Agronegócio

Em tempos de turbulência, Weg carrega suas baterias para aumentar vendas para o agronegócio

Uma das maiores fornecedoras de motores elétricos do mundo, empresa catarinense acaba de criar um “time agro” e deve aumentar presença em feiras para ampliar comercialização de soluções como energia solar e acumuladores para produtores rurais

Com faturamento de quase R$ 40 bilhões por ano, a brasileira Weg é uma das três maiores fabricantes globais de motores elétricos e vem apresentando crescimento consistente nos últimos anos, inclusive pela oferta de novos equipamentos eletroeletrônicos.

Os maiores clientes da empresa estão em setores como mineração e papel e celulose, mas já havia negócios com agroindústrias, em função de seus motores e sistemas de automação.

O mundo “rural”, porém, começa a representar novas oportunidades de vendas para a empresa de origem catarinense.

Durante um evento em Pedra Preta (MT), a 1600km da sede da empresa, que fica em Jaraguá do Sul (SC), o AgFeed conheceu o filho de um ex CEO da Weg, Harry Schmelzer Neto, que hoje é diretor de negócios Solar & Bess (sistema de armazenamento de energia de bateria, na sigla em inglês).

Era um encontro com mais de 100 produtores rurais, com foco no algodão, promovido pela Girassol Agrícola.

“A gente não ia muito em feiras (do agro) para falar de solar justamente porque o mercado estava crescendo muito, nem precisava buscar novos nichos. Mas eu tive esse convite, me falaram que o algodão, as algodoeiras, usam muita energia. Então viemos divulgar novas opções de geração de energia e backup”, contou ele, em entrevista ao AgFeed.

A área liderada por Harry Neto já começa a crescer em relevância no faturamento da Weg, mas a empresa não divulga números nem percentuais detalhados.

Em energia solar, a Weg já atua há mais de 10 anos, mas o segmento de baterias é uma espécie de complemento neste pilar de soluções.

“Com a bateria a gente consegue realmente atacar com força sistemas onde não tem rede (elétrica, tradicional). Porque sem a bateria até dá pra fazer um solar com diesel, que são sistemas que a gente chama de micro-redes, botar um solar junto e trabalhar os dois. Mas com a bateria eu não preciso do diesel. Então a gente consegue ter uma independência financeira para o produtor rural”, explicou.

O executivo diz o que agronegócio “passou a prestar mais atenção” à energia solar e ao complemento das baterias.

Ele lembra que mesmo onde há rede elétrica, no caso de Mato Grosso, por exemplo, a tarifa de energia é muito cara. “Colocar energia solar sai mais barato e é renovável, você não está queimando diesel”.

O maior uso de energia solar, defende Neto, pode ser usado dentro dos projetos de sustentabilidade que vem crescendo no agro, inclusive no agro.

O diretor da Weg diz que as vendas de produtos de energia solar vêm crescendo em média 40% ao ano, desde 2018, até o ano passado.

Para 2025, ele projeta maior estabilidade nos negócios de energia solar, em função das taxas de juros mais elevadas no País. Ainda assim, prevê um mercado mais aquecido para as baterias

“Como o solar cresceu muito, deu uma saturada, o próprio solar cria necessidade de bateria. Então agora a gente acredita que o crescimento da bateria vai ser em ritmo bem maior nesse momento”, afirmou.

Nas baterias, também há expectativa de mais vendas para o agronegócio dentro do que a Weg chama de offgrid, que é para substituir o gerador. Harry Neto também acredita em maior potencial no agro junto aos clientes que não têm energia disponível.

Em outra frente, ele relata uma demanda nas cidades para que as distribuidoras consigam equilibrar o que entra na rede por energia solar

“Entra solar das 11h às 1h quando, em qualquer lugar do mundo é o sol mais forte. E nesse período não é a maior demanda. Então a bateria vem para armazenar, é usada para o que a gente chama de time shift, para trocar um momento de uso de energia”.

Atualmente, ele calcula que apenas 10% dos clientes de energia solar estejam ligados ao agronegócio. A expectativa é crescer no segmento, principalmente porque o custo ficou mais acessível, segundo Neto.

“O solar vem caindo de preço ano a ano, então está cada vez mais viável. E agora a bateria também caiu de preço por causa dos carros elétricos”.

Na visão dele, os produtores ainda não estão fazendo esta conta, das vantagens de substituir o diesel com energia solar e baterias.

“Eu acredito que o pessoal não está calculando porque o payback está muito atrativo. E nesse conceito ESG dá para vender o meu algodão que usa energia limpa”.

Em função disso, o diretor da Weg contou ao AgFeed que, dentro de sua diretoria, acaba de criar uma “seção agro”, com times especializados para atender esses clientes.

“A gente deixava na mão do canal normal, porque a Weg já vendia muito motor para o agro”, disse ele, reforçando que não havia uma prioridade para oferecer a solução de energia solar. A partir de agora o plano é ampliar a presença da Weg em eventos e feiras do agronegócio.

Harry Neto não quis comentar sobre os eventuais efeitos das tarifas impostas por Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

É possível que a estratégia de ganhar espaço no agro possa ajudar a empresa em um momento especialmente delicado. De acordo com o release de resultados divulgado pela Weg, referente ao segundo trimestre deste ano, 48% da receita da empresa no mercado externo teve como origem a América do Norte.

Em meio aos temores de possíveis impactos do tarifaço, as ações da empresa acumularam queda de 13,6% nos últimos 30 dias. No acumulado do ano, o recuo é superior a 29%.  Porém, desde a semana passada os papeis apresentaram uma reação, de quase 3%, à medida que cresce a expectativa de novas exceções na lista de produtos que serão tarifados pelos EUA.

Segundo um relatório recente do BTG Pactual, a taxação da exportação dos motores elétricos do Brasil para os EUA representava o maior risco para a companhia. Isso porque uma eventual tarifa poderia implicar em um custo adicional de R$ 809 milhões por ano para a Weg, de acordo com o relatório.

Fonte: AG Feed

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior, Industria

Do agro à indústria, empresas têm vendas aos EUA suspensas antes de tarifas

Setores de pescados, suco de laranja, madeira e ferro-gusa já relatam danos a contratos quatro dias antes de taxa de 50% vigorar

Às vésperas de entrar em vigor a tarifa de 50% prometida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresas brasileiras do agronegócio à indústria têm contratos de exportação suspensos e embarques de mercadorias ao país norte-americano cancelados.

Um dos setores que já admite perdas é o de pescados. O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, disse em entrevista à CNN que “todos os embarques de mercadorias foram suspensos e pedidos foram cancelados”.

“Em vigorando a taxa de 50% ninguém vai exportar e a cadeia produtora vai travar”, completou o executivo.

Relata situação semelhante o segmento madeireiro. Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), disse à CNN que “há alguns contratos cancelados e uma série de embarques postergados até que a situação da tarifa se defina”.

“Em função disso, várias empresas já estão diminuindo produção, cortando turnos e várias já têm anúncio de férias coletivas”, concluiu.

Já importadores norte-americanos de ferro-gusa — matéria-prima para o aço — anunciaram a suspensão de contratos com fornecedores do Brasil, segundo Fernando Varela, presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo).

Apesar de o cancelamento de pedidos ainda não estar na mesa, Varela ressalta que empresários encaram a proximidade do prazo e a falta de resolução com temor. “Está chegando o dia e até agora não foi vista uma ação concreta de negociação por parte do governo”, opinou.

No segmento de suco de laranja, não há relatos de cancelamentos de embarque ou suspensão de contratos, segundo um representante setorial consultado pela CNN. O relato, contudo, é de que a negociação de novas vendas estão paralisadas enquanto há incertezas sobre as taxas.

Nem todos os segmentos de exportação relevante aos EUA relatam impacto, contudo. Representantes dos setores de café e de carne bovina disseram à CNN que ainda não há registro de suspensão de contratos ou cancelamentos de embarques.

O setor produtivo, por meio de associações e entidades representativas, vem pedindo ao governo federal pragmatismo nas negociações com os EUA e a extensão do prazo para o início da vigência da taxa. Auxiliares de Donald Trump reiteraram nos últimos dias que os 50% valerão em 1º de agosto.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Agronegócio, Exportação

CNA estima perda de US$ 5,8 bilhões em exportações do agronegócio aos EUA com tarifa de 50%

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o agronegócio deixará de exportar US$ 5,8 bilhões aos Estados Unidos neste ano com a imposição da tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

A projeção da confederação considera uma queda de 48% nos embarques de produtos do agronegócio ao mercado norte-americano ante os US$ 12,1 bilhões comercializados em 2024.

O cálculo, informou a CNA em nota, considera a “elasticidade” das importações de bens nos Estados Unidos, com o impacto da alíquota de 50%.

“A elasticidade das importações de um país mede o quanto o volume importado reage a mudanças no preço dos produtos. Assumiu-se que o choque causado nas tarifas seria integralmente transmitido para os preços de importação. Ou seja, uma elevação de 50% nas tarifas elevaria em 50% os preços finais”, explicou a CNA na nota.

O indicador de elasticidade foi estimado com base nos dados de comércio dos EUA nos últimos cinco anos, explicou a CNA. Quanto menor o indicador, maior o impacto sobre as importações americanas.

De acordo com a confederação, a maior parte dos produtos agropecuários exportados para os Estados Unidos possui elasticidade menor que -1, indicando uma maior sensibilidade às variações de preço.

De acordo com o estudo da entidade, na aplicação da tarifa de 50%, as exportações brasileiras de suco de laranja, açúcares de beterraba, outros açúcares de cana e sacarose cairiam a zero.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso do suco de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro”, explicou a entidade.

Produtos como etanol e sebo de bovinos também devem ter quedas expressivas nas exportações aos Estados Unidos, com redução prevista em volume de, respectivamente, 71% e 50%.

Já os embarques de café não torrado e não descafeinado seriam os menos afetados, com redução prevista de 25% em volume.

“Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, observa a confederação.

A venda de carne bovina e açúcar de cana têm impactos limitados previstos, com 33% em volume que deixariam de ser exportados.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Agronegócio

Taste of Brazil 2025: oportunidade para o agro brasileiro no varejo da Índia

Ação leva alimentos e bebidas brasileiros às prateleiras de grandes varejistas na Índia 

Empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas têm uma oportunidade estratégica de adentrar na Índia, um dos maiores mercados consumidores deste setor do mundo. A partir de outubro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizará, em parceria com a consultoria AMPRO Marketing, especializada no mercado indiano, a ação “India Retail – Taste of Brazil 2025”, iniciativa do projeto Brasil na Vitrine. Para se inscrever e levar seus produtos para a Índia, clique aqui. 

A ação será realizada nas cidades de Nova Delhi e Mumbai, com o objetivo de aproximar empresas brasileiras de potenciais compradores indianos e promover produtos nacionais diretamente nas prateleiras do varejo local. Além disso, as mercadorias selecionadas poderão participar de campanhas promocionais com chefs renomados, nutricionistas e influenciadores de mídia social, além de degustações para atrair a atenção do consumidor indiano. 

Empresas brasileiras exportadoras dos seguintes segmentos podem se candidatar: 

  • Castanhas 
  • Açaí e derivados 
  • Chocolates artesanais 
  • Condimentos e temperos 
  • Petiscos saudáveis 
  • Frutas frescas (como limão Taiti, abacate, figo e caqui) 
  • Pescados (especialmente peixes amazônicos) 
  • Sementes e feijões 
  • Bebidas não-alcoólicas (como sucos e polpas) 
  • Cafés especiais 
  • Bebidas alcoólicas (como cachaça, espumantes e gim) 
  • E outros produtos premium voltados ao varejo de alimentos e bebidas 

A parceria com a consultoria AMPRO Marketing, especializada no mercado indiano, proporcionará a organização das rodadas de negócios (matchmaking) entre as empresas brasileiras selecionadas e importadores da Índia. Os exportadores brasileiros cujos produtos forem adquiridos durante as reuniões comerciais serão contemplados com uma robusta agenda de promoção de imagem e posicionamento de marca no varejo indiano, fortalecendo sua presença internacional. 

Participe e leve o sabor do Brasil ao mundo! Esta é uma oportunidade de projetar sua marca em um mercado em franca expansão e alta demanda por alimentos saudáveis, autênticos e inovadores. Para saber mais sobre a ação, critérios de participação e benefícios envolvidos, confira o regulamento. 

Fonte: Apex Brasil

Ler Mais
Agronegócio

Abertura de mercado agrícola para o Brasil na África do Sul

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 394 aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro e o governo da África do Sul concluíram negociação fitossanitária para que o Brasil exporte sementes de canola para aquele país.

Com mais de 63 milhões de habitantes, a África do Sul importou cerca de USD 635 milhões em produtos agropecuários do Brasil em 2024, com destaque para carnes, açúcar, cereais e café.

Além de promover a diversificação dos parceiros comerciais do Brasil, esta abertura de mercado representa uma nova oportunidade de negócios para o setor privado brasileiro, uma vez que a África do Sul é um produtor relevante de oleaginosas no contexto regional.

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 394 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Ler Mais
Agronegócio, Exportação

Exportações do agronegócio somam US$ 82 bilhões no 1º semestre de 2025 e mantêm protagonismo na balança comercial

Apesar de leve queda em relação ao ano anterior, setor responde por quase metade das vendas externas do país, com destaque para carnes, soja e aumento na diversificação de destinos

Balança comercial do agro mantém superávit robusto

As exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 82,1 bilhões no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No mesmo período, as importações do setor somaram US$ 10,1 bilhões, resultando em um superávit de US$ 71,9 bilhões — uma leve retração de 1,1% em comparação a 2024.

A queda se deve a uma leve redução nas exportações (-0,2%) e aumento nas importações (+5,9%), impulsionadas principalmente pelos desembarques de cacau (319%), óleo de palma (48%) e trigo (3%).

Setor agro mantém quase metade da receita das exportações brasileiras

O agronegócio foi responsável por 49% de toda a receita das exportações do Brasil entre janeiro e junho de 2025, mesma participação registrada no mesmo período de 2024. O índice segue em linha com a média dos últimos cinco anos, consolidando o papel do setor como principal motor da balança comercial brasileira.

Junho fecha em leve queda, mas semestre é o terceiro melhor da história

Em junho, o setor exportou US$ 14,61 bilhões, valor 1,2% inferior ao de maio e 1,3% abaixo do mesmo mês de 2024. Ainda assim, o desempenho do semestre em dólares foi o terceiro melhor da história. A valorização cambial também favoreceu a receita em reais, com o dólar cotado, em média, a R$ 5,76 — alta de 13,27% na comparação anual.

Carnes ganham espaço; soja mantém liderança

A soja em grãos continuou liderando a pauta de exportações, com 31% de participação no total exportado — ligeira queda em relação aos 34% de 2024. Essa redução foi compensada por ganhos nas exportações de carne bovina, cuja participação subiu de 6% para 8%, com avanços em volume e preço. As carnes suína e de frango também apresentaram bom desempenho, embora esta última tenha sido impactada pela gripe aviária no Rio Grande do Sul a partir de maio.

No setor sucroenergético, os embarques de açúcar e etanol caíram em razão da antecipação da safra em 2024, o que distorce a base de comparação.

China segue como principal destino, mas perde participação

A China permaneceu como o maior mercado para o agro brasileiro, com 34% das exportações no semestre. No entanto, esse percentual foi ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (35%). Ao mesmo tempo, mercados como os Estados Unidos, União Europeia e países asiáticos emergentes ampliaram sua participação, indicando maior diversificação nos destinos.

Exportações para a Ásia somam US$ 41,5 bilhões

As vendas para o continente asiático caíram 2,7% em receita no semestre, reflexo da queda nos preços da soja. A China foi responsável por 67% das exportações para a região. Os principais produtos enviados foram soja em grãos, carne bovina, celulose e açúcar VHP.

União Europeia amplia compras, com destaque para café e farelo de soja

A União Europeia importou US$ 12 bilhões do agro brasileiro no primeiro semestre, crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024. O café verde liderou as vendas, seguido por farelo de soja e soja em grãos. A Alemanha foi o maior comprador de café dentro do bloco, com 30% de participação.

Estados Unidos elevam importações mesmo com tarifas

Apesar de tarifas impostas em abril, os embarques para os EUA somaram US$ 6,6 bilhões — alta de 20% em relação ao 1º semestre de 2024. A carne bovina se destacou, com aumento superior a 100% no volume exportado, atingindo 157 mil toneladas e receita de US$ 791 milhões.

Desempenho por produto no semestre

Confira os principais números do 1º semestre de 2025:

  • Soja em grãos: 64,9 milhões de toneladas (+1%), com preço médio de US$ 391,5/t (-10%)
  • Óleo de soja: +26% no volume; preço médio de US$ 1.032,5/t (+9%)
  • Carne bovina: 1,29 milhão de toneladas (+13%), com preço médio 13% maior (US$ 5.100/t)
  • Etanol: Queda de 26% nos volumes; alta de 4% no preço médio
  • Milho: Redução de 22% no volume exportado; leve alta nos preços
  • Café verde: Queda de 18% no volume, mas alta de 79% nos preços (US$ 6.456,4/t)

Fonte: Portal do Agronegócio

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior

Governo foca em 5 produtos do agro para destinos alternativos aos EUA

Café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas são prioridades; veja mapa de alternativas

O governo federal se prepara para o cenário em que entrem em vigor as tarifas de 50% anunciadas pelos Estados Unidos e foca em cinco produtos na busca por destinos alternativos ao agro: café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas.

Estes estão entre os itens que o Brasil mais exporta para os EUA. Os destinos alternativos aparecem em diversos continentes, mas se concentram na Ásia, detalhou em entrevista à CNN o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Luis Rua.

Confira abaixo o mapa de alternativas aos produtos do agro:

Para o café, o avanço no mercado chinês é tratado como uma das principais possibilidades. O gigante asiático vem aumentando sua demanda pelo produto e já importa US$ 1,09 bilhão por ano, sendo cerca de US$ 336 milhões deste total do Brasil.

Outra alternativa para o grão seria a Austrália, que compra anualmente US$ 619 milhões, sendo US$ 108 milhões do agro nacional. A avaliação de que há espaço para avançar nestes mercados considera que o Brasil concentra 40% da produção mundial de café.

O governo monitora o aumento da demanda da Arábia Saudita por suco de laranja e vê o país do Oriente Médio como alternativa ao seu produto. No caso dos pescados, está na mira a possibilidade de vender mais para o Reino Unido.

Estão entre as alternativas listadas por Luis Rua para a carne bovina o avanço no Vietnã, no México e no Chile, por exemplo. Já em relação às frutas, aparecem a China — especialmente para as uvas —, o Japão e a Coreia do Sul — no caso destes dois, o foco é a manga.

Exemplos de alternativas a parte, Luis Rua indica que neste eixo do trabalho, o governo definiu entre sete e oito ações possíveis para cada item. “Estamos fazendo ‘taylor made’ para cada mercado”, disse.

Eixos da preparação

O mapeamento de parceiros é um dos três eixos do trabalho do Mapa em relação às tarifas que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça impor ao Brasil a partir de 1° de agosto.

Um segundo eixo busca intensificar os trabalho para abertura de novos mercados aos produtos brasileiros — até aqui o governo Lula viabilizou 493 — e promoção comercial dos itens dos agro ao redor do globo.

Além disso, o pasta dá amparo técnico as às negociações diplomáticas, tocadas pelo governo. O secretário defende, por exemplo, que o Brasil peça aos EUA um prazo de 90 dias para dia diálogo entre as partes a fim de evitar a taxação.

Fonte: CNN Brasil


Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera preocupação no agronegócio e na indústria de Mato Grosso

Medida de 50% nas importações pode impactar exportações de carne bovina e produtos industriais, ameaçando competitividade e fluxo comercial do estado

A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil acende um alerta em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção de carne bovina do país e possui uma indústria diversificada e estratégica para o comércio bilateral.

Em nota nesta quinta-feira (10), as Federações da Agricultura e Pecuária (Famato) e das Indústrias (Fiemt) declaram acompanhar com preocupação as possíveis consequências da medida, que pode comprometer o fluxo comercial e a competitividade de diversos setores locais.

Na última segunda-feira (7), o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países as novas tarifas que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmem um novo acordo comercial. Donald Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 20% e 50%, a depender do país.

Conforme analistas econômicos, a tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), seria a mais alta entre as novas taxas divulgadas até agora por Donald Trump até o momento.

Mato Grosso lidera a produção de carne bovina brasileira, com um rebanho superior a 30 milhões de cabeças. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2024 o estado exportou 39.039 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, de um total de 303.149 toneladas embarcadas pelo Brasil. Até junho de 2025, as exportações já somavam 26,55 mil toneladas, volume que poderia ser significativamente afetado pela nova tarifa, alertam os representantes do setor agropecuário.

Paralelamente, a indústria mato-grossense também pode sentir os impactos da medida. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os Estados Unidos foram, em 2024, o 17º principal destino das exportações do estado, com um total de US$ 415 milhões em produtos, somando 183,4 mil toneladas. Desse montante, US$ 373,6 milhões referem-se à indústria de transformação, demonstrando a relevância do setor nas relações comerciais.

Entre os principais produtos industriais exportados estão carnes (US$ 148,5 milhões), ouro (US$ 147,1 milhões), gordura animal (US$ 43,5 milhões), gelatinas (US$ 16,8 milhões) e madeira beneficiada (US$ 12,5 milhões). A agropecuária também mantém papel importante, com US$ 41,4 milhões em exportações. Nos últimos anos, carne bovina, mineração e derivados de origem animal foram os segmentos que mais ampliaram sua presença no mercado norte-americano.

No sentido contrário, os Estados Unidos são o quarto maior fornecedor de produtos para Mato Grosso, com US$ 301,8 milhões em importações, especialmente aeronaves, fertilizantes, máquinas e defensivos agrícolas, evidenciando a importância estratégica do intercâmbio comercial para ambos os lados.

Diante do cenário, a Famato defende a necessidade de o Brasil adotar uma postura firme e diplomática para preservar a competitividade do agronegócio e garantir segurança jurídica nas relações comerciais.

A Fiemt, por sua vez, reforça o compromisso com a defesa da indústria mato-grossense e a promoção de um ambiente favorável à ampliação das relações internacionais, essenciais para o desenvolvimento econômico sustentável do estado.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

Ler Mais
Economia, Internacional, Mercado Internacional

Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras: decisão de Trump gera reações e acirra tensões políticas e econômicas

O anúncio feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, provocou uma onda de reações no Brasil e no exterior. O motivo declarado por Trump foi o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentar liderar um golpe de Estado. O gesto foi amplamente interpretado como uma interferência direta nos assuntos internos do Brasil e gerou repercussões em diferentes esferas: política, econômica e diplomática.

A decisão, classificada pelo economista e Nobel Paul Krugman como parte de um “programa de proteção a ditadores”, foi duramente criticada por autoridades brasileiras, instituições empresariais, especialistas e parlamentares. Enquanto o governo Lula vê a medida como uma afronta à soberania nacional, políticos da oposição acusam o atual governo de criar tensões com os EUA.

Governo reage e convoca reunião de emergência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão convocando uma reunião de emergência com ministros e afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em vigor desde abril. Nas redes sociais, Lula destacou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida” e reforçou que o processo judicial contra Bolsonaro “é de competência da Justiça Brasileira”.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a iniciativa de Trump tem potencial político relevante: “Certamente, essa dimensão política é algo positivo para a administração Lula”, afirmou. No entanto, Cortez pondera que o efeito pode ser limitado pela polarização política e pelo forte apoio da base bolsonarista.

Especialistas alertam para riscos à soberania e impacto diplomático

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destacou que “ingerências externas não pegam bem no Brasil” e que até críticos de Lula podem ver o gesto como um ataque à soberania. Já Creomar de Souza, da consultoria Dharma Politics, afirmou que a medida é uma “bola quicando” para o governo, mas alerta que “a questão é saber se o governo terá uma resposta organizada e uníssona”.

Ian Bremmer, cientista político americano, afirmou que “seria intolerável para líderes americanos se outro país fizesse o mesmo com os EUA”, enquanto Krugman classificou as tarifas como “megalomaníacas” e sem justificativa econômica, observando que o comércio com os EUA representa menos de 2% do PIB brasileiro.

Setores econômicos pedem diplomacia e cautela

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação e defendeu diálogo. “Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da entidade.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também pediu cautela: “A nova alíquota atinge o agronegócio nacional, impactando o câmbio e a competitividade”. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) enfatizaram os riscos de prejuízos econômicos e danos à imagem do Brasil no exterior. “É uma das maiores taxações já aplicadas na história do comércio internacional”, destacou José Augusto de Castro, presidente da AEB.

Parlamentares se dividem entre nacionalismo e acusação

Na arena política, a medida acirrou o embate entre governo e oposição. O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a atitude como “jogar contra o Brasil”, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou que Lula “conseguiu ferrar o Brasil”. Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou os aliados de Bolsonaro de “traidores”, e Jaques Wagner (PT-BA) reforçou que “o Brasil não será quintal de ninguém”.

Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL-PR), culparam Lula e o STF pela crise diplomática. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) criticou a “ideologia acima da economia”, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) falou em “perseguições” e “provocações baratas”.

Eduardo Bolsonaro e bastidores da decisão

A medida de Trump veio na esteira da atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Em carta enviada ao jornalista Guga Chacra, assinada junto com o jornalista Paulo Figueiredo, Eduardo confirmou que manteve “intenso diálogo com autoridades do governo Trump” e que a decisão de taxar o Brasil é reflexo direto dessas conversas, com o objetivo de pressionar o STF e seu relator, Alexandre de Moraes.

STF e diplomatas reagem

O ministro Flávio Dino, do STF, destacou em publicação nas redes que a Corte age em defesa da “soberania nacional e da democracia”. Já o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou diretamente sobre o assunto, mas bastidores apontam preocupação com o uso político da medida internacional para pressionar decisões judiciais.

O que esperar daqui para frente?

A escalada tarifária imposta por Trump reabre o debate sobre o uso de políticas comerciais para fins políticos. Apesar de seus efeitos diretos sobre o comércio exterior brasileiro serem limitados em termos absolutos — segundo dados da OMC, os EUA representam 11,4% das exportações brasileiras —, os impactos simbólicos e políticos podem ser significativos, especialmente em ano pré-eleitoral.

Há incerteza quanto aos desdobramentos diplomáticos. O governo brasileiro tenta articular uma resposta que preserve os interesses econômicos do país, sem acirrar ainda mais o conflito político. O sucesso dessa resposta, segundo especialistas, dependerá da habilidade do governo em unir diferentes frentes políticas e econômicas em torno de uma reação estratégica, firme, mas diplomática.

FONTE: COMPILADO DE NOTÍCIAS – BBC NEWS/BRASIL
FOTO: REUTERS/Ken Cedeno
TEXTO: REDAÇÃO

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook