Transporte

Déficit de motoristas preocupa transporte interestadual e chega a 30% no Brasil

O transporte rodoviário interestadual de passageiros enfrenta uma escassez significativa de profissionais. Atualmente, o déficit de motoristas é estimado em cerca de 30%, cenário que mobiliza empresas e entidades do setor em busca de soluções para atrair novos trabalhadores e garantir a renovação da categoria.

Levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) aponta que mais de 60 mil motoristas atuam no segmento, enquanto a demanda ideal seria próxima de 86 mil profissionais. A situação é ainda mais crítica nos estados da região Centro-Oeste, onde a falta de mão de obra é mais acentuada.

Empresas recorrem a motoristas aposentados

Apesar da escassez ainda não comprometer a operação das empresas devido ao ritmo mais lento do mercado, o problema preocupa no médio e longo prazo. Para manter as escalas de viagem, muitas transportadoras têm incentivado motoristas aposentados a permanecerem em atividade.

No entanto, representantes do setor avaliam que essa alternativa é temporária. Com o avanço da idade, parte desses profissionais poderá encontrar dificuldades para renovar a habilitação exigida para o exercício da profissão, o que tende a ampliar a carência de trabalhadores nos próximos anos.

Mudança no perfil profissional reduz interesse pela atividade

Além do envelhecimento da categoria, o setor observa uma transformação no comportamento dos trabalhadores. A rotina de longas viagens e pernoites fora de casa tem afastado muitos candidatos, que passaram a buscar ocupações com maior possibilidade de retorno diário ao lar.

Entre as alternativas escolhidas estão atividades como motorista por aplicativo, táxi e transporte urbano, que oferecem jornadas mais previsíveis e maior convivência com a família.

Outro fator apontado é a ampliação das responsabilidades da função. Atualmente, além da condução do veículo, os profissionais precisam lidar com atendimento aos passageiros, sistemas eletrônicos embarcados e outras tecnologias presentes nos ônibus modernos.

Com isso, parte dos motoristas também migrou para o transporte de cargas, onde a remuneração pode ser semelhante e não há necessidade de interação constante com passageiros.

Pesquisa busca entender como atrair novos motoristas

Na tentativa de enfrentar o problema, a Abrati e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT) estão preparando uma pesquisa nacional para identificar o perfil atual dos profissionais e compreender quais fatores podem tornar a carreira mais atrativa.

O estudo também pretende levantar as principais demandas da categoria e fornecer subsídios para estratégias de recrutamento, capacitação e retenção de trabalhadores.

Envelhecimento da categoria amplia preocupação

Outro desafio está relacionado à idade dos profissionais em atividade. Hoje, a maior parte dos motoristas rodoviários está na faixa entre 40 e 50 anos, o que evidencia a dificuldade de atrair trabalhadores mais jovens para o segmento.

Embora a experiência seja considerada um diferencial para a profissão, o envelhecimento da mão de obra aumenta o risco de agravamento da escassez caso não haja renovação nos próximos anos.

Participação feminina ainda é pequena

A presença de mulheres no transporte rodoviário de passageiros continua reduzida. Entre os fatores apontados para a baixa adesão estão as viagens de longa duração e a necessidade de permanecer vários dias fora de casa, condição que ainda pesa sobre muitas mulheres devido às responsabilidades familiares.

Mesmo assim, programas de formação desenvolvidos pelo Sest Senat vêm contribuindo para ampliar, de forma gradual, a participação feminina tanto no transporte coletivo quanto no setor de cargas.

Saúde e segurança ganharam prioridade nas empresas

Nos últimos anos, as transportadoras também reforçaram os protocolos voltados à segurança viária e à saúde dos profissionais.

Entre as medidas adotadas estão exames médicos periódicos, testes de bafômetro antes das viagens e monitoramento para prevenir situações que possam comprometer a condução, como consumo de álcool, drogas e outras formas de dependência. Algumas empresas também passaram a desenvolver ações preventivas relacionadas ao vício em apostas esportivas e jogos online.

Os cuidados com a qualidade do descanso também foram ampliados. Programas de higiene do sono oferecem acompanhamento médico, avaliação de distúrbios como apneia e orientações para reduzir a fadiga.

Em determinados pontos de apoio nas rodovias, os motoristas ainda contam com espaços de recuperação equipados com iluminação estimulante, alimentação balanceada e bicicletas ergométricas, medidas que buscam aumentar a disposição antes das viagens, especialmente durante os deslocamentos noturnos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Transporte

RNTRC impulsiona formalização do transporte rodoviário de cargas no Brasil

A revalidação do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), provocou uma transformação no setor de transporte rodoviário de cargas. Apesar das críticas registradas durante sua implantação, especialmente em relação ao risco de suspensão de cadastros e aos impactos operacionais, a medida acelerou a formalização das empresas e reforçou a cultura de conformidade regulatória.

Dados do Anuário TRC 2025 apontam que a regularização dos registros das transportadoras cresceu 128% após o processo de revalidação, refletindo o fortalecimento da fiscalização digital e das exigências de mercado.

Regularização avança com integração dos sistemas

O número de Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) com registros ativos, pendentes ou suspensos passou de 123.003 para 280.036 até dezembro de 2025.

Segundo especialistas, esse crescimento acompanha a integração das plataformas eletrônicas utilizadas para monitorar a atividade, tornando cada vez mais difícil a atuação de empresas com pendências cadastrais ou fora da regulamentação.

Durante o período mais crítico da revalidação, no início de 2024, mais de 240 mil transportadoras ainda não haviam atualizado seus registros junto ao RNTRC. Considerando empresas, cooperativas e transportadores autônomos, o total de cadastros pendentes ultrapassava 700 mil operadores.

Para o advogado Cristiano José Baratto, especialista em Direito aplicado ao transporte e à logística, a regularização deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um diferencial competitivo.

“Esse porcentual não representa simplesmente um aumento no número de empresas, mas um esforço expressivo de regularização. As transportadoras perceberam que manter o cadastro em conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um requisito essencial para operar em um mercado cada vez mais fiscalizado, digitalizado e exigente.”

Irregularidade gera prejuízos além das multas

Atualmente, manter o cadastro irregular no RNTRC pode comprometer muito mais do que o cumprimento da legislação.

Empresas com registros suspensos, pendentes ou cancelados encontram dificuldades para contratar com grandes embarcadores, obter homologação de clientes, contratar seguros, acessar linhas de crédito e atender exigências de auditoria e compliance.

As penalidades financeiras também ficaram mais rigorosas. O transporte remunerado de cargas com o cadastro irregular pode resultar em multa de R$ 3 mil por ocorrência. A mesma penalidade é aplicada aos contratantes que utilizarem transportadores sem situação regular.

Já a ausência de atualização cadastral pode gerar multa de R$ 750, enquanto a apresentação de informações falsas pode levar ao cancelamento do registro e impedir a emissão de um novo RNTRC por dois anos.

Além das sanções previstas, especialistas alertam que o impacto financeiro da irregularidade costuma ser ainda maior, principalmente em contratos com grandes indústrias, varejistas e operadores logísticos que exigem documentação regulatória completa.

Fiscalização digital muda a forma de controlar o setor

Criado inicialmente como um cadastro regulatório, o RNTRC passou a desempenhar papel estratégico na fiscalização do transporte rodoviário de cargas.

Hoje, o sistema está integrado a diversas bases eletrônicas, como o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), os sistemas de pagamento eletrônico de frete, o vale-pedágio obrigatório e os mecanismos de controle para transporte de produtos perigosos.

Com essa integração, o monitoramento deixou de depender exclusivamente de fiscalizações presenciais em rodovias e postos de pesagem, passando a ocorrer também por meio do cruzamento automático de dados.

Em 2026, por exemplo, a verificação eletrônica das apólices do seguro RC-V resultou em aumento expressivo das contratações após a vinculação da regularidade do cadastro à comprovação da cobertura obrigatória.

Segundo Baratto, a conformidade passou a fazer parte da estratégia operacional das empresas.

“Hoje, o desafio não é apenas transportar cargas com eficiência, mas demonstrar conformidade ao longo de toda a operação. As empresas precisam investir não somente em frota e produtividade, mas também em processos internos, organização documental e governança.”

Formalização cresce, mas informalidade ainda preocupa

O Anuário TRC 2025 também registrou a emissão de 124 mil novos registros no RNTRC, o maior volume da série histórica e cerca de 50% superior ao observado em 2015.

Embora não exista um indicador oficial que mensure a informalidade no setor, especialistas avaliam que a integração entre RNTRC, CIOT, MDF-e e sistemas de seguros tende a reduzir gradativamente o espaço para operações irregulares.

A avaliação é que a revalidação do cadastro acelerou um movimento que já vinha sendo observado no mercado: a profissionalização do transporte rodoviário de cargas, impulsionada pelo avanço da fiscalização digital, pelas exigências de embarcadores e pelo aumento da governança nas empresas.

Com esse cenário, manter a regularidade cadastral deixou de ser apenas uma obrigação administrativa e passou a representar um requisito estratégico para garantir competitividade e acesso aos principais contratos do setor.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

MP do Frete trava no Senado e aumenta risco de greve dos caminhoneiros

A MP do Frete enfrenta um impasse no Senado e volta a provocar preocupação entre os caminhoneiros. A apenas uma semana do fim de sua validade, a medida provisória segue sem previsão de votação, apesar de já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados.

O texto reforça a fiscalização do piso mínimo do frete e promove mudanças nas regras do transporte rodoviário de cargas. Caso não seja aprovado até o dia 16 de julho, perderá a eficácia e deixará de produzir efeitos.

Votação segue travada no Senado

Nos bastidores do Congresso, parlamentares atribuem a demora à falta de inclusão da proposta na pauta do Plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A matéria está parada na Casa há cerca de três semanas.

Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que a votação ocorreria na terça-feira (7). No entanto, a proposta não foi incluída na ordem do dia, prolongando a indefinição.

Caminhoneiros voltam a falar em paralisação

Diante da possibilidade de a medida perder a validade, o presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, intensificou a pressão sobre o governo e o Congresso.

Segundo ele, a categoria poderá iniciar uma greve dos caminhoneiros caso a MP não seja aprovada dentro do prazo. Os motoristas defendem que a proposta é essencial para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete, evitando pagamentos abaixo dos valores definidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Texto passou por mudanças durante a tramitação

A medida provisória foi editada pelo governo federal em março, após ameaças de paralisação da categoria. Desde então, o texto sofreu diversas alterações no Congresso Nacional.

Entre as principais mudanças estão a redução das multas para contratantes que descumprirem o piso do frete, a flexibilização das penalidades para empresas reincidentes e a possibilidade de conversão em advertência das multas aplicadas antes da futura lei.

Durante a votação na Câmara, os deputados também aprovaram um dispositivo que concede anistia às multas relacionadas a atos praticados em 2022. A inclusão desse trecho gerou críticas da oposição e ampliou o debate sobre a proposta.

Setores econômicos divergem sobre a proposta

Enquanto os caminhoneiros defendem a aprovação da MP do Frete, representantes do agronegócio, da indústria e dos embarcadores manifestam preocupação com as novas regras.

Essas entidades argumentam que o aumento da fiscalização e das exigências pode elevar os custos logísticos e ampliar a insegurança jurídica no setor de transporte. A divergência entre os segmentos é apontada como um dos principais fatores que dificultam o avanço da medida no Senado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Transporte

Confiança dos transportadores segue baixa diante das incertezas econômicas, aponta CNT

O Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas mostra que o setor continua operando em um cenário de cautela. A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com federações estaduais, aponta que os empresários ainda demonstram baixa confiança no ambiente de negócios, apesar de expectativas um pouco mais positivas para os próximos meses.

O levantamento avaliou empresas de cinco estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — e revelou que todos permaneceram abaixo dos 50 pontos no índice geral, nível considerado como indicativo de confiança.

Entre os principais fatores que preocupam os transportadores estão os juros elevados, o aumento dos custos operacionais, as incertezas econômicas e tributárias e as dificuldades para ampliar investimentos e expandir os negócios.

Expectativas melhoram, mas cenário ainda exige cautela

Embora a percepção sobre o momento atual seja predominantemente negativa, a pesquisa mostra que as expectativas para os próximos seis meses são mais favoráveis na maior parte dos estados.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o estudo permite acompanhar as tendências que afetam o setor e contribui para orientar ações voltadas ao fortalecimento da competitividade do transporte rodoviário de cargas.

Segundo ela, o monitoramento da percepção dos empresários ajuda a identificar os principais desafios enfrentados pelas transportadoras em diferentes regiões do país.

Santa Catarina registra avanço na confiança

Entre os estados analisados, Santa Catarina foi o único a apresentar crescimento no índice de confiança.

O indicador geral passou de 38,7 para 44 pontos, avanço de 5,3 pontos percentuais em comparação ao segundo semestre de 2025. O índice de avaliação das condições atuais chegou a 33,7 pontos, enquanto o indicador de expectativas alcançou 49,2.

Apesar da melhora, o resultado permanece abaixo da linha de confiança, refletindo a continuidade das incertezas econômicas, regulatórias e institucionais que impactam o setor.

Minas Gerais lidera índice geral

Em sua estreia na pesquisa, Minas Gerais apresentou o maior índice geral entre os estados avaliados, com 47,2 pontos.

O destaque ficou para o indicador de expectativas, que atingiu 51 pontos, sendo o único acima da linha considerada positiva. Já a avaliação das condições atuais ficou em 39,5 pontos.

O resultado indica que, embora os empresários mineiros ainda enxerguem dificuldades no cenário atual, existe uma percepção mais otimista para o segundo semestre.

São Paulo atinge menor nível desde o início da pesquisa

No estado de São Paulo, o índice geral caiu para 41,2 pontos, o menor resultado desde o início da série histórica da CNT, em 2023.

A avaliação das condições atuais ficou em apenas 28,9 pontos, enquanto as expectativas para os próximos meses chegaram a 47,4.

Os empresários paulistas relacionam o desempenho ao ambiente econômico desfavorável, marcado por juros elevados, aumento dos custos, insegurança regulatória e desaceleração da atividade produtiva.

Rio de Janeiro mantém tendência de queda

O Rio de Janeiro registrou índice geral de 43 pontos, acumulando a segunda queda consecutiva na pesquisa.

O indicador das condições atuais atingiu 31,3 pontos e o de expectativas ficou em 48,9.

Entre os principais desafios apontados pelas empresas estão a instabilidade econômica e fiscal, o aumento dos custos operacionais, problemas de infraestrutura e questões relacionadas à segurança pública, como o roubo de cargas.

Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades

No Rio Grande do Sul, o índice geral recuou para 42,4 pontos, queda de 4,3 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

A avaliação das condições atuais ficou em 32,3 pontos, enquanto o índice de expectativas atingiu 47,5.

Os transportadores gaúchos destacam como principais obstáculos o aumento dos custos, a elevada carga tributária, a deficiência da infraestrutura, a falta de motoristas qualificados e a dificuldade de acesso ao crédito.

Pesquisa ouviu transportadoras de cinco estados

A sondagem foi realizada entre os dias 28 de maio e 21 de junho em parceria com as federações estaduais do setor: Fetransul (RS), Fetrancesc (SC), Fetcesp (SP), Fetranscarga (RJ) e Fetcemg (MG).

Nesta edição, o Espírito Santo também participou da iniciativa por meio da Fetransportes, mas o número de respostas obtidas não foi suficiente para divulgação dos resultados estaduais.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Seguro de cargas: novas regras da ANTT passam a valer e tornam contratação obrigatória

As novas regras para o seguro de cargas no transporte rodoviário entram em vigor nesta quarta-feira (1º), trazendo mudanças importantes para as empresas do setor. A partir de agora, transportadoras deverão comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para manter ativo o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).

A exigência faz parte da Resolução ANTT nº 6.068/2025, que regulamenta o novo marco do transporte rodoviário de cargas no Brasil e reforça as medidas voltadas à segurança das operações.

RNTRC poderá ser suspenso em caso de descumprimento

Com a nova regulamentação, as empresas que não comprovarem a contratação das coberturas obrigatórias poderão ter o RNTRC suspenso, ficando impedidas de realizar o transporte de cargas até a regularização da situação.

Além da suspensão do registro, os transportadores também estarão sujeitos às penalidades previstas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Lei prevê três seguros obrigatórios

A legislação estabelece a contratação de três modalidades de seguro de cargas, cada uma destinada a proteger diferentes riscos durante o transporte.

O RCTR-C (Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga) oferece cobertura para prejuízos causados às mercadorias em casos de acidentes, como colisões, tombamentos e incêndios.

Já o RC-DC (Seguro de Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga) protege contra perdas decorrentes de roubo, furto qualificado ou desaparecimento da carga transportada.

A terceira cobertura obrigatória é o RC-V (Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo), destinado ao pagamento de indenizações por danos materiais e corporais causados a terceiros durante a operação de transporte.

Nova regulamentação busca fortalecer a gestão de riscos

Segundo Marcos Siqueira, presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as novas exigências representam um avanço para a profissionalização do setor de transporte de cargas.

Na avaliação do dirigente, a legislação amplia a cultura de gestão de riscos, fortalece a segurança das operações e aumenta a proteção tanto das cargas quanto dos transportadores e de terceiros envolvidos.

Ele destaca ainda que o seguro passa a ter um papel mais estratégico, contribuindo para a continuidade das atividades das empresas e oferecendo maior segurança jurídica ao mercado.

FONTE: Agência Infra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Infra

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Transporte

Transporte rodoviário movimenta quase 70% das cargas no Brasil, aponta levantamento

O transporte rodoviário de cargas segue como a principal base da logística brasileira. De acordo com o novo Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas, os caminhões são responsáveis por 68,5% de toda a carga movimentada no país, considerando o indicador de tonelada-quilômetro (TKU). Quando a análise leva em conta o valor das mercadorias transportadas (VKU), essa participação sobe para 84,3%.

Os números evidenciam a forte dependência da economia nacional das rodovias para abastecer cidades, atender à indústria e garantir o escoamento da produção agrícola e mineral.

Rodovias sustentam a logística nacional

O estudo mostra que o Brasil conta com uma malha de mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, sendo aproximadamente 31 mil quilômetros administrados pela iniciativa privada.

Segundo o levantamento, a distribuição dos fluxos de carga acompanha as características econômicas de cada região. Produtos como soja e milho são transportados por corredores logísticos que ligam as áreas produtoras aos portos do Arco Norte e das regiões Sul e Sudeste.

Já as cargas conteinerizadas têm como principal ponto de movimentação o Porto de Santos, enquanto os granéis minerais concentram seu fluxo entre Minas Gerais e os portos do estado do Rio de Janeiro.

Diesel continua predominante no transporte de cargas

Mesmo com o avanço de alternativas energéticas, o diesel permanece como o principal combustível utilizado pelos caminhões brasileiros.

Conforme o Panorama, o consumo no setor ficou próximo de 70 milhões de metros cúbicos em 2025, refletindo a predominância do modal rodoviário na matriz logística nacional.

Setor amplia geração de empregos

Além de sua importância para o abastecimento do país, o segmento também manteve crescimento na geração de empregos formais. O levantamento aponta que o transporte rodoviário de cargas encerrou 2025 com saldo positivo superior a 46 mil novas vagas.

O desempenho reforça o papel estratégico da atividade na economia brasileira, tanto na circulação de mercadorias quanto na criação de postos de trabalho.

Renovação da frota e infraestrutura estão entre os desafios

Apesar dos resultados positivos, o estudo destaca que o setor ainda enfrenta desafios importantes para os próximos anos.

Entre eles estão a necessidade de renovação da frota — especialmente entre os transportadores autônomos —, a redução dos índices de acidentes nas rodovias e a adoção de medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Embora o Brasil venha ampliando investimentos em ferrovias, hidrovias e cabotagem, o modal rodoviário continua sendo o principal responsável pelo transporte de mercadorias.

Essa dependência faz com que fatores como oscilações no preço do diesel, problemas de infraestrutura e interrupções nas estradas tenham impacto direto sobre os custos logísticos, influenciando toda a cadeia de abastecimento e o preço final de diversos produtos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Randon

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Transporte

Vida útil dos pneus de carga: como aumentar a durabilidade e reduzir custos no transporte rodoviário

Em meio ao aumento dos custos logísticos, a busca por formas de ampliar a vida útil dos pneus de carga tornou-se prioridade para transportadoras e caminhoneiros. A estratégia impacta diretamente o custo por quilômetro rodado, além de favorecer a recapagem de pneus e reduzir o descarte de materiais.

Manutenção de pneus é essencial para reduzir custos operacionais

Especialistas do setor destacam que ações simples de manutenção preventiva de pneus, como calibragem adequada e inspeções regulares, podem ampliar de forma significativa a durabilidade dos pneus e melhorar a eficiência das frotas.

Segundo o diretor comercial da Bridgestone no Brasil, Marcos Aoki, os modelos atuais são desenvolvidos para múltiplos ciclos de uso, desde que a estrutura seja preservada.

“Um pneu de carga premium é projetado para mais de um ciclo de vida. Quando a carcaça é bem conservada, a recapagem permite que o ativo continue operando com segurança e desempenho”, explica.

Recapagem de pneus depende dos cuidados na primeira vida útil

Embora a recapagem de pneus de carga ocorra em centros especializados, sua viabilidade começa ainda na estrada. A forma como o pneu é utilizado na primeira etapa de vida influencia diretamente sua reutilização futura.

Fatores como excesso de carga, pressão incorreta, desalinhamento e impactos podem comprometer a carcaça e inviabilizar o reaproveitamento.

“A recapagem depende diretamente do estado da carcaça. Cada cuidado na primeira vida do pneu impacta sua possibilidade de reutilização”, reforça Aoki.

Entre as principais recomendações estão o controle da pressão, alinhamento, balanceamento e rodízio periódicos, além do respeito aos limites de carga e da escolha correta do modelo para cada operação.

Inspeção de pneus ajuda a evitar falhas e acidentes

A inspeção frequente também é considerada fundamental na gestão de pneus de frota. A verificação de cortes, desgaste irregular, objetos presos e danos visíveis permite identificar problemas antes que evoluam para falhas mais graves, reduzindo riscos e custos.

Tecnologia amplia ciclo de vida dos pneus de carga

O avanço tecnológico tem contribuído para aumentar a durabilidade e o potencial de recapagem. A Bridgestone lançou no Brasil o modelo R289, voltado para eixos direcionais e livres em operações rodoviárias de longa distância.

De acordo com a fabricante, o pneu foi desenvolvido com foco na redução de temperatura de operação, desgaste uniforme e maior preservação da carcaça. O modelo ainda oferece garantia de até a terceira recapagem por meio da rede Bandag.

Economia circular e sustentabilidade no setor de transporte

A estratégia também se conecta à lógica de economia circular no transporte rodoviário. Dados da Reciclanip apontam que mais de 5,6 milhões de toneladas de pneus inservíveis tiveram destinação ambientalmente adequada no Brasil entre 2011 e 2024.

“As transportadoras buscam soluções que combinem eficiência, redução de custos e sustentabilidade. O desenvolvimento dos pneus hoje considera todo o ciclo de vida da carcaça”, afirma Aoki.

Cuidados essenciais para aumentar a vida útil dos pneus de carga

A Bridgestone lista cinco práticas fundamentais para preservar a performance e ampliar a durabilidade dos pneus:

  • Calibragem correta de pneus – pressão inadequada acelera o desgaste, aumenta o consumo de combustível e pode comprometer a estrutura.
  • Alinhamento, balanceamento e rodízio – evitam desgaste irregular e aumentam a quilometragem.
  • Respeito aos limites de carga – excesso de peso eleva a temperatura e reduz a vida útil.
  • Escolha adequada do pneu de carga – produtos compatíveis com a operação garantem melhor desempenho e recapabilidade.
  • Inspeções frequentes de pneus – ajudam a identificar cortes, deformações e desgastes antes de falhas graves.

Eficiência e sustentabilidade caminham juntas

Para a indústria, prolongar o uso dos pneus antes da reciclagem é uma etapa estratégica para reduzir resíduos, otimizar recursos e tornar o transporte rodoviário mais sustentável e eficiente.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

MP do Frete avança na Câmara e endurece fiscalização do transporte rodoviário de cargas

A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (17), a Medida Provisória nº 1.343/2026, que amplia os mecanismos de controle sobre o frete rodoviário e fortalece a fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete. A proposta segue agora para análise do Senado Federal.

Originalmente enviada pelo governo para reforçar o uso do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), a medida recebeu alterações durante sua tramitação e passou a incluir mudanças mais amplas para o setor de transporte de cargas.

Registro no CIOT passa a ser obrigatório em todas as operações

Uma das principais mudanças previstas no texto é a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte rodoviário de cargas no CIOT.

A ferramenta reúne informações como contratante, transportador, origem, destino e valor do frete, tornando-se o principal instrumento para monitorar o cumprimento da tabela de preços mínimos estabelecida pela legislação.

Com a nova regra, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá impedir a emissão do código quando identificar contratos com valores abaixo do piso mínimo. Na prática, operações irregulares poderão ser bloqueadas antes mesmo da execução do transporte.

Metodologia de cálculo do frete passa a ser definida por lei

O texto aprovado também estabelece em lei os critérios que deverão ser considerados na elaboração da tabela de frete mínimo.

Entre os fatores obrigatórios estão a distância percorrida, o tipo de veículo utilizado, a quantidade de eixos, as características da carga transportada, os custos operacionais, o preço dos combustíveis e outros insumos ligados à atividade.

A mudança reduz a margem de atuação da ANTT para alterar a metodologia por meio de normas administrativas, transferindo parte dessa definição para o âmbito legislativo.

Penalidades mais rígidas para quem descumprir a tabela

Outro ponto relevante da proposta é o aumento das sanções para contratantes que pagarem valores inferiores aos previstos na tabela oficial.

Além de possíveis punições administrativas, o texto prevê que o transportador poderá ser indenizado em valor correspondente ao dobro da diferença do frete devido.

Nos casos de reincidência, a medida estabelece a suspensão temporária do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), impedindo a realização de operações remuneradas de transporte durante o período da penalidade.

Projeto cria piso salarial para caminhoneiros

Durante a tramitação, os deputados incluíram dispositivos voltados diretamente aos profissionais do setor.

Entre eles está a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A proposta busca estabelecer uma remuneração mínima para a categoria e poderá gerar reflexos tanto para empresas transportadoras quanto para contratantes dos serviços de frete.

Procargas terá novas atribuições

O relatório aprovado também amplia o alcance do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas).

Além das ações já previstas, o programa poderá financiar iniciativas voltadas à renovação da frota, capacitação profissional, melhorias na segurança viária e ampliação da infraestrutura de apoio aos caminhoneiros.

Anistia a multas gera debate durante votação

Um dos temas que mais provocaram discussões durante a análise da medida foi a inclusão de um dispositivo que concede anistia a multas aplicadas a caminhoneiros envolvidos em bloqueios e manifestações realizados em 2022.

A proposta não fazia parte da versão original encaminhada pelo governo e acabou gerando divergências entre parlamentares da base governista e da oposição.

Senado dará a palavra final sobre a proposta

Com a aprovação na Câmara, a MP segue para o Senado. Caso seja aprovada sem modificações, o setor de transporte de cargas passará a operar sob regras mais rígidas de fiscalização, com maior controle sobre a formação dos preços e sobre o cumprimento da política de frete mínimo.

As mudanças podem impactar diretamente transportadoras, embarcadores, caminhoneiros e toda a cadeia logística nacional.

O que muda com a MP do Frete

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Pisos mínimos do frete elevam custos em mais de 16% para a indústria, aponta CNI

A política de pisos mínimos do frete continua gerando impactos significativos sobre a competitividade da indústria brasileira. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário de cargas identificam efeitos negativos da medida sobre os custos logísticos.

Além disso, o setor produtivo demonstra preocupação com a Medida Provisória nº 1.343/2026, que ampliou os mecanismos de fiscalização e endureceu as penalidades relacionadas ao cumprimento das tabelas estabelecidas pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC).

Dependência do transporte rodoviário amplia impacto da medida

De acordo com a pesquisa, 86% das indústrias utilizam serviços terceirizados de frete para escoar sua produção, seja de forma exclusiva ou em conjunto com frota própria. O dado evidencia o alcance das consequências da política sobre diversos segmentos da economia.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar as regras que regem o transporte de cargas no país.

Segundo ele, os custos de transporte e logística já figuram entre os principais componentes do chamado Custo Brasil, e intervenções que restringem a livre negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Empresas apontam aumento expressivo nos custos do frete

A pesquisa mostra que 64% das empresas classificam os impactos do tabelamento como altos ou muito altos. Entre os negócios de menor porte, essa percepção é ainda mais acentuada.

As empresas consultadas estimam que a política elevou, em média, 16,4% os custos do frete rodoviário em comparação a um cenário de livre negociação. No entanto, os efeitos variam conforme o porte da empresa, a região e o setor de atuação.

Pequenas e médias empresas sentem mais os efeitos

Os dados apontam que as pequenas empresas foram as mais afetadas, registrando aumento médio de 19% nos custos de transporte. Entre as médias empresas, a elevação estimada é de 18%, enquanto as grandes companhias apontam impacto de 14%.

Além disso, cerca de 70% das pequenas e médias empresas classificam os reflexos da política sobre os valores do frete como elevados.

Metodologia da ANTT é alvo de críticas

Outro ponto destacado pela sondagem envolve a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos.

Oito em cada dez empresas avaliam que os critérios adotados estão parcial ou totalmente desconectados da realidade operacional do transporte rodoviário brasileiro.

A analista de infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, afirma que o modelo atual não consegue representar adequadamente a diversidade das operações existentes no país, fator que ganha importância devido ao uso da tabela como referência para fiscalização e aplicação de sanções.

Setores com menor valor agregado enfrentam maiores impactos

Os efeitos do tabelamento são mais intensos em segmentos onde a logística representa parcela significativa dos custos de produção.

Entre os setores mais impactados estão os de extração mineral e produtos minerais não metálicos, como fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, que registraram aumento próximo de 23% nos custos de transporte.

Também apresentaram elevações acima da média nacional os setores de alimentos, máquinas e equipamentos, evidenciando que os impactos da política não ocorrem de forma uniforme entre as diferentes cadeias produtivas.

Nova MP amplia preocupação com custos e segurança jurídica

Além dos efeitos já observados com a política de pisos mínimos, a Medida Provisória nº 1.343/2026 também preocupa o setor industrial.

A norma amplia a fiscalização do cumprimento das tabelas de frete, cria novas exigências regulatórias e aumenta as penalidades aplicáveis em casos de descumprimento.

Entre as empresas que conhecem o conteúdo da medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação. Na sequência aparecem a perda de competitividade (57%) e a insegurança jurídica (35%).

Também foram citados riscos relacionados a atrasos operacionais, interrupções na cadeia logística e à proporcionalidade das sanções previstas.

Proposta prevê piso salarial para motoristas de longa distância

A comissão mista responsável por analisar a medida provisória foi instalada recentemente no Congresso Nacional. O relatório deverá ser apresentado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da proposta.

Entre as alterações em discussão está a criação de um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas profissionais que atuem em operações de longa distância, caracterizadas por permanência superior a 24 horas fora da base de trabalho.

Caso a proposta avance, os impactos poderão atingir tanto empresas que operam com frota própria quanto aquelas que terceirizam o transporte, já que os custos tendem a ser repassados aos contratantes por meio de reajustes no frete.

Na avaliação do setor, a medida pode aumentar ainda mais os custos do transporte rodoviário de cargas e, consequentemente, influenciar os preços finais dos produtos para os consumidores.

Debate segue no Judiciário

A política de frete mínimo também é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5.964, apresentada pela CNI.

A entidade contesta a constitucionalidade da Lei nº 13.703/2018, que instituiu a política de pisos mínimos do frete, além de pedir a suspensão dos efeitos da MP nº 1.343/2026.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: fanjianhua/Magnific

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Transporte

Frete mínimo volta ao centro do debate com análise de nova MP no Congresso

O Congresso Nacional deu início à análise da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, proposta pelo governo federal que reforça a fiscalização do frete mínimo no transporte rodoviário de cargas. A instalação da comissão mista responsável por avaliar o texto marca a retomada de um debate que segue gerando divergências no setor desde a greve dos caminhoneiros de 2018.

A medida, publicada em março deste ano, prevê alterações no modelo de controle da tabela de fretes. A principal mudança é a adoção de uma fiscalização prévia das operações, permitindo verificar se os valores contratados estão de acordo com os pisos estabelecidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) antes mesmo do início da viagem.

Novo modelo amplia controle sobre operações de transporte

Pela proposta, o embarque das cargas ficará condicionado ao registro da operação por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A ferramenta será integrada a diferentes bases de dados para possibilitar o monitoramento eletrônico das contratações e identificar eventuais irregularidades.

Segundo o governo federal, a iniciativa busca fortalecer a política de piso mínimo do frete, criada para assegurar uma remuneração adequada aos caminhoneiros autônomos após a paralisação nacional que impactou o abastecimento e a logística do país.

A expectativa do Executivo é impedir que contratos sejam fechados abaixo dos valores mínimos definidos pela ANTT, reduzindo a ocorrência de descumprimentos antes da realização do transporte.

Setor produtivo aponta risco de aumento da burocracia

Apesar dos argumentos apresentados pelo governo, a proposta tem recebido críticas de empresas de transporte, embarcadores e representantes de segmentos que dependem da logística rodoviária.

Entre as principais preocupações está o possível aumento da burocracia operacional e a redução da flexibilidade comercial em um mercado caracterizado por oscilações frequentes nos custos, disponibilidade de cargas e particularidades regionais.

Entidades do setor também destacam que fatores como distância percorrida, sazonalidade, existência de carga de retorno e diferenças nos custos locais nem sempre são contemplados pelos critérios utilizados para definir os pisos mínimos.

Contratos de longo prazo podem enfrentar novas incertezas

Outro ponto em discussão envolve os contratos de longa duração entre transportadoras e embarcadores. Como a tabela da ANTT passa por atualizações periódicas, mudanças nos valores mínimos podem exigir renegociações durante a vigência dos acordos.

Na avaliação de representantes empresariais, esse cenário pode gerar insegurança para companhias que trabalham com planejamento logístico e financeiro de médio e longo prazo.

Debate sobre constitucionalidade continua nos tribunais

As controvérsias em torno do frete mínimo não se restringem ao Congresso. Desde a criação da política, entidades empresariais contestam sua constitucionalidade na Justiça, alegando que a definição de preços mínimos representa uma intervenção do Estado nas relações de mercado.

Por outro lado, representantes dos caminhoneiros defendem a manutenção da medida, argumentando que ela é essencial para evitar contratações abaixo dos custos operacionais e garantir condições mínimas de remuneração à categoria.

Próximos passos da tramitação

A discussão da MP ocorre após a publicação de novas regras da ANTT voltadas à fiscalização eletrônica das operações de transporte. As normas ampliaram a integração entre o CIOT e outros documentos do setor, aumentando a capacidade de cruzamento de informações e identificação de possíveis irregularidades.

Nos próximos dias, a comissão mista deverá definir seu presidente e relator, além de iniciar a análise das emendas apresentadas ao texto. Após essa etapa, o parecer será encaminhado para votação na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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