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Mais de 10 mil roubos de carga foram registrados no país em 2024

Prejuízos são estimados em R$ 1,2 bilhão

Problemas com a malha rodoviária e o elevado índice de roubo nas estradas são os maiores desafios enfrentados pelo transporte de cargas no país. Em 2024, dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que o país registrou, em média, 27 roubos de cargas por dia.

O roubo de cargas no Brasil vem sendo grande fonte de receita para as quadrilhas especializadas. De acordo com o relatório de Análise de Roubo de Cargas, os ataques cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025. Dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística indicam que, em 2024, foram contabilizados 10.478 roubos de carga no país, com prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão.

Investimentos adicionais em segurança e tecnologia, atrasos nas entregas e necessidade de rotas mais longas para evitar áreas de risco comprometem toda a cadeia logística. Essas medidas elevam os custos repassados ao consumidor final e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado.

Desde 2023, com a promulgação da Lei 14.599/23, a contratação dos seguros de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C), o de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC) e o de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V) é obrigatória, o que tem impactado a procura pelos produtos de seguros.

Nos primeiros cinco meses deste ano, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a arrecadação do RC-DC cresceu 8,1%, alcançando R$ 570 milhões, enquanto as indenizações subiram 12,4%, totalizando R$ 239 milhões. Já o RCTR-C avançou 1,5%, somando R$ 721 milhões em prêmios, com pagamentos de quase R$ 520 milhões, alta de 5,2%.

Portaria

O cenário deve ganhar novo impulso com a Portaria Suroc nº 27/2025, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 11 de agosto último. A norma prevê a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para empresas que não comprovarem a contratação dos seguros exigidos.

Para o diretor de Relações Institucionais CNseg, Esteves Colnago, a portaria trará maior eficiência e controle para o exercício do transporte de cargas nas estradas brasileiras.

“É de suma importância essa nova normativa da ANTT. Ela traz uma evolução no método de fiscalização, saindo de uma abordagem baseada em documentos físicos para um modelo digital e integrado, o que promete maior eficiência e controle sobre a obrigatoriedade da cobertura de seguros no transporte de cargas, aumentando a segurança para todos os envolvidos na cadeia logística”, afirmou.

A comprovação poderá ser feita de duas formas: pela apresentação do frontispício (folha de rosto) da apólice ou do certificado de seguro à fiscalização da ANTT; ou pela verificação automática, por meio de intercâmbio de dados em tempo real entre a agência e as seguradoras (ou entidade que as represente).

O sistema digital deverá estar plenamente implementado até 10 de março de 2026, prazo definido pelo Artigo 3º da portaria. Até lá, a ANTT disponibilizará às seguradoras um manual técnico para integração via webservice, garantindo o envio automático das informações relativas à contratação dos seguros.

Fonte: Agência Brasil

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Internacional, Notícias

China deve atingir 50 mil km de ferrovias de alta velocidade em 2025 e já responde por 70% da rede mundial

Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade realizada em Pequim mostrou últimos avanços chineses no setor.

No final de 2024, a China atingiu 48 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade, o que representa 70% da rede ferroviária desse tipo no mundo.

Neste ano de 2025 a meta é chegar aos 50 mil km, abrangendo mais de 97% das cidades com mais de meio milhão de habitantes. Para 2035, o objetivo é que a rede de trens de alta velocidade atinja 70 mil km.

Os dados foram compartilhados durante a 12ª Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade, que aconteceu em Pequim de 8 a 11 de julho de 2025 e contou com participantes de cerca de 60 países.

O evento foi co-organizado pela estatal Ferrovias da China (FC) e a União Internacional de Ferrovias (UIC), debatendo os últimos avanços na tecnologia e os impactos socioeconômicos das ferrovias.

A FC assinou acordos de cooperação com autoridades ferroviárias da França, Espanha, Cazaquistão, Azerbaijão, Uzbequistão, Bielorrússia, Laos e Malásia

A conferência incluiu uma visita ao Centro Nacional de Testes Ferroviários, a maior base de testes de trens da Ásia. A infraestrutura do centro permite realizar testes para diferentes tecnologias e tipos de trens, desde urbanos até os de carga pesada.

EMUs

Atualmente os trens de transporte de passageiros mais usados na China são os da série CHR Harmony e Fuxing.

Os Harmony estrearam em 2007 e foram desenvolvidos com tecnologias do Japão, França, Canadá e Alemanha.

Já o Fuxing, que estreou em 2017, é o primeiro trem de alta velocidade totalmente desenvolvido na China.

Ambos são conhecidos também com o nome de EMU, sigla em inglês de Unidade Múltipla Elétrica. Uma das suas principais características é que todos ou vários vagões têm motores, diferente das locomotivas tradicionais onde o motor está no primeiro vagão, responsável por puxar todo o veículo.

A concepção tecnológica tem muitas décadas e já era utilizada no japonês Shinkansen, o primeiro sistema ferroviário de alta velocidade do mundo, que começou a funcionar comercialmente em 1964.

Os trens mais rápidos do mundo

Um dos últimos avanços da China na tecnologia ferroviária de alta velocidade é o trem CR450, que foi apresentado no final do ano passado e continua em fase de testes.

O novo veículo chinês tem velocidade de projeto de 450 km/h e operacional de 400 km/h. A primeira é a velocidade teórica que o trem pode atingir em condições ideais, a segunda é a velocidade máxima, determinada por fatores como segurança ou economia energética.

Essa velocidade tornará o CR450, o mais rápido do mundo.

A pesquisadora chefe da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Zhao Hongwei, destaca algumas novidades que a nova tecnologia traz. Mostrando um CR450 que está atrás dela, ela diz que esse novo modelo de trem-bala apresenta características de maior velocidade, maior segurança, maior eficiência energética, maior conforto e maior inteligência.

Além da velocidade, já mencionada, quanto à segurança, ela afirma que o trem possui uma distância de frenagem de 6.500 metros. A distância de frenagem é a medida que o trem precisa para parar completamente. Neste caso, o novo trem mantém a mesma distância que o CR400 precisa para parar a 350 km/h.

A pesquisadora também explica que o novo modelo reduz a resistência ao movimento em 22%, o que permite que o trem economize 20% de energia. “Dessa forma, seu consumo operando a 400 km/h é praticamente equivalente ao do CR400 operando a 350 km/h”, explica Zhao.

Complexidade tecnológica

A indústria de ferrovias de alta velocidade envolve tecnologias que incluem os trilhos e infraestrutura em geral, a energia, a aerodinâmica e a propulsão dos trens, além dos sistemas de gestão e monitoramento.

Para Zhao, “todo o sistema ferroviário de alta velocidade envolve um projeto de engenharia complexo”.

“Ele inclui infraestrutura, como a construção de linhas, pontes e túneis — o que chamamos justamente de ‘linha-ponte-túnel’, que são os elementos básicos da infraestrutura. E além disso, também abrange o sistema de alimentação por catenária, que é o sistema de fiação aérea para fornecer energia elétrica aos trens”, diz a pesquisadora.

O desenvolvimento do CR450 é uma das diversas tecnologias no centro de testes, como as da ferrovia Qinghai-Tibet, que atravessa 550 quilômetros de permafrost (solo permanentemente congelado).

O Centro de Testes Ferroviários

O diretor do Instituto de Testes de Infraestrutura da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Tian Xinyu, fala sobre uma das máquinas utilizadas para testar ferrovias.

“O Trem de Inspeção Integral de Alta Velocidade tem como função principal realizar avaliações técnicas periódicas da infraestrutura ferroviária”, diz.

“Este veículo é capaz de monitorar em tempo real mais de cem parâmetros diferentes, abrangendo os trilhos, o sistema de catenária e os equipamentos de comunicação e sinalização”, explica Tian.

O engenheiro Xing Tong do Instituto de Padrões e Metrologia da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias destaca duas plataformas de teste emblemáticas do seu laboratório.

Uma é a Plataforma de Teste de Pantógrafo-Catenária de Alta Velocidade. O pantógrafo é o
dispositivo colocado no teto do trem que fica em contato com o cabo aéreo, chamado catenária, que transmite energia elétrica.

Essa plataforma consegue fazer testes em velocidades de até 530 km/h, segundo o engenheiro.

A outra é a Plataforma de Teste de Sapatilha-Trilho de Coletor. Trata-se de outro sistema de alimentação energética dos trens, neste caso a sapatilha é um dispositivo do trem que entra em contato com um trilho que transmite a energia.

O sistema é mais utilizado para velocidades menores. No caso da plataforma do centro chinês, ela é capaz de testar velocidades de trens e metrôs de até 200 km/h.

Fonte: Bdf

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Receita Federal retém 61 kg de cocaína no Porto de Itapoá

Agente canina Daphine auxiliou na localização do entorpecente.

A Receita Federal reteve, na manhã desta quarta-feira, 13 de agosto, 61 kg de cocaína no Porto de Itapoá, litoral catarinense. A droga estava escondida na máquina evaporadora de um contêiner reefer vazio, vindo de Marrocos, passou pela Guatemala, realizou transbordo em Santos/SP e seguiu para o Porto de Itapoá, onde os servidores da Receita Federal realizaram a inspeção.

Foram retidos 48 tabletes da droga. Nesta ação, os servidores da Receita Federal contaram com o auxílio da agente canina Daphine.

A droga foi encaminhada à polícia judiciária, que dará continuidade às investigações.

Ao todo, em 2025, a Receita Federal já reteve mais de uma tonelada de cocaína nos portos do Paraná e Santa Catarina.

A Receita Federal atua no controle aduaneiro de cargas e veículos vindos do exterior ou a ele destinados, com o objetivo de facilitar o comércio internacional e garantir a segurança das operações lícitas.

Fonte: Receita Federal

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Vice-presidente Geraldo Alckmin chega a SC para lançamento de “navio de guerra”

Vice-presidente participa do lançamento e cerimônia de batismo da fragata “Jerônimo de Albuquerque” (F201) nesta sexta-feira (8), em Itajaí

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) desembarcou em Santa Catarina nesta sexta-feira (8). A visita faz parte da programação da cerimônia de lançamento da segunda Fragata da Classe Tamandaré, da Marinha do Brasil. O evento começou às 11h20min, no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, no Litoral Norte do Estado. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também participa da cerimônia.

O vice-presidente participa do lançamento e da cerimônia de batismo da Fragata “Jerônimo de Albuquerque” (F201). O navio, de 107 metros de comprimento, é o segundo dos quatros previstos para serem fabricados em Santa Catarina até 2029, em um projeto nacional de defesa com investimento de R$ 11 bilhões. O primeiro, chamado de Tamandaré, foi lançada em agosto de 2024.

A Fragata “Jerônimo de Albuquerque” teve o primeiro corte de chapa feito em novembro de 2023. A previsão é de que seja entregue à Marinha do Brasil em janeiro de 2027, ampliando as capacidades operativas da Força Naval.

Segundo a assessoria das empresas responsáveis pela construção, após o lançamento, que ocorre nesta sexta-feira e terá a esposa do vice-presidente, Lu Alckmin, como madrinha, responsável por comandar a cerimônia de quebra da garrafa no casco do navio, a previsão é de que ocorram os trabalhos de finalização da fragata, com construções internas e de armamentos.

A programação conta com a presença de autoridades civis e militares. Itajaí é um polo na indústria náutica nacional e o projeto das fragatas reforçou a geração de empregos. A Marinha estima a geração de dois mil diretos, seis mil indiretos e 15 mil induzidos.

Fonte: NSC Total

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Como prisão de Bolsonaro pode impactar acenos de Lula e Trump sobre tarifaço

Membros do governo dizem que ainda é cedo para avaliar se prisão do ex-presidente afeta relação com Trump. Especialistas divergem sobre eventuais efeitos da medida.

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada na segunda-feira (4/8) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acontece em meio a um dos momentos mais delicados da relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão do presidente norte-americano, Donald Trump.

Ela ocorre após emissários brasileiros receberem os primeiros sinais de abertura de canais de comunicação com o governo dos Estados Unidos, em uma tentativa de mitigar ou reverter as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciadas por Trump no dia 9 de julho.

Na quarta-feira (30/7), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrou pela primeira vez com seu homólogo norte-americano, o secretário do Departamento de Estado Marco Rubio. No domingo (3/8), Trump deu uma nova demonstração de abertura e disse que Lula poderia ligar para ele quando quisesse.

A decisão de Moraes, da segunda-feira, no entanto, atingiu em cheio esses esforços, e o governo Trump já se manifestou contra a medida.

“Colocar ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender em público não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar! Os Estados Unidos condenam a decisão de Moraes, impondo prisão domiciliar a Bolsonaro, e vão responsabilizar aqueles que ajudam e incentivam a conduta sancionada”, diz uma postagem no X (antigo Twitter) feita pelo Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano.

Oficialmente, o governo não se manifestou sobre o assunto, e a orientação entre ministros é a mesma que vigorava há algumas semanas: evitar ruídos gerados pela situação de Bolsonaro que possam atrapalhar as negociações com o governo norte-americano.

A ideia, segundo um integrante do governo ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado, é continuar as tentativas de negociação com os Estados Unidos para reverter ou mitigar os efeitos do tarifaço sobre produtos brasileiros, que deve entrar em vigor na quarta-feira (6/8).

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, no entanto, se dividem sobre se a prisão de Bolsonaro pode ou não afetar a aproximação esboçada nos últimos dias entre Brasil e Estados Unidos.

Pausa e avanço

Um integrante do governo brasileiro, ouvido em caráter reservado pela BBC News Brasil, disse que ainda não é possível saber se a decisão de Moraes vai ou não afetar a tímida aproximação entre Brasil e Estados Unidos.

Ele admitiu, no entanto, que, na semana passada, uma suposta trégua nas ações do STF em relação a Bolsonaro foi aproveitada por emissários brasileiros para tentar abrir canais junto aos norte-americanos.

A trégua mencionada por ele ocorreu após um dos momentos de maior tensão entre os dois países neste ano.

No dia 18 de julho, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra Bolsonaro em sua casa, em Brasília, e determinou medidas como a proibição do uso de redes sociais próprias ou por terceiros. Ele também proibiu que Bolsonaro se comunicasse com seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por estar, supostamente, orquestrando uma pressão internacional contra o Brasil.

Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos no início deste ano e vem defendendo, publicamente, que o governo norte-americano aplique sanções contra Moraes. Ele também chegou a comemorar, nas redes sociais, a ameaça de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros feita por Trump.

No mesmo dia, o governo norte-americano revogou vistos de viagem de Moraes e de outros ministros da Corte em resposta à operação contra Bolsonaro.

“A caça às bruxas política do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não só viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil e atinge os americanos”, argumentou Rubio em uma postagem nas redes sociais.

Segundo um integrante do governo brasileiro, ouvido pela BBC News Brasil, a operação contra Bolsonaro no dia 18 de julho teria dificultado os esforços de emissários brasileiros que tentavam se aproximar do governo Trump.

Nos dias seguintes à operação autorizada por Moraes, Bolsonaro fez aparições públicas e deu entrevistas que circularam nas redes sociais. O comportamento do ex-presidente fez com que Moraes pedisse esclarecimentos à defesa do ex-presidente, sob pena de prisão.

A defesa, no entanto, alegou que Bolsonaro não violou nenhuma medida judicial. No dia 24 de julho, Moraes aceitou a argumentação dos advogados do ex-presidente e decidiu não prender Bolsonaro.

A partir de então, transcorreram 11 dias nos quais emissários brasileiros tentaram desbloquear os canais de comunicação com o governo norte-americano.

Foi nesse contexto que o governo brasileiro conseguiu a reunião com Marco Rubio.

Segundo a fonte ouvida pela BBC News Brasil, a posição levada ao governo norte-americano era de que o Brasil seguia disposto a negociar, mas não aceitaria interferências externas no julgamento de Bolsonaro

Trump defende Bolsonaro: ‘Não é como se ele fosse meu amigo, é alguém que eu conheço’

Mais pressão adiante?

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), Matias Spektor, não parece ter havido movimentos concretos de aproximação política entre Brasil e Estados Unidos. Por isso, no campo político, a prisão domiciliar de Bolsonaro pode levar a mais pressão norte-americana.

“Os esforços de aproximação foram na área econômica. Na área política, não houve esse movimento de um lado ou do outro. Nesse contexto, Trump pode, sim, manter ou até mesmo aumentar sanções contra membros da Corte e (adotar) outras medidas”, diz Spektor à BBC News Brasil.

Já o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e professor da Universidade de Harvard, Hussein Kalout, diz acreditar que, ao menos do ponto de vista comercial, a prisão domiciliar de Bolsonaro não deverá afetar as negociações sobre o tarifaço.

“Os Estados Unidos vão olhar para aquilo que interessa a eles em matéria comercial. Bolsonaro nada mais é que um instrumento político pontual. Quando os Estados Unidos fizeram a lista de exceção tarifária, fizeram isso voltados para o que interessa às empresas e ao consumidor americanos. Não fizeram focados na condição jurídica do Bolsonaro”, afirmou Kalout.

A menção à lista de exceção tarifária é uma referência à relação divulgada na semana passada com quase 700 produtos brasileiros que ficaram de fora do tarifaço. Segundo dados preliminares da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), as exceções correspondem a 42% de todo o volume de exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

Jana Nelson, especialista em Relações Internacionais pela Universidade Georgetown e ex-subsecretária de Segurança e Defesa no Pentágono para a América Latina, também diz avaliar que a prisão domiciliar de Bolsonaro não afeta substancialmente a visão de Trump sobre o processo contra o ex-presidente brasileiro.

“Na perspectiva de Trump, tudo se mantém igual. Ele já achava, baseado em sua experiência própria, que o Bolsonaro é vítima de um processo de politização do Judiciário. E o fato de que o processo judicial (contra Bolsonaro) continua não necessariamente afeta a situação das possíveis negociações, até porque as negociações não começaram”, diz Nelson à BBC News Brasil.

Fonte: G1

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Navio Ever Lunar perde 50 Contêineres durante manobra no Porto do Peru

Falha em fixação causa perda de 50 contêineres no Peru

No dia 1º de agosto de 2025, o Porto de Callao, principal terminal portuário do Peru, enfrentou um incidente significativo que resultou no fechamento temporário de suas operações.

O navio Ever Lunar, de bandeira taiwanesa e operado pela Evergreen Marine Corp., maior transportadora de contêineres de Taiwan, perdeu cerca de 50 contêineres enquanto estava ancorado a aproximadamente 3,9 milhas náuticas a nordeste da Ilha de San Lorenzo, na baía de Callao. O incidente, ocorrido por volta das 9h40 (horário local), levou à suspensão das atividades portuárias por algumas horas, com o porto sendo totalmente fechado para garantir a segurança e facilitar as operações de recuperação.

O Ever Lunar, que transportava cerca de 7.000 contêineres, sofreu um forte balanço, possivelmente causado por uma combinação de fatores, incluindo más condições marítimas no inverno sul-americano, aumento repentino de ondas e os efeitos remotos de um tsunami desencadeado por um terremoto na Rússia. Esses fatores podem ter contribuído para a falha nos sistemas de fixação dos contêineres, localizados na popa do navio, que caíram ao mar. A Evergreen Marine Corp. confirmou que toda a tripulação a bordo está segura e que a empresa está cooperando plenamente com as autoridades portuárias na investigação do incidente.

O Capitão do Porto, Amílcar Velásquez, informou que o navio não estava em processo de carga ou descarga no momento do ocorrido. As autoridades descartaram a presença de substâncias perigosas nos contêineres perdidos, que transportavam principalmente produtos plásticos, eliminando riscos de poluição ambiental.

No entanto, os contêineres, muitos com carga derramada, permanecem à deriva, representando um risco à navegação na área. A Marinha peruana mobilizou os barcos de patrulha Río Chama e Río Chira para coordenar a busca e recuperação, enquanto um alerta marítimo de nível cinco foi emitido, proibindo a navegação e paralisando as operações portuárias.

O fechamento temporário afetou não apenas o Porto de Callao, mas também outros terminais na região, incluindo a Zona Central (Baía de Callao), Zona Norte “A” (Pampilla 1, 2 e 3), Zona Norte “B” (Solgas e Biocombustíveis Puros), Zona Norte “C” (Tralsa 1, 2, Surfisa, Quimpac e Zeta Gas) e Zona Sul (Multiboyas Conchán e cais da Unacem Lima). As operações foram retomadas gradualmente a partir das 14h06 de sábado, 2 de agosto, mas os impactos do incidente ainda são sentidos, especialmente em cadeias de suprimento, dado o papel crucial de Callao no comércio internacional.

Condições climáticas adversas, como neblina densa, céu nublado e alta umidade associadas ao Anticiclone do Pacífico Sul, relatadas pelo Senamhi, agravaram a situação. O incidente ocorre em um contexto de tensão no litoral peruano, com alertas de tsunami e ventos intensos afetando Lima, Arequipa, Moquegua e Tacna nos dias anteriores, impactando diretamente os trabalhadores portuários, que enfrentam três dias consecutivos de interrupções.

A recuperação dos contêineres será coordenada pelas seguradoras nos próximos dias, com equipes especializadas enfrentando desafios devido às condições do mar e à profundidade da área. A Evergreen se comprometeu a adotar medidas preventivas para evitar novos incidentes, enquanto as autoridades portuárias continuam investigando as causas, com foco em possíveis falhas de manutenção ou sobrecarga nos sistemas de fixação. A comunidade portuária aguarda os resultados para implementar melhorias em infraestrutura e protocolos de segurança, visando mitigar riscos futuros.

Fonte: Jornal Portuário

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BP anuncia maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos no pré-sal brasileiro

Campo Bumerangue, na Bacia de Santos, foi arrematado em leilão da ANP em 2022 e terá 5,9% do lucro pago ao Brasil após custo recuperado

A BP anunciou nesta segunda-feira (4) a descoberta de petróleo e gás no prospecto Bumerangue, em águas profundas da Bacia de Santos, cerca de 404 km da costa do Rio de Janeiro. Trata-se da maior descoberta da companhia em 25 anos, desde o campo de Shah Deniz, no Mar Cáspio, em 1999.

O campo, com área superior a 300 km², foi arrematado pela BP em dezembro de 2022, durante o 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Pelo contrato, a empresa usará 80% para repor custos de produção e, após a recuperação dos custos, repassará 5,9% dos lucros ao Brasil.

O poço exploratório foi perfurado a 2.372 metros de profundidade de água, atingindo 5.855 metros no total. Segundo a companhia, o reservatório de carbonato do pré-sal apresenta uma coluna de hidrocarbonetos de cerca de 500 metros. Análises preliminares detectaram níveis elevados de dióxido de carbono, o que pode impactar o processo de extração.

“Estamos entusiasmados em anunciar essa descoberta significativa no Bumerangue, a maior da BP em 25 anos”, afirmou Gordon Birrell, vice-presidente executivo de Produção e Operações, em comunicado. Ele acrescentou que o Brasil é um país importante para a BP, que explorará o potencial de estabelecer “um polo de produção material e vantajoso no país”.

A BP detém 100% de participação no bloco e a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atua como gestora do contrato de partilha. A companhia informou que fará análises laboratoriais para avaliar melhor o potencial do campo e pretende realizar novas atividades de avaliação, sujeitas à aprovação regulatória.

O Bumerangue é a 10ª descoberta da BP em 2025, somando-se a achados no Brasil, Trinidad e Tobago, Egito, Líbia, Golfo do México, Namíbia e Angola. A empresa pretende manter a produção global entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia até 2030, com possibilidade de expansão até 2035.

Fonte: InfoMoney

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Tempestades deixam 30 mortos em Pequim

De acordo com a mídia estatal, mais de 80 mil pessoas foram retiradas da cidade. No distrito onde ocorreu a maior parte das mortes choveu 573,5 mm – quase o total da precipitação média anual para a região.

As tempestades que vem atingindo a China deixaram 30 mortos até o momento na capital, Pequim, segundo balanço divulgado pela agência de notícias estatal Xinhua, nesta terça-feira (29).

De acordo com o jornal estatal “Beijing Daily”, mais de 80 mil pessoas foram retiradas da cidade devido às tempestades, dezenas de estradas foram fechadas e mais de 130 vilarejos ficaram sem energia elétrica.

“As chuvas extremamente fortes contínuas causaram grandes desastres”, afirma o jornal.

Em pronunciamento na noite desta segunda-feira (28), o presidente chinês, Xi Jinping, pediu que as autoridades se preparassem para o pior cenário e acelerassem a transferência de moradores nas áreas com risco maior de inundação.

Em Hebei, nos arredores da capital, um deslizamento de terra nesta segunda também deixou oito mortos e quatro desaparecidos, informou a emissora estatal CCTV.

As fortes chuvas começaram no dia 23 de julho, mas atingiram seu pico em Pequim e nas províncias vizinhas nesta segunda-feira, com Miyun registrando chuvas de até 573,5 mm – níveis que a mídia local descreveu como “extremamente destrutivos”. A precipitação média anual em Pequim é de cerca de 600 mm.

Fonte: G1

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Itaipu e Receita Federal fazem contrabando virar energia limpa

Produtos apreendidos são processados em biogás

Dentro do lado brasileiro da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira com o Paraguai, funciona uma usina de biogás e biometano. O local, preparado para transformar resíduos orgânicos em energia limpa, já recebeu a visita de carretas da Receita Federal com produtos aprendidos, como feijão e milho.

A ação é fruto de uma parceira do órgão arrecadador de tributos com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), que opera a biousina. O CIBiogás é uma empresa fundada por Itaipu Binacional e voltada a soluções na área de combustível limpo.

Além da parceria com a Receita, a biousina tem acordos com a Polícia Federal (PF) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Essas parcerias dão um destino improvável a mercadorias apreendidas fruto de contrabando (mercadoria proibida) e descaminho (produtos que entram no país sem pagamento de impostos).

Na área de estoque da planta estão litros e mais litros de vinho, toneladas de açúcar e outros produtos, como azeite, óleo, batata, chiclete, farinha, cacau e pó de café.

De acordo com o diretor de Estratégias de Mercado do CIBiogás, Felipe Marques, já foram mapeados mais de 400 tipos de resíduos capazes de serem transformados em energia limpa.

Biodigestão

Um enorme tanque vedado proporciona a biodigestão, processo em que a matéria orgânica desses produtos é transformada em biogás. O resultado final é um gás combustível renovável, ou seja, energia limpa, que ajuda a diminuir a emissão de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global e, por consequência, das mudanças climáticas que tornam mais frequentes as tragédias ambientais.

Marques explica que, em termos de emissão de gases do efeito estufa, o biometano se iguala ao etanol, outro combustível renovável utilizado por automóveis. “É praticamente a mesma emissão”, diz.

“O biometano sendo usado para substituir diesel causa um impacto muito grande em termos de redução de emissões”, afirmou.

Além da parceira com os órgãos federais, o biodigestor em Itaipu recebe resíduos de restaurantes do complexo de Itaipu. A planta processa meia tonelada de rejeitos por dia. Desde 2017, já foram 600 toneladas. O ritmo pode aumentar, uma vez que a capacidade é de até 1 tonelada diária. 

Abastecimento

Do biogás é produzido o biometano, que tem características semelhantes ao gás natural, sendo usado para abastecer a frota de veículos leves do complexo e o ônibus de turismo da hidrelétrica.

A biousina produz cerca de 200 metros cúbicos (m³) por dia de biogás e 100 m³/dia de biometano, o que permite abastecer diariamente dez carros.

Desde 20127, a unidade já abasteceu 41,3 mil m³ de biometano, o que possibilitou 484 mil quilômetros rodados. Os técnicos do CIBiogás informam que a planta já foram processou:

  • 22 toneladas de leite em pó provenientes da Índia e apreendidos no Porto de Paranaguá, no Paraná
  • 75 toneladas de cacau vindos da Tailândia, também apreendidos em Paranaguá
  • 9 mil litros de azeite
  • 5,5 toneladas de leite em pó
  • 870 litros de vinho

Integrante da Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico do CIBiogás, Geovani Geraldi explica que é preciso dosar o conteúdo levado para o biodigestor, a fim de garantir a qualidade do biogás e biometano produzidos.

“Farinha produz muito biogás, mas não tanto assim de metano. Então, eu preciso dosar a farinha com mais calma do que azeite de oliva, que produz muito biogás e é rico em metano, então coloco mais azeite de oliva”, exemplifica.

“Dosando com aquilo que temos também de estoque, se não vai poder faltar futuramente. A gente tem todo esse controle operacional”, completa.

De acordo com Marques, a Petrobras já demonstrou interesse em comprar o biometano gerado na biousina.

“Eles estão bem engajados em termos de usar biometano e impulsionar o mercado de biometano no Brasil”, contou.

Dos resíduos também é possível se produzir biofertilizantes, utilizados na irrigação de gramas ou áreas degradadas.

SAF na COP 30

Também a partir da biodigestão de apreensões da Receita e da PF, a unidade do CIBiogás desenvolve o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês). O SAF pode reduzir significativamente a emissão de gases do efeito estufa, em comparação com o querosene de aviação tradicional.

Itaipu Binacional prepara uma demonstração do óleo sintético para apresentar durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que ocorrerá em novembro, em Belém.

Há uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para desenvolver o SAF a partir do refino do bio-syncrude. Os investimentos em energia renovável são uma das apostas de Itaipu Binacional para aumentar a geração de energia.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Notícias, Tributação

Plano de contingência sobre tarifas dos EUA já foi apresentado a Lula

Segundo Haddad, o Brasil não sairá da mesa de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (28) o plano de contingenciamento para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% aos produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos, disse nesta noite o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele reiterou que o Brasil não pretende sair da mesa de negociações e continuará a dar prioridade ao diálogo para tentar reverter a medida.

Formulado pelos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e pela Casa Civil, o plano de contingência agora está sob análise de Lula, que tomará uma decisão, caso os Estados Unidos não adiem a entrada em vigor da tarifa, prevista para a próxima sexta-feira (1º).

“Nós nos debruçamos sobre isso hoje. Os cenários possíveis já são de conhecimento do presidente [Lula]. Ainda não tomamos nenhuma decisão, porque nem sabemos qual será a decisão dos Estados Unidos no dia 1º. O importante é que o presidente tem na mão os cenários todos que foram definidos pelos quatro ministérios”, declarou Haddad, que não adiantou detalhes sobre o plano de socorro.

Apesar da apresentação do plano de contingência, Haddad informou que a prioridade do governo brasileiro continua a ser o diálogo com os Estados Unidos. Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que o governo brasileiro está tendo diálogos “com reserva” com o governo estadunidense.

“Combinamos de apresentar para ele [Lula] o plano de contingência com todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República. O foco continua sendo as negociações”, afirmou Haddad, em entrevista a jornalistas ao deixar o ministério na noite desta segunda.

O ministro da Fazenda afirmou que Alckmin está em “contato permanente e à disposição permanentemente” das autoridades estadunidenses. “O foco, por determinação do presidente, é negociar, tentar evitar medidas unilaterais, mas, independentemente da decisão que o governo dos Estados Unidos vai tomar, nós vamos continuar abertos à negociação”, reiterou Haddad.

Fonte: Agencia Brasil

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