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Antidumping sobre aço importado fortalece siderúrgicas e muda cenário do setor no Brasil

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) tornou públicas as deliberações da 233ª reunião ordinária. Entre as principais decisões, está a aprovação de medidas antidumping definitivas sobre as importações de aço pré-pintado originárias da China e da Índia, com vigência de até cinco anos.

Embora os percentuais finais ainda não tenham sido oficialmente divulgados, um relatório técnico preliminar indicou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85 por tonelada) para produtos indianos e entre 31,9% e 46,9% (US$ 252,53 a US$ 329,87 por tonelada) para os chineses.

Além disso, o comitê autorizou a elevação das tarifas de importação de aço de 10,8% (e 12,6% em alguns casos) para 25% sobre uma série de produtos siderúrgicos, como laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio-máquina.

Impacto das tarifas no mercado de aço brasileiro

Na avaliação do Bradesco BBI, as medidas representam um sinal positivo para as siderúrgicas brasileiras. Segundo o banco, os produtos afetados pelos aumentos tarifários somaram cerca de 623 mil toneladas importadas em 2025, o equivalente a aproximadamente 10% do total das importações de aço no período.

Com a tarifa de 25%, a expectativa é de que os preços domésticos do aço se aproximem da paridade com o material importado, reduzindo a diferença atual de cerca de 21% para algo próximo de 8%. Esse movimento tende a reduzir a viabilidade econômica das importações e a sustentar os preços no mercado interno.

Efeitos diretos nas siderúrgicas listadas

No caso específico do aço pré-pintado, apenas a CSN (CSNA3) apresenta exposição relevante, com esse produto representando cerca de 10% de suas vendas, segundo o Bradesco BBI. Ainda assim, o banco destaca que a decisão amplia a probabilidade de novas medidas de defesa comercial para CRC, galvanizados e HRC ao longo de 2026.

O impacto nos preços domésticos deve ser limitado para CRC e HRC, já que os volumes importados desses produtos são baixos e a participação chinesa vem caindo. O segmento de aços galvanizados, porém, pode sentir efeitos mais significativos, uma vez que cerca de 30% da demanda interna é atendida por importações, quase todas vindas da China.

Sensibilidade do Ebitda e postura cautelosa

De acordo com estimativas do banco, uma variação de 1% nos preços domésticos pode gerar impacto aproximado de 9% no Ebitda da Usiminas (USIM5), 2% no da Gerdau (GGBR4) e 1% no da CSN.

Apesar do viés positivo, o Bradesco BBI mantém uma visão mais conservadora. A instituição ressalta que a penetração das importações de aço já vem diminuindo nos últimos meses, reflexo da redução ou redirecionamento dos volumes chineses para outros mercados. Além disso, a combinação de demanda enfraquecida e estoques elevados deve limitar uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.

Próximos passos e visão dos bancos internacionais

O Morgan Stanley chama atenção para a próxima reunião ordinária do Gecex, marcada para 12 de fevereiro de 2026. O banco avalia a possibilidade de inclusão, na pauta, das investigações antidumping sobre bobinas ou chapas laminadas a frio, com decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026, e sobre produtos laminados planos revestidos, com desfecho esperado para 2 de março de 2026.

Os produtos de aço pré-pintado atingidos pelas novas tarifas representam cerca de 5% das importações totais de aço do Brasil. Entre as empresas acompanhadas pelo Morgan Stanley, apenas a CSN possui exposição direta.

Para o banco americano, a decisão tende a melhorar o sentimento do mercado, ao reduzir a percepção de inação do governo em relação ao setor. Ainda assim, a instituição demonstra ceticismo quanto à eficácia de longo prazo das medidas, citando o histórico de práticas de evasão. A projeção é de que as importações sigam elevadas em 2026, enquanto as ações do setor podem reagir positivamente no curto prazo.

Perspectiva mais construtiva para o setor

Na visão do Itaú BBA, o avanço das medidas de defesa comercial torna o cenário mais favorável para a indústria siderúrgica brasileira, com destaque para Usiminas e CSN como as principais beneficiárias do novo ambiente regulatório.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Aly Song

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China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Importação de aço da China mantém investimentos da siderurgia brasileira em espera

A crescente importação de aço da China tem colocado a indústria siderúrgica brasileira em compasso de espera. Empresas do setor suspenderam investimentos em expansão de capacidade produtiva e pedem que o governo federal adote mecanismos de defesa comercial mais eficazes que o atual sistema cota-tarifa, implementado em 2024.

O modelo combina tarifas de 25% com cotas de importação para 25 produtos de aço classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar disso, não conseguiu frear a entrada crescente de aço importado chinês no mercado nacional.

Crescimento recorde das importações de aço

Segundo o Instituto Aço Brasil, o país importou 6,4 milhões de toneladas de aço em 2025, sendo 5,7 milhões de toneladas de laminados, um aumento de 20,5% em relação ao ano anterior — o maior volume registrado em 15 anos.

O total de laminados importados atualmente é 168% maior que a média entre 2000 e 2019, elevando a penetração de importados para 21%, contra um histórico de 9,7%. Em consequência, a produção de aço bruto nacional caiu 1,6%, atingindo 33,3 milhões de toneladas em 2025.

O Aço Brasil considera esse nível de importações “inaceitável”, atribuindo à concorrência predatória o fechamento de 5 mil empregos e o corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

Sistema cota-tarifa perde eficácia

Para Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço do Brasil (Inda), o sistema cota-tarifa não freia o aço chinês, e o cenário se agrava com a alta da Selic, que desestimula investimentos.

“Se não houver medidas contra o dumping, teremos mais um ano perdido. O sistema de 25% não segura nada da China”, afirma Loureiro.

Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America, reforça que planos de expansão, como a ampliação da usina de Timóteo, no Vale do Aço, estão suspensos devido à concorrência com importações chinesas. Para ele, a retomada de investimentos depende de um ambiente de negócios mais equilibrado e de regras comerciais mais justas.

A Usiminas, em Ipatinga, enfrenta situação semelhante. André Chaves, diretor de relações institucionais da siderúrgica, alerta para a ociosidade elevada, mesmo após investimentos robustos, como a reforma do Alto-forno 3, que custou R$ 2,7 bilhões.

“Revisamos periodicamente nossa agenda de investimentos diante da ociosidade e do impacto do aço importado. Precisamos de medidas que combatam práticas desleais, reconhecidamente ilegais no comércio internacional”, afirma Chaves.

Excesso de capacidade global pressiona preços

O setor enfrenta excesso de capacidade tanto no Brasil quanto no mundo. A produção nacional de 33 milhões de toneladas poderia chegar a 50 milhões de toneladas por ano, enquanto o excedente global é estimado em 600 milhões de toneladas anuais. A China responde por metade da produção mundial, obrigando o país a destinar o excesso ao mercado externo.

Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, alerta que qualquer medida comercial precisa equilibrar proteção da indústria e impacto sobre o restante da economia.

“Se o custo do aço aumentar demais, afeta toda a cadeia produtiva, da manufatura pesada ao consumidor final, e reduz a capacidade de investimento das empresas”, explica.

Sustentabilidade e descomoditização como saída

Uma alternativa para a siderurgia brasileira é investir na produção de aço sustentável e em nichos diferenciados. Projetos verdes podem ter acesso a fundos especiais e agregar valor ao produto, reduzindo a competição baseada apenas em volume e preço.

A Aperam já investe em energia solar e eólica, produz carvão vegetal certificado e aço inox com cerca de 50% de sucata. Apesar de posicionada na economia verde, o CEO Villela reconhece que o mercado ainda demora a valorizar totalmente esses produtos.

A Usiminas, por sua vez, foca em energia solar e gás natural para reduzir emissões de gases de efeito estufa, mas a utilização de sucata é limitada por restrições técnicas em aços planos, usados no setor automotivo e outros nichos.

“Consideramos a sucata dentro dos limites técnicos e buscamos alternativas sustentáveis seguindo padrões internacionais”, conclui André Chaves.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Usiminas / Divulgação

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Redução de incentivos no Imposto de Importação entra em vigor em 2026

Desde 1º de janeiro de 2026, está em vigor a redução dos incentivos e benefícios tributários do Imposto de Importação (II), conforme previsto na Lei Complementar nº 224/2025 e regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 2.305/2025. A medida altera a forma de apuração do imposto e afeta diretamente operações de comércio exterior.

Redução linear atinge benefícios previstos na LOA 2026

A diminuição ocorre de forma linear e alcança os incentivos e benefícios de natureza tributária listados no Demonstrativo de Gastos Tributários (DGT), anexo à Lei Orçamentária Anual de 2026. No caso específico do Imposto de Importação, as alterações constam no Quadro XI – Imposto Sobre Importação (II), conforme as previsões do PLOA 2026.

Esses benefícios estão vinculados a fundamentos legais (FL) registrados tanto no Siscomex (DI) quanto no Portal Único do Comércio Exterior (Duimp).

Cálculo do imposto passa a ser obrigatório mesmo em regimes de isenção

No momento do registro da declaração de importação no Siscomex, o importador deve calcular e informar as alíquotas dos tributos impactados, observando o §3º do art. 4º da Lei Complementar nº 224/2025 e o art. 4º da IN RFB nº 2.305/2025. A exigência se aplica inclusive a operações enquadradas em regimes de isenção.

Sistemas aceitam alíquotas diferentes de zero em casos específicos

A Receita Federal esclarece que, para os fundamentos legais 05, 06 e 15 do Imposto de Importação, a indicação de alíquota diferente de zero não será considerada erro impeditivo para o registro da declaração.

Já no caso da Duimp, o próprio sistema fará o cálculo automático do valor a recolher, sempre que o importador optar pela utilização dos incentivos e benefícios fiscais previstos na legislação.

Adequação dos sistemas garante continuidade das importações

As orientações visam adequar os sistemas de comércio exterior às mudanças introduzidas pela nova legislação, assegurando a correta apuração tributária e a manutenção do fluxo operacional das importações.

Receita Soluciona orienta importadores sobre aplicação da lei

Como a aplicação da norma depende da análise de cada caso concreto, a Receita Federal do Brasil disponibiliza o serviço Receita Soluciona, canal institucional voltado ao esclarecimento de dúvidas e à orientação sobre a interpretação da legislação tributária vigente.

O serviço pode ser acessado pelo endereço eletrônico:
https://www.gov.br/pt-br/servicos/promover-o-dialogo-entre-a-receita-federal-e-a-sociedade-receita-soluciona

Responsabilidade pelo correto preenchimento é do importador

A Receita reforça que o preenchimento correto das informações tributárias na declaração de importação é de responsabilidade do importador, devendo ser rigorosamente observadas todas as normas legais e regulamentares aplicáveis.

FONTE: Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Importação

China libera importação de carne de frango do RS e encerra embargo após mais de um ano

O governo da China anunciou o fim do embargo à carne de frango do Rio Grande do Sul, encerrando uma restrição que durava mais de um ano. A decisão revoga a suspensão aplicada em razão de um surto da Doença de Newcastle.

Decisão oficial encerra restrição específica ao estado

A liberação foi formalizada pela Administração Geral das Alfândegas da China e pelo Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais do país asiático. O novo comunicado anula uma determinação de 2024 que barrava as exportações gaúchas com base em uma análise de risco sanitário.

Embora o Brasil tenha se declarado livre da gripe aviária em 18 de junho de 2025, após 28 dias sem novos registros em granjas, o Rio Grande do Sul permaneceu com restrições. Em novembro do mesmo ano, a China já havia retirado o embargo para os demais estados brasileiros, mantendo a proibição apenas para o território gaúcho.

Setor avícola aguarda confirmação do Mapa

Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a informação chegou ao setor por meio de importadores e exportadores que atuam no mercado internacional. Ele afirmou que ainda aguarda uma comunicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmando os termos da liberação.

Impacto do embargo nas exportações do RS

A ausência do mercado chinês teve reflexos diretos nas exportações de carne de frango do RS em 2024. No ano passado, o estado registrou uma queda de 1% no volume exportado. Antes da restrição, a China respondia por cerca de 6% das exportações de frango gaúchas, sendo um dos destinos relevantes do produto.

A expectativa do setor é que a retomada das vendas contribua para a recuperação dos embarques e para o fortalecimento da presença do frango gaúcho no mercado asiático.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Arquivo/Agência Brasil

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Importação, Investimento

Camex360 centraliza dados sobre tarifas de importação, investimentos e decisões da Camex

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou a plataforma Camex360, criada para concentrar e organizar informações estratégicas do comércio exterior brasileiro. A iniciativa é coordenada pela Secretaria-Executiva da Camex e oferece, em um único ambiente digital, acesso facilitado a dados antes dispersos em diferentes bases oficiais.

A nova página reúne painéis interativos com informações sobre tarifas de importação, regimes preferenciais, listas de exceções, histórico tarifário e investimentos estrangeiros no Brasil. O objetivo é ampliar a transparência, reduzir custos de busca por informação e apoiar a tomada de decisão de empresas e agentes públicos.

Painel Tarifário e rastreamento de NCMs

Entre os recursos disponíveis nesta primeira fase estão três painéis de dados. O destaque é o Painel Tarifário, ferramenta inédita que sistematiza regras e alíquotas de importação, com foco em simplificar processos e diminuir tempo e custos para empresas importadoras, especialmente micro e pequenas empresas (MPEs).

A plataforma também conta com um Rastreador de NCMs, que permite consultar e acompanhar códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), facilitando a identificação de produtos e suas respectivas exigências tarifárias.

Acesso a dados de investimentos e decisões colegiadas

Outro componente integrado ao Camex360 é o InvestVis, sistema criado em 2024 para ampliar o acesso a dados sobre Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país. A ferramenta permite visualizar informações consolidadas e atualizadas sobre a entrada de capital externo no Brasil.

Além disso, a página centraliza o acesso às deliberações e notas técnicas públicas do Comitê Executivo de Gestão (Gecex), tornando mais ágil a consulta às decisões colegiadas que impactam a política comercial brasileira.

FONTE: MDIC e Fecomércio MG
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Fecomércio MG

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Início de 2026 exige planejamento das importações diante do Ano Novo Chinês

O início de 2026 tende a ser um período decisivo para a organização das importações brasileiras. Após a desaceleração típica do fim de ano, empresas retomam negociações, ajustam volumes e definem cronogramas de embarque para o primeiro trimestre. Esse planejamento, no entanto, precisa considerar um fator central do comércio global: o calendário do Ano Novo Chinês.

Em 2026, o Ano Novo Chinês será celebrado entre terça-feira, 17 de fevereiro, e terça-feira, 3 de março. Durante esse período, fábricas, escritórios, armazéns e parte da operação portuária na China reduzem ou interrompem suas atividades. Como o país é o principal fornecedor de produtos industrializados para o Brasil, o impacto se reflete diretamente nos prazos de produção e embarque.

Nas semanas que antecedem o feriado, é comum a concentração de pedidos e embarques, já que importadores buscam antecipar cargas. Após o término das festividades, a retomada das operações ocorre de forma gradual, o que pode gerar acúmulo de pedidos, aumento no tempo de fabricação e ajustes nas janelas de embarque. Esse comportamento afeta cadeias que dependem de reposição contínua, como eletrônicos, têxteis, utilidades domésticas e artigos sazonais.

Diante desse cenário, o início do ano deixa de ser apenas um momento de retomada comercial e passa a exigir organização logística mais precisa. Empresas que não consideram o impacto do calendário chinês podem enfrentar atrasos no abastecimento e dificuldade para cumprir prazos de venda ao longo do primeiro semestre.

Organização logística e previsibilidade das operações

A definição das importações para o primeiro trimestre de 2026 depende de decisões antecipadas. Ajustar cronogramas, definir volumes com antecedência e escolher janelas de embarque compatíveis com o período pré e pós-Ano Novo Chinês reduz riscos operacionais. Nesse contexto, o papel do parceiro logístico ganha relevância.

Um operador logístico com atuação internacional e conhecimento das rotas asiáticas consegue orientar o importador sobre prazos realistas, alternativas de transporte e impactos do feriado na origem. Essa atuação envolve não apenas o transporte, mas também a coordenação com fornecedores, agentes de carga e o acompanhamento do fluxo logístico.

Além disso, o início do ano costuma concentrar revisões de contratos de frete e reorganização de rotas globais, o que pode influenciar custos e disponibilidade de espaço. O acompanhamento contínuo dessas variáveis permite decisões mais alinhadas à dinâmica do comércio internacional.

Com o Ano Novo Chinês ocorrendo entre fevereiro e março de 2026, o planejamento das importações no início do ano se consolida como etapa estratégica. A combinação entre organização prévia e suporte logístico adequado contribui para operações mais previsíveis e para a continuidade do abastecimento ao longo do ano.

TEXTO E IMAGEM: PROCESS GROUP

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Santa Catarina mantém benefício fiscal e evita perda de competitividade na importação de aço

O Governo de Santa Catarina revogou a inclusão de seis tipos de aço na lista de mercadorias em que não se aplicam o benefício fiscal da importação. Esses produtos constam no Decreto 2.128/2009, com efeitos a partir de janeiro de 2026, quando seria impedida a aplicação de Tratamento Tributário Diferenciado (TTD) na entrada do material. 

Com a revogação, a importação do aço por Santa Catarina vai continuar amparada por incentivo fiscal. A medida favorece um mercado que gera mais de 13 mil empregos diretos, considerando importadores, serviços de apoio e transportadoras. 

Cerca de 20% do abastecimento do consumo nacional de aços planos é suprido por importações, sendo que parte significativa dessas cargas ingressa pelos portos catarinenses.

A inclusão das seis NCMs* de aço no decreto havia sido pleiteada pelo setor com o objetivo de proteger o mercado interno. Contudo, a análise técnica da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC) identificou que a anulação do benefício fiscal não impede a importação do produto por outros meios.

Um motivo se dá pela interpretação jurídica: atualmente, prevalece o entendimento de que a importação ocorre no local da entrada documental do produto ao invés do local de entrada física. 

Isso significa que o importador ainda teria a opção de trazer o aço do exterior utilizando portos catarinenses, bastando apenas providenciar a entrada documental por outro Estado que ofereça o benefício da importação. Um comprador de Rondônia, por exemplo, poderia registrar a importação naquele Estado mesmo se a entrada física do produto fosse realizada por algum porto catarinense.

Sistema de cotas federais não teve êxito

Além disso, o próprio Governo Federal já tentou limitar a importação do produto sem grande sucesso. Desde 2024, uma série de mercadorias de aço passou a ser submetida a cotas de importações federais. 

Quando o volume máximo estabelecido pelas cotas é superado, os importadores precisam pagar 25% de Imposto de Importação para a entrada no país. Essa restrição se aplica às mesmas seis NCMs que constam no decreto estadual. 

Contudo, conforme constatado em análises do setor, os exportadores adotaram uma prática para escapar do sistema de cotas. O aço estrangeiro é submetido a processos industriais adicionais e passa a ser enquadrado em outra NCM que não é afetada pela restrição. 


Perda de participação no mercado


Dados do comércio exterior entre os últimos meses de janeiro a outubro confirmam esse movimento: enquanto o volume de importação das seis NCMs abrangidas pelas cotas e pelo decreto estadual caiu 49% em Santa Catarina, o das outras 4 NCMs utilizadas como alternativa cresceu 3351%.  

A importação de aço no Brasil subiu 24% no mesmo período. Já Santa Catarina não acompanhou o ritmo do país e registrou 0% de crescimento. As estatísticas, inclusive, mostram que SC perdeu preferência para Rondônia no decorrer do segundo semestre.

Houve um salto de 244% na média de importação de aço por Rondônia a partir de julho, enquanto em SC o percentual despencou 50%. O entendimento é de que o Estado do Norte atraiu o mercado catarinense e alcançou a liderança nacional na importação do aço por oferecer benefícios que estavam na iminência de serem excluídos em Santa Catarina — a vigência do decreto foi prevista inicialmente para fevereiro, sendo postergada para julho e, mais tarde, para janeiro de 2026.

Ou seja, o sistema de cotas federal não teve êxito em frear a importação do aço no país. Santa Catarina, por sua vez, apenas perdeu em participação nesse mercado e seria ainda mais impactada com a efetiva inclusão das seis NCMs no Decreto 2.128/2009. A revogação da medida, portanto, está alinhada à racionalidade econômica e reforça a proteção ao emprego, à logística e aos portos catarinenses.

*NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é uma nomenclatura regional para categorização de mercadorias adotada pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, sendo fundamental para determinar os tributos envolvidos nas operações de comércio exterior e de saída de produtos industrializados.

FONTE: Secretaria de Estado da Fazenda
IMAGEM: Reprodução/Secretaria de Estado da Fazenda

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Importação

Nova política chinesa para importação de carne bovina redefine estratégia do Brasil a partir de 2026

A nova política chinesa para importação de carne bovina marca uma mudança estrutural na relação comercial entre China e Brasil a partir de 2026. Maior destino individual da carne bovina brasileira, o mercado chinês passa a operar sob um regime de salvaguarda com quotas tarifárias, alterando de forma significativa o papel do frigorífico brasileiro e do importador chinês nas operações comerciais.

China segue como principal mercado da carne bovina brasileira

Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina desossada congelada para a China. O volume respondeu por 51,3% das exportações brasileiras do produto, consolidando o país asiático como parceiro estratégico do agronegócio brasileiro.

Esse protagonismo, no entanto, passa a coexistir com um novo ambiente regulatório, resultado da investigação de salvaguarda conduzida pelo Ministry of Commerce of the People’s Republic of China (MOFCOM).

Salvaguarda chinesa e criação de quotas por país

A investigação concluiu que o crescimento acelerado das importações causou impacto à indústria doméstica chinesa. O processo foi aberto em dezembro de 2024 e aprovado de forma definitiva em dezembro de 2025.

O regime de salvaguarda terá validade entre 2026 e 2028 e será aplicado por meio de quotas tarifárias específicas por país de origem. As importações realizadas dentro do limite anual seguem sujeitas à tarifa regular. Já os volumes que ultrapassarem a quota passam a pagar uma tarifa adicional de 55%, conforme o Comunicado nº 87/2025 do MOFCOM.

Carga tributária pode chegar a 67% fora da quota

Mesmo antes da salvaguarda, a carne bovina já era tributada com tarifa ad valorem de cerca de 12%. Com a nova regra, os embarques acima da quota passam a enfrentar uma carga total de 67%, somando a tarifa ordinária e o adicional de salvaguarda, o que torna a operação economicamente inviável.

Quotas definidas para 2026 por país fornecedor

Embora o texto principal do comunicado não detalhe os volumes, informações do Anexo 2 confirmadas por fontes oficiais indicam as seguintes quotas para 2026:

  • Brasil: 1.106.000 toneladas
  • Argentina: 511.000 toneladas
  • Uruguai: 324.000 toneladas
  • Nova Zelândia: 206.000 toneladas
  • Austrália: 205.000 toneladas
  • Estados Unidos: 164.000 toneladas

As quotas são anuais, não transferíveis e não acumuláveis, o que exige planejamento rigoroso ao longo do ano-calendário.

Importador chinês assume maior risco regulatório

Com o novo regime, o importador chinês passa a assumir integralmente o risco no momento do desembaraço aduaneiro. Caso a quota brasileira esteja esgotada no momento da liberação da carga, a tarifa adicional é aplicada automaticamente, comprometendo a margem da operação.

Esse risco tende a ser maior no fim do ano, quando as quotas costumam estar próximas do limite. Importadores com menor histórico operacional ou novos entrantes podem enfrentar dificuldades para acessar volumes relevantes.

Quota passa a funcionar como ativo estratégico

Apesar das restrições, o novo modelo cria oportunidades competitivas. Importadores que controlam com precisão seus fluxos logísticos passam a tratar a quota como um ativo econômico indireto, influenciando negociações, preços e contratos. Parcerias com frigoríficos confiáveis tornam-se um diferencial estratégico.

Papel do frigorífico brasileiro também muda

Embora não detenha quota, o frigorífico brasileiro influencia diretamente o risco regulatório ao definir datas de embarque, cronogramas e previsibilidade logística. Atrasos, transbordos ou falhas operacionais podem fazer a carga chegar após o esgotamento da quota, transferindo o impacto econômico para toda a operação.

O novo regime também intensifica a competição entre embarques brasileiros. Caso o volume total exportado supere a quota anual, apenas parte das cargas será desembaraçada sem a tarifa adicional, o que pode gerar renegociações, pressões por desconto e menor atratividade para operações spot.

Governança logística ganha protagonismo

A partir de 2026, fatores como confiabilidade logística, previsibilidade operacional e segurança de entrega passam a pesar tanto quanto preço e volume. Frigoríficos mais estruturados tendem a ser priorizados em contratos de longo prazo, enquanto operações menos previsíveis perdem espaço.

Novo modelo não fecha o mercado, mas muda a lógica da concorrência

O comércio de carne bovina entre Brasil e China permanece aberto, porém sob uma nova lógica de governança comercial. A quota não representa interrupção do fluxo, mas exige maior sofisticação na gestão logística, contratual e financeira.

Para o importador chinês, o desafio está em maximizar o uso eficiente da quota. Para o frigorífico brasileiro, a competitividade passa a depender menos do preço e mais da capacidade de atuar como parceiro estratégico, contribuindo para a mitigação do risco regulatório.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ministério do Comércio da China em Pequim/Xinhua

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França vai barrar importação de frutas da América do Sul com resíduos químicos proibidos

A França anunciou que irá barrar a importação de frutas da América do Sul que apresentem resíduos de substâncias químicas proibidas pelas normas sanitárias da União Europeia (UE). A decisão foi divulgada neste domingo (4/1) pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, por meio de uma publicação na rede social X.

Segundo o premiê, uma portaria com os detalhes da medida deve ser publicada nos próximos dias. O texto será elaborado pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, e estabelecerá critérios mais rígidos para a entrada desses produtos no país.

Agrotóxicos proibidos estão no foco da fiscalização

Entre as substâncias que motivaram a decisão estão mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Esses defensivos agrícolas têm uso vetado na UE, mas ainda são encontrados em análises de frutas importadas, o que contraria a legislação sanitária europeia.

A intenção do governo francês é impedir a circulação de alimentos que não atendam aos padrões exigidos, reforçando a segurança alimentar e a proteção ao consumidor.

Mangas, uvas e maçãs estão entre os produtos afetados

A lista preliminar de frutas que podem ser incluídas na portaria envolve mangas, uvas, maçãs, além de abacates, goiabas e frutas cítricas. De acordo com Lecornu, a fiscalização será intensificada por uma brigada especializada, responsável por verificar o cumprimento das regras sanitárias na entrada desses produtos no país.

Governo fala em proteção ao produtor local

Para o primeiro-ministro, a iniciativa representa uma “primeira etapa” na defesa das cadeias produtivas francesas. A medida também busca combater a concorrência desleal, garantindo condições mais justas aos agricultores locais, que seguem normas ambientais e sanitárias mais rigorosas.

Protestos de agricultores pressionam autoridades

Desde dezembro, a França enfrenta uma série de protestos de agricultores. As manifestações estão relacionadas, entre outros fatores, à condução do governo diante da dermatose nodular contagiosa (DNC) em rebanhos bovinos e à resistência ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Josh Hawley/Getty Images

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