Importação

Brasil encerra importação de mercúrio e envia resíduos tóxicos para a Alemanha

O Brasil decidiu zerar a importação de mercúrio em 2025 e vai desativar as últimas fábricas que ainda utilizam o metal no país. Como parte do processo, uma operação conjunta com a Alemanha foi montada para garantir que os resíduos tóxicos sejam enviados e armazenados em segurança no território europeu — medida que impede o desvio do material para o garimpo ilegal de ouro. A iniciativa é uma das ações apresentadas pelo governo brasileiro durante a Convenção de Minamata, realizada na Suíça, evento que trata dos impactos do mercúrio na saúde humana e no meio ambiente.

O mercúrio já teve diversas aplicações, como em lâmpadas, termômetros, cosméticos, amálgamas dentárias e na produção de cloro e soda cáustica. Com a modernização das indústrias, o uso do metal tem diminuído progressivamente. No Brasil, apenas as fábricas de cloro ainda utilizam o elemento em estado puro, e o governo Lula planeja eliminar completamente o uso até 2030. Desde 2025, o país não autoriza mais importações formais de mercúrio — as empresas de produtos odontológicos, por exemplo, já adquirem o material pronto. A partir de 2026, começa o descomissionamento das três últimas fábricas de cloro, em cumprimento aos compromissos internacionais firmados na Convenção de Minamata.

O mercúrio é um insumo essencial para o garimpo ilegal, usado na separação do ouro. Com o fim das importações e o fechamento das fábricas, o governo reduz as chances de desvios e contrabando. “Ao encerrar o uso industrial e restringir as entradas formais do produto, o Brasil fortalece o controle sobre o comércio e o uso do mercúrio, dificultando o abastecimento do mercado ilegal e reduzindo a contaminação ambiental”, explicou Adalberto Maluf, secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Durante o governo anterior, a atividade criminosa se expandiu, agravando o desmatamento em terras indígenas e a poluição dos rios. O caso mais grave ocorreu na Terra Indígena Yanomami, onde desde 2023 o governo realiza operações de desintrusão de invasores.

O contato com o mercúrio contamina rios e peixes, principais fontes de alimento de comunidades indígenas. Por ser um metal pesado, ele não é eliminado pelo organismo e pode causar danos permanentes. Pesquisas da Fiocruz mostram que a exposição ao mercúrio provoca deficiências cognitivas em bebês e fetos, além de problemas neurológicos e cardiovasculares em adultos, como perda de visão, dificuldade motora e risco aumentado de infarto.

Desde 2023, o Ibama realizou mais de 7 mil operações contra o garimpo ilegal apenas na Terra Yanomami, aplicando R$ 12 milhões em multas. O cálculo dos danos ambientais considera o desmatamento, a degradação dos rios e os efeitos do mercúrio sobre as populações locais. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que o contrabando de mercúrio tem origem em países como México, China, Rússia e Tajiquistão, chegando ao Brasil principalmente pelas fronteiras com Bolívia e Guiana. O preço do quilo de mercúrio nas zonas próximas aos garimpos varia entre R$ 3.600 e R$ 6.000, sendo transportado de forma clandestina em garrafas PET e botijões de gás.

No processo de desativação das fábricas brasileiras, os resíduos com mercúrio serão enviados à Alemanha, onde passarão por armazenamento seguro e tratamento especializado. O objetivo é impedir que o material seja reaproveitado por redes criminosas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o procedimento envolve remoção e estabilização do metal, descontaminação das instalações, tratamento de efluentes e monitoramento ambiental e médico-ocupacional das áreas afetadas.

Nos últimos anos, as importações de mercúrio caíram drasticamente: de 27,5 toneladas em 2017 para 12 mil toneladas em 2024, chegando a zero em 2025. Entre os principais fornecedores estavam Japão, Suíça, Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido. A redução marca um avanço nas políticas ambientais do Brasil e reforça o compromisso do país com os acordos internacionais de controle de poluentes.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Importação

Importação de etanol deve se tornar vantajosa a partir de dezembro

A importação de etanol deve ganhar competitividade no Brasil a partir de dezembro, mesmo com a manutenção da tarifa de 18%. Alguns traders já começaram a programar navios para trazer o combustível americano ao país. Segundo projeções da consultoria Datagro, a janela de oportunidade pode se estender até março, com base nas curvas de preços e câmbio.

Curvas de preço e câmbio favorecem importação

Plinio Nastari, presidente da Datagro, explica que a análise considera os preços do etanol no Brasil e nos Estados Unidos, além das expectativas para o câmbio nos próximos meses. A simulação leva em conta o custo de internalização pelo porto de Suape, em Pernambuco.

Hoje, a importação já se mostra vantajosa para cargas que entram pelo Porto de Itaqui, no Maranhão, devido a benefícios fiscais regionais. O cenário é impulsionado pelos preços baixos do etanol americano na Bolsa de Chicago e pela queda do dólar, que tornam o produto estrangeiro ainda mais competitivo.

Pressão sobre produtores nacionais

A perspectiva de entrada de etanol americano a preços competitivos aumenta a pressão sobre os produtores brasileiros, que enfrentam margens apertadas na produção de açúcar e têm migrado para a fabricação do biocombustível para manter a rentabilidade nesta safra.

Caso o Brasil decida eliminar totalmente a tarifa de 18% em meio às negociações comerciais com os EUA, a janela de importação estaria aberta imediatamente e poderia permanecer assim pelo menos até abril.

Excedente nos Estados Unidos

Os Estados Unidos registram excedente de etanol, reflexo da produção abundante de milho, que destina atualmente 33,4% de sua safra para o biocombustível.

Apesar do aumento da produção, a demanda local está enfraquecida. As vendas de gasolina caem devido ao crescimento da frota de veículos elétricos e à redução do deslocamento diário da população americana, o que impacta o consumo de etanol misturado à gasolina.

Importações brasileiras em alta na safra 2025/26

Mesmo com a janela de arbitragem de importação ainda fechada para o etanol americano, o Brasil registrou crescimento nas importações nesta safra, principalmente do Mercosul, isentas da tarifa de 18%.

Entre abril e setembro, o volume importado cresceu 85% em comparação ao mesmo período da safra anterior. Do total importado, 51% veio dos Estados Unidos, 32% do Paraguai e 17% da Argentina.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Importação

Importações de aço caem pelo segundo mês seguido após sete altas consecutivas no Brasil

As importações brasileiras de aço registraram queda de 31,9% em setembro de 2025, em comparação com o mesmo mês de 2024, totalizando 446 mil toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr) divulgados nesta quinta-feira (16). Foram 410 mil toneladas de laminados — uma retração de 14,6% — e 36 mil toneladas de semiacabados, que despencaram 79,4% no mesmo período.

Essa foi a segunda queda mensal consecutiva, após sete meses seguidos de alta nas compras externas. Em agosto, a retração havia sido de 24%. O IABr não comentou as causas específicas da desaceleração.

Especialistas apontam recomposição de estoques

Para o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, a redução expressiva nas importações pode estar relacionada à recomposição de estoques internos e à melhor competitividade dos preços domésticos.

“O movimento pode refletir uma adequação das empresas à oferta local, em um momento de preços mais equilibrados no mercado nacional”, avalia Galdi.

Acumulado do ano ainda mostra crescimento

Apesar da queda nos últimos meses, o volume acumulado entre janeiro e setembro de 2025 apresentou alta de 9,7%, alcançando 5,1 milhões de toneladas — o maior nível para o período desde 2013, quando o Aço Brasil iniciou a série histórica.
No acumulado, foram 4,5 milhões de toneladas de laminados, um avanço de 25,8%, e 600 mil toneladas de semiacabados, uma queda de 41,2%.
A projeção do instituto é que as importações de laminados encerrem o ano em 5,3 milhões de toneladas, crescimento de 11,2% frente a 2024.

Siderúrgicas pressionam por medidas de defesa comercial

O setor siderúrgico brasileiro tem pedido ao governo federal novas medidas de proteção comercial, alegando concorrência desleal — especialmente com o aço chinês. As empresas afirmam que a cota-tarifa vigente não tem sido suficiente para conter o avanço das importações e relatam redução de investimentos e cortes de pessoal devido ao impacto no mercado interno.

China e Coreia do Sul ampliam participação nas vendas ao Brasil

A China segue como principal fornecedora de aço para o Brasil, com alta de 23,3% nas importações em setembro e de 25,9% no acumulado de 2025. O país respondeu por 59,1% das compras mensais e 61,1% do total anual, ampliando sua presença no mercado brasileiro.
A Coreia do Sul, segunda maior vendedora, também teve forte avanço: em setembro, foi responsável por 15% das importações, crescimento de 377,9%, enquanto no acumulado do ano representou 11,5%, alta de 226,7% no volume exportado ao Brasil.

Produção nacional de aço registra leve retração

A produção brasileira de aço bruto caiu 3,2% em setembro, somando 2,8 milhões de toneladas em relação ao mesmo mês de 2024. O estado de Minas Gerais respondeu por 31% do total nacional, com 868 mil toneladas, uma queda de 2,1%.
De janeiro a setembro, o país produziu 25 milhões de toneladas, enquanto Minas Gerais registrou 7,6 milhões, equivalentes a 30,5% da produção nacional. Ambos apresentaram recuos de 1,7% e 1%, respectivamente, frente a 2024.

Exportações de aço crescem no ano

Por outro lado, as exportações brasileiras de aço tiveram desempenho positivo. Em setembro, somaram 786 mil toneladas, e no acumulado dos nove primeiros meses do ano, 7,8 milhões de toneladas — altas de 11,6% e 2,6%, respectivamente.
As vendas internas caíram 0,6% no mês, para 1,9 milhão de toneladas, mas cresceram 0,5% no acumulado, chegando a 16,1 milhões de toneladas.
O consumo aparente totalizou 2,3 milhões de toneladas em setembro (queda de 5%) e 20,4 milhões no acumulado (alta de 4,1%), impulsionado pelas importações no início do ano.

FONTE: Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aço Brasil

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Importação

Importações brasileiras devem bater recorde em 2025, aponta CNI

Aumento das importações pode afetar balança comercial do Brasil

O Brasil deve registrar um volume recorde de importações em 2025, segundo projeção divulgada nesta sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O crescimento da demanda por produtos estrangeiros e os preços mais competitivos praticados no exterior são os principais fatores apontados pela entidade para o avanço nas compras internacionais.

Projeção para 2025: US$ 287,1 bilhões em importações

De acordo com o boletim econômico trimestral da CNI, a estimativa é que o país importe US$ 287,1 bilhões no próximo ano, valor 4,8% superior ao registrado em 2024. Apesar do crescimento, o Brasil ainda deve encerrar 2025 com superávit na balança comercial, estimado em US$ 60,5 bilhões. O número, porém, representa queda de 8,2% em relação ao superávit de US$ 74,6 bilhões obtido em 2024.

A balança comercial mede a diferença entre exportações e importações em determinado período. Mesmo com o superávit mantido, a alta nas importações tende a pressionar esse saldo.

Setores com maior alta nas importações

Entre janeiro e setembro de 2025, o país já importou US$ 212,3 bilhões, o que representa um aumento de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram:

  • Bens de capital: alta de 26,7%
  • Bens intermediários: aumento de 9,4%
  • Bens de consumo: crescimento de 4%

Segundo a CNI, não há sinais de desaceleração nas importações até o fim do ano. A entidade reforça que “essa demonstração de força das importações marcou o ano de 2025”, e que a tendência é de manutenção desse ritmo.

Exportações enfrentam entraves com os Estados Unidos

A projeção da CNI também chama atenção para o impacto da nova política comercial dos Estados Unidos, que tem afetado diretamente as exportações da indústria de transformação brasileira. Desde agosto, alguns produtos brasileiros enfrentam tarifas de até 50%, com base em acusações de “práticas comerciais desleais” e no processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda assim, a CNI prevê que as exportações brasileiras devem crescer 2,3% em 2025, impulsionadas pelos resultados positivos da indústria extrativa, agropecuária e da própria indústria de transformação nos primeiros meses do ano.

Diplomacia tenta amenizar tensões

Na tentativa de reduzir os atritos comerciais com os Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na última quinta-feira (16). O encontro, realizado na Casa Branca, foi classificado por Vieira como “produtivo”, mas ainda não há anúncios de mudanças nas tarifas.

FONTE: Com informações da CNI.
TEXTO: Redação

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Importação

Importações de bens duráveis caem e revelam desaceleração da economia brasileira

O ritmo de importações de bens duráveis pelo Brasil — como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis — vem diminuindo nos últimos meses, evidenciando a desaceleração da economia brasileira em meio aos juros elevados. Após registrar altas expressivas até o início de 2025, o volume de compras externas desses produtos caiu pela primeira vez em julho e manteve desempenho fraco até setembro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

China lidera queda nas exportações de bens duráveis ao Brasil

A China, responsável por mais da metade das importações brasileiras de bens duráveis, foi o principal vetor dessa retração. Entre julho e setembro, o Brasil importou US$ 423,9 milhões em produtos chineses — uma queda de 11,1% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo com as tarifas de 30% impostas pelos Estados Unidos ao país asiático, o temor de que isso redirecionasse produtos ao mercado brasileiro não se confirmou.
Entre os itens mais afetados estão os smartphones, com redução de 2,9% nas compras (US$ 135,8 milhões), e os refrigeradores, que despencaram 18,8%, totalizando US$ 44,6 milhões.

Alta dos juros freia consumo e atividade econômica

Para Lia Valls, pesquisadora do FGV/Ibre e coordenadora do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), a desaceleração é reflexo direto da política monetária restritiva.

“O Brasil vinha em um ritmo elevado de importações, mas a desaceleração da atividade econômica freou o movimento”, explica Valls.
A queda nas importações atingiu também outros parceiros comerciais. No caso dos Estados Unidos, segunda principal origem dos duráveis comprados pelo país, houve recuo de 27,8% em setembro, totalizando US$ 20,8 bilhões.

Máquinas e equipamentos seguem o mesmo caminho

O setor de máquinas e equipamentos apresenta comportamento semelhante. Após crescer mais de 20% em 2024, o avanço caiu para 3% no segundo trimestre de 2025 e chegou a registrar retração em agosto. Em setembro, o crescimento só ocorreu por conta da importação pontual de uma plataforma de US$ 2,4 bilhões vinda de Singapura.
De acordo com José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o alto custo do crédito tem limitado novos investimentos:

“Os juros altos estão freando o consumo e os investimentos. Isso explica a queda nas compras de duráveis e equipamentos”, avalia.

Estoques elevados e desaceleração global também pesam

Castro acrescenta que o país acumulou grandes estoques de produtos importados da China no ano passado, o que reduz a necessidade de novas compras neste momento de atividade econômica mais fraca.

“O Brasil importou muito quando a economia estava aquecida. Agora, com a desaceleração, o consumo diminuiu e os estoques permanecem altos”, afirma.
Além disso, a leve desaceleração da economia mundial contribui para o quadro. “Há dois anos, a China vendia a preços altos; hoje, vende mais barato e em menor volume”, observa o presidente da AEB.

Indicadores reforçam cenário de enfraquecimento

O Banco Central também vem registrando sinais de enfraquecimento da atividade econômica. O IBC-Br, índice que antecipa o PIB, caiu 0,5% em julho, na terceira queda consecutiva.
No mercado de trabalho, o Caged mostrou a criação de 147 mil vagas formais em agosto, o pior resultado histórico para o mês, reforçando a perda de fôlego do crescimento.
Enquanto isso, as importações de bens não duráveis e semiduráveis, menos dependentes de crédito, avançaram 46,7% e 9,3%, respectivamente, em setembro — mostrando que o consumo tem se mantido apenas em produtos de menor valor e pagamento à vista.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Anizelli/Folhapress

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Importação

Importações de bens duráveis caem e indicam desaceleração da economia brasileira

O Brasil registrou uma forte queda nas importações de bens duráveis nos últimos meses, em mais um indício de desaceleração econômica provocada pelos juros altos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o volume de importações de produtos como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis caiu em julho pela primeira vez desde novembro de 2023. A retração continuou em agosto e se manteve praticamente estável em setembro.

O principal fator por trás do movimento é a redução das compras da China, responsável por mais de 50% das importações brasileiras de bens duráveis. Mesmo com as tarifas de 30% impostas pelos Estados Unidos ao gigante asiático, o Brasil não registrou aumento das compras — contrariando as expectativas do setor, que temia um desvio de exportações chinesas para o mercado brasileiro.

De julho a setembro, as importações brasileiras de bens duráveis chineses somaram US$ 423,9 milhões, uma queda de 11,1% em relação ao mesmo período de 2024. O recuo atingiu itens como smartphones, que tiveram redução de 2,9%, totalizando US$ 135,8 milhões, e refrigeradores, que despencaram 18,8%, com US$ 44,6 milhões importados no trimestre.

Juros altos e economia em ritmo mais lento

Para Lia Valls, pesquisadora associada do FGV/Ibre e responsável pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex), o enfraquecimento das importações reflete a desaceleração da atividade econômica brasileira. “O Brasil vinha em um ritmo muito forte de importações, mas a economia perdeu fôlego”, afirmou. Segundo ela, a queda é generalizada, atingindo os principais mercados fornecedores.

Nos Estados Unidos, segunda principal origem dos duráveis comprados pelo Brasil, as importações somaram US$ 20,8 bilhões em setembro — uma queda de 27,8% na comparação anual. O mesmo padrão é observado em máquinas e equipamentos, segmento que crescia acima de 20% em 2024, mas desacelerou para 3% no segundo trimestre de 2025 e chegou a cair em agosto. Apenas em setembro, houve alta devido à importação pontual de uma plataforma de US$ 2,4 bilhões de Singapura.

De acordo com José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o cenário é consequência direta da política monetária restritiva. O Banco Central elevou a taxa Selic de 10,5% para 15% ao ano desde setembro de 2024, encarecendo o crédito e freando o consumo de bens dependentes de financiamento.

Estoques altos e demanda menor pressionam o comércio exterior

Castro avalia que o estoque elevado de produtos importados da China também contribui para o recuo nas compras recentes. “O Brasil importou em ritmo acelerado no último ano, mas agora a economia desacelera, e as empresas ainda têm produtos em estoque”, explicou.

Além do cenário doméstico, há sinais de perda de fôlego na economia global, com a China vendendo a preços mais baixos do que há dois anos. “O movimento internacional também influencia o volume das importações brasileiras”, afirmou o especialista.

Atividade e emprego confirmam ritmo mais fraco

Indicadores econômicos reforçam a tendência de desaceleração. O IBC-Br, índice de atividade do Banco Central, recuou 0,5% em julho em relação ao mês anterior — a terceira queda consecutiva. No mercado de trabalho, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrou a criação de 147 mil vagas formais em agosto, o pior resultado histórico para o mês, segundo o Ministério do Trabalho.

Enquanto os bens duráveis sofrem com a queda da demanda, os bens não duráveis e semiduráveis — menos dependentes de crédito — registraram crescimento de 46,7% e 9,3%, respectivamente, nas importações de setembro.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Anizelli/Folhapress

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Comércio Exterior, Importação

Liberada a DUIMP para importação de produtos da Faixa Amarela do Exército

DFPC adota Novo Processo de Importação para produtos controlados.

A partir desta segunda-feira 13 de outubro, importadores de produtos classificados como “Faixa Amarela” pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército (DFPC) poderão registrar suas operações por meio da Declaração Única de Importação (Duimp). A medida simplifica o processo de entrada de mercadorias sujeitas à anuência prévia da DFPC.

Como solicitar a licença para importação

Para realizar o registro via Duimp, é necessário obter previamente a Licença de Produtos da Faixa Amarela (TA I1040, modelo I00074). O documento deve ser solicitado no módulo Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO) do Portal Único Siscomex.

Informações detalhadas sobre os Tratamentos Administrativos e os campos obrigatórios para cada formulário LPCO estão disponíveis na seção Tratamento Administrativo de Importação do Portal.

Procedimentos para Declaração de Importação (DI)

Nos casos em que a operação seja realizada por meio da Declaração de Importação (DI) tradicional, continuará sendo exigida a Licença de Importação (LI) com anuência da DFPC, mantendo a fiscalização rigorosa sobre produtos controlados.

Base legal e publicações oficiais

A mudança é respaldada pela Portaria C EX nº 2.566/2025 e pela Portaria nº 118 – COLOG/2019, além de atender aos artigos 8º e 13 da Portaria Secex nº 65/2020. A notícia foi divulgada pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior, a pedido da DFPC.

Fonte: DFPC / Departamento de Operações de Comércio Exterior
TEXTO: REDAÇÃO
FOTO: ILUSTRATIVA / FREEPIK

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Importação

Selo IPI: como funciona o sistema que controla destilados importados

A recente onda de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas reacendeu a discussão sobre o controle de destilados no Brasil. Vodcas e gins, principais alvos das investigações, só podem ser comercializados legalmente se estiverem identificados com o selo de controle da Receita Federal.

O que é o selo IPI e por que ele é obrigatório

O selo IPI é exigido no processo de importação para garantir o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados. A certificação é entregue aos importadores no momento da nacionalização das bebidas e deve estar presente em todas as garrafas destinadas à venda no país.

Produzido pela Casa da Moeda do Brasil, o selo é feito em papel-moeda de alta qualidade e traz a inscrição “RFB” (Receita Federal do Brasil). A holografia alterna as letras conforme o ângulo de visão; se todas aparecerem simultaneamente, há indício de falsificação.

Quais bebidas precisam do selo

De acordo com instruções normativas da Receita Federal (1.432/2013, 770/2007 e 1.883/2019), o uso do selo é obrigatório para diferentes tipos de bebidas alcoólicas importadas, incluindo:

  • conhaque
  • uísque
  • rum
  • gim
  • vodca
  • licor
  • aguardentes diversas

O que o selo não garante

Apesar de ser essencial para fins tributários, o selo IPI não atesta a qualidade ou autenticidade do conteúdo. Essa responsabilidade é do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), órgão que fiscaliza e autoriza a importação das bebidas.

Mercado ilegal e fraudes

As investigações sobre mais de 200 casos de intoxicação apontam que selos falsificados estão sendo vendidos para dar aparência de legalidade a bebidas adulteradas. Além deles, garrafas, tampas e rótulos também circulam no mercado paralelo, alimentando o risco de consumo de produtos inseguros.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Importação

Petrobras realiza primeira importação de gás natural da Argentina

A Petrobras concluiu na última sexta-feira (3.out.2025) a primeira importação de gás natural proveniente da formação de Vaca Muerta, na Argentina. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6.out) pela estatal, que firmou parceria com a Pluspetrol para viabilizar a operação.

Operação-piloto de gás natural

O transporte envolveu cerca de 100 mil m³ de gás não convencional, produzido pelas subsidiárias Petrobras Operaciones S.A. (POSA) e Pluspetrol. O objetivo do teste foi avaliar a viabilidade comercial e operacional da iniciativa.

O trajeto do combustível foi realizado por gasodutos, saindo da Argentina, passando pela Bolívia e chegando ao Brasil. Pelo contrato assinado, a Petrobras poderá importar até 2 milhões de m³ de gás na modalidade interruptível, ou seja, com fornecimento sujeito a suspensão caso a infraestrutura seja necessária para outras demandas.

Segundo a empresa, essa flexibilidade garante que o experimento ocorra sem afetar o abastecimento regular do mercado de gás natural no Brasil.

Integração de mercados de energia

Para Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, a operação marca um avanço estratégico.

“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para a importação de gás natural pelo Brasil, reforçando nosso compromisso com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado”, destacou.

A Petrobras mantém presença na Argentina por meio da POSA, onde detém 33,6% de participação não-operada no campo de Rio Neuquén, nas províncias de Neuquén e Rio Negro. A produção local é majoritariamente de gás não convencional (tight gas), extraído das formações geológicas Punta Rosada e Lajas.

O que é o gás de xisto?

O gás de xisto é uma forma de gás natural aprisionado em rochas densas chamadas xistos. Diferentemente do gás convencional, que se acumula em reservatórios porosos, ele exige técnicas avançadas para extração, como o fraturamento hidráulico (fracking).

Nesse método, uma mistura de água, areia e produtos químicos é injetada sob alta pressão, abrindo fissuras nas rochas e permitindo a liberação do gás. Apesar da eficiência para acessar grandes reservas, a técnica é cara, intensiva em recursos e envolve riscos ambientais.

Entre as preocupações, estão o possível contato com lençóis freáticos, o alto consumo de água, a ocorrência de abalos sísmicos e a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa.

No Brasil, a exploração de gás de xisto por fracking não é regulamentada. Decisões judiciais já suspenderam atividades do tipo em áreas da Bahia e do Paraná, que haviam sido leiloadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Importação

EUA aplicam tarifa sobre madeira e móveis importados; setor brasileiro já sente impactos

Tarifas entram em vigor e setor brasileiro registra demissões.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou tarifas de 10% sobre madeira e de 25% sobre armários, pias e móveis estofados, com validade a partir de 14 de outubro. Produtos farmacêuticos e caminhões pesados terão novas taxas já aplicadas a partir de 1º de outubro. A medida reforça a estratégia do governo americano de proteger a segurança nacional, segundo o presidente.

Justificativa americana e base legal

Trump utilizou a Seção 232 da Lei de Comércio de 1974 para embasar a taxação, alegando que a importação de madeira enfraquece a indústria local, provoca fechamento de serrarias e compromete cadeias de suprimento essenciais. A ordem executiva também prevê aumento das tarifas em janeiro de 2025: 30% para produtos de madeira estofados e 50% para armários e pias importados, caso não haja acordo com os países exportadores.

Impactos internacionais e acordos comerciais

Canadá, México e Vietnã estão entre os mais afetados. O Canadá, maior fornecedor de madeira serrada aos EUA, já lida com tarifas de cerca de 35% devido a disputas históricas sobre exploração florestal. México e Vietnã vêm ganhando espaço no fornecimento de móveis de madeira após as tarifas impostas à China em 2018, que chegaram a 55%. Países com acordos prévios, como Reino Unido, União Europeia e Japão, tiveram suas tarifas limitadas entre 10% e 15%.

Setor madeireiro brasileiro registra efeitos imediatos

A aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros já provocou demissões significativas, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci). Entre 9 de julho e 15 de setembro, cerca de 4 mil trabalhadores foram desligados, 5,5 mil estão em férias coletivas e 1,1 mil em layoff. Caso a situação persista, projeta-se a perda de mais 4,5 mil empregos nos próximos 60 dias.

O setor registrou queda de 35% a 50% nas exportações para os EUA em agosto, em comparação com julho, refletindo cancelamento de contratos e retração de novas negociações devido à imprevisibilidade tarifária. Em 2024, os Estados Unidos absorveram US$ 1,6 bilhão em produtos de madeira do Brasil, representando cerca de 50% da produção nacional, chegando a 100% em determinados segmentos.

Posicionamento da Abimci e reivindicações

Em nota divulgada em 16 de setembro, a Abimci reforçou que a única solução para minimizar os impactos é a negociação direta entre Brasil e Estados Unidos para adequação das tarifas. A entidade alertou ainda que a manutenção das taxas compromete cerca de 180 mil empregos formais na cadeia produtiva brasileira, afetando a sustentabilidade econômica e social do setor.

A associação também destacou que, até a data em questão, não houve ação efetiva por parte do governo brasileiro para abrir um canal de diálogo diplomático com Washington, baseado em argumentos técnicos e comerciais, o que poderia reduzir o impacto das tarifas sobre a indústria. 

A ABIMCI ainda não se manifestou após a nova decisão dessa semana. 

Consequências para o comércio bilateral

Especialistas ressaltam que a medida americana, ao mesmo tempo que aumenta arrecadação, agrava a instabilidade do comércio internacional, prejudica contratos existentes e pode afetar a competitividade das indústrias brasileiras e norte-americanas. Nos EUA, o governo também aponta que a restrição visa proteger infraestrutura crítica e setores estratégicos de defesa nacional.

FONTE: G1, Reuters e ABIMCI.
TEXTO: REDAÇÃO 
IMAGEM: REPRODUÇÃO G1

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