Comércio Internacional

BRICS e América do Sul: Argentina, Paraguai e Uruguai avaliam aproximação, mas sem adesão formal

A possibilidade de aproximação entre países do Mercosul e o BRICS voltou ao centro do debate na América do Sul, em um contexto marcado por incertezas econômicas globais, negociações comerciais em andamento e esforços regionais para ampliar exportações e atrair investimentos. Argentina, Paraguai e Uruguai aparecem com frequência em análises sobre o tema, mas, até o momento, não há sinalização conjunta, pública ou formal de adesão ao bloco.

Apesar do espaço crescente que o assunto ocupa no debate político e diplomático, os registros oficiais apontam para um cenário mais fragmentado, com movimentos distintos e cautelosos por parte de cada país.

Expansão do BRICS e criação da categoria de país parceiro

Criado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS incorporou a África do Sul em 2011 e, desde então, ampliou sua relevância como fórum de coordenação política e econômica entre países emergentes. O grupo ganhou novo impulso com a decisão de expansão anunciada na cúpula de 2023.

Em 2024, os líderes do bloco aprovaram mudanças institucionais e criaram a categoria de “país parceiro”, que permite participação em reuniões e debates, mas sem direito a deliberação, prerrogativa reservada aos membros plenos. Em janeiro de 2025, o governo brasileiro anunciou os primeiros países parceiros, inaugurando oficialmente o novo modelo. No mesmo ano, o Vietnã também passou a integrar essa categoria, sinalizando que o mecanismo segue ativo.

Argentina: convite formal e recusa registrada

No caso da Argentina, as informações confirmadas caminham em sentido contrário à hipótese de ingresso iminente. Em agosto de 2023, o país foi convidado a se tornar membro pleno do BRICS, com adesão prevista para janeiro de 2024.

No entanto, já sob o governo de Javier Milei, Buenos Aires enviou carta oficial aos líderes do bloco comunicando a decisão de não ingressar no grupo. O posicionamento foi tornado público no fim de dezembro de 2023.

A recusa formal não impede a manutenção de relações comerciais ou políticas com países do BRICS, nem a participação em fóruns paralelos. Ainda assim, o gesto institucional registrado foi de não adesão, o que diferencia o interesse econômico em ampliar comércio de um movimento político formal para integrar o bloco.

Uruguai e Paraguai mantêm diálogo, sem pedido de adesão

A movimentação do Uruguai tem se concentrado mais no diálogo do que em um processo estruturado de adesão. Em março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Uruguai, Colômbia e México para participar de um encontro vinculado à cúpula do BRICS realizada no Brasil.

Analistas interpretaram o convite como um sinal de abertura para ampliar a interlocução com países latino-americanos, mas não como um convite formal para ingresso no bloco, seja como membro pleno ou país parceiro.

Em relação ao Paraguai, há registros de declarações diplomáticas que mencionam “interesse” no BRICS. No entanto, não existe anúncio oficial de pedido de adesão nem inclusão do país nas listas divulgadas formalmente pelo bloco. Até aqui, a aproximação se restringe a conversas políticas e cooperação econômica pontual.

Mercosul, acordo com a União Europeia e diversificação de parcerias

O debate sobre novas alianças ocorre em paralelo às negociações internacionais do Mercosul. O acordo entre Mercosul e União Europeia teve suas negociações concluídas em dezembro de 2024, segundo comunicados oficiais do governo brasileiro.

Apesar disso, o processo enfrenta entraves no continente europeu. Em janeiro de 2026, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação jurídica, o que pode postergar a votação final. Autoridades brasileiras defendem que a tramitação interna no Brasil pode ajudar a acelerar etapas, mas ainda não há prazo definido.

Esse cenário reforça a estratégia regional de diversificação de mercados, reduzindo a dependência histórica de parceiros tradicionais como Estados Unidos e Europa, especialmente em um ambiente econômico global mais volátil.

Investimentos, exportações e limites das informações disponíveis

A ideia de que uma maior aproximação com o BRICS poderia impulsionar exportações e atrair investimentos aparece associada a setores estratégicos da América do Sul, como agronegócio, energia e infraestrutura. No entanto, não há dados oficiais, projetos anunciados ou compromissos firmes que sustentem a expectativa de “investimentos bilionários” envolvendo especificamente Argentina, Paraguai e Uruguai no âmbito do bloco.

Indicadores de comércio regional, como os dados brasileiros sobre fluxo comercial com o Paraguai, ajudam a explicar por que Assunção é vista como parceira estratégica. Ainda assim, essas estatísticas não confirmam a existência de negociações formais para entrada paraguaia no BRICS.

O mesmo vale para a narrativa de rompimento com Estados Unidos e Europa. Há, de fato, uma tendência histórica de diversificação da política externa sul-americana, mas atribuir esse objetivo a decisões concretas de adesão ao BRICS exige declarações oficiais que, até agora, não existem.

Cenário aponta cautela e aproximações graduais

No estágio atual, o quadro mais fiel é o de uma região que busca ampliar sua margem de manobra internacional. O Mercosul acelera acordos comerciais, enquanto o BRICS adota formatos mais flexíveis, como o de país parceiro, que funcionam como pontes para novos diálogos.

A questão central permanece em aberto: se e quando Argentina, Paraguai ou Uruguai transformarão sinais de interesse econômico em um movimento institucional concreto, com pedido formal e negociação política dentro do bloco.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Internacional

Colômbia entra no Banco dos BRICS e fortalece integração com o Sul Global

A Colômbia passou a integrar oficialmente o Banco dos BRICS, marcando um movimento estratégico de aproximação com o Sul Global e de diversificação de suas alianças econômicas internacionais. A adesão foi formalizada em 2025 e representa um dos passos mais relevantes da política externa colombiana nas últimas décadas.

Adesão ao Banco dos BRICS consolida nova fase econômica

A entrada da Colômbia no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — instituição financeira dos BRICS — foi oficializada em junho, durante cerimônia realizada na sede do banco, em Xangai, na China. Em novembro, o Congresso colombiano aprovou a legislação que ratificou a participação do país na entidade multilateral.

Considerada a terceira maior economia da América do Sul e a segunda maior potência militar do continente, a Colômbia passa a integrar formalmente o núcleo financeiro do bloco, ampliando seu acesso a mecanismos de financiamento para infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Governo destaca impactos econômicos e estratégicos

O ministro da Fazenda e Crédito Público, Germán Ávila Plazas, afirmou que a adesão fortalece a capacidade do país de captar recursos internacionais e ampliar sua atuação econômica.

Segundo ele, o Banco dos BRICS se soma a outras instituições multilaterais com as quais a Colômbia já coopera, criando novas oportunidades de investimento e desenvolvimento. O ministro destacou ainda que a ampliação dessas parcerias internacionais tende a gerar impactos positivos no crescimento econômico e na geração de empregos.

Países que integram o Banco dos BRICS

Além dos países fundadores do bloco, o Banco dos BRICS conta atualmente com os seguintes membros:

  • Bangladesh
  • Uruguai
  • Argélia
  • Colômbia
  • Uzbequistão

A presidência da instituição é ocupada por Dilma Rousseff, que assumiu o cargo em março de 2023 e teve seu mandato renovado até julho de 2030.

Mudança histórica na política externa colombiana

A entrada da Colômbia no Banco dos BRICS simboliza uma mudança relevante em sua política externa. Tradicionalmente alinhado aos Estados Unidos ao longo do século XX, o país passa agora a fortalecer relações Sul-Sul.

Esse reposicionamento também se reflete em outras ações do governo de Gustavo Petro, como a reaproximação diplomática com a Venezuela e o posicionamento crítico em relação à ofensiva israelense em Gaza, em apoio ao povo palestino.

A adesão ao banco sinaliza, portanto, uma nova fase da diplomacia colombiana, mais diversificada e voltada à multipolaridade global.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Revista Forum

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Internacional

Lula defende comércio sem dependência do dólar durante visita à Indonésia

Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a redução da dependência do dólar nas relações comerciais internacionais. Em discurso nesta quinta-feira (23), o petista destacou a importância de utilizar moedas locais nas transações bilaterais e criticou o protecionismo econômico.

Indonésia e Brasil não querem uma nova Guerra Fria. Queremos comércio livre. E mais: tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercializar usando nossas próprias moedas. Essa é uma mudança necessária”, afirmou Lula em coletiva à imprensa.

Lula prega multilateralismo e menos dependência internacional

O presidente ressaltou que o século 21 exige coragem política e novas formas de atuação econômica para reduzir a dependência de grandes potências. Segundo ele, a meta é fortalecer o multilateralismo e promover uma “democracia comercial” baseada em cooperação e equilíbrio.

“Precisamos mudar nossa forma de agir comercialmente para não ficarmos dependentes de ninguém. Queremos multilateralismo, não unilateralismo. Queremos democracia comercial, não protecionismo”, disse o chefe do Executivo brasileiro.

A defesa de Lula vai na contramão da posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado abertamente iniciativas de países do Brics e de outras nações emergentes para diminuir o uso do dólar no comércio global.

Acordos e fortalecimento da relação Brasil–Indonésia

Durante a agenda oficial, Lula se reuniu com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, onde ambos assinaram acordos nas áreas de agricultura, energia e mineração, ciência e tecnologia e comércio.

Atualmente, o fluxo comercial entre os dois países gira em torno de US$ 6 bilhões, valor considerado baixo por Lula. “É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil. Nossos povos merecem um esforço maior para garantir que esse comércio cresça de acordo com o aumento da nossa população”, afirmou o presidente.

Possível encontro entre Lula e Trump na Ásia

A viagem de Lula ao continente asiático pode incluir uma reunião com Donald Trump, prevista para ocorrer no domingo, na Malásia, durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Os dois líderes conversaram por telefone no início do mês e demonstraram interesse em um encontro presencial.

O diálogo deve servir para reduzir tensões diplomáticas e discutir a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, um dos principais pontos de atrito entre os dois países.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert / PR

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Internacional

China anuncia investimento de US$ 110 milhões para fortalecer o desenvolvimento feminino global

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta segunda-feira (13) um investimento de US$ 110 milhões voltado à promoção do desenvolvimento feminino em escala global. O anúncio foi feito durante o evento que celebrou os 30 anos da 4ª Conferência Mundial sobre Mulheres da ONU, realizado em Pequim, com a presença de líderes internacionais, entre elas a ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS.

O pacote inclui uma doação de US$ 10 milhões à ONU Mulheres e US$ 100 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Global e Cooperação Sul-Sul, com o objetivo de financiar projetos dedicados ao empoderamento de mulheres e meninas, em parceria com organizações internacionais.

Quatro eixos para avanço dos direitos femininos

Durante o evento, promovido em conjunto pela ONU e pelo governo chinês, Xi Jinping apresentou quatro diretrizes para fortalecer os direitos das mulheres em todo o mundo:

  1. Garantir um ambiente de paz e estabilidade, protegendo mulheres em regiões afetadas por conflitos;
  2. Ampliar o desenvolvimento de alta qualidade, com inclusão feminina nas oportunidades geradas pela modernização global e pelas novas revoluções tecnológicas e industriais;
  3. Aprimorar sistemas de governança e leis para proteger os direitos e interesses femininos;
  4. Fortalecer a cooperação internacional para consolidar uma governança global voltada às mulheres.

Avanços internos e impacto social

Xi também destacou os progressos da China nas últimas décadas. Desde 1995, o país reduziu em quase 80% a mortalidade materna e alcançou indicadores de saúde materno-infantil comparáveis aos de nações de renda média e alta. Além disso, 690 milhões de mulheres foram retiradas da pobreza no período.

“O empoderamento feminino tem avançado de forma significativa. O nível de escolaridade das mulheres aumenta continuamente, e elas ocupam papéis cada vez mais relevantes nos âmbitos econômico, político, cultural e social”, afirmou o presidente chinês.

Atualmente, as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho chinesa. Globalmente, 189 países já ratificaram a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, e mais de 190 nações aprovaram cerca de 1.600 leis voltadas à defesa dos direitos femininos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Portos

Atrasos atingem 75% dos navios no Porto de Santos em setembro e elevam custos logísticos

O Porto de Santos enfrentou em setembro de 2025 um dos meses mais críticos em termos de pontualidade operacional. De acordo com o boletim DetentionZero, elaborado pela startup ElloX.Digital, 75% dos navios que atracaram no complexo portuário tiveram atrasos nos prazos de atracação, com uma média de seis dias de diferença. O levantamento utilizou dados dos terminais BTP, Santos Brasil e DP World, e aponta uma tendência de piora contínua ao longo do ano. Em janeiro, 58% das embarcações apresentavam prazos alterados — percentual que subiu para 75% em setembro, indicando uma deterioração do desempenho logístico.

Atrasos aumentam custos e reduzem previsibilidade

O aumento dos atrasos tem causado impactos diretos no custo logístico de exportadores e agentes de carga, que enfrentam despesas extras de armazenagem, pré-empilhamento e multas por devolução fora do prazo. O estudo também identificou que 38% dos navios tiveram menos de 48 horas de gate aberto — período entre a liberação do terminal e o fechamento para embarque. Essa restrição operacional reduz a previsibilidade das operações e eleva o custo de movimentação de contêineres.

Safras e sazonalidade explicam alta no segundo semestre

Segundo Lucas Moreno, CEO da ElloX.Digital, a redução dos atrasos no início de 2025 foi resultado de fatores sazonais. “No começo do ano, a entre-safra do café foi mais forte, com queda de 20% a 25% no volume exportado”, afirmou ao Poder360. O especialista explicou que outros portos também registraram menor congestionamento no primeiro trimestre, o que refletiu em níveis temporariamente mais baixos de atraso. “Essa redução não teve relação com melhorias estruturais, mas com menor movimentação de cargas contêinerizadas naquele período”, acrescentou.
A situação, no entanto, se inverteu no segundo semestre, com o início das safras de açúcar, algodão e café, que elevaram significativamente o volume de embarques. “Com o aumento das safras, o índice de atraso naturalmente cresceu”, destacou Moreno. Entre os casos mais graves em setembro estão os navios MSC Taurus VII, com 35 dias de diferença entre o prazo inicial e o final, e o Ever Fine, com 31 dias de atraso.

Leilão do STS-10 é visto como solução para ampliação da capacidade

O cenário de atrasos reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar a capacidade operacional do Porto de Santos. A principal aposta do governo federal é o leilão do megaterminal STS-10, projeto que promete aumentar em até 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina.
A proposta da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), apoiada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, prevê um modelo de leilão em duas fases. Na primeira, grandes operadores já atuantes — como MSC, Maersk, DP World e CMA CGM — ficariam impedidos de participar. Caso não haja interessados, a segunda fase abriria espaço para a entrada dessas empresas. O objetivo é desconcentrar o mercado de contêineres e estimular a competitividade.


O Ministério da Fazenda, porém, defende um modelo de etapa única, com cláusulas de desinvestimento para evitar concentração. O TCU (Tribunal de Contas da União) também criticou a vedação a grandes operadores, classificando a medida como sem base constitucional. Já o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) alerta para riscos de concentração de mercado, mas considera que a análise final deve ocorrer após o leilão.
A expectativa do governo é realizar o leilão até o fim de 2025, mas a proposta da Antaq ainda depende de análise do plenário do TCU. O processo está sob relatoria do ministro Antonio Anastasia, que ainda não incluiu o tema na pauta do tribunal.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Brasil busca ampliar integração com o Pacífico em missão ministerial à China

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, lidera a missão ministerial à China a partir desta segunda-feira (13), com foco em ampliar a integração entre a América do Sul e a Ásia pelo Pacífico e atrair novos investimentos para o Brasil. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participa da comitiva para conhecer o hospital inteligente da província de Zhejiang, modelo que o governo pretende adaptar ao país. A agenda se estende até quinta-feira (17) e inclui uma visita estratégica ao Porto de Xangai, operado pela Shanghai International Port Group, ponto central do projeto Rotas de Integração Sul-Americana — iniciativa do governo brasileiro que visa fortalecer o comércio exterior e aprimorar a logística regional por meio de obras em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

Rota bioceânica promete ganhos logísticos e ambientais

Conectado a mais de 700 portos em mais de 200 países, o Porto de Xangai é o elo asiático da rota de Chancay, no Peru — um dos principais eixos do plano de integração sul-americana. De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), a rota bioceânica se destaca pela eficiência e economia logística, já que reduz o tempo de transporte e evita pedágios marítimos de canais como os de Suez e Panamá. A pasta destaca que, entre as opções marítimas que conectam o Brasil a Xangai, a rota via Pacífico é a mais vantajosa: são 17.230 quilômetros, 27 dias de navegação, custo médio de US$ 80 por tonelada e emissão de apenas 1,45 kg de CO₂ por tonelada de combustível. Durante a missão, os ministros também se reúnem com empresários e investidores chineses para discutir novas parcerias comerciais e tecnológicas.

Brasil vai replicar hospital inteligente chinês

Outro destaque da viagem é a visita ao Zhejiang Hospital, referência em tecnologia hospitalar avançada, inteligência artificial, telessaúde e automação médica. O modelo será base para o projeto brasileiro de hospital inteligente, voltado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto, estimado em US$ 320 milhões, foi aprovado pela Comissão de Financiamento Externo (Cofiex) do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — o banco do BRICS. Os recursos serão aplicados na construção da infraestrutura física, aquisição de equipamentos médicos e capacitação de profissionais. Proposto pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, o plano visa criar um modelo nacional de hospital inteligente, escalável e replicável em todo o território brasileiro. Segundo o MPO, a iniciativa alia cooperação tecnológica internacional e financiamento sustentável, com base na experiência chinesa no setor.

Primeira unidade será em São Paulo

A negociação do projeto é conduzida pela Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do MPO, em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Ministério da Saúde, responsável pela execução. A primeira unidade, o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), será construída em São Paulo, no complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). O centro vai integrar avanços médicos e tecnológicos do Brasil, China e países do BRICS, consolidando o país como referência em inovação em saúde pública.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasil

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Economia

Desdolarização: Brasil reduz reservas em dólar e amplia aposta em ouro e yuan

Participação do dólar nas reservas cai para 78%

O Brasil reduziu em 12% a presença do dólar em suas reservas internacionais nos últimos sete anos, em um movimento de diversificação que acompanha a tendência global de desdolarização.
Segundo o Banco Central (BC), em 2018 o dólar representava 89% das reservas; hoje, corresponde a 78%. No mesmo período, a fatia de ouro aumentou 400%, passando de 0,7% para 3,5%. Já o yuan chinês, adquirido pela primeira vez em 2019, alcançou 5,3% das reservas brasileiras, superando o euro (5,2%) e ficando atrás apenas da moeda americana.

Composição das reservas internacionais do Brasil de 2015 a 2024. Fonte: Banco Central

Tendência global de diversificação

O movimento não é exclusivo do Brasil. Globalmente, a participação do dólar nas reservas caiu de 60% em 2015 para 46% em 2025 — o menor nível desde 1995. Essa redução reflete preocupações com a dívida pública dos Estados Unidos, hoje em torno de 120% do PIB, e com o cenário geopolítico mais fragmentado.

Segundo analistas, o risco de “repressão financeira” e a perda de atratividade dos títulos do Tesouro americano estão acelerando a busca por alternativas. O ETF TLT, que replica esses papéis, acumula queda de 50% desde 2020.

Composição das reservas internacionais mantidas por bancos centrais. Fontes: FMI, BCE e World Gold Council

Militarização do dólar eleva risco geopolítico

A utilização do dólar como instrumento de política externa, por meio de sanções e congelamento de ativos, também tem incentivado países a reduzir sua exposição. O bloqueio de US$ 300 bilhões das reservas da Rússia foi interpretado por nações como a China como alerta para buscar alternativas fora da órbita americana.

Nesse contexto, a demanda por ouro disparou. De acordo com o Banco Central Europeu (BCE), o metal já responde por 20% das reservas oficiais globais, superando o euro (16%). Além disso, os estoques oficiais de ouro, que já somam 36 mil toneladas, se aproximam dos níveis recordes dos anos 1960. Entre os países, a Polônia liderou a acumulação de ouro no 1º trimestre de 2025, enquanto a China segue comprando de forma contínua, consolidando-se como um dos maiores compradores mundiais.

Acumulação de ouro por bancos centrais em 2025. Fonte: World Gold Council

Em 2025, o ouro acumula valorização de 47,6%, enquanto o índice DXY — que mede a força do dólar — registra queda de 9,4%.

Gráfico do desempenho do ouro em comparação com o DXY em 2025. Fonte: TradingView

Hegemonia do dólar ainda não foi ameaçada

Apesar das mudanças, especialistas destacam que o dólar continua sendo o pilar do sistema financeiro internacional. Ele aparece em 88% das transações cambiais e responde por quase metade da capitalização global de ações.
A falta de uma alternativa robusta limita o impacto da desdolarização. Iniciativas do BRICS, como a criação de uma moeda comum ou maior uso do yuan, esbarram em questões de liquidez, credibilidade e ausência de um sistema unificado.

Criptoativos e o futuro das reservas

O Bitcoin ainda não é considerado uma reserva internacional. Para o BC brasileiro, a criptomoeda é volátil demais para desempenhar esse papel, embora investidores privados a utilizem como hedge.
Nos Estados Unidos, a política pró-cripto do governo Trump tem priorizado o uso de stablecoins, que, pela Lei GENIUS, precisam ser lastreadas em títulos do Tesouro. Isso reforça a demanda pelo dólar e fortalece sua posição no sistema global.

Analistas avaliam que o processo de desdolarização não levará à substituição da moeda americana por outro ativo dominante, mas sim a um cenário multipolar, em que ouro, moedas regionais e ativos digitais coexistem como alternativas de liquidez.

FONTE: Cointelegraph Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cointelegraph

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Economia

Dólar pode cair para R$ 4,90 nos próximos meses, avalia economista do Bradesco

O dólar deve permanecer próximo de R$ 5 e pode até recuar para R$ 4,90 nos próximos meses, segundo projeção do economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. A análise foi apresentada durante evento da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), em São Paulo, na última sexta-feira (30).

Real fortalecido diante da fraqueza global do dólar

De acordo com Honorato, a trajetória recente do real reflete a fraqueza internacional da moeda americana. Ele estima que cerca de 70% da valorização do real desde o início do ano está ligada a esse movimento global.

“Vejo mais chances do dólar ficar próximo a R$ 5, ou até um pouco abaixo, nos próximos seis a nove meses, do que alcançar R$ 5,50”, destacou.

O economista acrescentou que, caso a moeda brasileira acompanhasse de forma mais direta o comportamento de outros países emergentes, a cotação estaria entre R$ 4,60 e R$ 4,90.

Crítica à moeda do Brics

Honorato também criticou a possibilidade de criação de uma moeda única do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Para ele, a proposta seria “muito ruim” e deveria ser evitada pelo Brasil.

“Acho que o Brasil deveria fugir dessa ideia como o diabo foge da cruz”, afirmou.

Segundo o economista, a volatilidade gerada por governos como o de Donald Trump nos Estados Unidos faz com que países latino-americanos se aproximem ainda mais da China.

Inflação e política monetária

Sobre a política monetária, Honorato avaliou que a desaceleração da atividade doméstica e um câmbio mais estável devem abrir espaço para o início de um ciclo de cortes na Selic.

No entanto, ele considera “praticamente impossível” que a inflação brasileira atinja a atual meta de 3%. “É muito improvável, porque temos um governo que gasta bastante e incentiva a demanda”, explicou.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Internacional

Xi apresenta 3 propostas na Cúpula do Brics

Multilateralismo, globalização econômica e cooperação: as propostas de Xi na cúpula virtual do Brics convocada por Lula.

O presidente chinês, Xi Jinping, conclamou os países do Brics a avançarem em solidariedade e cooperação. A declaração foi feita na cúpula virtual do bloco, convocada pelo Brasil.

Em sua declaração intitulada “Avançando em Solidariedade e Cooperação”, Xi observou que uma transformação sem precedentes em um século está se acelerando em todo o mundo, e o hegemonismo, o unilateralismo e o protecionismo estão se tornando cada vez mais desenfreados.

“Os países do Brics, na vanguarda do Sul Global, devem agir com base no Espírito do Brics de abertura, inclusão e cooperação mutuamente benéfica, defender conjuntamente o multilateralismo e o sistema de comércio multilateral, promover uma maior cooperação entre os países do Brics e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, disse Xi.

Presidente chinês apresentou três propostas

Em primeiro lugar, ele apelou aos países do Brics para que defendam o multilateralismo e a equidade e a justiça internacionais, que fornece uma base importante para a paz e o desenvolvimento mundiais.

Xi afirmou que a Iniciativa de Governança Global que ele propôs recentemente visa galvanizar a ação global conjunta para um sistema de governança global mais justo e equitativo.

O presidente da China afirmou que esforços ativos devem ser feitos para promover maior democracia nas relações internacionais e aumentar a representação e a voz dos países do Sul Global, acrescentando que o sistema de governança global deve ser aprimorado por meio de reformas.

Sua segunda proposta foi a manutenção da abertura e da cooperação mutuamente benéfica para salvaguardar a ordem econômica e comercial internacional. Observando que a globalização econômica é uma tendência irresistível da história, Xi afirmou que os países não podem prosperar sem um ambiente internacional de cooperação aberta e que nenhum país pode se dar ao luxo de recuar para um isolamento autoimposto.

Ele afirmou que os países do Brics devem permanecer comprometidos com a construção de uma economia global aberta, de modo a compartilhar oportunidades e alcançar resultados mutuamente benéficos em termos de abertura, acrescentando que o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio em seu núcleo, deve ser mantido e todas as formas de protecionismo devem ser combatidas.

Em terceiro lugar, os países do Brics devem manter a solidariedade e a cooperação para promover a sinergia em prol do desenvolvimento comum, afirmou Xi.

“A China está pronta para trabalhar com os demais países do Brics para implementar a Iniciativa de Desenvolvimento Global, promover a cooperação de alta qualidade no Cinturão e Rota, alavancar seus respectivos pontos fortes, aprofundar a cooperação prática e tornar a cooperação empresarial, financeira, científica e tecnológica mais produtiva, de modo a fortalecer a base, o impulso e o impacto de uma maior cooperação entre os Brics e proporcionar mais benefícios práticos aos povos”, afirmou.

Analista defende comércio do Brics em moedas locais

Luis Marchan, analista equatoriano de política internacional, declarou à Sputnik que as decisões da cúpula do Brics, realizada nesta segunda-feira, devem se concentrar na nova proposta de governança global apresentada pela China.

“Com a multipolaridade como princípio fundamental, todas as instituições criadas para garantir o cumprimento do direito internacional — como a ONU, a OEA, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos da própria ONU — devem ser substituídas ou atualizadas”, segundo o especialista.

Segundo Marchan, os países do Brics devem buscar renovar todos os acordos — incluindo os de comércio, questões sociais e segurança — para refletir a nova compreensão de um mundo multipolar.

“Creio que é necessário um novo modelo de comércio para atingir a ampla população dos países do Brics, com o uso de moedas nacionais e mecanismos alternativos de apoio — atuando como um contrapeso ao dólar”, observa o analista.

Fonte: Monitor Mercantil

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Comércio Exterior

Lula diz que países do Brics são ‘vítimas de chantagem tarifária’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que os países do Brics estão sendo “vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais” e que a “chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”. A declaração foi dada no discurso do presidente durante a cúpula virtual do Brics.

A reunião foi fechada, mas a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou o conteúdo do discurso lido pelo presidente brasileiro.

Lula não mencionou o governo dos Estados Unidos ou o presidente norte-americano, Donald Trump, mas deixou claro em seu discurso as críticas à política comercial do republicano. Afirmou que da última cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro em julho, até hoje “vivemos um momento de crescente instabilidade”.

– Está cada vez mais claro que a crise de governança não é uma questão conjuntural. Os pilares da ordem internacional criada em 1945 estão sendo solapados de forma acelerada e irresponsável. A Organização Mundial do Comércio está paralisada há anos – disse o petista.

– Em poucas semanas, medidas unilaterais transformaram em letra morta princípios basilares do livre-comércio como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional. Agora assistimos ao enterro formal desses princípios. Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais. A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas – completou, em seguida.

Segundo Lula, a imposição de “medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições”. A fala foi uma referência a imposição da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus efeitos para além das fronteiras norte-americanas.

A reunião acabou por volta das 11 horas. O encontro foi fechado, mas a Presidência da África do Sul divulgou trecho da fala do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em seu canal do YouTube.

As falas dos demais líderes não foram divulgadas. Pelo trecho divulgado pelo governo sul-africano, foi possível identificar os líderes presentes.

Além dos já citados, estavam presentes: Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, presidente do Egito; Prabowo Subianto, presidente da Indonésia; Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos; e Taye Atske Selassie, presidente da Etiópia.

Fonte: Pleno News

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