Segurança

Áreas de escape: como caixas de argila já ajudaram a salvar 1.500 vidas nas rodovias brasileiras

Descer uma serra em um caminhão ou ônibus exige atenção redobrada. Em trechos com forte inclinação, o esforço sobre o sistema de freios de veículos pesados aumenta significativamente e pode resultar em uma falha mecânica, mesmo quando o veículo é novo e passa por manutenção regularmente.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 300 acidentes por ano nas rodovias federais envolvem caminhões que apresentaram algum tipo de problema no sistema de frenagem.

O risco é ainda maior em trechos considerados críticos. Durante operações de fiscalização na Serra de São Vicente, em Mato Grosso, a PRF identificou problemas nos freios em 53% dos caminhões pesados vistoriados.

Como funcionam as áreas de escape

Uma das principais alternativas para evitar acidentes graves em descidas de serra é a área de escape, estrutura instalada em pontos estratégicos de rodovias com alta incidência ou risco de falhas de frenagem.

Esses dispositivos funcionam como uma espécie de pista de emergência. Quando o motorista percebe que perdeu a capacidade de frear, deve direcionar o veículo para o acesso sinalizado da área de escape.

Ao final do trajeto, o veículo entra em uma caixa preenchida com argila expandida, cinesita, brita ou cascalho. O material aumenta a resistência ao movimento e ajuda a reduzir a velocidade até a parada.

Em algumas estruturas, a pista também possui uma inclinação ascendente. Nesse caso, a própria gravidade contribui para diminuir a velocidade do veículo.

Caixas podem chegar a 1,5 metro de profundidade

O tamanho das áreas de escape varia conforme as características de cada rodovia. No Brasil, há estruturas com aproximadamente 85 metros de extensão, como as existentes na Via Anchieta, em São Paulo, enquanto outras ultrapassam 240 metros, como algumas instaladas na BR-376, no Paraná.

A largura normalmente fica em torno de cinco metros. Já a caixa de material de frenagem começa com pouca profundidade e vai ficando mais funda ao longo do percurso.

Em determinados dispositivos, a camada de material parte de aproximadamente 15 centímetros e chega a até 1,5 metro na extremidade final. Dessa maneira, o veículo vai perdendo velocidade ao afundar na argila expandida.

Onde estão as áreas de escape no Brasil

Diversos trechos de serra contam com esse tipo de estrutura de segurança viária. Entre os locais que possuem áreas de escape estão:

  • Via Anchieta (SP-160), em São Paulo: nos quilômetros 42,6 e 49, no sentido litoral, durante a descida da Serra do Mar.
  • BR-376, em Guaratuba (PR): nos quilômetros 667,3 e 671,7, no sentido Santa Catarina, na descida da Serra do Mar.
  • BR-116, na Serra do Cafezal (SP): no km 353, em Miracatu, no sentido Sul, no trajeto entre São Paulo e Curitiba.
  • BR-277, em Morretes (PR): no km 37,9, na Serra do Mar, no sentido litoral.
  • SC-418, em Joinville (SC): nos quilômetros 15 e 17, na Serra Dona Francisca.
  • BR-146, em Minas Gerais: na região da Serra do Salitre.
  • Anel Rodoviário de Belo Horizonte (MG): também possui estrutura de escape para situações de emergência.

Motorista relata momento de tensão durante falha nos freios

Quem já precisou recorrer a uma área de escape conhece a importância da estrutura em uma situação de emergência.

Em maio de 2025, Adriano Martins, piloto de corridas de Santa Catarina, viajava com a família e integrantes de sua equipe, a AVM Racing, em um ônibus que seguia de Cuiabá (MT) para Florianópolis (SC).

Durante o percurso, uma peça do sistema de freio do eixo traseiro se rompeu e o veículo perdeu a capacidade de frenagem. O pai de Adriano, José Augusto Martins, que dirigia o ônibus e tinha experiência ao volante, identificou o problema e conduziu imediatamente o veículo para uma área de escape.

O ônibus transportava equipamentos da equipe, um carro de competição e ainda tracionava uma carreta com outro veículo. Apesar da situação, os danos ficaram limitados ao veículo.

Segundo Adriano, a área de escape com argila expandida foi fundamental para evitar uma consequência mais grave. O ônibus precisou ser retirado do local com auxílio de uma escavadeira da concessionária Arteris e posteriormente rebocado.

A parte dianteira do ônibus, que tinha 12 metros de comprimento e carroceria Marcopolo, sofreu danos. Ainda assim, ninguém ficou ferido.

Estruturas já ajudaram a salvar 1.500 vidas

O investimento em segurança nas rodovias tem apresentado resultados expressivos. De acordo com a Arteris, três áreas de escape administradas pela concessionária — duas na BR-376/PR, nos quilômetros 667,3 e 671,7, e uma na BR-116/SP, no km 353 — receberam investimento total de R$ 38 milhões.

As estruturas já foram responsáveis por salvar aproximadamente 1.500 vidas, segundo a concessionária.

Os três dispositivos contam com monitoramento por câmeras durante 24 horas. Quando um veículo entra na área de escape, equipes do Centro de Controle e Segurança Operacional (CCSO) são acionadas para acompanhar a ocorrência e prestar o atendimento necessário.

Para Cesar Sass, diretor-superintendente da Arteris Litoral Sul, os resultados reforçam a importância de investimentos permanentes em segurança viária e prevenção de acidentes.

As áreas de escape mostram, assim, como uma solução de engenharia relativamente simples pode fazer a diferença em situações nas quais um caminhão ou ônibus perde os freios durante uma descida de serra.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Áreas de escape em rodovias preservam mais de 1.500 vidas, aponta Arteris

As áreas de escape instaladas e administradas pela Arteris nas rodovias BR-116, em São Paulo, e BR-376, no Paraná, já contribuíram para salvar mais de 1.500 vidas desde que começaram a operar. Os equipamentos são projetados para conter caminhões e veículos pesados que enfrentam falhas no sistema de freios, reduzindo significativamente o risco de acidentes de grande impacto.

As estruturas utilizam um leito de argila expandida, material que permite a desaceleração gradual dos veículos de forma segura e controlada, especialmente em descidas de serra consideradas críticas para o transporte de cargas.

Investimentos reforçam a segurança nas rodovias

Segundo a concessionária, foram destinados cerca de R$ 38 milhões para a implantação dos três dispositivos localizados em pontos estratégicos das rodovias. Os locais são monitorados ininterruptamente por câmeras de vigilância, e equipes operacionais são acionadas imediatamente sempre que uma área de escape é utilizada.

A empresa destaca que o investimento faz parte de uma estratégia mais ampla voltada ao fortalecimento da segurança viária e à redução de ocorrências nas estradas sob sua administração.

Redução de acidentes e fatalidades

Além das áreas de escape, a Arteris atribui os resultados positivos a ações como monitoramento operacional, campanhas de conscientização para motoristas e intervenções de engenharia de tráfego.

De acordo com dados divulgados pela concessionária, as rodovias administradas pela empresa registraram queda de 11,8% no número de mortes e redução de 6,4% nos acidentes em 2025, na comparação com o ano anterior.

Manutenção preventiva continua sendo essencial

Embora as áreas de escape representem um importante recurso de emergência, a concessionária ressalta que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar acidentes. Entre as recomendações estão a manutenção periódica dos sistemas de freio dos veículos e o uso adequado do freio-motor, especialmente em trechos de serra com longas descidas.

A empresa reforça que a combinação entre infraestrutura, fiscalização e condução responsável é fundamental para aumentar a segurança nas rodovias brasileiras.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Informação

Túnel duplo no Morro dos Cavalos deve elevar pedágio na BR-101

O Morro dos Cavalos, na BR-101 em Palhoça, deve receber um túnel duplo e ter o valor do pedágio reajustado para cerca de R$ 5, mais que o dobro da tarifa atual. O alinhamento entre o Ministério dos Transportes e a ANTT foi divulgado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, durante entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da CBN Floripa.

Transferência do trecho e definição do pedágio

Segundo Uczai, o Ministério dos Transportes é favorável à transferência da administração do trecho do Morro dos Cavalos da Arteris para a CCR/Motiva, proposta apresentada por entidades do setor de infraestrutura e transporte. A ANTT também já indicou apoio à mudança.

O deputado afirmou que a solução escolhida prevê a construção de um túnel duplo, enquanto os estudos finais sobre o novo valor do pedágio – estimado em R$ 5 contra os atuais R$ 2,40 – e o cronograma devem ser concluídos até o fim do ano.

Obra dobrará de valor e terá licenciamento reavaliado

Em 2015, a obra tinha orçamento de R$ 500 milhões. A projeção atualizada alcança R$ 1 bilhão. A ANTT incorporou o projeto de engenharia já existente, e o Ibama indicou disposição em analisar favoravelmente a renovação da licença ambiental aprovada há quase uma década. A aceitação da comunidade indígena à construção dos túneis também deve agilizar o processo.

Cronograma deve ser apresentado nos próximos dias

A ANTT deve apresentar, na próxima semana, o estudo com o cronograma da obra, o valor final do pedágio e os detalhes do processo de transferência do trecho para a CCR/Motiva. O Ministério dos Transportes e o Fórum Parlamentar defendem que a execução leve até três anos, enquanto a concessionária sugeriu prazo de quatro anos — ponto que segue em negociação.

Com a solução definida, a expectativa é que as obras tenham início em 2026, após a atualização do projeto de engenharia e a renovação do licenciamento ambiental.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thiago Kaue, Governo de SC, Divulgação

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