Portos

Leilão do Porto de Fortaleza prevê R$ 450 milhões em investimentos para novo terminal de contêineres

O Governo Federal marcou para 9 de dezembro o leilão da área MUC 04, destinada à implantação do novo Terminal de Contêineres e Carga Geral do Porto de Fortaleza, no Ceará. O projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 450 milhões ao longo de 25 anos de concessão e busca ampliar a capacidade logística e a competitividade do porto no comércio exterior.

O anúncio foi feito na quinta-feira, dia 8, pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. A disputa será realizada na B3, em São Paulo, e representa a primeira licitação federal para arrendamento de um terminal de contêineres em dez anos.

Novo terminal poderá movimentar 360 mil TEUs por ano

O projeto do Porto de Fortaleza prevê uma capacidade operacional de até 360 mil TEUs por ano. A sigla corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada internacionalmente para medir a movimentação de cargas conteinerizadas.

A estrutura será voltada às operações de longo curso, realizadas entre países, e à cabotagem, modalidade de transporte marítimo entre portos de um mesmo país.

Um dos destaques será o atendimento às cargas refrigeradas, especialmente frutas destinadas à exportação. A infraestrutura deverá contribuir para ampliar as condições de armazenamento e transporte de mercadorias que exigem controle de temperatura durante a operação logística.

No ano passado, a movimentação provisória de contêineres no porto alcançou aproximadamente 99 mil TEUs, volume equivalente a quase 54 mil unidades de contêineres.

Leilão integra agenda de concessões portuárias

A disputa pelo terminal MUC 04 faz parte de uma rodada de leilões organizada pelo Governo Federal, que também contemplará áreas nos portos de Salvador, na Bahia, e Itaqui, no Maranhão.

Em setembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o projeto de arrendamento da área destinada ao novo terminal de Fortaleza, permitindo o avanço do processo de concessão.

Além do MUC 04, o planejamento prevê futuras licitações das áreas MUC 03 e MUC 05, também localizadas no Porto de Fortaleza. Esses espaços serão destinados à movimentação de granéis sólidos minerais, ampliando as possibilidades de operação do complexo portuário.

Porto de Fortaleza busca ampliar competitividade e atrair empresas

Para a Companhia Docas do Ceará (CDC), responsável pela administração do porto, o novo terminal representa uma oportunidade de modernizar a infraestrutura e ampliar a capacidade de movimentação de mercadorias.

O diretor-presidente da companhia, Quintino Vieira, destaca que o empreendimento poderá fortalecer a posição do Ceará no comércio internacional, além de criar condições para atrair novos investimentos e atender ao crescimento futuro da demanda.

A expectativa é que a ampliação da estrutura contribua para melhorar a eficiência das operações portuárias e ofereça novas oportunidades aos setores produtivos que dependem do transporte marítimo.

Investimentos devem impulsionar logística e comércio exterior

O arrendamento do MUC 04 integra a estratégia de expansão do complexo portuário de Fortaleza, que busca ampliar sua capacidade operacional e diversificar os serviços oferecidos aos usuários.

Com a previsão de R$ 450 milhões em investimentos e capacidade projetada de 360 mil TEUs anuais, o novo terminal poderá reforçar a movimentação de cargas conteinerizadas, especialmente aquelas destinadas aos mercados internacionais.

A iniciativa também pretende fortalecer a infraestrutura logística do Ceará, criando condições para ampliar as exportações, melhorar o escoamento da produção e aumentar a participação do estado no comércio exterior brasileiro.

FONTE: O Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Samuel Setubal/ O POVO

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Especialista

Quando reduzir custo pode sair caro: o que a experiência na logística me ensinou

Ao longo de quase 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi que um dos grandes desafios de uma operação é encontrar o equilíbrio entre custo e eficiência.

Em um mercado cada vez mais pressionado por preços, buscar redução de despesas é natural. O problema surge quando o menor custo passa a ser visto como sinônimo de melhor decisão.

Na logística, uma economia feita no lugar errado pode aparecer depois em forma de atrasos, manutenção, retrabalho, perda de produtividade ou até perda de clientes.

Por isso, antes de perguntar “quanto custa?”, é importante perguntar também: “qual será o impacto dessa escolha na operação?”

O frete mais barato pode custar um cliente

Escolher um transporte apenas pelo menor valor pode parecer vantajoso, mas é preciso considerar prazo, segurança, flexibilidade e as necessidades específicas da operação.

Se uma carga atrasa ou sofre uma avaria, o impacto ultrapassa o custo do transporte. Pode comprometer o relacionamento com o cliente e até uma oportunidade comercial.

Na prática, não adianta economizar em uma etapa e criar um problema maior em outra.

Manutenção e combustível: olhar além do preço

A manutenção é outro exemplo. Buscar sempre a alternativa mais barata pode reduzir o desembolso imediato, mas uma escolha inadequada pode aumentar as paradas, comprometer a disponibilidade da frota e gerar novos custos.

Em transporte, veículo parado significa atraso, reprogramação e perda de produtividade.

O mesmo vale para o combustível. O preço por litro é importante, mas consumo, desempenho e impactos na manutenção também precisam entrar na conta.

O que importa é avaliar o custo total da operação, e não apenas o preço de cada item isoladamente.

Pessoas e fornecedores também fazem parte da equação

A redução de custos também pode atingir equipes e fornecedores. Mas diminuir pessoas ou estrutura sem avaliar as consequências pode gerar sobrecarga, falhas de comunicação, erros e retrabalho.

Quem está no dia a dia conhece dificuldades que nem sempre aparecem nos indicadores. Por isso, ouvir a equipe é fundamental.

Na escolha de fornecedores, preço também não deve ser o único critério. Prazo, qualidade, segurança, confiabilidade e capacidade de atendimentoprecisam fazer parte da análise.

Um fornecedor mais barato que não entrega no prazo pode gerar um custo muito maior para a operação.

Eficiência não é simplesmente gastar menos

Depois de tantos anos acompanhando diferentes etapas da logística, uma das principais lições que levo para o meu trabalho é que redução de custo e eficiência não são necessariamente a mesma coisa.

Reduzir custo significa diminuir uma despesa. Buscar eficiência é utilizar melhor os recursos disponíveis para alcançar um resultado.

Em alguns casos, reduzir uma despesa será a melhor decisão. Em outros, investir mais em determinada etapa pode evitar perdas muito maiores adiante.

Por isso, antes de escolher pelo menor preço, procuro responder:

Qual é o impacto dessa decisão na operação?

O que estamos economizando agora e o que podemos gastar depois?

Essa escolha realmente melhora o resultado?

Minha experiência na estrada, na operação, na gestão de frota, na logística portuária, na cabotagem e na área comercial me ensinou a olhar a cadeia de forma integrada.

Uma operação competitiva não é necessariamente aquela que tem o menor custo em cada item. É aquela que consegue equilibrar custo, qualidade, segurança, produtividade, prazo e resultado.

Porque, na logística, nem sempre economizar em uma etapa significa gastar menos no final.

Antes de buscar o menor preço, é preciso entender o custo da decisão.


Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Comércio Exterior

Movimentação de cargas nos portos do Biobío cresce 6,4% em agosto de 2026

Os portos da Região do Biobío, no Chile, movimentaram 2.515.983 toneladas de cargas em agosto de 2026, um aumento de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Segundo o levantamento, o crescimento anual foi sustentado pelo desempenho positivo registrado nos diferentes serviços portuários da região.

Carga importada lidera avanço nos portos

A maior contribuição para o resultado veio da carga desembarcada do exterior, que totalizou 810.298 toneladas e cresceu 10,3% em 12 meses.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela movimentação de granéis sólidos, que avançou 81,2%. O volume de contêineres aumentou 23,8%, enquanto o granéis líquido e gasoso registrou alta de 6,3%.

Já a carga embarcada para o exterior somou 1.150.070 toneladas. O segmento, que representou 45,7% de toda a movimentação regional, apresentou crescimento de 4%, com destaque para o aumento de 14,5% na carga transportada em contêineres.

Cabotagem e transbordo também avançam

O serviço de cabotagem movimentou 437.999 toneladas em agosto, alta de 3,3% na comparação anual. O resultado foi favorecido principalmente pelo crescimento de 32,8% na carga desembarcada.

As operações de reestiva e transbordo também apresentaram desempenho positivo. Foram movimentadas 72.373 toneladas, volume 26% superior ao registrado um ano antes.

Dentro desse segmento, a atividade de reestiva cresceu 21,3%, enquanto os transbordos tiveram forte expansão, de 372,5%.

O serviço de trânsito, por sua vez, movimentou 45.243 toneladas, aumento de 3,8% em 12 meses. O resultado foi influenciado pelo crescimento de 5,5% da carga desembarcada.

Contêineres chegam a 144 mil TEU

O relatório do INE aponta ainda um crescimento expressivo na movimentação de contêineres nos terminais portuários do Biobío.

Em agosto, foram movimentados 144.339 TEU, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Os contêineres de 40 pés responderam pela maior parte do movimento, com 69.627 unidades, equivalentes a 93,2% do total. Essa categoria registrou crescimento de 19,4%.

Já os contêineres de 20 pés somaram 5.085 unidades, uma queda de 5,6% na comparação anual.

Transporte rodoviário registra queda

Apesar do avanço na movimentação portuária, o transporte de cargas pelas rodovias do Biobío apresentou retração no período.

As praças de pedágio da região registraram 489.431 passagens de veículos de carga em agosto de 2026. O número representa uma redução de 1,6% frente a agosto de 2025, ou 8.164 passagens a menos.

Os veículos pesados com três ou mais eixos, responsáveis por aproximadamente 78% do transporte pesado regional, contabilizaram 381.610 passagens, queda de 0,9%.

Entre os caminhões de dois eixos, foram registradas 107.821 passagens, uma retração de 4,2% em 12 meses.

Os dados mostram, assim, comportamentos distintos entre os modais: enquanto o transporte marítimo de cargas ganhou força nos portos do Biobío em agosto, o fluxo de veículos pesados nas rodovias da região apresentou redução.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Especialista

Como diagnosticar uma operação logística antes de propor uma solução

Em um mercado cada vez mais pressionado por custos, prazos e eficiência, encontrar soluções para os desafios logísticos exige mais do que identificar um problema aparente. É necessário compreender como a operação funciona, avaliar seus processos e considerar as pessoas envolvidas em cada etapa.

Ao longo de quase 30 anos no setor de transporte e logística, construí minha experiência passando por diferentes funções, desde ajudante de motorista até atividades ligadas à operação, gestão de frota, logística portuária, cabotagem, comercial e desenvolvimento de projetos.

Essa vivência me ensinou a importância de olhar para a operação de forma integrada. Antes de propor uma mudança, é preciso entender o cenário e identificar o que realmente precisa ser resolvido.

Uma dificuldade logística pode ter diferentes origens. Um atraso, por exemplo, não deve ser analisado de maneira isolada. É importante compreender o fluxo operacional, os processos envolvidos e os fatores que podem estar interferindo no resultado.

O mesmo vale para custos elevados, baixa produtividade ou problemas de comunicação entre equipes.

Por isso, o primeiro passo é conhecer a realidade da operação. Isso significa observar como as atividades são executadas, ouvir os profissionais envolvidos e entender as necessidades do cliente.

5 pontos que devem ser observados em um diagnóstico logístico

1. Entender o fluxo operacional

É fundamental conhecer as etapas da operação, desde a entrada do pedido no sistema até a entrega final. Compreender esse fluxo permite visualizar como as atividades se conectam e identificar pontos que merecem uma análise mais aprofundada.

2. Avaliar os custos

A gestão de custos precisa considerar mais do que os valores mais evidentes. É importante observar fatores relacionados à frota, manutenção, produtividade e execução dos processos, buscando compreender onde estão as oportunidades de melhoria.

3. Analisar a gestão de frota

A frota precisa ser avaliada considerando sua utilização, manutenção, disponibilidade e relação com as necessidades da operação. Uma análise integrada ajuda a compreender como as decisões relacionadas aos veículos e às equipes podem afetar o desempenho logístico.

4. Considerar as pessoas e a comunicação

Os profissionais que participam da operação conhecem dificuldades e particularidades do trabalho diário. Ouvir essas pessoas e compreender a comunicação entre as equipes é parte importante da análise, especialmente quando existem conflitos ou dificuldades de execução.

5. Compreender a necessidade do cliente

Uma solução logística precisa estar alinhada à necessidade de quem contrata o serviço. Isso exige compreender as características da demanda, as condições operacionais e os objetivos envolvidos, evitando propostas que não correspondam à realidade do cliente.

O problema nem sempre está onde parece

Uma das dificuldades na gestão logística é tratar apenas o sintoma de um problema, sem compreender sua origem. Quando uma operação apresenta resultados abaixo do esperado, a resposta não deve ser necessariamente uma mudança imediata. Antes, é preciso investigar os fatores envolvidos e entender como eles se relacionam. Essa análise ajuda a direcionar as decisões e a construir soluções mais coerentes com as necessidades identificadas.

Conhecer a logística na prática permite compreender melhor os desafios enfrentados por motoristas, equipes operacionais, gestores e clientes. Essa visão contribui para aproximar o planejamento da realidade do transporte e permite avaliar as decisões considerando diferentes etapas da cadeia logística.

Na minha atuação com comercial, gestão de projetos e frota, procuro justamente conectar essas perspectivas para compreender os desafios e identificar possibilidades de solução.

Diagnosticar antes de agir

Uma operação logística reúne processos, pessoas, recursos e decisões que precisam funcionar de maneira integrada. Por isso, antes de propor uma solução, considero essencial compreender o cenário, avaliar os custos, ouvir os envolvidos e identificar a origem das dificuldades.

Afinal, uma solução logística começa pelo entendimento correto do problema.

É essa combinação entre experiência prática, visão operacional e compreensão das necessidades do cliente que procuro levar ao meu trabalho.

Imagem: Ilustrativa / Feita com IA

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Logística

Cabotagem Sul–Manaus: Como Funciona a Logística Multimodal entre o Sul e a Amazônia

A integração de diferentes meios de transporte é o segredo para cruzar o Brasil de ponta a ponta. Destacado pelo Plano Nacional de Logística (PNL 2050), o eixo de cabotagem Sul–Manaus ilustra com precisão como uma mercadoria pode percorrer milhares de quilômetros combinando rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e navios em uma operação logística altamente articulada.

O Papel Estratégico da Cabotagem no Brasil

A cabotagem consiste na navegação realizada entre portos ou terminais do território nacional utilizando vias marítimas ou águas interiores. No corredor que liga a Região Sul à capital amazonense, os navios contornam a costa brasileira e adentram o complexo sistema hidroviário da região norte, enquanto caminhões e trens realizam a integração terrestre nas etapas iniciais e finais do trajeto.

Cada operação é personalizada conforme o tipo de mercadoria, os portos de atendimento e a rota contratada, otimizando o escoamento de insumos e produtos industrializados, como eletrônicos e veículos produzidos no polo industrial amazonense.

Da Origem Terrestre ao Embarque nos Portos

O ciclo logístico começa antes mesmo de a carga tocar a água. Em fábricas e armazéns, os produtos costumam ser acondicionados em contêineres para padronizar e facilitar a movimentação.

  • Transporte Rodoviário e Ferroviário: Caminhões ou trens realizam o transporte inicial da carga até as instalações portuárias, dependendo da infraestrutura disponível na região produtora.
  • Complexos Portuários: Os portos concentram pátios, armazéns e áreas de atracação fundamentais para organizar, consolidar e embarcar os contêineres com segurança.

Navegação Costeira e as Águas Interiores da Amazônia

Uma vez a bordo, a embarcação inicia o trecho marítimo contornando a costa do país, podendo realizar paradas estratégicas em diferentes portos intermediários.

Para alcançar Manaus, o navio ingressa nas vias fluviais interiores, navegando pelo Rio Amazonas, pelo Rio Negro e por outros cursos d’água essenciais. Fatores como a profundidade dos canais e as variações sazonais do nível da água exigem rigor técnico e influenciam diretamente a regularidade das viagens na região.

Planejamento de Longo Prazo e Futuro Logístico

O PNL 2050 aponta dezenas de intervenções estruturantes voltadas para o aprimoramento hidroviário, portuário, ferroviário e rodoviário ao longo desse corredor. Essa integração demonstra que o sucesso da logística portuária brasileira depende diretamente da união entre eficiência na navegação, acessos terrestres ágeis e terminais preparados para atender tanto o suprimento quanto o escoamento de riquezas pelo país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Mercado de trabalho

Cruzeiros movimentam R$ 4,76 bilhões e geram 72 mil empregos no Brasil

A temporada de cruzeiros 2025/2026 movimentou R$ 4,76 bilhões na economia brasileira, considerando tanto as operações de cabotagem quanto a passagem de navios internacionais pelo litoral do país. O impacto inclui os gastos das companhias com operação e logística, além das despesas realizadas por passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e escala.

O levantamento, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), também aponta efeitos sobre o mercado de trabalho e a arrecadação de impostos.

Cabotagem concentra maior parte do impacto econômico

A operação de cruzeiros de cabotagem respondeu por R$ 4,28 bilhões do impacto total registrado na temporada. A atividade esteve relacionada à manutenção de 64.529 postos de trabalho e gerou R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.

Dos recursos movimentados pela cabotagem, R$ 2,28 bilhões tiveram origem nos gastos das próprias companhias de cruzeiro com operações, logística e demais atividades necessárias ao funcionamento dos navios.

Outros R$ 2 bilhões foram gerados pelos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades brasileiras incluídas nos roteiros, abrangendo locais de embarque, desembarque e escalas.

Turismo de cruzeiros movimenta comércio e serviços

O impacto econômico dos navios não fica restrito aos portos brasileiros. A presença dos cruzeiristas também movimenta atividades como alimentação, comércio, transporte, hotelaria e outros serviços.

Na temporada 2025/2026, 602.864 passageiros embarcaram em navios de cabotagem no país. Segundo o estudo, para cada R$ 1 investido pelas empresas de cruzeiros, foram movimentados R$ 3,89 na economia brasileira.

O resultado mostra como a atividade pode gerar efeitos econômicos nas cidades que integram os itinerários, especialmente nos destinos que recebem passageiros durante as escalas.

Navios internacionais acrescentam R$ 480,94 milhões

O levantamento da FGV e da Clia Brasil também considera os navios de longo curso que passaram pelo litoral brasileiro durante a temporada.

Ao todo, 21 embarcações internacionais estiveram em trânsito pelo país. Essas operações foram responsáveis por um impacto econômico estimado em R$ 480,94 milhões, além de sustentarem aproximadamente 7.500 postos de trabalho.

A atividade relacionada aos navios internacionais também gerou R$ 51,15 milhões em impostos.

Somados os segmentos de cabotagem e longo curso, os cruzeiros marítimos estiveram associados a cerca de 72 mil postos de trabalho na temporada 2025/2026.

Portos passam por modernização para receber cruzeiros

O crescimento do turismo marítimo aumenta a necessidade de investimentos em infraestrutura. Para acompanhar a evolução do setor, os portos brasileiros passam por projetos voltados à melhoria do atendimento, segurança e eficiência dos terminais de passageiros.

A agenda conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) inclui a qualificação das instalações, a ampliação da capacidade de atendimento e a preparação dos terminais para receber navios de diferentes tamanhos e características.

Um dos projetos está no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Maceió, em Alagoas. Em 2026, o MPor formalizou o contrato de arrendamento da estrutura, que possui 5,6 mil metros quadrados e capacidade para atender até 612 passageiros diariamente.

Entre as intervenções previstas estão a implantação de estacionamento, a renovação do mobiliário e a instalação de equipamentos para controle de passageiros e bagagens. O projeto também contempla melhorias nos sistemas de segurança e controle de acesso.

Terminal no Pará foi preparado para receber navios

No Pará, outro projeto de infraestrutura foi concluído em novembro de 2025. A requalificação do Terminal Portuário de Outeiro preparou o espaço para receber navios de passageiros durante a COP30.

Além de atender ao evento, a estrutura foi planejada para possibilitar a utilização de embarcações como hotéis flutuantes. De acordo com o MPor, o terminal também poderá fazer parte de futuras rotas regulares de turismo marítimo.

As obras fazem parte de uma estratégia mais ampla de qualificação da infraestrutura portuária voltada ao turismo, com atenção não apenas aos terminais, mas também à integração com as cidades e com a cadeia de serviços oferecida aos visitantes.

Portos conectam turismo e economia local

A operação de um navio de cruzeiro envolve uma extensa rede de serviços, que inclui infraestrutura portuária, transporte, abastecimento, logística, atendimento aos passageiros e prestação de serviços.

Nesse contexto, os portos funcionam como portas de entrada para destinos turísticos e conectam os visitantes a diferentes atividades econômicas nas cidades.

O fluxo de passageiros e tripulantes movimenta empresas, trabalhadores, restaurantes, hotéis, transportadoras, comerciantes e outros prestadores de serviços. Dessa forma, os efeitos dos cruzeiros no Brasil vão além da operação dos navios e alcançam diretamente as economias locais.

Em 2025, o MPor também discutiu a expansão do turismo de cruzeiros em parceria com a ONU Turismo, com foco na modernização dos portos, no crescimento do setor e na integração da atividade às economias das cidades brasileiras.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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Transporte

PNL 2050: veja os principais caminhos prioritários para a navegação brasileira

O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes do Brasil nas próximas décadas. No setor aquaviário, o planejamento considera não apenas as hidrovias, mas toda a estrutura necessária para conectar áreas produtoras, terminais, portos, ferrovias e rodovias aos destinos das cargas e dos passageiros.

Entre os caminhos classificados diretamente como eixos aquaviários prioritários, estão as hidrovias do Tocantins, Paraguai e Parnaíba, além da rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A lista, porém, não representa todas as vias navegáveis consideradas estratégicas pelo planejamento. Os rios Amazonas, Madeira e Tapajós, por exemplo, aparecem em corredores intermodais, que combinam a navegação com outros modais de transporte.

Hidrovias também fazem parte dos corredores intermodais

O Rio Tapajós e o Rio Amazonas estão inseridos em corredores que conectam ferrovias e rodovias ao transporte hidroviário no Arco Norte. Já o Rio Madeira integra o eixo de Integração Amazônica.

Com isso, a navegação brasileira está presente tanto nos quatro eixos classificados especificamente como aquaviários quanto em parte dos sete corredores intermodais considerados no planejamento.

A definição dessas rotas como prioritárias indica que elas terão papel relevante nas próximas fases do planejamento nacional. Estudos de viabilidade, custos, benefícios e impactos deverão orientar a seleção dos projetos e definir possíveis investimentos, prazos e modelos de execução.

Além dos corredores priorizados, outros 11 eixos permanecem registrados em um banco de alternativas que poderá ser utilizado em estudos futuros.

Hidrovia do Tocantins terá conexão entre Goiás e Pará

A Hidrovia do Tocantins está planejada em dois principais trechos. O primeiro vai de Uruaçu, em Goiás, até Marabá, no Pará. O segundo liga Marabá a Belém e inclui a região do Pedral do Lourenço.

A estrutura necessária para o transporte, no entanto, vai além do leito navegável. A movimentação eficiente de cargas depende de pontos para embarque, desembarque e integração com outros modais.

Por isso, o PNL 2050 prevê o aumento da capacidade do Complexo Portuário de Belém/Vila do Conde e aponta a implantação de terminais em Aguiarnópolis, Miracema do Tocantins e Peixe, no Tocantins; Imperatriz, no Maranhão; e Marabá, no Pará.

Hidrovia do Paraguai concentra investimentos no Tramo Sul

Na Hidrovia do Paraguai, as ações previstas no planejamento estão concentradas no Tramo Sul, em Mato Grosso do Sul, região que já possui transporte comercial de cargas.

Entre as medidas apontadas estão melhorias na infraestrutura de navegação e o aumento da capacidade dos complexos portuários de Corumbá e Porto Murtinho.

A intenção é melhorar as condições de transporte e ampliar a integração entre a hidrovia e os terminais existentes na região.

A classificação como eixo prioritário, contudo, não significa que as obras estejam automaticamente autorizadas ou que os investimentos já estejam garantidos. As propostas ainda dependem do aprofundamento dos estudos previstos no planejamento.

Hidrovia do Parnaíba terá administração do Piauí

No Piauí, o planejamento prevê a consolidação da Hidrovia do Parnaíba e a implantação de terminais em Guadalupe, Teresina e Luís Correia.

A infraestrutura foi delegada pela União ao Governo do Piauí, que passou a administrar a hidrovia e a conduzir a estruturação das intervenções previstas.

A proposta busca aproximar as regiões produtoras do interior do estado do litoral, além de integrar o transporte hidroviário aos terminais e aos demais modais.

Os futuros terminais poderão atender diferentes tipos de cargas, incluindo produtos agrícolas e minerais, combustíveis, contêineres e carga geral.

Antes da definição dos projetos, ainda serão necessários estudos técnicos, ambientais e de viabilidade, que deverão indicar quais intervenções serão realizadas, os investimentos necessários e os respectivos cronogramas.

Cabotagem conecta a Região Sul a Manaus

O quarto eixo diretamente classificado como aquaviário é a rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A cabotagem consiste no transporte de cargas entre portos de um mesmo país, principalmente pela costa. Dependendo da rota, o percurso também pode incluir trechos fluviais.

Nesse caso, não se trata de uma única hidrovia. O corredor atravessa diferentes regiões brasileiras e utiliza uma rede de portos e terminais ao longo do trajeto.

A operação combina o deslocamento marítimo entre o Sul e o Norte com o trecho fluvial necessário para alcançar Manaus. Durante o percurso, as cargas podem passar por diferentes instalações portuárias.

A presença dessa ligação entre as prioridades do PNL 2050 reforça a importância da cabotagem para integrar diferentes regiões brasileiras e movimentar cargas em longas distâncias.

Próximos passos do planejamento logístico

Os quatro corredores — Tocantins, Paraguai, Parnaíba e a rota de cabotagem Sul-Manaus — formam a categoria de eixos aquaviários do cenário-meta considerado pelo estudo.

Isso não retira a importância de outros corredores de navegação. Rios como Amazonas, Madeira e Tapajós continuam incluídos nas prioridades nacionais por meio dos eixos intermodais.

A próxima etapa envolve a realização de análises sobre viabilidade, custos, benefícios e impactos. A partir desses estudos, será possível definir quais projetos têm condições de avançar, os valores necessários, as alternativas de financiamento e os prazos para eventual execução.

Assim, o PNL 2050 funciona como uma referência de longo prazo para orientar a expansão e a integração da infraestrutura logística brasileira, incluindo o papel estratégico do transporte aquaviário na movimentação de cargas pelo país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Porto de São Sebastião implanta primeiro Port Community System do Brasil

O Porto de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, tornou-se o primeiro ativo portuário do Brasil a operar com um Port Community System (PCS). Desenvolvida pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), a plataforma entrou em funcionamento em 14 de agosto e busca aumentar a eficiência logística, a transparência e a agilidade das operações, além de reduzir custos.

O PCS funciona como um ambiente digital compartilhado para o acompanhamento das atividades portuárias em tempo real. Empresas privadas, operadores e órgãos públicos podem aderir voluntariamente ao sistema, cadastrar informações operacionais e consultar dados disponibilizados por outros participantes da cadeia.

Segundo a CDSS, vinculada ao Governo do Estado de São Paulo, o sistema representa uma camada digital de dados e serviços compartilhados que integra o ecossistema informatizado do porto.

Plataforma reúne informações da operação portuária

A implantação do sistema digital portuário também aproveitou investimentos feitos anteriormente em soluções tecnológicas que já estavam em funcionamento. Essas ferramentas foram posteriormente integradas ao novo ecossistema.

A CDSS informa que, sem considerar os sistemas desenvolvidos antes da implantação do PCS, foram aplicados até o momento R$ 400 mil no aprimoramento do ecossistema portuário.

O presidente da companhia, Ernesto Sampaio, afirma que o acesso à plataforma é gratuito para os usuários e que novas funcionalidades serão incorporadas de maneira gradual. Atualmente, o sistema reúne 50 empresas e 47 usuários cadastrados.

O desenvolvimento do projeto começou aproximadamente três anos antes da entrada em operação. A proposta é reunir em um único ambiente informações que anteriormente permaneciam sob domínio da autoridade portuária ou eram obtidas de maneira fragmentada.

Com a digitalização, a expectativa é facilitar o compartilhamento desses dados entre os diferentes integrantes da comunidade portuária.

Menos burocracia e mais previsibilidade

Entre os benefícios esperados estão a redução de procedimentos manuais e da circulação de documentos físicos, além de maior previsibilidade para o fluxo de cargas.

A plataforma oferece recursos como:

  • acompanhamento de exigências regulatórias;
  • controle de pendências e documentos;
  • monitoramento do transporte terrestre de cargas;
  • gestão de acessos e agendamentos;
  • indicadores operacionais;
  • acompanhamento de custos.

Com as informações disponíveis em tempo real, os participantes podem se preparar antecipadamente para as próximas etapas das operações.

A previsão de encerramento do atendimento de um navio, por exemplo, pode ajudar operadores a organizar equipes. Agentes marítimos também podem acompanhar atracações e desatracações para coordenar atividades com a Praticagem e empresas de rebocadores.

Outro objetivo é reduzir a dispersão das comunicações. Informações que antes poderiam ser trocadas por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens passam a ficar concentradas em uma plataforma comum.

O PCS também possui integração com o Porto Sem Papel, sistema do Governo Federal. Dessa forma, os usuários poderão consultar informações dos dois ambientes por meio da plataforma, diminuindo a necessidade de acessar diferentes sistemas.

Desenvolvimento contou com participação do setor

A construção do Port Community System foi precedida por reuniões com representantes da comunidade portuária. Segundo Ernesto Sampaio, a CDSS realizou dezenas de encontros para identificar as principais demandas e estabelecer quais informações deveriam ser compartilhadas.

Participaram do processo profissionais das áreas de operações, Guarda Portuária e Tecnologia da Informação, além de representantes dos diversos segmentos envolvidos nas atividades do porto.

O levantamento também identificou dados já produzidos pelo sistema de gestão portuária que poderiam ser disponibilizados aos usuários. Informações internas e aquelas protegidas por sigilo comercial ficaram fora do compartilhamento.

A CDSS ressalta que o PCS não foi simplesmente adquirido como uma solução pronta. O sistema foi desenvolvido de forma conjunta com os integrantes da comunidade portuária e deverá continuar evoluindo conforme surgirem novas necessidades.

Sugestões de funcionalidades e melhorias poderão ser encaminhadas ao conselho consultivo para avaliação da autoridade portuária.

Projeto de PCS em Santos foi interrompido

A implantação do sistema em São Sebastião ocorre após outras iniciativas para levar o PCS aos portos brasileiros.

Em 2023, o Ministério de Portos e Aeroportos selecionou Santos, Itajaí (SC), Suape (PE) e Rio de Janeiro (RJ) para um projeto-piloto apoiado pelo governo britânico. O trabalho seria desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), por meio do Instituto de Tecnologia de Software e Serviços (ITS), com recursos do Reino Unido.

De acordo com Angelino Caputo, presidente-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), as discussões sobre a implantação do modelo no Brasil começaram por volta de 2018, no contexto das iniciativas relacionadas ao Acordo Mundial de Facilitação do Comércio, estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2013.

Segundo Caputo, o projeto contava inicialmente com recursos do Prosperity Fund UK, mas o financiamento foi reduzido. A iniciativa chegou a mapear processos e previa um projeto-piloto em Santos, mas acabou sendo interrompida durante a pandemia.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou à Reportagem que atualmente não possui projeto para implantação do PCS. Segundo a companhia, o estudo para implementar um programa com esse nome deixou de ser discutido em 2021.

Abtra destaca impacto na competitividade

Para a Abtra, a adoção do Port Community System pode gerar ganhos para toda a cadeia logística. O modelo é utilizado na Europa há cerca de quatro décadas e tem como característica conectar os diferentes sistemas empregados por terminais, autoridades, praticagem, despachantes e prestadores de serviços.

Caputo explica que o PCS não substitui as ferramentas utilizadas individualmente por cada participante. A função é criar uma camada de integração capaz de permitir a troca de informações entre esses sistemas.

Na avaliação do executivo, esse compartilhamento pode aumentar a velocidade das operações, melhorar a segurança das informações, preservar o sigilo comercial e reduzir erros de inserção de dados.

O impacto também pode alcançar a competitividade dos portos e contribuir para a redução do chamado Custo Brasil. Para a associação, a finalidade do sistema é facilitar a comunicação entre os agentes e acelerar o fluxo logístico, e não ampliar o controle governamental sobre empresas privadas.

Segundo Caputo, embora diferentes portos possuam sistemas próprios de relacionamento com suas comunidades portuárias, o Porto de São Sebastião é atualmente o único no Brasil com um PCS desenvolvido de acordo com os padrões reconhecidos pela International Port Community Systems Association (IPCSA).

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Semil

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Portos

Aliança inicia operação de cabotagem na APM Terminals Suape

A Aliança Navegação e Logística iniciou, no dia 1º, uma nova operação na APM Terminals Suape, em Pernambuco. Com três escalas semanais, o serviço amplia a presença da companhia na cabotagem brasileira e reforça a ligação do Nordeste com portos das regiões Norte, Sudeste e Sul.

A nova operação passa a integrar a rede logística da empresa por meio dos serviços ALCT 1, nos trajetos Sul-Norte e Norte-Sul, e ALCT 2. A estrutura atende diferentes segmentos da indústria e do agronegócio, com transporte de alimentos, papel e celulose, plásticos, produtos químicos, máquinas e insumos industriais.

Cabotagem conecta Sul e Nordeste

A entrada da Aliança ocorre em uma rota estratégica para o abastecimento do Nordeste. Dados do mercado apontam que 49% das cargas transportadas por cabotagem com destino à região nordestina têm origem no Sul do Brasil.

Entre os principais produtos movimentados nesse fluxo estão cereais, sementes e grãos, que representam 13% das cargas. Na sequência aparecem plásticos, com 11%, e papel e celulose, também com 11%.

Os terminais de Itapoá, Itajaí, Imbituba e Navegantes, em Santa Catarina, concentram 20% das cargas que têm como destino Suape. Outros 11% dos volumes que saem desses portos catarinenses seguem para o Porto do Pecém, no Ceará.

Fluxo de cargas também ocorre no sentido inverso

A movimentação não se restringe ao transporte de mercadorias para o Nordeste. No sentido contrário, cargas embarcadas na região têm como destino diferentes estados brasileiros.

Nesse fluxo, sal, cimento e plástico estão entre os produtos de maior participação. Juntos, eles correspondem a 45% das mercadorias transportadas por navegação de cabotagem com origem no Nordeste.

A diversificação dos produtos movimentados reforça o papel da cabotagem como alternativa para o transporte de cargas entre diferentes regiões do país, especialmente em rotas de longa distância.

Aliança aposta no crescimento do mercado nordestino

Para Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística, a operação na APM Terminals Suape está alinhada ao plano de expansão da empresa no Nordeste.

Segundo a executiva, a região apresenta potencial significativo para o avanço da logística marítima no Brasil. A nova escala, afirmou, aumenta as possibilidades de conexão entre empresas nordestinas e os principais mercados consumidores nacionais.

A companhia também avalia que a ampliação da malha pode contribuir para o desenvolvimento econômico regional ao oferecer novas alternativas para a movimentação de cargas e atender à expansão dos negócios de seus clientes.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/APM Terminals

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Portos

Porto de Imbituba cresce 12% na movimentação de cargas e bate recorde em 2024

O Porto de Imbituba registrou um desempenho histórico nos primeiros sete meses de 2024. Sob gestão da SCPAR, Autoridade Portuária de Imbituba, o terminal movimentou aproximadamente 5 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e julho, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2023.

O resultado representa um recorde de produtividade para o período e reforça a trajetória de expansão das operações portuárias em Santa Catarina.

Porto de Imbituba recebe mais embarcações

Entre janeiro e julho, o terminal recebeu 190 embarcações, número 13% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Apesar do crescimento no acumulado, julho apresentou retração no movimento de embarques. O volume caiu 18% em relação a junho e ficou 22,6% abaixo do registrado em julho de 2023.

Nos desembarques, a redução foi de 29% na comparação com junho. Em relação a julho do ano anterior, a queda foi mais moderada, de 7,3%.

Açúcar ganha destaque na movimentação de julho

Entre as principais cargas movimentadas pelo Porto de Imbituba em julho estiveram coque de petróleo, açúcar, contêineres, farelo de milho e sal.

O destaque ficou com o açúcar a granel. O produto alcançou mais de 128 mil toneladas movimentadas no mês, volume 156% maior do que o registrado em junho de 2024.

No acumulado do ano, as exportações responderam por 52% das operações de carga do terminal. A tonelagem destinada ao mercado externo cresceu 13% em relação aos primeiros sete meses de 2023.

Importações avançam 19%

As importações no Porto de Imbituba representaram 38% das operações de carga entre janeiro e julho. O segmento apresentou crescimento de 19% na comparação anual.

A cabotagem, que corresponde ao transporte marítimo realizado entre portos de um mesmo país, respondeu por 9,2% da movimentação total. Apesar da participação relevante, o volume apresentou queda de 15,8% frente ao mesmo período de 2023.

Granéis sólidos representam mais de 80% das cargas

Os granéis sólidos foram responsáveis pela maior parcela da movimentação do terminal no período. O grupo inclui cargas como coque de petróleo, açúcar, sal, farelo de milho e fertilizantes.

Ao todo, foram movimentadas mais de 4 milhões de toneladas de granéis sólidos, crescimento superior a 10% em relação ao ano anterior. A categoria correspondeu a 81,5% de toda a movimentação registrada pelo porto entre janeiro e julho.

Dentro desse segmento, o coque de petróleo foi o principal produto, com mais de 1,2 milhão de toneladas movimentadas em 2024.

Operações ultrapassam US$ 1,2 bilhão

O crescimento da movimentação também se refletiu no valor das operações de comércio exterior. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações e exportações realizadas pelo Porto de Imbituba superaram US$ 1,2 bilhão nos primeiros sete meses de 2024.

O montante representa aumento de 14,5% em relação ao mesmo período de 2023 e reforça a importância do terminal para o fluxo de comércio exterior de Santa Catarina.

O desempenho registrado até julho combina aumento na movimentação geral de cargas, avanço das exportações e importações e forte participação dos granéis sólidos, consolidando um cenário de expansão das atividades do Porto de Imbituba.

FONTE: SCTD
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SCTD

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