Comércio Exterior, Economia

Por que a Embraer (EMBR3) é a maior vítima do tarifaço de Trump contra o Brasil?

Queridinha do mercado, ação da fabricante de jatos é a mais abalada pelo tarifaço contra o Brasil por conta da sua exportação para os EUA

Dentre todas as empresas que podem ser afetadas pelas tarifas gerais de 50% anunciadas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma em especial ganha destaque, principalmente por ter grande parte da sua receita proveniente de exportações para a maior economia do mundo. Trata-se da Embraer (EMBR3), cuja ação tem uma alta acumulada de mais de 100% nas suas ações no acumulado de 12 meses, mas que vinha sofrendo recentemente com as ameaças do presidente americano em tarifar o Brasil.

A XP Investimentos aponta que a Embraer tem uma alta exposição aos EUA, de cerca de 60% do faturamento. Ela exporta principalmente E1s para companhias aéreas norte-americanas e conclui a montagem de jatos executivos na Flórida; assim, os impactos diretos e indiretos podem ser significativos.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP, ressaltam dois impactos principais devido ao aumento da tarifa para produtos brasileiros.

Em primeiro lugar, na divisão Executiva, como a empresa conclui a montagem de Praetors (cerca de 55-60% do conteúdo do Brasil) e Phenoms (cerca de 35-40% do conteúdo do Brasil) em suas instalações na Flórida, parte do CPV (Custo de Produtos Vendidos) do produto é suscetível a tarifas de importação quando os jatos são enviados do Brasil para os EUA (com a Embraer como responsável pela sobretaxa).

Nesse sentido, estima um impacto de custo de US$ 95 milhões por cada 10 pontos percentuais (p.p.) de tarifa para a sua previsão de EBIT de 2026E, ou um impacto de –55-60% em nossas estimativas de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos)/lucro de 2026 esperado se a tarifa de 50% for implementada, respectivamente.

Em segundo lugar, no segmento comercial, embora os clientes da ERJ sejam os responsáveis pela cobrança tarifária, a preocupação permanece com a demanda mais fraca após um ambiente inflacionário para os E1s, com riscos de adiamento de entregas caso as companhias aéreas tentem evitar tais sobretaxas, embora as cláusulas contratuais (e PDPs) da ERJ devam reduzir tais riscos.

A XP, embora veja o anúncio de Trump principalmente como uma potencial barganha, espera que a preocupação dos investidores permaneça alta, dado o impacto potencial significativo que uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros sugeriria para a ERJ (queda 60% para a sua estimativa de lucros para 2026). Dito isso, reitera recomendação neutra no valuation, com potencial downside em relação às estimativas de consenso (e as nossas) se as tarifas permanecerem mais altas em relação ao previsto anteriormente.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também ressalta que a Embraer é a empresa de sua cobertura mais exposta às exportações para os EUA.

Assim, estima um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no EBIT de 2025 — cerca de 35% do total estimado para o ano. Essa estimativa considera que a tarifa entre em vigor em agosto, como estipulado na carta oficial, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

No segmento de aviação executiva, os jatos Phenom são produzidos nos EUA, enquanto os jatos Praetor têm sua montagem final no país.

“Isso pode ajudar a mitigar parte do impacto, já que a produção local estaria isenta da tarifa. Ainda assim, não está claro se essa isenção seria total”, avalia.

Para o BBI, a Embraer pode compensar parte do impacto por meio de: i. Reajuste de preços em novos pedidos de jatos executivos (com efeito apenas na entrega); ii.Aumento de preços em serviços e peças, reduzindo indiretamente o impacto nas entregas e iii. No segmento de aviação comercial, as tarifas podem levar clientes a adiar recebimentos de aeronaves.

O UBS BB estima um impacto de aproximadamente US$ 70 milhões nos custos da Embraer e um impacto de 13% na margem financeira de 2026 para cada aumento de 10% nas tarifas. O banco considera o impacto apenas sobre jatos executivos, com 40% dos Phenoms e 60% dos Praetors sendo tarifados e 75% das vendas totais de jatos executivos para os EUA.

Fonte: InfoMoney

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Economia, Internacional

Para CNI, não há fato econômico que justifique tarifas de 50% e é preciso preservar relação comercial com os EUA

Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende intensificar negociação diante de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

A imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.


“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.


Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3° principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos.

Resultados preliminares de consulta realizada pela CNI indicaram que um terço das empresas respondentes que exportam bens e/ou serviços aos EUA tiveram impactos negativos nos seus negócios. O levantamento foi realizado entre os meses de junho e início de julho, ainda no contexto da tarifa básica de 10% e demais medidas comerciais setoriais.

A CNI reforça a importância de intensificar uma comunicação construtiva e contínua entre os dois governos. “Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países. É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os Estados Unidos” destaca Ricardo Alban.

EUA têm superávit de US$ 256,9 bi com Brasil

Ao contrário da afirmação do governo dos Estados Unidos, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA.

A CNI aponta que a entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa real de importação de 2,7% em 2023, o que diverge da declaração da Casa Branca. A tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos Estados Unidos foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nova medida impacta relação de forte complementariedade econômica

A tarifa afeta a economia americana. O relacionamento bilateral é marcado por complementariedade, isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.

A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e pelas 2.962 empresas brasileiras com presença nos Estados Unidos. Os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2013 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.

As exportações brasileiras para os EUA têm grande relevância para a economia nacional. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. Portanto, o aumento da tarifa de importação americana para 50% impacta diretamente a economia brasileira e abala a cooperação com os EUA.

Fonte: Portal da Indústria

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras: decisão de Trump gera reações e acirra tensões políticas e econômicas

O anúncio feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, provocou uma onda de reações no Brasil e no exterior. O motivo declarado por Trump foi o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentar liderar um golpe de Estado. O gesto foi amplamente interpretado como uma interferência direta nos assuntos internos do Brasil e gerou repercussões em diferentes esferas: política, econômica e diplomática.

A decisão, classificada pelo economista e Nobel Paul Krugman como parte de um “programa de proteção a ditadores”, foi duramente criticada por autoridades brasileiras, instituições empresariais, especialistas e parlamentares. Enquanto o governo Lula vê a medida como uma afronta à soberania nacional, políticos da oposição acusam o atual governo de criar tensões com os EUA.

Governo reage e convoca reunião de emergência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão convocando uma reunião de emergência com ministros e afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em vigor desde abril. Nas redes sociais, Lula destacou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida” e reforçou que o processo judicial contra Bolsonaro “é de competência da Justiça Brasileira”.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a iniciativa de Trump tem potencial político relevante: “Certamente, essa dimensão política é algo positivo para a administração Lula”, afirmou. No entanto, Cortez pondera que o efeito pode ser limitado pela polarização política e pelo forte apoio da base bolsonarista.

Especialistas alertam para riscos à soberania e impacto diplomático

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destacou que “ingerências externas não pegam bem no Brasil” e que até críticos de Lula podem ver o gesto como um ataque à soberania. Já Creomar de Souza, da consultoria Dharma Politics, afirmou que a medida é uma “bola quicando” para o governo, mas alerta que “a questão é saber se o governo terá uma resposta organizada e uníssona”.

Ian Bremmer, cientista político americano, afirmou que “seria intolerável para líderes americanos se outro país fizesse o mesmo com os EUA”, enquanto Krugman classificou as tarifas como “megalomaníacas” e sem justificativa econômica, observando que o comércio com os EUA representa menos de 2% do PIB brasileiro.

Setores econômicos pedem diplomacia e cautela

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação e defendeu diálogo. “Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da entidade.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também pediu cautela: “A nova alíquota atinge o agronegócio nacional, impactando o câmbio e a competitividade”. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) enfatizaram os riscos de prejuízos econômicos e danos à imagem do Brasil no exterior. “É uma das maiores taxações já aplicadas na história do comércio internacional”, destacou José Augusto de Castro, presidente da AEB.

Parlamentares se dividem entre nacionalismo e acusação

Na arena política, a medida acirrou o embate entre governo e oposição. O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a atitude como “jogar contra o Brasil”, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou que Lula “conseguiu ferrar o Brasil”. Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou os aliados de Bolsonaro de “traidores”, e Jaques Wagner (PT-BA) reforçou que “o Brasil não será quintal de ninguém”.

Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL-PR), culparam Lula e o STF pela crise diplomática. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) criticou a “ideologia acima da economia”, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) falou em “perseguições” e “provocações baratas”.

Eduardo Bolsonaro e bastidores da decisão

A medida de Trump veio na esteira da atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Em carta enviada ao jornalista Guga Chacra, assinada junto com o jornalista Paulo Figueiredo, Eduardo confirmou que manteve “intenso diálogo com autoridades do governo Trump” e que a decisão de taxar o Brasil é reflexo direto dessas conversas, com o objetivo de pressionar o STF e seu relator, Alexandre de Moraes.

STF e diplomatas reagem

O ministro Flávio Dino, do STF, destacou em publicação nas redes que a Corte age em defesa da “soberania nacional e da democracia”. Já o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou diretamente sobre o assunto, mas bastidores apontam preocupação com o uso político da medida internacional para pressionar decisões judiciais.

O que esperar daqui para frente?

A escalada tarifária imposta por Trump reabre o debate sobre o uso de políticas comerciais para fins políticos. Apesar de seus efeitos diretos sobre o comércio exterior brasileiro serem limitados em termos absolutos — segundo dados da OMC, os EUA representam 11,4% das exportações brasileiras —, os impactos simbólicos e políticos podem ser significativos, especialmente em ano pré-eleitoral.

Há incerteza quanto aos desdobramentos diplomáticos. O governo brasileiro tenta articular uma resposta que preserve os interesses econômicos do país, sem acirrar ainda mais o conflito político. O sucesso dessa resposta, segundo especialistas, dependerá da habilidade do governo em unir diferentes frentes políticas e econômicas em torno de uma reação estratégica, firme, mas diplomática.

FONTE: COMPILADO DE NOTÍCIAS – BBC NEWS/BRASIL
FOTO: REUTERS/Ken Cedeno
TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior, Economia

Brasil responderá tarifaço dos EUA com lei de reciprocidade, diz Lula

Legislação libera contramedidas como suspensão de concessões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (9) que o tarifaço de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica. Em rede social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania do país e disse que é falsa a alegação do presidente norte americano Donald Trump de que a taxação seria aplicada em razão de déficit na balança comercial com o Brasil.

A lei brasileira sancionada em abril estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.

“Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, afirmou o presidente

O lei autoriza o Poder Executivo, em coordenação com o setor privado, “a adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços ou medidas de suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e medidas de suspensão de outras obrigações previstas em qualquer acordo comercial do país”.

O governo defende que é falsa a informação sobre o alegado déficit norte-americano. “As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”.

Lula afirma ainda que o Brasil é um país soberano “com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

No documento encaminhado por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente estadunidense cita o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, para justificar o ataque ao país. Ele também citou ordens do STF emitidas contra apoiadores do ex-presidente brasileiro que mantêm residência nos Estados Unidos.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, rebateu Lula.

O presidente brasileiro abordou ainda as críticas de Trump às decisões do Supremo Tribunal Federal contra perfis em redes sociais que praticavam discurso de ódio e divulgavam fake newsO presidente afirmou que, “no contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”.

“No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira”, escreveu.

Antes de publicar a nota, o presidente Lula coordenou uma reunião de emergência, no Palácio do Planalto, com a presença de seus principais ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Internacionais), Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secom), além do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. O encontro terminou por volta das 20h.

Fonte: Agência Brasil

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Economia, Saúde

Reajuste de plano de saúde acumula alta de até 383% na década e crescimento desacelera

Inflação médica chega a ser mais de quatro vezes superior ao IPCA, que sobe 84% no período de 2015 a 2025

Uma das principais despesas das empresas e famílias, os convênios médicos acumulam aumento de preço que chega a ser mais de quatro vez superior à inflação geral, no acumulado de 2015 a 2025. Nesse período, o reajuste do plano de saúde coletivo, modalidade que abarca 43,6 milhões de pessoas, acumulado atingiu 383,5% e no plano individual, a variação é de 146,48%. Já o IPCA sobe 84% (com projeção de 5,2% para este ano).

Esses reajustes, em especial a partir de 2022 – quando as operadoras amargaram prejuízo operacional de R$ 10 bilhões e, com isso, passaram a elevar o preço das mensalidades para compensar as perdas – podem estar impactando o crescimento de clientes de planos de saúde. Nos últimos três anos há uma desaceleração do crescimento de novos contratos.

Em 2021, houve incremento de 1,4 milhão de clientes e, no ano seguinte, subiu para quase 1,5 milhão. Já em 2023, houve a entrada de 690 mil contratos. Em 2024 foram 400 mil novos usuários. Nos primeiros quatro meses de 2025, o setor registrou o incremento de 133,4 mil vidas, puxado pelas operadoras Amil e SulAmérica. Considerando apenas os primeiros três meses de 2025, o setor tinha queda de 70 mil usuários.

O levantamento é da consultoria Arquitetos da Saúde e difere dos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso porque o órgão regulador considera uma carteira de 580 mil usuários da Ipasgo, uma operadora pública de plano de saúde que atende aos servidores públicos e militares de Goiás desde 1962. Essa operadora passou a ser regulada pela ANS apenas em outubro de 2024. Houve inclusão retroativa, de 2019, e não a partir de 2024 quando efetivamente a Ipasgo tornou-se uma operadora regulada. 

Atualmente, 52,3 milhões de pessoas têm planos de saúde no Brasil, cerca de 25% da população do país. Esse é o mesmo patamar de dez anos atrás, mesmo com a inclusão de cerca de 4 milhões de contratos de convênio médico desde 2020. Antes da pandemia, o setor vinha perdendo clientes.

Nos últimos anos, o crescimento veio basicamente dos planos de saúde PME, em especial daquelas pequenas e médias empresas com até cinco usuários. Uma demanda que cresceu devido à falta de convênio médico individual, cujo reajuste é menor e controlado pela ANS. Hoje, já há 5,4 milhões de pessoas com esse produto, quase o mesmo volume dos planos de saúde por adesão (adquiridos por meio de entidades de classe) que, por sua vez, vêm perdendo mercado diante dos altos reajustes – em média, acima de 20%.

Muitos trocaram o adesão para o PME, mas os planos para pequenos empresários também passaram a ter aumentos elevados nos últimos anos. “O plano PME, que puxou a expansão do setor, parou de crescer. Os reajustes agora estão menores, mas lá atrás tiveram aumento forte”, disse Luiz Feitoza, sócio da Arquitetos da Saúde.

A desaceleração do crescimento é vista com preocupação, uma vez que há operadoras com práticas comerciais agressivas. O Bank of America (BofA) destacou em seu relatório que a “Amil tem adotado, desde dezembro de 2024, abordagem agressiva de crescimento, com descontos de até 40%, levantando preocupações sobre o crescimento e a lucratividade de seus concorrentes, especialmente, em São Paulo e Rio de Janeiro, onde detém 82% da base de beneficiários.”

Segundo fontes, a Amil tem ofertado novos planos de saúde com valores semelhantes ao da Hapvida, convênio médico que tem o menor preço do mercado devido a sua estrutura verticalizada.

Custo do convênio médico representa 15,8% da folha de pagamento das empresas”

— Rosimeire Muricy

A Amil informou por meio de comunicado que sua “eficiência no controle da sinistralidade com aumento da qualidade ao cliente, resultado do foco no cuidado médico efetivo, no combate à fraude e do alinhamento com sua rede médica credenciada, tem permitido à empresa proporcionar preços mais acessíveis ao consumidor e, consequentemente, um expressivo aumento da sua base de clientes.” Hapvida não retornou até o fechamento da reportagem.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informou que “um dos principais fatores a pressionar o reajuste das mensalidades de planos de saúde é a variação dos custos médicos, historicamente superior à inflação geral. Fatores estruturais explicam a aceleração dos preços da saúde suplementar, aqui e em todo o mundo: novas tecnologias cada vez mais caras, envelhecimento da população e predominância de doenças crônicas. No Brasil, porém, há fatores conjunturais, como o aumento contínuo do rol de cobertura obrigatória e a excessiva judicialização, muitas vezes voltada à obtenção de coberturas não previstas nos contratos.” A Abramge, associação das operadoras de planos de saúde, não vai se pronunciar.

Após reajustes elevados entre 2022 e 2024, as operadoras estão apresentando taxas pouco menor. No plano empresarial, a estimativa para este ano é de aumento médio de 17,32% contra 18,32% em 2023. No plano PME, as maiores operadoras estão aplicando majoração na casa de 15%, sendo que, em 2022, muitos contratos tiveram alta de 25%. No individual, a ANS estabeleceu índice de 6,06%, queda de 3,57 pontos percentuais em relação ao indicador de há dois anos.

Do total de usuários de planos de saúde no Brasil, 37,8 milhões, o equivalente a 72% do total, são funcionários de alguma empresa que concede o convênio médico como benefício. Em 2015, o gasto com plano de saúde equivalia a 11,5% do custo da folha de pagamento e, neste ano de 2025, esse percentual deve chegar a 15,8%, segundo a consultoria Mercer Marsh, que administra carteira com 5 milhões de usuários.

Em média, as empresas que são clientes da Mercer Marsh gastam R$ 709,50 com plano de saúde de cada funcionário. Há dez anos, esse valor era de R$ 225,23. “Os custos de saúde têm subido em forte velocidade o que têm sido um desafio às companhias”, disse Rosimeire Muricy, superintendente da Mercer Marsh Benefícios.

Com os reajustes elevados a partir de 2022, aumentou o número de empresas compartilhando a mensalidade do convênio médico com os funcionários. Há dez anos, 51% das empresas cobravam fatia do custo do convênio médico e esse percentual vinha em queda até 2021, quando atingiu 36%. No entanto, em 2023, subiu para 47% e atingiu 55% neste ano. “Estamos alertando as empresas, nossos clientes, que ao cobrar o plano de saúde do funcionário, do titular do plano, há um passivo sendo gerado. Em casos de demissão e aposentadoria, esses funcionários que contribuiram com uma parcela do plano tem direito a permanecer com o convênio”, disse Muricy.

Nos casos de contribuição por dez anos ou mais, o aposentado tem direito a permanecer com o convênio por prazo indeterminado, pagando do seu bolso o valor integral. Já aqueles que foram demitidos, podem manter o produto por seis meses a dois anos.

Essa regra vale apenas para as situações em que o titular paga uma fatia. Por isso, muitas empresas estão concentrando as cobranças nos dependentes dos funcionários. Em 2024, o custo médio de um plano de saúde para aposentado era de R$ 1,9 mil, sendo que para o funcionário ficava em R$ 642.

Historicamente, a inflação médica cresce acima do IPCA e vem se acentuando no mundo todo. Neste ano, a inflação médica no Brasil esperada é de 12,7% – acima da média global que é de 10,9%, segundo estudo da Mercer Marsh. No país, pesam nessa conta o envelhecimento da população, mudanças nas regras de cobertura dos planos de saúde que passou a permitir sessões em número ilimitado de terapias para pacientes TEA (transtorno do espectro autista) e judicialização.

Fonte: Valor Econômico

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Economia

Fronteiras viram termômetro da economia entre Brasil, Argentina e Paraguai

Reportagem do La Nación mostra como o câmbio afeta o comércio, o turismo e até a saúde na região da tríplice fronteira.

A tríplice fronteira não é um tema frequente na grande imprensa argentina. Mas, neste sábado (05), a edição do jornal La Nación, de Buenos Aires, traz uma reportagem de Erica Gonçalves que conseguiu captar como funciona a economia onde os três países se encontram.

A primeira constatação dela é o que qualquer um já percebeu: “As oscilações econômicas e a cotação das moedas determinam o ritmo de vida e as filas na tríplice fronteira”.

Já na fronteira do Brasil com a Argentina, ela viu que uma longa fila de pessoas aguardava para entrar no país vizinho, depois de fazer compras em Foz e em Ciudad del Este. “Sacolas de supermercado enchiam os porta-malas.”

O tráfego intenso, no horário em que ela passou, fazia com que os procedentes de Ciudad del Este levassem uma hora e meia para chegar à fronteira argentina.

A Argentina, hoje, tem uma oscilação de preços que faz com que os produtos adquiridos no Brasil se tornem mais atrativos.

“No Brasil, a carne pode custar a metade (do preço na Argentina); algumas frutas e verduras chegam a ser 70% mais baratas. No Paraguai, roupas e artigos para casa têm até 60% de diferença — o mesmo ocorre com alguns produtos em Foz do Iguaçu. Na gastronomia, cruzar a fronteira pode representar uma economia de até 30%”, contou a jornalista.

Segundo ela, melhores preços, atendimento profissional e restaurantes mais acessíveis levam todos os que vivem ou circulam pela região a comprar em Ciudad del Este e Foz.

Com Pix

Dalila, de 30 anos, moradora de Puerto Iguazú, contou a Erica que, uma vez por mês, vem a Foz e compra tudo o que precisa. Ela estava no Max Atacadista de Foz. “Aqui é muito mais barato: uma compra mensal me custa $220.000, enquanto lá a semanal sai por $120.000. Pago com Pix, que é como o Mercado Pago do Brasil”, contou, complementando que todos que têm carro, em Puerto Iguazú, fazem o mesmo.

“O ritmo das fronteiras muda conforme o câmbio”, afirmou Marcelo, argentino que mora em Ciudad del Este há mais de 15 anos.

“Eu cruzo todos os dias para levar passageiros e aproveito para comprar o que falta no dia. Levo de tudo porque vale metade”, disse Ezequiel, taxista de Puerto Iguazú, enquanto também fazia compras no Max Atacadista.

“Na alfândega, se for para consumo familiar, não tem problema.” Ele e sua esposa ainda se impressionam com as diferenças de preço: “5 kg de arroz aqui no Brasil custam R$17, ou $3.400 pesos argentinos. Na Argentina, 1 kg custa $2.200. A cartela de ovos em Foz sai por $4.400, e em Puerto, $7.300.”

Ele lembrou que, até um ano e meio atrás, Misiones estava cheia de brasileiros e paraguaios. “Agora os supermercados têm prateleiras vazias. O negócio ficou restrito aos turistas.”

Inversão

O gerente de uma multinacional americana lembrou que, “até uns oito meses atrás, todos cruzavam para Puerto Iguazú para comprar comida, jantar e abastecer. Agora mudou: é o lugar mais caro dos três”. “Hoje são os missioneiros que cruzam para fazer compras, e a fila mais crítica é a de saída. As fronteiras na região são um termômetro.”

Os táxis argentinos cobram cerca de $50.000 (R$ 218,00) para ir até Foz e voltar para Puerto com o porta-malas cheio. “Mesmo com esse custo, ainda vale a pena: a maioria dos produtos aqui (em Foz) custa a metade”, disse um taxista.

A jornalista do La Nación observou também que os paraguaios são fregueses dos supermercados de Foz. “Aqui é 30% mais barato”, disse a paraguaia Carolina, enquanto colocava as compras no carro. Ela afirmou que quase não vai mais para Puerto Iguazú. “Não vale mais a pena comprar lá.” Segundo ela, o controle migratório argentino desestimula: “É muita burocracia, e isso faz a gente perder tempo. A fila não compensa.”

“Hoje, 50% dos nossos clientes vêm do Paraguai e da Argentina”, disse Vinicius, funcionário do Max Atacadista. “Costumam vir bem cedo ou no fim do dia. O número de argentinos aumentou bastante depois da desvalorização do real. Eles compram de tudo”, afirmou.

Diante dos preços brasileiros, o setor de supermercados de Misiones se transformou. Ramón, com 20 anos de trabalho no supermercado Capicüa, contou que 80% das vendas vêm do turismo e que, hoje, os moradores de Puerto Iguazú compram apenas o necessário para o dia. “Os brasileiros ainda vêm comprar vinhos e itens finos. Antes levavam sem olhar o preço. Agora comparam.”

Para os missioneiros, os bons preços do Brasil e do Paraguai vão além dos supermercados e da eletrônica. “Em Ciudad del Este tem tênis falsificado com bom preço. Casacos de frio por US$20 e roupas de cama de qualidade”, disse Marisa, de Puerto Iguazú. Susana prefere o setor têxtil: “Compro roupas em Foz.” Os ônibus que vão a ambas as cidades tornam o deslocamento fácil.

Diana, dona da Mia Mía Boutique, em Puerto Iguazú, admite que as vendas caíram nos últimos seis meses. “Os preços do Brasil nos afetam muito. Só conseguimos manter o negócio porque temos clientes fiéis”, afirmou.

Liliana, funcionária do tradicional restaurante La Rueda, reconhece que a clientela da tríplice fronteira diminuiu. “Temos muitos clientes brasileiros, mas é verdade que, depois da pandemia, o movimento local caiu. Hoje, nosso foco são os turistas”, disse.

O restaurante 4 Sorelle, em Foz, atrai clientes da região. “Cerca de 20% vêm do Paraguai e da Argentina. É um número importante para nós: 90% deles são clientes habituais.”

Os vendedores da Feirinha de Puerto Iguazú — um mercado com produtos locais — dizem que a inflação pós-pandemia e a desvalorização do real afetaram os negócios. “Os clientes sempre dizem que antes era mais barato”, relatou Silvia, da Barraca Daloira.

O vinho argentino ainda é valorizado no Brasil. “Alguns compram por R$230 para revender por R$1.000”, disse Clara, funcionária da Argentinian Wine.

Ciudad del Este

Logo após o controle migratório paraguaio, começa o centro de Ciudad del Este, valorizado por quem busca preços baixos. Ao contrário das outras cidades, ela possui um regime aduaneiro especial, quase como uma zona franca. Os preços baixos são resultado de tarifas de importação reduzidas ou até nulas.

Trocas de moeda ocorrem o tempo todo. “Aqui tem de tudo, entendeu? De tudo mesmo”, disse Manuel, um cambista de 68 anos. “Por dia, passam cerca de 500 brasileiros e 300 argentinos. Muitos são moradores da tríplice fronteira.”

Os preços de Ciudad del Este atraem comerciantes do Brasil e da Argentina, mas as regulações impõem limites. “Em Foz só é permitido trazer até cinco peças iguais. Alguns contratam ‘passadores’ para levar o excedente”, disse uma vendedora de óculos.

Na Argentina, as compras não podem passar de US$300, e há quem contrate transporte irregular. “Custa US$35 para cruzar mercadoria de barco.”

“Nossos produtos custam 50% a mais no Brasil e o dobro na Argentina”, disse Luis, da Nasser Cubiertas (cubierta, em espanhol, é pneu). O mesmo ocorre com autopeças e artigos para casa.

Alguns setores sentiram o impacto das mudanças econômicas. “No inverno, os brasileiros vinham buscar casacos, mas agora diminuíram. O dólar está mais caro para eles”, disse Rosa, da loja Shopping Berlín. Atualmente, 15% dos clientes são de Puerto Iguazú.

Willy, de Santa Terezinha de Itaipu, cruza todos os dias para trabalhar como gerente na perfumaria Elegancia, em Ciudad del Este. “Muitos brasileiros trabalham no comércio paraguaio. No Brasil ganham R$1.500; no Paraguai, R$2.400.” No Brasil, os paraguaios dominam o setor da construção civil.

Empresários brasileiros também instalam seus negócios em Ciudad del Este. Ayham, há 25 anos no Paraguai, tem loja no Shopping Vendôme: “70% dos funcionários são de Foz. Só quatro são paraguaios.”

Nahiara, 18 anos, paraguaia, cursa Medicina na Universidade Privada do Este. “Na minha turma somos 123; só 30 são paraguaios, o resto é brasileiro.” Ela destaca que muitas universidades se instalaram ali para atender brasileiros.

Nataly, de Ciudad del Este, estuda Odontologia em Foz: “Busquei uma formação de qualidade”, e já precisou cruzar a ponte a pé para não perder aula.

Saúde

“Paraguaios e brasileiros não vêm mais comprar remédios aqui porque estão caros”, disse Natalia, da Macrofarma, em Puerto Iguazú. “Antes levavam tudo, agora parou. Depois da pandemia, os preços dispararam.”

Um analgésico que, na Argentina, custa US$2 sai por US$0,75 no Paraguai.

Farmácias de Foz confirmam: “Temos muitos clientes argentinos. Dizem que os preços lá estão 200% mais altos”, disseram funcionários da São João.

A saúde é motivo vital para cruzar a fronteira. “Vou tirar documentos argentinos para operar o joelho lá”, disse Daniel, de uma empresa de logística no Paraguai. “É mais barato, e os médicos são melhores. A saúde pública no Paraguai morreu.”

“Paraguaios com documentos brasileiros se tratam em Foz, e os com documentos argentinos, em Puerto Iguazú ou Eldorado”, disse Claudia, motorista de aplicativo. Muitos com câncer tentam tratamento fora. “Em Misiones há muito controle. Em Foz, cobram R$2.000 para simular que paraguaios vivem com eles e tenham acesso ao SUS.”

Foz atrai os de maior poder aquisitivo. “Famílias levam os filhos a pediatras de Foz. Também consultam oftalmologistas e ginecologistas lá”, disse Cecilia, moradora temporária do Paraguai.

“Os exames são bons. Quando o real está barato, compensa fazer os testes no Brasil”, completou.

Ezequiel, o taxista, confirmou: “Os ricos de Misiones se tratam em Foz. E também quem tem convênio com cobertura no Brasil”.

Fonte: Portal da Cidade

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Economia

Lula desafia supremacia do dólar: ‘Ninguém determinou que fosse a moeda padrão’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta 2ª feira (7.jul.2025) que ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão de negociação do mundo, tampouco houve um fórum internacional para que isso fosse discutido. Ele defendeu a necessidade de uma moeda unificada para o comércio entre os países do Brics.

“Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado? E obviamente que nós temos todas as responsabilidades de fazer isso com muito cuidado. Os nossos Bancos Centrais precisam discutir isso com os Bancos Centrais dos outros países, mas é uma coisa que não tem volta. Isso vai acontecer aos poucos, e vai acontecer até que seja consolidado”, disse os jornalistas depois da cúpula do bloco, no Rio.

A declaração do petista é um contraponto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). O norte-americano quer importar uma tarifa adicional de 10% para países alinhados às “políticas antiamericanas do Brics” . Em janeiro, Trump também disse que tributaria em 100% os países caso o grupo criasse uma moeda própria.

Segundo Lula, o mundo precisa encontrar um jeito que a relação comercial não precisa passar pelo dólar. “Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar, quando for com a Argentina, não precisa passar, quando for com a China, não precisa passar, quando for com a Índia, não precisa passar. Quando for com a Europa, discuta-se em euro”, disse.

Uma moeda do Brics é alvo de resistência entre os próprios países do bloco, como a Índia. A Rússia defende a medida. A presidente do NBD, o Banco dos Brics, a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, apoia a demanda russa. Seu mandato à frente do banco foi renovado em julho por indicação do presidente Vladimir Putin .

Fonte: Poder 360

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Economia

Custo da energia subiu quatro vezes mais que a inflação em 25 anos, aponta Abrace

Aumento expressivo dos gastos com eletricidade e gás natural pressionou o preço dos produtos e reduziu poder de compra

O custo com energia para a indústria subiu o equivalente a quatro vezes a inflação desde o ano 2000, aponta um estudo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) e da consultoria Ex Ante, divulgado nesta quinta-feira (3/7).

A associação teme que dispositivos da medida provisória 1300/2025, que trata da reforma do setor elétrico, encareçam ainda mais os custos para grandes consumidores de energia elétrica, especialmente os industriais do mercado livre, que poderão ter um acréscimo entre 80% e 200% no valor pago de Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) até 2038

Atualmente, a CDE é estimada em R$ 49,2 bilhões em 2025 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Energia cara impulsiona inflação

A pesquisa aponta que, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período foi de 375%, o custo com energia subiu 1.299%.

As estimativas incluem tanto os gastos com eletricidade e gás natural, que é utilizado por setores da indústria.

No caso do gás, o crescimento do preço do insumo no Brasil foi de 231%, enquanto os Estados Unidos tiveram um aumento de 127,5% e na Europa a alta foi de 100,2%.

Essa métrica é importante para ilustrar que a indústria brasileira perdeu competitividade frente a dois grandes mercados, explica a Abrace. E aponta que o consumo de energia industrial é o mesmo há 12 anos, indicando estagnação do segmento no Brasil.

O peso da energia trouxe impactos no poder de compra dos brasileiros. Entre todos os tipos de produtos e serviços na cesta de consumo das famílias, o levantamento mostra que a eletricidade influenciou em 233% de um total de 347% de inflação.

As passagens aéreas subiram 1.366% desde 2000, sendo 210% por conta dos combustíveis. O preço do pão francês aumentou 509,5%, com 435% diretamente puxados por conta da energia.

Entre as carnes, a disparada dos preços ficou acima de 700%, sendo que gastos extras com energia corresponderam a 399%.

Para o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, a inserção de subsídios na tarifa de energia fez com que os custos se tornassem um impeditivo para o crescimento econômico e impactassem diretamente os preços.

“O Brasil vem, nesses últimos 25 anos, consistentemente quebrando as metas de inflação. Essa quebra das metas da inflação está muito explicada pelo aumento do custo da energia, não o aumento para as famílias, mas aquele que vem através de tudo que é produzido no Brasil”, disse.

Alerta para novos custos com MP

A entidade se posiciona contra dispositivos da MP 1300/2025, a exemplo da realocação de encargos setoriais das usinas nucleares de Angra 1 e 2, que passarão a ser pagos pelos consumidores que migraram ao mercado livre de energia.

Embora elogie a intenção do governo em expandir a tarifa social de energia elétrica, o presidente da Abrace defende que as indústrias terão aumentos de custos e, portanto, haverá repercussões aos consumidores.

A associação entende que o Luz Para Todos e a Tarifa Social, programas sociais relacionados à energia elétrica, devem ser custeados pelo Tesouro Nacional.

A inserção de dispositivos que possam provocar aumentos ainda mais significativos na conta de luz é um temor para a entidade, já que ocorreram movimentos parecidos durante a análise de outros projetos.

Segundo Victor iOcca, diretor de energia elétrica da Abrace, o Congresso Nacional costuma “migrar jabutis” entre os projetos de lei, muitas vezes inserindo obrigatoriedade de contratação de energia mais cara.

“A MP 1300, do ponto de vista do setor produtivo, traz um impacto negativo expressivo, de até 20% no aumento do custo de energia no longo prazo. Infelizmente tem ali algumas propostas [emendas] que podem piorar esse cenário”, criticou.

Fonte: Eixos

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Economia, Tributação

IOF: Moraes suspende decretos e determina audiência de conciliação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu nesta sexta-feira (4) os efeitos de decretos da Presidência da República e do Congresso Nacional que tratam do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Concedo a medida cautelar, ad referendum do plenário desta suprema Corte, para suspender os efeitos dos decretos presidenciais 12.466/2025, 12.467/2025 e 12.499/2025, assim como do Decreto Legislativo 176/2025.”

Na decisão, Moraes determina ainda a realização de uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o tema. A audiência está agendada para o dia 15 de julho na sala de audiências da Corte, em Brasília.

“Comunique-se ao presidente da República e ao presidente do Congresso Nacional, para ciência e cumprimento imediato desta decisão, solicitando-lhes informações, no prazo de cinco dias.”

Conforme consta na decisão, também devem participar do encontro a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU). “Após a realização da audiência de conciliação, será analisada a necessidade de manutenção da medida liminar concedida”, destacou o ministro.

A decisão

No documento, Moraes lembra da importância da harmonia entre os poderes, além da independência entre eles. Também cita “fortes argumentos que indicam a existência de razoabilidade na imediata suspensão da eficácia dos decretos impugnados”.

“Inclusive porque esse indesejável embate entre as medidas do Executivo e Legislativo, com sucessivas e reiteradas declarações antagônicas, contraria fortemente o artigo 2º da Constituição Federal que, mais do que determinar a independência dos poderes, exige a harmonia entre eles, como princípio básico e inafastável de nosso Estado Democrático de Direito em busca do bem comum para toda a sociedade brasileira.”

Entenda

No fim de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decreto que aumentava o IOF para operações de crédito, de seguros e de câmbio. O documento fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal.

No início de junho, o governo reverteu parte das elevações do IOF, mas editou uma medida provisória (MP) que aumenta outros tributos. Também em junho, a derrubada do decreto foi pautada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. Cerca de duas horas após ter sido derrubado, o decreto também foi rejeitado em votação simbólica no plenário do Senado Federal.

Na última terça-feira (1º), a Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no intuito de reverter a derrubada do decreto. Segundo o ministro da AGU, Jorge Messias, a ação declaratória de constitucionalidade (ADC) foi apresentada após solicitação feita por Lula e com base em estudo técnico e jurídico solicitado ao órgão na semana anterior.

O ministro Alexandre de Moraes foi escolhido relator da ADC protocolada pela AGU para reconhecer a validade do decreto editado pelo presidente. Moraes vai comandar o caso porque já atua como relator de dois processos que tratam do assunto. As ações foram protocoladas pelo PL e pelo PSOL. Não há data para decisão do ministro.

FONTE: Agencia Brasil.

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Economia, Mercado Internacional, Notícias

No Brics, Lula defende adoção de nova moeda de comércio entre países

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (4/7), a discussão sobre a adoção de uma nova moeda para transações comerciais entre os países do Brics. Atualmente, o grupo discute mecanismos para reduzir a dependência do dólar.

O chefe do Planalto reconheceu que há entraves políticos sobre a questão, mas defendeu a necessidade de “encontrar uma nova fórmula”.

“A discussão de vocês sobre a necessidade de uma nova moeda de comércio é extremamente importante. É complicado. Tem problemas políticos, eu sei. Mas, se a gente não encontrar uma nova fórmula, a gente vai terminar o século 19 igual começou o século 20, e isso não será benéfico para a humanidade”, destacou Lula.
A declaração ocorreu durante a cerimônia de abertura da 10ª reunião anual do conselho do NDB, o chamado Banco do Brics. No discurso, o petista pediu que a presidente da instituição financeira, Dilma Rousseff, converse com outros bancos multilaterais, com o objetivo de avançar com discussão.

Ele defendeu a criação de modelos de financiamento e criticou o de austeridade, que costuma ser adotado por grandes bancos como condição para a concessão de empréstimos.

“A chamada austeridade exigida pelas instituições financeiras levou os países a ficarem mais pobres. Porque toda vez que se fala em austeridade, o pobre fica mais pobre e o rico fica mais rico”, criticou Lula.

Fonte: Metrópoles

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