Transporte

Implementos rodoviários têm segundo melhor mês de 2026, mas mercado segue em queda

O mercado de implementos rodoviários ganhou força no terceiro trimestre, mas ainda não conseguiu superar o desempenho registrado no mesmo período de 2025. Entre julho e setembro, foram emplacadas 42.979 unidades, volume 19,7% superior ao registrado no segundo trimestre, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

Setembro ajudou a impulsionar o resultado. Foram 14.202 implementos licenciados no mês, alta de 4,4% sobre agosto. O volume representa o segundo melhor resultado mensal de 2026, atrás apenas de julho, quando 15.173 unidades foram emplacadas.

Apesar da reação recente, o acumulado do ano permanece negativo. De janeiro a setembro, o mercado registrou 109.715 unidades, contra 111.355 no mesmo período de 2025. A queda é de 1,47%.

O avanço entre o segundo e o terceiro trimestres indica maior ritmo de vendas, mas a comparação entre períodos diferentes não permite determinar, isoladamente, quanto desse movimento decorre de sazonalidade ou de uma recuperação efetiva do mercado.

Implementos pesados mantêm estabilidade

Os resultados acumulados mostram comportamentos diferentes entre os principais grupos de produtos.

Os reboques e semirreboques somaram 53.774 emplacamentos nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 0,22% sobre o mesmo período de 2025.

Já as carrocerias sobre chassis chegaram a 55.941 unidades, queda de 3,05% na comparação anual.

Em números absolutos, os implementos pesados tiveram acréscimo de 117 unidades em relação ao ano passado. As carrocerias, por outro lado, perderam 1.757 emplacamentos. Dessa forma, a estabilidade dos reboques e semirreboques não foi suficiente para compensar a retração das carrocerias.

Para José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, o comportamento dos reboques e semirreboques pode indicar uma aproximação de um cenário de equilíbrio e uma possível consolidação da recuperação do segmento.

Graneleiros apresentam comportamentos opostos

As diferenças entre os segmentos também aparecem nos equipamentos destinados ao transporte de cargas semelhantes.

Entre reboques e semirreboques, os equipamentos para grãos e carga seca registraram alta de 6,44%, chegando a 10.180 unidades.

Nas carrocerias sobre chassis, entretanto, a mesma categoria apresentou queda de 14,09%, para 11.052 emplacamentos.

A retração das carrocerias representou uma perda de 1.813 unidades. O resultado negativo foi parcialmente compensado pelo desempenho de outras categorias de produtos.

Os dados revelam diferenças nas decisões de compra conforme a configuração dos equipamentos, mas não permitem afirmar, por si só, que ocorreu uma migração de demanda das carrocerias para os reboques e semirreboques.

Baús ajudam a conter queda das carrocerias

Entre as carrocerias sobre chassis, os equipamentos classificados pela Anfir como baús de alumínio e frigoríficos tiveram desempenho positivo.

A categoria avançou 4,41%, passando para 25.019 unidades. O crescimento acrescentou 1.057 emplacamentos e ajudou a reduzir a retração do segmento.

Outras categorias tiveram desempenho negativo. As carrocerias tanque recuaram 6,92%, para 3.835 unidades, enquanto os equipamentos basculantes registraram queda de 1,60%, chegando a 6.399.

Carga geral e transporte de toras avançam

No segmento de reboques e semirreboques, os equipamentos destinados ao transporte de carga geral apresentaram uma das maiores altas em volume.

Os emplacamentos passaram de 8.852 para 9.850 unidades, crescimento de 11,27%.

Os implementos basculantes também tiveram resultado positivo, com alta de 2,94%, para 9.299 unidades. Já os equipamentos destinados ao transporte de toras cresceram 16,81%, alcançando 1.723 emplacamentos.

Em contrapartida, algumas categorias registraram quedas expressivas. Os tanques de aço carbono tiveram retração de 25,70%, para 2.983 unidades.

Os baús lonados recuaram 23,93%, totalizando 3.798 unidades, enquanto os equipamentos do tipo carrega-tudo tiveram queda de 21,48%, para 1.543.

A combinação entre crescimento em algumas famílias e retrações acentuadas em outras ajuda a explicar por que o segmento de implementos pesados permanece praticamente estável, enquanto determinadas categorias enfrentam perdas significativas.

Fenatran gera expectativa para os próximos meses

A Fenatran, feira voltada ao transporte rodoviário de cargas e realizada em novembro, concentra parte das expectativas da indústria para a evolução dos negócios no fim do ano.

A Anfir aposta que os negócios iniciados durante o evento possam gerar efeitos comerciais nos meses seguintes. Na avaliação de José Carlos Spricigo, esse impacto pode se prolongar por pelo menos quatro meses e ajudar o mercado a encerrar 2026 ligeiramente acima do resultado de 2025.

Até setembro, porém, o setor ainda precisava recuperar 1.640 emplacamentos para igualar o volume registrado nos nove primeiros meses do ano passado.

Assim, embora os resultados recentes indiquem maior ritmo de vendas, o mercado de implementos rodoviários ainda precisa manter o crescimento nos próximos meses para reverter completamente a queda acumulada em 2026.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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