Economia

TARIFAÇO: Supermercados projetam queda de US$ 40,4 bilhões na economia do Brasil

O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA), que reúne associações ligadas às redes de supermercados, enviou um relatório ao governo federal para alertar sobre os impactos do tarifaço dos Estados Unidos na economia e no consumo, a partir do cenário atual de sobretaxas de 50% sobre o Brasil.

Segundo o estudo enviado pelo grupo, se não houver mudanças no médio prazo, a economia brasileira pode perder US$ 40,4 bilhões em 12 meses, o que significaria uma redução de 1,8 ponto percentual no PIB. De acordo com o relatório, essa situação derrubaria o crescimento esperado para 2025, de 3,2%, para 1,3%.

Associações ligadas a redes de supermercados apresentam lista de medidas ao governo

O estudo aponta que o setor mais exposto neste momento é a indústria de transformação, que pode ter retração de até 5,6 pontos percentuais no cenário mais grave, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa sofreriam menos por terem maior capacidade de redirecionar commodities para outros mercados.

O documento também traça cenário de impactos negativos sobre a arrecadação federal, com perdas de até 2% no curto prazo, além de pressão sobre o emprego.

Sem medidas de fomento ao mercado interno, projeta-se uma redução de 179 mil postos de trabalho no curtíssimo prazo (até seis meses após a entrada em vigor da tarifa), até 287 mil postos no médio prazo (18 a 36 meses).

“O FCNA manifesta sua profunda preocupação com os impactos econômicos e sociais potenciais, em especial sobre setores que lideram as exportações brasileiras de alimentos, bebidas e insumos industriais, como café, carnes, frutas e derivados agroindustriais”, afirma o documento, que foi enviado na quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de oito ministros.

Para enfrentar o choque, o Fórum das associações propõe um conjunto de medidas para fortalecer o mercado interno. Entre elas, menciona a necessidade de antecipar a vigência da cesta básica nacional de alimentos com isenção tributária total.

O setor pede, ainda, “aceleração da redução da taxa Selic e ampliação do crédito produtivo”, além de “desoneração e simplificação das contratações formais, com foco nas pequenas e médias empresas”.

As demandas também incluem a criação de um programa emergencial de apoio aos setores mais impactados, com refinanciamento de passivos e compra pública de excedentes de produção, além de “medidas fiscais estruturantes, com foco no equilíbrio orçamentário”.

Segundo o Fórum, se as ações forem adotadas de forma coordenada, será possível neutralizar grande parte dos efeitos recessivos e de perda de empregos provocados pelo tarifaço.

Apesar do cenário traçado pelo setor, a imposição de tarifa de 50% feita por Donald Trump não causou uma mudança significativa nas expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para os principais índices da economia nacional.

O boletim Focus da segunda-feira (4) apresentou uma queda na previsão para a inflação e manteve a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto), o dólar e a taxa de juros deste ano.

A expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu pela décima semana seguida, indo de 5,09% para 5,07%. Os analistas também reduziram o IPCA de 2026 para 4,43%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à semana passada. Já a expectativa para 2027 e 2028 segue em 4% e 3,8%, respectivamente.

Com isso, o mercado manteve a expectativa que a inflação fique no limite da meta no próximo ano. O objetivo é alcançar uma alta de preços anual de 3%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo.

Além da inflação, o outro índice que teve alteração na comparação com o último boletim foi o PIB, que teve uma redução em 2026 (de 1,89% para 1,88%) e 2027 (de 2% para 1,95%). Neste ano, a perspectiva é que o crescimento econômico seja de 2,23%, patamar mantido pela quarta semana consecutiva.

O documento é endossado por 15 instituições:

Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), Abralog (Associação Brasileira de Logística), Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), ANR (Associação Nacional de Restaurantes) e CropLife Brasil (Associação de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para a Produção Agrícola Sustentável).

Fonte: Blog do BG

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Industria

China reforça parceria com o Brasil e destaca importação do açaí

Em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a China voltou a demonstrar, publicamente, seu interesse em importar produtos brasileiros. O destaque mais recente foi uma postagem feita nesta quarta-feira (7) pela embaixada chinesa no Brasil, que promoveu o açaí como um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses e símbolo do comércio entre os dois países.

A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que destacou a iniciativa como parte da estratégia chinesa de estreitar os laços com o Brasil em um momento de tensões entre Brasília e Washington. Na publicação, feita na plataforma X (antigo Twitter), a embaixada chinesa afirma: “O Brasil é o maior exportador de açaí do mundo. O sabor único e os benefícios à saúde fazem dele um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses”. A postagem foi acompanhada por imagens do fruto e emojis de corações.

O gesto é interpretado como um aceno diplomático e comercial diante das recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que elevaram tarifas sobre diversas exportações brasileiras, incluindo carne, café e suco de laranja. A atitude de Pequim reforça a disposição da China em ampliar sua presença no mercado brasileiro e fortalecer o fluxo bilateral de comércio.

A sinalização é clara: enquanto os Estados Unidos fecham portas, a China amplia oportunidades. A recente aprovação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado chinês, válida por cinco anos, e a promoção de itens como o açaí, fazem parte de um conjunto de iniciativas que visam consolidar o Brasil como fornecedor estratégico em tempos de reconfiguração do comércio global.

Fonte: Brasil247

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Economia

Ata do Copom reforça mensagem de que Selic ficará inalterada em 15% no início de 2026

Segundo o documento, diretores do Banco Central têm acompanhado os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil

Os diretores do Banco Central (BC) sinalizaram nesta terça-feira, 5, que os juros permanecerão inalterados em 15% ao ano até o início de 2026. Segundo os membros do Comitê de Política Monetária (Copom), apesar das surpresas baixistas da inflação no curto prazo, o cenário segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. As informações foram divulgadas na ata da última reunião do colegiado.

“O Comitê avalia que, após um ciclo rápido e firme de elevação de juros, antecipa-se, como estratégia de condução de política monetária, continuar a interrupção do ciclo de alta para observar os efeitos do ciclo empreendido. Ressaltou-se que, determinada a taxa apropriada de juros, ela deve permanecer em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado devido às expectativas desancoradas. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, informou o BC.

Os membros do Copom também afirmaram que têm acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos Estados Unidos de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. A política fiscal expansionista do governo é outra fonte de preocupação do colegiado.

“Além disso, [o Copom] segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, informaram os diretores do BC. 

Para os membros do Copom, o mercado de crédito tem dado sinais de desaceleração, diante dos juros altos. Além disso, no crédito às pessoas físicas, há um aumento do comprometimento da renda familiar com o serviço das dívidas e um aprofundamento do fluxo de crédito negativo, ou seja, maior pagamento do que contratação de dívida por parte das pessoas físicas, segundo os diretores do BC.

“Em contraposição ao mercado de crédito, o mercado de trabalho segue dinâmico. Tanto do ponto de vista de renda, com ganhos reais consistentemente acima da produtividade, como do emprego, com redução expressiva da taxa de desemprego para níveis historicamente baixos, o mercado de trabalho tem dado bastante suporte ao consumo e à renda”, informaram os membros do Copom.

Fonte: Exame

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Economia, Finanças, Informação, Negócios

Ouro fecha em alta, seguindo payroll enfraquecido e mudanças em cargos nos EUA

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda-feira

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda, 4, em uma sessão na qual as perspectivas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) foram reforçadas, o que tende a apoiar os preços. O movimento segue a divulgação de dados de emprego abaixo do esperado no Estados Unidos, além das possíveis indicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para certos cargos, como a substituição da diretora do Fed, Adriana Kugler. No radar seguem ainda os desdobramentos das tensões geopolíticas.

O ouro com vencimento em outubro encerrou em alta de 0,78%, a US$ 3.399,50 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex).

“A ameaça de tarifas secundárias e as tensões renovadas com a Rússia destacam a importância de se proteger contra a incerteza geopolítica”, aponta o UBS. “Observamos também que mudanças institucionais, como a recente da comissária do Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês), e as mudanças na liderança do Fed, podem aumentar a sensibilidade do mercado em relação aos sinais de política monetária e à independência institucional”, aponta o banco.

“Acreditamos que uma alocação em ouro continua sendo uma proteção eficaz contra a incerteza geopolítica e política residual. Mantemos nossa meta de US$ 3.500 a onça-troy e não descartamos a possibilidade de os preços ultrapassarem esse nível se os riscos aumentarem”, conclui.

Na avaliação do Swissquote Bank, a “boa notícia” do payroll de julho é que reacendeu os temores de recessão, que turbinaram as expectativas de corte de juros, mas a “má notícia” é que a economia fraca não fazia parte da promessa de Trump. “Cortar juros no momento errado não salvará os mercados magicamente, e usar o BLS como bode expiatório para o resultado das políticas caóticas de seu governo corre o risco de prejudicar a credibilidade dos dados econômicos dos EUA”, avalia.

Fonte: Estadão

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Economia, Exportação, Investimento

China libera 183 empresas do Brasil para exportar café após tarifaço dos EUA

O interesse de investidores chineses pelo Brasil está em expansão e ganha novos contornos, o país asiático vem ampliando sua presença tanto em grandes projetos de infraestrutura quanto em setores voltados ao mercado interno, como consumo e serviços, ao mesmo tempo em que enfrenta tensões com os Estados Unidos, presididos por Donald Trump, em seu segundo mandato.

Segundo dados do Banco Central, apenas no primeiro semestre de 2025 os investimentos diretos chineses em participação de capital no Brasil somaram US$ 379 milhões, superando qualquer resultado anual desde 2018. Embora os números oficiais coloquem a China como a décima maior investidora, especialistas alertam que parte relevante do capital chega por meio de países intermediários, como Holanda e Luxemburgo. “Não necessariamente os números oficiais refletem o volume de atividade que vemos de empresas chinesas, porque, muitas vezes, o investimento não vem diretamente da China”, explica Stephen O’Sullivan, especialista em Societário e M&A do escritório Mattos Filho. Ele destaca o crescimento da procura de grupos chineses e cita operações recentes em mineração e petróleo.

A diversificação é visível. No setor de infraestrutura, projetos de peso estão em curso: a CRRC, fabricante de trens, abrirá fábrica em Araraquara (SP) e assinou contrato para fornecer 44 trens ao Metrô de São Paulo. A CCCC (China Communications Construction Company) é apontada como interessada no leilão do túnel Santos-Guarujá, enquanto a State Grid lidera obras de transmissão elétrica de R$ 18 bilhões e a Cofco instala terminal de grãos no Porto de Santos. Além disso, chineses miram portos e ferrovias estratégicas, com atenção especial ao megaterminal Tecon 10.

O movimento também atinge o mercado interno. Empresas como a Shein, Meituan e a rede de bebidas Mixue indicam o avanço chinês em consumo, delivery e serviços, áreas menos dependentes de licenciamento e regulação. “Temos uma população cada vez mais de classe média e consumidora, com interesse em tecnologia. É um mercado interessante para empresas chinesas”, afirma O’Sullivan. Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management e diretora do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), acrescenta que o fluxo cresce à medida que os chineses conhecem melhor os riscos e oportunidades do país.

O fortalecimento dos laços bilaterais também tem dimensão geopolítica. O Brasil, membro fundador do Brics, discute adesão à Iniciativa Cinturão e Rota e firmou recentemente um megaprojeto ferroviário ligando o Atlântico ao Pacífico. Para analistas do Deutsche Bank, a aproximação com Pequim pode ter influenciado a decisão de Trump de aplicar tarifas de 50% a produtos brasileiros, em meio à estratégia dos EUA de conter a expansão chinesa.

Especialistas ressaltam, contudo, que o investidor chinês mantém cautela diante de volatilidade cambial, juros elevados e complexidade regulatória no Brasil. Ainda assim, a conjunção de crescimento econômico, abundância de recursos naturais — incluindo as “terras raras”, essenciais para alta tecnologia — e mercado consumidor em expansão reforça a atratividade brasileira para o capital da China.

Fonte: G1

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Impacto de tarifaço no lucro da ArcelorMittal pode chegar a US$ 150 milhões

A ArcelorMittal elevou sua estimativa sobre o impacto financeiro das tarifas dos Estados Unidos, e agora espera que as alíquotas reduzam seu lucro operacional em US$ 150 milhões este ano, acima dos US$ 100 milhões previstos em fevereiro. A segunda maior siderúrgica do mundo está respondendo às medidas com um aprofundamento de sua produção nos EUA, disse o diretor financeiro da ArcelorMittal, Genuino Christino, nesta quinta-feira (31). “O que fornecemos do Canadá para os EUA é material de alto valor agregado que não pode ser facilmente substituído”, disse Christino em entrevista. “Nosso foco é trabalhar com os clientes para garantir que possamos continuar a fornecer, proteger a participação no mercado e ainda obter uma margem.” A empresa está buscando várias opções, incluindo estender as tarifas aos clientes e cortar custos, ele acrescentou.

A ArcelorMittal também está se movimentando para expandir sua presença nos EUA. Em junho, a empresa finalizou a aquisição da participação de 50% da Nippon Steel na joint venture Calvert, assumindo o controle total da instalação localizada no Alabama. Christino disse que o acordo está prestes a transformar a presença do grupo no mercado.

FONTE: CNN Brasil

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Economia

Ibovespa cai e dólar sobe com reação do mercado ao tarifaço

Na Europa, os principais índices fecharam em queda. Já na Ásia, as bolsas oscilaram.

O mercado financeiro avalia, nesta quinta-feira (31), os efeitos do tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump ao Brasil. O dólar oscila durante todo o dia. No começo da tarde, operava em leve alta de 0,03%, cotado aos R$ 5,59. Já o Ibovespa caia 0,57%, aos 133.229 pontos.

Na Europa, os principais índices fecharam em queda:

  • Stoxx 600: queda de 0,71%, aos 546,34 pontos;
  • FTSE 100 (Londres): queda de 0,08%, aos 9.130,04 pontos;
  • DAX (Frankfurt): queda de 0,81%, aos 24.065,47 pontos;
  • CAC 40 (Paris): queda de 1,14%, aos 7.771,97 pontos;

Na Ásia, os principais índices oscilaram:

  • Nikkei 225 (Tóquio): alta de 1,1%, para 41.069,82 pontos;
  • Kospi (Seul): queda de 0,3%, para 3.245,44 pontos;
  • Hang Seng (Hong Kong): queda de 1,5%, para 24.803,18 pontos;
  • Xangai Composto (Xangai): queda de 1,2%, para 3.573,21 pontos;
  • S&P ASX 200 (Austrália): queda de 0,2%, para 8.742,80 pontos;
  • Taiex (Taiwan): alta de 0,3%, para 23.542,52 pontos;
  • BSE Sensex (Índia): alta de 0,2%, para 81.642,81 pontos.

Impacto para os setores

Quase 60% dos produtos brasileiros ainda serão taxados em 50% quando entrarem nos Estados Unidos, se não houver acordo. A medida assinada pelo presidente Donald Trump afeta produtos como o café, frutas, pescado e carne bovina.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé, Marcos Matos, disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as negociações continuam em andamento.

Ele ressaltou que, apesar das tarifas, uma queda do preço do café no mercado interno não deve acontecer no momento. Marcos Matos explica que isso depende de outros fatores:

“O mercado já começou a trabalhar. As tarifas são só mais um item dessa equação, mais uma variável – ela é incerta porque, a todo momento, também as condições mudam, os acordos comerciais com cada país mudam. Continuamos a trabalhar para que a gente consiga colocar o produto na lista de exceções, mas sempre buscando o diálogo entre os dois países que é primordial também”, afirmou.

O setor de pescados também ficou de fora da lista de exceções. Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor-executivo da ABIPESCA, Jairo Gund, explicou que as exportações serão inviáveis para o mercado americano.

“Estamos vivendo talvez o momento mais sensível da história recente do nosso setor. E, agora, a gente fica numa situação onde temos a perda total de de competitividade, comparado com os nossos principais concorrentes externos. Fica completamente inviável. Já estava tendo retenções de embarque pelo receio da confirmação da entrada em vigor -que se confirmou na data de ontem. Agora, nós teremos um impacto severo na redução da produção primária”, explica.

Os mercados caribenho e asiático, que são os concorrentes, também foram tarifados, mas em taxas menores do que a do Brasil.

Uma situação similar atinge o setor de carnes. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, a carga tributária total ultrapassaria os 76%, dificultando o processo. A Abiec afirmou em nota que ainda busca uma negociação com os importadores norte-americanos e com o governo brasileiro.

A tarifa também afetará a competitividade dos derivados de cacau brasileiro e pode gerar riscos fiscais e operacionais para o setor. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, os Estados Unidos responderam por 18% do valor total exportado pelo Brasil.

A Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados ainda acompanha o desdobramentos de negociações entre os dois países.

Em relação ao setor do Alumínio, a Associação Brasileira do Alumínio estima um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para o setor. De acordo com a Abal, as tarifas também ameaçam a cadeia de reciclagem.

Fonte: CBN

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Economia

Brasil tem 2ª maior taxa de juros real no mundo com Selic a 15%; veja lista

Copom manteve taxa básica no maior patamar desde 2006

Brasil segue com o 2º maior juro real do mundo após o BC (Banco Central) manter a Selic em 15%, em decisão divulgada nesta quarta-feira (30). É o que mostra um levantamento da consultora econômica MoneYou, que leva em consideração 40 países das Américas, África, Ásia, Europa e Oceania.

A taxa básica real do país é de 9,76%, atrás apenas da Turquia, a 10,88%. No mês passado, esses números eram, respectivamente, 9,53% e 14,44%.

O que são juros reais?

Os juros reais são a diferença entre a taxa nominal e a inflação, e, mais do que a taxa bruta, é o número que de fato afeta a economia.

O cálculo considera tanto a inflação quanto os juros futuros, estimados pelo mercado para 12 meses à frente, já que a tendência futura dessas duas variáveis é o que realmente influencia no andamento da economia e nas decisões do BC para a Selic.

Para a taxa brasileira, a metodologia usou a inflação projetada para os próximos 12 meses pelo mercado e coletada pelo Boletim Focus, que é de 4,53%.

Também foi considerada a taxa de juros DI a mercado dos próximos 12 meses, aproximadamente, no vencimento mais líquido, em julho de 2026.

Selic segue em 15%

Por volta das 18h30 desta quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) confirmou o encerramento do ciclo de aperto monetário, mantendo a taxa no patamar de 15% ao ano, o mais elevado desde 2026.

O voto foi unânime pela manutenção dos juros, movimento que veio em linha com a ampla expectativa do mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Economia, Informação, Tributação

Banco Central interrompe ciclo de alta dos juros e mantém Selic em 15% ao ano

Após 10 meses subindo juros, diretores do Copom decidiram, de forma unânime, encerrar ciclo; é o maior nível da Selic desde 2006.

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (30), de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. Com a decisão, o BC interrompe o ciclo de sete altas consecutivas iniciado em setembro de 2024.

A expectativa predominante entre analistas financeiros indicava estabilidade no patamar atual — o maior desde 2006.

A nova taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.

Na reunião anterior, o comitê já havia demonstrado inclinação para pausar o aperto monetário. Mas reforçou o compromisso com a estabilidade dos preços.

Os diretores destacaram a necessidade de manter uma política monetária “significativamente contracionista por período prolongado”, diante da resiliência da inflação, da atividade econômica aquecida, de pressões sobre salários e expectativas desancoradas.

O que é a Selic?

A Selic é o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Juros mais altos encarecem o crédito, desestimulam a produção e o consumo, e podem frear o crescimento econômico.

Na prática, quando a taxa sobe, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartões de crédito aumentam, desestimulando o consumo e contribuindo para a redução da inflação.

Como você comentou sobre a taxa de juros, vamos aprofundar um pouquinho sobre isso,Play Video

Banco Central deve manter juros em 15%, e economista critica: ‘É uma taxa de agiotagem’por EconomiaPlayVoltar 10 segundosAvançar 10 segundosMudo.

Superquarta no Brasil e nos EUA

O anúncio desta quarta-feira ocorre durante a chamada “superquarta” — quando decisões sobre juros são divulgadas simultaneamente por autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos.

O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve sua taxa no intervalo entre 4,25% e 4,5%.

No final de 2024, em resposta à valorização do dólar e ao avanço inflacionário, o Banco Central brasileiro intensificou os ajustes na Selic com o objetivo de conter o consumo e pressionar os preços para baixo.

Histórico

Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.

Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%.

Desde então, houve sete aumentos sucessivos, até atingir os atuais 15% — o nível mais elevado desde 2006.

Fonte: R7

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Economia

Economia melhora, e Argentina reabre mercado para o Brasil

A ligeira melhora econômica obtida pelo governo do presidente Javier Milei e a valorização – em alguma medida artificial – do peso têm impulsionado a retomada das exportações brasileiras para a Argentina. O movimento traz alento ao setor externo brasileiro, que sofre com preços mais baixos de commodities e incerteza nas relações comerciais com os Estados Unidos.

As exportações para a principal economia do planeta vinham crescendo nos últimos anos – ainda que longe de ameaçar a liderança da China -, mas devem sofrer um baque com o cada vez mais provável início das tarifas de 50% para produtos brasileiros anunciado pelo presidente Donald Trump. Embora a pauta de exportação brasileira para ambos os países tenha perfil menos dominado por commodities e com maior presença de produtos de maior valor agregado, economistas se dividem sobre a capacidade do vizinho de absorver parte da produção normalmente dirigida aos EUA.

Entre janeiro e junho, as exportações à Argentina somaram US$ 9,120 bilhões, alta de 55,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Com isso, o país assegura o posto de terceiro principal destino dos produtos brasileiros, que chegou a ser ameaçado em 2024 pela Holanda.

Confira abaixo as exportações Brasileiras para a Argentina de 2022 a 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras à Argentina | 2022 – 2025 | TEU

A recuperação das compras pela Argentina é algo que já era perceptível desde o fim do ano passado, nota Gabriela Faria, economista da Tendências Consultoria. “O perfil das nossas exportações segue parecido: veículos de passeio, partes e acessórios para veículos, produtos industriais, máquinas elétricas e outros itens relacionados à indústria de transformação, como plástico”, explica.

Individualmente, a categoria veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios lidera o crescimento das exportações em valor, com crescimento de 121,8% no primeiro semestre, na comparação com igual período de 2024, segundo dados da Secex.

Já de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos ao vizinho cresceram 59,8% nos seis primeiros meses do ano, para 264 mil. Já a participação da Argentina no total exportado quase dobrou, de 34% para 60%. É também o patamar mais alto desde 2018 (68%).

“O câmbio argentino se valorizou muito no período, prejudicou a competitividade do produto de lá. Como as montadoras que atuam aqui e lá são as mesmas, existe uma estratégia de exportar a partir do Brasil, inclusive para lá”, diz Lia Valls, coordenadora do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), do FGV Ibre.

Desde dezembro de 2023, quando Milei assumiu a Presidência, o peso acumula valorização nominal de 54,8%. De lá para cá, a política de choque econômico também começa a render frutos. Após contrair 1,7% em 2024, o PIB do país cresceu 0,8% no primeiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior, e 5,8% ante igual período de 2024.

Segundo analistas, a recuperação das compras argentinas foi puxada principalmente pela forte expansão do consumo das famílias e dos investimentos, que também levou as importações a um salto: alta de 42,8% no período.

Outro fator que tem ajudado o exportador brasileiro é a derrubada de barreiras não tarifárias, como licenças de importação e restrições a pagamentos, nota o ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria BMJ, Welber Barral.

“Era algo muito complicado. Já recebi ligação de cliente meu dizendo que esperava há 12 meses autorização para receber pagamento por parte do banco central argentino”, conta.

A situação agora é outra, continua. As reclamações são cada vez menos numerosas, e a recuperação econômica também tem despertado o interesse de empresas brasileiras em investir no vizinho. Barral cita a aprovação recente do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) – que busca dar segurança ao investimento estrangeiro e também benefícios fiscais, aduaneiros e cambiais – como fator que tem ajudado a aumentar o interesse em se instalar por lá, em especial por empresas do setor agrícola e de mineração.

Outro setor que tem se beneficiado dessa retomada foi o de máquinas. Segundo dados da Abimaq, houve crescimento de 55,3% das vendas do setor nos seis primeiros meses, totalizando US$ 760,2 milhões.

“Todos os setores tiveram crescimento das compras argentinas, exceto máquinas para petróleo e energia renovável”, nota a diretora-executiva de Mercado Externo da Abimaq, Patricia Gomes.

A Argentina é o segundo maior comprador do setor representado pela Abimaq, com 13,4% das exportações, atrás apenas dos Estados Unidos. Para Gomes, os sinais são positivos, mas uma recuperação maior ainda precisa ser encarada com cautela.

“O cenário agora é diferente, existe mais concorrência, principalmente por parte dos países asiáticos. Além disso, o cenário internacional não ajuda, já que este é um setor muito sensível a problemas de confiança sobre a economia”, diz.

Para Livio Ribeiro, sócio da consultoria BRGC e pesquisador do FGV Ibre, a recuperação das vendas à Argentina ocorre mais por conta da base de comparação ruim. “Ano passado foi catastrófico do ponto de vista do crescimento econômico. Esse ano, com a melhora do ambiente econômica, sistema de preços funcionando, a economia pega no tranco”, diz. As vendas ao país vizinho seguem distantes do pico mais recente, em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,7 bilhões para lá.

A retomada do parceiro do Mercosul, por outro lado, pode ajudar o Brasil na dura tarefa de redirecionamento das exportações tradicionalmente destinadas aos Estados Unidos, mas que devem sofrer com a possível chegada do tarifaço promovido por Donald Trump.

“Não é exatamente a mesma cesta – os EUA compram muito avião, por exemplo, que não serão comprados pela Argentina. Mas ambos têm um perfil similar no sentido de que importam bens industriais, muito comércio intrafirma. É muito diferente da pauta média brasileira de exportação, concentrada em commodities”, explica Ribeiro. “Então a Argentina é um candidato mais adequado que outros parceiros para esse redirecionamento.”

Já a diretora da Abimaq é mais cética quanto a essa possibilidade. “É um mercado natural, já que faz parte do Mercosul. As empresas que começam a exportar naturalmente olham a América do Sul e Argentina. Só que não é uma mudança fácil nem rápida de se processar”, diz. “Muitas empresas são de capital americano e produzem aqui de olho no mercado americano. Além disso, as empresas podem fazer muitas exigências de ordem técnica, o que dificulta o processo.”

Barral também vê um potencial pequeno nesse sentido. “Em vários produtos que o Brasil exporta para os EUA – frutas, grãos, carnes -, a gente compete com a Argentina. Além disso, o mercado argentino é muito menor que o americano”, sintetiza.

Fonte: Valor Econômico

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