só, não resolve os problemas da operação.

Os resultados aparecem quando os dados são incorporados à rotina de gestão e utilizados para orientar ações concretas. O processo também depende do desenvolvimento contínuo dos motoristas, com treinamento, acompanhamento e correção de comportamentos.

Ou seja, não basta instalar equipamentos ou contratar sistemas. É necessário transformar as informações produzidas pela tecnologia em práticas capazes de melhorar a operação.

Cortes indiscriminados podem gerar prejuízo

Em períodos de orçamento pressionado, cortar despesas imediatamente costuma parecer uma solução natural. Porém, reduzir investimentos em manutenção de frota ou treinamento sem avaliar os impactos pode criar uma economia apenas aparente.

Um veículo que deixa de receber manutenção adequada pode apresentar falhas mais caras posteriormente. Da mesma forma, a redução de treinamentos pode elevar a exposição a acidentes e outros eventos que comprometem a operação.

Por isso, proteger a margem não significa apenas gastar menos. Significa identificar desperdícios, antecipar riscos e aumentar a eficiência dos recursos disponíveis.

Em um setor marcado por variáveis externas difíceis de controlar, a capacidade de atuar sobre aquilo que está dentro do alcance da empresa se torna um diferencial estratégico. É essa combinação entre infraestrutura, tecnologia, segurança e gestão eficiente que pode sustentar o crescimento das transportadoras mesmo em períodos de maior incerteza.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Bing Guan

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Transporte

Implementos rodoviários têm segundo melhor mês de 2026, mas mercado segue em queda

O mercado de implementos rodoviários ganhou força no terceiro trimestre, mas ainda não conseguiu superar o desempenho registrado no mesmo período de 2025. Entre julho e setembro, foram emplacadas 42.979 unidades, volume 19,7% superior ao registrado no segundo trimestre, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

Setembro ajudou a impulsionar o resultado. Foram 14.202 implementos licenciados no mês, alta de 4,4% sobre agosto. O volume representa o segundo melhor resultado mensal de 2026, atrás apenas de julho, quando 15.173 unidades foram emplacadas.

Apesar da reação recente, o acumulado do ano permanece negativo. De janeiro a setembro, o mercado registrou 109.715 unidades, contra 111.355 no mesmo período de 2025. A queda é de 1,47%.

O avanço entre o segundo e o terceiro trimestres indica maior ritmo de vendas, mas a comparação entre períodos diferentes não permite determinar, isoladamente, quanto desse movimento decorre de sazonalidade ou de uma recuperação efetiva do mercado.

Implementos pesados mantêm estabilidade

Os resultados acumulados mostram comportamentos diferentes entre os principais grupos de produtos.

Os reboques e semirreboques somaram 53.774 emplacamentos nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 0,22% sobre o mesmo período de 2025.

Já as carrocerias sobre chassis chegaram a 55.941 unidades, queda de 3,05% na comparação anual.

Em números absolutos, os implementos pesados tiveram acréscimo de 117 unidades em relação ao ano passado. As carrocerias, por outro lado, perderam 1.757 emplacamentos. Dessa forma, a estabilidade dos reboques e semirreboques não foi suficiente para compensar a retração das carrocerias.

Para José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, o comportamento dos reboques e semirreboques pode indicar uma aproximação de um cenário de equilíbrio e uma possível consolidação da recuperação do segmento.

Graneleiros apresentam comportamentos opostos

As diferenças entre os segmentos também aparecem nos equipamentos destinados ao transporte de cargas semelhantes.

Entre reboques e semirreboques, os equipamentos para grãos e carga seca registraram alta de 6,44%, chegando a 10.180 unidades.

Nas carrocerias sobre chassis, entretanto, a mesma categoria apresentou queda de 14,09%, para 11.052 emplacamentos.

A retração das carrocerias representou uma perda de 1.813 unidades. O resultado negativo foi parcialmente compensado pelo desempenho de outras categorias de produtos.

Os dados revelam diferenças nas decisões de compra conforme a configuração dos equipamentos, mas não permitem afirmar, por si só, que ocorreu uma migração de demanda das carrocerias para os reboques e semirreboques.

Baús ajudam a conter queda das carrocerias

Entre as carrocerias sobre chassis, os equipamentos classificados pela Anfir como baús de alumínio e frigoríficos tiveram desempenho positivo.

A categoria avançou 4,41%, passando para 25.019 unidades. O crescimento acrescentou 1.057 emplacamentos e ajudou a reduzir a retração do segmento.

Outras categorias tiveram desempenho negativo. As carrocerias tanque recuaram 6,92%, para 3.835 unidades, enquanto os equipamentos basculantes registraram queda de 1,60%, chegando a 6.399.

Carga geral e transporte de toras avançam

No segmento de reboques e semirreboques, os equipamentos destinados ao transporte de carga geral apresentaram uma das maiores altas em volume.

Os emplacamentos passaram de 8.852 para 9.850 unidades, crescimento de 11,27%.

Os implementos basculantes também tiveram resultado positivo, com alta de 2,94%, para 9.299 unidades. Já os equipamentos destinados ao transporte de toras cresceram 16,81%, alcançando 1.723 emplacamentos.

Em contrapartida, algumas categorias registraram quedas expressivas. Os tanques de aço carbono tiveram retração de 25,70%, para 2.983 unidades.

Os baús lonados recuaram 23,93%, totalizando 3.798 unidades, enquanto os equipamentos do tipo carrega-tudo tiveram queda de 21,48%, para 1.543.

A combinação entre crescimento em algumas famílias e retrações acentuadas em outras ajuda a explicar por que o segmento de implementos pesados permanece praticamente estável, enquanto determinadas categorias enfrentam perdas significativas.

Fenatran gera expectativa para os próximos meses

A Fenatran, feira voltada ao transporte rodoviário de cargas e realizada em novembro, concentra parte das expectativas da indústria para a evolução dos negócios no fim do ano.

A Anfir aposta que os negócios iniciados durante o evento possam gerar efeitos comerciais nos meses seguintes. Na avaliação de José Carlos Spricigo, esse impacto pode se prolongar por pelo menos quatro meses e ajudar o mercado a encerrar 2026 ligeiramente acima do resultado de 2025.

Até setembro, porém, o setor ainda precisava recuperar 1.640 emplacamentos para igualar o volume registrado nos nove primeiros meses do ano passado.

Assim, embora os resultados recentes indiquem maior ritmo de vendas, o mercado de implementos rodoviários ainda precisa manter o crescimento nos próximos meses para reverter completamente a queda acumulada em 2026.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Transporte

Venda de caminhões novos cresce 2,5% em setembro no Brasil

O mercado brasileiro de caminhões novos apresentou recuperação em setembro, com avanço tanto na comparação mensal quanto sobre o mesmo período de 2025. Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), foram emplacadas 9.845 unidades no mês.

O resultado representa alta de 2,51% em relação a agosto, quando 9.604 caminhões foram licenciados. Na comparação com setembro do ano passado, que registrou 9.591 unidades, o crescimento foi de 2,65%.

Apesar da melhora mensal, o desempenho acumulado ainda está abaixo do registrado em 2025. Entre janeiro e setembro, o mercado soma 78.665 caminhões emplacados, contra 81.850 no mesmo intervalo do ano passado. A retração é de 3,89%.

Custo financeiro ainda pesa sobre o mercado de caminhões

Para o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o custo do financiamento continua sendo um dos principais fatores que influenciam a demanda por veículos pesados.

Segundo ele, os incentivos oferecidos pelo programa Move Brasil ajudaram a interromper a sequência de resultados negativos observada anteriormente. As linhas especiais destinadas ao programa, entretanto, já foram esgotadas.

O impacto das operações contratadas pelo Move Brasil ainda pode aparecer nos próximos resultados. O prazo para protocolar financiamentos destinados à renovação de frotas terminou em 28 de agosto, enquanto a comunicação das contratações ao BNDES foi encerrada em 28 de setembro.

Existe, portanto, um intervalo entre a contratação do financiamento, o faturamento e o efetivo emplacamento do veículo. Por esse motivo, parte dos negócios realizados por meio do programa pode ser contabilizada nas estatísticas das próximas semanas.

Mercado precisa manter ritmo para recuperar perdas

O desempenho de setembro reduziu parcialmente a diferença acumulada em relação a 2025, mas ainda não foi suficiente para colocar o segmento no campo positivo.

Nos nove primeiros meses, foram licenciados 3.185 caminhões a menos que no mesmo período do ano passado. Para diminuir essa distância, o mercado precisará manter uma sequência de resultados positivos durante o último trimestre.

A trajetória também influencia as projeções para o encerramento de 2026. A Fenabrave estima atualmente 102.245 caminhões emplacados no ano, contra 110.873 unidades em 2025. Se confirmado, o resultado representará uma queda de 7,8%.

A previsão foi revisada para baixo. A estimativa anterior era de 114.752 caminhões, volume que representaria crescimento de 3,5% sobre o resultado de 2025.

Com as 78.665 unidades registradas até setembro, o setor já alcançou aproximadamente 77% da projeção anual. Para atingir a estimativa atual, seriam necessários cerca de 23,6 mil novos caminhões emplacados entre outubro e dezembro.

Implementos rodoviários têm desempenho melhor

O mercado de implementos rodoviários apresentou resultado superior ao dos caminhões em setembro. Foram 6.821 unidades licenciadas, contra 6.567 em agosto, alta de 3,87%.

Na comparação anual, o avanço foi ainda maior. Em setembro de 2025, foram emplacados 5.941 implementos, o que significa crescimento de 14,81% no resultado deste ano.

O desempenho foi suficiente para levar o acumulado de 2026 para o campo positivo. De janeiro a setembro, foram registradas 53.879 unidades, contra 53.695 no mesmo período do ano passado. A alta acumulada é de 0,34%.

Para a Fenabrave, o resultado sinaliza uma mudança na trajetória do segmento, depois de períodos de retração.

Renovação de frota influencia desempenho

A entidade avalia que a melhora dos implementos rodoviários está relacionada, entre outros fatores, às condições de investimento dos transportadores e aos estímulos destinados à renovação de frota.

A continuidade do crescimento dependerá, portanto, da capacidade das empresas de transporte de realizar novos investimentos e substituir veículos e equipamentos.

Apesar da reação observada em setembro, a previsão da Fenabrave para o fechamento do ano permanece abaixo do resultado de 2025.

A entidade projeta 63.516 implementos rodoviários emplacados em 2026, contra 71.030 no ano passado, o que representaria retração de 10,6%. A estimativa anterior era de 72.450 unidades, com expectativa de crescimento de 2%.

Até setembro, porém, o mercado já alcançou cerca de 85% da projeção anual, com 53.879 implementos licenciados.

Mercedes-Benz lidera vendas de caminhões em setembro

A Mercedes-Benz foi a marca com maior participação no mercado brasileiro de caminhões em setembro, respondendo por 28,88% dos emplacamentos.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus ficou em segundo lugar, com 26,74%, enquanto a Volvo alcançou 18,86%.

Na sequência aparecem:

  • Scania: 10,86%;
  • Iveco: 6,98%;
  • DAF: 6,02%;
  • Foton: 1,70%;
  • Demais marcas: 0,96%.

Somadas, Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo concentraram 74,48% das vendas de caminhões no mês.

Disputa pela liderança segue equilibrada no acumulado

No acumulado entre janeiro e setembro, a diferença entre Mercedes-Benz e Volkswagen permanece pequena.

A Mercedes-Benz lidera com 27,78% de participação, enquanto a Volkswagen Caminhões e Ônibus aparece logo atrás, com 27,39%.

A Volvo ocupa a terceira posição, com 18,06%, seguida por Scania, com 11,05%; Iveco, com 7,75%; DAF, com 5,91%; Foton, com 1,48%; e demais fabricantes, que somam 1%.

Os números mostram algumas diferenças entre o desempenho mensal e o acumulado. Em setembro, a Mercedes-Benz alcançou 28,88%, acima dos 27,78% registrados no acumulado. A participação da Volkswagen, por outro lado, foi de 26,74% no mês, abaixo dos 27,39% acumulados.

A Volvo também ganhou participação em setembro, passando de 18,06% no acumulado para 18,86% no resultado mensal.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Segurança

Roubos de carga no Rio de Janeiro concentram 53% dos casos no Brasil

O Rio de Janeiro concentra 53% dos roubos de carga registrados no Brasil nos oito primeiros meses deste ano, segundo dados consolidados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apesar da redução no número de ocorrências nos últimos meses, o impacto financeiro do crime aumentou significativamente.

De acordo com o Sindicarga, cerca de R$ 201,1 milhões em mercadorias foram roubados no estado no período. O montante representa uma alta de 39% em relação aos R$ 144,4 milhões registrados nos oito primeiros meses de 2025.

Número de roubos de carga está em queda

Levantamento da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Polícia Civil (DRFC) aponta 2.084 ocorrências no Rio neste ano.

A curva começou a cair depois de março, mês que registrou o maior número de casos, com 397 ocorrências. Em agosto, foram contabilizados 130 roubos, o menor resultado mensal de 2026 e também o menor número registrado para o mês em mais de duas décadas.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a redução está relacionada ao emprego de inteligência policial e à atuação integrada com a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal.

Os números, entretanto, variam conforme a fonte. Na base do Ministério da Justiça, o estado acumulava 2.566 ocorrências até agosto, acima dos 1.636 casos registrados em São Paulo.

Diferença nos dados gera questionamento

Para o presidente do Sindicarga, Filipe Coelho, a diferença entre as estatísticas do Rio e de São Paulo pode estar relacionada à ausência de um padrão único para classificar os roubos de carga.

Segundo ele, seria pouco provável que o Rio apresentasse um número tão superior ao de São Paulo, considerando que o estado paulista movimenta um volume maior de mercadorias.

O Sindicarga pretende levar ao Ministério da Justiça uma proposta para uniformizar a metodologia utilizada na contabilização das ocorrências.

Roubo de carga financia parte das atividades do tráfico

O diretor da DRFC, André Prates, afirma que o roubo de cargas no Rio representa uma fonte relevante de recursos para organizações ligadas ao tráfico de drogas.

Segundo o delegado, grupos criminosos fornecem armas, veículos de apoio e estrutura territorial para receber os caminhões e realizar o transbordo das mercadorias. Em contrapartida, recebem uma parcela do dinheiro obtido com a revenda dos produtos.

As quadrilhas também contam, em muitos casos, com redes de receptação já estruturadas. Isso permite definir previamente como e onde a mercadoria será distribuída.

Criminosos usam diferentes estratégias para escolher cargas

A forma de atuação varia conforme o grau de organização dos grupos.

Em alguns casos, os criminosos conseguem informações por meio de pessoas infiltradas em empresas fornecedoras ou responsáveis pelo monitoramento das cargas. Também há quadrilhas que observam pontos de parada e pernoite de caminhões ou utilizam olheiros nas principais rotas de transporte.

Outra estratégia ocorre quando o grupo aborda um caminhão sem saber exatamente qual mercadoria está sendo transportada. Depois de dominar os motoristas, os criminosos entram em contato com integrantes responsáveis pela operação para verificar se a carga interessa e indicar o destino dos produtos.

Medicamentos e cargas de maior valor entram no radar

Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam uma mudança no perfil das mercadorias procuradas pelos assaltantes.

Além de cargas maiores, que oferecem maior potencial de lucro apesar do risco elevado, os criminosos passaram a demonstrar interesse por produtos de alto valor agregado, como medicamentos.

Ainda assim, os alimentos continuam liderando as estatísticas da DRFC. A facilidade de distribuição e comercialização torna esse tipo de mercadoria especialmente atrativo para as redes criminosas.

Carga de laticínios foi avaliada em R$ 260 mil

Um caso ocorrido em 21 de maio ilustra esse tipo de ação. Um caminhoneiro aguardava para entregar uma carga de leite condensado e creme de leite em um mercado de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando foi surpreendido por homens armados.

Segundo o relato prestado à polícia, os criminosos disseram que não pretendiam feri-lo e queriam apenas assumir o controle da carga.

O motorista foi levado para a Penha e permaneceu no local por algumas horas enquanto os assaltantes buscavam informações sobre o destino da mercadoria após o transbordo.

Durante o período, representantes da empresa responsável pelo gerenciamento de risco tentaram entrar em contato com o motorista, mas ele foi impedido pelos criminosos de atender às ligações.

Depois que toda a mercadoria foi retirada, o caminhoneiro foi levado de carro até a Cidade Alta, em Cordovil, onde acabou abandonado. O caminhão foi localizado posteriormente pela polícia, vazio. O carregamento roubado estava avaliado em mais de R$ 260 mil.

Reincidência chega a 94% entre réus analisados

Para o Sindicarga, um dos principais desafios no combate ao crime de roubo de carga no Rio está relacionado à reincidência.

A entidade analisou cem processos judiciais envolvendo esse tipo de delito nos últimos três anos. Entre os 168 réus avaliados, 158 já tinham antecedentes por outros crimes, o equivalente a 94% de reincidência, segundo o levantamento.

Filipe Coelho argumenta que o problema não estaria apenas na atuação policial. Na avaliação dele, a rápida saída de criminosos do sistema prisional contribui para a repetição dos delitos.

Quadrilhas passam a recrutar adolescentes

A DRFC também identificou outra mudança na dinâmica dos roubos de caminhões: o aliciamento de adolescentes para participar das abordagens.

De acordo com André Prates, os veículos de carga possuem sistemas de bloqueio que são acionados quando uma porta é aberta externamente durante o deslocamento.

Por isso, segundo o delegado, algumas quadrilhas passaram a utilizar adolescentes para facilitar a entrada nos caminhões pelas janelas. A estratégia permitiria uma abordagem mais rápida do que a realizada por adultos, devido às características físicas dos veículos.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Globo

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Portos

Porto Itapoá amplia entrada de caminhões e pode chegar a 3 mil acessos por dia

O Porto Itapoá, em Santa Catarina, ampliou a capacidade de acesso de caminhões com a entrada em operação de um novo gate exclusivo para a chegada dos veículos. A mudança pode elevar o fluxo diário do terminal dos atuais cerca de 2 mil para até 3 mil caminhões por dia.

A nova estrutura começou a funcionar na semana passada e conta com oito acessos destinados exclusivamente à entrada de caminhões. Com a alteração, a antiga estrutura passou a ser utilizada apenas para a saída dos veículos, deixando de operar no sistema alternado de entrada e saída.

Novo gate reorganiza fluxo de caminhões

A separação dos fluxos de chegada e saída permitiu reorganizar a circulação na área de acesso ao Porto Itapoá e ampliar a capacidade operacional do terminal.

Segundo Ricardo Arten, CEO do Porto Itapoá, a nova configuração deve trazer mais previsibilidade, agilidade e segurança para a operação.

O executivo ressalta, porém, que a capacidade adicional não deverá ser utilizada integralmente de imediato. A expectativa é de uma evolução gradual na utilização da estrutura, acompanhando o crescimento da demanda e o desempenho das operações.

Tecnologia será usada no controle de acesso

O novo gate também receberá sistemas de reconhecimento automático de veículos e motoristas.

A tecnologia deverá acelerar os procedimentos de entrada e, ao mesmo tempo, reforçar os mecanismos de controle e segurança relacionados aos caminhões, às cargas e aos trabalhadores que circulam no terminal.

A iniciativa faz parte da estratégia do porto de ampliar investimentos em infraestrutura, tecnologia e eficiência operacional, acompanhando o crescimento da movimentação de cargas sem abrir mão dos padrões de segurança.

Expansão do Porto Itapoá recebe investimento de R$ 500 milhões

A implantação do novo acesso ocorre durante a Fase 4 de expansão do Porto Itapoá, projeto que prevê investimentos de R$ 500 milhões.

O plano inclui a incorporação de aproximadamente 120 mil metros quadrados de área de pátio, além da aquisição de equipamentos de alta tecnologia e de iniciativas voltadas ao aumento da eficiência e da sustentabilidade das operações.

A expansão busca preparar o terminal para uma demanda maior e ampliar sua capacidade de movimentação de cargas conteinerizadas.

Porto Itapoá terá novos equipamentos

Entre os equipamentos previstos no pacote de investimentos estão 12 novos guindastes sobre pneus (RTGs). As máquinas terão tecnologia híbrida e poderão ser operadas remotamente.

O projeto também contempla a aquisição de nove novos tratores de terminal, conhecidos como terminal tractors ou TTs.

Os novos veículos deverão ampliar a frota de TTs elétricos do Porto Itapoá, que, segundo a administração do terminal, já é a maior do Brasil.

Terminal atua na movimentação de cargas conteinerizadas

Administrado pela iniciativa privada, o Porto Itapoá iniciou suas operações em 2011 e se consolidou entre os principais terminais portuários brasileiros especializados na movimentação de contêineres.

A ampliação do acesso de caminhões e os investimentos previstos na Fase 4 fazem parte do processo de expansão da estrutura e buscam acompanhar o crescimento da demanda por serviços portuários em Santa Catarina.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto de Itapoá/Divulgação

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Segurança

Áreas de escape: como caixas de argila já ajudaram a salvar 1.500 vidas nas rodovias brasileiras

Descer uma serra em um caminhão ou ônibus exige atenção redobrada. Em trechos com forte inclinação, o esforço sobre o sistema de freios de veículos pesados aumenta significativamente e pode resultar em uma falha mecânica, mesmo quando o veículo é novo e passa por manutenção regularmente.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 300 acidentes por ano nas rodovias federais envolvem caminhões que apresentaram algum tipo de problema no sistema de frenagem.

O risco é ainda maior em trechos considerados críticos. Durante operações de fiscalização na Serra de São Vicente, em Mato Grosso, a PRF identificou problemas nos freios em 53% dos caminhões pesados vistoriados.

Como funcionam as áreas de escape

Uma das principais alternativas para evitar acidentes graves em descidas de serra é a área de escape, estrutura instalada em pontos estratégicos de rodovias com alta incidência ou risco de falhas de frenagem.

Esses dispositivos funcionam como uma espécie de pista de emergência. Quando o motorista percebe que perdeu a capacidade de frear, deve direcionar o veículo para o acesso sinalizado da área de escape.

Ao final do trajeto, o veículo entra em uma caixa preenchida com argila expandida, cinesita, brita ou cascalho. O material aumenta a resistência ao movimento e ajuda a reduzir a velocidade até a parada.

Em algumas estruturas, a pista também possui uma inclinação ascendente. Nesse caso, a própria gravidade contribui para diminuir a velocidade do veículo.

Caixas podem chegar a 1,5 metro de profundidade

O tamanho das áreas de escape varia conforme as características de cada rodovia. No Brasil, há estruturas com aproximadamente 85 metros de extensão, como as existentes na Via Anchieta, em São Paulo, enquanto outras ultrapassam 240 metros, como algumas instaladas na BR-376, no Paraná.

A largura normalmente fica em torno de cinco metros. Já a caixa de material de frenagem começa com pouca profundidade e vai ficando mais funda ao longo do percurso.

Em determinados dispositivos, a camada de material parte de aproximadamente 15 centímetros e chega a até 1,5 metro na extremidade final. Dessa maneira, o veículo vai perdendo velocidade ao afundar na argila expandida.

Onde estão as áreas de escape no Brasil

Diversos trechos de serra contam com esse tipo de estrutura de segurança viária. Entre os locais que possuem áreas de escape estão:

  • Via Anchieta (SP-160), em São Paulo: nos quilômetros 42,6 e 49, no sentido litoral, durante a descida da Serra do Mar.
  • BR-376, em Guaratuba (PR): nos quilômetros 667,3 e 671,7, no sentido Santa Catarina, na descida da Serra do Mar.
  • BR-116, na Serra do Cafezal (SP): no km 353, em Miracatu, no sentido Sul, no trajeto entre São Paulo e Curitiba.
  • BR-277, em Morretes (PR): no km 37,9, na Serra do Mar, no sentido litoral.
  • SC-418, em Joinville (SC): nos quilômetros 15 e 17, na Serra Dona Francisca.
  • BR-146, em Minas Gerais: na região da Serra do Salitre.
  • Anel Rodoviário de Belo Horizonte (MG): também possui estrutura de escape para situações de emergência.

Motorista relata momento de tensão durante falha nos freios

Quem já precisou recorrer a uma área de escape conhece a importância da estrutura em uma situação de emergência.

Em maio de 2025, Adriano Martins, piloto de corridas de Santa Catarina, viajava com a família e integrantes de sua equipe, a AVM Racing, em um ônibus que seguia de Cuiabá (MT) para Florianópolis (SC).

Durante o percurso, uma peça do sistema de freio do eixo traseiro se rompeu e o veículo perdeu a capacidade de frenagem. O pai de Adriano, José Augusto Martins, que dirigia o ônibus e tinha experiência ao volante, identificou o problema e conduziu imediatamente o veículo para uma área de escape.

O ônibus transportava equipamentos da equipe, um carro de competição e ainda tracionava uma carreta com outro veículo. Apesar da situação, os danos ficaram limitados ao veículo.

Segundo Adriano, a área de escape com argila expandida foi fundamental para evitar uma consequência mais grave. O ônibus precisou ser retirado do local com auxílio de uma escavadeira da concessionária Arteris e posteriormente rebocado.

A parte dianteira do ônibus, que tinha 12 metros de comprimento e carroceria Marcopolo, sofreu danos. Ainda assim, ninguém ficou ferido.

Estruturas já ajudaram a salvar 1.500 vidas

O investimento em segurança nas rodovias tem apresentado resultados expressivos. De acordo com a Arteris, três áreas de escape administradas pela concessionária — duas na BR-376/PR, nos quilômetros 667,3 e 671,7, e uma na BR-116/SP, no km 353 — receberam investimento total de R$ 38 milhões.

As estruturas já foram responsáveis por salvar aproximadamente 1.500 vidas, segundo a concessionária.

Os três dispositivos contam com monitoramento por câmeras durante 24 horas. Quando um veículo entra na área de escape, equipes do Centro de Controle e Segurança Operacional (CCSO) são acionadas para acompanhar a ocorrência e prestar o atendimento necessário.

Para Cesar Sass, diretor-superintendente da Arteris Litoral Sul, os resultados reforçam a importância de investimentos permanentes em segurança viária e prevenção de acidentes.

As áreas de escape mostram, assim, como uma solução de engenharia relativamente simples pode fazer a diferença em situações nas quais um caminhão ou ônibus perde os freios durante uma descida de serra.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Logística

Scania investe R$ 78 milhões em centro logístico de peças no Brasil

A Scania investiu R$ 78 milhões na ampliação de seu centro logístico de peças em Vinhedo, no interior de São Paulo. O objetivo é aumentar a eficiência da operação, elevar a disponibilidade de componentes e reduzir o tempo necessário para que caminhões e ônibus voltem às ruas após manutenções.

Conhecida como LPC (Latin Parts Center), a unidade teve sua área de armazenagem ampliada em 62%, passando de 15 mil para 24,4 mil metros quadrados.

O investimento integra o ciclo de R$ 6 bilhões destinado pela montadora às operações brasileiras entre 2016 e 2028. Com a expansão, Vinhedo mantém a posição de segundo maior centro logístico de peças da Scania no mundo, atrás apenas da unidade localizada na Bélgica.

Para a fabricante, a disponibilidade de peças é um componente estratégico do negócio. Um veículo comercial parado representa perda de receita para o transportador, o que torna a velocidade do atendimento uma questão diretamente ligada à produtividade da frota.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor. O Brasil é o nosso mercado número um, é o lugar do mundo em que a Scania mais vende”, afirma Christopher Podgorski, CEO da Scania América Latina.

Vinhedo tem localização estratégica

A escolha de Vinhedo para concentrar a operação logística está relacionada à posição do município no mapa de infraestrutura brasileiro. A cidade fica na região de Campinas, próxima às principais rodovias, ao Aeroporto Internacional de Viracopos e a um importante polo de empresas especializadas em logística.

A unidade brasileira exerce, na América Latina, função semelhante à desempenhada pelo centro da Scania na Bélgica para o mercado europeu.

Na Europa, a localização belga é favorecida pela proximidade de fornecedores, fábricas e portos, especialmente o de Antuérpia. A infraestrutura facilita o envio de componentes para diferentes mercados.

No Brasil, a proximidade com Viracopos e a conexão com os principais corredores rodoviários foram fatores determinantes para a escolha de Vinhedo.

“A própria infraestrutura, a localização geográfica, a proximidade do aeroporto de Viracopos e a conexão com as principais rodovias e regiões são fatores preponderantes”, explica Podgorski.

A posição do Brasil dentro da operação global da Scania também pesa. O país é o maior mercado da montadora em volume e abriga o principal hub industrial da empresa na região, em São Bernardo do Campo.

Centro mantém mais de 40 mil itens

O LPC possui atualmente mais de 40 mil itens em estoque e funciona como principal centro de distribuição de peças da Scania para a América Latina, com exceção do México, que recebe componentes diretamente da estrutura europeia.

A expansão, entretanto, não foi planejada apenas para aumentar o volume armazenado. A companhia também redesenhou os fluxos internos para tornar a separação e o despacho mais rápidos.

Segundo Alessandro Silvério, gerente do LPC, o projeto foi estruturado para melhorar o fluxo logístico e fazer com que os componentes cheguem mais rapidamente aos clientes.

A Scania acompanha diariamente o estoque das concessionárias por meio do sistema Dealer Stock Management (DSM). Os pedidos de reposição recebidos em um dia são normalmente separados para envio no dia seguinte.

Em situações urgentes, porém, o despacho pode ocorrer no mesmo dia. Para casos classificados como superurgentes, a empresa utiliza inclusive serviços de entrega porta a porta.

Com a nova estrutura, a companhia pretende elevar a disponibilidade de peças de 95,5% para 96,5%. Isso significa ter imediatamente disponíveis mais de 96 itens a cada 100 solicitados pela rede.

Inteligência artificial ajuda a prever a demanda

A inteligência artificial também passou a integrar a gestão dos estoques. A tecnologia é utilizada para analisar históricos de vendas, sazonalidade e comportamento da frota, ajudando a definir quais componentes precisam estar disponíveis no centro de distribuição.

“Hoje a gente está usando muito a IA para nos auxiliar nas análises do histórico e do que estamos vendendo, para entender quais peças precisamos ter e disponibilizá-las o mais rápido possível para os clientes”, explica Silvério.

O planejamento é complexo porque os veículos Scania são utilizados em cerca de 36 diferentes aplicações. A frota atende segmentos que vão do transporte de cana-de-açúcar e madeira à mineração, construção, transporte refrigerado e operações de longa distância.

Por isso, manter todas as peças disponíveis em tempo integral não seria economicamente viável. A inteligência artificial entra justamente para melhorar a previsão e equilibrar disponibilidade, demanda e custo de estoque.

A ampliação também cria espaço para acompanhar a transformação tecnológica da frota. Com o avanço de caminhões elétricos, veículos a gás e modelos movidos a biometano, novos componentes precisarão ser incorporados ao estoque.

Scania aposta no pós-venda diante da concorrência

A expansão do centro logístico acontece em meio ao aumento da concorrência no mercado brasileiro de caminhões e ônibus, inclusive com a entrada de fabricantes asiáticos.

A Scania aposta que a disputa não será determinada somente pelo preço de aquisição. Para a empresa, a estrutura de pós-venda, a disponibilidade de peças e a capacidade de manter os veículos em operação são diferenciais importantes para os transportadores.

A fabricante possui produção local, rede de concessionárias, fornecedores e uma estrutura de engenharia no país. São aproximadamente 400 engenheiros trabalhando no desenvolvimento e na validação de veículos para diferentes aplicações e condições brasileiras.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor”, reforça Podgorski.

O executivo avalia que fabricantes estrangeiros podem chegar ao mercado brasileiro com preços competitivos, mas terão de construir uma estrutura capaz de oferecer suporte aos veículos depois da venda.

Investimentos incluem transição energética

A ampliação do centro de Vinhedo levou cerca de um ano e meio e faz parte do ciclo de investimentos anunciado pela Scania no Brasil.

Segundo Podgorski, os recursos previstos estão concentrados principalmente na modernização das fábricas e na transição energética.

A empresa já produz no país chassis de ônibus elétricos e também desenvolve soluções movidas a biometano, ampliando o portfólio de alternativas aos combustíveis convencionais.

Nesse cenário, a Scania considera que a combinação entre tecnologia, produto e serviço será determinante para manter sua posição no mercado brasileiro.

“Diferentemente de automóvel, veículo comercial é dinheiro no bolso e, se não operar, é prejuízo garantido. Se o cliente não for bem-sucedido, eu não tenho cliente amanhã. Não é retórica, é modelo de negócio”, afirma o CEO.

De acordo com Podgorski, o Brasil foi o maior mercado mundial da Scania em volume em 28 dos últimos 30 anos. A companhia pretende manter essa liderança com investimentos em logística, tecnologia, pós-venda e eficiência operacional.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Scania

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Transporte

Ponte da Integração amplia circulação de veículos entre Paraná e Paraguai com novas regras

A Ponte da Integração, que conecta Foz do Iguaçu (PR) a Presidente Franco, no Paraguai, passou a operar com regras mais flexíveis, permitindo a circulação de um número maior de veículos. As mudanças entraram em vigor na segunda-feira (3), após a publicação de um ato declaratório da Receita Federal, que oficializou a ampliação das categorias autorizadas a utilizar a travessia.

As novas diretrizes foram aprovadas na última sexta-feira (31) pela Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia e começaram a valer imediatamente. Apesar da ampliação do acesso, cada tipo de veículo deverá seguir horários específicos para a utilização da ponte.

Transporte coletivo internacional ganha novo acesso

Entre as principais alterações está a autorização para que a linha internacional de transporte urbano entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco utilize a Ponte da Integração de forma opcional, no período das 7h às 19h.

Para realizar a travessia, os passageiros deverão apresentar o Documento para Trânsito Vicinal Fronteiriço, conforme previsto nos acordos firmados pelo Mercosul.

Ônibus de turismo e linhas internacionais terão circulação ampliada

Os ônibus de turismo fretado também foram beneficiados pelas novas regras e passam a ter permissão para utilizar a ponte durante as 24 horas do dia.

A autorização é válida para veículos cujo destino final não seja Foz do Iguaçu, Ciudad del Este ou Presidente Franco. O mesmo critério passa a valer para os ônibus internacionais que operam em linhas regulares.

Mudanças incluem novas regras para caminhões

O transporte de cargas também foi contemplado com a atualização das normas.

Agora, caminhões de grande porte vazios poderão atravessar a Ponte da Integração entre 20h30 e 5h. Além disso, veículos de carga com capacidade de até 3,5 toneladas também passam a ter autorização para utilizar a estrutura.

No caso dos caminhões leves vazios, a circulação será permitida entre 7h e 19h. Entretanto, caso retornem transportando carga, a travessia deverá ocorrer obrigatoriamente pela Ponte da Amizade.

Ampliação do acesso gera protesto de caminhoneiros

Inaugurada para o tráfego em dezembro de 2025, após obras iniciadas em 2019, a Ponte da Integração tinha funcionamento inicialmente restrito a caminhões de grande porte e ônibus de turismo. Com as novas regras, tanto os horários quanto o número de categorias autorizadas foram ampliados.

Apesar da flexibilização, as mudanças provocaram reação entre os transportadores brasileiros.

Na segunda-feira (3), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (Sintrofi) realizou uma paralisação com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar).

Categoria pede igualdade nas regras de circulação

Segundo o Sintrofi, a principal reivindicação é que os caminhões brasileiros também possam utilizar a Ponte da Integração durante o período diurno, nos mesmos moldes da autorização concedida aos caminhões paraguaios de menor porte.

Para a entidade, a diferença nas regras de circulação cria um desequilíbrio operacional entre transportadores dos dois países, impactando a competitividade do setor na região de fronteira.

FONTE: Tribuna PR
TEXTO: Redação
IMAGEM: Albari Rosa / AEN

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Transporte

Transporte rodoviário movimenta quase 70% das cargas no Brasil, aponta levantamento

O transporte rodoviário de cargas segue como a principal base da logística brasileira. De acordo com o novo Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas, os caminhões são responsáveis por 68,5% de toda a carga movimentada no país, considerando o indicador de tonelada-quilômetro (TKU). Quando a análise leva em conta o valor das mercadorias transportadas (VKU), essa participação sobe para 84,3%.

Os números evidenciam a forte dependência da economia nacional das rodovias para abastecer cidades, atender à indústria e garantir o escoamento da produção agrícola e mineral.

Rodovias sustentam a logística nacional

O estudo mostra que o Brasil conta com uma malha de mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, sendo aproximadamente 31 mil quilômetros administrados pela iniciativa privada.

Segundo o levantamento, a distribuição dos fluxos de carga acompanha as características econômicas de cada região. Produtos como soja e milho são transportados por corredores logísticos que ligam as áreas produtoras aos portos do Arco Norte e das regiões Sul e Sudeste.

Já as cargas conteinerizadas têm como principal ponto de movimentação o Porto de Santos, enquanto os granéis minerais concentram seu fluxo entre Minas Gerais e os portos do estado do Rio de Janeiro.

Diesel continua predominante no transporte de cargas

Mesmo com o avanço de alternativas energéticas, o diesel permanece como o principal combustível utilizado pelos caminhões brasileiros.

Conforme o Panorama, o consumo no setor ficou próximo de 70 milhões de metros cúbicos em 2025, refletindo a predominância do modal rodoviário na matriz logística nacional.

Setor amplia geração de empregos

Além de sua importância para o abastecimento do país, o segmento também manteve crescimento na geração de empregos formais. O levantamento aponta que o transporte rodoviário de cargas encerrou 2025 com saldo positivo superior a 46 mil novas vagas.

O desempenho reforça o papel estratégico da atividade na economia brasileira, tanto na circulação de mercadorias quanto na criação de postos de trabalho.

Renovação da frota e infraestrutura estão entre os desafios

Apesar dos resultados positivos, o estudo destaca que o setor ainda enfrenta desafios importantes para os próximos anos.

Entre eles estão a necessidade de renovação da frota — especialmente entre os transportadores autônomos —, a redução dos índices de acidentes nas rodovias e a adoção de medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Embora o Brasil venha ampliando investimentos em ferrovias, hidrovias e cabotagem, o modal rodoviário continua sendo o principal responsável pelo transporte de mercadorias.

Essa dependência faz com que fatores como oscilações no preço do diesel, problemas de infraestrutura e interrupções nas estradas tenham impacto direto sobre os custos logísticos, influenciando toda a cadeia de abastecimento e o preço final de diversos produtos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Randon

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Transporte

BR-280 em São Francisco do Sul terá ampliação para melhorar acesso ao porto e fluxo de caminhões

O acesso ao complexo portuário de São Francisco do Sul, no Norte catarinense, vai passar por uma ampliação viária na BR-280, com a construção de novas faixas destinadas a melhorar o fluxo de caminhões. A intervenção também inclui melhorias na Avenida Engenheiro Leite Ribeiro, principal ligação entre a rodovia federal e a área portuária.

A iniciativa busca reduzir gargalos logísticos e facilitar a entrada e saída de veículos de carga no maior porto de Santa Catarina.

Projeto prevê ampliação de pistas e melhorias urbanas

O plano de obras contempla cerca de 1,4 mil metros de novas pistas. Desse total, aproximadamente 800 metros serão executados na BR-280, enquanto outros 600 metros serão implantados na via municipal que conecta o acesso ao porto, a partir do quilômetro zero, em frente à entrada do terminal Tesc.

A proposta tem como foco principal melhorar a fluidez do tráfego de caminhões no acesso portuário, um dos pontos mais críticos da região.

Investimento de R$ 12,5 milhões será bancado pelo próprio porto

O projeto terá investimento estimado em R$ 12,5 milhões, com recursos próprios do Porto de São Francisco do Sul. O edital de contratação das obras está previsto para ser publicado em junho.

Após o início dos trabalhos, a previsão é de que a execução seja concluída em até 10 meses, conforme o cronograma estabelecido.

Intervenção busca reduzir desgaste e custos de manutenção

Além de melhorar a mobilidade, a obra pretende diminuir os impactos causados pelo intenso fluxo de veículos pesados na região portuária, que gera desgaste acelerado do pavimento e aumenta os custos de manutenção.

Um dos trechos mais sensíveis, localizado no cruzamento da ferrovia, será pavimentado em concreto, solução adotada para ampliar a durabilidade da estrutura diante do tráfego constante de cargas.

Maior fluidez no acesso ao porto é principal objetivo

De acordo com a administração do porto, a ampliação das pistas deve garantir maior fluidez no acesso aos terminais e melhores condições de circulação para motoristas que utilizam diariamente o corredor logístico.

A expectativa é de ganhos diretos na eficiência operacional e na redução de congestionamentos na região.

Projeto tem aval de órgãos federais

O projeto executivo foi desenvolvido pelo Sindicato dos Operadores Portuários e já recebeu autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e do Ministério de Portos, Aeroportos e Ferrovias.

Com as liberações, a obra avança para a fase de contratação e início da execução.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ND+

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