Logística

CNI critica nova lei do frete e alerta para aumento dos custos logísticos da indústria

A sanção da nova legislação que altera a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC) deve ampliar a pressão sobre os custos logísticos da indústria brasileira, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na última quarta-feira (5), a Lei nº 15.485/2026, que modifica as regras dos pisos mínimos de frete rodoviário. Para a CNI, as mudanças mantêm problemas estruturais do modelo e podem elevar artificialmente os custos de transporte, reduzir a competitividade das empresas e aumentar a insegurança jurídica.

A entidade também alerta que parte desse impacto poderá ser repassada aos preços dos produtos, com possíveis efeitos sobre o consumidor e a inflação.

CNI pretende ampliar atuação no Judiciário

A preocupação da indústria ganhou força após a edição da Medida Provisória nº 1.343/2026, publicada em março. A MP surgiu em um período de instabilidade marcado pela oscilação dos preços dos combustíveis e pelo risco de paralisações de caminhoneiros.

Durante a tramitação no Congresso, porém, o texto recebeu alterações que, segundo a CNI, ampliaram seu alcance para além do objetivo inicialmente previsto.

Diante da nova legislação, a confederação pretende intensificar sua atuação judicial. A entidade deverá acrescentar as mudanças aprovadas pelo Congresso e sancionadas pelo governo à ADI nº 5.964, ação em que questiona a constitucionalidade da política de tabelamento do frete.

Frete já representa custo maior para as empresas

Os argumentos da CNI são respaldados por uma pesquisa realizada com o setor industrial. A Sondagem Especial da CNI sobre os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas ouviu 1.571 empresas de diferentes segmentos no primeiro semestre deste ano.

Segundo o levantamento, a política de pisos mínimos elevava, em média, 16,4% os custos de frete da indústria.

A pesquisa também mostrou que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário identificavam impactos negativos provocados pela política.

Outro dado apontado pela sondagem é que aproximadamente 80% das empresas consultadas consideravam a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos parcial ou totalmente distante da realidade operacional do setor.

Para a CNI, os resultados indicam a necessidade de revisão das regras e de uma metodologia que considere de forma mais adequada as condições efetivas do transporte de cargas no Brasil.

Pequenas empresas estão entre as mais afetadas

De acordo com a entidade, os efeitos da política são mais acentuados em empresas de pequeno porte, cadeias produtivas altamente dependentes do transporte rodoviário e setores que trabalham com produtos de menor valor agregado.

Também enfrentam maior impacto as operações realizadas em regiões onde os custos de logística já são elevados por fatores estruturais.

A combinação entre frete mais caro e menor flexibilidade para negociar preços pode, segundo a avaliação da indústria, pressionar as margens das empresas e elevar o chamado Custo Brasil.

Nova legislação mantém pontos criticados pela indústria

Durante a análise da medida provisória no Congresso, algumas alterações contribuíram para reduzir parcialmente os impactos previstos inicialmente.

Entre elas estão a retirada da possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica e o estabelecimento de um teto de R$ 1 milhão para multas aplicadas em casos de reincidência no descumprimento dos pisos mínimos.

Apesar dessas mudanças, a CNI considera que a legislação sancionada preservou dispositivos que podem aumentar os custos e a complexidade das operações.

Entre os pontos citados estão o prazo máximo de 30 dias para pagamento do frete, a manutenção de sanções relacionadas a infrações cometidas antes da publicação da nova lei e a aplicação dos pisos mínimos a modalidades como o TAC-agregado e o TAC-independente.

Na avaliação da entidade, essas regras ampliam os efeitos econômicos e regulatórios da política sobre as empresas.

CNI pede regras baseadas em evidências

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, defende que mudanças de grande impacto no setor de transporte sejam precedidas por análises de impacto regulatório, estudos técnicos e diálogo com o setor produtivo.

Para a entidade, é necessário conciliar a sustentabilidade econômica do transporte rodoviário com a competitividade da indústria brasileira, sem aumentar os custos que já pesam sobre a atividade produtiva.

Muniz afirma que transporte e logística estão entre os principais componentes do Custo Brasil e que restrições à negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Entidade quer revisão da política de frete

A CNI defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê prioridade à análise da ADI nº 5.964, que questiona a constitucionalidade do tabelamento do frete.

Enquanto aguarda uma decisão definitiva da Corte, a entidade pretende continuar atuando nas áreas legislativa e regulatória para reduzir os impactos da política.

Entre as medidas defendidas estão a derrubada do veto ao dispositivo que previa anistia de sanções, além do aperfeiçoamento das normas e da metodologia utilizada no cálculo dos pisos mínimos de frete.

A CNI afirma que continuará discutindo o tema com representantes da indústria, outros setores produtivos e a ANTT, buscando um ambiente regulatório com maior segurança jurídica, previsibilidade e eficiência logística.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Informação

Caminhoneiros defendem regras específicas para jornada 5×2 e descanso em casa

A proposta de substituir a escala 6×1 por um modelo de jornada 5×2 tem avançado nas discussões no Congresso Nacional e mobilizado diferentes setores da economia. No transporte rodoviário de cargas, porém, empresários e caminhoneiros alertam que qualquer mudança precisa considerar as particularidades da atividade para evitar impactos na logística e na rotina dos motoristas.

Representantes do setor afirmam que a adoção de uma nova jornada sem normas específicas pode elevar os custos operacionais, afetar o abastecimento e resultar em aumento dos preços ao consumidor.

Setor estima impacto bilionário com mudança na jornada

De acordo com o vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Fetcemg), Cleiton César, a alteração nas regras de trabalho pode gerar um custo adicional entre R$ 12 bilhões e R$ 28 bilhões por ano para o setor.

Segundo ele, o transporte de cargas exerce papel estratégico na economia brasileira e depende de uma dinâmica operacional diferente da maioria das atividades. Na avaliação do dirigente, o aumento das despesas tende a ser repassado ao consumidor final.

Atualmente, o transporte rodoviário responde pela maior parte da movimentação de mercadorias em todo o país, tornando o segmento essencial para o abastecimento de cidades e para a distribuição da produção nacional.

Caminhoneiros querem folga com a família, e não em postos de combustível

Além das empresas, os próprios caminhoneiros defendem que a eventual adoção da escala 5×2 garanta que os períodos de descanso ocorram, sempre que possível, na residência do motorista.

Durante uma viagem entre Betim e Paracatu, o motorista Juliano Vieira da Silva afirmou que dois dias de folga longe de casa não atendem às necessidades da categoria. Segundo ele, é necessário construir um entendimento entre empresas e trabalhadores para que o descanso seja aproveitado ao lado da família, e não em postos de combustível durante as viagens.

A preocupação também é compartilhada pelo vice-presidente da Fetcemg, Osvaldo Salgado. Ele argumenta que, sem adaptações na legislação, motoristas que realizam viagens longas poderão permanecer parados por dias aguardando descarregamentos, permanecendo distantes do convívio familiar mesmo durante o período de folga.

Entidades defendem tratamento diferenciado para o transporte

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) acompanha as discussões sobre a jornada de trabalho e defende que os motoristas profissionais sejam contemplados em uma política pública voltada às necessidades do setor.

A diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, destaca que os caminhoneiros desempenham uma função indispensável para o funcionamento da economia, garantindo o abastecimento das cidades, o transporte de produtos e a integração entre diferentes regiões do país.

Segundo representantes do segmento, mudanças na legislação trabalhista precisam considerar as características específicas do transporte rodoviário de cargas, evitando prejuízos tanto para os profissionais quanto para a cadeia logística.

Debate segue no Congresso sem definição

Enquanto a proposta continua em discussão no Congresso Nacional, entidades empresariais e trabalhadores buscam dialogar com parlamentares para que uma eventual mudança na jornada seja implementada com planejamento e regras adaptadas à realidade da categoria.

Para o setor, preservar a eficiência do transporte rodoviário de cargas é fundamental para manter o abastecimento nacional e reduzir impactos sobre a economia e os consumidores.

FONTE: Itatiaia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Itatiaia

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Logística

MP do Frete pode perder validade se Lula não decidir até 6 de agosto

O governo federal tem até 6 de agosto de 2026 para definir o futuro da MP do Frete (Medida Provisória nº 1.343/2026). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá sancionar integralmente o texto, vetá-lo parcial ou totalmente. Caso nenhuma decisão seja tomada dentro do prazo constitucional, a medida provisória perderá a validade.

A expectativa é que a definição ocorra apenas no último dia, enquanto integrantes do governo seguem negociando possíveis vetos a trechos da proposta.

O que muda com a MP do Frete

Publicada em 19 de março de 2026, a MP do Frete altera dispositivos da Lei nº 13.703/2018, que trata da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade do registro das operações de transporte com emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), além da criação de novos mecanismos para reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete.

Durante sua tramitação no Congresso Nacional, a proposta recebeu 428 emendas. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 30 de junho e, posteriormente, pelo Senado Federal em 17 de julho, na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 6/2026.

CIOT passa a ser peça central nas operações de transporte

O texto aprovado estabelece que o pagamento do frete deverá estar vinculado ao CIOT, obrigando as instituições financeiras e de pagamento a disponibilizarem comprovantes eletrônicos aos caminhoneiros.

Outro ponto previsto é a possibilidade de recolhimento das contribuições previdenciárias com base no CIOT, desde que haja autorização do transportador autônomo.

A proposta também amplia os mecanismos de fiscalização. Em casos de irregularidades, como pagamentos abaixo do piso mínimo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá bloquear automaticamente o CIOT.

Transportadoras podem sofrer suspensão do RNTRC

A medida prevê penalidades para empresas que desrespeitarem reiteradamente o piso mínimo do frete. Transportadores flagrados em mais de três autuações no período de seis meses poderão sofrer suspensão cautelar do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) por prazo entre cinco e 30 dias.

Em situações de reincidência — caracterizada por nova infração dentro de 12 meses após decisão administrativa definitiva — a suspensão do registro também poderá ser aplicada.

Paralelamente à tramitação da medida provisória, a ANTT publicou a Resolução nº 6.078/2026, em vigor desde 24 de maio, ampliando as validações obrigatórias para emissão do CIOT e integrando diferentes sistemas regulatórios do setor.

Setor de transporte diverge sobre sanção presidencial

A análise da medida expôs posições distintas entre representantes do setor.

Entidades ligadas aos caminhoneiros autônomos defendem a sanção integral da proposta, principalmente dos dispositivos que vinculam o pagamento do frete ao CIOT. Para representantes da categoria, a medida aumenta a segurança nas operações e reduz riscos de inadimplência.

Já empresas transportadoras e entidades empresariais avaliam que alguns dispositivos precisam de ajustes para evitar insegurança jurídica e conflitos na relação entre transportadores, embarcadores e demais integrantes da cadeia logística.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) também apresentou preocupações ao governo durante reunião realizada em Brasília com o vice-presidente Geraldo Alckmin, antes da decisão final do Palácio do Planalto.

Obrigatoriedade de antecipação do frete pode ser vetada

Entre os pontos considerados mais sensíveis está o parágrafo 13 do artigo 7º da proposta, que determina a antecipação obrigatória de parte do valor do frete.

Segundo representantes do setor, esse dispositivo reduz a flexibilidade das negociações comerciais e pode dificultar operações com características específicas. Por isso, esse trecho aparece como um dos principais candidatos a eventual veto presidencial.

Estudo aponta impacto bilionário da informalidade no transporte

Levantamento elaborado pela GO Associados estima que práticas irregulares relacionadas ao pagamento de fretes provocam perdas superiores a R$ 33 bilhões por ano.

O estudo mostra que o mercado brasileiro de transporte rodoviário de cargas movimentou R$ 818,6 bilhões em 2023. Desse total, R$ 466,9 bilhões corresponderam ao mercado formal, enquanto R$ 351,8 bilhões circularam na informalidade.

A pesquisa também calcula que aproximadamente R$ 11,5 bilhões deixaram de ser arrecadados em contribuições previdenciárias no período analisado.

Caso o presidente da República não se manifeste até 6 de agosto, a MP do Frete perderá a validade, encerrando sua vigência sem conversão definitiva em lei.

FONTE: FUP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Transporte

Tabela do frete: Lula sanciona medida que amplia fiscalização da ANTT sobre transporte de cargas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta quarta-feira a medida provisória (MP) que fortalece a atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na fiscalização da tabela do frete no transporte rodoviário de cargas. A nova legislação amplia os mecanismos de controle e permite punições mais rigorosas para quem descumprir os valores mínimos estabelecidos para o serviço.

A proposta foi aprovada pelo Senado no mês passado e avançou diante da preocupação de caminhoneiros com a possibilidade de a medida perder validade antes da sanção presidencial.

Medida busca garantir cumprimento do frete mínimo

A MP integra o conjunto de ações adotadas pelo governo federal para reduzir os impactos da alta dos combustíveis sobre os caminhoneiros, categoria diretamente afetada pelo aumento dos custos operacionais.

A atualização da legislação também reforça a política do frete mínimo, uma das principais reivindicações do setor, ao ampliar a capacidade da ANTT de fiscalizar contratos e aplicar sanções em casos de descumprimento da tabela.

Como será calculado o valor mínimo do frete

O texto estabelece os critérios que deverão ser utilizados pela ANTT na definição dos valores mínimos do frete rodoviário. A metodologia considera diferentes fatores que influenciam os custos da atividade.

Entre os principais parâmetros estão:

  • distância da viagem;
  • tipo de veículo e número de eixos;
  • unidade de medida da carga transportada;
  • características da carga;
  • custos fixos e variáveis da operação;
  • preços do diesel e de outros insumos utilizados no transporte.

O objetivo é manter a tabela atualizada de acordo com as condições do mercado e garantir maior equilíbrio econômico nas operações de transporte de cargas.

Programa para transporte de cargas também será ampliado

Além do fortalecimento da fiscalização, a medida amplia as ações do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas).

Entre as iniciativas previstas estão incentivos para renovação da frota de caminhões, implantação de pontos de parada para motoristas, investimentos em qualificação profissional, melhorias na segurança viária e prioridade aos transportadores de cargas no acesso às linhas de financiamento oferecidas pelo programa.

Segundo o governo, as medidas buscam aumentar a competitividade do transporte rodoviário de cargas, melhorar as condições de trabalho dos profissionais do setor e ampliar a segurança nas estradas brasileiras.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pablo Porciúncula/AFP

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Transporte

Escassez de caminhoneiros pode elevar fretes e desafiar a logística no Brasil

A redução no número de caminhoneiros em atividade acende um alerta para o futuro da logística brasileira. Em um país onde aproximadamente 65% das cargas são transportadas pelas rodovias, a falta de motoristas pode provocar aumento no custo dos fretes, atrasos nas entregas e dificuldades para atender períodos de alta demanda, como safras agrícolas e grandes datas do comércio.

Levantamento divulgado pela CNN, com base em informações do Ministério dos Transportes, aponta que o número de caminhoneiros caiu quase 20% na última década. Dos 27 estados brasileiros, 19 registraram redução na quantidade de profissionais em atividade.

Envelhecimento da categoria preocupa o setor

Especialistas apontam que a escassez é resultado da combinação de diversos fatores. Entre eles estão o envelhecimento dos motoristas, a baixa entrada de jovens na profissão, a insegurança nas estradas, as longas jornadas longe da família e a remuneração considerada pouco atrativa diante das exigências da atividade.

Além disso, o elevado custo para obter as categorias D e E da CNH, aliado ao tempo necessário para a formação dos profissionais e à falta de perspectivas de crescimento na carreira, também dificulta a renovação da categoria.

Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste registraram as maiores quedas no número de caminhoneiros, estados do Norte e Nordeste, como Tocantins e Pará, apresentaram crescimento no contingente de profissionais.

Dependência das rodovias amplia os impactos

De acordo com a pesquisadora do Observatório do TCU da FGV Direito SP, Mariana Carvalho, o problema não é exclusivo do Brasil, mas ganha maior relevância devido à forte concentração da matriz de transporte nas rodovias.

Segundo a especialista, a combinação entre a redução de novos profissionais e a dependência do transporte rodoviário pode comprometer a capacidade operacional do setor, elevar os custos logísticos e aumentar os prazos de entrega.

Déficit de motoristas já chega a 250 mil

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o Brasil enfrente atualmente um déficit de aproximadamente 250 mil caminhoneiros.

Segundo o presidente da entidade, Vander Costa, além da aposentadoria dos profissionais e da dificuldade de renovação da categoria, muitos motoristas têm migrado para outros países, especialmente Portugal, atraídos por salários pagos em euro.

Para minimizar os impactos da escassez, empresas de transporte passaram a investir em caminhões com maior capacidade de carga, permitindo transportar volumes maiores com menos viagens.

A CNT também tem ampliado programas de qualificação profissional e incentivo à obtenção das categorias D e E da carteira de motorista, aproveitando mudanças recentes que reduziram os custos do processo de habilitação. Entre as ações também estão programas de reconhecimento para motoristas em atividade e a contratação de profissionais venezuelanos que vivem no Brasil.

Outras profissões atraem motoristas

A concorrência com outras ocupações também influencia a redução do número de caminhoneiros. De acordo com representantes do setor, muitos profissionais têm optado por trabalhar com aplicativos de transporte, na construção civil e em outras atividades que oferecem maior previsibilidade de rotina e mais tempo junto à família.

O assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, destaca que os custos da habilitação e o tempo exigido para conquistar as categorias profissionais acabam afastando novos interessados da carreira.

Regras das seguradoras dificultam renovação da categoria

Outro fator apontado como obstáculo é o modelo de gerenciamento de risco adotado por seguradoras.

Segundo o presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas, Janderson Maçaneiro, conhecido como Patrola, diversas exigências impostas pelas seguradoras dificultam tanto o ingresso quanto a permanência dos profissionais na atividade.

Entre elas estão restrições para que motoristas levem familiares ou aprendizes durante as viagens, o que reduz as oportunidades de formação de novos profissionais. Além disso, critérios relacionados ao histórico judicial ou registros negativos também podem limitar contratações, mesmo quando não possuem relação com o exercício da profissão.

Falta de caminhoneiros exige soluções para o transporte rodoviário

Com o transporte rodoviário sendo o principal responsável pela circulação de mercadorias no país, representantes do setor defendem investimentos em qualificação, melhores condições de trabalho e incentivos para atrair novos profissionais. Sem medidas para ampliar a mão de obra, a tendência é de maior pressão sobre os fretes, a cadeia logística e o abastecimento nacional.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Transporte

ANTT atualiza tabela do frete com novos pisos mínimos para o transporte rodoviário

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou a atualização da tabela do frete, que estabelece os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Os novos coeficientes foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) e passaram a valer imediatamente, servindo como referência obrigatória para a contratação de serviços de transporte.

A revisão faz parte da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e considera, principalmente, a oscilação do preço do óleo diesel, um dos principais componentes do custo operacional do setor.

Reajuste acompanha a alta dos custos operacionais

Pela legislação, a ANTT deve revisar os valores da tabela sempre que houver variação igual ou superior a 5% no preço do diesel, além das atualizações semestrais previstas em norma.

Na prática, os pisos mínimos de frete definem o valor mínimo que deve ser pago aos transportadores conforme fatores como tipo de carga, quantidade de eixos do veículo e distância percorrida. A medida busca assegurar uma remuneração capaz de cobrir os custos da operação e impedir a contratação de fretes abaixo do limite estabelecido por lei.

Impactos atingem transportadoras e embarcadores

Apesar de a atualização ocorrer de forma automática, seus reflexos se espalham por toda a cadeia logística. Sempre que há forte variação no preço dos combustíveis, transportadoras, embarcadores e clientes precisam revisar contratos para manter o equilíbrio financeiro das operações.

A pressão exercida pelo aumento do diesel sobre as negociações já havia sido destacada em reportagem da Transporte Moderno, que mostrou que o piso do frete representa apenas o valor mínimo previsto na legislação. Especialistas defendem que outros custos também devem ser considerados nas negociações para garantir a sustentabilidade do setor.

Diesel não é o único fator que influencia o frete

Em entrevista à Transporte Moderno, o economista Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, afirmou que o preço do diesel tem peso significativo nos custos, mas não explica sozinho a rentabilidade das empresas.

Segundo ele, despesas com manutenção, pneus, mão de obra, custos financeiros e até a disponibilidade de caminhões também impactam diretamente a formação do preço do frete.

Na mesma reportagem, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, destacou que uma remuneração compatível com os custos é fundamental para preservar a competitividade do transporte rodoviário. Para ele, quando o valor do frete não cobre as despesas da operação, toda a cadeia logística é prejudicada.

Descumprimento da tabela pode gerar penalidades

A atualização também reforça a obrigatoriedade de cumprimento da legislação. Empresas que contratarem serviços por valores inferiores aos pisos mínimos de frete podem sofrer sanções aplicadas pela ANTT, que vem ampliando a fiscalização sobre o cumprimento da norma nos últimos anos.

Os novos coeficientes já valem para todos os contratos firmados após a publicação da resolução e abrangem diferentes modalidades, como cargas gerais, granel, cargas frigorificadas, produtos perigosos, neogranel e operações de alto desempenho.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Diesel caro faz caminhoneiros investir em equipamentos para reduzir custos operacionais

O avanço do preço do diesel tem provocado mudanças nas estratégias de investimento dos caminhoneiros autônomos. Além de impactar a rotina financeira de transportadoras, o aumento dos custos operacionais tem levado motoristas a priorizar equipamentos que ofereçam maior eficiência energética e economia ao longo da vida útil do veículo.

De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o diesel representa cerca de 35% das despesas do transporte rodoviário de cargas, tornando qualquer alternativa de redução de consumo um diferencial importante para quem depende da estrada para trabalhar.

Eficiência energética passa a pesar mais na decisão de compra

Fabricantes de sistemas de climatização para caminhões apontam uma mudança no comportamento do mercado. Se anteriormente o menor preço era o principal fator na escolha dos equipamentos, atualmente critérios como baixo consumo de energia, durabilidade e menores custos de manutenção ganharam protagonismo.

A fabricante gaúcha Resfri Ar, com sede em Vacaria (RS), observa essa transformação entre seus clientes. Segundo o CEO da empresa, Thiago Castilhos, os motoristas estão mais atentos ao retorno financeiro proporcionado pelos equipamentos.

Conforme o executivo, os sistemas elétricos de ar-condicionado da empresa funcionam de forma independente do motor do caminhão, permitindo manter a cabine climatizada durante as paradas sem necessidade de deixar o veículo ligado. A solução reduz o consumo de combustível e também contribui para diminuir o desgaste mecânico do motor.

Custos de manutenção reforçam busca por soluções mais econômicas

Além do impacto causado pelo preço do diesel, o aumento das despesas com manutenção também influencia as decisões de compra dos profissionais da estrada. Com margens de lucro cada vez mais apertadas, muitos caminhoneiros passaram a considerar o custo total de operação antes de investir em equipamentos auxiliares.

Estimativas do setor indicam que sistemas de ar-condicionado com baixa eficiência ou manutenção inadequada podem elevar o consumo de combustível em até 15%, embora esse percentual dependa das condições de uso, do estado do equipamento e do tipo de operação realizada.

Para atender essa demanda, fabricantes vêm investindo em tecnologias voltadas à redução do consumo elétrico. Entre elas está o compressor com tecnologia Inverter, que ajusta automaticamente a potência de funcionamento conforme a necessidade de refrigeração, aumentando a autonomia do sistema e reduzindo o consumo das baterias.

Segundo Castilhos, o desenvolvimento dessas soluções busca atender às condições enfrentadas diariamente pelos caminhoneiros nas rodovias brasileiras, marcadas por altas temperaturas, longas jornadas e pouca margem para paradas destinadas à manutenção.

Investimentos vão além da climatização

A busca por economia também tem impulsionado a aquisição de outros equipamentos, como geladeiras automotivas, que permitem transportar alimentos durante viagens longas e reduzir gastos com refeições em restaurantes às margens das rodovias.

Dados da CNT mostram que aproximadamente 70% dos cerca de 1,5 milhão de caminhoneiros em atividade no Brasil trabalham de forma autônoma. Nesse cenário, cresce a tendência de avaliar investimentos pelo retorno financeiro proporcionado ao longo do tempo, deixando o preço de compra em segundo plano.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Inadimplência no transporte rodoviário atinge maior patamar em 15 anos, alerta executivo da Rands

A inadimplência no transporte rodoviário de cargas alcançou o maior nível dos últimos 15 anos e acendeu um sinal de alerta para o setor. Atualmente, o índice de atraso no pagamento de operações de crédito para pessoas jurídicas gira em torno de 4,5%, percentual mais de quatro vezes superior ao registrado em períodos de maior estabilidade, quando ficava próximo de 1%.

A avaliação é de Luis Felipe Szmidtke, diretor executivo da Rands, empresa de soluções financeiras da Randoncorp. Segundo ele, o cenário é resultado da combinação de juros elevados, aumento dos custos operacionais, redução das margens de lucro e falhas na gestão financeira de parte das transportadoras.

Gestão financeira é apontada como fator decisivo

Na visão do executivo, os desafios enfrentados pelas empresas não estão relacionados apenas ao ambiente econômico. Ele destaca que muitos transportadores ainda priorizam o crescimento do faturamento, deixando em segundo plano indicadores considerados essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Entre eles estão a geração de caixa, o controle de despesas e a eficiência operacional.

Szmidtke afirma que, nas análises de crédito, a capacidade de uma empresa gerar caixa pesa mais do que o volume de faturamento apresentado, já que esse indicador demonstra a real condição de honrar compromissos financeiros.

Profissionalização das empresas é desafio para acesso ao crédito

Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de modernizar a gestão das transportadoras.

Segundo ele, muitas empresas expandiram suas operações ao longo dos anos, mas mantiveram processos administrativos semelhantes aos adotados quando possuíam uma estrutura muito menor.

Para Szmidtke, investir apenas na renovação da frota já não é suficiente. A profissionalização da gestão tornou-se um fator indispensável para garantir competitividade e ampliar o acesso ao crédito para transportadoras.

Na avaliação dele, empresas que continuam administrando seus negócios com modelos antigos tendem a enfrentar mais dificuldades para obter financiamentos nos próximos anos.

Instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos

O aumento da inadimplência também levou as instituições financeiras a endurecerem os processos de concessão de crédito.

Segundo a Rands, as análises envolvem a avaliação das demonstrações financeiras, da documentação da empresa, dos contratos em vigor, da capacidade de geração de receita e do fluxo de caixa. Em financiamentos de maior valor, também podem ser realizadas visitas técnicas às transportadoras.

A maior seletividade ficou evidente durante o programa Move Brasil, criado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota por meio de linhas de financiamento com juros reduzidos.

Mesmo com condições mais favoráveis, um número significativo de pedidos foi recusado por falta de capacidade financeira das empresas para assumir novas dívidas.

Crédito barato não elimina necessidade de planejamento

De acordo com Szmidtke, muitos empresários buscaram recursos apenas porque as taxas eram mais atrativas, sem avaliar se o financiamento fazia sentido para a realidade financeira da empresa.

Para ele, o acesso ao crédito deve estar alinhado à estratégia de crescimento e à estrutura de capital do negócio, evitando o aumento desnecessário do endividamento.

O executivo compara essa decisão ao uso de um medicamento: embora seja importante ter crédito disponível, ele só deve ser utilizado quando houver necessidade e condições adequadas para o pagamento.

Planejamento financeiro é diferencial em períodos de juros altos

Na avaliação da Rands, empresas que mantêm um planejamento financeiro consistente conseguem enfrentar com mais segurança os períodos de juros elevados e de maior restrição ao crédito.

Já transportadoras que não acompanham indicadores como fluxo de caixa, rentabilidade e controle de custos tendem a ampliar seu nível de endividamento e enfrentar mais dificuldades para acessar financiamentos em um mercado cada vez mais seletivo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está transformando a forma como as empresas transportam mercadorias pelo Brasil. Em um cenário em que o transporte rodoviário ainda responde pela maior parte da movimentação de cargas no país, cresce o interesse por alternativas capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como a cabotagem.

Hoje, cerca de 63% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, modalidade que também concentra a maior parcela das emissões do setor. Com isso, a escolha do modal logístico passou a fazer parte das estratégias corporativas voltadas à descarbonização, influenciando inventários de carbono e metas ambientais.

Cabotagem evitou mais de 317 mil toneladas de CO₂ em 2025

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast mostra o potencial ambiental da cabotagem. Segundo o estudo, as operações da companhia impediram a emissão de aproximadamente 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2025, na comparação com um cenário em que todas as cargas fossem transportadas exclusivamente por caminhões.

Durante o período, foram realizados 49.611 fretes, responsáveis pela movimentação de cerca de 957 mil toneladas de cargas.

A análise aponta que a operação intermodal da empresa — que combina transporte marítimo com trechos rodoviários de coleta e entrega — emitiu 123,2 mil toneladas de CO₂e. Caso todo o percurso tivesse sido feito apenas por rodovias, o volume chegaria a 441 mil toneladas, uma diferença de 72,1%.

Outro indicador reforça a vantagem ambiental: a intensidade de carbono foi de 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, enquanto no transporte exclusivamente rodoviário esse índice alcançaria 460,7 quilos.

Integração entre modais reduz impacto ambiental

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a proposta não é substituir os caminhões, mas reduzir sua utilização em trajetos de longa distância.

Segundo o executivo, o transporte rodoviário continua indispensável nas etapas de coleta e distribuição, porém a integração com a cabotagem contribui para diminuir significativamente a intensidade de carbono das operações logísticas.

Rodovias ainda dominam a matriz logística brasileira

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que o Brasil mantém forte dependência das rodovias. Os caminhões respondem por 63,4% da movimentação de cargas, enquanto as ferrovias representam 18%. O transporte aquaviário participa com 14,6%, seguido pelos dutos, com 4,1%, e pelo modal aéreo, com apenas 0,1%.

Na avaliação da empresa, essa concentração está relacionada não apenas à preferência histórica pelo transporte rodoviário, mas também à oferta limitada de alternativas para percursos de longa distância.

Transporte rodoviário concentra emissões do setor

A predominância dos caminhões também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes lançou 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% tiveram origem no transporte rodoviário. Os caminhões foram responsáveis por cerca de 34% das emissões, enquanto os automóveis flex responderam por aproximadamente 30%.

Para Lorenzi, medir a pegada de carbono das cadeias logísticas tornou-se uma necessidade crescente. Com informações detalhadas por rota e operação, as empresas conseguem considerar critérios ambientais ao lado de fatores como custo e prazo na definição do modal.

Crescimento da cabotagem acompanha demanda por logística sustentável

A Norcoast foi criada em 2024 por meio de uma parceria entre a brasileira Norsul e a alemã Hapag-Lloyd, com foco na expansão do transporte de contêineres pela costa brasileira.

Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. As cargas domésticas representaram 876 mil TEUs, o equivalente a 45% do total, registrando alta de 15%.

Com quatro embarcações em operação e aproximadamente 600 clientes, a empresa acredita haver espaço para ampliar sua participação em um mercado estimado em cerca de quatro mil embarcadores.

Escala do transporte marítimo favorece menor emissão de carbono

Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast, explica que a principal vantagem ambiental do transporte marítimo está na capacidade de transportar grandes volumes em uma única viagem.

Enquanto um navio da companhia pode levar até 3,5 mil TEUs, um caminhão convencional normalmente transporta apenas um contêiner padrão, chegando a dois TEUs em modelos de maior porte, dependendo do peso permitido.

Essa característica permite diluir as emissões por carga transportada, tornando a cabotagem menos intensiva em carbono, embora ainda utilize combustíveis fósseis.

Além da escala, a empresa adota medidas para aumentar a eficiência energética, como controle da velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo de baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de alternativas como biocombustíveis e hidrogênio verde, considerados promissores para o futuro do setor.

Agenda climática amplia importância da logística

Especialistas apontam que a escolha do modal logístico passou a influenciar diretamente as estratégias de sustentabilidade das empresas, especialmente diante da crescente exigência de investidores e órgãos reguladores para contabilização das emissões indiretas, conhecidas como Escopo 3, conforme o GHG Protocol.

No cenário internacional, a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu metas para reduzir progressivamente as emissões do transporte marítimo até 2050, além de incentivar o uso de combustíveis de baixa emissão e criar mecanismos para avaliação da eficiência ambiental das embarcações.

Entre eles está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador adotado desde 2023 para medir o desempenho de carbono dos navios.

Desafio é ampliar participação da cabotagem

Apesar do avanço, a cabotagem ainda representa uma fatia reduzida da matriz logística nacional, com cerca de 11% do transporte de cargas. No segmento de contêineres, a participação é de aproximadamente 1%.

Para o setor, o caminho está na ampliação da integração entre os diferentes modais. A combinação entre transporte marítimo e rodoviário pode contribuir para uma logística mais eficiente, competitiva e alinhada às metas de redução das emissões de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Norcoast

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Transporte

Transporte de cargas no Brasil ainda depende das rodovias e reforça necessidade de diversificação logística

O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal modal logístico do Brasil, mas a forte concentração nas rodovias evidencia um dos maiores desafios para a competitividade da economia nacional. Dados do novo Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas mostram que os caminhões respondem por 68,5% da movimentação de cargas medida em tonelada-quilômetro.

Quando o critério é o valor financeiro das mercadorias transportadas, essa participação sobe para 84,3%, demonstrando a elevada dependência do país de um único sistema de transporte.

Malha rodoviária enfrenta problemas de conservação

Apesar de possuir mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, o Brasil ainda apresenta uma infraestrutura desigual. Apenas cerca de 31 mil quilômetros estão sob concessão da iniciativa privada, justamente onde se concentram as estradas com melhores condições de tráfego, como ocorre em São Paulo.

Grande parte da malha pública enfrenta problemas de manutenção, conservação e investimentos insuficientes. O resultado aparece no aumento dos custos logísticos, no maior desgaste da frota, no consumo elevado de combustível, na ocorrência de acidentes e na perda de competitividade para diversos setores da economia.

Expansão do agronegócio amplia desafios logísticos

O crescimento da produção agrícola brasileira também evidencia as limitações da infraestrutura de transporte.

Enquanto o agronegócio amplia sua presença em novas regiões produtoras, especialmente nas áreas de expansão da fronteira agrícola, as obras de logística não acompanham esse ritmo. Em muitos casos, o escoamento das safras depende de rodovias em condições precárias, que se tornam ainda mais problemáticas durante os períodos de chuva.

Esse cenário dificulta o transporte da produção até portos, centros de distribuição e mercados consumidores, elevando custos e reduzindo a eficiência da cadeia logística.

Hidrovias e cabotagem aparecem como alternativas estratégicas

Especialistas apontam que o país possui potencial para reduzir sua dependência das rodovias por meio da ampliação de outros modais de transporte.

As hidrovias, favorecidas pela extensa rede de rios navegáveis, representam uma alternativa com menor custo operacional e menor impacto ambiental quando comparadas ao transporte rodoviário.

Outra opção é a cabotagem, modalidade que utiliza a navegação entre portos do próprio país. Embora tenha desempenhado papel importante na integração econômica brasileira ao longo da história, esse sistema permanece subaproveitado, em parte devido à redução da participação da marinha mercante nacional.

Integração entre modais é apontada como prioridade

Mais do que ampliar investimentos em um único tipo de infraestrutura, especialistas defendem a construção de uma estratégia nacional capaz de integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos.

A ausência de um planejamento de longo prazo é apontada como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da logística brasileira. Ao longo das últimas décadas, decisões pontuais substituíram uma política integrada voltada ao crescimento econômico, à ocupação equilibrada do território e à preservação ambiental.

Planejamento é visto como caminho para aumentar a competitividade

Com dimensões continentais e forte vocação produtiva, o Brasil depende de uma matriz logística mais diversificada para reduzir custos e aumentar sua competitividade.

A integração entre diferentes modais permitiria aproveitar as vantagens de cada sistema de transporte, tornando o escoamento da produção mais eficiente e fortalecendo a conexão entre todas as regiões do país.

Além da ampliação da infraestrutura, especialistas defendem que o planejamento estratégico seja tratado como política de Estado, capaz de promover desenvolvimento sustentável, melhorar a logística nacional e impulsionar o crescimento econômico.

FONTE: Diálogos do Sul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipédia

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