Transporte

Fretes marítimos de contêineres sobem 16%, mas alta pode ser temporária

As tarifas do transporte marítimo de contêineres registraram forte avanço nesta semana, com aumento de 16% no Drewry World Container Index, que chegou a US$ 2.557 por contêiner de 40 pés. A elevação foi puxada principalmente pelas rotas Transpacífico e Ásia–Europa, onde os reajustes foram mais intensos.

Alta é liderada por rotas entre China, EUA e Europa

Os maiores aumentos foram observados nos trajetos entre China e América do Norte. O frete spot de Xangai para Los Angeles subiu 26%, alcançando US$ 3.132 por contêiner, enquanto a rota Xangai–Nova York avançou 20%, para US$ 3.957.

Nas ligações entre Ásia e Europa, os preços também apresentaram elevação. O frete de Xangai para Gênova cresceu 13%, chegando a US$ 3.885, e o de Xangai para Roterdã aumentou 10%, para US$ 2.840.

Armadores elevam preços apesar da demanda fraca

Segundo analistas da Drewry, o movimento pode ter fôlego curto. A avaliação é de que os reajustes refletem aumentos oportunistas dos armadores, mesmo diante de uma demanda global de cargas ainda enfraquecida.

A alta coincidiu com a implementação de novas tarifas FAK (Freight All Kinds) e com a ampliação da capacidade ofertada. Os serviços entre Ásia e América do Norte cresceram entre 7% e 10% na comparação mensal, enquanto as rotas Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo tiveram expansão de 5% a 7% em janeiro. Ainda assim, agentes de carga relatam volumes fracos nas exportações asiáticas para os Estados Unidos, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos preços.

Importações dos EUA mostram desaceleração em 2025

A volatilidade dos fretes ocorre em meio a mudanças no padrão do comércio exterior dos Estados Unidos. De acordo com o Relatório Global de Transporte Marítimo da Descartes, as importações americanas totalizaram 2,23 milhões de TEUs em dezembro, alta de 2% em relação a novembro. No acumulado de 2025, porém, o volume ficou 0,4% abaixo de 2024, somando 28,1 milhões de TEUs.

Participação da China cai e Sudeste Asiático ganha espaço

A China continuou perdendo participação nas importações dos EUA. Em dezembro, os embarques chineses caíram 21,8% na comparação anual, respondendo por apenas 31,7% do total — o menor nível para um mês de dezembro em seis anos.

Em contrapartida, o Sudeste Asiático ampliou presença, com destaque para Vietnã (+21,5%), Tailândia (+28,3%) e Indonésia (+19,6%).

Incertezas seguem pressionando o mercado em 2026

Para Jackson Wood, diretor de estratégia do setor na Descartes, 2025 foi marcado por volatilidade, incertezas e demanda mais moderada em comparação a 2024. Segundo ele, as cadeias globais de suprimentos seguem pressionadas por indefinições tarifárias, mudanças no sourcing e riscos geopolíticos elevados.

Com o início de 2026, o mercado de contêineres permanece frágil. A expectativa é que medidas comerciais entre EUA e China, decisões sobre tarifas e a instabilidade no Mar Vermelho dificultem a manutenção dos recentes aumentos de frete caso a demanda não se recupere.

FONTE: gCaptain
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Transporte

Transnordestina realiza segunda viagem-teste com carga de cereal entre Piauí e Ceará

A Ferrovia Transnordestina deu mais um passo rumo à operação comercial ao iniciar, neste domingo (11), a segunda viagem-teste com transporte de carga de cereal. A composição saiu às 14h de Bela Vista, no Piauí, com destino ao Terminal Integrador de Iguatu, no Ceará.

Percurso de 585 km repete operação experimental

A previsão é que a carga chegue ao território cearense entre 5h e 6h desta segunda-feira (12). O trajeto percorre 585 quilômetros, o mesmo utilizado na primeira operação experimental da ferrovia.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o transporte envolve 20 vagões carregados com sorgo, que será destinado a granjas da região.

Testes marcam avanço técnico da ferrovia

A nova viagem-teste é considerada um marco técnico na evolução da Transnordestina, obra que se arrasta há quase duas décadas, marcada por atrasos e entraves jurídicos. A previsão atual é de que a ferrovia seja concluída em 2028.

“A Transnordestina deixou de ser uma promessa distante e começa a se consolidar como uma realidade operacional”, afirmou Francisco Alexandre, superintendente da Sudene. Segundo ele, o investimento de R$ 700 milhões reforça o potencial do projeto para transformar a logística do Nordeste.

Primeira operação ocorreu em dezembro

A primeira viagem experimental da Transnordestina foi realizada em 18 de dezembro, com o transporte de milho. Os testes estavam inicialmente previstos para começar em 24 de outubro, mas foram adiados após uma interdição do Ibama, ocorrida na véspera da operação.

Sudene libera novos recursos para a obra

Nesta semana, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) autorizou a liberação de R$ 106,2 milhões para a continuidade das obras da ferrovia. Trata-se da primeira liberação de recursos em 2026 para o empreendimento.

O valor será repassado por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que reúne recursos do Banco do Nordeste e é administrado pela Sudene.

FONTE: Diário do Nordeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yasmin Fonseca/MIDR

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Transporte

Primeiro navio elétrico do mundo estreia na América do Sul e revoluciona transporte marítimo

A América do Sul entrou para a história da navegação com a chegada do primeiro navio elétrico do mundo. Batizada de China Zorrilla, a embarcação passa a operar na rota entre Buenos Aires, na Argentina, e o Uruguai, oferecendo uma alternativa moderna, rápida e ambientalmente responsável para passageiros e veículos.

Tecnologia inédita marca nova era da navegação

Com 130 metros de comprimento, o China Zorrilla se destaca não apenas pelo uso de energia elétrica, mas também por seu porte. Trata-se do maior catamarã de alumínio já construído no planeta, estabelecendo um novo padrão em capacidade e engenharia naval.

O navio opera com oito motores elétricos acoplados a um sistema de propulsão por jato de água. Para sustentar essa operação, a embarcação conta com mais de 40 MWh em baterias, que juntas pesam cerca de 275 toneladas. A recarga completa é viabilizada por carregadores de alta potência instalados nos portos de Buenos Aires e Colônia, permitindo abastecimento total em aproximadamente 80 minutos.

Viagem silenciosa e focada no conforto do passageiro

A experiência a bordo foi pensada para oferecer conforto e tranquilidade. Por ser um navio elétrico com zero emissão de carbono, o China Zorrilla opera sem ruídos de motores a combustão. Os passageiros têm acesso a mais de 3 mil metros quadrados de áreas de lazer, além de uma loja duty-free.

O tempo médio da travessia é de cerca de 90 minutos, combinando eficiência, sustentabilidade e uma jornada mais agradável entre os dois países.

Capacidade supera embarcações tradicionais

Em comparação com outros navios da mesma operadora, o novo modelo representa um salto significativo. Enquanto o tradicional navio Francisco transporta até 950 passageiros, o China Zorrilla tem capacidade para 2,1 mil pessoas e 225 veículos, tornando-se uma das maiores embarcações de transporte de passageiros da região.

Sustentabilidade e investimento verde impulsionam o projeto

O projeto demandou um investimento de aproximadamente 170 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 932 milhões, e contou com financiamento sustentável. A iniciativa é considerada a primeira “operação azul” voltada ao transporte marítimo elétrico.

Além de eliminar a emissão de gases poluentes, o navio reduz drasticamente o risco de vazamentos de combustível, contribuindo para a preservação da biodiversidade marinha e reforçando o compromisso ambiental do setor naval.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Incat/Reprodução/ND Mais

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Transporte

Brasil anuncia o trem mais rápido da América do Sul e projeta revolução no transporte ferroviário

O Brasil deu um passo ambicioso rumo à modernização da mobilidade ao anunciar a construção do trem de alta velocidade mais rápido da América do Sul. O projeto prevê um sistema capaz de alcançar até 350 km/h, conectando Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas em um trajeto total de 510 quilômetros.

Trem de alta velocidade ligará grandes centros urbanos

Batizado de TAV (Trem de Alta Velocidade), o novo modal ferroviário permitirá que a viagem entre Rio de Janeiro e São Paulo seja realizada em cerca de 1 hora e 45 minutos, reduzindo drasticamente o tempo de deslocamento entre as duas maiores metrópoles do país.

A proposta é oferecer uma alternativa eficiente ao transporte rodoviário e aéreo, com maior regularidade, conforto e previsibilidade para passageiros que circulam diariamente entre esses polos econômicos.

Infraestrutura moderna inspirada em modelos internacionais

O projeto prevê a construção de túneis, viadutos e uma linha férrea com infraestrutura de última geração, inspirada em sistemas consolidados de trens-bala do Japão e da Europa. A expectativa é ampliar significativamente a capacidade do sistema ferroviário nacional, que hoje opera, em muitos trechos, com limitações de velocidade e extensão.

Com a implantação do TAV, a capacidade atual pode ser duplicada ou até triplicada, superando os trechos ferroviários que hoje não ultrapassam 160 quilômetros em operações convencionais.

Impactos na mobilidade e no desenvolvimento regional

A iniciativa deve gerar efeitos positivos diretos na mobilidade urbana, ajudando a reduzir o fluxo de veículos nas rodovias e promovendo um modelo de transporte mais sustentável. O início das obras está previsto para 2027, após a conclusão das etapas de planejamento, com a operação inicial estimada para 2032.

O investimento total do projeto deve variar entre 10 e 20 bilhões de dólares, considerando a complexidade da obra e a tecnologia envolvida. Além de fortalecer a integração econômica entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, o trem de alta velocidade tende a impulsionar o desenvolvimento urbano e regional, facilitando o deslocamento de trabalhadores, empresários e turistas.

Brasil busca protagonismo ferroviário na América do Sul

Com o TAV, o Brasil pretende promover uma mudança estrutural no transporte sul-americano, oferecendo um sistema mais rápido, seguro e eficiente. A iniciativa reforça a ambição do país de se consolidar como referência em inovação ferroviária no continente, elevando o padrão de mobilidade e conectividade regional.

FONTE: Correio do Estado
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Shutterstock

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Transporte

China testa trem magnético a 700 km/h e reforça liderança global em tecnologia ferroviária

A China deu mais um passo à frente no desenvolvimento de trens de alta velocidade ao realizar um teste que levou um veículo de levitação magnética de 0 a 700 km/h em apenas dois segundos. O experimento, conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa, demonstrou um nível de aceleração e controle considerado inédito no setor ferroviário mundial.

O ensaio não utilizou um trem convencional de passageiros, mas sim uma plataforma experimental, desenvolvida exclusivamente para avaliar sistemas de aceleração e frenagem aplicáveis a futuros trens de levitação magnética (maglev). Ainda assim, o desempenho alcançado impressionou especialistas da área.

Tecnologia de ponta e controle extremo

O teste foi realizado em uma pista experimental de apenas 400 metros e exibido pela emissora estatal CCTV. O veículo, com cerca de uma tonelada, percorreu o trajeto flutuando sobre os trilhos, sem rodas e sem contato físico, impulsionado exclusivamente por campos eletromagnéticos.

A façanha envolve tecnologias altamente avançadas, como propulsão eletromagnética de altíssima potência, sistemas de levitação supercondutora, controle milimétrico de estabilidade e sensores capazes de operar com precisão extrema mesmo em acelerações intensas.

Comparação com superesportivos reforça impacto do feito

Para efeito de comparação, alguns dos carros mais rápidos do mundo, como o Rimac Nevera, aceleram de 0 a 100 km/h em cerca de 1,85 segundo, enquanto o Tesla Model S Plaid atinge a marca em aproximadamente dois segundos. A diferença é que o sistema chinês não para nos 100 km/h — ele continua acelerando até alcançar sete vezes essa velocidade, sem atrito mecânico.

Essa capacidade só é possível graças à ausência de contato físico entre o veículo e os trilhos, o que elimina limitações tradicionais de desgaste e estabilidade.

China amplia vantagem no transporte ferroviário

O avanço não surge de forma isolada. A China já opera uma das poucas linhas comerciais de trem de levitação magnética do mundo, conectando Xangai ao Aeroporto de Pudong, com velocidades de até 430 km/h. Enquanto isso, os trens de alta velocidade mais rápidos da Europa operam, em média, entre 300 e 310 km/h.

O novo teste representa um salto tecnológico significativo, ainda distante do uso comercial, mas essencial para o desenvolvimento de futuras gerações de transporte ferroviário.

Aplicações vão além do transporte de passageiros

Segundo especialistas, o domínio da aceleração eletromagnética abre caminho para aplicações que vão além dos trens, incluindo sistemas de transporte em tubos a vácuo e até tecnologias ligadas ao setor aeroespacial.

A escolha de uma instituição ligada à área de defesa para liderar o projeto reforça o caráter estratégico da pesquisa, que pode impactar desde a logística até sistemas de lançamento de alta velocidade.

Um sinal claro do futuro da mobilidade

Embora o sistema ainda não esteja próximo da operação comercial, o experimento demonstra a ambição chinesa de liderar o próximo salto tecnológico no transporte terrestre. Depois de revolucionar a malha ferroviária com trens de alta velocidade, o país agora aponta para um futuro em que deslocamentos ultrarrápidos poderão redefinir distâncias e infraestrutura.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

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Transporte

Trânsito nas BRs de Santa Catarina deve crescer até 75% no Réveillon, alerta PRF

Fluxo intenso é esperado principalmente na BR-101, com destino aos principais balneários do estado

O movimento nas rodovias federais de Santa Catarina deve registrar um aumento de aproximadamente 75% durante o período de Réveillon, segundo projeção da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A expectativa é de maior concentração de veículos na BR-101, principal corredor viário do estado, especialmente nos acessos às praias mais procuradas por turistas na virada do ano.

Diante do cenário, a PRF orienta os motoristas a planejarem a viagem com antecedência para reduzir riscos e evitar congestionamentos prolongados.

Horários estratégicos e planejamento da viagem

Para minimizar transtornos, a recomendação é evitar os períodos de maior fluxo. De acordo com a PRF, o melhor horário para viajar é entre 5h e 8h da manhã, quando o trânsito costuma ser mais fluido e as temperaturas mais amenas.

Também é indicado acompanhar a situação das rodovias por meio de aplicativos e plataformas digitais, o que pode ajudar na escolha de rotas alternativas e horários mais adequados.

Cuidados essenciais antes de pegar a estrada

A PRF reforça a importância de uma revisão completa do veículo antes da viagem. Itens como pneus, freios, sistema de iluminação, níveis de óleo e água devem ser checados com atenção. Equipamentos obrigatórios — como estepe, triângulo, macaco e chave de roda — precisam estar em boas condições, assim como toda a documentação do motorista e do automóvel.

Além disso, é recomendado levar água e manter a calma durante o trajeto, especialmente em trechos com lentidão.

Atenção ao comportamento do motorista

O comportamento ao volante é fator decisivo para a segurança. O uso do celular durante a condução, o consumo de bebidas alcoólicas e o cansaço excessivo aumentam significativamente o risco de acidentes. A PRF alerta que a fadiga pode provocar cochilos involuntários, com efeitos tão perigosos quanto dirigir sob efeito de álcool.

Clima exige cautela redobrada

Durante o verão, são comuns temporais repentinos, que reduzem a visibilidade e aumentam o risco de aquaplanagem. Em caso de chuva forte, a orientação é reduzir a velocidade, manter maior distância dos demais veículos e evitar freadas bruscas, já que o asfalto molhado compromete a aderência dos pneus.

Como agir em acidentes sem vítimas

Em ocorrências sem feridos, a PRF orienta que os veículos sejam retirados da pista imediatamente, sempre que possível, para não prejudicar o fluxo. O boletim de ocorrência deve ser registrado de forma online, por meio do site oficial da PRF, dispensando a presença física de agentes.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação / FIESC

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Transporte

Lei do Frete Mínimo pressiona transporte rodoviário e afeta caminhoneiros em Mato Grosso

A Lei do Frete Mínimo, criada após a greve dos caminhoneiros em 2018, voltou ao centro das discussões no setor de transporte rodoviário. Em Mato Grosso, caminhoneiros autônomos e empresas relatam impactos diretos na operação, com redução de oportunidades, aumento de custos e distorções no mercado de fretes.

A principal crítica é que a tabela de preços favorece caminhões de maior porte, deixando veículos menores ociosos e dificultando a competitividade no setor.

Preferência por caminhões maiores limita oportunidades

Na prática, a aplicação da tabela tem direcionado a contratação para caminhões com maior número de eixos, como os de nove eixos, considerados mais vantajosos dentro do cálculo oficial. Com isso, caminhões menores acabam ficando parados, à espera de carga.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a metodologia adotada pela lei não reflete a realidade do transporte brasileiro e gera desequilíbrios no mercado, especialmente em estados dependentes do modal rodoviário, como Mato Grosso.

Distorções na tabela e impacto direto no autônomo

De acordo com o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, a lei foi criada de forma emergencial e ainda carrega falhas estruturais. Ele explica que os critérios de cálculo consideram custos de um caminhão novo, enquanto a frota brasileira possui idade média superior a 20 anos.

“A tabela acabou incentivando o uso de caminhões maiores. Hoje, quem tem caminhão de 5, 6 ou 7 eixos enfrenta grande dificuldade para conseguir frete”, afirma.

Essa realidade é sentida no dia a dia pelos profissionais. O caminhoneiro Rodrigo Nicolau Macedo relata períodos de até quatro dias parado à espera de carga. “O mercado está priorizando caminhão de nove eixos. Quem tem caminhão menor fica de lado”, comenta.

Empresas também enfrentam dificuldades operacionais

O impacto da Lei do Frete Mínimo também atinge as transportadoras. Segundo o empresário Márcio Roberto, veículos menores praticamente deixaram de operar por não conseguirem se enquadrar na tabela.

“Para caminhões menores, o frete não fecha. A gente acaba priorizando rodotrens porque é o que viabiliza o custo”, explica. Segundo ele, empresas com frota reduzida são as mais prejudicadas.

Modelo atual gera insegurança e custos elevados

Entre os caminhoneiros, há consenso de que o modelo precisa ser revisto. Para Thiago Pedroso Esteves, o cálculo deveria considerar a distância percorrida, e não apenas o tipo de veículo. “O ideal seria um equilíbrio. O frete deveria ser calculado por quilômetro rodado”, defende.

Já Daniel dos Santos Rodrigues afirma que muitos valores praticados no mercado não seguem a tabela oficial. “Para cobrir os custos, o frete teria que girar em torno de R$ 7 por quilômetro, mas isso raramente acontece”, relata.

Fiscalização eletrônica e reflexos no preço final

A fiscalização da Lei do Frete Mínimo ganhou força com a implementação do controle eletrônico pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A partir da emissão do MDF-e, o frete passou a ser automaticamente monitorado.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a medida aumentou a insegurança no setor. “Essa fiscalização eletrônica deixou o mercado apreensivo. O custo acaba sendo repassado ao consumidor”, afirma Edeon.

Outro ponto de crítica é a falta de flexibilização para o frete de retorno. A legislação permite apenas pequeno desconto, o que torna inviável o transporte de volta e faz com que muitos caminhões rodem vazios.

“Quando não há carga compatível com a tabela, o caminhão retorna vazio. E caminhão vazio não paga conta”, resume um dos motoristas ouvidos.

Impactos se estendem à economia

Com custos elevados, insegurança jurídica e dificuldades operacionais, o setor avalia que os efeitos da lei ultrapassam o transporte e chegam ao consumidor final, com reflexos diretos nos preços dos produtos.

Enquanto não há revisão no modelo, caminhoneiros, transportadoras e produtores seguem tentando se adaptar a uma realidade que pressiona margens e reduz a competitividade do transporte rodoviário brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Transporte

Trem elétrico autossuficiente revoluciona transporte ferroviário pesado na mineração

O transporte ferroviário pesado entrou em uma nova fase com a operação do Infinity Train, um trem elétrico autossuficiente desenvolvido pela mineradora australiana Fortescue. A solução começou a operar nas ferrovias da região de Pilbara, na Austrália Ocidental, e é considerada um marco para a descarbonização do setor ferroviário, ao eliminar totalmente o uso de combustíveis fósseis e a necessidade de recargas externas frequentes.

Sistema usa recuperação de energia nas descidas

O projeto é baseado em locomotivas equipadas com baterias de alta capacidade, carregadas inicialmente com energia elétrica convencional. Após esse primeiro carregamento, o trem passa a operar de forma contínua graças à recuperação de energia gerada durante as frenagens nos trechos de descida, comuns no transporte de minério.

Essa energia cinética é convertida em eletricidade e armazenada novamente nas baterias, permitindo que o trem retorne vazio ao ponto de origem sem necessidade de reabastecimento energético adicional.

Fim do diesel reduz custos e impactos ambientais

A inovação elimina a dependência de diesel e dispensa a instalação de infraestrutura dedicada de recarga ao longo da ferrovia. Segundo estimativas da Fortescue, a adoção do Infinity Train pode evitar o consumo anual de mais de 82 milhões de litros de diesel, o que representa uma redução de cerca de 235 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

Esse volume equivale a aproximadamente 11% das emissões diretas da companhia, reforçando o potencial da tecnologia para acelerar a transição energética no setor de mineração e logística pesada.

Testes em longa distância validaram a tecnologia

Antes de entrar em operação comercial, o Infinity Train passou por testes extensivos, percorrendo aproximadamente 1.100 quilômetros entre Perth e Pilbara. Os resultados comprovaram a capacidade do sistema de atender às exigências do transporte ferroviário de minério, que envolve cargas elevadas, longos trajetos e operação contínua em ambientes severos.

Projeto aponta novo padrão tecnológico para ferrovias

Anunciado inicialmente em 2022, o Infinity Train foi desenvolvido em parceria com empresas especializadas em engenharia ferroviária e energia. A entrada em operação reforça a viabilidade de soluções sustentáveis para ferrovias de carga pesada, especialmente em regiões com relevo favorável à geração de energia por gravidade.

Para o setor ferroviário global, a iniciativa indica um caminho concreto para operações livres de combustíveis fósseis, com potencial de aplicação em outros corredores logísticos e industriais ao redor do mundo.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Transporte

ZIM vira alvo de disputa entre Hapag-Lloyd e MSC e agita transporte marítimo global

O transporte marítimo de contêineres entrou em uma nova fase de intensa movimentação estratégica após surgirem informações de que a Hapag-Lloyd teria apresentado uma proposta para adquirir a ZIM Integrated Shipping, armadora israelense com operações em mais de 90 países.

Embora a possível transação ainda esteja em estágio inicial, o movimento já repercute no mercado financeiro e nas cadeias logísticas globais, despertando atenção de portos, terminais e operadores marítimos em diferentes regiões.

Mercado reage e ZIM confirma análise de alternativas

A notícia impulsionou as ações da ZIM na Bolsa de Nova York, refletindo a expectativa de investidores diante de um possível processo de consolidação do setor marítimo.

Apesar de não haver confirmação oficial por parte das companhias envolvidas, o conselho de administração da ZIM reconheceu que avalia alternativas estratégicas, que vão desde parcerias operacionais até uma eventual venda da empresa.

MSC entra na disputa e amplia concorrência

A Hapag-Lloyd, no entanto, não é a única interessada. Informações de mercado indicam que a MSC (Mediterranean Shipping Company), maior armadora de contêineres do mundo, também teria formalizado interesse na aquisição da ZIM.

Além disso, surgem especulações sobre a possível participação de outros grandes grupos, como a Maersk, o que reforça o valor estratégico da companhia israelense no cenário global.

Mesmo com uma participação menor no mercado mundial, a ZIM é vista como um ativo relevante por sua presença em rotas estratégicas, elevada flexibilidade operacional e modelo de negócios baseado no afretamento de navios, característica que permite rápida adaptação a cenários de volatilidade econômica e geopolítica.

Debate interno em Israel e mudanças na governança

A possibilidade de venda da ZIM também provoca repercussões internas em Israel. Representantes de trabalhadores e setores políticos expressaram preocupação com a transferência de controle para grupos estrangeiros, especialmente no caso da Hapag-Lloyd, que conta com investidores do Oriente Médio em sua estrutura acionária.

Temas como segurança nacional e soberania logística passaram a integrar o debate público. Paralelamente, disputas entre acionistas resultaram em ajustes na composição do conselho de administração, evidenciando a pressão por decisões rápidas diante do interesse crescente de grandes armadoras globais.

Efeitos sobre portos e cadeias logísticas

Uma eventual aquisição da ZIM por um dos gigantes do setor pode gerar impactos relevantes no equilíbrio do transporte marítimo internacional. Especialistas apontam que a consolidação pode alterar rotas comerciais, alianças operacionais, escalas portuárias e o poder de negociação com terminais e operadores logísticos.

Em portos estratégicos, como o Porto de Santos, o movimento pode representar tanto oportunidades quanto desafios, especialmente em relação à concentração de cargas, renegociação contratual e redefinição de serviços.

Enquanto as negociações seguem sob sigilo, o episódio reforça uma tendência já consolidada no setor marítimo: a busca por escala, eficiência operacional e maior controle das cadeias logísticas globais em um ambiente marcado por instabilidade econômica e tensões geopolíticas.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Darryl Brooks

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Transporte

Gigantes dos mares: os 5 maiores navios porta-contêineres do mundo e os desafios de operar cargas acima de 24 mil TEU

O transporte marítimo segue como a espinha dorsal do comércio global. Estima-se que mais de 90% das mercadorias comercializadas internacionalmente sejam movimentadas por via marítima, grande parte delas em contêineres. Nos últimos anos, a busca por economia de escala, eficiência logística e redução do custo por unidade transportada impulsionou uma corrida por navios cada vez maiores.

O resultado são verdadeiros colossos flutuantes, com quase 400 metros de comprimento e capacidade superior a 24 mil TEU (Twenty-foot Equivalent Unit), que operam principalmente nas rotas Ásia–Europa. A seguir, conheça os cinco maiores navios porta-contêineres do mundo em capacidade de carga, atualmente em operação.

1. MSC Irina — 24.346 TEU

O MSC Irina é, hoje, o maior navio porta-contêineres do mundo em capacidade de carga. Operado pela Mediterranean Shipping Company (MSC), o gigante mede cerca de 399,9 metros de comprimento e mais de 61 metros de largura, o equivalente a quase quatro campos de futebol alinhados.

  • Capacidade: 24.346 TEU
  • Ano de entrada em operação: 2023
  • Rotas principais: Ásia–Europa

O navio simboliza a nova geração de ULCVs (Ultra Large Container Vessels) e tem sido destaque mundial por escalar apenas portos altamente preparados do ponto de vista estrutural e tecnológico.

2. MSC Loreto — 24.346 TEU

Navio-irmão do MSC Irina, o MSC Loreto compartilha exatamente a mesma capacidade e dimensões. Ele integra a estratégia agressiva da MSC de liderar o mercado global não apenas em número de embarcações, mas também em capacidade total transportada.

  • Capacidade: 24.346 TEU
  • Ano de entrada em operação: 2023
  • Destaque: operações concentradas em grandes hubs portuários

A presença de dois navios idênticos no topo do ranking evidencia a padronização e a escala industrial atingida pela construção naval contemporânea.

3. OOCL Spain — 24.188 TEU

O OOCL Spain representa a força da construção naval chinesa e da expansão asiática no transporte marítimo global. Operado pela OOCL, empresa do grupo COSCO, o navio faz parte da G Class, uma das mais modernas do mundo.

  • Capacidade: 24.188 TEU
  • Ano de entrada em operação: 2023
  • Rotas: Ásia–Europa

Além do porte, o OOCL Spain incorpora sistemas avançados de eficiência energética e digitalização da operação de carga.

4. MSC Tessa — 24.116 TEU

Outro gigante da frota da MSC, o MSC Tessa integra a mesma geração de mega embarcações lançadas a partir de 2023. O navio combina grande capacidade com soluções voltadas à redução do consumo de combustível e emissões.

  • Capacidade: 24.116 TEU
  • Ano de entrada em operação: 2023
  • Diferencial: foco em eficiência energética

É um exemplo claro de como a sustentabilidade passou a ser parte central do projeto desses colossos marítimos.

5. Ever Alot — 24.004 TEU

O Ever Alot, da Evergreen Marine, foi um dos primeiros navios do mundo a ultrapassar a marca dos 24 mil TEU, abrindo caminho para a nova geração de mega porta-contêineres.

  • Capacidade: 24.004 TEU
  • Ano de entrada em operação: 2022
  • Classe: Evergreen A-Class

Mesmo ligeiramente menor que os líderes do ranking, o Ever Alot segue entre os maiores navios comerciais já construídos.

Os desafios de operar gigantes dos mares

O crescimento no tamanho dos navios trouxe ganhos expressivos de escala, mas também desafios operacionais complexos:

  • Infraestrutura portuária: poucos portos no mundo possuem calado, berços e guindastes adequados
  • Congestionamento: a movimentação de milhares de contêineres em poucas horas pressiona pátios, retroáreas e acessos urbanos
  • Manobrabilidade e segurança: maior dependência de rebocadores e planejamento rigoroso
  • Efeito dominó: atrasos em um porto impactam toda a rota global
  • Sustentabilidade: pressão regulatória para redução de emissões e uso de novos combustíveis

Esses fatores reforçam a tendência de concentração das operações em grandes hubs logísticos globais.

Curiosidade: quanto tempo e quanto custa construir um gigante desses?

A construção de um navio porta-contêineres com capacidade acima de 24 mil TEU leva, em média, entre 24 e 36 meses, desde a fase de projeto até a entrega final. O investimento também impressiona: cada unidade custa entre US$ 160 milhões e US$ 220 milhões, dependendo do estaleiro e das tecnologias embarcadas. Esses navios utilizam dezenas de milhares de toneladas de aço, motores equivalentes à potência de pequenas usinas e sistemas digitais avançados, tornando-se alguns dos projetos industriais mais complexos do planeta.

Fontes

  • MSC – Mediterranean Shipping Company (msc.com)
  • Evergreen Marine Corporation (evergreen-marine.com)
  • OOCL – Orient Overseas Container Line (oocl.com)
  • gCaptain – Jornalismo marítimo internacional
  • Marine Insight
  • Ship Technology (GlobalData)
  • Offshore Energy
  • Port Technology International
  • VesselFinder
  • MarineTraffic
  • ShipSpotting
  • Clarksons Research
  • Alphaliner
  • China State Shipbuilding Corporation (CSSC)
  • IMO – International Maritime Organization
  • Wikipedia (artigos técnicos e históricos, para checagem cruzada)

Texto desenvolvido com apoio de Inteligência Artificial e revisão editorial.

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