Exportação

Reforma tributária põe em risco a exportação indireta e ameaça até 25 mil pequenos negócios

A reforma tributária, que começará a valer em janeiro de 2026, acendeu um forte sinal de alerta entre micro e pequenas empresas exportadoras. Especialistas apontam que o Artigo 82 da Lei Complementar 214 cria exigências rígidas para a exportação indireta, modelo essencial para pequenos fornecedores acessarem o mercado internacional.

De acordo com o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (CECIEx), as novas restrições podem comprometer 10% das exportações brasileiras, atingir 30% dos exportadores e excluir até 25 mil pequenos negócios da cadeia global.

As avaliações foram apresentadas pelos tributaristas Valter Tremarin Júnior (IBET/FIERGS) e Caroline Druzian Bazzo (Women in Law Mentoring Brazil) durante o painel “A Reforma Tributária: como ficam as importações e as exportações?”, no Trade BR 2025, evento realizado por CECIEx e Apex-Brasil.

O que muda na exportação indireta

A exportação indireta ocorre quando uma trading company ou comercial exportadora vende ao exterior em nome do produtor — geralmente uma MPE. Hoje, o modelo recebe os mesmos benefícios fiscais da exportação direta, como isenção de IPI, PIS, Cofins e ICMS.

Com a reforma, o Artigo 82 condiciona a suspensão de IBS e CBS ao cumprimento de requisitos como:

  • Certificação OEA (Operador Econômico Autorizado);
  • Patrimônio líquido mínimo de R$ 1 milhão.

Segundo especialistas, 90% das empresas intermediadoras não conseguem atender a essas condições.

Tributaristas veem retrocesso e retorno a modelo dos anos 1970

O novo desenho regulatório lembra a antiga Lei das Trading Companies (1972), que exigia que exportadores fossem constituídos como S/A e tivessem capital mínimo — critérios flexibilizados somente após a Lei Kandir (1996).

Para Tremarin, a reforma promove um passo atrás.
“Criar uma condição tão rígida para algo que evoluiu justamente para reduzir burocracias parece um retrocesso”, avaliou.

Certificação OEA preocupa empreendedores

A tributarista Caroline Druzian afirma que a Receita Federal avalia criar uma versão simplificada da certificação OEA, mas ainda sem garantias para pequenos negócios.
“Em nossas conversas, não apareceu nenhuma análise específica sobre micro e pequenas empresas. Tudo indica que esse impacto não foi considerado”, destacou.

Ela lembra que o processo de certificação leva cerca de um ano, envolve auditorias internas e ampla checagem pela Receita — um cenário considerado inviável para entrada em vigor já em 2026.

Setor articula soluções legislativas e judiciais

Com o prazo se aproximando, o setor exportador busca alternativas para evitar danos à competitividade. Entre as ações estudadas estão:

  • Propostas de alteração da LC 214;
  • Mobilização junto a Receita Federal, CAMEX e Itamaraty;
  • Adoção de mandado de segurança para impedir a aplicação do Artigo 82.

Para entidades como o CECIEx, as exigências podem excluir milhares de pequenas empresas do comércio exterior e restringir de forma drástica a exportação indireta, um dos principais canais para internacionalização de MPEs.

FONTE: Contábeis e Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Contábeis

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Exportação

China lidera exportações de fertilizantes ao Brasil e pressiona operação no Porto de Paranaguá

A China assumiu a liderança nas exportações de fertilizantes para o Brasil e ultrapassou a Rússia no fornecimento de sulfato de amônio (SAM) e de formulações à base de nitrogênio e fósforo (NP). Entre janeiro e outubro de 2025, o país asiático enviou 9,76 milhões de toneladas desses produtos, segundo o boletim Insumos CNA, divulgado nesta terça-feira (2).

Porto de Paranaguá registra filas e aumento de custos operacionais
O avanço acelerado das importações de fertilizantes chineses em um período curto gerou filas recordes de navios no Porto de Paranaguá (PR) ao longo de 2025. O tempo médio de espera para o desembarque chegou a 60 dias, pressionando custos logísticos e elevando a complexidade da operação portuária.

Rússia mantém papel estratégico no fornecimento ao Brasil
Apesar de perder a liderança, a Rússia segue como fornecedor crucial. De janeiro a outubro de 2025, o país embarcou 9,72 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil. Segundo a CNA, as entregas totais no mercado brasileiro registraram alta de 9% até agosto, indicando demanda aquecida do setor agropecuário.

Projeções apontam para novo recorde em 2025
O estudo aponta que o Brasil pode alcançar um novo recorde de entregas de fertilizantes ainda em 2025. O Rio Grande do Sul deve ter participação relevante nesse resultado, já que o atraso nas compras localmente tende a concentrar mais operações no período final do ano.

Preços e relação de troca seguem pressionados
A CNA avalia que as relações de troca continuam desfavoráveis entre as principais culturas agrícolas e os fertilizantes fosfatados. No mercado de defensivos, foi registrado aumento especialmente no grupo dos fungicidas, impulsionado pelas demandas da cultura da soja.

FONTE: Plox Economia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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COP 11 e exportações impulsionam debates na Câmara Setorial do Tabaco

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou, na terça-feira (2), sua 78ª Reunião Ordinária, desta vez em formato virtual. Entre os pontos centrais da pauta esteve a eleição para o comando da entidade no próximo biênio. Por unanimidade, os representantes reconduziram Romeu Schneider ao cargo de presidente. Schneider, que também é vice-presidente da Afubra, agradeceu a confiança e reafirmou o compromisso com o equilíbrio e a harmonia da cadeia produtiva.

COP 11 em análise e desafios para a próxima conferência
A primeira discussão do encontro abordou a COP 11 da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT). Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, destacou o protagonismo brasileiro ao apresentar propostas que impactam diretamente o setor.
Segundo ele, a atuação de parlamentares em Genebra foi essencial para ampliar o espaço de diálogo, mas os desafios permanecem. Thesing avaliou que, até a COP 12, será necessário fortalecer conversas internas com o governo e manter a mobilização de toda a cadeia produtiva.
Como encaminhamento, os integrantes da Câmara decidiram manter o GT COP, agora oficializado como grupo de trabalho permanente dentro da estrutura.

Exportações de tabaco registram crescimento expressivo
As exportações brasileiras de tabaco também estiveram em destaque. Dados do MDIC/ComexStat mostram que, entre janeiro e outubro, o Brasil embarcou 438 mil toneladas e movimentou US$ 2,7 bilhões, aumentos de 26% e 21% em relação ao mesmo período de 2024.
Para Thesing, os números acompanham as previsões da consultoria Deloitte, que estimava alta entre 15,1% e 20% no volume e de 2,1% a 6% no valor exportado.
Entre os principais destinos estão Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Emirados Árabes e Turquia. Em relação aos EUA, o presidente do SindiTabaco explicou que os embarques foram suspensos após 6 de agosto devido às tarifas, mas vêm sendo retomados gradualmente por necessidade de matéria-prima.
Thesing também citou a superação de entraves logísticos no porto de Rio Grande e ressaltou que, caso novembro e dezembro repitam o desempenho do ano anterior, o Brasil pode fechar 2025 com exportação recorde, ultrapassando a marca de US$ 3 bilhões.

Safra 2025/2026 sob impacto do clima
O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, apresentou o panorama da safra 2025/2026, cuja estimativa é de 685 mil toneladas. Ele alertou, porém, que o cultivo tem enfrentado extremos climáticos — desde chuva e granizo até falta de água em algumas regiões. Ainda assim, Drescher mantém a expectativa de que, com condições climáticas mais estáveis, a safra possa alcançar um bom resultado.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Felipe Krause / Pixel18dezoito / Divulgação / CP

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Exportação

Vale do Itajaí se destaca com dois polos industriais voltados à exportação

O Vale do Itajaí abriga dois importantes polos industriais com forte inserção internacional: o de embarcações e o de produtos de madeira, incluindo chapas de compensado, peças de carpintaria e portas. O levantamento faz parte de um estudo do Observatório Nacional da Indústria, conduzido pelo Observatório FIESC, que mapeou polos produtivos nas mesorregiões brasileiras.

Exportações impulsionam a economia regional
Em 2024, o segmento de madeira e móveis da região movimentou US$ 413,75 milhões em exportações. Já o polo de embarcações somou US$ 26,23 milhões no mesmo período. Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, esse desempenho reforça o papel da indústria como motor da economia local.

Segundo ele, “a cada emprego criado na indústria, outros 16 são gerados”, evidenciando o impacto direto dos polos exportadores no desenvolvimento regional.

Condições favoráveis ao crescimento dos polos
De acordo com Marcelo de Albuquerque, coordenador do estudo, fatores como clima, relevo e proximidade da matéria-prima favorecem o polo de madeira e móveis. Já o setor náutico se beneficia da localização estratégica próxima ao litoral na Foz do Rio Itajaí e do avanço do turismo náutico, que fortalece toda a cadeia produtiva.

Força industrial do Vale do Itajaí
A região reúne 79,3 mil estabelecimentos e emprega 697 mil pessoas. A indústria concentra 276,6 mil trabalhadores distribuídos em 21,5 mil negócios.

  • Blumenau lidera com 3,2 mil indústrias e 50,2 mil empregos.
  • Brusque aparece em segundo lugar, com 2 mil estabelecimentos e 28,6 mil trabalhadores.
  • Itajaí ocupa a terceira posição, com 1,9 mil indústrias e 27,4 mil empregados.

Empresas que se destacam nas exportações
No setor de produtos de madeira, empresas como Rohden (Salete), NM Compensados e Madeiras Schlindwein (MSL), de Presidente Getúlio, estão entre as principais exportadoras.
No segmento náutico, marcas como Okean Yachts, NHD Boats e Azimut Brasil mantêm estaleiros em Itajaí e figuram entre as líderes nas vendas ao exterior.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC/Okean

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Exportações de carne bovina de Mato Grosso para a Ásia avançam quase 40% em 2025

As exportações de carne bovina de Mato Grosso para países asiáticos registraram alta de 39,4% entre janeiro e outubro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Foram embarcadas mais de 458 mil toneladas para 12 destinos, reforçando o estado como o maior exportador do Brasil e ampliando sua relevância no comércio global.

Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a Ásia passou a representar 60,6% de todo o volume exportado pelo estado neste ano — proporção superior aos 52,2% registrados em 2024.

Ásia se consolida como principal motor da demanda

Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reflete a busca crescente por proteína de qualidade, com segurança sanitária e sustentabilidade. Ele destaca que países asiáticos vêm aumentando o consumo e valorizam produtos com comprovação de origem, características em que Mato Grosso se destaca.

China lidera compras; Indonésia tem salto expressivo

A China manteve a liderança nas importações da carne mato-grossense. Entre janeiro e outubro de 2025, foram adquiridas 413,6 mil toneladas, frente às 284,1 mil toneladas do ano anterior — avanço impulsionado pela demanda por proteína premium e pelo maior acesso sanitário concedido ao Brasil.

Outro destaque foi a Indonésia, que apresentou crescimento robusto: passou de 250 toneladas em 2024 para 3,1 mil toneladas em 2025, uma expansão de 1.160%.

Diversificação de destinos asiáticos

Além de China e Indonésia, Mato Grosso enviou carne bovina para Macau, Hong Kong, Filipinas, Timor-Leste, Singapura, Malásia, Camboja, Maldivas, Cazaquistão e Turcomenistão. O Imac aponta que esses mercados buscam diversificar fornecedores, privilegiando produtos certificados e sustentáveis.

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Exportação

Exportações de Implementos Rodoviários ao México podem atingir US$ 10,6 milhões em 2026

As exportações brasileiras de implementos rodoviários podem chegar a US$ 10,6 milhões nos próximos 12 meses, segundo projeção da indústria após a participação na Expotransporte, realizada entre 12 e 14 de novembro, em Guadalajara. Durante o evento, empresas do setor negociaram cerca de US$ 5,4 milhões, envolvendo 24 fabricantes nacionais.

Programa MoveBrazil impulsiona negócios internacionais

A presença brasileira na feira integrou o MoveBrazil, iniciativa que incentiva as vendas externas e é conduzida pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) em parceria com a ApexBrasil. O programa busca ampliar a presença do país em mercados internacionais, diversificando destinos e fortalecendo a competitividade da indústria.

Perspectivas de vendas futuras

Para a Anfir, o México é considerado um destino prioritário, por unir alta demanda na América do Norte e relevância crescente para os implementos rodoviários brasileiros. A entidade estima que o relacionamento comercial construído na feira pode gerar até US$ 16 milhões em negócios futuros, reforçando a posição estratégica do Brasil na região.

Indústria nacional presente na Expotransporte

Empresas como Cardoso, ComLink, Facchini, Grimaldi, Librelato, Marksell e Rossetti marcaram presença no evento, representando parcela expressiva da capacidade produtiva do segmento. A participação conjunta integra ações de internacionalização coordenadas pela Anfir, voltadas ao aumento do fluxo comercial e ao fortalecimento da cadeia produtiva.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Acordo da Aladi impulsiona exportações brasileiras de cosméticos na América Latina

O Brasil e dez países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) concluíram, em Montevidéu, a negociação técnica do Acordo de Alcance Parcial voltado à eliminação de obstáculos técnicos ao comércio de cosméticos, itens de higiene pessoal e perfumaria. A medida prevê maior alinhamento regulatório entre os membros, simplificação de exigências e a remoção de barreiras que dificultavam a circulação desses produtos no bloco.

Segundo a Aladi, o mercado latino-americano de beleza movimenta mais de US$ 55 bilhões, tornando a integração regulatória fundamental para acelerar o fluxo comercial.

Convergência regulatória reduz custos e amplia competitividade
Com a implementação do acordo, empresas brasileiras do setor de beleza e cuidados pessoais devem se beneficiar com a redução de prazos e custos operacionais, maior previsibilidade nas operações e condições mais favoráveis para expansão das vendas. O processo negociador brasileiro contou com a participação da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, do Ministério das Relações Exteriores e da Anvisa, em diálogo constante com representantes do setor privado.

O entendimento firmado recebeu adesão de dez dos treze países-membros da Aladi: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

Regras simplificadas e padrões unificados
Entre os principais compromissos assumidos estão a eliminação da exigência de documentos como o certificado de venda livre, a adoção de padrões internacionais, a simplificação de procedimentos administrativos, a harmonização da rotulagem e a adoção de práticas de vigilância de mercado baseadas em risco.

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo fortalece a competitividade das empresas brasileiras. Para ele, a medida reduz custos, estimula a inovação e abre espaço para ampliar a presença do Brasil no mercado latino-americano de cosméticos. “Estamos fortalecendo a competitividade industrial, incentivando investimentos e abrindo caminho para mais exportações”, destacou.

Exportações seguem em ritmo crescente na região
Em 2024, as vendas brasileiras de cosméticos para os países da Aladi somaram US$ 677,9 milhões, representando 77% das exportações do setor. Os dez países participantes do acordo foram responsáveis por US$ 533,3 milhões desse total. Entre janeiro e outubro de 2025, as exportações já atingiram US$ 556,6 milhões, refletindo a importância da integração regional.

Próximas etapas para a entrada em vigor
Com o encerramento das negociações técnicas, inicia-se agora a fase jurídico-administrativa, que deve ser concluída até o fim de janeiro de 2026. A assinatura do acordo ocorrerá na sequência, e sua implementação terá início 15 dias após a segunda notificação oficial à Secretaria-Geral da Aladi. Os demais países poderão aderir de forma gradativa, conforme finalizarem seus trâmites internos.

O que é a Aladi
Criada pelo Tratado de Montevidéu de 1980, a Aladi reúne 13 países latino-americanos com o objetivo de promover a integração econômica regional. Seus Acordos de Alcance Parcial permitem que grupos de países avancem em temas específicos, abrindo espaço para futuras adesões e integração ampliada.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportação de gado vivo: como funcionam a quarentena e a identificação obrigatória dos animais

A volta ao Uruguai do navio que levava quase 3 mil bovinos para a Turquia reacendeu o debate sobre a exportação de gado vivo. A embarcação Spiridon II não recebeu autorização para desembarcar parte dos animais devido à ausência de brincos ou chips eletrônicos, itens exigidos pelas autoridades turcas. Casos como esse não são inéditos, embora exportadores brasileiros afirmem que são exceções e que cada país segue regras próprias.

Brasil adota normas rígidas de controle sanitário
No Brasil, empresas que desejam enviar bovinos vivos ao exterior precisam atender a protocolos definidos pelo Ministério da Agricultura e às exigências sanitárias do país importador. Uma das etapas obrigatórias é a instalação de um estabelecimento de pré-embarque, área da fazenda onde os animais permanecem em quarentena para prevenção e controle de doenças. O local deve receber aprovação de fiscais federais, e o isolamento é acompanhado no início e no fim do período.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Lincoln Silveira Bueno, o processo segue padrões rigorosos e eventuais falhas são pontuais. Ele afirma que “99,9% dos embarques chegam ao destino em segurança, cumprindo todas as normas”.

Quarentena, exames e identificação eletrônica
O ponto de partida para a exportação é verificar se o país comprador possui um certificado zoossanitário internacional específico. Esse documento determina exames, tratamentos e a duração mínima da quarentena, que nunca pode ser inferior a sete dias. Todos os bovinos passam por análises laboratoriais e devem possuir identificação eletrônica individual.

Durante as vistorias, fiscais também conferem as guias de trânsito animal, para confirmar a origem do rebanho. Alguns países limitam a compra de animais de determinadas regiões do Brasil, o que reforça a necessidade de controle documental.

Transporte marítimo exige navios autorizados e cuidados de bem-estar
O Ministério da Agricultura estabelece ainda orientações para o transporte marítimo e aéreo. No caso dos navios, a viagem só pode ocorrer em embarcações aprovadas pela Capitania dos Portos e conduzidas por profissionais treinados. As normas incluem oferta adequada de alimento, água potável, medicamentos e condições de bem-estar. Antes do embarque, um veterinário oficial inspeciona as instalações e pode solicitar ajustes.

Demanda internacional se mantém, mas tende a cair
Dados da Associação Brasileira de Exportadores de Animais Vivos (Abreav) mostram que o Brasil embarcou pouco mais de 1 milhão de bovinos no ano passado, um recorde histórico. A expectativa é de estabilidade em 2025 e queda acima de 20% em 2026, reflexo da redução de abates e da alta no preço do boi, fatores que podem direcionar compradores para outros fornecedores.

A maior parte dos animais é enviada a países muçulmanos, onde prevalece o consumo de carne fresca e a exigência de abate supervisionado por autoridade religiosa. Além de bovinos prontos para abate, o Brasil exporta bezerros, bois magros para engorda e animais destinados à reprodução. México, França e Austrália também figuram entre os principais exportadores globais.

Atividade enfrenta críticas, mas é considerada legal
Organizações não-governamentais contestam a exportação de animais vivos, alegando riscos de maus-tratos durante o transporte. O tema ganhou destaque após um navio que saiu de Rio Grande (RS) ser expulso do porto da Cidade do Cabo, na África do Sul, devido ao forte odor que indicava condições inadequadas para os 19 mil bovinos a bordo.

Apesar das críticas, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu no início do ano que a atividade está em conformidade com a legislação brasileira.

Brasil amplia mercados para envio de bovinos vivos
Nos últimos meses, o país abriu novos mercados para diferentes finalidades. Líbano e Tanzânia autorizaram importações de bovinos e bubalinos para reprodução, enquanto a Turquia passou a permitir também a compra de animais reprodutivos, além daqueles destinados ao abate ou engorda.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Exportação

ApexBrasil inaugura escritório em Mato Grosso e amplia apoio às exportações do agro

A ApexBrasil abriu oficialmente, nesta segunda-feira (24), seu escritório físico em Cuiabá, marcando um novo ciclo de atuação no maior exportador de alimentos, fibras e grãos do país. A cerimônia reuniu mais de 50 adidos agrícolas, lideranças do setor e empresários interessados em fortalecer a presença de produtos mato-grossenses no mercado internacional.

Instalada na sede da Famato, a nova unidade integra a estratégia de descentralização da Agência, levando inteligência de mercado, capacitação e atendimento especializado diretamente às empresas locais. No mesmo evento, foram anunciados mais de R$ 42 milhões em convênios destinados a cadeias produtivas consideradas essenciais para a economia do estado.

Mato Grosso como prioridade estratégica

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou que a chegada ao estado era um passo indispensável, dada sua força no comércio exterior. Ele destacou que a Agência pretende atuar de maneira mais próxima aos produtores.

“A Apex foi criada para promover negócios, exportações e atrair investimentos. Estar em Mato Grosso é indispensável, já que quase um terço do saldo da balança comercial brasileira — mais de US$ 20 bilhões — vem daqui”, afirmou.

A unidade já passa a operar imediatamente, facilitando o acesso a quem deseja exportar, se qualificar e disputar espaço no mercado global. Entre os convênios assinados estão aportes para o setor de algodão, etanol de milho e feijões.

MT no centro do comércio global

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reforçou que a instalação da ApexBrasil em Cuiabá corrige um desequilíbrio histórico diante da relevância do estado.

“Mato Grosso é o maior exportador de alimentos, fibras e grãos do Brasil. Trazer uma agência de promoção para cá é fazer justiça”, disse.

Mesmo enfrentando desafios como o tarifaço norte-americano, o estado ampliou em 44% suas exportações de carne bovina, beneficiado pela abertura do mercado do México, esperada há duas décadas. Também houve avanços com Filipinas, Vietnã, Malásia e na ampliação das vendas para a China.

Para Fávaro, a presença da ApexBrasil deve impulsionar ainda mais a expansão da agroindústria mato-grossense no exterior.

Conexão direta com mercados internacionais

Segundo o secretário de Comércio e Relações Institucionais do Mapa, Luiz Renato de Alcântara Rua, o escritório materializa um esforço conjunto para tornar o processo de exportação mais acessível.

Com a unidade, produtores e empresários poderão receber orientação sobre como acessar mercados externos e conhecer oportunidades identificadas pela Agência. Ele também destacou a atuação integrada de uma rede de 40 adidos agrícolas, que trabalham conectados aos escritórios internacionais da ApexBrasil.

Rua reforçou que pequenos produtores também serão beneficiados, ganhando mais acesso ao processo de internacionalização.

Benefícios diretos ao produtor

Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, sediar o escritório dentro da entidade amplia o acesso dos produtores às ferramentas de promoção comercial.

“É um ganho enorme para quem trabalha e produz em Mato Grosso. A presença da ApexBrasil ajuda a preparar empresas e produtos para alcançar o mercado externo”, avaliou.

Ele lembrou que exportar exige técnica e conhecimento — aspectos que a Agência passa a oferecer de forma mais próxima. Tomain também destacou a importância da visita dos 51 adidos agrícolas para aprofundar a compreensão internacional sobre a produção local.

FONTE: Mato Grosso Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Assessoria Famato

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Exportação

Soja lidera exportações no Paraná e responde por 21% da movimentação anual

A soja em grão segue como a principal commodity agrícola movimentada pelos portos do Paraná entre janeiro e outubro deste ano. Segundo o relatório operacional da Portos do Paraná, foram embarcadas 13 milhões de toneladas, volume que corresponde a 21,2% de toda a carga movimentada em 2025. Em valor FOB, esse montante somou US$ 5,2 bilhões.

O Brasil mantém a liderança global na exportação do produto, e o Porto de Paranaguá tem papel central nesse cenário. Nada menos que 91% da soja exportada por Paranaguá teve como destino o mercado chinês. O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirmou que a tendência é de continuidade no ritmo elevado de embarques nos próximos meses.

Crescimento expressivo em outubro
O desempenho de outubro reforça a força do segmento: o porto registrou aumento de 60% na movimentação de soja em comparação com o mesmo mês do ano passado — saltando de 508.876 toneladas para 815.327 toneladas. Atualmente, 15 terminais estão aptos a operar o produto no estado.

Entre os fatores que elevaram as exportações estão a safra recorde brasileira e a demanda crescente da China, que reduziu drasticamente as compras dos Estados Unidos por causa das disputas tarifárias.

Avanço do complexo soja
No farelo de soja, Paranaguá ocupa posição de destaque nacional: o porto responde por 28% das exportações brasileiras. De janeiro a outubro, foram movimentadas 5,5 milhões de toneladas, avaliadas em US$ 1,8 bilhão, com crescimento de 3% frente ao ano anterior. Países como Holanda, França, Espanha e Coreia do Sul lideram as importações do produto, usado principalmente na produção de ração.

O porto também é o líder brasileiro na exportação de óleo de soja, responsável por 63% do total nacional até outubro, com mais de 860 mil toneladas embarcadas para diversos mercados. O óleo atende indústrias alimentícia, farmacêutica, química, têxtil, entre outras.

Capacidade ampliada com novas obras
Para atender ao aumento da demanda, o Porto de Paranaguá prepara uma série de investimentos. A construção do Moegão, a maior obra portuária pública em andamento no país, está prevista para janeiro de 2026. O projeto vai centralizar o descarregamento ferroviário de granéis sólidos e conectar 11 terminais por meio de correias transportadoras.

Hoje, cerca de 550 vagões são descarregados por dia. Com o novo sistema, a capacidade deve subir para 900 vagões diários. A estimativa é que o Moegão receba 24 milhões de toneladas por ano, impulsionando especialmente o escoamento da soja.

Outro projeto estratégico é o Píer em ‘T’, que incluirá quatro novos berços e um sistema de carregamento ultrarrápido. Enquanto os equipamentos atuais carregam cerca de três mil toneladas por hora, a nova estrutura poderá movimentar até oito mil toneladas por hora.

Navios maiores e maior eficiência
O Porto de Paranaguá também será beneficiado pelo aprofundamento do canal de acesso, previsto no contrato de concessão firmado após leilão na B3. O calado passará dos atuais 13,3 metros para 15,5 metros em até cinco anos, permitindo a operação de navios maiores.

Esse ganho de profundidade possibilitará que cada embarcação transporte 14 mil toneladas adicionais de granéis sólidos sem custo extra. A mudança deve ampliar a competitividade do porto, reduzir o tempo de operação e aumentar a segurança das manobras.

FONTE: Portos do Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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