Tecnologia

Infraestrutura e tecnologia ajudam transportadoras a crescer em cenário de incerteza

A instabilidade econômica aumenta a pressão sobre as margens das transportadoras brasileiras e torna mais cauteliosas as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, esse ambiente cria oportunidades para empresas capazes de operar com mais eficiência e conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.

Nesse cenário, crescer não significa simplesmente ampliar o número de caminhões. As empresas que conseguem avançar são aquelas que buscam extrair mais produtividade dos ativos que já possuem e utilizam a gestão de frotas como ferramenta para reduzir custos e aumentar a segurança.

Dados transformam gestão de frotas

Uma das principais mudanças está na substituição de uma gestão reativa por um modelo preventivo e orientado por dados.

Esperar o fechamento do mês para descobrir que uma rota consumiu combustível acima do esperado ou que determinados motoristas apresentaram maior exposição a riscos significa agir depois que o prejuízo já aconteceu.

Com o uso de videotelemetria, as transportadoras conseguem acompanhar o comportamento dos veículos em tempo real, identificar desvios e adotar medidas corretivas antes que pequenas ocorrências se transformem em perdas financeiras.

O diferencial está justamente na capacidade de transformar informações em decisões rápidas e aplicáveis à rotina operacional.

Segurança também reduz custos operacionais

Na operação de veículos pesados, segurança e eficiência estão diretamente relacionadas. Comportamentos que elevam o risco de acidentes também costumam aumentar as despesas da frota.

Excesso de velocidade, acelerações intensas, frenagens bruscas e utilização inadequada da faixa de rotação podem elevar o consumo de diesel e acelerar o desgaste de pneus, freios e outros componentes.

Quando a tecnologia permite identificar e corrigir esses hábitos durante a operação, o efeito aparece diretamente no custo por quilômetro rodado.

Estudos técnicos e projetos de videotelemetria na gestão de frotas pesadas indicam que a substituição de uma condução agressiva por um comportamento mais econômico e preventivo pode proporcionar uma redução de 5% a 12% no consumo de diesel.

Além da economia de combustível, a prevenção ajuda a evitar prejuízos maiores relacionados a acidentes. Uma ocorrência grave pode deixar caminhões parados, comprometer cargas e provocar impactos em toda a programação logística e financeira da empresa.

Eficiência pode valer mais do que uma frota maior

Em um cenário de margens apertadas, os dados também ajudam a identificar desperdícios que nem sempre são percebidos na operação cotidiana.

Informações sobre ociosidade, tempo de espera em pátios, deslocamentos desnecessários e circulação de veículos vazios permitem ao gestor entender onde estão os principais gargalos.

A partir desse diagnóstico, uma frota menor, mas com maior disponibilidade e uma roteirização eficiente, pode realizar o mesmo volume de trabalho por um custo inferior.

A lógica passa a ser utilizar melhor os recursos existentes antes de simplesmente ampliar a estrutura.

Tecnologia como proteção de margem

A resistência aos investimentos em tecnologia costuma aumentar durante períodos de volatilidade econômica. No entanto, enxergar essas ferramentas apenas como uma nova despesa pode limitar a capacidade de reação das transportadoras.

Combustíveis, juros e condições das rodovias estão entre os fatores que as empresas não conseguem controlar diretamente. Por isso, ampliar o domínio sobre as variáveis internas da operação ganha ainda mais importância.

Nesse contexto, a tecnologia para transporte funciona como uma ferramenta de proteção de margem, ajudando a aumentar a previsibilidade, reduzir desperdícios e diminuir a exposição a riscos.

Tecnologia precisa estar ligada à gestão

Apesar dos ganhos proporcionados pelas ferramentas digitais, a tecnologia, por si só, não resolve os problemas da operação.

Os resultados aparecem quando os dados são incorporados à rotina de gestão e utilizados para orientar ações concretas. O processo também depende do desenvolvimento contínuo dos motoristas, com treinamento, acompanhamento e correção de comportamentos.

Ou seja, não basta instalar equipamentos ou contratar sistemas. É necessário transformar as informações produzidas pela tecnologia em práticas capazes de melhorar a operação.

Cortes indiscriminados podem gerar prejuízo

Em períodos de orçamento pressionado, cortar despesas imediatamente costuma parecer uma solução natural. Porém, reduzir investimentos em manutenção de frota ou treinamento sem avaliar os impactos pode criar uma economia apenas aparente.

Um veículo que deixa de receber manutenção adequada pode apresentar falhas mais caras posteriormente. Da mesma forma, a redução de treinamentos pode elevar a exposição a acidentes e outros eventos que comprometem a operação.

Por isso, proteger a margem não significa apenas gastar menos. Significa identificar desperdícios, antecipar riscos e aumentar a eficiência dos recursos disponíveis.

Em um setor marcado por variáveis externas difíceis de controlar, a capacidade de atuar sobre aquilo que está dentro do alcance da empresa se torna um diferencial estratégico. É essa combinação entre infraestrutura, tecnologia, segurança e gestão eficiente que pode sustentar o crescimento das transportadoras mesmo em períodos de maior incerteza.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Bing Guan

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Transporte

Implementos rodoviários têm segundo melhor mês de 2026, mas mercado segue em queda

O mercado de implementos rodoviários ganhou força no terceiro trimestre, mas ainda não conseguiu superar o desempenho registrado no mesmo período de 2025. Entre julho e setembro, foram emplacadas 42.979 unidades, volume 19,7% superior ao registrado no segundo trimestre, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

Setembro ajudou a impulsionar o resultado. Foram 14.202 implementos licenciados no mês, alta de 4,4% sobre agosto. O volume representa o segundo melhor resultado mensal de 2026, atrás apenas de julho, quando 15.173 unidades foram emplacadas.

Apesar da reação recente, o acumulado do ano permanece negativo. De janeiro a setembro, o mercado registrou 109.715 unidades, contra 111.355 no mesmo período de 2025. A queda é de 1,47%.

O avanço entre o segundo e o terceiro trimestres indica maior ritmo de vendas, mas a comparação entre períodos diferentes não permite determinar, isoladamente, quanto desse movimento decorre de sazonalidade ou de uma recuperação efetiva do mercado.

Implementos pesados mantêm estabilidade

Os resultados acumulados mostram comportamentos diferentes entre os principais grupos de produtos.

Os reboques e semirreboques somaram 53.774 emplacamentos nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 0,22% sobre o mesmo período de 2025.

Já as carrocerias sobre chassis chegaram a 55.941 unidades, queda de 3,05% na comparação anual.

Em números absolutos, os implementos pesados tiveram acréscimo de 117 unidades em relação ao ano passado. As carrocerias, por outro lado, perderam 1.757 emplacamentos. Dessa forma, a estabilidade dos reboques e semirreboques não foi suficiente para compensar a retração das carrocerias.

Para José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, o comportamento dos reboques e semirreboques pode indicar uma aproximação de um cenário de equilíbrio e uma possível consolidação da recuperação do segmento.

Graneleiros apresentam comportamentos opostos

As diferenças entre os segmentos também aparecem nos equipamentos destinados ao transporte de cargas semelhantes.

Entre reboques e semirreboques, os equipamentos para grãos e carga seca registraram alta de 6,44%, chegando a 10.180 unidades.

Nas carrocerias sobre chassis, entretanto, a mesma categoria apresentou queda de 14,09%, para 11.052 emplacamentos.

A retração das carrocerias representou uma perda de 1.813 unidades. O resultado negativo foi parcialmente compensado pelo desempenho de outras categorias de produtos.

Os dados revelam diferenças nas decisões de compra conforme a configuração dos equipamentos, mas não permitem afirmar, por si só, que ocorreu uma migração de demanda das carrocerias para os reboques e semirreboques.

Baús ajudam a conter queda das carrocerias

Entre as carrocerias sobre chassis, os equipamentos classificados pela Anfir como baús de alumínio e frigoríficos tiveram desempenho positivo.

A categoria avançou 4,41%, passando para 25.019 unidades. O crescimento acrescentou 1.057 emplacamentos e ajudou a reduzir a retração do segmento.

Outras categorias tiveram desempenho negativo. As carrocerias tanque recuaram 6,92%, para 3.835 unidades, enquanto os equipamentos basculantes registraram queda de 1,60%, chegando a 6.399.

Carga geral e transporte de toras avançam

No segmento de reboques e semirreboques, os equipamentos destinados ao transporte de carga geral apresentaram uma das maiores altas em volume.

Os emplacamentos passaram de 8.852 para 9.850 unidades, crescimento de 11,27%.

Os implementos basculantes também tiveram resultado positivo, com alta de 2,94%, para 9.299 unidades. Já os equipamentos destinados ao transporte de toras cresceram 16,81%, alcançando 1.723 emplacamentos.

Em contrapartida, algumas categorias registraram quedas expressivas. Os tanques de aço carbono tiveram retração de 25,70%, para 2.983 unidades.

Os baús lonados recuaram 23,93%, totalizando 3.798 unidades, enquanto os equipamentos do tipo carrega-tudo tiveram queda de 21,48%, para 1.543.

A combinação entre crescimento em algumas famílias e retrações acentuadas em outras ajuda a explicar por que o segmento de implementos pesados permanece praticamente estável, enquanto determinadas categorias enfrentam perdas significativas.

Fenatran gera expectativa para os próximos meses

A Fenatran, feira voltada ao transporte rodoviário de cargas e realizada em novembro, concentra parte das expectativas da indústria para a evolução dos negócios no fim do ano.

A Anfir aposta que os negócios iniciados durante o evento possam gerar efeitos comerciais nos meses seguintes. Na avaliação de José Carlos Spricigo, esse impacto pode se prolongar por pelo menos quatro meses e ajudar o mercado a encerrar 2026 ligeiramente acima do resultado de 2025.

Até setembro, porém, o setor ainda precisava recuperar 1.640 emplacamentos para igualar o volume registrado nos nove primeiros meses do ano passado.

Assim, embora os resultados recentes indiquem maior ritmo de vendas, o mercado de implementos rodoviários ainda precisa manter o crescimento nos próximos meses para reverter completamente a queda acumulada em 2026.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Comércio Exterior

Movimentação de cargas nos portos do Biobío cresce 6,4% em agosto de 2026

Os portos da Região do Biobío, no Chile, movimentaram 2.515.983 toneladas de cargas em agosto de 2026, um aumento de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Segundo o levantamento, o crescimento anual foi sustentado pelo desempenho positivo registrado nos diferentes serviços portuários da região.

Carga importada lidera avanço nos portos

A maior contribuição para o resultado veio da carga desembarcada do exterior, que totalizou 810.298 toneladas e cresceu 10,3% em 12 meses.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela movimentação de granéis sólidos, que avançou 81,2%. O volume de contêineres aumentou 23,8%, enquanto o granéis líquido e gasoso registrou alta de 6,3%.

Já a carga embarcada para o exterior somou 1.150.070 toneladas. O segmento, que representou 45,7% de toda a movimentação regional, apresentou crescimento de 4%, com destaque para o aumento de 14,5% na carga transportada em contêineres.

Cabotagem e transbordo também avançam

O serviço de cabotagem movimentou 437.999 toneladas em agosto, alta de 3,3% na comparação anual. O resultado foi favorecido principalmente pelo crescimento de 32,8% na carga desembarcada.

As operações de reestiva e transbordo também apresentaram desempenho positivo. Foram movimentadas 72.373 toneladas, volume 26% superior ao registrado um ano antes.

Dentro desse segmento, a atividade de reestiva cresceu 21,3%, enquanto os transbordos tiveram forte expansão, de 372,5%.

O serviço de trânsito, por sua vez, movimentou 45.243 toneladas, aumento de 3,8% em 12 meses. O resultado foi influenciado pelo crescimento de 5,5% da carga desembarcada.

Contêineres chegam a 144 mil TEU

O relatório do INE aponta ainda um crescimento expressivo na movimentação de contêineres nos terminais portuários do Biobío.

Em agosto, foram movimentados 144.339 TEU, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Os contêineres de 40 pés responderam pela maior parte do movimento, com 69.627 unidades, equivalentes a 93,2% do total. Essa categoria registrou crescimento de 19,4%.

Já os contêineres de 20 pés somaram 5.085 unidades, uma queda de 5,6% na comparação anual.

Transporte rodoviário registra queda

Apesar do avanço na movimentação portuária, o transporte de cargas pelas rodovias do Biobío apresentou retração no período.

As praças de pedágio da região registraram 489.431 passagens de veículos de carga em agosto de 2026. O número representa uma redução de 1,6% frente a agosto de 2025, ou 8.164 passagens a menos.

Os veículos pesados com três ou mais eixos, responsáveis por aproximadamente 78% do transporte pesado regional, contabilizaram 381.610 passagens, queda de 0,9%.

Entre os caminhões de dois eixos, foram registradas 107.821 passagens, uma retração de 4,2% em 12 meses.

Os dados mostram, assim, comportamentos distintos entre os modais: enquanto o transporte marítimo de cargas ganhou força nos portos do Biobío em agosto, o fluxo de veículos pesados nas rodovias da região apresentou redução.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

ANTT pode suspender empresas que descumprem piso mínimo do frete

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou a análise de medidas contra empresas que descumprem de forma recorrente o piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas.

A agência avalia a possibilidade de suspender o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) de companhias que acumularem mais de quatro autuações pelo descumprimento das regras em um período de seis meses.

Suspensão do RNTRC pode chegar a 30 dias

A medida poderá ser aplicada quando houver indícios de que as irregularidades podem voltar a ocorrer ou quando a conduta representar risco para a fiscalização do transporte rodoviário de cargas.

Caso a suspensão seja determinada, o RNTRC poderá ficar suspenso por um período entre cinco e 30 dias. A penalidade começará a produzir efeitos 72 horas depois da publicação da decisão no Diário Oficial da União (DOU).

Reincidência pode aumentar as penalidades

A situação pode se agravar em caso de reincidência após uma decisão administrativa definitiva. Nessa hipótese, o período de suspensão poderá chegar a 45 dias.

A repetição das infrações também pode levar ao cancelamento do RNTRC pelo prazo de até dois anos.

Além das medidas relacionadas ao registro, as empresas reincidentes poderão estar sujeitas a multa de até R$ 1 milhão, conforme as regras aplicáveis ao descumprimento do piso mínimo do frete.

Medida mira cumprimento do piso do frete

A iniciativa da ANTT busca reforçar o cumprimento das regras que estabelecem o frete mínimo para transporte rodoviário de cargas, especialmente nos casos em que as infrações são registradas de maneira reiterada.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Logística

DF Group amplia atuação em logística internacional com nova sede em Itajaí

Com mais de uma década de atuação no mercado, a DF Group vem ampliando sua presença no setor de logística e comércio exterior a partir de um modelo que integra diferentes etapas da cadeia logística. Em meio a um ciclo de crescimento e profissionalização, o grupo prepara a inauguração de um novo escritório em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.

A nova unidade será inaugurada no dia 1º de outubro e terá 115 metros quadrados. Segundo Daniel Malta, diretor da DF Group, a nova sede é consequência direta do crescimento da operação em Itajaí. “Em pouco tempo, a operação cresceu e passou a exigir uma estrutura maior. O novo escritório oferece mais conforto e capacidade para receber nossa equipe, clientes e parceiros, além de estar preparado para os próximos passos da empresa”, destaca.

De uma pequena sala a um grupo de soluções logísticas

A história da DF Group começou há mais de dez anos, a partir da iniciativa do fundador Tarcísio Olivier Defanti. Tempos depois, seus dois irmãos se juntaram ao projeto. Hoje, Luiz Eduardo Defanti integra a sociedade e a diretoria do grupo ao lado de Tarcísio Olivier Defanti e Daniel Malta. O negócio teve início em uma sala de menos de 9 metros quadrados e, ao longo dos anos, evoluiu para uma estrutura formada por diferentes empresas e soluções voltadas à cadeia logística.

Hoje, o grupo se apresenta como um ecossistema de soluções que integra estratégia, operação e inteligência logística, com atuação em diferentes etapas dos processos nacionais e internacionais.

Para Daniel Malta, essa trajetória foi marcada pela ampliação gradual da atuação e pela criação de novas soluções dentro do próprio grupo. “Fomos crescendo, ampliando nossa atuação e desenvolvendo novas empresas e soluções dentro do próprio grupo, chegando à estrutura que temos hoje”, explica.

Entre as empresas e frentes de atuação estão a DF Soluções Logísticas, voltada à gestão integrada da cadeia logística; a DF Cargo, especializada em frete internacional; e a TEXVIA, com foco em inteligência e gestão do transporte rodoviário.

Soluções integradas para logística e comércio exterior

O conceito que orienta a atuação da DF Group é o de “One Stop Shop Logistics Solutions”, ou seja, oferecer diferentes soluções logísticas em um único ecossistema. O portfólio inclui transporte rodoviário e multimodal, despacho aduaneiro, armazenagem, frete internacional, operações portuárias para cargas especiais, cross docking, estruturas de Redex/Clia, gerenciamento operacional e consultoria em comércio exterior.

A proposta é integrar planejamento e execução, considerando aspectos como custos, prazos, riscos e particularidades de cada operação.

De acordo com Malta, um dos diferenciais está justamente na proximidade com o cliente e na capacidade de adaptar as soluções às necessidades específicas de cada operação. “Nosso diferencial é unir essas soluções com proximidade, agilidade e flexibilidade, buscando entender a necessidade de cada cliente”, afirma.

A expansão em Itajaí faz parte de uma estratégia mais ampla para os próximos anos. “O objetivo é continuar crescendo de forma sustentável, ampliar nossa presença em novos mercados e fortalecer o conceito de One Stop Shop Logistics Solutions”, afirma Daniel Malta.

A perspectiva é que o grupo siga investindo na integração entre estratégia, tecnologia, operação e conhecimento de mercado para oferecer soluções cada vez mais completas aos clientes.

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Transporte

ANTT inicia processo para suspender empresas que descumprem piso mínimo do frete

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) começou a avaliar a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) de empresas que descumprem de forma recorrente o piso mínimo do frete rodoviário.

Segundo a agência, poderão ser submetidas ao processo empresas que acumularem mais de quatro autuações relacionadas ao descumprimento do piso em um período de seis meses. A suspensão poderá ser aplicada quando houver risco de novas irregularidades ou quando a medida for considerada necessária para garantir a efetividade da fiscalização.

Caso a penalidade seja aplicada, o RNTRC poderá ficar suspenso por um período entre cinco e 30 dias. A decisão passa a produzir efeitos 72 horas depois de sua publicação no Diário Oficial da União.

Em situações de reincidência após uma decisão administrativa definitiva, o período de suspensão poderá chegar a 45 dias. Além disso, a repetição das infrações pode levar ao cancelamento do registro por até dois anos. As empresas também estão sujeitas a multas que podem alcançar R$ 1 milhão.

A iniciativa reforça a fiscalização sobre o cumprimento da política de preços mínimos do transporte rodoviário de cargas e aumenta a pressão sobre empresas que operam em desacordo com as regras estabelecidas para o setor.

Fonte: CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: CNN/Reuters/Adriano Machado

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Especialista, O ESPECIALISTA

Por que conhecer a operação é um diferencial no comercial de logística

Ao longo de 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi uma coisa que carrego comigo até hoje: não dá para vender bem aquilo que você não conhece.

Minha história começou na operação. Vivi a estrada, acompanhei de perto a rotina dos motoristas, conheci os desafios do transporte e, ao longo do caminho, passei por diferentes áreas até chegar à gestão.

Essa experiência mudou completamente a minha forma de enxergar o comercial.

Quando um cliente apresenta uma necessidade, eu não consigo olhar apenas para o preço ou para o serviço que está sendo solicitado. Penso no que existe por trás daquela demanda: é viável? Qual será o custo? Qual prazo podemos realmente cumprir? Existe uma alternativa melhor?

É aí que, para mim, o conhecimento operacional se transforma em um diferencial comercial.

Conhecer a operação é entender o custo

Quem está no comercial precisa saber que uma operação envolve muito mais do que o valor apresentado em uma proposta. Frota, combustível, manutenção, tempo, armazenagem, disponibilidade e produtividade são fatores que interferem diretamente no resultado.

Depois de tantos anos vivendo essa realidade, aprendi que o menor preço nem sempre representa a melhor solução. Às vezes, uma decisão aparentemente econômica pode gerar custos maiores lá na frente.

Prometer menos e entregar melhor

Também aprendi a respeitar os prazos.

Quem conhece a operação sabe que existem variáveis que não aparecem em uma planilha ou em uma negociação. Por isso, prefiro entender primeiro o cenário e apresentar ao cliente aquilo que realmente podemos entregar.

Para mim, confiança começa quando existe coerência entre o que foi vendido e o que a operação consegue executar.

Vender é entender para solucionar

Acredito que o comercial de logística precisa ir além da venda. Precisa fazer perguntas, ouvir o cliente e entender o problema antes de apresentar uma resposta.

Minha experiência na operação me ajuda justamente nisso: enxergar possibilidades, antecipar dificuldades e buscar soluções que façam sentido na prática.

Hoje, quando olho para minha trajetória, vejo que cada quilômetro percorrido, cada desafio operacional e cada etapa profissional contribuíram para formar a visão que tenho atualmente.

Eu não vendo aquilo que não conheço. Eu vivi a operação, conheço a estrada e entendo os desafios.

E é essa experiência que levo para o comercial: transformar conhecimento em soluções mais eficientes, realistas e adequadas para cada cliente.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Transporte

Marcopolo entrega seis ônibus Viaggio G8 1050 ao Paraguai com foco em segurança estrutural

A Marcopolo entregou à empresa paraguaia Guaireña seis unidades do Viaggio G8 1050 equipadas com motor dianteiro. Os ônibus foram desenvolvidos considerando os requisitos da UN R66.02, regulamentação internacional que estabelece critérios para a resistência da superestrutura de veículos em situações de tombamento e capotamento.

A entrega ocorreu em setembro de 2026, por meio da CIPAR, representante da fabricante brasileira no Paraguai. Segundo a Marcopolo, trata-se dos primeiros ônibus rodoviários de motor dianteiro destinados ao mercado paraguaio desenvolvidos de acordo com os requisitos da norma.

Motor dianteiro atende operações de curta e média distância

A configuração escolhida pela Guaireña combina uma carroceria rodoviária com chassi de motor dianteiro, solução que encontra aplicações principalmente em viagens de curta e média distância, fretamento e turismo.

Nessas operações, fatores como preço de aquisição, peso do veículo e custos de manutenção podem ter influência significativa na escolha do modelo.

Por outro lado, a localização do conjunto motriz na parte dianteira exige cuidados específicos no projeto da carroceria, principalmente para controlar calor, ruído e vibrações na região do motorista e dos primeiros passageiros.

A Marcopolo posiciona o Viaggio G8 1050 de motor dianteiro justamente para esse perfil de utilização. O modelo pode ser configurado sobre chassi 4×2.

O que estabelece a norma UN R66.02?

A UN R66.02 é uma regulamentação técnica das Nações Unidas, elaborada no âmbito da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). O regulamento, denominado tecnicamente UN Regulation No. 66 — Strength of Superstructure, estabelece requisitos relacionados à resistência da estrutura de ônibus.

A norma não é específica para veículos com motor dianteiro. Seu foco está no comportamento da superestrutura do ônibus como um todo.

Na prática, a regulamentação busca garantir que, em um eventual tombamento, a deformação da carroceria não comprometa de maneira incompatível o espaço destinado à sobrevivência dos ocupantes.

A identificação “02” corresponde à segunda série de alterações do Regulamento nº 66 e não representa um nível adicional de segurança.

Espaço de sobrevivência deve ser preservado

Um dos conceitos centrais da R66.02 é o chamado espaço residual, área que deve permanecer preservada nos compartimentos destinados aos passageiros, motorista e tripulação.

A regulamentação não exige que o ônibus permaneça sem danos após um acidente. A estrutura pode sofrer deformações. O requisito é que essas deformações não invadam de forma incompatível a área de proteção definida para os ocupantes.

Dessa forma, a norma não procura impedir o capotamento de ônibus, mas estabelecer critérios para o comportamento estrutural do veículo quando esse tipo de acidente ocorre.

R66.02 EM UMA TABELA

ItemO que significa
NomeUN Regulation nº 66
R66.02Série 02 de alterações do Regulamento nº 66
Quem elaborouONU/UNECE, dentro do sistema internacional de regulamentações veiculares
Tema principalResistência da superestrutura de ônibus em tombamentos
ObjetivoPreservar um espaço de sobrevivência para motorista e passageiros
O que é avaliadoComportamento e deformação da estrutura durante e após o tombamento
Espaço residualVolume interno que deve permanecer protegido contra a invasão da estrutura
Teste básicoTombamento de um veículo completo em condições estabelecidas pela norma
Há outros métodos?Sim. Podem ser utilizados testes de seções da carroceria, ensaios quase-estáticos, cálculos baseados em componentes ou simulação computacional, conforme as regras da norma
Abrangência principalÔnibus de um piso, rígidos ou articulados, M2 ou M3, Classes II, III ou B, com mais de 16 passageiros
Vale apenas para motor dianteiro?Não. O regulamento trata da resistência estrutural, independentemente da localização do motor
É norma de prevenção de capotamento?Não. O foco é a proteção estrutural caso o tombamento ocorra
Aprova freios ou estabilidade?Não. Esses sistemas são tratados por outras regulamentações
“Desenvolvido de acordo” significa necessariamente homologação R66?Não obrigatoriamente. É preciso distinguir desenvolvimento conforme os requisitos de uma homologação formal emitida segundo o sistema da ONU

Como funciona o teste de resistência ao capotamento

Entre os métodos previstos está o ensaio de tombamento do veículo completo. Nesse procedimento, o ônibus é colocado em uma plataforma inclinável e submetido às condições determinadas pela regulamentação até atingir o ponto de desequilíbrio e tombar sobre uma área de impacto.

Durante e após o evento, a estrutura é analisada para verificar se o espaço residual dos ocupantes foi preservado.

A regulamentação também admite métodos equivalentes, como ensaios de tombamento de seções representativas da carroceria, testes de carga quase-estática, cálculos estruturais baseados em ensaios de componentes e simulações computacionais do tombamento.

Segurança estrutural não depende apenas da posição do motor

A presença do motor na dianteira não determina, por si só, um nível maior ou menor de segurança. O comportamento do veículo depende de um conjunto de fatores que inclui chassi, carroceria, estrutura, distribuição de massas, sistemas de retenção, freios e estabilidade.

A localização e o peso dos componentes também interferem no centro de gravidade e nas características do tombamento. Por isso, esses elementos são considerados na avaliação estrutural prevista pelo regulamento.

No caso das unidades destinadas ao Paraguai, o destaque está na aplicação dos requisitos da R66.02 a um ônibus rodoviário com motor dianteiro.

Marcopolo utiliza anéis passantes na carroceria

De acordo com a fabricante, os seis Viaggio G8 1050 destinados à Guaireña contam com “anéis passantes de segurança” nas colunas da carroceria.

Segundo a Marcopolo, a solução contribui para aumentar a resistência estrutural do ônibus em situações de impacto e capotamento.

É importante destacar, porém, que a R66.02 estabelece requisitos de desempenho e métodos de verificação, mas não determina que todos os fabricantes utilizem uma tecnologia específica. Diferentes soluções de engenharia podem ser empregadas para alcançar os critérios exigidos.

A informação divulgada pela Marcopolo também afirma que os veículos foram “desenvolvidos de acordo” com a norma. O material não apresenta detalhes sobre eventual processo formal de homologação, autoridade responsável, método específico de ensaio ou certificado de aprovação. Por isso, a informação é apresentada conforme os dados divulgados pela própria fabricante.

Viaggio G8 1050 já possui histórico com motor dianteiro

O Viaggio 1050 não é um modelo novo na configuração de motor dianteiro. A carroceria já recebeu esse tipo de motorização em gerações anteriores.

Na Geração 8, a Marcopolo ampliou posteriormente a oferta do Viaggio G8 1050 com motor dianteiro para aplicações como fretamento, turismo e transporte rodoviário de curta e média distância.

Em dezembro de 2025, a fabricante realizou um roadshow nacional apresentando os modelos Viaggio G8 900 e G8 1050 com motor dianteiro para esses segmentos.

Atualmente, a configuração de motor dianteiro do G8 1050 pode utilizar chassi 4×2 e atingir até 13,6 metros de comprimento, conforme a configuração escolhida. A Marcopolo, entretanto, não divulgou a marca e o modelo dos chassis utilizados especificamente nas seis unidades entregues à Guaireña.

Ônibus têm 44 poltronas semileito

Cada um dos seis veículos entregues ao mercado paraguaio possui 44 poltronas semileito, segundo a Marcopolo.

A lista de equipamentos inclui:

  • Portas USB A e C;
  • ar-condicionado com aquecimento e renovação de ar;
  • sanitário;
  • geladeira e recipientes térmicos;
  • Wi-Fi;
  • sistema de áudio e vídeo com monitores;
  • reaproveitamento da água gerada pela condensação do ar-condicionado.

A Guaireña mantém uma relação comercial com a Marcopolo há mais de 40 anos, conforme informações da fabricante.

A empresa opera linhas que conectam diferentes cidades paraguaias, entre elas Villarrica, Assunção, Caazapá, Ciudad del Este, Yuty e San Juan Nepomuceno.

Com a nova entrega, o mercado paraguaio passa a contar com seis ônibus rodoviários Viaggio G8 1050 de motor dianteiro cujo projeto estrutural foi desenvolvido, segundo a Marcopolo, considerando os requisitos da UN R66.02 para resistência ao capotamento.

FONTE: Diário do Transporte
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Transporte

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Especialista

O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Logística

Cabotagem pode reduzir emissões de gases de efeito estufa no transporte de grandes volumes

Embora uma embarcação utilize uma quantidade significativa de combustível durante uma viagem, o volume de carga transportado pode tornar suas emissões de gases de efeito estufa relativamente menores por tonelada movimentada. Isso ocorre porque um único navio é capaz de levar milhares de toneladas, distribuindo o consumo energético por uma quantidade muito maior de mercadorias.

Essa característica faz da cabotagem uma alternativa com potencial para reduzir o impacto ambiental de determinadas operações logísticas. A vantagem, entretanto, não está apenas no trecho percorrido pelo navio. Para calcular as emissões de uma operação, é preciso considerar também o transporte terrestre até os portos, a ocupação da embarcação, as distâncias e as atividades realizadas nos terminais.

O que é cabotagem?

No Brasil, a cabotagem corresponde à navegação realizada entre portos ou pontos do território nacional. O deslocamento pode ocorrer pelo mar ou envolver a combinação de trechos marítimos com vias navegáveis interiores.

O modal se diferencia da navegação de longo curso, voltada principalmente ao comércio exterior, por atender ao transporte de cargas dentro do próprio país. A atividade é definida pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997.

Em 2025, granéis líquidos e gasosos, principalmente petróleo e gás natural, representaram a maior parcela da cabotagem brasileira. O sistema também movimentou cargas conteinerizadas, incluindo alimentos, eletrodomésticos, roupas, produtos químicos e outros itens destinados ao mercado nacional.

Escala aumenta a eficiência do transporte marítimo

Uma das principais métricas utilizadas para comparar diferentes modais é a tonelada-quilômetro (tkm). A unidade representa o transporte de uma tonelada de mercadoria por um quilômetro e permite relacionar carga, distância percorrida e emissões.

Como parâmetro internacional, os fatores de conversão divulgados pelo governo britânico para 2025 indicam uma emissão média de cerca de 16 gramas de dióxido de carbono equivalente por tonelada-quilômetro para navios de carga.

No segmento de contêineres, dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontaram que, em 2021, os navios de bandeira brasileira utilizados na cabotagem apresentavam capacidade média próxima de 3,1 mil TEUs.

A sigla TEU representa um contêiner de 20 pés. Como uma unidade de 40 pés corresponde a dois TEUs, uma embarcação com capacidade de 3,1 mil TEUs teria espaço equivalente a cerca de 1.550 carretas, considerando um contêiner de 40 pés por veículo.

A estimativa serve apenas como referência. Na prática, a quantidade transportada varia conforme o peso e as características da carga, o tamanho dos contêineres, a taxa de ocupação do navio e os limites aplicados ao transporte rodoviário.

Distância entre a carga e o porto influencia as emissões

O desempenho ambiental da cabotagem tende a ser mais favorável em operações que envolvem longas distâncias, grandes volumes de mercadorias, demanda frequente e pontos de origem e destino localizados próximos aos portos.

Quando a carga precisa percorrer grandes distâncias por rodovia antes do embarque ou depois do desembarque, parte dessa vantagem pode ser reduzida.

Também devem entrar na análise fatores como transbordos, refrigeração, deslocamentos de veículos sem carga e atividades realizadas dentro dos terminais portuários.

Considerando os fatores internacionais mencionados, transportar uma tonelada de carga por 2 mil quilômetros pelo mar resultaria em aproximadamente 32 quilos de dióxido de carbono equivalente.

A estimativa reforça a importância de analisar o ciclo completo da operação logística, desde a saída da mercadoria na origem até sua chegada ao destino final.

Novas tecnologias podem diminuir o consumo dos navios

O nível de eficiência de cada embarcação também interfere diretamente nas emissões. Medidas como otimização de velocidade e rotas, manutenção e limpeza do casco, melhorias em motores e hélices, aproveitamento de calor e sistemas híbridos com baterias podem reduzir o consumo de energia.

Há ainda soluções voltadas à operação dos navios nos portos e durante a navegação. Entre elas estão sistemas que permitem utilizar eletricidade fornecida em terra enquanto a embarcação está atracada, tecnologias de assistência à propulsão por meio do vento e mecanismos que criam uma camada de ar entre o casco e a água para diminuir o atrito.

O setor marítimo também avalia diferentes combustíveis de baixo carbono, como biodiesel, biometano, etanol, metanol de baixo carbono, amônia, hidrogênio e combustíveis sintéticos. Cada opção, porém, envolve diferentes custos, níveis de maturidade tecnológica e necessidades de infraestrutura.

No Brasil, já foram realizados testes com etanol. Também foram autorizados a comercialização e o uso do VLS B24, combustível marítimo de baixo teor de enxofre com 24% de biodiesel em sua composição.

Segundo a Petrobras, o produto pode ser empregado em motores já existentes e tem potencial para diminuir em aproximadamente 20% as emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. O resultado pode variar conforme a origem da matéria-prima utilizada.

Meta internacional prevê redução das emissões do setor

No âmbito global, a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu o objetivo de atingir emissões líquidas zero na navegação internacional por volta de 2050.

A estratégia também prevê uma redução de pelo menos 40% na intensidade de carbono da atividade até 2030, tendo 2008 como ano de referência, além da expansão do uso de tecnologias e combustíveis com emissões zero ou próximas de zero.

Integração entre navios e caminhões é fundamental

A cabotagem não substitui completamente o transporte rodoviário. Na prática, seu potencial está na integração entre modais, com cada meio de transporte sendo utilizado nos trechos em que apresenta maior eficiência.

Os navios podem assumir os deslocamentos de maior extensão e volume, enquanto caminhões garantem a distribuição das mercadorias entre portos, centros de produção, armazéns e consumidores finais.

Por esse motivo, uma comparação direta entre navio e caminhão não é suficiente para determinar qual operação apresenta menor impacto ambiental. O cálculo precisa abranger toda a cadeia logística: coleta da carga, transporte terrestre até o porto, atividades no terminal, percurso marítimo e distribuição final.

Com boa ocupação dos navios, terminais eficientes e trajetos terrestres mais curtos e planejados, a cabotagem pode ampliar sua vantagem ambiental e contribuir para a redução das emissões associadas ao transporte de grandes volumes de mercadorias no Brasil.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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