Economia

Economia brasileira cresce 0,5% em agosto após dois meses de queda, aponta FGV

Após registrar retração por dois meses consecutivos, a economia brasileira voltou a crescer em agosto. A atividade econômica avançou 0,5% em relação a julho, segundo estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, a expansão acumulada em 12 meses chegou a 1,8%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19), por meio do Monitor do PIB, levantamento mensal produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à FGV.

O estudo acompanha o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa o valor total dos bens e serviços produzidos no país. Para isso, considera informações de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária.

Por funcionar como uma antecipação do resultado oficial, o Monitor do PIB é utilizado como um dos principais indicadores para acompanhar os rumos da atividade econômica nacional.

Atividade econômica volta a crescer em agosto

A estimativa da FGV mostra uma recuperação após as quedas registradas em junho e julho. Confira a variação mensal da economia brasileira ao longo do ano:

  • Agosto: alta de 0,5%
  • Julho: queda de 0,3%
  • Junho: queda de 0,9%
  • Maio: alta de 0,6%
  • Abril: alta de 0,3%
  • Março: alta de 0,1%
  • Fevereiro: alta de 0,5%
  • Janeiro: alta de 0,6%

Na comparação com agosto do ano anterior, a atividade econômica apresentou crescimento de 1,5%. Já o trimestre encerrado em agosto registrou expansão de 1,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Indústria extrativa e serviços impulsionam a economia

De acordo com a FGV, o avanço observado em agosto foi favorecido principalmente pela indústria extrativa e pela continuidade do crescimento do setor de serviços.

O economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre, explica que, sob a perspectiva da oferta, esses segmentos contribuíram para o resultado positivo.

Pelo lado da demanda, o desempenho também recebeu influência favorável das exportações e dos gastos do governo, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento do consumo das famílias.

Considera destaca que a economia brasileira demonstra capacidade de recuperação mesmo diante de um cenário de inflação persistente e de política monetária restritiva, caracterizada pela manutenção de juros elevados.

No trimestre encerrado em agosto, o consumo das famílias cresceu 0,4%, impulsionado principalmente pela contribuição dos bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e outros produtos de maior vida útil.

Em valores correntes, a estimativa da FGV indica que o PIB brasileiro acumulado até agosto alcançou R$ 9,020 trilhões.

Projeções para o crescimento do PIB em 2026

Outros indicadores e instituições também divulgaram estimativas sobre o desempenho da economia brasileira. Na sexta-feira (16), o Banco Central apresentou o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que apontou crescimento de 0,3% entre julho e agosto e expansão de 1,6% no acumulado de 12 meses.

Já o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, reúne as expectativas de instituições do mercado financeiro e projeta crescimento de 1,83% para o PIB em 2026.

O Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, publicado em setembro, prevê uma expansão de 2% para a economia brasileira neste ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, estima que o Brasil crescerá 2,2% em 2026. A instituição também projeta que o país deverá recuperar, em 2027, a posição de oitava maior economia do mundo.

As projeções apresentam diferenças em razão das metodologias e das avaliações econômicas adotadas por cada instituição, mas apontam para a continuidade do crescimento econômico brasileiro ao longo do ano.

Quando será divulgado o resultado oficial do PIB?

O cálculo oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A próxima publicação está prevista para 2 de dezembro e apresentará os dados referentes ao terceiro trimestre do ano.

No resultado mais recente, divulgado no início de setembro, o IBGE informou que a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, enquanto a expansão acumulada em 12 meses ficou em 1,9%.

A divulgação dos próximos resultados permitirá avaliar se a recuperação observada em agosto terá continuidade e como os diferentes setores contribuirão para o desempenho da economia brasileira nos meses seguintes.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Economia

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e reduz estimativas para Selic e dólar, aponta Focus

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2026, enquanto reduziu as estimativas para a taxa Selic e a cotação do dólar no mesmo período. Os dados constam no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,01% para 5,22%, registrando a quarta alta semanal consecutiva. O resultado está 0,72 ponto percentual acima do teto de 4,50% considerado na comparação com o centro da meta de inflação, fixado em 3%, e seu limite superior.

Além das perspectivas para os preços, o levantamento apresenta mudanças nas expectativas para os juros, o câmbio e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Inflação de 2026 chega a 5,22% nas projeções do mercado

A estimativa para o IPCA de 2026 avançou de 5,01% para 5,22%. Entre as 54 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores à coleta, a mediana subiu de 5,07% para 5,19%.

Para 2027, a previsão geral permaneceu em 4,30%, embora tenha recuado para 4,26% quando consideradas apenas as 54 estimativas mais recentes.

Nas projeções de prazo mais longo, a expectativa para a inflação de 2028 passou de 3,80% para 3,79%. Para 2029, houve leve redução, de 3,51% para 3,50%.

O Banco Central, por sua vez, projetava inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027, conforme o comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o primeiro trimestre de 2028, o órgão estimava inflação acumulada de 3,2% em 12 meses, dentro do horizonte relevante para a condução da política monetária.

Como funciona a meta de inflação

Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, calculada com base na variação acumulada do IPCA em 12 meses.

O objetivo central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo de referência vai de 1,5% a 4,5%.

Caso a inflação permaneça fora desses limites por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu a meta.

Mercado reduz projeção para a taxa Selic em 2026

A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, interrompendo duas semanas de estabilidade. Entre as 48 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana também ficou em 13,25%.

Para o encerramento de 2027, a projeção geral permaneceu em 12% pela 17ª semana consecutiva. No recorte das 47 estimativas mais recentes, entretanto, a expectativa recuou de 12% para 11,75%.

As previsões para os anos seguintes continuaram praticamente estáveis. A Selic esperada para o fim de 2028 permaneceu em 10,50% pela 15ª semana seguida, enquanto a estimativa para 2029 ficou em 10% pela 23ª semana consecutiva.

Copom mantém atenção aos riscos inflacionários

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, conforme o histórico apresentado no levantamento. A decisão representou o quinto corte consecutivo naquele ciclo de flexibilização monetária.

Desde março, quando iniciou o chamado ciclo de calibração, a Selic havia acumulado redução de 1,25 ponto percentual. A condução da política monetária ocorre em meio às incertezas sobre os efeitos da guerra envolvendo o Irã nas cadeias globais de abastecimento, nos preços das commodities e na inflação.

Na ata da reunião, o Copom destacou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas, do desancoramento das expectativas inflacionárias e dos riscos associados ao cenário econômico.

O comitê também afirmou que continuaria avaliando os novos dados para manter as condições monetárias necessárias à convergência da inflação para a meta.

Dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,15

As expectativas para o dólar em 2026 também recuaram. A mediana do Focus passou de R$ 5,20 para R$ 5,15, após permanecer estável durante 16 semanas.

Considerando apenas as 40 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a estimativa caiu de R$ 5,20 para R$ 5,05.

Para o fim de 2027, a previsão recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Já a estimativa para 2028 continuou em R$ 5,30 pela 12ª semana consecutiva.

Em relação a 2029, a mediana diminuiu de R$ 5,33 para R$ 5,30. Um mês antes, a projeção estava em R$ 5,36.

O relatório Focus utiliza a média esperada para a cotação do dólar em dezembro de cada ano como referência para suas projeções anuais. O método é diferente daquele adotado até 2020, quando a estimativa considerava a taxa prevista para o último dia útil do ano.

Projeção de crescimento do PIB permanece em 1,85% para 2026

A expectativa do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,85%. Um mês antes, a mediana estava em 1,89%.

Entre as 35 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a projeção recuou de 1,83% para 1,81%.

O resultado está próximo da estimativa do Banco Central, que previa expansão de 1,8% para a economia brasileira, segundo o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.

Para 2027, a expectativa geral de crescimento do PIB continuou em 1,40%. No grupo das 35 projeções mais recentes, porém, a mediana caiu para 1,35%, ante 1,40%.

Expectativas para o PIB até 2029

As estimativas para os anos seguintes apresentaram pequenas alterações. A previsão de crescimento do PIB em 2028 subiu de 1,81% para 1,83%, mas permaneceu abaixo dos 1,87% projetados um mês antes.

Para 2029, a expectativa ficou em 2% pela 82ª semana consecutiva.

Os números indicam que, enquanto as projeções de inflação para 2026 continuam em trajetória de alta, as estimativas para juros e câmbio recuam. Para o crescimento econômico, o mercado mantém perspectivas de expansão moderada nos próximos anos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Economia

Ibovespa sobe 0,94% com alta da Petrobras e petróleo acima de US$ 104; dólar fecha a R$ 5,02

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta, impulsionado principalmente pela valorização das ações da Petrobras em meio à disparada dos preços internacionais do petróleo. Ao mesmo tempo, investidores acompanharam as pesquisas eleitorais e seus possíveis reflexos sobre o mercado financeiro brasileiro.

O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,94%, aos 206.220,24 pontos. Durante o pregão, oscilou entre a mínima de 203.984,57 pontos e a máxima de 207.953,74 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão chegou a R$ 60,2 bilhões.

No mercado cambial, o dólar à vista registrou leve valorização de 0,17%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0240. Apesar da alta diária, a moeda norte-americana passou a acumular queda de 8,47% no ano.

Petróleo dispara e impulsiona ações da Petrobras

O avanço das cotações internacionais do petróleo foi um dos principais fatores por trás da alta da Bolsa brasileira. Os contratos futuros do Brent, referência internacional da commodity, subiram 4,1%, fechando a US$ 104,28 por barril.

A valorização ocorreu em meio à retomada das preocupações com a guerra no Oriente Médio e aos riscos de interrupções no abastecimento provocados pela aproximação de um furacão à costa do Golfo dos Estados Unidos.

Nesse cenário, as ações da Petrobras ganharam força e ajudaram o Ibovespa a apresentar desempenho diferente do observado em Nova York. O índice S&P 500, por exemplo, terminou o dia com queda de 0,45%.

A alta do petróleo também favoreceu outras companhias do setor de energia, que acompanharam o movimento positivo da commodity no exterior.

Petrobras, PRIO e PetroReconcavo fecham em alta

Entre os principais destaques do pregão, as ações da Petrobras registraram ganhos expressivos. Os papéis preferenciais (PETR4) subiram 2,12%, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 3,13%.

Outras empresas do setor de petróleo também encerraram a sessão no campo positivo:

  • PetroReconcavo (RECV3): alta de 3,42%.
  • PRIO (PRIO3): valorização de 1,82%.

A combinação entre petróleo mais caro e expectativas relacionadas ao cenário político brasileiro contribuiu para sustentar o interesse dos investidores pelos papéis da estatal.

Pesquisa eleitoral mantém investidores atentos

O cenário político continuou no centro das atenções do mercado financeiro. Pesquisa PoderData/Aya divulgada pela manhã apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos em uma simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro informada foi de 1,8 ponto percentual.

Os investidores também aguardavam a divulgação de uma pesquisa do Datafolha sobre a disputa presidencial, prevista para o início da noite.

Parte dos agentes financeiros associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à possibilidade de mudanças na condução da política fiscal. Essa avaliação tem influenciado as expectativas sobre juros, câmbio e investimentos em ações, embora propostas concretas de ajuste das contas públicas ainda sejam uma questão em aberto.

O chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, avaliou que o resultado da pesquisa PoderData/Aya reforçou expectativas já presentes no mercado e contribuiu para manter o interesse pela Petrobras.

Dólar fecha em leve alta após oscilar durante o pregão

O dólar comercial apresentou variações moderadas ao longo da sessão, acompanhando as expectativas políticas e o comportamento das moedas internacionais.

A moeda norte-americana chegou a R$ 5,0282 na máxima do dia, com alta de 0,25%, e recuou até R$ 5,0011 na mínima, quando perdia 0,29%. No encerramento, avançou 0,17%, para R$ 5,0240.

O contrato futuro de dólar com vencimento em novembro, o mais negociado na B3, registrava alta de 0,01%, a R$ 5,0440, às 17h21.

No exterior, o comportamento da divisa foi misto. O dólar perdeu força diante de algumas moedas de países exportadores de commodities, como o peso chileno e o rand sul-africano, mas avançou frente a diversas outras moedas durante a tarde.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos em relação a uma cesta de seis divisas, recuava 0,18%, aos 102,070 pontos, às 17h17.

Debate sobre contas públicas influencia o câmbio

As expectativas sobre a política fiscal brasileira também contribuíram para orientar as negociações no mercado de câmbio.

Parte dos investidores considera que uma eventual mudança de governo poderia aumentar as chances de controle das despesas públicas. Na avaliação desses agentes, uma trajetória fiscal mais equilibrada poderia abrir espaço para juros menores no futuro.

Essa perspectiva contribuiu para a redução dos prêmios na curva de juros futuros nos últimos dias e para a desvalorização recente do dólar em relação ao real. Após o primeiro turno, a moeda norte-americana acumulava queda de 3,70%.

O debate ganhou força após a publicação de informações de que a equipe de Flávio Bolsonaro estudava mudanças nos critérios de reajuste das aposentadorias e na correção de despesas obrigatórias com saúde e educação.

Em entrevista à imprensa, o senador afirmou que pretende reajustar as aposentadorias acima da inflação e negou planos para alterar as regras atuais de correção dos benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as expectativas atribuídas ao candidato. Em entrevista à CNN Brasil, afirmou que as propostas representariam uma “ilusão” para o mercado por não considerarem adequadamente os efeitos sobre a atividade econômica e o emprego.

Banco Central realiza operação de swap cambial

No mercado doméstico, o Banco Central realizou, no fim da manhã, a venda de 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento previsto para 3 de novembro.

A operação faz parte dos instrumentos utilizados pela autoridade monetária para administrar a exposição cambial e dar continuidade aos contratos que estão próximos do vencimento.

O pregão terminou, assim, com a Bolsa brasileira favorecida pela valorização do petróleo e das ações da Petrobras, enquanto o dólar registrou uma pequena alta em meio à expectativa por novos sinais sobre a disputa presidencial e a condução da política econômica.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Novas regras cambiais podem reduzir custos e ampliar uso do renminbi entre Brasil e China

As novas regras para contas em moeda estrangeira no Brasil, que entram em vigor hoje, 1º de outubro, podem diminuir custos operacionais, ampliar a autonomia financeira das empresas e estimular o uso do renminbi (RMB) nas operações comerciais entre Brasil e China.

A avaliação foi apresentada por representantes dos setores financeiro, empresarial e jurídico durante webinar realizado nesta terça-feira pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em parceria com o ICBC Brasil, braço brasileiro do Industrial and Commercial Bank of China.

Nova regulamentação amplia possibilidades para empresas

A Resolução nº 575 do Banco Central ampliou o grupo de empresas autorizadas a manter contas em moeda estrangeira no país. Entre as categorias contempladas estão exportadores, companhias com dívidas no exterior e empresas que possuem capital estrangeiro.

Para o presidente do ICBC Brasil, Liu Hongbo, a mudança pode gerar três efeitos principais: redução dos custos de conversão de moedas, maior capacidade de administrar o risco cambial e mais eficiência na gestão dos recursos financeiros.

Segundo o executivo, a medida também pode favorecer o uso das moedas dos dois países nas operações comerciais.

Um exportador brasileiro, por exemplo, poderá receber pagamentos em renminbi e utilizar diretamente esses recursos para quitar compras realizadas de fornecedores chineses.

“Acredito que o uso de ambas as moedas em transações crescerá consideravelmente”, disse Liu.

Empresas podem reduzir conversões entre real, dólar e RMB

O diretor financeiro da Timbro, Danilo Moura, destacou que a possibilidade de manter recursos em moeda estrangeira pode representar economia para companhias que realizam operações frequentes entre Brasil e China.

Atualmente, determinadas transações podem envolver conversões entre real, dólar e renminbi, aumentando os custos financeiros. Com a nova estrutura, empresas que tenham receitas e despesas na mesma moeda estrangeira poderão fazer uma compensação mais direta.

Na avaliação de Moura, isso ajuda a reduzir o spread cambial e a exposição às oscilações das moedas.

O executivo também apontou que a nova regulamentação pode trazer mais previsibilidade, flexibilidade e centralização para a administração financeira das companhias.

Renminbi pode ganhar espaço nas transações comerciais

Outro possível efeito da mudança é o aumento do uso do renminbi nas relações comerciais Brasil-China.

Para Moura, a possibilidade de realizar pagamentos diretamente em moeda chinesa pode facilitar negociações com fornecedores da China, inclusive empresas de menor porte.

Essa alternativa também pode contribuir para a busca de condições comerciais mais favoráveis.

Apesar do potencial, o diretor financeiro ponderou que o mercado de câmbio do RMB ainda apresenta limitações em termos de liquidez e profundidade.

“Na Timbro, não consigo imaginar o RMB substituindo o dólar em 100%, mas sim operando em paralelo, complementando-o”, afirmou.

Mudanças também podem afetar investimentos

As novas regras não devem produzir efeitos apenas sobre o comércio bilateral. Segundo Allan Mota, tesoureiro da COFCO para Brasil e Colômbia, a possibilidade de manter e movimentar recursos em moeda estrangeira no país também pode influenciar decisões de investimento.

A COFCO é uma holding chinesa estatal voltada ao processamento de alimentos.

De acordo com Mota, uma gestão mais flexível de diferentes moedas pode ajudar a reduzir desequilíbrios cambiais em projetos de longo prazo e interferir na forma como as companhias estruturam seus financiamentos.

“Gerenciar diferentes moedas impacta não apenas nossas operações comerciais, mas também a forma como avaliamos os investimentos aqui no Brasil e como estruturamos o financiamento em geral”, declarou.

Entre os exemplos citados estão projetos de infraestrutura de armazenamento, logística e processamento, que podem apresentar exposição cambial diferente daquela observada em operações comerciais convencionais.

Real e renminbi podem ter participação maior

Mota também avalia que existe espaço para aumentar o uso direto do real e do renminbi à medida que os vínculos econômicos entre os dois países se aprofundam.

“Há um espaço significativo para expandir o uso tanto do real quanto do RMB aqui no Brasil, especialmente à medida que os dois países aprofundam suas relações comerciais e financeiras”, afirmou.

Na avaliação do executivo, uma maior liquidez e a oferta de novos produtos financeiros podem diminuir etapas intermediárias das operações e melhorar a eficiência dos fluxos de recursos.

O financiamento em renminbi também pode contribuir para reduzir custos e ampliar a liquidez disponível para as empresas.

Regras podem estimular novos serviços financeiros

Do ponto de vista jurídico, José Luiz Homem de Mello, sócio do Pinheiro Neto Advogados, explicou que a regulamentação alcança situações envolvendo exportação de mercadorias, captação de recursos no exterior e investimento estrangeiro direto.

O advogado ressaltou, entretanto, que a empresa precisa ter uma relação com o Brasil por meio de uma dessas operações para utilizar as contas em moeda estrangeira previstas nas novas regras.

A mudança também pode abrir espaço para o desenvolvimento de novos produtos bancários, além de soluções voltadas à administração de tesouraria.

No relacionamento financeiro com a China, a possibilidade de manter uma conta em RMB no Brasil e receber recursos de empréstimos nessa moeda pode facilitar o gerenciamento do caixa.

“Essa possibilidade de manter uma conta em renminbi no Brasil, receber esses empréstimos e manter essas posições auxilia na gestão e no gerenciamento de caixa”, afirmou Homem de Mello.

Brasil e China ampliam integração financeira

Na abertura do evento, o presidente do CEBC, embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, destacou que o crescimento das relações econômicas entre Brasil e China aumenta a demanda por mecanismos financeiros capazes de dar suporte ao comércio bilateral.

Nesse contexto, as novas regras cambiais criam alternativas para que empresas brasileiras e chinesas administrem recursos em moedas estrangeiras dentro do Brasil.

Além da possibilidade de reduzir custos e simplificar determinadas operações, a regulamentação pode contribuir para ampliar o uso do real e do renminbi em transações comerciais e investimentos, acompanhando o aprofundamento das relações econômicas entre os dois países.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portal da Indústria

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Internacional

Rendimento do Tesouro americano sobe ao maior nível em quase 20 anos; veja os impactos no Brasil

O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, voltou a subir e alcançou 5,02% nesta terça-feira (15). A taxa dos papéis com vencimento em dez anos atingiu o maior patamar desde 2007.

A alta ocorre em meio à valorização do petróleo no mercado internacional e ao aumento das preocupações com a inflação. O receio dos investidores é que uma nova pressão sobre os preços de energia dificulte a redução dos juros nos Estados Unidos.

Petróleo em alta aumenta preocupação com a inflação

A cotação do petróleo ganhou força nesta semana após novos ataques na Arábia Saudita e no Estreito de Ormuz, ampliando as incertezas sobre o fornecimento global da commodity.

Um ataque com drones em território saudita chegou a interromper temporariamente as operações do oleoduto Leste-Oeste. A estrutura é estratégica porque permite à Arábia Saudita escoar parte de sua produção sem depender da passagem pelo Estreito de Ormuz.

A paralisação do oleoduto representa um risco para a oferta internacional de petróleo, podendo afetar até 4% do abastecimento global. O cenário se torna ainda mais delicado diante das restrições à navegação no Estreito de Ormuz, por onde circulava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Outro ponto de atenção está no Iêmen. Os houthis, grupo que enfrenta o governo reconhecido internacionalmente e conta com apoio da Arábia Saudita, assumiram na semana passada o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb.

As duas áreas são consideradas estratégicas para o transporte de petróleo. Ao mesmo tempo, o Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Pressão sobre os juros dos Estados Unidos

A combinação entre conflitos geopolíticos e petróleo mais caro aumenta o risco de uma aceleração da inflação global. Com custos de energia maiores, bancos centrais podem ser obrigados a manter ou elevar as taxas de juros para tentar conter a alta dos preços.

Nos Estados Unidos, as projeções do mercado apontam que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) deve promover na quarta-feira (16) a primeira elevação dos juros em três anos.

A expectativa está relacionada à persistência das pressões inflacionárias e à possibilidade de que o aumento dos custos de energia dificulte o controle dos preços na economia americana.

Como a alta dos Treasuries afeta o Brasil?

A elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano costuma aumentar a atratividade dos ativos dos Estados Unidos para investidores internacionais. Como os Treasuries são considerados investimentos de baixo risco, parte dos recursos aplicados em mercados emergentes pode migrar para os EUA quando as taxas americanas ficam mais elevadas.

Para o Brasil, esse movimento pode significar saída de capital estrangeiro, aumentando a pressão sobre a Bolsa e sobre o mercado de câmbio.

A maior procura por dólares também tende a fortalecer a moeda americana diante do real. O dólar mais alto, por sua vez, encarece produtos e insumos importados, ampliando a pressão sobre a inflação brasileira.

Entre os itens afetados estão combustíveis, produtos eletrônicos e diversos insumos utilizados pela indústria nacional, que possuem preços direta ou indiretamente ligados ao mercado internacional.

Juros podem permanecer elevados no Brasil

Com a inflação mais pressionada, o Banco Central pode encontrar menos espaço para reduzir a taxa básica de juros, já que cortes muito rápidos poderiam dificultar o controle dos preços.

A manutenção de juros elevados tende a encarecer o crédito para consumidores e empresas. Como consequência, o consumo das famílias pode perder força, enquanto os investimentos empresariais e a atividade econômica também podem ser afetados.

Assim, uma combinação de petróleo mais caro, juros americanos elevados e dólar valorizado pode criar um cenário de maior pressão sobre a economia brasileira, dificultando o processo de redução dos juros domésticos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Brendan McDermid

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Economia

Mercado reduz projeção para crescimento da economia brasileira em 2026

Analistas do mercado financeiro reduziram de 1,98% para 1,95% a projeção de crescimento do PIB em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (24).

A revisão foi a única mudança entre as principais estimativas para o próximo ano. Para 2028, porém, a expectativa ficou mais positiva: a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,89% para 1,98%.

Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de crescimento de 1,5%.

Expectativa para a economia em 2026

O PIB representa a soma dos bens e serviços produzidos no país e é um dos principais indicadores para medir o desempenho da atividade econômica.

A redução da estimativa para 2026 aponta para uma expectativa de crescimento ligeiramente mais fraco da economia brasileira no próximo ano. Já a revisão para cima em 2028 indica uma perspectiva de recuperação do ritmo de expansão no médio prazo.

Mercado mantém projeção de inflação para 2026

A expectativa para o IPCA, índice oficial de inflação, permaneceu em 5,02% para 2026.

Para 2027, entretanto, a previsão subiu marginalmente, de 4,24% para 4,25%. A estimativa para 2028 continuou em 3,8%.

Em julho, a inflação oficial desacelerou pelo quarto mês consecutivo e registrou alta de 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com esse resultado, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44%, retornando para dentro do intervalo da meta de inflação, estabelecida em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Selic deve terminar 2026 em 13,75%

As projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas. O mercado espera que os juros básicos terminem 2026 em 13,75% ao ano.

Para 2027, a previsão continua em 12%, enquanto a estimativa para 2028 permanece em 10,5% ao ano.

Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic é o principal instrumento utilizado para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a reduzir o consumo e os investimentos, ajudando a conter a pressão sobre os preços, mas também podem desacelerar a atividade econômica e encarecer o crédito.

Dólar deve ficar em R$ 5,20 no fim de 2026

A previsão para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20.

Para 2027, a estimativa avançou de R$ 5,29 para R$ 5,30. Em 2028, o mercado manteve a projeção de R$ 5,30.

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne as expectativas de instituições financeiras para indicadores como inflação, PIB, juros e câmbio.

Resumo do Boletim Focus

2026

  • IPCA: 5,02%
  • PIB: caiu de 1,98% para 1,95%
  • Câmbio: R$ 5,20
  • Selic: 13,75%

2027

  • IPCA: subiu de 4,24% para 4,25%
  • PIB: 1,50%
  • Câmbio: subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30
  • Selic: 12,00%

2028

  • IPCA: 3,80%
  • PIB: subiu de 1,89% para 1,98%
  • Câmbio: R$ 5,30
  • Selic: 10,50%

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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Economia

Reserva de ouro do Brasil cresce 33% e chega a 172,4 toneladas

Depois de quatro anos sem realizar novas compras, o Brasil voltou a ampliar sua reserva de ouro em 2025. Em apenas três meses, o Banco Central adquiriu cerca de 43 toneladas do metal, elevando o estoque mantido como parte das reservas internacionais do país.

Entre setembro e novembro daquele ano, a quantidade de ouro passou de aproximadamente 129,6 toneladas para 172,4 toneladas. O aumento foi de cerca de 33%.

Dados mais recentes do World Gold Council indicam que o volume permaneceu praticamente estável pelo menos até março de 2026.

Banco Central retoma compras de ouro

A movimentação interrompeu um período de quatro anos sem novas aquisições. A última expansão relevante da reserva de ouro brasileira havia ocorrido em 2021.

Em setembro de 2025, o Banco Central comprou aproximadamente 15 toneladas. A operação ocorreu em um cenário de valorização do metal e de maior interesse dos bancos centrais por ouro como ativo de reserva.

As compras continuaram nos dois meses seguintes. Segundo o World Gold Council, cerca de 11 toneladas foram adicionadas somente em novembro, completando uma sequência de três meses consecutivos de aquisições.

Com isso, o estoque brasileiro se aproximou das atuais 172 toneladas.

Valor das reservas de ouro quase dobrou

A expansão não ocorreu apenas em quantidade. A valorização do próprio metal também aumentou significativamente o valor financeiro das reservas.

Dados compilados pelo Poder360 apontam que o valor do ouro nas reservas internacionais do Brasil subiu de US$ 11,7 bilhões em janeiro para US$ 23,3 bilhões em novembro de 2025. O crescimento ficou próximo de 100%.

Por que o Brasil mantém ouro nas reservas?

As reservas internacionais funcionam como uma proteção financeira para o país. O patrimônio pode ser utilizado para enfrentar choques externos, períodos de instabilidade cambial e eventuais interrupções nos fluxos internacionais de capital.

A gestão é feita pelo Banco Central, que estabelece como prioridades a segurança, a liquidez e, posteriormente, a rentabilidade dos ativos.

Além do ouro, a carteira brasileira é composta por investimentos e depósitos denominados em diferentes moedas, incluindo dólar, euro, libra esterlina, iene e renminbi.

Em seu relatório de gestão divulgado em março de 2026, o Banco Central afirmou que aumentou a diversificação das reservas durante 2025 diante do cenário de maior incerteza econômica e geopolítica.

Nesse processo, a autoridade ampliou posições em ouro, euro e renminbi e passou a incluir também o won sul-coreano na composição da carteira.

Dólar continua sendo o principal ativo

Apesar do aumento da participação do ouro, o metal ainda representa uma parcela relativamente pequena das reservas brasileiras.

No encerramento de 2025, o ouro correspondia a 7,19% das reservas internacionais, conforme dados do relatório do Banco Central.

O dólar seguia como principal componente da carteira, com participação de 72%. Depois apareciam ouro, euro, renminbi, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano, além de uma pequena exposição ao won sul-coreano.

Brasil mantém estoque acima de 172 toneladas

O levantamento mais recente do World Gold Council, atualizado em agosto de 2026 com dados oficiais disponíveis até março, registra o Brasil com aproximadamente 172,4 toneladas de ouro.

A base de dados reúne informações fornecidas pelo FMI, bancos centrais e outras instituições oficiais.

O número mostra que o aumento registrado entre setembro e novembro de 2025 não foi desfeito nos meses seguintes. Após permanecer por cerca de quatro anos em torno de 130 toneladas, a reserva de ouro do Brasil entrou em 2026 em um nível aproximadamente um terço superior ao anterior.

FONTE: Correio 24h
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zlaťáky.cz / Pexels

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Economia

BC vê recuo da inflação, mas alerta para impactos de choques do petróleo

O Banco Central (BC) sinalizou que poderá agir com firmeza caso os efeitos indiretos provocados pela alta volatilidade do petróleo se espalhem pela economia brasileira. O alerta consta na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (11).

A preocupação ocorre em meio às oscilações dos preços do petróleo provocadas pelo conflito militar no Oriente Médio, cenário que pode aumentar as pressões sobre a inflação.

Banco Central monitora efeitos sobre a inflação

Segundo o documento, os chamados choques de oferta têm influenciado tanto o comportamento recente dos preços quanto as perspectivas para a trajetória da inflação.

O Copom destacou que não pretende responder diretamente aos efeitos iniciais de eventos dessa natureza. No entanto, afirmou que acompanhará de perto os chamados efeitos de segunda ordem, que podem fazer com que o impacto dos choques se prolongue ou se espalhe por outros setores da economia.

Caso esses efeitos se concretizem, o Banco Central afirmou que estará disposto a reagir de maneira firme para evitar uma deterioração do cenário inflacionário.

Selic cai para 14% ao ano

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

Apesar da melhora observada no cenário econômico de curto prazo, o Banco Central não indicou previamente quais serão os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária reforçou, porém, que pretende manter um nível de restrição monetária considerado adequado para garantir a convergência da inflação à meta.

A avaliação indica que, embora os indicadores correntes tenham apresentado alguma melhora, o BC continua atento aos riscos externos e aos possíveis impactos dos preços do petróleo sobre a economia brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balanço de pagamentos: BC aponta queda no déficit externo e alta recorde nas exportações em junho

O Banco Central (BC) divulgou na segunda-feira (28) as Estatísticas do Setor Externo, mostrando melhora nas contas externas do Brasil em junho de 2026. O déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões, resultado inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 5,2 bilhões.

Exportações atingem recorde histórico

Um dos destaques do levantamento foi o desempenho da balança comercial. O superávit alcançou US$ 8,8 bilhões, impulsionado pelo recorde nas exportações de bens, que somaram US$ 36,4 bilhões, alta de 24,8% na comparação anual. As importações também cresceram e totalizaram US$ 27,6 bilhões, avanço de 15,3%.

Investimento direto no país cresce

Outro dado relevante foi o aumento dos investimentos diretos no país (IDP). Em junho, os ingressos líquidos chegaram a US$ 9,1 bilhões, bem acima dos US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o BC, o estoque acumulado de investimentos diretos nos últimos 12 meses alcançou US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB).

Reservas internacionais recuam

As reservas internacionais encerraram junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação ao mês anterior. De acordo com o Banco Central, a variação foi influenciada principalmente pelas oscilações cambiais e por operações realizadas no mercado.

Os dados completos estão disponíveis neste link.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Economia

Dólar fecha em R$ 5,12 e Bolsa avança após desaceleração da inflação no Brasil

O dólar encerrou esta terça-feira (28) cotado a R$ 5,122, com alta de 0,20% frente ao fechamento anterior. O desempenho da moeda ocorreu em um dia marcado pela divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial, que mostrou desaceleração dos preços e reforçou as expectativas de um novo corte na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Na renda variável, o cenário foi positivo. O Ibovespa, principal índice da B3, manteve trajetória de alta ao longo do pregão e fechou valorizado em 0,58%, aos 176.352 pontos, depois de atingir a máxima intradiária de 178.538 pontos.

Inflação mais baixa fortalece expectativa de redução dos juros

O principal fator que movimentou os mercados foi o resultado do IPCA-15 de julho, que registrou alta de apenas 0,06%, abaixo das projeções do mercado financeiro. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,52%, embora ainda permaneça acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

O indicador é o último dado relevante antes da reunião do Copom, marcada para os dias 4 e 5 de agosto, quando será definida a próxima decisão sobre a Selic. A leitura mais favorável da inflação elevou as apostas de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.

Queda do petróleo influencia câmbio e reduz apoio ao real

Outro fator que chamou a atenção dos investidores foi a forte queda do preço do petróleo no mercado internacional.

O barril do tipo Brent, referência global, recuou 4,41%, sendo negociado a US$ 82,08 para contratos de outubro. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 4,06%, fechando a US$ 79,26 por barril.

A desvalorização da commodity ocorreu em meio à redução das tensões geopolíticas após o governo dos Estados Unidos sinalizar avanço nas negociações com o Irã, embora tenha mantido a possibilidade de retomar ações militares caso as conversas não avancem.

Banco Central anuncia rolagem de swaps cambiais

O Banco Central informou que iniciará, a partir de 5 de agosto, leilões para a rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em setembro.

Esse instrumento financeiro funciona como uma operação no mercado futuro que ajuda a reduzir oscilações cambiais, oferecendo proteção aos investidores e aumentando a liquidez em dólares.

Mercados internacionais acompanham balanços e setor de tecnologia

As bolsas asiáticas tiveram um dia de forte volatilidade. Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a ter as negociações interrompidas após registrar forte queda, pressionado principalmente pelas ações das fabricantes de semicondutores Samsung Electronics e SK Hynix.

O setor global de tecnologia segue enfrentando incertezas diante do avanço de fabricantes chinesas de chips voltados à inteligência artificial, cenário que tem levado investidores a reverem expectativas para empresas do segmento.

Na Europa, os resultados financeiros de grandes companhias, como Mercedes-Benz, Barclays, Orange, Coca-Cola e Unilever, também influenciaram o desempenho dos mercados.

Temporada de balanços movimenta empresas na B3

A divulgação dos resultados corporativos também impactou as negociações na Bolsa brasileira.

A TIM Brasil informou lucro líquido ajustado de R$ 1,036 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço nos resultados, as ações da operadora encerraram o dia em queda.

A Telefônica Brasil, controladora da marca Vivo, registrou lucro de R$ 1,6 bilhão, alta de 17% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das receitas nos segmentos de telefonia móvel, fibra óptica, serviços digitais e soluções corporativas, mas os papéis também recuaram durante o pregão.

Já a Simpar apresentou receita líquida de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre, avanço de 8,8% em relação ao ano anterior. A holding de logística ainda reduziu sua alavancagem financeira ao menor nível desde sua abertura de capital, movimento que contribuiu para a valorização das ações.

Investidores aguardam decisão do Copom

Com a divulgação da prévia da inflação e o avanço da temporada de balanços, o mercado volta suas atenções para a próxima reunião do Copom, que poderá definir um novo ciclo de redução da taxa Selic. Até lá, indicadores econômicos, desempenho das commodities e o cenário internacional devem continuar influenciando o comportamento do dólar e da Bolsa de Valores.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: O Antagonista

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