Portos

Impactos do leilão do Tecon Santos 10 no agronegócio dominam debate na Câmara

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (25) uma audiência pública para analisar como o leilão do Terminal de Contêineres de Santos — o Tecon Santos 10 — pode influenciar o agronegócio brasileiro. A reunião está marcada para as 14h, em plenário ainda a ser definido.

Veja quem foi convidado

O debate foi solicitado pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), que pretende esclarecer de que forma o modelo proposto para o leilão pode impactar a concorrência, a logística portuária e a competitividade dos produtos agrícolas que dependem do Porto de Santos para chegar ao mercado internacional.

Projeções de crescimento e riscos regulatórios

Segundo o parlamentar, o leilão é considerado um dos maiores projetos portuários do País, com capacidade de ampliar expressivamente o volume de movimentação de contêineres. No entanto, ele chama atenção para as restrições impostas pela Antaq à participação de empresas já atuantes no porto — medidas que, segundo ele, podem reduzir a competição e afetar o resultado do certame.

Porto de Santos como eixo estratégico do escoamento

Vieira de Melo lembra que o Porto de Santos movimentou 5,4 milhões de TEUs em 2024, avanço próximo de 15% em comparação ao ano anterior. As projeções apontam para saturação da capacidade já a partir de 2028, o que intensifica a preocupação do setor. Produtos como café, açúcar e algodão têm no porto sua principal rota de saída. Para o deputado, qualquer entrave concorrencial ou atraso no leilão pode elevar custos, reduzir eficiência logística e prejudicar a competitividade internacional do agronegócio brasileiro.

FONTE: Agência Câmara de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Botelho/MInfra

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Agronegócio

Inauguração da ApexBrasil em Cuiabá impulsiona internacionalização do agronegócio no Mato Grosso

A ApexBrasil inaugura na próxima segunda-feira (24) seu escritório em Cuiabá, marcando uma etapa estratégica para ampliar a presença do agronegócio mato-grossense no comércio exterior. A agenda inclui encontro entre 54 adidos agrícolas, lideranças do setor e empresários, além da assinatura de convênios que somam R$ 42,62 milhões destinados ao fortalecimento de cadeias produtivas essenciais do estado.

Durante o evento, também serão apresentados novos programas de qualificação para exportação, voltados a empresas de diferentes portes que desejam avançar na internacionalização.

Encontros com adidos agrícolas e autoridades

As ações começam com reuniões que aproximam produtores e representantes de mercados internacionais. A proposta é permitir que empresários conversem diretamente com quem atua na abertura de novos destinos de exportação. As atividades contarão com as presenças do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

O novo escritório funcionará na sede da Famato, no Centro Político Administrativo de Cuiabá. Segundo Viana, a descentralização busca levar serviços de inteligência comercial e apoio técnico às empresas instaladas no estado.

A criação da unidade foi oficializada em 23 de setembro, após assinatura de termo de cooperação entre a Famato, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Agência.

Investimentos e convênios estratégicos

Durante a solenidade, a ApexBrasil firmará convênios com ABRAPA, UNEM e IBRAFE, com foco na promoção das exportações, expansão para novos mercados e fortalecimento da inteligência de mercado. Os acordos totalizam R$ 42,62 milhões e abrangem setores como algodão, etanol de milho, feijões e pulses.

Viana destaca que a nova base aproxima a Agência do maior produtor agrícola do país. Segundo ele, o Mato Grosso tem potencial para diversificar sua pauta exportadora e ampliar sua participação no cenário global.

Qualificação para empresas de todos os portes

No mesmo dia serão lançados dois programas de formação: o Qualifica Exportação, para empresas que já avançaram na internacionalização, e o PEIEX, realizado em parceria com o Sebrae-MT, voltado a micro e pequenas empresas. A expectativa é atender 150 negócios no estado, com investimento superior a R$ 2,5 milhões.

Produtor rural no centro da estratégia

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a chegada da ApexBrasil ao estado facilita o acesso do produtor a certificações, suporte técnico e oportunidades internacionais. Ele afirma que a iniciativa fortalece a posição do Mato Grosso como referência global na oferta de alimentos.

Segundo Tomain, a presença da Agência no estado ajuda a transformar potencial em resultado concreto e reforça o papel do Mato Grosso como motor do desenvolvimento brasileiro.

FONTE: Mato Grosso Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ivan Bueno/AnP

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Exportação

Produção de soja do Brasil em 2026 cai levemente, mas exportações devem gerar receita maior, diz Abiove

A Abiove revisou para baixo a estimativa da safra de soja do Brasil em 2026, agora prevista em 177,7 milhões de toneladas, redução de 800 mil toneladas em relação ao cálculo de outubro. Mesmo com o ajuste, o país continua no rumo de registrar um volume recorde, acima do produzido em 2025.

A associação não detalhou se a queda está ligada ao ritmo mais lento de plantio, impactado por chuvas irregulares em várias regiões. A Abiove destacou que o número reflete a mediana das projeções de suas associadas, mas reconheceu que o clima no início do desenvolvimento da safra “é provavelmente” um fator relevante. Segundo a consultoria AgRural, pouco mais de 70% do plantio havia sido concluído até a última quinta-feira.

Safra de 2025 revisada para cima
Enquanto a projeção de 2026 foi reduzida, a estimativa para a safra colhida em 2025 subiu para 172,1 milhões de toneladas, ante 171,8 milhões previstas anteriormente.

Os estoques finais de soja em 2026 permaneceram praticamente estáveis em 10,55 milhões de toneladas, resultado do aumento da safra velha e do leve ajuste na nova. A projeção da Abiove está alinhada ao número divulgado pela Conab, que também apontou efeitos da irregularidade das chuvas sobre o plantio.

Exportações e processamento seguem em ritmo recorde
A associação manteve as previsões de exportação de soja e de processamento industrial para 2026. Se confirmados, ambos alcançarão níveis recordes. As vendas externas devem atingir 111 milhões de toneladas, superando a marca prevista para 2025 (109 milhões de toneladas), que foi revisada para baixo em 500 mil toneladas.

O processamento de soja deve chegar a 60,5 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,4% sobre o ano anterior. A Abiove preservou as estimativas de produção de farelo e óleo, mas elevou a projeção de exportação de óleo de soja para 1,2 milhão de toneladas, ainda abaixo das 1,35 milhão previstas para 2025.

Receita com exportações deve crescer com preços mais altos
A receita do complexo soja — grão, farelo e óleo — foi estimada em US$ 60,25 bilhões em 2026, acima dos US$ 55,26 bilhões previstos no mês anterior. A alta está diretamente ligada à revisão dos preços internacionais da soja.

Para 2025, a receita também foi ampliada: agora em US$ 53,3 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões acima da estimativa anterior, mesmo com redução no volume exportado.

A Abiove passou a projetar preço médio de US$ 450 por tonelada em 2026 e US$ 400/t em 2025 — antes, as estimativas eram de US$ 415/t e US$ 380/t, respectivamente. A soja em grão segue responsável pela maior parcela da receita, com quase US$ 50 bilhões esperados apenas em 2026.

A revisão ocorre em um momento de alta forte na bolsa de Chicago, onde o preço da soja subiu mais de 10% desde outubro, renovando máximas desde 2024. O movimento tem sido impulsionado pela expectativa de novas compras chinesas; traders relataram que a estatal Cofco adquiriu ao menos 14 cargas dos EUA na véspera.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Roberto Samora

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Agronegócio

Abertura de Mercado: Brasil conquista novos acordamentos com Malásia e Coreia do Sul

O Brasil garantiu novas aberturas de mercado na Malásia e na República da Coreia, após concluir negociações fitossanitárias que liberam a exportação de DDG, além de amêndoas de macaúba e noz-pecã. A medida reforça a presença do agronegócio brasileiro na Ásia e diversifica o portfólio de produtos enviados ao exterior.

Malásia autoriza importação de DDG
As autoridades sanitárias malásias aprovaram a entrada do DDG brasileiro, coproduto da produção de etanol à base de grãos – especialmente milho –, usado como ingrediente de alta proteína em rações para bovinos, suínos e aves.
Com população superior a 35 milhões de pessoas, a Malásia comprou mais de US$ 1,2 bilhão em itens agropecuários do Brasil no último ano, reforçando um mercado em expansão para produtos com maior valor nutricional.

A nova liberação se soma às autorizações recentes para o envio de pescados, maçãs, melões, ovo em pó e gergelim, ampliando a participação brasileira tanto no setor de alimentos processados quanto no segmento ligado a serviços, turismo e hospitalidade do país asiático.

Coreia do Sul abre mercado para macaúba e noz-pecã
Na República da Coreia, o governo local aprovou a importação de amêndoas de macaúba e de noz-pecã. A macaúba, palmeira típica do território brasileiro, produz frutos com polpa e sementes ricas em óleo utilizado pelas indústrias alimentícia, cosmética e energética. Já a noz-pecã representa cerca de 3% a 4% do mercado global de nozes e castanhas, e sua produção no Brasil cresce rapidamente, especialmente na região Sul — o país já é o quarto maior produtor mundial.

Em 2024, a Coreia do Sul importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, com destaque para grãos, carnes e oleaginosas. A nova abertura para macaúba e noz-pecã se soma às recentes autorizações para gergelim e couro bovino, aprofundando a relação comercial entre os dois países e ampliando o acesso a produtos brasileiros de maior valor agregado.

Expansão de oportunidades para o agronegócio brasileiro
A diversificação de destinos e produtos — de insumos para ração animal a itens de cadeias emergentes da bioeconomia — fortalece o papel do Brasil como fornecedor seguro e competitivo no cenário global. As novas aberturas geram oportunidades para produtores, cooperativas e agroindústrias de diversas regiões.

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro atinge 491 novas oportunidades comerciais desde o início de 2023, resultado da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Exportações de frutas do Brasil têm melhor outubro em 10 anos e movimentam US$ 177,5 milhões

As exportações de frutas brasileiras registraram, em 2025, o melhor mês de outubro da última década. A receita chegou a US$ 177,5 milhões, alta de 4,60% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com dados do Comex Stat do MDIC. Nos últimos dez anos, apenas novembro de 2024 superou esse patamar, com US$ 217 milhões em embarques de frutas e nozes não oleaginosas frescas ou secas.

Volume exportado ultrapassa marca do ano anterior

Em outubro, o Brasil enviou ao exterior 209,4 mil toneladas de frutas, equivalentes a 2,61% das exportações do agronegócio. Mesmo com participação modesta no total do setor, a fruticultura segue como o quinto segmento mais relevante da pauta agropecuária. De janeiro a outubro, o país já atingiu 1 milhão de toneladas, igualando o volume exportado ao longo de todo o ano passado.

Receita anual se aproxima de US$ 1 bilhão

De janeiro a outubro de 2025, as vendas externas do segmento somaram US$ 1 bilhão, contra os US$ 1,2 bilhão registrados ao fim de 2024. No ano passado, as frutas representaram 1,66% das exportações do agronegócio, mantendo-se na quinta posição entre os principais produtos enviados ao mercado internacional.

Setor mostra resiliência apesar dos desafios

Para Renato Francischelli, diretor da Ascenza Brasil, o desempenho positivo reflete a capacidade de adaptação do produtor brasileiro diante de crises climáticas e de mercado. Ele destaca que a fruticultura segue como um dos pilares do agro nacional, com peso significativo tanto no abastecimento interno quanto nas exportações.

Nordeste concentra mais de 80% da receita

Quatro estados nordestinos responderam por 84,3% da receita obtida em outubro. Pernambuco liderou com US$ 56,1 milhões (31,6%), seguido por Bahia (US$ 38,6 milhões — 21,8%), Rio Grande do Norte (US$ 36,1 milhões — 20,3%) e Ceará (US$ 18,8 milhões — 10,6%).

Europa domina compras e Holanda é a principal importadora

A Europa permaneceu como o maior destino das frutas brasileiras, com 66,4% da receita. A Holanda liderou as compras com US$ 71,7 milhões (40,4%). Em seguida apareceram o Reino Unido (US$ 31,2 milhões — 17,6%) e a Espanha (US$ 14,9 milhões — 8,4%). Os Estados Unidos, que reduziram tarifas de importação de frutas recentemente, compraram US$ 15,5 milhões, enquanto a Argentina se destacou na América do Sul com US$ 8,5 milhões.

Mercado externo cresce como oportunidade para pequenos produtores

Francischelli ressalta que grande parte das frutas exportadas vem de propriedades familiares. Ele afirma que conhecer as regras e exigências dos países importadores é crucial para acessar preços mais altos e maior estabilidade comercial.

Segundo o diretor, processos como boas práticas agrícolas, rastreabilidade, qualidade pós-colheita e respeito às normas fitossanitárias são fundamentais para atender às demandas internacionais.

Organização e tecnologia ajudam a ganhar escala

O representante da Ascenza orienta produtores a cooperarem para ganhar escala, reduzir custos logísticos e melhorar competitividade, especialmente em produtos perecíveis. Escolha de culturas adequadas, diversificação e planejamento da produção ajudam a reduzir riscos e ampliar possibilidades no mercado externo.

Manter a qualidade, o frescor e a aparência durante transporte e armazenamento também é decisivo, assim como evitar superprodução por meio de calendários produtivos bem definidos.

Proteção da lavoura é essencial para exportar

Para garantir desempenho no mercado internacional, Francischelli reforça a necessidade de controle de pragas e adoção de manejo fitossanitário adequado. Monitoramento constante, uso correto de defensivos e respeito aos limites de resíduos são passos indispensáveis.

Ele destaca ainda que o produtor deve avaliar qualidade do solo, nutrição, irrigação e proteção contra condições climáticas adversas. O cumprimento de boas práticas ambientais e sociais pode abrir portas para mercados premium, que valorizam origem e sustentabilidade.

FONTE: Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva

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Transporte

Transporte de Cargas Cresce 40% Pós-Pandemia e Aumenta Pressão na Logística Brasileira

O transporte rodoviário de cargas mantém um ritmo acelerado no Brasil e opera quase 40% acima dos níveis registrados antes da pandemia, aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE divulgada em outubro. Esse avanço amplia o fluxo de mercadorias e impulsiona a demanda por manutenção de frotas, peças de reposição e pneus, mas não se reflete na mesma proporção no valor do frete, que segue praticamente estável. O desequilíbrio pressiona os custos operacionais e obriga empresas de logística a reorganizar processos.

Crescimento constante e margens apertadas

O IBGE registra expansão contínua desde 2022, com patamar recorde em 2023. A FETCESP avalia que o setor cresce mesmo em meio a margens estreitas, forte competição e necessidade permanente de revisão de custos. Transportadoras têm reforçado o controle de despesas, ajustado operações e aprimorado a gestão para manter a saúde financeira.

E-commerce, indústria e agronegócio impulsionam o setor

Empresas atribuem o aumento do volume transportado ao avanço do comércio eletrônico, à retomada industrial, ao dinamismo do agronegócio e ao crescimento das exportações. A expansão de investimentos em tecnologia, rastreamento, automação, frota própria e sistemas de gestão logística também sustenta o patamar atual. O modal rodoviário segue como peça-chave na conexão entre indústrias, centros de distribuição e consumidores.

Modernização acelera após impacto da pandemia

A recuperação do setor ganhou força após o período crítico da pandemia. Com cadeias produtivas mais dependentes de eficiência logística, empresas intensificaram o uso de digitalização, sistemas de gestão e métodos para aumentar disponibilidade de veículos e previsibilidade das entregas. No agronegócio, cargas como grãos, carnes, alimentos e bebidas seguem liderando o volume, especialmente no último trimestre — período de alta demanda. Houve ainda maior movimentação de níquel e de terras raras.

Frete estável e custos pressionados

Mesmo com mais cargas na estrada, o frete não avança no mesmo ritmo. Entre os fatores que travam a valorização estão o preço do combustível, pedágios, manutenção e aquisição de pneus. Para muitas empresas, o aumento da receita depende do volume transportado, da fidelização de clientes e da adoção de veículos com maior capacidade.

Frota mais exigida demanda manutenção reforçada

O crescimento da movimentação intensifica o desgaste dos veículos e eleva a necessidade de manutenção preventiva. Estimativas apontam que cada 10% de aumento no volume transportado gera acréscimo de 6% a 8% no consumo de peças e pneus, sobretudo entre companhias com frota própria. O uso de dados, sistemas de monitoramento e ferramentas de análise se torna essencial para reduzir paradas inesperadas e controlar custos.

Falta de motoristas segue como desafio central

A escassez de motoristas permanece um dos principais entraves do setor. Entidades como SEST SENAT e sindicatos regionais têm promovido programas de qualificação e requalificação. Transportadoras também avançam em iniciativas internas de capacitação, melhoria das condições de trabalho e planos de carreira para atrair e reter profissionais.

Expectativas do setor até 2026

Para 2026, empresas projetam um período de ajustes operacionais e adaptação aos efeitos da Reforma Tributária. O setor prevê maior rigor técnico na gestão, monitoramento contínuo de custos e participação ativa em debates conduzidos por federações e sindicatos. A aposta segue em tecnologia, qualificação de motoristas e ampliação de estruturas de armazenagem para manter competitividade em um cenário de transformação logística.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Logística

Ferrovia de Mato Grosso avança e instala 1 km de trilhos por dia

A Ferrovia de Mato Grosso (FMT), considerada hoje a maior obra ferroviária em andamento no Brasil, segue em ritmo acelerado e já atingiu 73% de execução física. Com investimento estimado em R$ 5 bilhões e a mobilização de cerca de cinco mil trabalhadores, o projeto deve ser concluído até meados de 2026.

Executada pela Rumo, empresa de logística do grupo Cosan, a obra corre contra o tempo antes da temporada de chuvas, avançando pelo interior mato-grossense com a instalação de dormentes e trilhos que já atinge a marca de até 1 km por dia.

O que muda com a nova ferrovia

A FMT funciona como um prolongamento de 743 km da Malha Norte, que atualmente recebe a produção agrícola de Mato Grosso no terminal de Rondonópolis. Hoje, caminhões percorrem até 500 km para alcançar a ferrovia, que leva as cargas até o Porto de Santos em 76 horas.

O novo traçado promete encurtar deslocamentos rodoviários, reduzir custos de frete e criar um corredor mais eficiente para o escoamento de soja, milho e farelo, fortalecendo o agronegócio brasileiro.

Segundo o secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, a economia pode chegar a 50% em trechos de mil quilômetros em comparação com o frete rodoviário.

Fase 1 deve operar em 2026

A construção, iniciada em 2022 sob modelo de autorização estadual, foi dividida em três fases.

A primeira, entre Rondonópolis e um terminal em desenvolvimento entre Dom Aquino e Campo Verde, soma 162 km e deve começar a operar no início do segundo semestre de 2026, a tempo de atender a safrinha de milho.

O novo Terminal BR-070 terá capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas por ano e atenderá uma das regiões mais promissoras para a expansão de grãos no país, o Vale do Araguaia.

As fases 2 e 3 levarão os trilhos até Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, enquanto um ramal para Cuiabá segue em estudo de engenharia.

Decisões financeiras e ritmo da obra

A Rumo ainda avalia o investimento total das próximas etapas, antes estimado entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões. O conselho da empresa deve deliberar sobre a continuidade entre dezembro e janeiro, considerando custo de capital, potencial de receitas e taxas de juros.

Mesmo com definições pendentes, a fase 1 segue avançando. Dois carregamentos com 89 mil toneladas de trilhos vindos da China chegaram recentemente ao estado, e uma fábrica de dormentes foi inaugurada em Rondonópolis para atender à ferrovia e à rede de 14 mil km da empresa.

A ponte de 460 metros sobre o Rio Vermelho, maior estrutura da etapa inicial, já recebeu seu primeiro trem.

Impacto no custo do frete

Estudos do Plano Nacional de Logística (PNL) projetam que a participação das ferrovias na matriz de transportes deve subir de 17% para 35% até 2035. Países onde o modal ferroviário é mais desenvolvido registram economia entre 30% e 40% no frete.

Mesmo assim, especialistas afirmam que a redução de custos no Brasil ainda é limitada pela falta de concorrência entre ferrovias.
“Hoje, a comparação do preço ainda é com o caminhão”, explica Edeon Vaz, diretor do Movimento Pró-Logística.

Outras ferrovias no radar

O setor aguarda avanços em dois outros grandes projetos:

  • Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), já em obras.
  • Ferrogrão, que conectará Sinop (MT) a Miritituba (PA), apoiando o escoamento pelo Arco Norte.

Para a Rumo, entretanto, a rota via Porto de Santos continuará sendo a mais competitiva para atender o mercado asiático, já que navios graneleiros não podem atravessar o Canal do Panamá.

Crescimento da demanda até 2050

Mesmo com a futura competição entre ferrovias, o governo não vê risco de demanda insuficiente. Projeções apontam que Mato Grosso deve alcançar 180 milhões de toneladas de produção por ano em 2050, garantindo carga para todos os modais em desenvolvimento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Exportação

Brasil perde US$ 700 milhões em vendas de carne para os EUA: entenda o impacto

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam outubro com faturamento de US$ 1,897 bilhão, avanço de 37,4% na comparação com outubro de 2024. O volume embarcado também cresceu: foram 360,28 mil toneladas, alta de 12,8%. Mesmo com a perda estimada de US$ 700 milhões entre agosto e outubro nas vendas para os Estados Unidos, outros mercados compensaram a queda.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que analisa dados da Secex/MDIC, os números incluem carne bovina in natura, industrializada, miudezas comestíveis, sebo bovino e demais subprodutos da cadeia.

Receita recorde no acumulado do ano

De janeiro a outubro, o Brasil registrou recorde histórico de receita: US$ 14,655 bilhões, um crescimento de 36% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume exportado também atingiu marca inédita, chegando a 3,148 milhões de toneladas, aumento de 18%.

Queda forte nas vendas aos Estados Unidos

Embora seja o segundo maior comprador da carne brasileira, os Estados Unidos reduziram as importações após o tarifaço. Em outubro, as compras de carne bovina in natura recuaram 54%, somando US$ 58 milhões. A carne industrializada caiu 20,3% (US$ 24,9 milhões), enquanto sebo e gorduras bovinas despencaram 70,4% (US$ 5,7 milhões).

No acumulado de janeiro a outubro, porém, ainda há avanço: as vendas totais de produtos bovinos para os EUA cresceram 40,4%, atingindo US$ 1,796 bilhão — reflexo do ritmo forte antes da aplicação das tarifas.

Entre agosto e outubro, período em que as tarifas estiveram válidas, as exportações para o mercado norte-americano caíram 36,4%, resultando na perda de aproximadamente US$ 700 milhões.

A Abrafrigo avalia que, apesar de o aumento das vendas para outros países ter compensado o prejuízo, o Brasil poderia ter registrado desempenho ainda maior sem as tarifas impostas por Washington.

China mantém liderança e UE amplia compras

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. De janeiro a outubro de 2025, o país asiático gerou US$ 7,060 bilhões em receita e importou 1,323 milhão de toneladas, altas de 45,8% e 21,4%, respectivamente.

A União Europeia, tratada como mercado único, foi o segundo maior destino em outubro, com crescimento de 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O faturamento atingiu US$ 140 milhões. No acumulado do ano, as compras do bloco somaram US$ 815,9 milhões, avanço de 70,2%. O preço médio da carne bovina in natura enviada à região chegou a US$ 8.362 por tonelada.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Negócios

Dívida da Braskem dispara para 14,7 vezes o EBITDA com prejuízo de R$ 26 milhões

A Braskem atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 26 milhões, uma melhora frente à perda de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. O alerta, porém, está no balanço: a dívida líquida saltou para 14,76 vezes o EBITDA recorrente, quase o triplo da relação de um ano antes (5,76x), revelando uma estrutura financeira frágil e insustentável para uma empresa cíclica e de capital intensivo.

O EBITDA recorrente despencou 65% em relação a 2024, para US$ 150 milhões (R$ 818 milhões), enquanto a receita líquida caiu 19%, totalizando R$ 17,3 bilhões — reflexo de preços deprimidos de petroquímicos e alta ociosidade nas plantas. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 334 milhões, e o consumo total de caixa chegou a R$ 2 bilhões, ampliando o desequilíbrio financeiro da companhia.

Margens pressionadas e mercado em retração

A crise é estrutural. O mercado petroquímico global segue com excesso de oferta — o chamado “efeito China” —, o que derrubou as margens de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC entre 9% e 16% em comparação ao 3º trimestre de 2024. No Brasil, a taxa de utilização dos crackers de etileno caiu de 73% para 65%, afetada por paradas programadas no Rio de Janeiro e pela fraca demanda doméstica.

As vendas de resinas no mercado brasileiro recuaram 9%, somando 787 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram na mesma proporção (+9%). Mesmo com ajustes operacionais e créditos tributários do REIQ, o EBITDA do segmento Brasil/América do Sul caiu de US$ 335 milhões para US$ 205 milhões.

Nos Estados Unidos e Europa, o cenário foi ainda pior: o EBITDA reverteu de lucro de US$ 71 milhões para prejuízo de US$ 15 milhões, pressionado por queda de 23% nos preços do PP e pela baixa atividade industrial. No México, a subsidiária Braskem Idesa também inverteu resultados, com EBITDA negativo de US$ 37 milhões, frente a lucro de US$ 80 milhões no ano anterior, devido ao alto custo do etano e à parada de manutenção de grande porte.

O nó financeiro

Com margens comprimidas e fluxo de caixa negativo, a Braskem passou a depender de financiamentos de longo prazo e alto custo. A dívida bruta atingiu US$ 8,4 bilhões em setembro, com prazo médio de nove anos, enquanto a posição de caixa (sem incluir a Idesa) somava US$ 1,3 bilhão. Em outubro, a empresa ainda utilizou uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão, mas o balanço segue mostrando erosão de liquidez e da capacidade de investimento.

A administração aposta no Programa de Resiliência e Transformação, voltado ao controle de custos e racionalização de projetos. Um alívio temporário veio da redução da provisão do evento geológico de Alagoas, de R$ 5,57 bilhões em 2024 para R$ 3,8 bilhões, após acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, que encerrou ações judiciais e quitou indenizações ligadas ao afundamento de solo em Maceió em 2018.

Mesmo assim, a empresa contabilizou encargo de R$ 435 milhões para hibernar sua planta de cloro-soda em Alagoas, no âmbito do plano Transforma Alagoas — medida voltada a tornar a produção de PVC mais sustentável, mas que evidencia uma redução estrutural das operações na região.

Crise setorial e medidas regulatórias

A indústria química brasileira opera com 39% de ociosidade, o maior nível em 30 anos, segundo a Abiquim. Para conter o colapso, o governo tem implementado medidas de proteção, como o Projeto de Lei PRESIQ (PL 892/2025) — já aprovado na Câmara — e a aplicação de tarifas antidumping provisórias sobre as importações de polietileno.

A Braskem considera essas iniciativas fundamentais para equilibrar a concorrência e preservar a produção nacional. O conselho da empresa também aprovou o Projeto Transforma Rio, um investimento de R$ 4,2 bilhões destinado a ampliar a capacidade de etileno e polietileno no Rio de Janeiro e aumentar o uso de etano como matéria-prima.

Tentativa de reversão

A atual gestão tenta reverter um ciclo negativo que não foi corrigido por administrações anteriores — nem mesmo após o boom da pandemia, quando a Braskem atingiu seu pico histórico. Em 2021, o EBITDA alcançou US$ 5,2 bilhões, impulsionado por margens recordes e escassez global de plásticos. Desde então, o ciclo virou: os preços caíram, a demanda enfraqueceu e a lucratividade evaporou. O desafio da nova liderança é restabelecer a estabilidade financeira em um setor que hoje luta pela sobrevivência.

Perspectiva crítica

Com o EBITDA sob pressão, a alavancagem em níveis históricos e a geração de caixa negativa, a Braskem enfrenta um ponto de inflexão. A empresa opera com liquidez apertada, margens reduzidas e um mercado global em retração, enquanto tenta preservar seu grau de crédito e atrair novos investimentos.

O cenário segue de tensão simultânea nos três pilares da petroquímica: demanda, margens e endividamento. Uma eventual recuperação dependerá da recomposição dos preços globais e da eficácia das políticas industriais brasileiras previstas para 2026.

FONTE: Brazil Stock Guide
IMAGEM: Reprodução/Brazil Stock Guide

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Exportação

Brasil amplia exportações e conquista habilitação para vender sorgo e DDG à China

O Brasil recebeu autorização para que dez unidades exportem sorgo e cinco estabelecimentos enviem DDG (grãos secos de destilaria) à China, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. A medida abre novas oportunidades tanto para o setor de sorgo quanto para a indústria de etanol de milho, ampliando o alcance internacional dos produtos nacionais.

Parcerias firmadas e protocolos assinados

As habilitações são resultado direto da assinatura de dois acordos bilaterais: o Protocolo Fitossanitário do Sorgo, firmado em novembro de 2024, e o Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, celebrado em maio de 2025. Além disso, os modelos de certificado fitossanitário foram finalizados em conjunto pelas autoridades brasileiras e chinesas, garantindo conformidade com as exigências técnicas de ambos os países.

Produção e exportação de sorgo no Brasil

Responsável por mais de 60% da produção nacional, a região Centro-Oeste é o principal polo de sorgo do Brasil. Em 2024, segundo o IBGE, o país produziu 4 milhões de toneladas, das quais 178,4 mil toneladas (4%) foram destinadas à exportação. Foram habilitadas dez unidades, distribuídas entre Mato Grosso (4), Minas Gerais (4), Rondônia (1) e Bahia (1). A China, que responde por 80% das importações globais de sorgo, comprou mais de US$ 2,6 bilhões do grão no último ano.

Expansão do mercado de DDG

O DDG, coproduto obtido do processamento do milho para etanol, também ganha destaque nas exportações brasileiras. O país é o terceiro maior produtor de milho do mundo e exportou cerca de 791 mil toneladas de DDG em 2024. A nova habilitação contempla quatro unidades no Mato Grosso e uma no Mato Grosso do Sul, fortalecendo o comércio com a China, que importou mais de US$ 66 milhões desse insumo no mesmo período.

Impactos econômicos e sustentáveis

Com essas autorizações, o Brasil estabelece um canal regular de exportação para o maior importador global de grãos e insumos para ração animal, aumentando a previsibilidade dos contratos e criando condições para ampliar o volume exportado nas próximas safras. Além dos ganhos econômicos, as novas habilitações reforçam o compromisso do país com a sustentabilidade, já que a exportação de coprodutos do agronegócio, como o DDG, estimula a economia circular e o aproveitamento de resíduos industriais.

Cooperação entre governo e setor privado

O avanço nas negociações foi resultado do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Adidância Agrícola e a Embaixada do Brasil em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o setor privado, em alinhamento com as exigências técnicas das autoridades chinesas.

Em 2024, a China se manteve como o principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, com mais de US$ 49,6 bilhões em produtos enviados pelo agronegócio nacional.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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