Comércio

Soja acelera vendas em Mato Grosso, enquanto milho e algodão avançam com cautela

A comercialização das principais commodities agrícolas de Mato Grosso teve ritmos diferentes em agosto. A soja ganhou velocidade com a valorização dos preços internacionais, enquanto milho e algodão avançaram de forma mais comedida diante de fatores específicos de oferta, demanda e produção.

No mercado de soja em Mato Grosso, a alta das cotações na Bolsa de Chicago favoreceu tanto os negócios da safra 2025/26 quanto as vendas antecipadas da temporada 2026/27. Os contratos futuros chegaram a ultrapassar US$ 13 por bushel, em meio às preocupações com o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos.

Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o cenário externo mais favorável melhorou as condições de negociação da próxima safra.

Vendas antecipadas de soja avançam em Mato Grosso

A comercialização da soja da safra 2026/27 alcançou 39,12% da produção estimada até o fim de agosto. O percentual representa alta de 8,89 pontos percentuais em relação a julho e avanço de 11,72 pontos percentuais ante o mesmo período da safra 2025/26.

A melhora dos preços também aumentou a atratividade das vendas futuras. O preço médio negociado para a temporada 2026/27 fechou agosto em R$ 121,18 por saca, valorização de R$ 10,01 na comparação mensal.

O desempenho mostra a influência das referências internacionais sobre a formação dos preços recebidos pelos produtores mato-grossenses.

Soja 2025/26 se aproxima do fim das vendas

A comercialização da safra de soja 2025/26 também avançou em agosto e chegou a 96,90% da produção estimada no Estado. O índice cresceu 3,84 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Com quase todo o volume já negociado, a temporada atual se aproxima da conclusão das vendas. Nesse momento, os produtores passam a concentrar maior atenção nas oportunidades relacionadas ao mercado externo e na formação dos preços da próxima safra.

Para o ciclo 2026/27, ainda existe uma parcela relevante da produção a ser comercializada. A valorização observada em agosto contribuiu para ampliar o interesse pelos negócios antecipados.

O plantio da soja 2026/27 em Mato Grosso foi liberado em 7 de setembro e poderá ser realizado até 7 de janeiro de 2027.

Milho avança, mas indústria reduz compras

No mercado de milho em Mato Grosso, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 74,63% da produção projetada em agosto. O avanço mensal foi de 10,69 pontos percentuais.

Apesar do crescimento, o ritmo dos negócios permaneceu mais moderado. Um dos motivos foi a menor participação das indústrias nas compras. Com estoques considerados relativamente ajustados às necessidades atuais, as empresas diminuíram a necessidade de recompor posições.

O preço médio do milho no Estado ficou em R$ 51,61 por saca.

As referências internacionais também ajudaram a sustentar as cotações. O mercado acompanhou especialmente as condições da produção norte-americana, enquanto a demanda pelo cereal e a perspectiva de estoques finais mais apertados deram suporte aos preços.

A piora das condições das lavouras dos Estados Unidos ao longo de agosto aumentou as dúvidas sobre o potencial produtivo da próxima safra. O movimento contribuiu para fortalecer os contratos em Chicago e, consequentemente, as referências de preços em Mato Grosso.

Incertezas limitam vendas futuras de milho

As negociações antecipadas da safra de milho 2026/27 avançaram 4,60 pontos percentuais em agosto, chegando a 15,96% da produção estimada.

O preço médio dos negócios ficou em R$ 50 por saca.

O avanço, entretanto, continua abaixo do ritmo observado na soja. Segundo o Imea, as incertezas sobre o desenvolvimento das lavouras e o potencial produtivo da próxima temporada fazem com que os produtores mantenham uma postura mais conservadora.

Com dúvidas sobre o desempenho da nova safra, os agricultores demonstram menor disposição para comprometer grandes volumes antecipadamente. Assim, as vendas continuam avançando, mas sem uma aceleração significativa.

Algodão mantém ritmo cauteloso na safra atual

A comercialização da pluma de algodão da safra 2025/26 atingiu 75,52% da produção estimada em agosto. O avanço foi de 1,52 ponto percentual em relação a julho.

Mesmo com a melhora das cotações, os negócios seguiram em ritmo moderado. Parte dos produtores já possui volumes comprometidos em contratos anteriores e, por isso, tem priorizado o cumprimento dessas negociações.

Outro fator de cautela está relacionado à qualidade da fibra de algodão. As chuvas ocorridas durante o ciclo produtivo aumentaram as preocupações do setor sobre o padrão da pluma que será entregue.

Nesse cenário, os produtores têm priorizado os contratos já firmados antes de assumir novos compromissos comerciais, o que ajuda a explicar o avanço mais lento das vendas.

Algodão 2026/27 ganha força com alta em Nova York

O comportamento foi diferente nas negociações da safra de algodão 2026/27. A valorização da pluma na Bolsa de Nova York estimulou novas vendas em Mato Grosso.

O movimento ocorreu em meio à preocupação dos produtores com os custos elevados para produzir na próxima temporada. Com preços mais favoráveis, aumentou a disposição para antecipar parte da comercialização.

As vendas cresceram 6,61 pontos percentuais em agosto e chegaram a 39,34% da produção estimada para o novo ciclo.

O preço médio negociado no mês foi de R$ 140,46 por arroba, alta de 8,43% em relação a julho.

Soja e algodão lideram vendas futuras

Os dados de agosto mostram comportamentos distintos entre as principais culturas de Mato Grosso.

A soja apresentou o avanço mais consistente nas vendas futuras, favorecida pela valorização em Chicago. O algodão também ganhou força nas negociações da próxima safra, apoiado pela alta dos preços em Nova York.

Já o milho continuou avançando, mas em ritmo mais lento. As dúvidas sobre o potencial produtivo da safra 2026/27 e a atuação mais contida das indústrias limitaram uma aceleração maior dos negócios.

O cenário reforça a influência dos mercados internacionais sobre as decisões dos produtores, mas também evidencia que fatores internos, como custos, estoques, demanda e condições das lavouras, continuam determinantes para o ritmo de comercialização das commodities em Mato Grosso.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Algodão recua em Nova York, mas contratos acumulam alta superior a 3% na semana

Os preços do algodão terminaram a sessão desta sexta-feira (28) em baixa na Bolsa de Nova York. O movimento ocorreu após a forte valorização registrada no pregão anterior. Apesar do recuo diário, os principais contratos da commodity encerraram a semana com ganhos acima de 3%.

Preços do algodão na Bolsa de Nova York

O contrato com vencimento em dezembro de 2026 caiu 1,03 cent, ou 1,11%, e fechou a sessão a 91,38 cents por libra-peso.

Entre os demais vencimentos, o outubro de 2026 registrou queda de 1,14 cent (-1,25%), para 89,92 cents/lb. Já o março de 2027 recuou 1,06 cent (-1,12%), encerrando o dia em 93,34 cents/lb. O contrato maio de 2027 teve baixa de 1,02 cent (-1,07%), aos 94,48 cents/lb.

Mesmo com a queda desta sexta-feira, o desempenho semanal foi positivo para todos os principais contratos.

  • Outubro/26: de 87,07 para 89,92 cents/lb, alta de 2,85 cents (+3,27%);
  • Dezembro/26: de 88,35 para 91,38 cents/lb, avanço de 3,03 cents (+3,43%);
  • Março/27: de 90,15 para 93,34 cents/lb, valorização de 3,19 cents (+3,54%);
  • Maio/27: de 91,19 para 94,48 cents/lb, ganho de 3,29 cents (+3,61%).

Exportações dos Estados Unidos sustentam atenção do mercado

Os dados mais recentes de vendas para exportação indicam que os compromissos de embarques de algodão dos Estados Unidos para a safra 2026/27 somam 4,332 milhões de fardos.

O volume representa crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior e equivale a 38% da estimativa de exportações projetada pelo USDA. Na mesma época da temporada passada, esse percentual era de 30%.

Apesar do avanço, o ritmo atual ainda permanece abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.

Condições das lavouras de algodão preocupam

De acordo com Jack Scoville, as lavouras de algodão nos EUA apresentam condições consideravelmente inferiores às observadas no ano passado.

O desenvolvimento da safra norte-americana também segue atrasado quando comparado à média histórica, fator que permanece no radar dos participantes do mercado de algodão.

Petróleo e dólar influenciam os negócios

No cenário internacional, o petróleo operou pressionado pela valorização do dólar e por sinais de que o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz pode aumentar.

As perdas, entretanto, foram parcialmente contidas pelas incertezas relacionadas à retomada da normalidade no transporte de petróleo proveniente do Oriente Médio.

O dólar ganhou força após declarações consideradas mais duras do presidente do Federal Reserve, Warsh. Segundo ele, a inflação norte-americana não apresenta uma desaceleração significativa.

Depois dos comentários, a expectativa de uma alta dos juros na próxima reunião do FOMC aumentou para 50%, ante 36% anteriormente.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Café arábica recua em Nova York após forte alta e realização de lucros

Os preços do café arábica encerraram a sessão desta terça-feira (25) em queda na Bolsa de Nova York. Após a forte disparada registrada no pregão anterior, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, com investidores reduzindo parte das posições compradas.

Na segunda-feira (24), as cotações haviam avançado quase 2 mil pontos, impulsionadas pelas preocupações com a oferta global de café e pelos baixos níveis dos estoques. Nesta terça, os contratos mais negociados recuaram entre 560 e 635 pontos.

O vencimento setembro terminou a 371,40 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março fechou em 321,25 centavos. Em Londres, os futuros do café robusta também encerraram o dia no campo negativo, com perdas entre US$ 94 e US$ 137 por tonelada.

Café em Nova York recua mais de 2%

A sessão foi marcada por forte volatilidade e predominância de um movimento de ajuste técnico. Os principais contratos chegaram a registrar perdas superiores a 2%.

Apesar da correção, os fundamentos do mercado de café continuam dando sustentação aos preços. Entre os principais fatores estão a disponibilidade limitada do produto e os estoques certificados de café, que permanecem em níveis historicamente baixos.

O recuo desta terça-feira já era esperado por parte dos operadores, especialmente depois de três semanas seguidas de valorização e do forte avanço registrado na sessão anterior.

Com os preços acumulando ganhos expressivos, fundos e investidores aproveitaram o momento para embolsar parte dos lucros. A avaliação predominante é de que a queda representa uma correção técnica, e não necessariamente uma mudança nos fundamentos que sustentam as cotações.

Futuros acumulam alta de 40% desde junho

A volatilidade deve continuar sendo um dos principais elementos do mercado nas próximas sessões. Segundo Heberson Sastre, gerente da mesa de operações da Minasul, os contratos futuros de arábica acumulam valorização de aproximadamente 40% desde o fim de junho.

O desempenho recente reflete, entre outros fatores, as preocupações com a oferta de café brasileiro e com as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, destaca que o clima no Brasil continua imprevisível. Períodos de estiagem, chuvas irregulares, ocorrência de geadas e até episódios de granizo têm sido observados em importantes áreas produtoras.

Esse cenário diminui as expectativas de uma safra recorde de café no Brasil em 2026 e mantém os compradores internacionais atentos à capacidade de reposição dos estoques.

Estoques baixos mantêm suporte ao mercado

Além das condições climáticas, os estoques globais de café seguem entre os principais pontos de atenção. Os volumes armazenados permanecem historicamente baixos tanto em países produtores quanto consumidores, criando um suporte estrutural para as cotações.

O mercado também monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre as áreas produtoras, fator que pode ampliar as incertezas relacionadas ao clima e contribuir para novas oscilações nos preços.

Outro tema acompanhado pelos agentes é a reorganização do comércio internacional, especialmente diante das discussões sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre o café brasileiro. A questão ainda acrescenta incerteza ao cenário para exportadores e compradores.

Mercado físico acompanha queda das bolsas

No Brasil, o mercado físico de café segue operando com cautela. A queda em Nova York tende a limitar novas altas nas negociações domésticas, enquanto a trajetória do dólar em relação ao real continua sendo decisiva para a formação dos preços internos.

Os operadores também acompanham o avanço da colheita brasileira, a evolução dos estoques certificados da ICE e as condições climáticas nas regiões produtoras.

Depois da forte valorização recente, muitos produtores passaram a trabalhar com metas de venda na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.100 por saca.

Produtores mantêm postura cautelosa

Para Heberson Sastre, os produtores estão participando do mercado de forma gradual diante das incertezas climáticas e da perspectiva para a oferta de cafés de maior qualidade.

O executivo afirma que as chuvas recentes reduziram a disponibilidade de cafés finos, justamente em um momento de forte procura internacional pelo produto brasileiro.

A avaliação é de que o mercado futuro de Nova York continua funcionando como referência para as negociações físicas, que se ajustam de acordo com uma série de fatores, incluindo câmbio, oferta e clima.

Nesta terça-feira, a combinação entre a queda dos contratos em Nova York e a desvalorização do dólar frente ao real contribuiu para uma perda adicional de força nas cotações do café no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Negócios

Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de 2027

A JBS anunciou na segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho assumirá o cargo de CEO global da companhia em janeiro de 2027. A mudança faz parte de um processo planejado de sucessão no comando de uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

Batista Filho substituirá Gilberto Tomazoni, que está à frente da JBS desde dezembro de 2018 e passará a ocupar novas funções no Conselho de Administração da companhia.

Wesley Batista Filho assume comando global da JBS

Com 15 anos de trajetória na JBS, Batista Filho atualmente é responsável pela JBS USA, principal plataforma da empresa em receita. A experiência acumulada em diferentes áreas e mercados do grupo foi um dos elementos do processo de sucessão anunciado pela companhia.

Filho de Wesley Batista, um dos controladores da JBS, e neto de José Batista Sobrinho, fundador da empresa, o executivo construiu sua carreira principalmente dentro do próprio grupo. Documentos apresentados pela companhia à Securities and Exchange Commission (SEC) confirmam os vínculos familiares.

Antes de chegar ao comando global, Batista Filho ocupou posições de liderança em operações de carne bovina, aves, suínos e alimentos de valor agregado. Também atuou em mercados como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai.

Carreira começou como trainee nos Estados Unidos

A trajetória de Batista Filho na JBS começou em 2011, como trainee na operação de carne bovina em Greeley, no Colorado. Depois, passou pela área de exportações em São Paulo e assumiu posições de comando nas operações de carne bovina do Uruguai e do Paraguai.

Entre 2014 e 2015, presidiu a JBS Canadá. Em seguida, retornou aos Estados Unidos para liderar a JBS USA Fed Beef, operação que esteve entre as maiores plataformas do grupo naquele período.

Em 2018, assumiu o comando da JBS Brasil. Dois anos depois, passou também a liderar a Seara, acumulando a gestão dos dois principais negócios brasileiros em uma fase de expansão da companhia em produtos de maior valor agregado.

Em 2022, Batista Filho tornou-se presidente global de Operações. A função ampliou sua atuação sobre as operações da JBS na América do Norte, América do Sul, Oceania e Europa.

Desde 2023, o executivo está à frente da JBS USA, que reúne mais de 60 unidades de produção e aproximadamente 70 mil funcionários distribuídos por 31 estados americanos.

Operação nos EUA tem papel estratégico

A experiência de Batista Filho no mercado americano ganha relevância no processo de sucessão. As operações da JBS nos Estados Unidos representam mais da metade da receita global da companhia.

Sob sua liderança estão negócios relacionados a carne bovina, suínos, aves, alimentos preparados e outros produtos alimentícios.

Ao comentar a nomeação, o futuro CEO afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Tomazoni. Entre as prioridades citadas estão as equipes, os clientes, os produtores parceiros, a excelência operacional e a geração de valor para os acionistas.

Tomazoni, por sua vez, ressaltou a experiência acumulada pelo sucessor dentro da própria JBS. Segundo ele, Batista Filho iniciou a carreira nas operações da companhia e, posteriormente, passou pelo comando da JBS Brasil, da Seara e dos negócios nos Estados Unidos.

Gilberto Tomazoni deixa CEO e vai para o Conselho

Tomazoni continuará como CEO global durante os próximos cinco meses, período em que deverá conduzir a transição para o novo comando. Depois, assumirá a vice-presidência do Conselho de Administração da JBS e atuará como senior advisor da companhia.

O executivo também permanecerá como presidente do conselho da Pilgrim’s Pride e passará a comandar o Instituto J&F.

Antes de ingressar na JBS, Tomazoni teve uma carreira de 27 anos na Sadia, onde começou como estagiário e chegou ao cargo de CEO. Depois, trabalhou por três anos na Bunge Alimentos, ocupando posições de liderança nas áreas de Alimentos e Ingredientes e nas operações da América do Sul e Central.

Tomazoni comandou expansão e diversificação da JBS

Tomazoni chegou à JBS em 2013, inicialmente como presidente global do negócio de aves. Mais tarde, assumiu a presidência da Seara, tornou-se presidente global de Operações e, em 2017, passou a ocupar o cargo de COO global.

Em dezembro de 2018, foi nomeado CEO global da JBS.

Durante os oito anos em que esteve no principal cargo executivo, a receita da companhia cresceu 73%, passando de US$ 49,7 bilhões para US$ 86,2 bilhões, segundo dados divulgados pela própria empresa.

A gestão também foi marcada pela expansão para diferentes categorias de proteínas, pelo fortalecimento do portfólio de marcas e pelo aumento da participação em produtos de maior valor agregado.

Nesse período, a JBS conquistou grau de investimento e concluiu a listagem de suas ações na Bolsa de Nova York. A companhia também ampliou investimentos em biotecnologia e diversificou sua atuação geográfica e seus negócios.

Nova etapa na liderança da companhia

Além da experiência executiva, Tomazoni possui atuação em conselhos de administração. Ele integra o Conselho de Administração da JBS N.V. e preside há 13 anos o conselho da Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS e uma das maiores produtoras de aves do mundo.

Para Tomazoni, o conhecimento de Batista Filho sobre as operações da empresa, especialmente sua experiência nos Estados Unidos, contribui para a continuidade da estratégia da companhia.

A sucessão na JBS acontece pouco mais de um ano após a conclusão da estrutura que levou as ações da empresa à Bolsa de Nova York. A mudança também coloca um integrante da terceira geração da família fundadora no comando executivo global da companhia.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/JBS

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Agronegócio, Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Negócios

Como a guerra comercial China x EUA pode afetar o agronegócio brasileiro

Especialistas avaliam que, no curto prazo, segmentos como grãos e carnes podem ser beneficiados, mas uma eventual escalada protecionista traz incerteza para o comércio global

Especialistas e representantes de segmentos do agronegócio brasileiro avaliam que a escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e China pode beneficiar cadeias produtivas no Brasil, no curto prazo. No entanto, uma eventual escalada protecionista é motivo de preocupação, com riscos de gerar desequilíbrios no comércio agropecuário global.

O professor Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, está entre os que veem esse risco de uma escalada protecionista. Ele destaca que o momento atual é bem diferente do ambiente de guerra comercial no primeiro mandato de Trump, em 2017.

“Agora, há muito mais setores e países envolvidos. O Donald Trump ameaçou Europa, os Brics, impôs tarifas para México, Canadá e China. É uma dimensão muito mais complexa. Temos que ficar preparados para canalizar o que está acontecendo no mundo”, afirma.

Jank acrescenta que os Estados Unidos atuam no formato de “metralhadora giratória”, com ameaças a países, setores e empresas, o que ele vê como uma estratégia para mostrar força e levar a novas negociações. “O Brasil tem tarifas altas de importação. Amanhã ou depois, os Estados Unidos podem vir para cima do Brasil também.”

De outro lado, a China, em sua visão, atua de maneira mais pontual e “cirúrgica”, com reações nos segmentos de petróleo, gás e produtos agropecuários. “Quando a China aumenta a alíquota dos produtos americanos, atinge principalmente o Meio-Oeste, que apoiou muito Trump e já sofreu na primeira guerra comercial, em 2017”, avalia.

O presidente da União Nacional de Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, avalia que a situação pode causar um desequilíbrio nas relações dos Estados Unidos com outras partes do mundo, com consequências que podem ser graves para o comércio global.

“O desequilíbrio abrupto nas relações comerciais entre EUA e o resto do mundo pode desequilibrar cadeias importantes de negócios e comprometer investimentos, pela insegurança gerada nas relações internacionais”, afirmou Nolasco.

Em sua avaliação, o momento atual requer cautela. Ele avalia que o diálogo e a negociação entre os países deveriam preceder o reordenamento do comércio mundial. E ainda é cedo para avaliar as consequências para o agronegócio do Brasil.

“Em uma análise mais simples, podemos vislumbrar uma grande oportunidade para commodities, grãos, fibras e proteína animal. Ao mesmo tempo, há risco de consequências sérias ao comércio mundial. Além disso, nós temos a China como nosso maior mercado e temos relações importantes com os EUA que podem sofrer consequências”, afirma Nolasco.

Estudo do Insper Agro Global, divulgado recentemente, apontou que, na primeira gestão de Trump, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na exportação de produtos do agronegócio para a China, com um total de US$ 36,7 bilhões. Os americanos embarcaram US$ 23,7 bilhões. Isso aconteceu graças à imposição de tarifas aos produtos americanos pela China, em retaliação às tensões comerciais entre os países.

Em relação às exportações do complexo soja para a China, o Brasil registrou US$ 31,6 bilhões em embarques em 2024, com crescimento anual médio de 17,4% desde 2000. Já os Estados Unidos exportaram US$ 12,8 bilhões, um incremento anual de 10,5%, em média, no mesmo intervalo. Das exportações brasileiras do agronegócio de 2024, 33% ou US$ 45,3 bilhões tiveram os chineses como destino.

AAssociação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa as processadoras e exportadoras de soja e derivados, informa, em nota, que segue acompanhando os desdobramentos da situação. E espera que as relações comerciais dos dois países com o Brasil se mantenham equilibradas e construtivas.

“No momento, ainda é prematuro qualquer avaliação sobre os possíveis impactos das novas medidas tarifárias anunciadas. Ressaltamos que a China e os Estados Unidos são parceiros estratégicos do Brasil no comércio de produtos do agronegócio, e acreditamos na manutenção de relações comerciais equilibradas e construtivas”, afirma.

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados, o Brasil pode ser beneficiado pela guerra comercial entre EUA e China. “Pelo menos inicialmente o Brasil pode acabar sendo beneficiado. Porque a China falou que vai restringir a importação de soja e de frango dos Estados Unidos, áreas em que o Brasil é um grande competidor”, afirma.

Preços de grãos

No curto prazo, a guerra tarifária pode refletir em uma queda nos preços internacionais de grãos, notadamente soja, milho e trigo – referenciados na bolsa de Chicago – e algodão – com preço de referência na bolsa de Nova York. A avaliação é do sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, que prevê um aumento de tensão entre os dois países. Uma consequência imediata é a elevação dos estoques desses produtos no território americano, nas fazendas, tradings e cerealistas.

“A menor exportação para a China pode resultar em maiores estoques internos, pressionando ainda mais os preços futuros. Com isso, espera-se uma volatilidade elevada com o mercado reagindo a novos desdobramentos políticos e possíveis negociações entre EUA e China”, explica. Se isso se confirmar, os preços de Chicago podem sofrer mais desvalorização”, acrescenta.

Para o milho, o impacto pode ser moderado, já que o país asiático não é dependente da produção norte-americana. Entretanto, isso gerará maior competição entre o milho do Brasil e da Argentina. “A China pode buscar diversificar suas compras, beneficiando os exportadores sul-americanos”, acrescenta o especialista.

No primeiro governo Trump, o país asiático também havia imposto tarifas às importações dos EUA. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial da agricultura norte-americana. Cogo lembra que os suprimentos agrícolas dos EUA para a China caíram entre os anos comerciais de 2017/18 e 2018/19, antes de se recuperarem em 2019/2020 e 2020/2021.

“A guerra comercial entre EUA e China reduzirá a competitividade dos produtos norte-americanos em relação aos do Brasil. A China buscará obter o máximo possível do Brasil”, reforça. A China é um destino importante para os produtos agrícolas norte-americanos. Só em 2024, respondeu por 4,8% dos embarques de milho, 52,5% dos de soja e 10,9% dos de trigo, de acordo com Cogo.

A princípio, o Brasil pode ser beneficiado como principal parceiro no comércio com o país asiático, porém enfrentará desafios de concorrência com a Argentina. João Birkhan, CEO do Sim Consult, avalia que a situação deve promover, pelo menos a curto prazo, um rearranjo do mercado global de soja e milho, que pode beneficiar o produtor brasileiro. Ele destaca que os chineses terão que originar os grãos de outros países. E a primeira opção tende a ser o Brasil.

“A China não pode deixar de consumir milho e soja. Se deixar de comprar dos Estados Unidos, vai comprar da Argentina, do Paraguai, mas, principalmente, do Brasil. E o produtor brasileiro pode sair ganhando”, diz Birkhan, recomendando que o produtor faça uma programação das suas vendas de acordo com as condições do mercado.

Na visão do consultor, um movimento possível é o Brasil reduzir os embarques para outros destinos, priorizando a demanda chinesa. No entanto, é preciso que as variáveis de formação de preço proporcionem uma situação remuneradora para os produtores e exportadores.

Além das cotações na bolsa de Chicago, principais referências de preço internacional de grãos como soja e milho, o mercado leva em consideração o prêmio (chamado pelos americanos de basis), associado, geralmente, à oferta e demanda regional e às condições de logística. E como o preço é dolarizado, a taxa de câmbio também é fundamental para o resultado de quem vende o produto.

“Os Estados Unidos têm um custo logístico menor, portos mais eficientes. Mas uma situação dessas inverte a condição. Podemos até não ganhar com isso, mas, provavelmente, não vamos perder”, avalia.

De acordo com os levantamentos do Sim Consult, esses diferenciais estão positivos de US$ 0,30 a US$ 0,37 por bushel, a depender do prazo de entrega. Segundo Birkhan, os valores ainda não são “nada extraordinários” e tendem a sofrer variações à medida que os negócios com soja brasileira sejam retomadas depois do Carnaval.

“O dólar, neste momento, não tem papel tão relevante quanto o basis. Porque o consumidor terá que buscar outras origens. E deve se ajustar a partir de hoje”, diz Birkhan. “O produtor tem que pensar em dólar. Fixa o dólar, vende quando o preço em dólar estiver em alta e faz a troca por reais em momentos de alta da moeda”, recomenda.

Na avaliação do consultor, o principal fator de risco para o mercado global de grãos, com efeitos negativos mais relevantes sobre o Brasil, é a possibilidade de a China aplicar embargos contra operações de tradings americanas. O consultor lembra que várias dessas empresas são multinacionais.

“Se as empresas americanas que operam no Brasil forem embargadas, vai criar um transtorno, porque, se não puder escoar a produção, cria um problema também de logística. E é preciso saber se eventuais sanções valeriam só para compras futuras ou para os contratos já fechados”, questiona.

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa a indústria de frango e suínos, a guerra tarifária abre espaço para os exportadores brasileiros. Mas o presidente da entidade, Ricardo Santin, não deixa de lado a cautela. Lembra que no primeiro governo Trump o republicano acabou fazendo um acordo com a China que permitiu a normalização do comércio entre os países.

“Há oportunidade de aumento de volume de exportação, porque os importadores chineses já têm canais estabelecidos com o Brasil”, afirmou Santin. Mas o principal efeito das medidas chinesas, disse, deve ser a valorização dos preços na exportação pelas empresas brasileiras, já que as tarifas vão encarecer as carnes suína e de frango produzida nos EUA.

Hoje, a China compra mais de 150 mil toneladas de carne de frango e cerca de 200 mil toneladas de carne suína dos Estados Unidos. “A China é o segundo mercado para a carne suína brasileira, atrás das Filipinas. Se houver uma valorização, podemos redirecionar para o mercado chinês o que seria destinado às Filipinas”, exemplificou Santin.

O Brasil exportou 500 mil toneladas de carne suína à China no ano passado e cerca de 350 mil toneladas de carne de frango.

O presidente da ABPA observou ainda que outros países fornecedores podem ser favorecidos. “Países da Europa e o Canadá também são alternativas de fornecimento de carne suína à China”, diz. No caso do frango, países europeus também seriam opção de fornecimento.

Outro efeito , segundo Santin, é que os exportadores americanos podem direcionar seus produtos a outros mercados para fugir da taxação chinesa. Isso pode significar maior concorrência para as carnes suína e de frango brasileira no exterior.

Embora veja benefícios no curto prazo, Marcos Jank, do Insper, também adota uma postura cautelosa sobre as consequências dessa nova guerra comercial. “Pode gerar um benefício momentâneo para o Brasil. Não vai ser da mesma magnitude que 2017 porque a gente já cresceu muito em exportações de grãos para a China desde então. Mesmo no caso da carne bovina, os EUA já estão com problemas, até importando produto do Brasil”, observa.

Ele recomenda não cantar vitória antes do tempo. “Nos anos 1930 o mundo teve uma guerra comercial que durou anos e foi causadora da Segunda Grande Guerra. Acho que ninguém vai querer uma guerra nuclear agora”, diz.

Brasil na mira?

Em um relatório, Welber Barral apontou como risco aos exportadores brasileiros a decisão do governo dos Estados Unidos de abrir uma investigação para determinar se as importações de madeira, madeira serrada e seus derivados (como móveis e papel) representam uma ameaça à sua segurança nacional. A investigação será concluída em até 270 dias, com um relatório que será entregue ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Barral considera que, após a investigação, há risco do país impor tarifas mais altas sobre a madeira brasileira e seus derivados, como móveis. “Isso pode dificultar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos EUA, um dos principais destinos de exportação para a indústria de móveis e madeira”, avalia.

Ele salienta que a imposição de tarifas ou cotas pode exigir dos exportadores brasileiros abrir novos mercados ou ajustar a estratégia de preço. “As empresas brasileiras devem se preparar para um cenário potencialmente mais complexo e buscar alternativas para garantir a continuidade das exportações e minimizar os impactos das políticas protecionistas”, pondera.

FONTE: Globo Rural
Como a guerra comercial China x EUA pode afetar o agronegócio brasileiro

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