Economia

China impulsiona uso do yuan na Ásia e reduz dependência do dólar

A China vem intensificando sua estratégia de ampliar o uso do yuan no comércio internacional, movimento que tem levado países asiáticos a diminuírem a dependência do dólar. A iniciativa, liderada por Pequim, inclui acordos com nações do Sudeste Asiático para viabilizar pagamentos em moedas locais e na divisa chinesa.

Acordos com a ASEAN fortalecem integração financeira

Os países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão no centro dessa transformação. A China tem firmado parcerias que permitem transações diretas em moedas locais e yuan, utilizando diferentes sistemas digitais adaptados a cada mercado.

Na Indonésia, por exemplo, foi lançado recentemente um sistema de pagamentos internacionais via QR Code, que possibilita transações entre países sem a necessidade de conversão para o dólar. A solução é vista como um avanço na integração econômica regional e na redução de riscos cambiais.

Pagamentos digitais ampliam uso do yuan

Outros países da região também avançam nessa direção. Na Tailândia, turistas chineses já utilizam carteiras digitais para pagamentos em yuan desde 2025. Iniciativas semelhantes estão em andamento no Vietnã, Malásia e Singapura, fortalecendo o comércio regional com menor dependência da moeda americana.

Além disso, autoridades financeiras chinesas têm intensificado o diálogo com bancos centrais asiáticos. Representantes da China participaram recentemente de encontros com membros da ASEAN, além de Japão e Coreia do Sul, para aprofundar a cooperação monetária.

Estratégia de desdolarização ganha força

O avanço faz parte de uma política mais ampla de desdolarização, que busca reduzir a influência do dólar nas transações globais. Ao mesmo tempo, a China tenta consolidar o yuan como alternativa viável no sistema financeiro internacional.

A estratégia também responde a tensões geopolíticas e ao receio de que o dólar seja utilizado como instrumento de pressão econômica. Nesse cenário, o fortalecimento de uma rede própria de pagamentos surge como prioridade para Pequim.

Sistema chinês de pagamentos cresce

Um dos pilares dessa estratégia é o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS), desenvolvido como alternativa a plataformas ocidentais. A adesão crescente de bancos internacionais ao sistema tem ampliado a eficiência das operações comerciais com a China.

Com isso, analistas projetam um aumento no volume de transações internacionais em yuan, consolidando a moeda como uma opção mais robusta no comércio global.

Turismo e consumo também entram na estratégia

A China também aposta no turismo como ferramenta para expandir o uso da moeda. O país tem facilitado regras de visto e incentivado viagens entre nações asiáticas, estimulando gastos diretamente em yuan.

A Indonésia ilustra esse movimento: em 2025, recebeu cerca de 1,34 milhão de visitantes chineses, o maior número em seis anos. O fluxo também ocorre no sentido inverso, com a China figurando entre os destinos mais procurados por turistas indonésios.

Essa dinâmica fortalece o consumo e contribui para a expansão do uso internacional da moeda chinesa, alinhando-se aos objetivos econômicos do país.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jenhung Huang/Getty Images

Deixe um comentário

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook