Comércio Exterior

Trump mira etanol brasileiro e coloca em risco cadeia de 2,2 milhões de empregos

Em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas pela decisão do governo Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o movimento que se seguiu nos dias seguintes à carta divulgada pelo presidente estadunidense pegou muita gente de surpresa, quando a United States Trade Representative (USTR, ou Departamento Comercial dos EUA) incluiu o anúncio de uma investigação sobre o que foi chamado de “práticas ilegais” por parte do Brasil. Entre os alvos, estão o ataque ao pioneiro Pix e o combate à pirataria, e um tema que revela um claro – e antigo – incômodo dos Estados Unidos: o etanol brasileiro.

O principal motivo da investida do governo Trump contra o etanol brasileiro vem de longe: a alíquota de 18% aplicada pelo Brasil à importação do etanol americano, feito de milho dos EUA – o que resulta em mais emissão de CO2 do que o registrado pelo biocombustível brasileiro, produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar. Essa tarifa, no entanto, não é arbitrária: ela cumpre papel estratégico ao garantir condições mínimas de competição justa entre o etanol brasileiro e o etanol estadunidense, que é fortemente subsidiado por Washington. A eventual retirada dessa barreira resultaria em uma verdadeira invasão do etanol americano no mercado nacional, comprometendo a competitividade das usinas brasileiras, pressionando margens, eliminando empregos e desestimulando investimentos.

A cadeia do etanol é uma das maiores forças produtivas do Brasil, resultado de exatos 50 anos de políticas públicas, inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade. Desde a criação do Programa Pró-Álcool, em 1975, o país desenvolveu um modelo reconhecido mundialmente de biocombustível limpo, culminando na liderança em mobilidade de baixo carbono e na consolidação da tecnologia flex. De 2003 até hoje, a combinação entre o uso de etanol hidratado e a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina evitou a emissão de mais de 730 milhões de toneladas de CO₂ equivalente — volume comparável às emissões anuais de países como a Indonésia.

Além do impacto ambiental, o setor é crucial para a economia brasileira. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção nacional de etanol atingiu 36,8 bilhões de litros em 2024, tornando o Brasil o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA. A cadeia produtiva emprega mais de 2,2 milhões de pessoas, sendo que só no estado de São Paulo são mais de 844 mil trabalhadores, com influência direta sobre a economia de cerca de 1,2 mil municípios.

Dessa forma, especialistas avaliam que permitir que o etanol dos Estados Unidos entre no Brasil sem uma alíquota que dê fôlego ao biocombustível produzido por aqui seria um golpe duro contra um setor que representa inovação, geração de renda, desenvolvimento regional e benefícios ambientais. Assim como o Pix, também atacado por Washington, o etanol tornou-se uma das bandeiras do protagonismo brasileiro no cenário internacional. A avaliação mais comum é que a tentativa dos EUA de sufocar essa indústria por meio de pressão comercial evidencia um movimento protecionista que ameaça não só uma cadeia produtiva consolidada, mas também o compromisso global com fontes limpas e sustentáveis de energia.

Governo Lula descarta negociar tarifa de etanol com EUA

Apesar da pressão crescente por parte dos Estados Unidos, o governo brasileiro sinaliza que não pretende ceder em relação à alíquota de 18% sobre o etanol americano. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, afirma que a redução da tarifa não está em pauta nas atuais negociações com Washington. “Não haveria sentido levarmos essa proposta ou qualquer outra de redução de alíquotas que o Brasil aplica na fase atual. Eles (os americanos) reivindicavam essa redução ou atribuição de cota para o etanol, mas esse tema deixou de ser debatido desde o começo das novas tarifas (os 10% que Trump aplicou sobre produtos brasileiros, em abril)”, afirmou o secretário-executivo da pasta, Márcio Elias Rosa, em entrevista ao site Platô BR.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também se manifestou sobre a crise comercial. Ele afirmou que o Brasil está disposto a dialogar, mas que a manutenção da alíquota de 18% sobre o etanol importado dos EUA é essencial para proteger a produção nacional, especialmente no Nordeste. “As taxas do etanol têm que ser mantidas. O equilíbrio tarifário deve considerar não só o etanol, mas também o açúcar, que sofre sobretaxas de até 90% nos EUA”, disse. Silveira reforçou ainda a confiança na condução diplomática do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.

Em paralelo, os senadores da Comissão de Relações Exteriores do Senado estão nos Estados Unidos tentando reabrir canais de negociação antes que as tarifas entrem em vigor, na próxima sexta-feira (1). A delegação já se reuniu com empresários da Amcham e representantes na embaixada brasileira em Washington. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão, defende a prorrogação da medida tarifária para viabilizar negociações técnicas.

No contexto da transição energética, a Petrobras também se move. A estatal avalia construir uma planta para produção de SAF (combustível sustentável de aviação) utilizando etanol derivado da cana-de-açúcar. A unidade, com capacidade para 10 mil barris por dia, deve ser instalada junto à Refinaria de Paulínia (Replan), com início previsto para 2027, quando o uso de SAF passa a ser obrigatório no Brasil. Paralelamente, a empresa desenvolve outros três projetos de SAF, com cronogramas mais avançados, a partir do coprocessamento de matérias-primas em refinarias como Cubatão, Duque de Caxias e a Refinaria Riograndense, em parceria com Braskem e Grupo Ultra.

No centro da disputa tarifária, o etanol brasileiro não é apenas um produto de exportação — é um ativo econômico, ambiental e social. Diante disso, representantes do setor e autoridades defendem que qualquer negociação com os Estados Unidos leve em conta não apenas os interesses comerciais, mas também a relevância estratégica dessa cadeia para o Brasil e para o esforço global de descarbonização.

Fonte: Brasil 247

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Negócios

Adeus, Toyota: fabricante anuncia fechamento de fábrica no Brasil após 27 anos

Fechamento de fábrica da Toyota em Indaiatuba após 27 anos e reestruturação da produção no Brasil. Novos modelos e investimentos estão no caminho

Toyota anunciou o fechamento de sua histórica fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, após 27 anos de operação.

Em detalhes, a notícia pegou de surpresa o setor automotivo, visto que essa unidade foi responsável pela produção de mais de um milhão de unidades do Corolla, um dos modelos mais queridos pelos brasileiros.

Vale destacar que, esse movimento, contudo, faz parte de um plano estratégico de reestruturação da montadora japonesa no país, com foco em modernização e novos investimentos.

Fonte: Garagem 360

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Logística

Como a BR-277 se tornará o corredor logístico da fronteira com o Paraguai até o porto de Paranaguá

Pelo retrovisor do caminhão carregado de grãos, o caminhoneiro olha para a cidade de Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraná com o Paraguai, antes de acessar a rodovia BR-277. Enquanto o dia nasce no horizonte, o motorista se prepara para mais uma saga logística até o porto de Paranaguá, no outro extremo do estado. A aventura diária que movimenta a indústria e a agricultura da quarta economia do país tem aproximadamente 740 quilômetros, de oeste a leste em terras paranaenses, e os desafios de uma rodovia que não conseguiu acompanhar a força do setor produtivo paranaense.

Há dois anos, o projeto do corredor logístico da BR-277 teve início dentro do novo programa de concessões rodoviárias do governo do Paraná, que corre atrás de décadas perdidas sem investimentos na principal ligação entre a tríplice fronteira e o maior porto graneleiro do Brasil. O atraso nas obras de infraestrutura da BR-277 também é resultado dos contratos firmados no antigo Anel de Integração do Paraná, encerrado em 2021 após mais de 20 anos de concessão e que foram marcados por casos de corrupção, falta de obras e preços elevados nas praças de pedágio.

No segundo semestre de 2023, o grupo Pátria e a EPR arremataram os lotes 1 e 2 das novas concessões, respectivamente, que englobam trechos da BR-277 entre Prudentópolis e Curitiba e na descida pela Serra da Mar até o porto de Paranaguá, considerado o trajeto mais importante para o escoamento da produção do estado. Em resposta às reivindicações do agro e da indústria paranaense, a gestão Ratinho Junior (PSD) antecipou o leilão do lote 6 pela relevância estratégica da BR-277 e pela urgência das obras na rodovia, que pode impulsionar o setor produtivo ou frear o desenvolvimento do estado.

Com a revolução logística prevista até 2034 e a promessa das primeiras obras concluídas a partir de fevereiro de 2027, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) afirma que vai acompanhar cada quilômetro das novas concessões para que o hub rodoviário se torne uma realidade. No último mês de junho, a Fiep lançou o “Observatório dos Pedágios”, plataforma digital para que a sociedade e o setor produtivo acompanhem o andamento das obras nos seis lotes de concessões.

Projeto de corredor logístico na BR-277 tem 484 quilômetros de duplicações

Segundo dados da Fiep, os contratos de concessões dos lotes 1, 2 e 6 exigem a duplicação de 484 quilômetros do trajeto da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Paranaguá. Ou seja, para que a rodovia se torne um dos principais corredores logísticos do Sul do país, a BR-277 ainda deve ser duplicada em 65% na ligação oeste-leste.

BR-277

O corredor logístico do oeste até o litoral do Paraná.

Percurso de aproximadamente 740 km entre Foz do Iguaçu e Paranaguá

Fonte: Fiep, ANTT e concessionárias Via Araucária e EPR.

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Internacional, Mercado Internacional

Brasil e Paraguai voltam a se encontrar para abrir Ponte da Integração este ano

Liberação para veículos leves e caminhões vazios depende das obras nas aduanas e de mais conversas entre os dois países.

A tão esperada abertura da Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco, no Paraguai, deu mais um passo importante nesta segunda-feira (29). Durante nova reunião da Comissão Mista Brasil/Paraguai, realizada no Recanto Cataratas, foi discutida a possibilidade de liberar o tráfego na nova ponte a partir de dezembro — mas de forma parcial.

Se tudo der certo, a ponte será aberta primeiro para veículos pequenos, carros de passeio, vans de turismo e caminhões vazios (sem carga). Mas isso só vai acontecer se as obras das aduanas nos dois lados da fronteira estiverem prontas até lá.

Uma nova reunião entre representantes dos dois países já está marcada para o dia 18 de agosto, também em Foz do Iguaçu. Nessa data, a proposta de abertura parcial será apresentada oficialmente pelas chancelarias do Brasil e do Paraguai.

Movimentação política dos dois lados

O presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Debrito, destacou que liberar a nova ponte vai ajudar a diminuir os atrasos e o sufoco de quem cruza todos os dias pela Ponte da Amizade.

O prefeito general Silva e Luna, reforçou que os dois governos sabem da importância da ponte e que, com as aduanas prontas, a liberação parcial em dezembro é viável.

Já o vereador de Presidente Franco, Lúcio Vera, disse que a decisão final depende dos governos federais, mas que vai pressionar para que a liberação ocorra ainda este ano.

A expectativa é grande. A Ponte da Integração deve desafogar o trânsito na região e facilitar muito a vida de quem trabalha, faz compras ou cruza a fronteira com frequência.

Fonte: Portal da Cidade

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Internacional

Brasil e Vietnã discutem fortalecimento das relações bilaterais

Delegação vietnamita deve vir a Brasília ainda neste ano

A expansão do comércio entre o Brasil e Vietnã foi um dos principais assuntos da reunião realizada nesta terça-feira (29/7) entre o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e a vice-ministra de Indústria e Comércio daquele país, Phan Thi Thang. Ficou acertada a vinda de uma delegação vietnamita, ainda no início deste segundo semestre, ao Brasil.

Esse encontro dá prosseguimento às conversações mantidas durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Hanói, em março deste ano. Durante essa missão, que contou com a presença do secretário Márcio Elias Rosa, foi criado o Grupo de Direção de Cooperação Comercial e Industrial entre o MDIC e o Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã, com o objetivo de promover a cooperação econômica em áreas prioritárias para o comércio e criar condições favoráveis à expansão das relações bilaterais. Além desse ato, foi assinado também, pelos presidentes, um Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica. A meta conjunta é chegar a um volume de comércio da ordem de US$15 bilhões em 2030.

“O Vietnã é um parceiro importante para o Brasil. O governo do presidente Lula reconhece a necessidade de complementariedade econômica entre os dois países”, observou o secretário-executivo.

Discute-se ainda formas de se aprofundar a relação comercial entre o Mercosul e o Vietnã. Márcio Elias Rosa lembrou que o Brasil assumiu, no início deste mês, a presidência rotativa do bloco regional e levará o tema para avaliação dos sócios.  “É muito oportuna essa discussão para acertamos os próximos passos. O Brasil reconhece a importância da aproximação com o Vietnã, tanto de forma bilateral como por meio do Mercosul”, ressaltou.

Parceria Comercial

Em 2024, o Vietnã foi o 18º maior destino das exportações brasileira e o 14º no ranking de países importadores.  Os principais produtos brasileiros exportados para o Vietnã são commodities agrícolas, com destaque para algodão em bruto; milho e soja. A corrente comercial do Brasil com o Vietnã em 2024 somou US$ 7,7 bilhões e o saldo brasileiro foi positivo, de US$ 415 milhões no ano. Em 2025, Brasil e Vietnã celebram 36 anos de relações diplomáticas.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças

Alckmin: Governo trabalha pela diminuição da alíquota para todos

Vice-presidente relata avanço nas discussões com bigtechs sobre inovação tecnológica, segurança jurídica e regulação.

O governo está empenhado em evitar que os EUA apliquem uma tarifa totalmente injustificada de 50% sobre produtos brasileiros, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante entrevista coletiva concedida no fim da tarde desta terça-feira (29/7), em Brasília.

“Nós estamos trabalhando para que a diminuição da alíquota seja para todos. Não tem justificativa você ter uma alíquota de 50% para um país que é um grande comprador. Você tem uma balança comercial superavitária”, afirmou.

Alckmin voltou a citar dados do comércio e dos interesses entre os dois países, afirmando que há muito mais convergência do que divergência. “Então, não há razão para ter essa questão tarifária. Isso parece totalmente equivocado”.

Durante o dia, o ministro teve mais três reuniões dentro da série de conversas que o MDIC e outros ministérios vêm realizando, no âmbito do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a possibilidade de impor tarifas de 50% os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Um dos encontros desta terça foi com representantes de grandes empresas do setor de tecnologia, como Meta, Google e Apple. Segundo Alckmin, o governo propôs uma mesa de trabalho para debater pautas de interesse das companhias, que incluem ambiente regulatório, inovação tecnológica, oportunidade econômica e segurança jurídica.

“Essa questão de regulamentação de bigtechs, de redes sociais, está em discussão no mundo. Então, vamos aprender. Onde é que já foi implementado?  O que deu certo? O que levou à crítica? Nós não devemos ter muita pressa nisso. Eu acho que a gente deve verificar a legislação comparada e ouvir, ouvir e dialogar”, afirmou o ministro.

O setor de data center foi apontado por Alckmin como oportunidade econômica para fortalecer parceria comercial entre os dois países.

“O Brasil vai ser campeão de data center. Nós temos energia mais barata, energia renovável, especialmente eólica e solar, e energia abundante. Você tem muitas oportunidades e segurança jurídica”, garantiu. A convite do governo brasileiro, a reunião também contou com a participação de representante da Secretaria de Comércio dos Estados Unidos.

Ceará e Rio de Janeiro

Alckmin também se reuniu com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e empresários do estado; e com dirigentes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre eles o presidente da entidade, Luiz Césio Caetano Alves.

Desde o anúncio da possível imposição de tarifas ao Brasil, o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais tem se reunido com representes de todos os setores produtivos potencialmente afetados pela medida. Foram 25 reuniões envolvendo mais de 120 empresas/entidades, com quase 200 representantes empresariais e dos trabalhadores.

Questionado na coletiva sobre eventual plano de contingência para apoiar empresas que possam ser atingidas pelo tarifaço, o vice-presidente reiterou que o Brasil continua trabalhando para evitar que a taxação seja consumada.

 “O Brasil tem estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. O plano de contingência, que está sendo bem trabalhado, só deve ser discutido se consumada a questão dos 50%. Nós não vamos esmorecer, vamos trabalhar permanentemente para evitar que isso ocorra”, garantiu.

Fonte: MDIC.gov

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Portos

Região Sul receberá mais de R$ 4,7 bilhões em novos projetos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante

Investimentos vão impulsionar a indústria naval, ampliar a infraestrutura portuária e gerar mais de 3 mil empregos diretos

Investimentos superiores a R$ 4,7 bilhões vão fortalecer a indústria naval e ampliar a infraestrutura portuária nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com potencial de gerar mais de 3 mil empregos diretos na região. Os valores fazem parte do Fundo da Marinha Mercante (FMM), aprovados pelo Conselho Diretor do Fundo (CDFMM) durante a sua 59ª reunião, no último dia 3 de julho.

Entre as ações previstas estão a construção de quatro embarcações para operações submarinas (R$ 2,3 bilhões), dois navios PSV com tecnologia de baixo carbono (R$ 739,7 milhões), seis rebocadores azimutais (R$ 312,6 milhões), modernização e reparo de 17 embarcações (R$ 163,2 milhões) e a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (R$ 1,089 bilhão), que vai ampliar o calado e elevar a capacidade de exportação.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, “os projetos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante reforçam a prioridade do Governo Federal em estimular a indústria naval nacional, modernizar a infraestrutura portuária e ampliar a competitividade do país”, explicou. “A região Sul desempenha papel fundamental nesse movimento, por sua capacidade produtiva e vocação exportadora”, afirmou o ministro.

A coordenadora de Políticas de Fomento da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), Maria de Lara Moutta Calado de Oliveira, que integra a equipe técnica do Fundo da Marinha Mercante, ressalta o papel estratégico da região. “A gente vem trabalhando fortemente para a retomada da indústria de construção e reparação naval brasileira e, na última reunião (59ª), a região Sul foi destaque com diversos projetos para geração de emprego e renda. Essa região tem dez importantes estaleiros e contribui bastante na área de petróleo, gás, offshore e de apoio portuário”, disse ela.

Os créditos do CDFMM para a região Sul fazem parte do esforço de retomada da indústria naval e da infraestrutura logística no Brasil. Em 2025, já são mais de R$ 28,3 bilhões aprovados para projetos novos e reapresentados em todo o país, valor recorde para os setores naval e aquaviário.

O Fundo da Marinha Mercante, administrado pelo MPor, segue como instrumento fundamental para modernização da frota nacional, geração de empregos qualificados e fortalecimento da indústria de construção e reparação naval.

Fonte: Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Comércio

Mato Grosso produz mais grãos do que consegue estocar: déficit chega a 52,6 milhões de toneladas

Estado terá safra de 104,91 milhões de toneladas de soja e milho em 2024/25, mas estrutura atual só comporta quase a metade

Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta mais uma vez um problema estrutural que ameaça parte de sua colheita: a falta de capacidade de armazenagem. Somando soja e milho, a produção da safra 2024/25 deve alcançar 104,91 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No entanto, a capacidade estática de armazenagem no estado é de 52,32 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado é um déficit de 52,60 milhões de toneladas, ou seja, Mato Grosso só consegue armazenar 49,87% do que produz.

A colheita da soja já foi concluída nesta safra, com produção confirmada de 50,893 milhões de toneladas em uma área de 12,795 milhões de hectares. Já o milho, cuja colheita ainda está em andamento, tem produção estimada em 54,019 milhões de toneladas, cultivadas em 7,131 milhões de hectares. Até o dia 25 de julho, 90,37% da área plantada com milho havia sido colhida, ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (99,28%) e também à média das últimas cinco safras (93,23%).

O déficit de armazenagem não é novidade, mas se agrava com o crescimento acelerado da produção. Desde a safra 2010/11, segundo o Imea, quando a estrutura de estocagem ainda era suficiente para a demanda local, a produção de soja e milho aumentou, em média, 9,89% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 4,25% ao ano.

O descompasso expõe a falta de investimentos e de políticas públicas voltadas ao setor, além do alto custo para implantação de armazéns, que limita o acesso dos produtores de pequeno porte — grande parte da base agrícola de Mato Grosso.

Sem espaço adequado para estocar a produção, salienta o Instituto, muitos agricultores são forçados a vender parte da safra para liberar os armazéns. Isso compromete o poder de barganha dos produtores e reduz as margens de lucro, já que a comercialização ocorre, muitas vezes, fora dos momentos mais favoráveis do mercado.

Milho a céu aberto

Em algumas regiões produtoras de Mato Grosso já é possível ver milho estocado a céu aberto. No município de Peixoto de Azevedo as máquinas avançavam pelos últimos talhões da Fazenda Santa Margarida há 10 dias. Na propriedade, segundo o gerente de produção Daniel Batista Hoffmann, foram cultivados 12,6 mil hectares com milho na segunda safra 2024/25.

O clima, pontuou ele ao projeto Mais Milho, do Canal Rural Mato Grosso, até favoreceu com o desenvolvimento das plantas, trazendo boas expectativas de produtividade. Contudo, o otimismo no campo esbarra em dois velhos problemas do campo: a falta de estrutura para armazenar o grão e a logística considerada precária fora da porteira, limitando o escoamento da produção.

O gerente de produção contou à reportagem que a capacidade de armazenamento no local é de 720 mil sacas e que já estão com todos os silos cheios. “A única alternativa que está nos restando é jogar milho no chão, deixando a céu aberto”, disse Daniel Hoffmann, mesmo utilizando silo-bolsa.

Mas, tal alternativa encontrada por ele e vários outros produtores mato-grossenses gera risco de perda de qualidade do grão. “Fizemos um planejamento de venda antecipada de 70% da nossa produção para evitar esse tipo de situação que já vem recorrente de anos anteriores. Mas, não foi possível evitar. Desses 70% apenas 19% foram retirados até o momento”, disse ao Canal Rural.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior

Governo Lula liga o sinal de alerta e teme os efeitos do tarifaço em 2026

Se publicamente o governo tentar surfar na retórica da soberania nacional, nos bastidores integrantes do governo Lula já demonstram apreensão com os impactos econômicos do tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação de assessores próximos a Lula é de que o discurso de enfrentamento “tem limite” e que a conta dos prejuízos da medida pode chegar às urnas nas eleições de 2026, quando o petista tentará reeleição.

Para auxiliares presidenciais, a narrativa da soberania, embora eficiente para mobilizar a base e sinalizar firmeza frente à pressão externa, não seria suficiente para compensar as consequências do tarifaço no bolso dos brasileiros.

“O que preocupa, de verdade, é quando o supermercado ficar mais caro, quando a indústria começar a demitir. Aí, não tem soberania que segure a insatisfação popular”, comentou reservadamente um interlocutor do governo à coluna.

Nesse cenário, além da retórica da soberania, ministros de Lula pretende reforçar o discurso de que o governo tem atuado para tentar reverter o tarifaço, prometido para começar a partir da sexta-feira, 1º de agosto.

Fonte: Metrópoles

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Comércio Exterior, Internacional

Venezuela volta a isentar produtos do Brasil após tarifa surpresa, dizem exportadores

Empresas de Roraima relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto

A Venezuela deixou de cobrar uma taxa sobre importação de produtos brasileiros após aplicar a cobrança sem explicações durante mais de uma semana, de acordo com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, que reúne empresas do Estado que vendem produtos para o país vizinho.

No dia 18 de julho, exportadores brasileiros foram surpreendidos pela cobrança de uma taxa de importação da Venezuela que até então era isenta para produtos do Brasil que entram no país. O imposto é cobrado de empresas venezuelanas.

Empresas de Roraima, Estado que destina 70% de suas exportações para o território com o qual faz fronteira, relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto. Os empresários brasileiros temiam impactos em seus negócios.

O Brasil tem um acordo bilateral com a ditadura chavista que isenta a cobrança da taxa de importação ad valorem (cobrada sobre o valor do item) de produtos que entram no país com certificado de origem.

Cada produto tem um grau de isenção, que chega a ser total em alguns casos. Com o fim da isenção, houve cobrança de uma taxa de 40% para produtos como açúcar e margarina; a farinha de trigo foi taxada em 20%, segundo a instituição de exportadores.

Segundo o presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, a instituição foi informada que o problema ocorreu em um sistema da Venezuela e foi resolvido, sem maiores explicações. Nesta segunda-feira, 28, segundo Oestreicher, os empresários venezuelanos relataram que a isenção estava sendo aplicada normalmente.

Não houve explicações oficiais do governo da Venezuela. A informação da volta da normalidade foi dada pela Câmara de Comércio e Indústria de Santa Elena de Uairén, que faz fronteira com o Brasil, e pelos despachantes aduaneiros do local aos empresários brasileiros, segundo Oestreicher.

“Tivemos a confirmação esta manhã que foi um problema de sistema e que hoje voltou a operar da forma como era antes”, disse ele ao Estadão. Empresários estavam com cargas e produtos parados à espera de uma solução, de acordo com a instituição. “Os empresários em Roraima estão mais aliviados, inclusive as cargas já estão sendo processadas dentro da aduana.”

Na última sexta-feira, 25, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse estar acompanhando, em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os relatos de dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros.

O comércio entre Brasil e Venezuela é regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países. Nesta segunda-feira, 28, o Itamaraty ainda não se pronunciou.

Fonte: InfoMoney

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