Sustentabilidade

Embraer E175 faz voo comercial com eSAF e mostra novo caminho para a aviação sustentável

Uma aeronave da Embraer realizou nos Estados Unidos um voo comercial abastecido com eSAF, combustível sustentável de aviação produzido a partir de dióxido de carbono (CO₂), água e eletricidade de fontes renováveis.

O teste representa um avanço na busca por alternativas ao querosene tradicional e reforça o potencial dos combustíveis sintéticos para reduzir as emissões do setor aéreo sem exigir a substituição imediata da frota atualmente em operação.

Os eSAFs utilizam hidrogênio produzido com energia renovável e carbono capturado da atmosfera ou de resíduos industriais. Segundo estimativas apresentadas no projeto, essa tecnologia pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com o combustível convencional.

Apesar do potencial, a produção global de SAF (Sustainable Aviation Fuel) ainda corresponde a menos de 1% de todo o combustível consumido pela aviação.

Embraer E175 realiza voo de 30 minutos no Texas

O voo foi realizado pela American Airlines, maior companhia aérea do mundo, em parceria com a empresa de combustíveis sintéticos Infinium.

O avião utilizado foi um Embraer E175-E1, que decolou do Aeroporto Internacional de Corpus Christi e pousou no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, ambos no Texas. A viagem teve duração aproximada de 30 minutos.

O E175 é um jato regional bimotor desenvolvido pela fabricante brasileira para operações de curta e média distância. A aeronave utilizada no teste conta com dois motores turbofan General Electric CF34, uma família de propulsores convencionais amplamente empregada na aviação regional.

O uso do eSAF em uma aeronave equipada com motores convencionais é um dos pontos de destaque do teste. A experiência demonstra que o combustível sustentável pode ser utilizado na infraestrutura e em aeronaves já presentes no mercado, sem depender necessariamente de uma renovação completa da frota.

American Airlines investe em combustíveis sintéticos

A operação faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia aérea para desenvolver uma cadeia comercial de eFuels.

Em Corpus Christi, a American Airlines conduz o Project Pathfinder, sua primeira instalação comercial voltada à produção de combustíveis sintéticos. A iniciativa busca fabricar eFuels em escala comercial utilizando a infraestrutura de aviação existente.

No oeste do Texas, outro projeto amplia a aposta na tecnologia. O Project Roadrunner foi planejado para produzir aproximadamente 23 mil toneladas por ano de eSAF e outros combustíveis sintéticos quando estiver em operação.

A estrutura também prevê 100 MW de capacidade de produção de hidrogênio e 150 MW de capacidade de energia eólica contratada por meio de um acordo de fornecimento de eletricidade.

Projeto Atlas quer produzir 100 mil toneladas de eSAF por ano

A parceria entre a American Airlines e a Infinium também prevê uma estratégia de longo prazo para ampliar a oferta do combustível.

As empresas trabalham no Project Atlas, iniciativa que tem como objetivo alcançar uma produção anual de 100 mil toneladas de eSAF para atender à indústria de aviação comercial até 2029.

Além de participar do desenvolvimento do voo experimental, a American Airlines firmou uma parceria para adquirir futuramente volumes comerciais do combustível produzido pela Infinium.

A estratégia mostra como as companhias aéreas começam a buscar alternativas capazes de reduzir a pegada de carbono da aviação sem depender exclusivamente de novas tecnologias de motores ou aeronaves.

Hidrogênio é um dos principais desafios

Apesar do potencial dos combustíveis sintéticos, a expansão do eSAF ainda enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais está relacionado à própria cadeia de produção, transporte e armazenamento do hidrogênio.

Em voos comerciais de longa distância, a quantidade de hidrogênio necessária pode representar um desafio adicional. O combustível pode aumentar o peso da aeronave e, consequentemente, elevar a quantidade de energia necessária para a operação.

Por outro lado, os eSAFs apresentam uma vantagem importante: possuem alta densidade energética e podem ser misturados ao combustível convencional ou utilizados em motores já existentes.

Essa característica reduz a necessidade de mudanças imediatas na infraestrutura aeroportuária e na frota comercial.

Aviação responde por até 2,5% das emissões de CO₂

A busca por combustíveis de menor impacto ambiental ganhou importância diante da participação da aviação nas emissões globais.

Atualmente, o setor aéreo é responsável por aproximadamente 2% a 2,5% das emissões de dióxido de carbono (CO₂) produzidas pelas atividades humanas. As operações comerciais representam cerca de 81% desse volume.

Por isso, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação tornou-se uma das principais estratégias para reduzir as emissões do setor.

Entre as alternativas atualmente utilizadas estão biocombustíveis e combustíveis produzidos a partir de óleos reciclados. Os eSAFs surgem como uma opção adicional, principalmente por utilizarem carbono capturado e hidrogênio produzido com energia renovável.

Estados Unidos estabelecem metas para o combustível sustentável

O governo norte-americano também estabeleceu metas ambiciosas para ampliar a produção de SAF.

Por meio do SAF Grand Challenge, iniciativa que reúne diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos, a meta é alcançar uma produção mínima de 3 bilhões de galões de combustível sustentável por ano até 2030.

Para 2050, o objetivo é elevar esse volume para 35 bilhões de galões anuais.

Nesse cenário, o voo realizado com o Embraer E175 representa mais do que um teste de combustível. A operação ajuda a avaliar como os eSAFs podem ser incorporados à aviação comercial convencional e contribuir para a transição do setor rumo a uma matriz energética com menor emissão de carbono.

FONTE: Fórum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipedia

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Investimento

JetBio investirá US$ 2 bilhões para produzir SAF com etanol brasileiro em São Paulo

A JetBio, subsidiária brasileira da norte-americana Summit NextGen, anunciou um investimento de aproximadamente US$ 2 bilhões na construção de uma biorrefinaria em Paulínia, no interior de São Paulo. O empreendimento será destinado à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do etanol brasileiro, reforçando a aposta do país como um dos principais polos globais de combustíveis de baixo carbono.

A empresa já adquiriu a área onde a unidade será instalada. O cronograma prevê o início das obras em 2027 e a entrada em operação comercial em 2030.

Projeto prevê capacidade inédita para produção de SAF

Quando estiver em funcionamento, a planta deverá produzir cerca de 1 bilhão de litros de SAF por ano, tornando-se a maior unidade do mundo baseada na tecnologia Alcohol-to-Jet (ATJ), que converte etanol em combustível para aeronaves.

Segundo o CEO da JetBio e da Summit NextGen, William Moore, a produção em larga escala é essencial para reduzir custos e tornar o combustível mais competitivo no mercado internacional.

De acordo com o executivo, são necessários aproximadamente 1,8 litro de etanol para gerar 1 litro de combustível sustentável de aviação, o que torna a economia de escala um fator decisivo para a viabilidade do projeto.

Brasil reúne vantagens para liderar o mercado de SAF

A escolha do Brasil para receber o primeiro grande investimento da companhia não ocorreu por acaso. Para a empresa, o país reúne condições estratégicas graças à ampla disponibilidade de etanol de baixa intensidade de carbono, característica considerada essencial para a produção de SAF competitivo.

Embora a Summit também tenha planejado instalar uma unidade semelhante nos Estados Unidos, o projeto foi temporariamente suspenso. Entre os fatores apontados estão mudanças no ambiente regulatório norte-americano e a redução de incentivos aos combustíveis de baixo carbono.

Outro diferencial brasileiro é a menor intensidade de carbono do etanol produzido no país, fator que aumenta o valor ambiental do combustível sustentável e favorece sua comercialização em mercados internacionais.

Etanol de cana, milho e resíduos fará parte da estratégia

A futura biorrefinaria utilizará diferentes fontes de etanol, incluindo matéria-prima proveniente da cana-de-açúcar, do milho e também de resíduos agrícolas.

A diversificação busca ampliar a competitividade do projeto e atender às exigências regulatórias de países que restringem o uso de matérias-primas que possam competir com a produção de alimentos.

A tecnologia empregada será fornecida pela empresa norte-americana Honeywell, responsável pelo desenvolvimento do processo completo de conversão do etanol em combustível de aviação sustentável.

Financiamento terá participação de bancos e investidores

O modelo financeiro prevê que metade dos recursos seja obtida por meio de financiamento e a outra metade com capital próprio e novos investidores.

A empresa já iniciou conversas com o BNDES para avaliar linhas de crédito e também estuda utilizar mecanismos de incentivo como o programa Eco Invest. Além disso, a estratégia inclui a entrada de parceiros brasileiros, tanto institucionais quanto do setor privado.

Produção será voltada principalmente ao mercado externo

A expectativa é que aproximadamente 90% do SAF produzido seja destinado à exportação, tendo como principais mercados consumidores a União Europeia e o Reino Unido, regiões que ampliam gradualmente as exigências para redução das emissões na aviação.

O escoamento da produção deverá ocorrer pelos portos de Santos e Paranaguá.

A companhia também avalia, no futuro, alternativas como o modelo book-and-claim, que permite negociar os atributos ambientais do combustível sem a necessidade de transportá-lo fisicamente até o comprador.

Projeto também prevê produção de diesel verde

Além do combustível sustentável de aviação, cerca de 5% da capacidade da planta será destinada à fabricação de diesel verde e combustível marítimo sustentável, ampliando a participação da empresa no mercado de combustíveis renováveis.

A longo prazo, a JetBio vislumbra um cenário em que o próprio SAF produzido abasteça embarcações responsáveis pelo transporte internacional do combustível, fortalecendo um ecossistema de logística de baixo carbono.

FONTE: Reset
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Reset

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Sustentabilidade

São Paulo terá primeira planta industrial de combustível sustentável de aviação produzido a partir da cana

O estado de São Paulo vai sediar a primeira planta industrial voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) obtido a partir de biogás gerado por resíduos da biomassa da cana-de-açúcar. A unidade será implantada no município de Elias Fausto, localizado a cerca de 45 quilômetros de Campinas.

A iniciativa prevê um cronograma de três anos e receberá investimentos de aproximadamente 7,8 milhões de euros. Desse total, 1,5 milhão de euros será financiado pelo governo da Alemanha.

Parceria internacional impulsiona o projeto

O empreendimento será executado pela Geo Bio Gas & Carbon, em parceria com a Coopersucar. A cooperação também conta com o apoio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha.

Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, o projeto está alinhado às metas climáticas do Estado de São Paulo, que busca ampliar a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de soluções sustentáveis.

Produção de SAF deve alcançar 750 litros por dia

A expectativa é que a planta produza cerca de 750 litros diários de SAF, combustível que poderá ser misturado ao querosene de aviação (QAV) convencional. A previsão inicial era de início da produção a partir de 2025.

O combustível sustentável de aviação é considerado uma das principais alternativas para diminuir a pegada de carbono do transporte aéreo, permitindo sua utilização na infraestrutura já existente do setor.

O que é o combustível sustentável de aviação?

O SAF é um biocombustível produzido a partir de diferentes matérias-primas renováveis, como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e até óleo de cozinha usado.

Dependendo da matéria-prima e do processo de fabricação, esse combustível pode reduzir entre 60% e 80% das emissões de carbono em comparação ao querosene de aviação utilizado atualmente.

SAF é peça-chave para a descarbonização da aviação

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) estima que o SAF responderá por aproximadamente 65% da redução das emissões de carbono necessária para que a aviação alcance a meta de neutralidade climática até 2050.

A entidade também projeta que novas tecnologias, como aeronaves elétricas e movidas a hidrogênio, contribuirão com 13% dessa redução, enquanto melhorias operacionais e de infraestrutura representarão 3%. Os 19% restantes deverão vir de soluções de captura de carbono.

Brasil tem potencial para liderar a produção de SAF

Estudos elaborados pela consultoria Agroicone em conjunto com a organização Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB) apontam que o Brasil possui capacidade para produzir mais combustível sustentável de aviação do que consome atualmente.

A análise considera cinco principais fontes de matéria-prima: resíduos da cana-de-açúcar, resíduos de eucalipto, sebo bovino, gases provenientes do refino do aço e óleo de cozinha usado.

Atualmente, o consumo nacional de querosene de aviação gira em torno de 7,5 bilhões de litros por ano. Com o aproveitamento dessas matérias-primas, o país teria potencial para produzir cerca de 8,4 bilhões de litros de SAF anualmente, sendo que apenas os resíduos da cana responderiam por aproximadamente 77% desse volume.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Pixabay

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Sustentabilidade

Brasil avança na produção de combustível sustentável de aviação e mira atendimento da demanda até 2029

O Brasil encerra o ano com avanços significativos na consolidação do combustível sustentável de aviação (SAF), fortalecendo sua posição na agenda global de descarbonização do transporte aéreo. O país já reúne condições técnicas, produtivas e regulatórias para atender, até 2029, a demanda nacional por esse tipo de combustível, considerado essencial para a redução das emissões do setor.

Um dos principais marcos desse processo foi o anúncio da Petrobras sobre as primeiras entregas de SAF 100% produzido no Brasil, resultado de investimentos voltados ao desenvolvimento de novos biocombustíveis. A iniciativa integra as políticas públicas conduzidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para estruturar uma cadeia produtiva nacional voltada à aviação sustentável.

Estratégia nacional fortalece a transição energética

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o avanço do SAF é estratégico para posicionar o Brasil como referência internacional na transição energética do setor aéreo. “Estamos estruturando um novo mercado com planejamento, segurança regulatória e investimentos que geram previsibilidade. A produção nacional de SAF impulsiona a indústria, cria oportunidades econômicas e permite o crescimento sustentável da aviação”, afirmou.

O MPor atua como articulador da política pública voltada ao tema, promovendo a integração entre governo, setor produtivo e investidores. A estratégia está alinhada à Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para estimular a produção e o uso de combustíveis sustentáveis no país.

Fórum impulsiona políticas para o SAF

Como parte desse esforço, foi criado o Fórum de Transição Energética na Aviação Civil (Fotea), em parceria com o Ministério de Minas e Energia. O colegiado reúne representantes do governo e do setor produtivo com a missão de propor políticas públicas, coordenar ações e acompanhar a implementação do programa nacional de SAF.

A atuação integrada busca garantir segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estímulo aos investimentos necessários para consolidar o novo mercado.

Combustível sustentável é peça-chave da descarbonização

O SAF é considerado um dos principais vetores para a redução das emissões de gases de efeito estufa na aviação civil. Sua utilização permite diminuir significativamente a pegada de carbono dos voos, sem a necessidade de alterações na infraestrutura aeronáutica existente.

No Brasil, o avanço desse mercado é favorecido pela capacidade instalada do parque de refino, pela experiência consolidada em biocombustíveis e pela ampla oferta de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais. Esses fatores colocam o país em posição estratégica para atender às exigências ambientais internacionais.

Segundo a Petrobras, a fração renovável presente no SAF pode reduzir em até 87% as emissões líquidas de CO₂, quando comparada ao querosene de aviação tradicional.

Caminho aberto para uma aviação de baixo carbono

O desenvolvimento do SAF está alinhado ao Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que busca ampliar a capacidade produtiva, atrair investimentos e garantir estabilidade regulatória. A atuação coordenada entre governo e empresas do setor cria um ambiente favorável à consolidação dessa nova cadeia produtiva.

Com políticas públicas estruturadas, investimentos estratégicos e fortalecimento do marco regulatório, o Brasil avança de forma consistente rumo a uma aviação mais limpa, competitiva e sustentável, contribuindo para a transição energética e para uma economia de baixo carbono.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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