Internacional

Avanço de Índia, China e Iraque ressalta atraso do Brasil no saneamento

O Brasil é um dos países mais atrasados do mundo no atendimento à população com sistemas de esgotamento sanitário e só recentemente faz aportes em maior volume graças a investimentos do setor privado.

Até 2022, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil ficava atrás de Índia, Iraque, China e África do Sul e de vários países latino-americanos no total da população atendida por coleta e tratamento de esgoto.

Apesar dos investimentos recentes, o país ainda corre o risco de não conseguir cumprir as metas do novo Marco Legal do Saneamento Básico, de 2020, que permitiu o ingresso de empresas privadas na área.

Os dois principais objetivos do marco são levar o país a ter 99% da população com atendimento de água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até o final de 2033. Em 2023 (último dado oficial), o país tinha 83,1% da população com acesso a água e 55,2% com esgotamento.

No caso do esgoto, era menos do que tinham um ano antes o Peru (57,7%) e o México (62,5%). Na região, o país com maior cobertura é o Chile (95,3%), enquanto a média global era 56,6%.

Para atingir as metas do marco, o Brasil teria que investir R$ 223,82 por habitante todos os anos, em vez dos R$ 124,74 registrados em 2023. Isto significa que o investimento precisaria saltar de R$ 25,6 bilhões em 2023 para R$ 45,1 bilhões anuais até 2033.

Apesar de o novo marco do saneamento ter sido aprovado em 2020, muitos dos investimentos programados começam a ganhar força agora, com vários estados realizando privatizações, parcerias público-privadas ou concessões de estatais de saneamento.

Segundo Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, que monitora o setor desde 2007, os investimentos já programados e as perspectivas para os próximos anos fazem com que o Brasil “apareça mal na foto, mas com um filme promissor à frente”.

“Existe a confiança de que o modelo de negócios no setor esteja se consolidando. O grande desafio será fortalecer as agências reguladoras de forma técnica e independente para dar mais segurança aos investimentos”, afirma.

Neste ano, aportes importantes estão sendo realizados em estados como Pernambuco (R$ 18,9 bilhões), Pará (R$ 15,8 bilhões), Espírito Santo (R$ 7 bilhões) e Rondônia (4,9 bilhões). Juntos, devem atender a 16,1 milhões de pessoas.

Um dos principais problemas hoje é o custo de financiamento dos projetos. Com o juro básico (Selic) a 15% ao ano pressionado pelo aumento do gasto público sob o governo Lula e pela inflação, as empresas que investem acabarão repassando para a conta dos consumidores o custo de capital.

Outro obstáculo é a dificuldade que algumas empresas estaduais de saneamento enfrentam para levantar dinheiro para investimentos junto a bancos públicos.

Embora a iniciativa privada tenha feito grandes avanços desde 2020 por meio de privatizações (como a da Sabesp), concessões e PPPs com o setor público, as empresas estaduais ainda respondem pelo abastecimento de água urbano em 3.301 municípios e esgotamento em 1.213 -de 5.570 cidades no país.

Segundo a Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento), bancos oficiais costumam cobrar IPCA mais 3,5% a 4% ao ano nos financiamentos, pois são lastreados com dinheiro do FGTS (remunerado abaixo das taxas de mercado).

Mas quando as estaduais emitem papéis (debêntures) para levantar capital, pagam IPCA e até 8% ao ano em juros, em prazos de 15 anos -ante até 30 anos para recursos do FGTS. Esse custo maior recai sobre os consumidores.

Segundo Sergio Gonçalves, secretário-executivo da Aesbe, um efeito da dificuldade na obtenção de dinheiro pelas companhias estaduais é que elas estão acelerando PPPs e concessões. Em abril, a entidade computava R$ 11,1 bilhões em financiamentos com recursos do FGTS à espera de aprovação.

Entre as privatizadas ou concedidas totalmente ao setor privado constam as ex-estatais de São Paulo, Rio Grande do Sul e Piauí. Entre outras, as parcialmente concedidas são de Alagoas, Rio de Janeiro, Sergipe e Pará; e houve PPPs importantes em estados como Paraná, Ceará e Espírito Santo.

Segundo a Abcon-Sindcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), desde a aprovação do marco, em 2020, foram aproximadamente 60 leilões, que redundaram em mais de R$ 160 bilhões de investimentos.

Fonte: MSN

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Comércio, Internacional, Negócios

Premiê da China pede que nações trabalhem em conjunto para resolver disputa comercial

Li Qiang disse ainda que o número de barreiras comerciais passou de 1,2 mil em 2024, seis vezes a mais do que existia em 2020

O premiê da China, Li Qiang, sugeriu que as nações trabalhem em conjunto para resolver disputas comerciais, em busca de benefícios mútuos.

“Quando a economia internacional enfrenta dificuldades, o que precisamos não é da lei da selva, onde os fortes atacam os fracos, mas sim da cooperação e do sucesso mútuo para resultados vantajosos para todos”, afirmou Li, durante evento do Fórum Econômico Mundial em Tianjin, na China.

Li disse ainda que o número de barreiras comerciais passou de 1,2 mil em 2024, seis vezes a mais do que existia em 2020, enquanto o investimento transfronteiriço diminuiu nos últimos três anos, com o crescente protecionismo comercial global.

O premiê chinês também declarou que os países devem se opor à dissociação e às interrupções na cadeia de suprimentos, evitando politizar questões econômicas e comerciais. A economia chinesa continua a apresentar bom desempenho neste ano e manterá um crescimento “relativamente rápido” no futuro, segundo Li.

Fonte: Dow Jones Newswires

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Internacional, Notícias

Trump cita petróleo e rejeita mudança de regime no Irã: “Provoca caos”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (24/6) que não deseja uma mudança de regime no Irã, recuando de declarações anteriores em que levantava essa possibilidade. A fala foi feita em conversa com a imprensa na porta do avião presidencial dos EUA, o Air Force One, no qual Trump fez viagem rumo à Holanda, onde participará de uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Uma mudança de regime provoca caos, e idealmente não queremos ver tanto caos”, disse o presidente a jornalistas. “Gostaria de ver tudo se acalmar o mais rápido possível”, completou.

A declaração acontece após um fim de semana marcado por tensão entre os dois países, quando os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas. Na ocasião, Trump chegou a sugerir uma possível troca de liderança em Teerã em publicação no Truth Social:

“Se o atual regime iraniano não consegue TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime??? MIGA!!!”, escreveu, em tom irônico.

Apesar do recuo na retórica, Trump manteve a posição firme quanto à proibição de que o Irã desenvolva armas nucleares.

“Eles nunca terão energia nuclear, mas, tirando isso, devem fazer um ótimo trabalho. Eles têm muito petróleo, vão se sair bem”, afirmou, acrescentando que os iranianos são “ótimos negociadores e empresários”.

Cenário de incerteza
Uma mudança abrupta no governo iraniano não garantiria um aliado para os Estados Unidos ou para Israel. O vácuo de poder, poderia abrir espaço para facções mais radicais e até acelerar o desejo do Irã de obter uma bomba nuclear como forma de retaliação aos ataques recentes.

Além disso, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que concentra grande parte do poder, pode ser substituído se for morto ou deposto, mas o colapso do regime como um todo é visto como um risco ainda maior para a estabilidade regional.

Trump e sua fama de “intermediador”
Nessa segunda-feira (23/6), o líder norte-americano anunciou um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã, colocando um ponto final no conflito que durou quase duas semanas de confrontos militares diretos entre as duas potências rivais do Oriente Médio.

Ao comunicar a trégua, Trump descreveu o episódio como uma “guerra de 12 dias” e afirmou que sua mediação foi decisiva para evitar uma escalada ainda maior.

Trump aproveitou o momento para assumir o protagonismo nas negociações, buscando reforçar sua imagem de pacificador — mesmo após lançar uma grande ofensiva contra o território iraniano.

“Esta é uma guerra que poderia ter durado anos e destruído todo o Oriente Médio, mas não destruiu e nunca destruirá!”, afirmou o norte-americano.

Fonte: Metrópoles

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

China lidera queda do superávit da balança comercial, aponta ICOMEX

ICOMEX aponta que acordo EUA-China reduz tarifas, mas incertezas e riscos geopolíticos ainda impactam o comércio global

O acordo firmado em 10 de junho entre China e Estados Unidos amenizou tarifas comerciais, mas não dissipou as incertezas globais, apontam dados do Indicador de Comércio Exterior (ICOMEX), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE). As tarifas de 125% e 145% caíram para 10% e 55%, respectivamente, mas o presidente norte-americano enfatizou que se trata apenas de uma trégua. O prazo para que outros parceiros negociem acordos com os EUA termina em julho.

Além das tarifas, o cenário incluiu ameaças da China de restringir exportações de terras raras e, pelo lado norte-americano, a revogação de vistos para estudantes chineses nos EUA. A tensão aumentou com o conflito entre Israel e Irã, ampliando os riscos geopolíticos.

No caso brasileiro, preocupam as tarifas de 10% sobre importações e de 50% para produtos siderúrgicos e de alumínio. A reversão dependerá de negociações bilaterais e da pressão da indústria americana.

De acordo com o ICOMEX, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 1,2% até maio, enquanto para a China houve retração de 0,3%. A balança comercial acumulada registrou superávit de US$ 24,4 bilhões — queda significativa frente aos US$ 35,2 bilhões do mesmo período de 2024.

As exportações de commodities apresentaram retração, ao passo que as de não commodities avançaram, com destaque para automóveis. A indústria de transformação respondeu por 94% das importações brasileiras. Entre os principais itens estão fertilizantes, combustíveis e veículos.

A queda no superávit foi liderada pela redução no saldo com a China, de US$ 18,6 bilhões para US$ 8,3 bilhões. Argentina e União Europeia apresentaram saldo positivo no mesmo período.

Fonte: FGV Notícias.

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Internacional, Investimento

Parceiro espanhol da Master anuncia R$ 800 milhões em investimentos em SC

Grupo Vall Companys confirmou ao governo do estado aporte de recursos para expandir produção em Videira, no Meio-Oeste catarinense

O Grupo espanhol Vall Companys, parceiro da Master Agroindustrial no Brasil e um dos maiores grupos do setor agroalimentar da Europa, confirmou um investimento de R$ 800 milhões para expandir a produção em Santa Catarina. O anúncio foi feito durante missão do governo de SC à Espanha, no dia 19.

A unidade a receber o aporte fica em Videira, no Meio-Oeste catarinense. A expectativa é de que o novo empreendimento gere centenas de empregos diretos e indiretos, impulsione a cadeia produtiva local e amplie as exportações catarinenses para mercados estratégicos da Ásia, Europa e América.

O Grupo Vall Companys, responsável pelo investimento em Santa Catarina, é referência internacional na produção de suínos, aves e bovinos, com atuação integrada em toda a cadeia de valor agroalimentar, além de segmentos como rações, farinhas, produtos farmacêuticos e nutrição animal. Fundado em 1956, na Espanha, o conglomerado é composto por mais de 50 empresas, emprega mais de 12 mil pessoas e exporta cerca de 30% da sua produção para países como Japão, Coreia do Sul, além de atuar fortemente no mercado europeu e latino-americano.

Em 2023, o grupo adquiriu uma participação minoritária na Master Agroindustrial com o objetivo de ampliar sua presença estratégica no Brasil, um dos grandes players mundiais na produção de aves e suínos.

Fonte: FIESC

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Internacional

Trump diz que Israel e Irã concordaram com cessar-fogo

Em publicação na Truth Social, presidente dos EUA parabenizou os países e disse que espera que o cessar-fogo se torne permanente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) um cessar-fogo “completo e total” entre Israel e o Irã, com objetivo de encerrar o conflito entre as duas nações.

Em uma publicação na Truth Social, o líder americano parabenizou os países e disse que espera que o cessar-fogo se torne permanente.

“Foi totalmente acordado entre Israel e Irã que haverá um cessar-fogo completo e total (em aproximadamente 6 horas a partir de agora, quando Israel e Irã tiverem encerrado e concluído suas missões finais em andamento!)”, escreveu o presidente nas redes sociais.

A publicação foi feita por volta das 19h, no horário de Brasília, indicando que o cessar-fogo deve começar à 1h desta terça-feira (24).

“Esta é uma guerra que poderia ter durado anos e destruído todo o Oriente Médio, mas não destruiu e nunca destruirá!”, concluiu Trump.

O cessar-fogo será implementado gradualmente ao longo das próximas 24 horas, de acordo com a publicação do presidente.

“Oficialmente, o Irã iniciará o CESSAR-FOGO e, na 12ª hora, Israel iniciará o CESSAR-FOGO e, na 24ª hora, o FIM Oficial da GUERRA DOS 12 DIAS será saudado pelo mundo. Durante cada CESSAR-FOGO, o outro lado permanecerá PACÍFICO e RESPEITOSO”, escreveu Trump.

Oficialmente, tanto Israel quanto o Irã não confirmaram ainda o cessar-fogo, mas fontes afirmaram que os países concordaram com a pausa.

Catar intermediou acordo com Irã

O Irã concordou com o cessar-fogo proposto pelos EUA após negociações mediadas pelo governo do Catar, disse um diplomata à CNN.

Donald Trump pediu ao emir do Catar que intermediasse o acordo com o Irã, segundo diplomata.

Assim, o primeiro-ministro Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani atuou para garantir o entendimento com os iranianos.

Trump negociou diretamente com Netanyahu

Durante as negociações, o presidente dos EUA falou diretamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Enquanto isso, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, e o enviado especial, Steve Witkoff, negociaram os termos por canais diretos e indiretos com os iranianos.

A Casa Branca afirma que o acordo só foi possível devido aos ataques americanos a três instalações nucleares iranianas no sábado.

Vice dos EUA parabeniza Trump

Em entrevista à Fox News momentos após o anúncio, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, elogiou Trump por ter levado o acordo “até a linha de chegada”.

“Na verdade, estávamos trabalhando nisso quando eu saí da Casa Branca para vir para cá. Então, é uma boa notícia que o presidente tenha conseguido chegar até a linha de chegada”, pontuou Vance.

Vance também ressaltou que leu um rascunho da postagem de Trump “dois minutos antes de entrarmos no ar” e que era “um pouco diferente do que o presidente havia me mostrado algumas horas antes. Mas, novamente, eu sabia que ele estava atendendo telefonemas enquanto eu estava a caminho daqui”.

Por fim, o vice comentou que “o Irã é incapaz de construir uma arma nuclear com o equipamento que possui, porque nós a destruímos”.

Ataque iraniano a bases dos EUA

Mais cedo nesta segunda, o Irã lançou um ataque com mísseis contra uma base aérea norte-americana no Catar.

Após o bombardeio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a operação, que chamou de “resposta fraca” aos ataques dos EUA, ao mesmo tempo em que pediu ao Irã e a Israel que fizessem a paz.

O Irã avisou com antecedência os EUA por meio de canais diplomáticos horas antes do ataque, bem como às autoridades do Catar, com o objetivo de “minimizar baixas”.

Trump considerou esse fato como um sinal positivo.

“Quero agradecer ao Irã por nos avisar com antecedência, o que possibilitou que nenhuma vida fosse perdida e ninguém ficasse ferido”, escreveu o republicano na Truth Social.

“Talvez o Irã possa agora prosseguir para a paz e a harmonia na região, e eu encorajarei Israel com entusiasmo a fazer o mesmo.”

Fonte: CNN Brasil


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Economia, Internacional

Ataque dos EUA ao Irã ocorre em momento frágil para a economia global

O maior impacto econômico de um conflito prolongado no Oriente Médio provavelmente se daria pelo aumento expressivo dos preços do petróleo

Os ataques dos EUA às três principais instalações nucleares do Irã ocorrem em um momento frágil para a economia global, e as perspectivas agora dependem da forma e da intensidade com que a República Islâmica revidará.

O Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziram suas projeções de crescimento global nos últimos meses. Qualquer aumento significativo nos preços do petróleo ou do gás natural — ou perturbações no comércio provocadas por uma escalada do conflito, funcionariam como mais um freio para a economia mundial.

“Veremos como Teerã responderá, mas o ataque provavelmente coloca o conflito em um caminho de escalada”, escreveram analistas da Bloomberg Economics, entre eles Ziad Daoud, em relatório. “Para a economia global, um conflito em expansão aumenta o risco de preços mais altos do petróleo e exerce um impulso altista sobre a inflação.”

Os crescentes riscos geopolíticos se cruzam com uma possível escalada nas tarifas nas próximas semanas, já que as suspensões das pesadas taxas “recíprocas” do presidente Donald Trump estão prestes a expirar. O maior impacto econômico de um conflito prolongado no Oriente Médio provavelmente se daria pelo aumento expressivo dos preços do petróleo.

Após o ataque dos EUA, um produto derivativo que permite aos investidores especular sobre as oscilações do preço do petróleo bruto subiu 8,8% no mercado IG Weekend Markets. Se esse movimento se mantiver na reabertura dos negócios, o estrategista da IG, Tony Sycamore, projeta que o futuro do WTI (West Texas Intermediate) abrirá em torno de US$ 80 o barril.

Muito dependerá de eventos de curto prazo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os ataques dos EUA são “ultrajantes e terão consequências duradouras.” Ele citou a Carta das Nações Unidas quanto às disposições de autodefesa e disse que o Irã reserva todas as opções para defender sua soberania, seus interesses e seu povo.

A Bloomberg Economics identifica três opções de resposta pelo Irã:

  1. Ataques a pessoal e ativos norte-americanos na região
  2. Alvo em infraestrutura regional de energia
  3. Fechar o estreito de Ormuz usando minas subaquáticas ou assediando navios que passam pelo canal

No cenário extremo em que o estreito de Ormuz seja bloqueado, o petróleo bruto poderia disparar para além de US$ 130 o barril, segundo Daoud, Tom Orlik e Jennifer Welch. Isso poderia levar o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) a cerca de 4% no verão, forçando o Federal Reserve e outros bancos centrais a adiarem o cronograma de cortes de juros.

Cerca de um quinto do suprimento diário de petróleo mundial passa pelo estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e vizinhos árabes do Golfo, como a Arábia Saudita.

Os EUA são exportadores líquidos de petróleo. Mas preços mais altos do petróleo apenas agravariam os desafios que a economia norte-americana já enfrenta. O Fed atualizou suas projeções econômicas na semana passada, revisando o crescimento dos EUA neste ano de 1,7% para 1,4%, à medida que os formuladores de políticas digeriam o impacto das tarifas de Trump sobre preços e crescimento.

Como maior comprador das exportações iranianas de petróleo, a China sofreria as consequências mais evidentes de qualquer interrupção no fluxo de petróleo, embora seus estoques atuais possam oferecer algum alívio.

Quaisquer interrupções no tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz também teriam impacto significativo no mercado global de gás natural liquefeito (GNL). O Catar, que responde por cerca de 20% do comércio global de GNL, usa essa rota para exportação e não dispõe de passagem alternativa. Isso deixaria o mercado global de GNL extremamente apertado, elevando significativamente os preços do gás na Europa, conforme observado pela Bloomberg Economics.

Embora os investidores possam temer que o fornecimento seja interrompido se as hostilidades se intensificarem, os membros da OPEP+, incluindo a liderança de fato do grupo, a Arábia Saudita, ainda dispõem de ampla capacidade ociosa que poderia ser ativada. Além disso, a Agência Internacional de Energia pode optar por coordenar a liberação de estoques de emergência para tentar acalmar os preços.

“As tensões no Oriente Médio representam mais um choque adverso para uma economia global já fraca”, disse Ben May, diretor de pesquisa macro global da Oxford Economics, em relatório divulgado antes da última escalada. “Preços mais altos do petróleo e o consequente aumento da inflação medida pelo CPI representariam uma grande dor de cabeça para os bancos centrais.”

Fonte: InfoMoney

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Comércio, Economia, Internacional

Entenda como ataque dos EUA ao Irã afeta a economia e aumenta incerteza global

O bombardeio dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã injetou novas incertezas nas perspectivas para inflação e atividade econômica em uma semana repleta de dados econômicos e comentários de autoridades, incluindo dois dias de depoimentos do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso.

As consequências negativas podem ser a parte mais fácil de ser vista: a possibilidade de um aumento nos preços de energia, a continuação da hesitação que tem dominado as famílias e as empresas e que pode prejudicar os gastos, e a chance de uma resposta do Irã que se materialize bem fora do Golfo.

Como já se espera que a economia dos EUA desacelere sob a pressão das altas tarifas de importação do governo Trump, um aumento nos preços do petróleo “poderia exercer uma forte pressão para baixo sobre a capacidade de gastos das famílias… e isso poderia desacelerar o PIB ainda mais”, disse Ellen Zentner, estrategista econômica chefe do Morgan Stanley.

Há também o caso mais otimista, caso os ataques abram caminho para uma eventual estabilidade na região.

“Prever os acontecimentos geopolíticos no Oriente Médio é um exercício traiçoeiro”, escreveram analistas da Yardeni Research após os ataques. “No entanto, o mercado de ações israelense sugere que podemos estar testemunhando uma transformação radical do Oriente Médio, agora que o Irã foi desnuclearizado.”

O principal índice acionário de Israel, o TA125, atingiu o maior nível de todos os tempos após os ataques.

Dito isso, o mercado de trabalho dos EUA está claramente perdendo força, mesmo que as pressões inflacionárias pareçam estar prestes a aumentar.

Os dados de pedidos contínuos de auxílio-desemprego de quinta-feira serão considerados no relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho para junho.

Até o momento, esses relatórios têm apontado para um mercado de trabalho mais fraco, mas ainda sólido, com a taxa de desemprego em um nível relativamente baixo de 4,2%, embora os membros do Fed estejam atentos a sinais de deterioração.

A expectativa é de que dados a serem publicados na sexta-feira mostrem o crescimento mais fraco dos gastos dos consumidores dos EUA desde janeiro. E, embora também se espere que a inflação se aproxime da meta de 2% do Fed no mês passado, muitas autoridades esperam que as tarifas se transformem em preços mais altos nos próximos meses.

Inflação e taxa de juros

Um aumento acentuado nos preços de energia poderia atiçar ainda mais a inflação.

Powell será pressionado sobre essa possibilidade e sobre outras ramificações dos acontecimentos no Oriente Médio durante dois dias de depoimentos ao Congresso, que começam na terça-feira no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados e continuam na quarta-feira no Comitê Bancário do Senado.

Na semana passada, autoridades do Fed mantiveram a taxa de juros na faixa atual de 4,25% a 4,50% e, embora tenham sinalizado que achavam que as condições econômicas provavelmente justificariam alguns cortes de juros ainda neste ano, Powell disse que essa previsão é pouco convincente, dada toda a incerteza sobre a política tarifária e como a economia reagirá.

Os acontecimentos entre os EUA e o Irã no fim de semana levantam novas questões sobre como a incerteza afetará a tomada de decisões do Fed, escreveu Sam Bullard, economista sênior do Wells Fargo.

“Os mercados estarão atentos a pistas sobre como o Fed recalibra os riscos inflacionários dos preços mais altos de energia e das tarifas contra as pressões desinflacionárias da desaceleração do crescimento”, disse ele.

Preço do petróleo

Os preços subiram desde o início do conflito, em 13 de junho, em meio a temores crescentes de que uma retaliação iraniana possa incluir o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento global de petróleo bruto.

Entretanto, os investidores estão avaliando a extensão do prêmio de risco geopolítico nos mercados de petróleo, uma vez que a crise do Oriente Médio ainda não teve impacto sobre a oferta.

E para o Brasil?

No Brasil, uma alta nos preços do petróleo tende a ser amenizada pelo política de preços ‘abrasileirada’ da Petrobras, que evita o repasse imediato da volatilidade nas cotações internacionais.

A escalada da tensão global e o risco de nova pressão inflacionária ocorrem logo após o Banco Central ter sinalizado o fim do ciclo de alta de juros no Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, reconheceu que é importante considerar o risco da guerra sobre o cenário inflacionário no Brasil, mas reforçou que não deve haver um aumento fora de controle.

“A gente vem olhando para o risco de inflação não é de agora. A gente tem seca prolongada no Brasil. No ano de 2024, a gente teve uma desvalorização do real de 24%. E nem por isso a inflação saiu do controle. Ela teve um aumento preocupante que a gente está acompanhando de perto”, disse.

“Tanto que eu estou dizendo que agora está caindo no período agregado de 12 meses. Com toda essa instabilidade e volatilidade global, impactando o preço dos alimentos, o custo logístico das cadeias. Então acho que, mesmo com tudo isso, a gente tem mostrado bastante resiliência no Brasil”, emendou.

Fonte: Istoé Dinheiro

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Internacional, Investimento

Líderes de gigantes chineses vêm conhecer projetos da Via Mar, ferrovias e data center

Um dos principais resultados da missão de SC à Ásia é a confirmação da visita de executivos de grandes grupos empresariais chineses em julho para avaliar investimentos em SC

Um dos resultados da missão de Santa Catarina à China é a confirmação da visita de líderes de grupos empresariais gigantes chineses para conhecer projetos potenciais para investimentos no estado. Eles confirmaram à comitiva de SC, que tem à frente o governador Jorginho Mello, que virão em cerca de 30 dias, o que significa visita na segunda quinzena de julho. O foco serão os projetos da Via Mar, instalação de um data center potente para facilitar o uso de inteligência artificial, investimentos em ferrovias e aeronaves para a aviação estadual e regional.

De acordo com o secretário de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Paulo Bornhausen, virão executivos dos grupos PowerChina, Inspur e CRRC. Quem virá pela PowerChina será o diretor e gerente geral Tang Yuhua. A empresa tem potencial para assumir a concessão da futura Via Mar, rodovia de 145 quilômetros para ligar de Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis.

Fonte: NSC

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Internacional, Mercado Internacional

Produção de algodão na China pode superar 7 mi/t pelo segundo ano consecutivo

Consumo da fibra segue incerto diante das altas taxas de juros, tensões geopolíticas, tarifas e demanda fraca por fios

As previsões para a produção de algodão no Brasil e na Austrália seguem elevadas, assim como para a China, onde espera-se uma safra superior a sete milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

Ao mesmo tempo, as incertezas em torno do consumo permanecem diante das altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.

As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (20).

Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:

Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quarta-feira, 18/jun, cotado a 64,84 U$c/lp (-0,5% vs. 12/jun). O contrato Dez/25 fechou em 66,67 U$c/lp (-1,2% vs. 12/jun).

Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 991 pts para embarque Jun/Jul-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 18/jun/25).

Baixistas 1 – O contrato Dez/25 atingiu o menor patamar desde abril, pressionado por oferta abundante e demanda fraca.

Baixistas 2 – A produção no Brasil e Austrália permanece elevada. Na China, espera-se safra maior que 7 milhões de tons pelo segundo ano consecutivo.

Baixistas 3 – O consumo segue incerto diante de altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.

Altistas 1 – Embora o USDA esteja projetando produção de 14 milhões de fardos este ano nos EUA, muitos analistas acreditam que essa previsão ainda está superestimada, especialmente diante das condições atuais de área e clima.

Missão Ásia 1 – A Abrapa encerrou com sucesso a missão na Ásia. Na segunda (16), o seminário Cotton Brazil Outlook reuniu os principais industriais têxteis da Coreia do Sul em Seul. O evento foi realizado em parceria com a SWAK, principal entidade do setor têxtil Coreano.

Missão Ásia 2 – governador de MT, Mauro Mendes, prestigiou o evento com sua comitiva, assim como a embaixadora do Brasil na Coreia do Sul, Márcia Donner.

Missão Ásia 3 – A missão faz parte do programa Cotton Brazil, realizado pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil e apoio da Anea. Antes de Seul, a comitiva brasileira composta por produtores e traders brasileiros esteve no Congresso Chinês de Algodão em Guangzhou (China), e em Taipei (Taiwan).

Better Cotton Conference 1 – A Abrapa destacou durante a Better Cotton Conference a contribuição do cotonicultor brasileiro para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Better Cotton Conference 2 – O tema foi abordado pelo diretor da Abrapa, Marcelo Duarte, durante sua palestra no evento, que ocorreu nesta semana em Izmir, Turquia.

Better Cotton Conference 3 – diretor da SLC Roberto Acauan participou de importante painel na plenária principal do evento. Roberto apresentou as ações do grupo para mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Better Cotton Conference 4 – delegação brasileira que participou do evento, com representantes da Abrapa e da Anea, ainda realizou importantes reuniões para nosso setor durante o evento na Turquia.

Better Cotton Conference 5 – A Better Cotton anunciou que se tornará um padrão regenerativo nos próximos 12 meses, atualizando seus Princípios e Critérios, implementando uma estrutura de relatórios baseada em resultados socioambientais.

Better Cotton Conference 6 – Nick Weatherill foi apresentado como novo CEO da Better Cotton, substituindo Alan McClay após 10 anos. Ex-diretor executivo da International Cocoa Initiative, Weatherill traz ampla experiência em sustentabilidade.

Better Cotton Conference 7 – O primeiro compromisso internacional de Nick como CEO será uma viagem ao Brasil em Julho, em parceria com Abrapa e Anea.

EUA – O plantio nos EUA está chegando ao fim. O trabalho está quase concluído em seis dos 15 principais estados produtores e 85% da área estimada foi plantada até 15/jun (5 p.p. a menos que a média de cinco anos).

China 1 – As importações de algodão pela China em maio somaram cerca de 40 mil tons. Desde Out/16 os números não eram menores que 50 mil tons. O volume acumulado em 2024/25 é de 1,05 milhão de tons (contra 2,9 milhões tons da temporada passada).

China 2 – Importações de fios de algodão pela China atingiram 100 mil tons em maio (-7% X abr/25 e abaixo também de mai/2024). No acumulado da temporada, o total é de 1,06 milhão tons (contra 1,3 milhão em 2023/24).

China 3 – Observadores locais continuam prevendo um aumento na produção chinesa de algodão este ano, mesmo com o clima mais quente em Xinjiang.

Paquistão 1 – plantio já foi concluído em muitos distritos paquistaneses.

Paquistão 2 – Entra em vigor em 1º de julho o imposto de 18% sobre fios importados. Fiações paquistanesas já preveem aumento de preços no mercado interno.

Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 71,9 mil tons na primeira semana de maio. A média diária de embarque é 10,3% menor que no mesmo mês em 2024.

Brasil – Colheita 2024/25 – Até ontem (19/06), foram colhidos no estado da BA (6%), GO (30,55%), MG (25%), MS (2,25%), PI (9%), PR (75%) e SP (76,5%). Total Brasil: 2,42%.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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