Comércio Exterior

Brasil amplia compras de combustíveis dos EUA em agosto, com perda de fôlego do diesel russo

Importadores brasileiros estão buscando oportunidades de preços para testar outros mercados

Uma aproximação entre os preços negociados no mercado internacional para combustíveis dos Estados Unidos e da Rússia levou o Brasil a ampliar as compras de derivados das refinarias estadunidenses em agosto

  • Ao todo, os EUA foram responsáveis por 30,5% de todas as importações de combustíveis do Brasil no período entre 1º de julho e 14 de agosto de 2025, segundo o relatório de abastecimento da ANP. 
  • Já a Rússia foi responsável por 21%, enquanto os países do Golfo Pérsico – Arábia Saudita, Omã e Catar – responderam por 12,6%. Veja a integra em pdf.
  • Os ganhos do produto americano no mercado brasileiro ocorreram sobretudo no diesel, que hoje é o combustível mais importado pelo Brasil. A tendência já vinha ocorrendo em julho e se intensificou este mês. 

Apesar de o diesel russo ter ganhado destaque no Brasil desde 2022, com as sanções na Europa pela invasão à Ucrânia, recentemente importadores brasileiros estão buscando oportunidades de preços para testar outros mercados

Nos últimos meses, houve um aumento da importância relativa dos EUA no abastecimento brasileiro, causada pela redução no preço do diesel estadunidense, enquanto o produto russo manteve cotações estáveis. 

  • Em agosto, até a semana passada, a diferença entre o preço médio do diesel russo e estadunidense negociado pelo Brasil no mercado internacional estava em US$ 0,02, segundo a ANP. 
  • A ANP ressalta que as estimativas consideram os valores de aquisição em dólar no local de embarque da mercadoria informados nos processos de desembaraço. Assim, não inclui fretes e seguros, além de tarifas aduaneiras, impostos, nem considera valores que não foram utilizados em importações efetivas. 

mercado está se reorganizando, em meio às estratégias comerciais adotadas pelos EUA sob o governo de Donald Trump, que visam dar vantagens aos produtores americanos, e ao avanço das negociações sobre a guerra na Ucrânia

  • Nos últimos dias, Trump teve reuniões com o presidente da Rússia, Vladimir Putin,  da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, além de líderes europeus, para discutir o fim do conflito. 
  • “A probabilidade de os EUA imporem sanções mais fortes à Rússia está diminuindo, com o mercado esperando que o comércio de petróleo russo se recupere como resultado das negociações de paz”, afirma o chefe de análise de petróleo da Rystad Energy,  Mukesh Sahdev. 
  • O cenário, inclusive, tem reflexos no preço do barril de petróleo: na terça (19/8) o Brent para outubro recuou 1,22% (US$ 0,81), a US$ 65,79 o barril

Enquanto isso, as respostas ao tarifaço. Governo e indústria brasileira defenderam, nesta segunda (18/8), que Brasil e Estados Unidos — dois maiores exportadores globais de etanol — se unam para abrir novos mercados, aproveitando, inclusive, oportunidades no setor de aviação.

  • É uma resposta oficial do Brasil à investigação aberta pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) contra supostas “práticas desleais” que prejudicam exportações norte-americanas.
  • Em paralelo, os EUA aceitaram a consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) feita no início de agosto pelo Brasil , mas consideraram que algumas das ações citadas pelo Brasil são “questões de segurança nacional, não suscetíveis de revisão ou de resolução por meio de solução de controvérsias na OMC”.

Usina de etanol de trigo. A primeira fábrica do tipo do Brasil deve ser inaugurada este mês em Santiago (RS), pela CB Bioenergia. Serão processadas 100 toneladas de trigo por dia e a expectativa é gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano. 

Agências sob nova direção. O plenário do Senado aprovou, na terça-feira (19/8), as indicações de Artur Watt e Pietro Mendes para a ANP e de  Willamy Frota e Gentil Nogueira de Sá para a Aneel

  • A aprovação ocorreu depois das sabatinas na Comissão de Infraestrutura, mais cedo. 

Cessão de servidores. A ANP prorrogou o prazo da consulta interna sobre a mudança das regras para cessão de servidores. A proposta em discussão restringe a possibilidade apenas para a ocupação de cargos de maior nível hierárquico.

Alívio fiscal. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), afirmou que a volta da cobrança de PIS/Cofins sobre combustíveis trouxe R$ 31 bilhões aos cofres públicos e contribuiu para reduzir a pressão dos benefícios fiscais sobre o orçamento.

  • “De alguma forma, equilibra alguns outros subsídios que demos”, declarou Tebet, durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para debater benefícios fiscais. 

Sonda chega à Foz do Amazonas. A sonda contratada pela Petrobras para o simulado na Bacia da Foz do Amazonas chegou ao bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá. A unidade NS-42, da Foresea, fará o simulado exigido pelo Ibama antes da liberação da licença para a perfuração de um poço exploratório em águas profundas na concessão.

Novas embarcações. A Transpetro vai abrir os envelopes da licitação dos oito gaseiros para sua frota no próximo dia 22 de setembro, informou o presidente da empresa, Sergio Bacci.

  • O executivo informou que está negociando com a Petrobras a inclusão de mais nove embarcações no Plano Estratégico 2026-2030 da holding

Leilão de baterias. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse que há frustração de expectativas com a ausência de “sinalização” sobre leilão de baterias. Ele indicou a possibilidade de a tecnologia entrar nos próprios leilões de transmissão.

  • Nesta terça, aliás, a agência autorizou a abertura de consulta pública sobre o edital do leilão de transmissão 1/2026, marcado para 27 de março.  

Tarifa social. A Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) vê como um risco a possibilidade de a MP 1300/2025 ser fatiada e aprovada no Congresso apenas com a ampliação da tarifa social, sem discutir os subsídios do setor elétrico. A MP vence em 19 de setembro e a comissão mista que analisará o texto sequer foi instalada. 

Renovação da Enel SP. A procuradoria da Aneel está avaliando se o processo de renovação contratual de Enel SP só poderá avançar para a votação após a conclusão do relatório sobre eventuais falhas e transgressões da concessionária, em processo paralelo.

  • A agência também recomendou a renovação do contrato de concessão da Enel Rio até 2056. O processo foi aprovado na terça (19/8). 

Mais recursos para renováveis. O financiamento para geração de energia renovável no Brasil cresceu 6,5% em 2024, na comparação com o ano anterior, segundo a consultoria Clean Energy Latin America (Cela). O volume chegou a R$ 32,5 bilhões no ano passado.

  • Enquanto os recursos para eólicas de grande porte caíram quase 30%, os financiamentos para energia solar cresceram 30%, puxados pelo mercado de capitais. 

Data centers. A política de incentivo à instalação de data centers no país — batizada de Redata — pode ser incorporada ao texto em tramitação na Câmara que regulamenta o uso da inteligência artificial no Brasil. 

  • A sinalização do relator Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) ocorreu durante reunião da Comissão Especial sobre inteligência artificial, que discute o PL 2338/23, já aprovado pelo Senado. 
  • Para o setor, a ideia é ruim: em entrevista à agência eixos, o presidente da Brasscom, Affonso Nina, defende urgência na publicação do Redata, o que pode não ocorrer se for incluída na regulação da IA.

Opinião: O avanço do programa Resposta da Demanda não apenas fortalece o sistema elétrico como um todo, mas também estimula o surgimento de novos modelos de negócio, tecnologias e ecossistemas capazes de posicionar o Brasil na vanguarda da inovação energética, escreve Pedro Bittencourto CEO da GreenAnt.

Fundo para preservação de florestas. Impulsionados por Colômbia e Brasil, os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) devem assinar, na sexta (22/8), uma declaração conjunta de apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), que será lançado durante a COP30.

  • O fundo será um mecanismo de financiamento destinado a preservar esses biomas florestais, presentes em cerca de 70 países, e que são cruciais para a regulação do regime de chuvas e captura de carbono na atmosfera.

Fonte: Eixos

Ler Mais
Internacional

FIESC integra missão brasileira que buscará ampliar diálogo com os EUA

Nos dias 3 e 4 de setembro, grupo liderado pela CNI terá encontros com escritórios de advocacia, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington e diálogos com autoridades do governo americano

O primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), André Odebrecht, integrará a missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos. Nos dias 3 e 4 de setembro, o grupo promoverá encontros com representantes do governo e do setor privado norte-americanos. O objetivo é ampliar o diálogo a respeito da taxação de 50% sobre exportações brasileiras, prevista na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Liderada por Ricardo Alban, presidente da CNI, a missão contará com representantes de associações setoriais, outras federações estaduais e grandes empresas exportadoras. A agenda da viagem foi apresentada por Alban ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nesta quarta-feira (20).

A programação inclui encontros com escritórios de advocacia e lobby, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e com autoridades do governo americano. Está prevista ainda uma plenária com empresários dos dois países e participação em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação da Seção 301.

Alban destacou a importância de uma atuação convergente entre governo e indústria para enfrentar os desafios impostos pela taxação de 50% sobre exportações brasileiras. Segundo ele, a estratégia é buscar novas exceções à regra, ampliando o rol de produtos com tarifas reduzidas. Para tanto, a CNI propõe estratégia que contemple resposta e acompanhamento da investigação 301; e engajamento nos EUA com públicos de interesse, com intuito de criar canais de diálogo entre os dois governos.

A comitiva será composta por dirigentes de associações de diversos setores — brinquedos (Abrinq), máquinas e equipamentos (Abimaq), têxtil (Abit), alumínio (Abal), carnes (Abiec), madeira (Abimci), café (Cecafé), ferramentas (ABFA), cerâmica (Anfacer), rochas (CentroRochas), couros (CICB), entre outros —, além das federações estaduais da Indústria de Goiás (Fieg) e de Santa Catarina (FIESC). Empresas como Tupy, Embraer, Stefanini, Novelis e Siemens Energy também já confirmaram presença.

Com informações da CNI.

Fonte: FIESC

Ler Mais
Comércio Exterior

Brasil suspende pacto de não comercializar soja de terras desmatadas na Amazônia

O Cade anunciou na noite desta segunda-feira (18/8) a suspensão como “medida preventiva”, alegando que o pacto, vigente desde 2006, é um “acordo anticompetitivo entre concorrentes que prejudica a exportação de soja”

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspendeu uma moratória de grandes empresas que se comprometiam a não comprar soja procedente de terras desmatadas na Amazônia, uma decisão criticada pelo Ministério do Meio Ambiente, a três meses da COP30 em Belém.

O Cade anunciou na noite desta segunda-feira (18/8) a suspensão como “medida preventiva”, alegando que o pacto, vigente desde 2006, é um “acordo anticompetitivo entre concorrentes que prejudica a exportação de soja”.

Com vendas internacionais de 96,8 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2024, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, o Brasil é o maior exportador mundial de soja. Trinta empresas exportadoras signatárias da moratória, entre elas gigantes como a americana Cargill e a francesa Louis Dreyfus, têm dez dias para se desvincular, sob pena de fortes multas.

O Ministério do Meio Ambiente manifestou preocupação com a suspensão da moratória. O acordo produziu “resultados inegáveis para a proteção ambiental. Sua perenidade indica seu sucesso e a ausência de elementos que possam, por si sós, caracterizar um cartel de compra”, argumentou.

“Entre 2006 e 2023, a área dedicada à soja no bioma Amazônia cresceu 427%, sem provocar novos desmatamentos”, ressaltou a pasta. O Cade decidiu abrir um processo administrativo contra essas empresas, após receber uma solicitação da Comissão de Agricultura da Câmara de Deputados.

Muitos parlamentares representam o poderoso lobby do agronegócio, um dos motores de crescimento do país,  o maior exportador de soja do mundo. A moratória foi assinada em 2006 por representantes da indústria da soja, sob pressão principalmente do mercado europeu diante do aumento do desmatamento na floresta amazônica.

Os signatários se comprometeram a não comercializar soja proveniente de terras desmatadas na Amazônia a partir de 2008. A suspensão gerou uma onda de críticas de organizações como a Mighty Earth, que afirmou que “pavimenta o caminho para ainda mais desmatamento em um dos ecossistemas mais vitais do planeta”.

“É inacreditável que a moratória tenha sido suspensa a apenas três meses da COP30”, a conferência da ONU sobre o clima, que será realizada em novembro em Belém do Pará, lamentou por sua vez Cristiane Mazetti, representante do Greenpeace Brasil, citada em um comunicado.

“Ao suspender este acordo, o Cade não apenas estimula o desmatamento, mas também (…) silencia o direito do consumidor de escolher produtos que não contribuam para a devastação da Amazônia”, afirmou. Segundo várias ONGs, o desmatamento diminuiu 69% entre 2009 e 2022 nas zonas incluídas na moratória. A decisão do Cade, por outro lado, foi comemorada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), que a considerou “um marco histórico na defesa da livre concorrência”.

Fonte: Correio Braziliense

Ler Mais
Importação

Importações de soja do Brasil pela China aumentam 13,9% em julho, mostram dados alfandegários

As importações de soja do Brasil pela China aumentaram 13,9% em julho em relação ao ano anterior, mostraram dados alfandegários nesta quarta-feira, enquanto os suprimentos dos Estados Unidos caíram 11,5%.

O maior comprador de soja do mundo importou 10,39 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil no mês passado, ou 89% do total das importações, em comparação com 9,12 milhões de toneladas no ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândega.

As chegadas dos EUA ficaram em 420.874 toneladas em julho, abaixo das 475.392 toneladas do ano anterior.

No geral, as importações de julho atingiram recorde histórico para aquele mês, com 11,67 milhões de toneladas.

“As importações elevadas foram impulsionadas pela forte oferta brasileira e pelas preocupações persistentes com o comércio entre os EUA e a China, que estimularam a formação de estoques”, disse Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures.

“Os riscos para o cenário estão nas negociações comerciais entre os EUA e a China e o impacto das políticas domésticas de controle da capacidade de suínos sobre a demanda.”

De janeiro a julho, a China importou 42,26 milhões de toneladas do Brasil, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, enquanto os embarques dos EUA totalizaram 16,57 milhões de toneladas, um aumento de 31,2%, segundo os dados.

A China não fez pré-compra de soja da próxima safra dos EUA devido às tarifas altas, um atraso incomum que os comerciantes alertam que pode fazer com que os exportadores dos EUA percam bilhões em vendas, conforme compradores garantem cargas brasileiras para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA.

Em uma carta na terça-feira, os produtores de soja dos EUA pediram ao presidente Donald Trump que chegue a um acordo comercial com a China que garanta acordos significativos de compra de soja.

A China importou 561.027 toneladas de soja da Argentina em julho. As importações de soja do país de janeiro a julho atingiram 672.630 toneladas, um aumento de 104,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Fonte: Brasil 247

Ler Mais
Exportação

Brasil dispara na liderança global: já exporta quase 5 milhões de toneladas de frango por ano para mais de 150 países e transforma o agronegócio em máquina de bilhões

O Brasil consolidou-se de forma incontestável como o maior exportador de carne de frango do planeta. Em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país deve ultrapassar a marca de 4,9 milhões de toneladas exportadas, chegando a mais de 150 mercados diferentes, incluindo destinos estratégicos como China, Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e União Europeia. A dimensão é tamanha que não se trata apenas de uma estatística econômica: o frango brasileiro já se tornou um ativo estratégico na geopolítica global da alimentação.

Esse desempenho histórico não é fruto do acaso. A indústria avícola nacional combina décadas de investimentos em tecnologia, sanidade, logística e acordos comerciais que permitem ao produto competir em preço e qualidade. Hoje, um em cada três frangos consumidos no mundo vem do Brasil, colocando o país em uma posição de protagonismo comparável ao petróleo da Arábia Saudita ou ao salmão do Chile.

Exportações em ritmo acelerado e números bilionários

O impacto direto dessa liderança é sentido na balança comercial. As exportações de frango ultrapassaram US$ 10 bilhões em 2024, colocando o setor entre os três maiores responsáveis pelo superávit brasileiro. O agronegócio, que já responde por mais de 25% do PIB nacional, tem na avicultura uma de suas engrenagens mais eficientes.

A China, que sozinha responde por cerca de 15% das compras externas de frango brasileiro, mantém contratos de longo prazo que garantem estabilidade.

O Oriente Médio, por sua vez, consome grandes volumes de cortes halal, preparados dentro dos rígidos protocolos religiosos que o Brasil domina com excelência. A África também desponta como mercado estratégico, ampliando a diversificação e reduzindo a dependência de compradores tradicionais.

Tecnologia, sanidade e logística: os segredos da competitividade

O sucesso brasileiro tem raízes em três pilares: tecnologia de produção, rigor sanitário e eficiência logística.

Na ponta da produção, o país desenvolveu um sistema integrado que conecta pequenos e médios produtores às grandes agroindústrias. Isso garante escala e padronização. Nas granjas, sensores de temperatura, alimentação automatizada e genética de ponta asseguram ganhos de produtividade e redução de custos.

No campo sanitário, o Brasil mantém status de país livre de influenza aviária em plantéis comerciais, algo que reforça a confiança internacional. Em 2023 e 2024, surtos da doença atingiram países concorrentes como EUA e União Europeia, beneficiando ainda mais os embarques brasileiros.

Por fim, a logística: o Brasil investiu em corredores de exportação, portos especializados em carnes refrigeradas e integração com ferrovias. Isso reduz custos e acelera entregas, algo essencial em um mercado global cada vez mais dinâmico.

Impactos internos: emprego e renda para milhares de brasileiros

A força do setor também é sentida dentro do país. A avicultura emprega diretamente mais de 4 milhões de pessoas, entre granjas, fábricas de ração, frigoríficos e transporte. Indiretamente, o impacto atinge milhares de famílias em áreas rurais, especialmente no Sul e Centro-Oeste, regiões que concentram a maior parte da produção.

Além do peso econômico, há uma questão de segurança alimentar. O frango é a proteína animal mais consumida no Brasil, superando carne bovina e suína. O preço mais acessível garante presença no prato diário de milhões de famílias, mesmo em períodos de inflação elevada nos alimentos.

Desafios: sanções, concorrência e meio ambiente

Apesar da liderança, o Brasil enfrenta obstáculos. Nos últimos anos, algumas barreiras sanitárias impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos mostraram que o protecionismo ainda pode frear embarques.

Além disso, a pressão ambiental sobre o agronegócio brasileiro cresce. Organizações internacionais e governos estrangeiros exigem garantias de que a produção não está associada a desmatamento ilegal ou trabalho precário.

Outro ponto é a concorrência. Países como os EUA e a Tailândia investem em modernização de seus setores e buscam ampliar participação em mercados estratégicos. A disputa tende a se intensificar, especialmente em regiões emergentes como África e Sudeste Asiático.

Frango como ativo geopolítico

Mais do que um produto de exportação, o frango brasileiro se tornou uma ferramenta geopolítica. Em momentos de crise alimentar global, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia, a capacidade do Brasil de abastecer mercados externos garantiu estabilidade de preços em várias regiões. Isso ampliou o peso diplomático do país, que passou a ser visto como fornecedor confiável em meio ao caos.

Essa característica reforça a percepção de que a produção agrícola brasileira vai além da economia: é um instrumento de soft power, capaz de abrir portas em negociações internacionais que extrapolam o campo comercial.

O futuro: proteínas alternativas e novos mercados

Olhando para os próximos anos, o setor avícola brasileiro terá de se reinventar diante das mudanças globais no consumo de proteínas.

O crescimento da carne cultivada em laboratório e das alternativas vegetais é um desafio, especialmente em mercados ricos. Ainda assim, analistas acreditam que o frango brasileiro seguirá competitivo, principalmente em países em desenvolvimento, onde a demanda por proteínas baratas e abundantes continuará em alta.

A abertura de novos mercados também está no horizonte. O Brasil negocia habilitações sanitárias para entrar em países que ainda mantêm barreiras, como Coreia do Sul e alguns da África Subsaariana. Caso esses acessos sejam liberados, o potencial de crescimento pode levar as exportações para além da marca de 5,5 milhões de toneladas por ano até 2030.

O frango brasileiro não é apenas um alimento: é uma engrenagem bilionária que move a economia, sustenta famílias e fortalece a posição internacional do país. Com quase 5 milhões de toneladas exportadas por ano e presença em mais de 150 países, o Brasil construiu uma liderança que dificilmente será desafiada no curto prazo.

Mas essa posição não está garantida para sempre. O setor precisa equilibrar competitividade com responsabilidade ambiental, inovação tecnológica e novos mercados. O futuro do agronegócio brasileiro pode muito bem continuar sendo escrito a partir das asas do frango — uma commodity que já se tornou símbolo da força produtiva nacional.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Comércio Exterior

Comércio exterior do Brasil cresce 4,8% em agosto e saldo comercial chega a US$ 3 bilhões

Superávit é puxado por alta nas exportações da agropecuária e da indústria extrativa

A balança comercial brasileira encerrou a terceira semana de agosto de 2025 com superávit de US$ 1,09 bilhão, resultado de exportações no valor de US$ 6,6 bilhões e importações de US$ 5,5 bilhões. A corrente de comércio na semana somou US$ 12,2 bilhões.

No acumulado do mês, as exportações chegaram a US$ 15,4 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 12,4 bilhões. Com isso, o Brasil registrou saldo positivo de US$ 3 bilhões e movimentação total de US$ 27,8 bilhões.

Desempenho no acumulado do ano

De janeiro até agosto de 2025, as exportações totalizam US$ 213,4 bilhões e as importações US$ 173,4 bilhões. O superávit acumulado no período é de US$ 40 bilhões, com corrente de comércio de US$ 386,8 bilhões.

Crescimento frente a agosto de 2024

Comparando as médias diárias até a terceira semana de agosto de 2025 com igual período de 2024, as exportações subiram 7,2%, passando de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,4 bilhão. Já as importações avançaram 2%, de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,12 bilhão.

Com isso, a média diária da corrente de comércio alcançou US$ 2,5 bilhões, enquanto o saldo diário ficou em US$ 277,09 milhões, o que representa alta de 4,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Exportações por setor

O desempenho setorial das exportações até a terceira semana de agosto de 2025, em comparação com agosto de 2024, mostra crescimento expressivo:

  • Agropecuária: aumento de US$ 41,66 milhões por dia (+14,9%);
  • Indústria Extrativa: alta de US$ 35,72 milhões por dia (+12,0%);
  • Indústria de Transformação: crescimento de US$ 12,78 milhões por dia (+1,8%).
Importações por setor

Do lado das importações, a indústria extrativa registrou a maior expansão, com alta diária de US$ 14,84 milhões (+23,5%). A indústria de transformação também avançou, com acréscimo diário de US$ 8,1 milhões (+0,8%).

Já a agropecuária foi o único setor em queda, com recuo de US$ 0,37 milhão por dia (-1,9%).

Fonte: Portal do Agronegócio

Ler Mais
Importação

Importações crescem e preocupam setor calçadista brasileiro

Em julho, número de pares importados quase dobrou

As importações de calçados vêm mantendo um ritmo acelerado nos últimos meses e trazendo preocupações para o setor no Brasil. Só em julho deste ano, o país importou US$ 66 milhões em calçados, maior valor já importado em dólares desde o início da série histórica, iniciada em 1997.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), 4,2 milhões de pares de calçados foram importados em julho, o que representou aumento de 98,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, o aumento foi de 89,6%.

Nos sete primeiros meses de 2025, as importações somaram 26,58 milhões de pares e US$ 337,8 milhões, o que representou aumento tanto em volume (+27,5%) quanto em receita (+30,5%) na comparação ao mesmo período de 2024.

Exportações em baixa

Ao mesmo tempo, as exportações estão em queda. Em julho, mais de 7,18 milhões de unidades foram embarcadas, somando US$ 76,74 milhões. Isso representou queda de 7,3% em volume e um recuo de 11,8% em relação à receita, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Já nos sete primeiros meses de 2025, as exportações ainda seguem positivas, mas em um ritmo decrescente. No período, foram embarcados para o exterior 59,88 milhões de pares, um incremento de 6,6%. Essas vendas geraram US$ 574 milhões, o que representa um crescimento de 0,7%.

Segundo a Abicalçados, a desaceleração das exportações se dá pelo acirramento da concorrência internacional, principalmente porque a China redirecionou suas exportações dos Estados Unidos para outros mercados, para fugir da sobretaxa que aplicada pelo governo norte-americano. Com isso, as exportações brasileiras para a Europa e para a América Latina têm sido diretamente impactadas.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Prioridade do governo é negociar aumento da lista de exceções à tarifa americana, diz Alckmin

Vice-presidente participou da 25ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira que a prioridade do governo federal é ampliar o número de produtos brasileiros excluídos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A sobretaxa resulta de uma ordem executiva do presidente Donald Trump, que adicionou 40% aos 10% já em vigor desde abril. Quase 700 itens entre os 4 mil exportados pelo Brasil aos EUA ficaram fora da tarifa extra.

— Nosso trabalho é aumentar a exclusão para mais produtos saírem da tarifa, e reduzir essa tarifa — disse Alckmin durante a 25ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo. — A primeira tarefa é a negociação e nós acreditamos que é possível.

O vice-presidente destacou que o tarifaço de Donald Trump não faz sentido, já que a taxa média aplicada pelo Brasil a produtos americanos importados é de 2,7%. Oito dos dez itens mais vendidos ao país entram com alíquota zero.

Alckmin também lembrou que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e o principal investidor estrangeiro no país, com cerca de 4 mil empresas instaladas. Segundo ele, o mercado americano é um destino relevante para produtos brasileiros de maior valor agregado, como os industriais.

O vice-presidente reforçou que a relação bilateral é marcada por “amizade e parceria extremamente antiga”. Atualmente, 12% das exportações brasileiras têm os EUA como destino.

— O Brasil é um bom parceiro porque há quinze anos os EUA têm superávit comercial com o Brasil. Os EUA têm déficit enorme de comércio, de US$ 1,2 trilhão. Mas, do G20 (grupo que reúne as vinte maiores economias do mundo), só três países têm superávit: Brasil, Reino Unido e Austrália. No ano passado, contando bens e serviços, deu US$ 25 bilhões de superávit. Nos últimos 15 anos, quase meio trilhão de dólares.

Alckmin também comentou a agenda doméstica e defendeu o avanço da reforma administrativa nos próximos meses do governo Lula. Segundo ele, a medida pode ajudar a reduzir custos, simplificar processos e fixar regras para os altos salários no funcionalismo.

— A reforma administrativa pode ajudar a reduzir custos, desburocratizar, simplificar, estabelecer regras para altos salários. Temos que ter uma cultura contra privilégio e desperdício.

Fonte: O Globo

Ler Mais
Exportação

Brasil e Indonésia assinam acordo para início de exportação de carne bovina

Com cerca de 283 milhões de habitantes, país asiático tem a quarta maior população do mundo

governo do Brasil e da Indonésia assinaram nesta terça-feira (19) um acordo com os requisitos sanitários necessários para começar a exportação de carne bovina com osso, miúdos bovinos, produtos cárneos e preparados de carne brasileiros para o país asiático.

Segundo o MRE (Ministério das Relações Exteriores) e o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), a medida representa “uma conquista importante” para o país, que já é o maior exportador de carne bovina do mundo.

Além disso, “fortalece a parceria comercial com a Indonésia, que em 2024 importou US$ 4,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, especialmente dos complexos sucroalcooleiro e da soja, fibras e produtos têxteis”.

Com cerca de 283 milhões de habitantes, a Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo. O aumento da renda da população e a expansão da classe média urbana impulsionou o consumo de carne bovina no país nos últimos anos.

O governo federal afirma que, com a inclusão da Indonésia, o Brasil chegou a 402 mercados abertos desde o início de 2023.

Fonte: R7

Ler Mais
Portos

Comissão especial debate desburocratização do sistema portuário brasileiro

A Comissão Especial sobre o Sistema Portuário Brasileiro fará uma audiência pública nesta quarta-feira (20) para discutir formas de reduzir a burocracia no setor. O debate será realizado às 14h30, no plenário 6.

Veja quem foi convidado para a audiência

A audiência pública foi pedida pelos deputados Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), Leo Prates (PDT-BA), Daniela Reinehr (PL-SC), Carlos Zarattini (PT-SP), Gabriel Nunes (PSD-BA), Beto Richa (PSDB-PR) e Adriana Ventura (Novo-SP).

Alexandre Barbosa explica que o operador portuário exerce um papel fundamental no sistema logístico e na economia brasileira, sendo responsável pela movimentação eficiente de cargas nos portos, com reflexos diretos na competitividade do comércio exterior.

“Os operadores portuários são agentes-chave na dinâmica portuária nacional, contribuindo para a integração do Brasil ao mercado global, e desempenhando papel crucial na eficiência e modernização de portos como o de Santos”, afirma.

A deputada Daniela Reinehr defende a discussão do Projeto de Lei 733/25, que atualiza as regras do setor portuário. A proposta trata da exploração dos portos, da operação e do trabalho portuário.

“O setor portuário é responsável por mais de 95% do comércio exterior brasileiro em volume e por aproximadamente 85% em valor, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Em 2024, os portos brasileiros movimentaram cerca de 1,3 bilhão de toneladas de cargas”, afirma.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook