Tecnologia

França e Alemanha flexibilizam metas para carros elétricos e reforçam indústria automotiva europeia

A França e a Alemanha fecharam um acordo para flexibilizar as regras de emissões de veículos e fortalecer a produção automotiva na Europa. A iniciativa reduz a pressão pela substituição completa dos motores a combustão por modelos elétricos até 2035 e estabelece novas exigências para valorizar componentes fabricados no continente.

O entendimento representa uma concessão às reivindicações da indústria automobilística alemã, que busca preservar sua capacidade produtiva e competitividade. Por outro lado, a flexibilização das metas ambientais provocou críticas de organizações que defendem uma transição mais acelerada para a mobilidade elétrica.

Acordo reduz exigências para veículos a combustão até 2035

Pelo compromisso firmado entre os dois países, as montadoras deverão cortar em 90% as emissões de dióxido de carbono (CO₂) de seus veículos até 2035. Os 10% restantes não precisarão ser compensados nos termos inicialmente propostos pela Comissão Europeia.

A flexibilização considera a utilização crescente de combustíveis classificados como renováveis, incluindo os biocombustíveis, como alternativa para reduzir as emissões do setor automotivo.

A Alemanha defendia mudanças nas regras para proteger sua indústria automobilística, um dos pilares de sua economia. A França, por sua vez, aceitou maior margem para a continuidade dos motores a combustão, em uma negociação que busca conciliar metas ambientais e interesses industriais.

Na prática, o acordo enfraquece a perspectiva de uma substituição integral dos veículos convencionais por modelos elétricos novos a partir de 2035, embora mantenha a exigência de uma redução expressiva das emissões.

Regra de preferência europeia fortalece produção local

Em contrapartida à flexibilização ambiental, a Alemanha concordou com critérios mais rigorosos para a chamada preferência europeia, mecanismo que condiciona o acesso a determinados recursos públicos à utilização de componentes produzidos na Europa ou em países parceiros autorizados.

Segundo informações da Presidência francesa, 70% dos componentes dos veículos e 10% do conteúdo das baterias deverão atender aos critérios de origem estabelecidos pela iniciativa.

A proposta integra a estratégia de valorização do conceito “Feito na Europa”, que pretende ampliar a participação dos fornecedores regionais na cadeia automotiva e reduzir a dependência de produtos importados.

As regras deverão abranger os 27 países da União Europeia e poderão incluir parceiros próximos, como Reino Unido, Noruega e Suíça, conforme as condições definidas em futuros acordos de associação.

Medida busca conter concorrência de veículos chineses

O reforço das exigências de conteúdo regional também tem como objetivo responder ao avanço dos carros elétricos chineses no mercado europeu.

A chegada de veículos produzidos na China intensificou a disputa por preços, tecnologia e participação de mercado, pressionando as montadoras tradicionais do continente.

Com a preferência europeia, os governos pretendem estimular investimentos locais, preservar empregos industriais e fortalecer a produção de componentes estratégicos, especialmente em um setor que passa por profundas transformações tecnológicas.

A proposta, entretanto, levanta questionamentos sobre os critérios de origem dos componentes e sobre a capacidade das novas regras de garantir que os benefícios econômicos permaneçam efetivamente na Europa.

Fornecedores automotivos apoiam compromisso franco-alemão

A Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (Clepa) recebeu positivamente o acordo entre França e Alemanha e classificou o compromisso como crucial para o setor.

Para a entidade, o entendimento demonstra que as preocupações da indústria foram consideradas nas discussões sobre o futuro da regulamentação automotiva europeia.

A avaliação favorável reflete a importância de criar condições para que fabricantes e fornecedores se adaptem às mudanças tecnológicas sem comprometer a competitividade da cadeia produtiva regional.

Ambientalistas criticam flexibilização das metas climáticas

As concessões à indústria, porém, provocaram reação de organizações ambientalistas, que consideram a flexibilização um retrocesso na política climática europeia.

A ONG Transport & Environment, sediada em Bruxelas, classificou o acordo como um erro histórico e afirmou que a medida enfraquece tanto a ambição climática quanto a indústria automobilística europeia na disputa global por veículos elétricos e baterias.

A entidade também alertou para possíveis brechas nas regras de origem. Segundo a organização, veículos montados na União Europeia, mas equipados com baterias fabricadas na China, poderiam ser considerados produtos “Feitos na Europa”, dependendo dos critérios adotados.

Na avaliação da ONG, essa possibilidade pode comprometer os esforços para desenvolver uma cadeia produtiva europeia de baterias, considerada estratégica para a transição energética e para a competitividade do setor automotivo.

Europa tenta equilibrar competitividade e transição energética

O acordo franco-alemão evidencia o desafio enfrentado pela União Europeia para conciliar a redução das emissões, a preservação de empregos e a competitividade de suas montadoras diante da concorrência internacional.

Enquanto governos e representantes da indústria defendem maior flexibilidade regulatória e incentivos à produção regional, ambientalistas alertam para os riscos de desacelerar a eletrificação do transporte.

O resultado dessa disputa deverá influenciar os próximos passos da política automotiva europeia, especialmente na definição das regras de emissões, dos critérios de conteúdo local e dos investimentos necessários para consolidar a fabricação de veículos elétricos e baterias no continente.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ina FASSBENDER

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Informação

Etanol ganha espaço na transição energética da navegação brasileira

O etanol e outros combustíveis de baixo carbono podem desempenhar um papel estratégico na transição energética do setor de transportes. O potencial dessas alternativas foi destacado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) durante a 4ª edição do Folha Energia: Matriz de Oportunidades, realizada nesta segunda-feira (24), no Recife (PE).

Integração dos transportes é prioridade

Na abertura do evento, a ministra substituta de Portos e Aeroportos, Thairyne Oliveira, ressaltou que a integração entre os diferentes modais está entre as medidas previstas para tornar a infraestrutura brasileira mais eficiente e sustentável.

A diretriz integra o Plano Nacional de Logística 2050, elaborado pelo MPor em parceria com o Ministério dos Transportes, a Casa Civil e o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Segundo Thairyne, o governo também trabalha na criação de políticas públicas voltadas ao uso de combustíveis sustentáveis na aviação, à sustentabilidade nos portos e à expansão das hidrovias, consideradas um dos modais de menor impacto na emissão de gases de efeito estufa.

Etanol chega à navegação internacional

Com uma produção relevante de biocombustíveis e uma matriz energética majoritariamente renovável, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar a utilização de alternativas de baixo carbono no setor de transportes.

Em julho, o Porto de Santos foi palco da primeira operação brasileira de abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol. A iniciativa abriu uma nova frente para o combustível brasileiro, tradicionalmente associado ao transporte terrestre, também no mercado da navegação internacional.

Para Thairyne Oliveira, o próximo passo é criar um ambiente capaz de transformar experiências pioneiras em operações de maior escala. Entre os pontos necessários estão a ampliação da infraestrutura de abastecimento, requisitos de segurança, certificação e maior previsibilidade regulatória.

Pernambuco tem papel estratégico

Pernambuco também se destaca no avanço dessa agenda por reunir uma produção expressiva de cana-de-açúcar e contar com os portos de Suape e do Recife, importantes estruturas para o escoamento da produção.

A discussão prosseguiu durante o painel “Transição energética da navegação: desafios e oportunidades para o etanol brasileiro”, acompanhado pela ministra interina ao longo da programação do evento.

O MPor mantém uma agenda voltada à descarbonização do transporte marítimo e à sustentabilidade, com foco na identificação de oportunidades para ampliar a produção, a distribuição e o uso de combustíveis sustentáveis para a navegação.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Oliveira/MPor

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Importação

Indústria de biodiesel celebra veto à importação e destaca fortalecimento da produção nacional

A decisão do governo federal de impedir a importação de biodiesel destinado à mistura obrigatória com o diesel comercializado no país foi recebida com entusiasmo pelo setor. Para representantes da indústria, a medida demonstra confiança na capacidade da produção nacional e fortalece a cadeia de biocombustíveis.

A resolução foi aprovada nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Com a nova regra, apenas o biodiesel fabricado por usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderá ser utilizado na composição obrigatória do combustível vendido no mercado brasileiro.

Setor vê medida como avanço para a política de biocombustíveis

Na avaliação da AliançaBiodiesel, a decisão representa um passo importante para consolidar a política nacional de biocombustíveis. A entidade afirma que o veto reconhece a capacidade da indústria instalada no país e proporciona maior previsibilidade para toda a cadeia produtiva.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o parque industrial brasileiro opera atualmente com cerca de 40% da capacidade instalada, o que demonstra potencial para ampliar a produção e atender plenamente à demanda interna.

Entidades afirmam que país tem estrutura para suprir o mercado

O presidente da Aprobio e integrante da AliançaBiodiesel, Jerônimo Goergen, afirmou que o Brasil possui infraestrutura, tecnologia e disponibilidade de matéria-prima suficientes para abastecer o mercado nacional sem depender de importações.

Segundo ele, a decisão também contribui para proteger investimentos, incentivar a expansão da produção e reforçar a segurança energética do país. Goergen ressaltou ainda que substituir a produção nacional por combustível importado enfraqueceria uma cadeia produtiva construída ao longo dos últimos anos e reconhecida internacionalmente pela qualidade e sustentabilidade.

Decisão pode estimular investimentos e inovação

Para o presidente da Abiove, André Nassar, também integrante da AliançaBiodiesel, a resolução do CNPE sinaliza que o governo considera a produção brasileira de biodiesel estratégica para a política energética nacional.

De acordo com o executivo, a medida cria um ambiente mais favorável para novos investimentos, expansão da capacidade produtiva e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor. Na avaliação de Nassar, esse cenário fortalece a agroindústria brasileira e amplia o protagonismo do país na transição energética global.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Informação

Gasolina pode ficar mais barata com aumento da mistura de etanol; entenda o que muda

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32% a partir de 1º de agosto. A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um período.

Segundo o governo, a mudança faz parte da estratégia para reduzir a dependência da importação de gasolina e ampliar o uso de biocombustíveis no país.

Preço da gasolina deve cair nas bombas

Especialistas avaliam que a maior participação do etanol na composição da gasolina tende a reduzir o custo do combustível ao consumidor.

De acordo com Maurício Muruci, analista de mercado da Safras & Mercado, o etanol anidro possui custo inferior ao da gasolina, o que contribui para uma redução no preço final. Quanto maior a participação do biocombustível na mistura, menor tende a ser o valor do litro vendido nos postos.

O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que a adoção do chamado E32 poderá reduzir o preço da gasolina em aproximadamente R$ 0,03 por litro.

Mudança busca reduzir importações em cenário de instabilidade

Além do impacto nos preços, a ampliação da mistura tem como objetivo diminuir a necessidade de importação de gasolina, especialmente em um momento de instabilidade no mercado internacional de petróleo.

Segundo Muruci, os conflitos geopolíticos envolvendo o Irã influenciam diretamente a cotação do petróleo, principal referência para a formação dos preços da gasolina. A valorização recente da commodity reforça a importância de medidas que reduzam a exposição do Brasil às oscilações externas.

A expectativa do governo é que a nova composição elimine a necessidade de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Nova mistura não deve afetar os motores dos veículos

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, estudos técnicos realizados antes da aprovação da medida não identificaram impactos relevantes no desempenho dos veículos, incluindo modelos equipados com motores movidos exclusivamente a gasolina.

Os testes avaliaram itens como desempenho, consumo de combustível, dirigibilidade, partida a frio e emissões de poluentes, tanto em laboratório quanto em condições reais de uso.

Muruci também afirma que os ensaios não apontaram riscos para os motores com a adoção da nova proporção de etanol.

Governo já estuda ampliar mistura para 35%

Paralelamente à implantação do E32, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro desenvolve estudos para avaliar a viabilidade de elevar a participação do etanol para 35% na gasolina.

Apesar disso, especialistas afirmam que uma eventual nova alteração dependerá de avaliações técnicas e não deverá ocorrer antes do segundo semestre de 2027.

Segundo Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, a legislação brasileira permite que a gasolina comum contenha até 35% de etanol anidro, o que abre espaço para futuras mudanças, caso os estudos confirmem a viabilidade da medida.

Uso maior de etanol já reduziu gastos com importação

O aumento da mistura de etanol na gasolina vem sendo discutido desde abril deste ano. Em junho, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a ampliação do percentual pode fortalecer a autossuficiência do país no abastecimento de combustíveis e reduzir os impactos das oscilações internacionais sobre os preços.

Dados apresentados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostram que, desde o aumento anterior da mistura — de 27% para 30%, aprovado em junho de 2025 —, o Brasil deixou de gastar cerca de R$ 8 bilhões com importação de gasolina.

Segundo a entidade, apenas desde o início dos conflitos envolvendo o Irã, a diferença de preços entre etanol e gasolina gerou uma economia estimada em R$ 2 bilhões para os consumidores brasileiros.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA sobre o Brasil podem ampliar espaço da China no mercado americano, alertam empresas

Representantes da indústria brasileira defenderam, durante audiências realizadas no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pode gerar um efeito contrário ao esperado: fortalecer a presença da China e de outros concorrentes no mercado norte-americano.

A avaliação foi apresentada por entidades empresariais que participaram do segundo dia de debates sobre a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos importados do Brasil, sob a justificativa de supostas práticas comerciais consideradas desleais.

Setor de máquinas teme perda de mercado para concorrentes asiáticos

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) argumentou que uma eventual sobretaxa reduziria a competitividade das empresas brasileiras e abriria espaço para fornecedores estrangeiros.

Segundo Patrícia Gomes, diretora-executiva de Mercados Externos da entidade, em alguns segmentos a China seria a principal beneficiada, enquanto, em outros casos, países como Índia e Coreia do Sul também poderiam substituir os produtos brasileiros.

A associação destacou ainda que boa parte das máquinas exportadas pelo Brasil possui características específicas, sendo fabricadas sob encomenda e atendendo rigorosos padrões de certificação, o que dificulta uma substituição imediata por outros fornecedores.

Outro argumento apresentado ao USTR foi a falta de capacidade da indústria norte-americana para suprir integralmente a demanda por diversos equipamentos atualmente importados do Brasil.

Comércio entre empresas do mesmo grupo pode ser afetado

A Abimaq informou que cerca de 82% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos em 2024 ocorreram entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, envolvendo companhias brasileiras com operações nos Estados Unidos e empresas norte-americanas instaladas no Brasil.

Na avaliação da entidade, uma nova tarifa prejudicaria investimentos dos dois lados, além de comprometer cadeias produtivas integradas.

A associação também lembrou que os Estados Unidos registram um superávit de aproximadamente US$ 1,2 bilhão na balança comercial bilateral desse segmento.

Indústria calçadista defende diversificação de fornecedores

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ressaltou que o Brasil representa uma alternativa estratégica para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação aos fornecedores asiáticos.

Atualmente, o mercado norte-americano consome mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano, enquanto sua produção doméstica responde por apenas cerca de 1% dessa demanda. A China lidera as exportações para os EUA, com participação próxima de 48%.

Para a entidade, uma tarifa adicional elevaria os custos para importadores, reduziria a diversidade de fornecedores e ampliaria a concentração das compras em mercados já dominantes.

Audiências tiveram caráter técnico

O advogado Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, avaliou que as audiências ocorreram em um ambiente técnico, com foco na apresentação de documentos, estatísticas e esclarecimentos sobre os impactos econômicos das medidas.

Segundo relatos de participantes, embora os argumentos brasileiros tenham sido bem recebidos, a tendência é que o USTR apenas ajuste parte das informações do processo, mantendo a possibilidade de adoção de novas tarifas. A decisão final, no entanto, dependerá do governo do presidente Donald Trump.

Setor cafeeiro pede manutenção da isenção

As entidades que representam a cadeia do café brasileiro solicitaram que o governo norte-americano mantenha a isenção tarifária para o café verde, torrado, moído e estenda o benefício também ao café solúvel.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) destacou que o produto é utilizado em diversos segmentos da indústria alimentícia dos Estados Unidos, como bebidas prontas, panificação, confeitaria e laticínios.

A entidade afirmou ainda que o Brasil responde por cerca de 22% das importações americanas de café solúvel e alertou que uma tarifa de 25% elevaria custos para empresas e consumidores.

Segundo a Abics, Brasil e México concentram quase 60% das importações norte-americanas do produto, sendo que o café mexicano apresenta preços significativamente superiores ao brasileiro.

Mel orgânico também preocupa exportadores

A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) afirmou que o Brasil fornece aproximadamente 75% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos, mercado no qual praticamente não existe produção local.

Atualmente o produto já é tributado em 12,5%. Caso a nova tarifa seja confirmada, a carga total chegaria a 37,5%.

O setor argumentou que a importação do mel brasileiro movimenta toda a cadeia econômica norte-americana e recebeu apoio de empresas dos próprios Estados Unidos durante as audiências.

Arroz e agronegócio destacam impactos econômicos

Representantes da indústria do arroz alertaram que uma eventual sobretaxa afetaria pequenas e médias empresas norte-americanas voltadas ao mercado latino, além de elevar custos logísticos e pressionar os preços ao consumidor.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou dados indicando redução de 56% no desmatamento da Amazônia Legal entre 2011 e 2025, contestando críticas sobre práticas ambientais atribuídas ao agronegócio brasileiro.

Etanol entra na pauta das discussões

No setor de biocombustíveis, o governo dos Estados Unidos sustenta que o Brasil dificulta a entrada do etanol norte-americano por meio de tarifas.

Em resposta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou que a tributação brasileira segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não configura medida discriminatória.

Já a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) atribuiu a perda de participação do etanol dos EUA no mercado brasileiro a fatores como câmbio, custos logísticos e ao crescimento da produção nacional.

Decisão será conhecida nos próximos dias

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos deverá concluir a investigação e anunciar sua decisão até 15 de julho. O resultado poderá definir o futuro das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e influenciar diversos setores da indústria e do agronegócio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Etanol de milho ganha padrão oficial e fortalece exportações brasileiras

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializaram uma portaria conjunta que estabelece, pela primeira vez, critérios nacionais de identidade e qualidade para produtos derivados da biorrefinaria de milho e de outros cereais destinados à alimentação animal.

A medida foi anunciada durante o lançamento do Plano Safra e regulamenta o DDG (grãos secos de destilaria), principal coproduto obtido na fabricação do etanol de milho.

Medida amplia segurança jurídica e incentiva exportações

A nova regulamentação atende a uma antiga demanda da cadeia de biocombustíveis e cria um marco regulatório para o setor.

Com a definição de padrões oficiais de qualidade, a expectativa é ampliar a segurança jurídica para indústrias e produtores, fortalecer a credibilidade dos produtos brasileiros no mercado internacional e facilitar a abertura de novos mercados para exportação.

Além de aumentar a competitividade da cadeia produtiva, a padronização contribui para consolidar o Brasil como fornecedor de derivados do milho com qualidade reconhecida.

Grupo de trabalho avaliará impactos do El Niño no campo

Durante o mesmo evento, o Ministério da Agricultura também anunciou a criação de um grupo de trabalho voltado ao monitoramento dos efeitos do El Niño sobre a produção agropecuária.

O comitê será formado por representantes do Mapa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa, com a missão de analisar os impactos climáticos provocados pelo fenômeno e desenvolver estratégias de adaptação para reduzir riscos à produção rural.

A iniciativa busca fortalecer o planejamento do setor agropecuário diante de eventos climáticos extremos e ampliar a capacidade de resposta dos produtores.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Sustentabilidade

Petrobras investirá R$ 6 bilhões em polo de biocombustíveis na Refinaria de Cubatão

A Petrobras aprovou um investimento de US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, para implantar sua primeira unidade dedicada exclusivamente à produção de combustíveis renováveis. O projeto, denominado RPBC Biorrefino, será instalado na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP).

A iniciativa representa um dos principais investimentos da estatal na expansão da produção de biocombustíveis, com foco no atendimento da crescente demanda por combustíveis de menor emissão de carbono.

Unidade terá capacidade para produzir 15 mil barris por dia

A nova planta industrial será voltada à fabricação de bioquerosene de aviação (BioQAV) e diesel renovável, com capacidade para produzir até 15 mil barris diários.

Segundo o cronograma da companhia, a operação comercial está prevista para começar em 2030. Antes disso, a Petrobras deverá concluir a fase final de contratação dos fornecedores e assinatura dos contratos, enquanto o início das obras está previsto para ocorrer até o final de 2026.

Projeto faz parte do plano estratégico da Petrobras

Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que o empreendimento integra o Plano de Negócios 2026-2030 e foi incluído na carteira de projetos em implantação após avaliação das condições financeiras da companhia.

A Petrobras destaca que o investimento reforça sua estratégia de ampliar a participação no mercado de combustíveis de baixo carbono e contribuir para a transição energética no Brasil.

Produção atenderá novas exigências ambientais da aviação

A implantação da unidade também acompanha as mudanças regulatórias previstas para o setor aéreo.

Entre elas está o Corsia (Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional), programa coordenado pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que tornará obrigatória, a partir de 2027, a compensação das emissões de carbono em voos internacionais que envolvam o Brasil.

Nesse cenário, o BioQAV desponta como uma das principais alternativas para reduzir a pegada de carbono da aviação e cumprir as metas ambientais estabelecidas globalmente.

Lei do Combustível do Futuro impulsiona mercado de biocombustíveis

O projeto também está alinhado à Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para ampliar o uso de combustíveis renováveis e incentivar a mobilidade de baixo carbono no país.

A legislação criou o ProBioQAV, programa que determina a redução gradual das emissões de gases de efeito estufa pelas companhias aéreas. A exigência começa em 2027, com meta inicial de 1%, e será ampliada progressivamente até alcançar 10% em 2037.

Além disso, a norma estabelece objetivos para ampliar a participação do diesel verde e das misturas de biodiesel na matriz energética nacional.

Com o novo investimento, a Petrobras fortalece sua atuação no segmento de biocombustíveis, ampliando a capacidade de produção de combustíveis sustentáveis e acompanhando a transformação do mercado energético brasileiro.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Teixeira/Agência Brasil

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Internacional

Brasil e Países Baixos firmam plano para ampliar cooperação em transição energética e bioeconomia

O Brasil e os Países Baixos deram mais um passo na construção de parcerias voltadas ao desenvolvimento sustentável. O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério de Assuntos Econômicos e Política Climática dos Países Baixos assinaram o Plano de Trabalho Brasil–Países Baixos 2026-2028, documento que estabelece as prioridades da cooperação bilateral em áreas ligadas à transição energética e à bioeconomia.

O acordo foi formalizado durante reunião realizada em 15 de junho e marca a primeira ação prática decorrente do Memorando de Entendimento firmado entre os dois países durante a COP30, realizada em 2025.

Parceria prevê intercâmbio de conhecimento e inovação

Representando o governo brasileiro, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, participou das discussões que definiram as iniciativas conjuntas para os próximos três anos.

A proposta inclui a realização de encontros técnicos, missões institucionais e intercâmbio de conhecimento entre governos, universidades, centros de pesquisa e empresas dos dois países. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à economia de baixo carbono e à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Temas estratégicos estão entre as prioridades

A agenda de cooperação contempla áreas consideradas essenciais para o avanço da sustentabilidade energética. Entre os temas prioritários estão o combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio de baixo carbono, bioenergia, biorrefinarias, captura e armazenamento de carbono (CCS), além de biocombustíveis e recursos biológicos sustentáveis.

As ações serão desenvolvidas em parceria com instituições brasileiras e holandesas, fortalecendo iniciativas ligadas à descarbonização da economia e à expansão de modelos produtivos mais sustentáveis.

Missões internacionais e projetos de pesquisa fazem parte do plano

Entre as atividades previstas para o período de 2026 a 2028 estão a participação conjunta em missões internacionais voltadas ao desenvolvimento de biorrefinarias integradas, a realização de mesas-redondas anuais com especialistas do setor público e privado e o incentivo a projetos de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

A expectativa é ampliar a troca de experiências e estimular soluções capazes de fortalecer as cadeias produtivas associadas aos combustíveis renováveis e à transição energética global.

Cooperação fortalece oportunidades de investimento

Além do intercâmbio tecnológico, o plano busca criar um ambiente favorável para novos investimentos em setores estratégicos da economia sustentável. A iniciativa reforça a convergência entre Brasil e Países Baixos na promoção da inovação, do uso eficiente dos recursos naturais e da expansão da bioeconomia.

A parceria também abre caminho para o fortalecimento de projetos voltados à economia circular e ao desenvolvimento de tecnologias que contribuam para a neutralidade de carbono.

Relação bilateral já soma mais de 20 anos

A cooperação entre Brasil e Países Baixos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação não é recente. Há mais de duas décadas, os dois países mantêm iniciativas conjuntas por meio de acordos institucionais, missões técnicas e projetos colaborativos.

Com o novo plano de trabalho, a expectativa é ampliar ainda mais essa relação estratégica, consolidando oportunidades de inovação, desenvolvimento sustentável e crescimento econômico baseado em energias limpas.

FONTE: Ministério de Minas e Energia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MME

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Sustentabilidade

Etanol de milho brasileiro pode ser 80% mais limpo que combustível marítimo, aponta OMI

O etanol de milho brasileiro ganhou destaque no cenário internacional após a Organização Marítima Internacional (OMI) definir oficialmente sua pegada de carbono. A classificação coloca o biocombustível como uma das alternativas mais promissoras para a descarbonização do transporte marítimo global.

Segundo a entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o combustível produzido a partir do milho de segunda safra no Brasil apresenta intensidade de carbono de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, índice significativamente inferior ao dos combustíveis atualmente utilizados pelos navios.

Combustível marítimo tem emissão muito superior

Os dados da OMI mostram que a intensidade média de gases de efeito estufa dos combustíveis usados hoje no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule. Isso significa que o etanol de milho produzido no Brasil pode ser cerca de 80% menos poluente em comparação aos combustíveis convencionais do setor.

Para especialistas da indústria, a definição desse parâmetro representa um avanço importante para a regulamentação internacional dos chamados combustíveis de baixa emissão de carbono.

De acordo com Gustavo Mariano, vice-presidente de comercialização da Inpasa, a decisão fortalece a posição do etanol brasileiro como alternativa viável para reduzir as emissões no transporte marítimo.

“O reconhecimento da OMI representa um marco importante para o setor e reforça o potencial do etanol de milho produzido no Brasil e na América do Sul na transição para uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

Produção de etanol de milho cresce rapidamente no Brasil

Embora o mercado brasileiro de etanol tenha sido historicamente dominado pela cana-de-açúcar, o segmento de etanol de milho registrou forte expansão nos últimos anos.

Dados da associação UNEM indicam que a produção do biocombustível deve alcançar quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26. No início da década, esse volume era de aproximadamente 2,65 bilhões de litros, demonstrando o crescimento acelerado do setor.

A evolução da produção acompanha o aumento dos investimentos em tecnologia, eficiência industrial e projetos voltados à redução das emissões de carbono.

Setor aposta em combustível ainda mais sustentável

Empresas do segmento já trabalham em iniciativas para diminuir ainda mais a pegada ambiental do produto. Rafael Abud, diretor-executivo da Fueling Sustainability (FS), destaca que a companhia tem investido em diversas soluções para ampliar a sustentabilidade do combustível.

Entre as medidas adotadas estão a redução das emissões provenientes do uso de biomassa, melhorias nos processos industriais e projetos de bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Segundo o executivo, essas iniciativas poderão tornar o etanol produzido pela empresa um combustível com pegada de carbono negativa no futuro.

Mercado marítimo abre novas oportunidades para os biocombustíveis

Representantes do setor acreditam que a eventual aprovação dos biocombustíveis para uso em larga escala no transporte marítimo poderá gerar novas oportunidades de negócios e agregar valor aos combustíveis de menor impacto ambiental.

Além disso, o tamanho do mercado global de combustíveis marítimos indica que haverá espaço para diferentes alternativas renováveis, incluindo o etanol de milho, o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel.

Segundo Gustavo Mariano, se todo o mercado mundial de combustível bunker fosse convertido para seu equivalente em etanol, a demanda poderia chegar a quase 400 bilhões de litros.

Para o executivo, o volume necessário para abastecer a navegação internacional é tão expressivo que exigirá a participação conjunta de diversas fontes sustentáveis de energia renovável.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

Biocombustíveis devem transformar a logística brasileira nos próximos anos, avalia VLI

O avanço dos biocombustíveis tende a redesenhar o cenário da logística brasileira, criando novas demandas de transporte e impulsionando investimentos em infraestrutura. A avaliação é da VLI, que aponta a expansão dos combustíveis renováveis como um dos principais fatores de mudança na movimentação de cargas no país.

A análise faz parte do Relatório de Sustentabilidade 2025 da companhia, divulgado nesta segunda-feira (15), que destaca a evolução da matriz produtiva nacional e o surgimento de novos corredores logísticos voltados a produtos de maior valor agregado.

Crescimento dos combustíveis renováveis impulsiona investimentos

Segundo a empresa, as transformações já influenciam o planejamento estratégico e os projetos de expansão da companhia, especialmente no Corredor Norte, considerado uma das principais apostas para o crescimento das operações nos próximos anos.

A VLI avalia que o fortalecimento do mercado de combustíveis renováveis, aliado à criação de novos fluxos internos de cargas, exigirá uma estrutura logística mais eficiente e integrada para atender à crescente demanda.

Novo terminal em Tocantins amplia capacidade de transporte

Entre os projetos destacados no relatório está a construção de um novo terminal de combustíveis em Palmeirante, no Tocantins, desenvolvido em parceria com a Ultracargo.

Instalada ao lado do Terminal Integrador de Palmeirante (TIPA), a estrutura contará com um desvio ferroviário exclusivo e instalações voltadas ao abastecimento dos mercados do Tocantins e do nordeste de Mato Grosso.

De acordo com a companhia, o empreendimento possui potencial para movimentar aproximadamente 1 milhão de toneladas por ano, fortalecendo a integração entre os modais de transporte da região.

Expansão em Marabá elimina gargalos operacionais

Outro investimento citado pela empresa é a ampliação da capacidade logística em Marabá, no Pará, realizada em conjunto com a Ipiranga e a operadora da base local.

A iniciativa permitirá eliminar limitações de armazenagem e abrir espaço para um crescimento estimado em cerca de 300 mil toneladas anuais na movimentação de produtos.

Corredor Norte ganha protagonismo na matriz logística

Tradicionalmente ligado ao escoamento da produção agrícola, o Corredor Norte vem ampliando sua atuação para diferentes segmentos da economia.

A rota conecta regiões produtoras do Matopiba, Mato Grosso, Goiás e Pará ao Terminal Portuário São Luís, no Maranhão, e atualmente também atende operações relacionadas a fertilizantes, combustíveis, celulose e minerais.

Segundo o CEO da VLI, Fábio Marchiori, a companhia se prepara para uma nova configuração da demanda logística nacional, impulsionada pelas mudanças na matriz de cargas e pela expansão dos biocombustíveis.

Palmeirante se consolida como hub logístico estratégico

O relatório também destaca a evolução do complexo logístico de Palmeirante, que movimentou 530 mil toneladas em 2025.

Com capacidade instalada de 1,5 milhão de toneladas, o terminal vem se consolidando como um importante hub logístico do Arco Norte, integrando operações de cargas agrícolas, fertilizantes e combustíveis em uma mesma plataforma multimodal.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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