Comércio Exterior

Catarinense atua na linha de frente da negociação contra o tarifaço em Brasília: “Desafiador”

Natural de Florianópolis, Tatiana Lacerda Prazeres atua como secretária nacional pela segunda vez.

“Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Foi essa frase que a catarinense Tatiana Lacerda Prazeres ouviu do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, ao ser convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 2023. Natural de Florianópolis, a profissional tem mais de 20 anos de carreira e esta é a segunda vez que atua na pasta. Entretanto, neste ano, ela enfrenta um novo desafio na carreira: estar na linha de frente da negociação do tarifaço, imposto pelos Estados Unidos ao Brasil no início de agosto.

— Eu lembro que estava de férias em Florianópolis. Comprei uma passagem, vim para Brasília e eu lembro que fiquei muito emocionada quando ele me olhou e disse: “Ah, muito prazer em conhecer você. Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Eu falei: “Nossa, que bonito, que momento de carreira, recompensador” — relembra Tatiana.

Quem é a catarinense secretária de Comércio Exterior

Nascida em Florianópolis, capital do Estado catarinense, Tatiana Lacerda Prazeres é graduada em direito e relações internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali), respectivamente. Tatiana conta que os temas internacionais, que impactam todo o mundo, sempre despertaram o seu interesse. Entre 2002 e 2003, realizou um mestrado em direito internacional também na UFSC. Durante seus estudos, encontrou uma área que conecta suas duas graduações: o direito do comércio internacional.

— Sempre me perguntei, ao longo da minha trajetória, como trabalhar com isso. Como colocar a dedicação ao tema em prática, em algo que pudesse fazer diferença. E aí apareceu a oportunidade de um concurso público que é da carreira a qual eu pertenço, de analista de comércio superior, em Brasília. Eu lembro que fiz o meu mestrado sobre uma coisa muito específica que chama “O acordo de barreiras técnicas da Organização Mundial do Comércio”. E aí quando eu vi o edital deste concurso que tinha lá “o acordo sobre barreiras técnicas”, [pensei] “uau, isso é para mim”. E, de fato, foi assim — recorda.

Com a oportunidade, Tatiana mudou-se a Brasília com a convicção de que teria que gostar da vida na capital federal. Segundo ela, para atuar na área é importante estar na cidade, sobretudo pelo seu interesse em atuar no serviço público, ou, como Tatiana mesmo define: “trabalhar pelo país.

— E me adaptei muito bem, muito facilmente. Essa reunião de pessoas, de diferentes lugares do Brasil, que são movidas pelo mesmo propósito, foi algo para mim super interessante. Acho que eu passei a conhecer o Brasil mudando para Brasília — revela.

Na capital federal, Tatiana continuou seus estudos. Ingressou na Universidade de Brasília (UNB) para cursar um doutorado em relações internacionais. Nesse período, atuou em diferentes agências do governo, como a de promoção de exportações. Em janeiro de 2011, foi convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC. Com isso, tornou-se a pessoa mais jovem a ocupar a função, aos 32 anos.

— Foi uma experiência incrível, muito desafiadora por ser mulher e jovem ao mesmo tempo. Então, aprendi muito, foi fascinante — conta.

Durante a experiência profissional, sua vida pessoal também passou por mudanças. Ela casou-se nessa época e, como seu marido é diplomata, logo surgiu uma nova oportunidade para ambos atuarem em Genebra, na Suíça. A cidade é conhecida como um importante centro diplomático e abriga escritórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS). Então, Tatiana se licenciou do MDIC para atuar como assessora sênior do diretor-geral da OMC.

— Esse trabalho no exterior foi incrível. Foi um período muito interessante em que eu não representava o Brasil, mas eu atuava na organização a favor de entendimentos entre os vários países — explica.

A família permaneceu em Genebra durante cinco anos. De lá, seguiram para um novo desafio em Pequim, na China. No país asiático, Tatiana tornou-se professora da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, a qual possui vínculo até os dias de hoje.

— Foi uma experiência incrível morar por três anos na China, um país fascinante. A sensação era de estar onde as coisas estão acontecendo. E para quem se dedica ao comércio internacional, viver na China é algo é muito interessante. Eu acho que fez todo o sentido para a minha trajetória de vida.

Durante esse período, Tatiana foi convidada a escrever, semanalmente, uma coluna sobre a China para o jornal Folha de S.Paulo. Para ela, a oportunidade se revelou um desafio intelectual enorme, mas também um período de aprendizado rico.

Ao retornar para o Brasil, em 2022, foi chamada para ser diretora de comércio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Permaneceu na instituição até dezembro do mesmo ano, quando saiu para assumir novamente o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC a convite do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Sobre planos futuros, Tatiana revela que vive em um exercício constante de administrar a ansiedade, expectativas e ambições.

— Se você tivesse me perguntado se eu me veria a colunista da Folha de S.Paulo, eu diria: “de jeito nenhum”. Foi algo que surgiu em função das circunstâncias. Mas administrar a ansiedade e não saber onde estarei daqui a “x” tempo e o que estarei fazendo é algo que é um exercício. De maneira que eu tenho ambições na vida, mas elas não têm nome e sobrenome. Eu estou aberta para o que as circunstâncias vierem a me oferecer — afirma.

Negociações internacionais

Comparando a primeira e a segunda atuação à frente da secretaria de Comércio Exterior, ela afirma que o mundo está mais complexo e que as questões comerciais estão cada vez mais relacionadas a uma agenda de segurança nacional e de meio-ambiente, além da utilização do comércio como um instrumento para a concepção de objetivos não comerciais.

— O trabalho se tornou muito mais desafiador e ao mesmo tempo mais interessante em função das circunstâncias externas. A utilização de ferramentas comerciais para objetivos não comerciais é algo que se intensificou num período muito recente da história e algo com o que o mundo inteiro está tentando lidar. Então essa questão, dos Estados Unidos em particular, me fez trabalhar muito mais. É um desafio, mas eu fico contente de poder colocar todo meu conhecimento, experiência e capacidade de trabalho em favor do país num momento tão único como este que nós vivemos na agenda de comércio exterior — diz.

Brasil x Estados Unidos

Tatiana Lacerda Prazeres faz parte da linha de frente das negociações do tarifaço, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e toda a equipe do MDIC. Por ser catarinense, a secretária conta que está em contato constante com representantes do Estado, como deputados e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Para a secretária, a união de esforços, incluindo líderes de partidos de oposição, é importante para encontrar soluções para os desafios impostos pelo tarifaço. Ela cita encontros com o senador Esperidião Amin e o deputado federal Valdir Cobalchini para tratar de mitigações e o que o governo pode ou não fazer para auxiliar os estados neste momento.

— É muito bacana quando as pessoas aqui em Brasília, quando eu me apresento e digo: “Ah, eu sou de Santa Catarina”, eu sinto que dá um conforto também para os nossos interlocutores saber que há alguém aqui em Brasília nessa posição, nesse momento histórico, com um olhar atento à realidade do Estado — relata.

As negociações do Tarifaço

Senadores dos Estados Unidos tentam revogar o tarifaço contra o Brasil. A pasta acredita que realmente esse tarifaço pode ser revogado, qual é a expectativa?

São vários movimentos que se complementam com o objetivo da reversão dessa decisão. Esse que você se referiu talvez seja mais recente. É muito interessante porque vem do congresso americano envolvendo congressistas de diferentes partidos, né? Então esse é um movimento no congresso, mas há um movimento no judiciário também que questiona a legalidade das medidas. Há todo um esforço de negociação do governo brasileiro, há um esforço do setor privado brasileiro que busca atuar junto aos seus parceiros, aos seus compradores nos Estados Unidos. Então, eu diria que esse movimento no congresso se soma a esses outros esforços que estão em curso e o objetivo é, enfim, reverter essas medidas que na nossa visão não se justificam.

Com relação aos programas divulgados pelo Governo Federal e pelo Estado de Santa Catarina, a expectativa é que ajude a longo prazo para frear os impactos negativos [do tarifaço]?

O objetivo é mitigar o impacto negativo do tarifaço para as empresas especialmente afetadas. Várias medidas já foram anunciadas, algumas requerem aprovação do congresso. Então, inclusive nós trabalhamos com o congresso nesse sentido. Diria que uma medida muito importante, inclusive para o Estado, é o Reintegra. Reintegra vai devolver para as empresas especialmente afetadas pelo tarifaço 3%, vai agregar três pontos percentuais a uma devolução que hoje é de 0,1%. Então, a empresa exportadora, especialmente afetada pelo tarifaço americano, vai ter a devolução de 3,1% do valor exportado, seja para os Estados Unidos, seja para outros destinos, com a aprovação dessa medida.

Então, essa é uma entre outras, mas uma na qual nós estamos muito empenhados em implementar. Precisamos, no entanto, que o congresso dê autorização legal. Mas o objetivo é mitigar o impacto ao mesmo tempo em que a gente busca negociar com os americanos e busca também abertura de novos mercados. Na terça-feira (16), nós assinamos o acordo Mercosul-EFTA. Um acordo muito recente que se soma os esforços do governo brasileiro para conclusão de acordos comerciais. Nós esperamos assinar ainda neste ano o acordo Mercosul-União Europeia, que também, com ainda mais força, vai ajudar na diversificação dos mercados brasileiros. Estamos trabalhando com promoção de exportações. A Apex fez todo um plano voltado a ajudar a busca de mercados alternativos nesse contexto. Vice-presidente Alckmin esteve no México buscando oportunidades, vai à Índia buscando oportunidades também. Então é uma mobilização em várias frentes.

Conselho para meninas e mulheres que gostariam de atuar na área de Comércio Exterior:

Eu acho que uma boa formação é fundamental inclusive com idiomas. Não vai muito longe nessa área sem um domínio efetivo de idiomas. Mas eu diria que, além dessa formação técnica sólida, eu não paro de estudar nunca e é importante valorizar essa dimensão da formação, do conhecimento, tem essa outra camada que tem a ver com confiança, que tem a ver com apetite, vontade, interesse em assumir desafios maiores, posições de liderança. É importante que isso seja cultivado, valorizado e que as meninas e mulheres sintam que esse é um espaço também para elas. Então, eu acho que essa combinação de uma formação sólida, com a confiança e o apetite. Isso precisa ser valorizado, valorizado pela sociedade, valorizado pelos parceiros ou parceiras que essas meninas desejam ter, alguém que apoie o crescimento profissional e a função de responsabilidades maiores, posições de liderança.

Fonte: NSC

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Comércio Exterior

Corrente de comércio chega a US$ 450 bi de janeiro até a 3° semana de setembro

No ano, as exportações totalizam US$ 247,5 bi e as importações, US$ 202,3, com saldo positivo de US$ 45,2 bi

Na 3ª semana de setembro de 2025, a balança comercial registrou superávit de US$ 722 milhões e corrente de comércio de US$ 12,7 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 6,7 bilhões e importações de US$ 6 bilhões. No mês, as exportações somam US$ 19,9 bilhões e as importações, US$ 17,5 bilhões, com saldo positivo de US$ 2,4 bilhões e corrente de comércio de US$ 37,5 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 247,5 bilhões e as importações, US$ 202,3 bilhões, com saldo positivo de US$ 45,2 bilhões e corrente de comércio de US$ 449,8 bilhões. Esses e outros resultados foram publicados nesta segunda-feira (22/9), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Balança Comercial Preliminar Parcial do Mês – 3º Semana de setembro/2025

Comparativo Mensal

Nas exportações, comparadas as médias até a 3ª semana de setembro/2025 (US$ 1,329 bi) com a de setembro/2024 (US$ 1,355 bi), houve queda de -2,0%. Em relação às importações houve crescimento de 5,1% na comparação entre as médias até a 3ª semana de setembro/2025 (US$ 1,170 bi) com a do mês de setembro/2024 (US$ 1,113 bi).

Assim, até a 3ª semana de setembro/2025, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2.499,54 milhões e o saldo, também por média diária, foi de US$ 158,82 milhões. Comparando-se este período com a média de setembro/2024, houve crescimento de 1,2% na corrente de comércio.

Exportações e importações por Setor

No acumulado até a 3ª semana do mês de setembro/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 15,56 milhões (5,7%) em Agropecuária; queda de US$ 11,21 milhões (3,9%) em Indústria Extrativa e de US$ 35,45 milhões (4,5%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado até a 3ª semana do mês de setembro/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 70,74 milhões (7,0%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 2,08 milhões (9,5%) em Agropecuária e de US$ 10,83 milhões (14,8%) em Indústria Extrativa.

Fonte: MDIC

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Comércio Exterior

Comércio Exterior: Declarações de ICMS em sete estados passam a ser feitas apenas pelo PCCE

A partir desta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, as Declarações de ICMS destinadas às Secretarias de Fazenda da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal, Rondônia, Acre e Amapá só poderão ser realizadas pelo sistema de Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE), acessível no Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).

Com a mudança, o Siscomex Importação Web (DI) deixará de disponibilizar a opção de declaração de ICMS para esses estados. Caso o importador ou despachante selecione uma das unidades da federação desabilitadas (BA, MG, MT, DF, RO, AC e AP), o sistema emitirá a mensagem de erro:

“Pagamento de ICMS desabilitado, proceder no sistema PCCE do Pucomex”.

Declarações em outros estados

Nos demais estados, as Declarações de ICMS continuam sendo aceitas pelo Siscomex Importação Web (DI). No entanto, haverá uma restrição importante: só será permitido registrar declarações para as unidades federativas vinculadas ao processo de importação — ou seja, UF do importador, UF do adquirente e UF de despacho.

Se a unidade federativa selecionada não corresponder a nenhuma dessas, o sistema apresentará a mensagem:

“UF inválida para declaração de ICMS”.

Modernização no comércio exterior

A medida faz parte do processo de integração e simplificação do Portal Único de Comércio Exterior, que busca centralizar operações e reduzir burocracias no pagamento de tributos estaduais relacionados à importação.

Texto: REDAÇÃO

Imagens: ILUSTRATIVA

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Comércio Exterior, Informação, Portos

Porto de Itajaí recebe 712 carros de luxo embarcados no navio Brasília Highway

O navio Brasília Highway, especializado no transporte de veículos pelo sistema Roll-on/Roll-off (Ro-Ro), atracou no Porto de Itajaí. Ele trouxe 712 carros de luxo, entre modelos BMW e Mini Cooper, sendo que se destacaram as versões BMW 220, 420i e M3 — inclusive uma pintura exclusiva verde-limão, conhecida no mercado como São Paulo Yellow. A operação de desembarque teve início às 1h desta sexta (19), após a atracação que ocorreu às 22h.

O sistema Ro-Ro permite que os automóveis entrem e saiam do navio por rampas, como se fosse um estacionamento flutuante. Esse método garante agilidade e segurança no desembarque, reduzindo o manuseio e os riscos de danos, além de acelerar o tempo de operação portuária.

“As operações Ro-Ro são sinônimo de eficiência: menos manuseio, mais segurança e giro rápido de pátio. Em 2025, já somamos 11 atracações desse tipo no Porto de Itajaí. Hoje, com o Brasília Highway, atracado às 22h e com desembarque iniciado à 1h, mostramos planejamento e execução precisos, garantindo previsibilidade aos importadores e fluidez na cadeia logística. Itajaí está voltando a ser um dos grandes players de logística do país.” — João Paulo Tavares Bastos, superintendente do Porto de Itajaí.

A eficiência logística do Porto de Itajaí também tem sido reforçada por outras melhorias:
    •    A dragagem de manutenção, concluída no início de 2025, restabeleceu as profundidades ideais no canal interno e externo e nas bacias de evolução, que favorecem a entrada segura de navios maiores.  
    •    Operações de veículos têm contado com grande mobilização de mão-de-obra local, caminhões-cegonha em fluxo contínuo, pátios bem organizados, e uso de sistemas de controle digital para monitoramento em tempo real — todas medidas que reduzem o tempo total da operação.  

Com isso, o Porto de Itajaí está reassumindo um papel de destaque entre os grandes players logísticos do país, especialmente para cargas de valor agregado como veículos de luxo ou eletrificados.

Fonte: Porto de Itajaí

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Comércio Exterior

Senadores dos EUA propõem suspender tarifas da era Trump sobre o Brasil

Um grupo de cinco senadores dos EUA apresentou um projeto de lei na quinta-feira (18) para cancelar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar barrar a acusação no Brasil contra um de seus amigos, são ultrajantes”, disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.

A proposta também foi assinada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pelos democratas Jeanne Shaheen e Ron Wyden, e pelo republicano Rand Paul, membro do próprio partido de Trump.

Em julho, Trump anunciou uma tarifa retaliatória de 50% sobre produtos brasileiros em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados próximos, condenados na semana passada por liderarem a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A maior parte da alíquota efetiva de 40% foi imposta com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que dá ao presidente dos EUA autoridade para regular a atividade econômica em resposta a “ameaças extraordinárias”.

O senador Kaine afirmou que a medida faz parte “dessas guerras comerciais incompetentes e caóticas que estão tornando bens do dia a dia mais caros para os americanos que só estão tentando se virar”.

“Quando esta legislação chegar ao plenário do Senado, peço aos meus colegas de ambos os lados que defendam o princípio de que nossa política econômica deve ser elaborada em função dos melhores interesses dos americanos — não de vendetas pessoais mesquinhas”, disse ele.

O senador Schumer ecoou o colega democrata, argumentando que Trump está usando a política comercial para avançar sua agenda política.

“Trump instituiu a falsa ‘declaração de emergência’ após a acusação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara extrapolação de seus poderes presidenciais. Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso”, disse Schumer.

Até mesmo o senador Paul, que concorda com Trump que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente, disse que o presidente dos EUA extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA para impor tarifas.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade sob a IEEPA para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, argumentou Paul.

Os senadores enfatizaram os fortes laços comerciais entre os dois países, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos americanos.

Uma guerra comercial mais profunda, alertaram, aumentaria os preços para os consumidores americanos, prejudicaria ambas as economias e aproximaria o Brasil da China.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA está analisando — em caráter acelerado — um recurso do governo contra a decisão de um tribunal inferior que concluiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor a maior parte das tarifas com base na lei de poderes emergenciais. As tarifas permanecem em vigor enquanto o caso tramita na Justiça.

A decisão do tribunal de apelações decorre de dois processos. Um foi movido por cinco pequenas empresas importadoras de mercadorias, incluindo um importador de vinhos e licores com sede em Nova York e uma empresa de artigos de pesca da Pensilvânia.

O outro foi aberto por 12 estados norte-americanos — Arizona, Colorado, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Minnesota, Nevada, Novo México, Nova York, Oregon e Vermont, a maioria governados por democratas.

A Suprema Corte também concordou em analisar um terceiro caso movido pela Learning Resources, uma empresa familiar de brinquedos.

Fonte: Valor International

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Comércio Exterior

A maior diferença de taxas em relação aos EUA aumenta a atratividade do real brasileiro

O dólar perdeu 14,2% em relação à moeda brasileira até agora neste ano.

A já significativa diferença de taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos se ampliou ainda mais na quarta-feira (17), quando a taxa Selic, referência do Brasil, foi mantida em 15%, enquanto o Federal Reserve dos EUA cortou sua taxa-alvo em 25 pontos-base. A medida aumentou a atratividade do real para estratégias de carry trade baseadas em diferenças no custo de capital — operações que tiveram desempenho forte ao longo do ano.

Com um cenário global favorável e o dólar enfraquecendo mundialmente, os investidores veem espaço para nova valorização da moeda brasileira. Ainda assim, há uma ressalva: a cotação do dólar já caiu 14,2% no mercado local.

O arbitragem de carry trade envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir onde as taxas são mais altas, lucrando com a diferença. A ampla diferença entre as taxas brasileiras e americanas tem sido citada por gestores de ativos e bancos nacionais e internacionais como motivo para esperar que o real supere outras moedas de mercados emergentes, apesar das preocupações com a instabilidade política, que pode aumentar a volatilidade.

“A verdade é que o cenário externo é muito favorável, com o dólar perdendo terreno globalmente. Quando o ambiente global é favorável, o mercado tolera mais risco doméstico”, disse Gustavo Vieira, economista e sócio da Opportunity Total. “Nesse cenário, o diferencial de taxas de juros pesa mais do que qualquer outra narrativa.”

O Sr. Vieira espera que o ambiente externo continue positivo para os mercados emergentes no curto prazo. “Este ciclo de cortes de juros do Fed está ocorrendo em um período em que as chances de uma recessão nos EUA são baixas. De modo geral, este é um bom ambiente para ativos de risco”, observou. Se a perspectiva global permanecer de enfraquecimento do dólar e o Brasil mantiver taxas elevadas, é provável que o real supere seus pares.

“As taxas de juros reais no Brasil não são apenas altas em comparação com os EUA, mas também em relação a outros países da América Latina que competem por fluxos globais de portfólio, especialmente México e Colômbia”, afirmou.

Riscos potenciais

Alguns investidores, no entanto, questionam se os participantes do mercado subestimaram os riscos e se o real deveria ter se valorizado ainda mais neste ano, dado o cenário global favorável e as taxas domésticas elevadas.

Comparando o desempenho do real com outras moedas, Eduardo Jarra, economista-chefe e estrategista do Santander Asset Management, disse que a moeda brasileira começou o ano com desconto devido à forte depreciação no final de 2024. “O real ‘se movimentou’ e se destaca entre as moedas este ano, ajudado pelo diferencial de taxas. Mas em 2025, começamos de uma base mais fraca, o que contribuiu para essa valorização”, afirmou. “O nível atual do real parece consistente com os fundamentos até agora.”

O Santander Asset Management espera que o Brasil comece a cortar as taxas de juros apenas no primeiro trimestre do ano que vem, enquanto projeta-se que o Fed continue reduzindo suas taxas, podendo chegar a 3,5% até 2026.

“O diferencial de juros vai se ampliar ainda mais a favor do Brasil, e ainda vejo isso como um ambiente favorável do ponto de vista fundamental. Se o dólar estiver se desvalorizando e o carry continuar favorável, a perspectiva deve permanecer construtiva”, disse Eduardo Jarra.

Drausio Giacomelli, estrategista-chefe de mercados emergentes do Deutsche Bank, também vê a moeda brasileira bem ancorada, dado os ciclos monetários contrastantes entre o Brasil e seus pares. “O diferencial de taxas é uma das melhores coisas que o real tem a seu favor neste momento. Enquanto bancos centrais em outros lugares começaram a cortar ou retomarão em breve, o Banco Central do Brasil está dizendo: ‘não até o próximo ano’”, afirmou.

Giacomelli espera que a divergência continue por algum tempo. “Daqui a seis meses, a taxa de juros do Brasil ainda pode estar cerca de 6 pontos percentuais acima da Colômbia, 10 pontos acima do Chile, 7,5 pontos acima do México e quase 11 pontos acima das taxas dos EUA. Isso é significativo.”

Mas os spreads de juros não são os únicos fatores que apoiam uma possível nova valorização do real. A menor volatilidade cambial e a participação limitada de investidores estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro também favorecem a moeda, disse Gustavo Vieira, da Opportunity.

“A menor volatilidade do câmbio no Brasil sugere que o risco percebido é menor, tornando o diferencial de taxas ajustado pela volatilidade ainda mais atraente”, afirmou. “Além disso, quando o Brasil tinha spreads de juros com os EUA como estamos vendo agora, o investimento estrangeiro em renda fixa geralmente era maior do que é hoje. Portanto, ainda há espaço para entradas de capital, especialmente porque o Brasil não possui mais classificação de grau de investimento.”

O principal risco para uma valorização adicional do real, na visão de Vieira, seria uma deterioração do cenário externo, como uma forte desaceleração da atividade econômica nos EUA aumentando as chances de recessão, ou um aumento inesperado da inflação que obrigue o Fed a retomar os aumentos de juros.

Jarra, do Santander Asset, também apontou uma possível correção de mercado. “Há espaço para nova valorização”, disse ele. “Mas devemos lembrar que o real já se valorizou consideravelmente este ano, o que deixa o mercado exposto a possíveis retrações técnicas.”

Fonte: Valor International


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Comércio Exterior

Carne bovina do Brasil conta com outros mercados enquanto vendas aos EUA caem

Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países

A indústria de carne bovina do Brasil, maior exportador global, está expandindo exportações para diversos mercados e conta com a abertura de novos enquanto as vendas para os Estados Unidos deverão ter nova queda em setembro devido ao tarifaço, afirmou o presidente da associação Abiec, nesta quarta-feira (17).

Roberto Perosa destacou que o Brasil tem capacidade de realocar embarques que antes iriam para os EUA, e reafirmou que o país deverá crescer 12% em volumes totais exportados em 2025 em relação ao ano passado, podendo avançar em 14% numa expectativa mais otimista.

Para os EUA, tradicionalmente o segundo maior mercado para a carne brasileira após a China, os embarques em setembro terão nova queda, para 7 mil toneladas, versus 9 mil em agosto e aproximadamente 30 mil mensais antes do tarifaço, disse Perosa.

“A despeito das tarifas e das questões geopolíticas, o brasileiro, principalmente o setor da pecuária, tem muita capacidade de articulação e realocação dos seus produtos”, afirmou Perosa durante o Fórum Pecuária Brasil, promovido pela consultoria Datagro.

No ano passado, o Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países, totalizando US$12,9 bilhões. Em receita, a Abiec prevê que as exportações brasileiras do produto cresçam até 16% em 2025.

Além de contar com firme demanda global pela carne bovina, Perosa destacou ainda que o Brasil é competitivo e consegue manter parte dos embarques aos EUA, apesar das tarifas impostas por Donald Trump. “A perda do nosso segundo maior mercado faz diferença. Mas pasmem, mesmo com a tarifa de 76,4% (dos EUA à carne bovina), ainda existe exportação para os EUA por conta da competitividade que nós conquistamos”, acrescentou.

A jornalistas, ele explicou que existem empresas brasileiras com contratos vigentes que continuam exportando aos EUA, embora em menores volumes. Esses embarques são diversos, incluindo cortes de maior valor agregado, mas também há alguns relacionados a compromissos com o governo dos EUA.

“Existem empresas brasileiras que têm contrato em vigência com o governo dos Estados Unidos para fornecimento de carne para o governo americano, por exemplo, para as prisões… milhares e milhares de dólares, e este contrato não pode ser rompido…”, disse ele, sem mencionar os nomes das companhias.

Ele também comentou sobre um forte aumento de exportações do Brasil para o México –mercado aberto ao final de 2023 e que passou a ser o segundo destino dos embarques brasileiros em agosto–, o que levantou questões se estaria havendo uma triangulação para embarcar carne brasileira aos EUA.

“Está aumentando, mas não significa necessariamente que a carne vai para os EUA…”, afirmou, ponderando que em carne bovina o México tem mais acordos comerciais do que o próprio Brasil.

“Isso faz com que ele (México) possa comprar a carne brasileira, usar no seu consumo interno, e exportar para todo mundo, não exclusivamente para os EUA. Então acho que não há estratégia de triangulação… claro que uma pessoa ou outra pode eventualmente fazer, mas não é o grosso da exportação…”

Para Perosa, no setor de bovinos, as exportações do México para os EUA estão concentradas em bois vivos.

Novos mercados

Perosa disse em sua apresentação que o segmento tem a expectativa de abertura de novos mercados para seguir crescendo.

“Faltam ainda atender três mercados estratégicos, no início do ano faltavam quatro. O Vietnã foi aberto recentemente, e novas habilitações estão a caminho.”

O presidente da Abiec disse que o Brasil ainda trabalha para abrir o Japão, Turquia e Coreia do Sul, “que são mercados altamente rentáveis”.

“Acho que estamos muito próximos da questão do Japão… foi sendo criado um contexto para abertura do Japão e estamos caminhando para isso”, ressaltou ele, dizendo que espera que isso aconteça ainda este ano.

Conforme antecipou a Reuters, inicialmente estão sendo negociadas vendas para o Japão a partir dos Estados do Sul.

Sobre a Turquia, ele disse que há questões técnicas que precisam ser resolvidas, como uma testagem individual de animais exigida pelos turcos, que seria inviável. “Mas o Brasil quer muito entrar e estamos vendo como fazemos para entrar nesse mercado.”

Com relação à Coreia do Sul, Perosa afirmou que “falta um empurrão diplomático do governo brasileiro” para um andamento mais célere do processo.

Ele ressaltou ainda, que com as novas empresas habilitadas a exportar para a Indonésia, já está havendo um grande fluxo comercial de miúdos para aquele país.

Fonte: Diário do Comércio

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA completa 40 dias com prejuízo a 9,7 mil produtos

Produtos como cafés especiais e calçados registram queda significativa nas exportações aos EUA

O pior momento na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos completa 40 dias com 9,7 mil produtos prejudicados pelo tarifaço. O número consta em lista divulgada na última sexta-feira (12) pelo governo federal, de acordo com o sistema da Nomenclatura Comum do Mercosul, com os itens que foram atingidos pela sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump.

A primeira de duas partes do documento reúne 9.075 códigos que serão automaticamente considerados na apuração do faturamento com exportações aos EUA, enquanto a segunda expõe 702 códigos que ainda dependem de autodeclaração das empresas, comprovando que as exportações foram realmente prejudicadas.

A lista tem como objetivo definir quais são os segmentos que possuem direito às linhas de crédito diferenciadas por meio do Plano Brasil Soberano, anunciado ainda no mês passado e voltado para socorrer os setores afetados.

O financiamento conta com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao todo, são R$ 40 bilhões previstos para a ajuda emergencial, com a estimativa de serem utilizados já a partir da segunda quinzena de setembro.

A marca dos 40 dias também chega em meio a temores de novas sanções econômicas em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. A ação contra o Brasil, diferentemente do que ocorreu com outros países, é política. Isso já foi admitido, inclusive, por autoridades americanas.

O Conselho Federal de Economia (Cofecon) publicou uma nota em que classifica como “descabidas e inaceitáveis” as ações dos Estados Unidos contra o Brasil, tanto a nível político quanto comercial. A autarquia que representa os economistas brasileiros avalia que há “claríssimas intenções” de ingerência política nos assuntos domésticos do país por parte do presidente norte-americano, Donald Trump.

“A soberania brasileira, no entanto, é algo inegociável, assim como a independência e a autonomia dos Poderes, a liberdade de expressão e de cátedra”, escreveu a entidade, que completou: “O Conselho Federal de Economia (Cofecon), entidade máxima de representação dos economistas brasileiros, vem se manifestar em prol da nação, e se solidarizar e apoiar todas as ações e medidas condizentes com os princípios e valores mencionados”. 

A entidade destaca, ainda, que a balança comercial entre os dois países vem registrando seguidos déficits para o Brasil. “Portanto, as alegadas ‘distorções de comércio’ não se aplicam ao Brasil, que, além do mencionado déficit comercial com os EUA, também apresenta balança de serviços (marcas, patentes, royalties etc.) francamente favorável aos norte-americanos”, acrescentou. 

Impacto

Apesar de o embate diplomático entre os dois países ter se mantido nesses 40 dias, a nova alíquota não viu muitas novidades em seu desenho desde 6 de agosto. Mesmo assim, teve impactos perceptíveis na economia.

Dias antes de ser implementada, uma série de produtos estratégicos, como aeronaves e suas peças, combustíveis e celulose ficaram de fora da tarifação após decisão da Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

Porém, outros itens importantes, como carnes, cafés e pescados permaneceram sobretaxados e ainda vivem incertezas em relação às exportações para o parceiro comercial de longa data.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Amcham Brasil mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 26,6 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, um crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024 e novo recorde para o período.

Por outro lado, as vendas em agosto caíram 18,5%. Isolados, os itens sujeitos à tarifa de 50% registraram queda de 22,4% no mês, puxando a queda geral nas exportações.

Vale destacar que alguns produtos mantiveram o desempenho positivo no ano, principalmente devido à antecipação de embarques. Itens não impactados pela taxa tiveram queda mais moderada, de 7,1% no mês e 10,3%, no acumulado do ano.

A tese que afirma que o Brasil seria considerado um “péssimo parceiro comercial”, como escreveu o próprio Donald Trump em carta enviada ao governo brasileiro para anunciar a tarifa, foi novamente desmentida com os resultados do último mês.

Enquanto o déficit comercial norte-americano com o mundo aumentou 22,4% no acumulado do ano, alcançando US$ 809,3 bilhões, o superavit dos EUA com o Brasil no período registrou alta de 355% e atingiu valor de US$ 3,4 bilhões.

Enquanto o socorro do governo federal não vem e as negociações com os norte-americanos não avançam, os setores correm atrás do prejuízo. As exportações de calçados brasileiros para os EUA registraram queda de 17,6% em agosto, comparado ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Um levantamento feito pela mesma entidade mostra ainda que 73% das empresas do setor tiveram perda de faturamento por conta do tarifaço, e que 60% delas já sofreram com cancelamentos de pedidos.

No setor de cafés especiais – colhidos manualmente e que possuem uma qualidade maior do que os tradicionais – as exportações simplesmente despencaram 79,5% no mês passado, na comparação anual, e 69,6% ante julho deste ano, com a venda de apenas 21,7 mil sacas.

Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que destaca, ainda, que os EUA lideravam as vendas para o exterior até agosto deste ano, quando foi ultrapassado por seis países: Holanda (62 mil sacas); Alemanha (50,4 mil); Bélgica (46 mil); Itália (39,9 mil) e Suécia (29,3 mil).

Fonte: Modais em Foco

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Comércio Exterior, Inovação, Tecnologia

LOGCOMEX ACELERA EXPANSÃO EM TECNOLOGIA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA AMÉRICA LATINA COM A AQUISIÇÃO DA UXCOMEX.

Movimento reforça a missão de transformar o comércio exterior, ampliando soluções para supply chain.

A Logcomex, líder em tecnologia para o comércio exterior na América Latina, anuncia a aquisição da UXComex, plataforma especializada em agentes de carga e despachantes aduaneiros. A operação integra o know-how da Logcomex à especialização operacional da UXComex, acelerando a entrega de um ecossistema único que elimina complexidade e conecta toda a cadeia de importação e exportação.

“Esta aquisição é um movimento estratégico na construção do nosso sistema operacional para o comércio exterior. Ao unir nossa infraestrutura de tecnologia e IA à experiência da UXComex, ampliando o portfólio de produtos da Logcomex, simplificando o Comex e criando produtividade real para todo o supply chain global”, afirma Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.

Fundada em 2017, a UXComex simplifica rotinas do agenciamento de carga e desembaraço aduaneiro — tarefas que antes dependiam de planilhas e e-mails. “Criamos a UXComex para ajudar agentes de carga e despachantes aduaneiros a escalar suas operações, eliminando o trabalho repetitivo. Com a expertise e o reconhecimento da Logcomex, esse impacto é potencializado”, destaca Cleber Moschini, diretor de tecnologia da UXComex.

Para Carlos Souza, cofundador e COO da Logcomex, o valor ao cliente é imediato: “Execução e inteligência integrados significam menos custos, mais eficiência e decisões muito mais rápidas.”

A UXComex continuará operando com autonomia, mantendo sua tecnologia separada e estrutura de atendimento ao cliente. Isso garante que a empresa mantenha sua identidade, equipe e a relação próxima com seus clientes, agora com a Logcomex como catalisadora de inovação e crescimento.

A Logcomex já atende milhares de clientes em mais de 30 países — com expansão acelerada na América Latina, especialmente no México — e reforça sua presença global ao incorporar os fluxos de agentes de carga e despachantes da UXComex.

Sobre a Logcomex
A Logcomex oferece um ecossistema de soluções de tecnologia e IA, que impulsiona o Comércio Exterior na América Latina, eliminando a complexidade e aumentando a produtividade das operações globais. Presente em diferentes mercados e com uma base crescente de clientes, a Logcomex é referência em inovação para o comércio exterior e supply chain.

Sobre a UXComex
Fundada em 2017, a UXComex simplifica rotinas do agenciamento de carga e desembaraço aduaneiro com módulos de importação e exportação, aérea e marítima, CRM, web-tracking e gestão financeira – reduzindo erros e acelerando processos globais.

Da esquerda para direita: Helmuth Hofstatter – CEO e cofundador Logcomex ; Giancarlo Fiorotti – CPO, Chief Product Officer da UXComex; Rodrigo Loretti – CSO, Chief Sales Officer da UXComex; Cleber Moschini – CTO, Chief Technology Officer da UXComex; Carlos Souza – COO e confundador da Logcomex – Crédito: Yow Filmes

Danilo Camarini – diretor de tecnologia da Logcomex ; Giancarlo Fiorotti – CPO, Chief Product Officer da UXComex; Carlos Souza – COO e confundador da Logcomex; Mônica Gabriella – head de tecnologia da Logcomex ; Rodrigo Loretti – CSO, Chief Sales Officer da UXComex; Cleber Moschini – CTO, Chief Technology Officer da UXComex; Helmuth Hofstatter – CEO e cofundador Logcomex – Crédito: Yow Filmes

Texto e fotos: Assessoria de Imprensas

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Alckmin: “A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”.

Fala do vice-presidente e ministro do MDIC se deu durante debate sobre a força dos pequenos exportadores promovido pelo SBT News.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a necessidade de ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações durante a abertura do evento “Os pequenos também exportam”, realizado nesta quarta-feira (17/09) pelo SBT News. Alckmin destacou medidas de apoio aos pequenos empreendedores como o Acredita Exportação, o Portal Único de Comércio Exterior e o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Apex Brasil.

“A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”, afirmou o ministro. “O Brasil é um importante exportador, mas pequenos empreendedores ainda exportam pouco. A Itália é um bom exemplo de um país onde os pequenos exportam muito”, complementou.

Para o ministro, oferecer estímulos para que os pequenos empreendedores exportem mais faz parte da estratégia para tornar o Brasil um país mais competitivo no exterior. “Com o Acredita Exportação, a micro e a pequena empresa ganha um crédito automático de 3,1% do valor exportado, que é uma maneira do governo devolver parte do imposto pago pelos insumos dos produtos exportados”, exemplificou.

Outra medida importante elencada pelo ministro diz respeito ao Portal Único de Comércio Exterior, que permite o uso de uma mesma licença tanto para exportação como para importação, além de reduzir a burocracia e o uso de papel. “Isso deve reduzir o Custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano”, ressaltou Alckmin. “Uma carga parada no porto por um dia custa 0,8% do valor da carga. Se ficar três dias parada, já foi 2,5%. O Portal Único vai dar mais agilidade, reduzir esse tempo e permitir maiores ganhos para os empreendedores”, detalhou.

O ministro ainda citou o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), promovido pela Apex Brasil com o objetivo de preparar micro e pequenas empresas para o mercado externo. “O PEIEX é um programa só para capacitação dos pequenos, para que eles possam exportar e, com isso, ganhar mais mercado”, lembrou.

“Tem também a promoção dos produtos, que traz compradores para o Brasil, para comprarem das pequenas empresas aqui e faz participação também lá fora, em feiras de negócios, para poder colocar o produto das pequenas empresas”, acrescentou.

Tarifaço

Ao mencionar os problemas provocados pela imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o ministro destacou o programa de mitigação implantado pelo governo federal para amenizar o impacto na economia. “O que o governo está fazendo? Primeiro, R$ 40 bilhões de crédito pelo fundo garantidor. Dois, compras governamentais. Três, prorrogação do drawback por um ano. E quatro, o reintegra para pequenas empresas que oferece crédito de 6,1% do valor exportado”, enumerou.

Fonte: MDIC gov.br

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