Agronegócio

Agro sustentável atrai mais de US$ 10 bilhões em novos investimentos até 2027

O agro sustentável brasileiro vive um novo momento de expansão. Durante o Climate Implementation Summit (CIS), realizado em São Paulo (SP), foram anunciadas intenções de investimento que somam US$ 10,4 bilhões (R$ 55,4 bilhões) até o fim de 2027. Os recursos serão destinados à implementação de soluções sustentáveis em fazendas de todo o país, fortalecendo o papel do Brasil na transição climática global.

Organizado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Climate Action e Converge Capital, o encontro reuniu mais de 750 líderes empresariais e investidores do Brasil e do exterior, incluindo representantes de governos, organizações multilaterais e fundos filantrópicos.

Soluções baseadas na natureza ganham protagonismo

A aceleradora americana Capital for Climate apresentou o levantamento mais recente sobre Soluções Baseadas na Natureza (SbN) — iniciativas que unem conservação, restauração e manejo sustentável de ecossistemas para enfrentar desafios ambientais, sociais e econômicos. O estudo, desenvolvido em parceria com a Deloitte Brasil, apontou intenção de investimento de US$ 10 bilhões, o dobro da estimativa inicial.

Segundo Anna Lucia Horta, diretora executiva da Capital for Climate no Brasil, US$ 2,7 bilhões (R$ 14,4 bilhões) devem ser desembolsados ainda em 2025, parte já em execução. “As SbNs são soluções de baixo custo e alto impacto, fundamentais para atingir as metas de remoção de carbono. Queremos dar mais visibilidade a esse setor e aproximar investidores dos projetos”, afirma.

Descompasso entre capital e projetos

O levantamento, que envolveu 34 instituições financeiras nacionais e internacionais, revelou um desequilíbrio entre oferta e demanda de capital. Enquanto investidores estão prontos para aplicar recursos, os 32 projetos mapeados pela Capital for Climate têm capacidade de absorver US$ 6,1 bilhões (R$ 32,5 bilhões) até 2028.

As iniciativas priorizam restauração de pastagens degradadas, bioeconomia florestal e proteção de vegetação nativa, gerindo atualmente 1,1 milhão de hectares, com previsão de chegar a 2,7 milhões de hectares até o fim da década. A próxima fase do estudo buscará detalhar perfis de risco e retorno para conectar cada projeto ao investidor ideal.

Capital catalisador impulsiona transição agrícola

Além do impacto ambiental, há um claro interesse financeiro. O fundo Catalytic Capital for the Agriculture Transition (CCAT), administrado pela Vox Capital com apoio da The Nature Conservancy (TNC), busca acelerar a transição para uma agricultura de baixo carbono.

O CCAT conta com investidores como a Fundação Gordon e Betty Moore, a Iniciativa Internacional Climática e Florestal da Noruega (NICFI), a Margaret A. Cargill Philanthropies (MACP), o Instituto Arapyaú e a Porticus. No evento, Daniel Brandão, diretor de Soluções Baseadas na Natureza da Vox Capital, anunciou o primeiro fechamento de US$ 50,5 milhões (R$ 269 milhões). O objetivo é levantar US$ 200 milhões em capital catalisador e destravar US$ 800 milhões em investimentos comerciais até 2028 — podendo chegar a US$ 10 bilhões até 2030.

O fundo pretende apoiar a recuperação e proteção de 500 mil hectares, evitar 240 milhões de toneladas de CO₂ e beneficiar mais de mil produtores rurais. “Vamos investir em instrumentos como CRAs e Fiagros, oferecendo condições mais acessíveis e prazos maiores para facilitar o acesso ao crédito rural”, explica Brandão.

O CCAT exige desmatamento zero, em linha com o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), e apoiará projetos de soja em áreas degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais (SAFs).

Produtor rural no centro da transição verde

A nova onda de investimentos sustentáveis reforça o protagonismo do produtor rural brasileiro. O Caminho Verde, programa federal que substitui o antigo plano de recuperação de pastagens degradadas, busca restaurar até 40 milhões de hectares na próxima década — quase metade da área hoje considerada degradada.

Para Brandão, o foco é de cooperação, não de confronto. “Queremos o produtor como parceiro e beneficiário direto do processo”, diz. O capital concessional do CCAT deve ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica, reduzindo riscos e aumentando a renda do agricultor.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brazil Photos/Getty Images

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Agronegócio

Brasil amplia exportações com novas aberturas de mercado nos Emirados Árabes e no Líbano

O Brasil conquistou duas novas aberturas de mercado internacional, com autorização para exportar codornas aos Emirados Árabes Unidos (EAU) e feijão preto ao Líbano. As negociações, concluídas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), reforçam a presença do país no comércio agropecuário global.

Exportações para os Emirados Árabes Unidos

As autoridades sanitárias dos EAU aprovaram a importação de codornas destinadas à alimentação animal, abrindo mais uma frente para o setor pecuário brasileiro. Somente em 2024, o país árabe comprou mais de US$ 3,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, tornando-se o sexto maior destino das exportações do agronegócio brasileiro.

Feijão preto brasileiro chega ao Líbano

No Líbano, o aval sanitário permitirá a entrada do feijão preto brasileiro, fortalecendo o comércio bilateral. No mesmo ano, o Brasil exportou US$ 432 milhões em produtos agropecuários ao mercado libanês, com destaque para carnes, itens do complexo sucroalcooleiro e derivados de soja.

Expansão do agronegócio

Com as novas autorizações, o agronegócio do Brasil acumula 488 aberturas de mercado desde o início de 2023, resultado direto da diplomacia comercial e do esforço conjunto entre Mapa e MRE para ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos destinos.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

Acordo entre Estados Unidos e China pode causar impacto maior no agronegócio brasileiro do que o tarifaço

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), pode representar um desafio para o agronegócio brasileiro. O entendimento prevê a retomada das compras de soja americana pelo país asiático — uma decisão que tende a reduzir a demanda pela commodity produzida no Brasil. Especialistas avaliam que o efeito pode ser mais negativo ao agro nacional do que o recente tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

China volta a comprar soja dos EUA

Durante declaração a jornalistas, o presidente Donald Trump afirmou que a China se comprometeu a adquirir “quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas” dos Estados Unidos. Segundo ele, as compras devem começar imediatamente. O anúncio foi feito a bordo do Air Force One, após encontro com o presidente Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.

“Estamos de acordo em muitos pontos. Grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou Trump.

O acordo marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre as duas potências, que vinham travando uma guerra tarifária desde o início do ano.

Brasil pode perder espaço no mercado chinês

Com o agravamento da disputa comercial entre EUA e China nos últimos meses, os chineses haviam suspenso totalmente a compra de soja americana, o que beneficiou diretamente o Brasil, principal fornecedor do grão ao mercado global. A abertura do mercado chinês aos produtos norte-americanos pode, portanto, reduzir o volume de exportações brasileiras e pressionar os preços internos.

Analistas do setor destacam que a China é o maior comprador de soja do mundo, e qualquer mudança em sua política de importação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente nos estados produtores como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A retomada das importações de soja dos EUA, aliada ao aumento da oferta global, pode provocar queda nas cotações internacionais e afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Efeitos no comércio agrícola internacional

O acordo também tem potencial para reconfigurar o comércio mundial de commodities agrícolas, alterando o equilíbrio de forças entre os grandes exportadores. O Brasil, que se consolidou como principal fornecedor de soja à China durante o período de tensões comerciais, pode ver sua participação no mercado asiático diminuir caso os chineses ampliem as compras dos EUA.

Enquanto isso, os agricultores brasileiros acompanham com cautela as negociações e aguardam detalhes sobre os volumes e prazos de compra previstos no acordo. A expectativa é de que o impacto seja sentido nas próximas safras, caso os embarques norte-americanos se intensifiquem.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gazeta do Povo

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta novos desafios no mercado asiático

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma viagem à Indonésia e à Malásia, onde participou da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). A visita reforçou o interesse do governo em ampliar a presença do agronegócio brasileiro na Ásia, considerada a região mais dinâmica da economia mundial.

Apesar do potencial, o crescimento das exportações brasileiras na região pode ocorrer em ritmo mais lento do que o previsto. No mesmo período, o ex-presidente americano Donald Trump também esteve na Ásia e conseguiu garantir concessões comerciais de vários países por meio de medidas tarifárias, fortalecendo o posicionamento dos Estados Unidos no comércio internacional.

Soja brasileira perde espaço para os EUA

A política comercial americana tem impactado diretamente as exportações do Brasil, especialmente de soja. Após uma trégua entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, a China retomou a compra de soja dos Estados Unidos, com um acordo que prevê 12 milhões de toneladas até o fim do ano e 25 milhões anuais até 2028.

No curto prazo, isso significa que o país asiático deve reduzir as importações de soja brasileira, priorizando o produto americano até a entrada da nova safra do Brasil, prevista para fevereiro. A expansão brasileira em outros mercados asiáticos também pode ser afetada, incluindo o farelo de soja.

Carne e algodão na disputa internacional

Além da soja, os produtores americanos de carne e algodão têm criticado o avanço do Brasil na Ásia. O país é o maior exportador mundial de carne bovina e pode ultrapassar os EUA também em produção total neste ano. Atualmente, 32% da carne bovina e 35% da carne suína produzidas no Brasil são exportadas, com destaque para China, México, Canadá e Filipinas.

No setor têxtil, o Brasil triplicou sua produção de algodão desde 2010, tornando-se o maior exportador global. Produtores norte-americanos afirmam que a concorrência brasileira se baseia em preços mais competitivos e pressionam o governo dos EUA por apoio político e econômico.

Comércio global cada vez mais politizado

Durante o Brazil Commodities Forum, realizado em Genebra, especialistas alertaram que o cenário de tarifas e políticas protecionistas — impulsionado pelo lema “America First” — começa a reverter oportunidades antes abertas ao Brasil. Países como Japão, Reino Unido e nações do Sudeste Asiático voltaram a comprar mais produtos americanos, muitas vezes por razões políticas e não comerciais.

A demanda chinesa por commodities se estabilizou, enquanto o custo das terras agrícolas brasileiras segue alto. Mesmo com maior eficiência produtiva, o país enfrenta taxas de juros elevadas, o que encarece o crédito e limita novos investimentos.

Sustentabilidade e competitividade como novos pilares

Para a advogada Heloisa Slav, especialista em commodities e organizadora do fórum, o futuro do agro brasileiro dependerá de três fatores principais:

  1. Manter o baixo custo e a alta escala de produção;
  2. Comprovar sustentabilidade em mercados com padrões cada vez mais exigentes;
  3. Equilibrar relações comerciais com China e Estados Unidos, mesmo em um ambiente global instável.

As novas exigências da União Europeia e dos EUA, que incluem produção livre de desmatamento, rastreabilidade e baixo carbono, tornam a sustentabilidade um diferencial competitivo. Nesse contexto, o Brasil tem potencial para se consolidar como fornecedor preferencial, unindo eficiência econômica e responsabilidade ambiental.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Deputados do agronegócio pressionam governo contra importação de leite do Mercosul

Bancada ruralista reage ao avanço do leite estrangeiro

Deputados ligados ao agronegócio intensificaram a ofensiva contra o aumento das importações de leite no Brasil, especialmente dos países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. O movimento ganha força às vésperas da assinatura do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia, que pode ampliar ainda mais a concorrência para os produtores nacionais.


Preços abaixo do custo geram alerta no setor

O setor leiteiro atravessa uma crise de rentabilidade. Com o litro pago ao produtor valendo menos de R$ 2, bem abaixo do custo médio de R$ 2,40, a bancada ruralista considera o cenário uma emergência econômica. As importações recordes têm pressionado os preços internos, agravando as dificuldades enfrentadas pelos pequenos e médios produtores.


Governo tenta conter a insatisfação

Em meio à tensão, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, sugeriu, em coletiva realizada na terça-feira (4), que o governo federal compre leite produzido no país como forma de aliviar o impacto sobre o setor. A proposta, no entanto, não acalmou os parlamentares ligados à Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, que seguem cobrando medidas mais efetivas.


Produtores pedem medidas antidumping

A principal reivindicação da Frente é a aplicação de medidas antidumping, usadas internacionalmente para conter produtos importados vendidos a preços artificialmente baixos. Segundo o grupo, ao recusar o pedido, o governo “lançou uma sentença de morte aos produtores de leite”, permitindo que as importações aumentassem 28% em setembro, o terceiro maior volume da série histórica.

Fonte: Com informações de agências e órgãos oficiais.
Texto: Redação

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Agronegócio

Fávaro defende integração entre países das Américas para fortalecer o agronegócio

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância da cooperação e do diálogo entre os países das Américas como estratégia essencial para o fortalecimento do setor agropecuário. A declaração foi feita durante a abertura da Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025, realizada nesta segunda-feira (3), no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O evento, organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reúne ministros e líderes agropecuários de 34 países membros para discutir temas-chave sobre o futuro da agricultura e da segurança alimentar no continente.

“É com orgulho e entusiasmo que o Brasil sedia novamente este encontro. É uma oportunidade para compartilharmos experiências e construirmos, juntos, caminhos para o futuro da agropecuária nas Américas”, afirmou Fávaro.

Ciência, inovação e sustentabilidade no centro das discussões

A conferência deste ano tem como foco o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na transformação produtiva da agropecuária, além de debater a integração regional e global do setor e seu impacto econômico e social.

O controle de pragas e doenças transfronteiriças também é um dos pontos de destaque da pauta, considerado essencial para garantir a sustentabilidade e a segurança alimentar dos países da região.

O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, agradeceu ao Brasil pela parceria na realização do evento. “Esses dois dias de deliberações serão decisivos para reforçar o reconhecimento que a agricultura e nossos agricultores merecem”, afirmou.

Cooperação continental pela agricultura

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressaltou a relevância da agricultura como pilar do desenvolvimento econômico e social brasileiro e como prioridade na política externa. “Esta conferência representa uma oportunidade de aproximar ainda mais os países do continente, promovendo uma cooperação sólida voltada ao desenvolvimento sustentável e à geração de emprego e renda no campo”, disse.

Paralelamente, ocorre a reunião da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), que acontece a cada dois anos e elegerá o novo diretor-geral do IICA para o período de 2026 a 2030.

“O IICA tem sido fundamental para o desenvolvimento agrícola e o bem-estar rural, promovendo segurança alimentar e sustentabilidade em toda a região”, reforçou Fávaro.

Palestrantes e programação da conferência

A conferência segue até 5 de novembro, no Hotel Royal Tulip, em Brasília (DF). A programação inclui palestras e fóruns com especialistas em agropecuária, além da participação de representantes do setor privado e de organizações ligadas ao agronegócio.

Entre os palestrantes confirmados estão Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; Rattan Lal, líder da iniciativa Solos Vivos nas Américas e referência mundial em ciências do solo; e Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e enviado especial para a Agricultura na COP30.

Durante o encontro, será eleito o novo diretor-geral do IICA, que assumirá o cargo em janeiro de 2026.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

Fiscalização eletrônica da tabela do frete acende alerta no agronegócio brasileiro

A partir de 6 de outubro, entrou em vigor a fiscalização eletrônica da tabela de piso mínimo do frete rodoviário, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida revelou uma prática até então tolerada: o descumprimento da tabela de frete, vigente desde 2018, quando foi criada pela Lei 13.703 após a greve dos caminhoneiros.

Com o novo sistema, a ANTT passou a cruzar informações em tempo real por meio do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), permitindo identificar irregularidades nas operações de transporte. O setor agropecuário, um dos mais impactados, teme aumento de custos logísticos, insegurança jurídica e dificuldades no escoamento de grãos e fertilizantes.

Mercado operava fora da tabela desde 2018

Segundo Fernando Bastiani, pesquisador do Esalq-Log/USP — grupo que participou da criação da regra —, a fiscalização era praticamente inexistente, e o mercado funcionava com base na oferta e demanda. “Agora as empresas estão tentando se adequar, e o mercado ficou praticamente paralisado”, afirma.

Ele explica que, em 2025, os preços do frete ficaram acima do piso durante a safra, mas, nas rotas longas, como Mato Grosso a Santos (SP) e Paranaguá (PR), muitos contratos não respeitavam os valores mínimos.

A plataforma Fretebras, referência no transporte de cargas, confirma o impacto imediato. De acordo com Federico Veja, CEO da empresa, a demanda por embarques caiu 20%, enquanto a oferta de caminhoneiros subiu na mesma proporção. “A tabela estabelece um piso real, o que favorece os motoristas, mas pressiona os custos das commodities agrícolas, como a soja”, explicou.

Entidades do agro contestam metodologia da tabela

Mais de 50 entidades do agronegócio enviaram ofício à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pedindo uma revisão da metodologia da tabela da ANTT. O documento solicita que a bancada leve a discussão aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, para a abertura de um diálogo técnico sobre o tema.

As instituições argumentam que os critérios de cálculo do piso mínimo são imprecisos e desatualizados, desconsiderando diferenças regionais, tipos de carga, rotas e até a idade média da frota nacional, estimada em 20 anos.

No setor de fertilizantes, o Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas) estima aumento de custos entre 35% e 50%, dependendo da rota.

“Essa nova precificação pode gerar distorções não apenas no transporte, mas também no preço dos alimentos”, afirma Veríssimo Cubas, gerente executivo da entidade.

Como muitas viagens são realizadas com retorno vazio, o cálculo da ANTT para incluir o frete de ida e volta amplia ainda mais os custos.

Logística de grãos também sente os efeitos

No mercado de grãos, a tabela tem incentivado o uso de caminhões de nove eixos, que possuem preço proporcionalmente menor que os de sete eixos ou menos, o que gera desequilíbrio na oferta.

“Isso distorce o mercado e causa escassez de caminhões maiores”, comenta Bastiani.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) também se manifestou. De acordo com sua diretora executiva, Andressa Silva, o frete de veículos menores pode representar até 25% do custo total do produto transportado. Ela alerta ainda que muitos embarcadores desconhecem as novas regras do MDF-e e podem ser multados indevidamente.

Caminhoneiros defendem rigor; ANTT garante diálogo

Para os caminhoneiros autônomos, a fiscalização é positiva. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, afirma que tradings e embarcadores estão boicotando motoristas com veículos menores como forma de pressão. “São empresas que atuavam fora da lei e agora cancelam contratos para evitar a tabela. Tenho recebido várias reclamações do Centro-Oeste”, relatou.

A ANTT, por sua vez, informou que mantém diálogo com o setor, esclarecendo dúvidas e promovendo eventos como o 1º Encontro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, realizado em 2 de outubro. Sobre as multas, o órgão afirma que os dados ainda estão sendo consolidados, mas as penalidades para embarques fora da tabela variam de R$ 550 a R$ 10,5 milcaminhoneiros não são multados.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araújo / CNA

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Agronegócio

Farsul: País vive maior crise de crédito rural desde Plano Real, aponta Farsul

Os valores disponíveis para o Crédito Rural no Brasil estão cada vez mais escassos, indica um levantamento realizado pela Assessoria Econômica da Farsul. Há um movimento de retração nos recursos fazendo este ser o pior momento da história desde o Plano Real, em 1995. E o alerta dado pela Federação é de que ainda não chegamos ao ápice da crise.

Conforme os dados divulgados pela Farsul, somente no primeiro trimestre do período da atual safra 2025 – 2026 (jul-ago-set) já há uma queda de 23% nos recursos disponíveis de custeio na comparação com o ciclo anterior. Nos investimentos a queda é de 44%. Esse montante é referente a todo país, no Rio Grande do Sul os percentuais de retração são, respectivamente, 25% e 39%. “Portanto, não há uma diferença que aponte para cá o problema, é um quadro geral. Não estamos vivendo uma crise de crédito no Rio Grande do Sul, por conta de tudo que vivemos. Estamos vivendo uma crise de crédito no Brasil, a maior da história, seguramente”, comenta o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Luz explica que é normal a cada ano o anúncio do Plano Safra superar o anterior. “A agricultura cresce, então sempre o ministro do turno anuncia que o dele é o maior Plano Safra da história. Sim, mas isso é assim desde sempre, porque o agro cresce, a necessidade de dinheiro aumenta”, esclarece. Entretanto, o economista atenta que a maior parte desse recurso não é público, portanto, não é controlado. “75% do dinheiro não recebe um centavo de subsídio, então é natural que ele cresça. Só que nós estamos vivendo um momento diferente. Apesar do anúncio ter sido o do maior Plano Safra da história, estamos vendo a maior distância entre o que se anunciou e o que efetivamente se observou. Isso já no plano safra anterior. E o 2025/2026 ainda não terminou, mas, ele está bem pior do que do ano passado”, alertou.

A diferença entre o anunciado e realizado já aconteceu com frequência nos anos anteriores. “Mas, agora o que nós estamos vendo é algo completamente diferente de tudo. A queda é vertiginosa. Eu Não estou vendo somente uma diferença entre o anúncio e o realizado. Eu estou vendo queda no realizado”, diz Luz. Na prática, os recursos disponibilizados são inferiores ao período anterior. “Antes havia diferença entre o anúncio e o disponível. O anúncio era muito maior que a realidade, mas crescia efetivamente, não o montante anunciado, mas era maior. Agora não, agora há uma queda e grande do valor que é liberado. E isto é a primeira vez que estamos experimentando”, completa.

Para o economista, o resultado pode refletir diretamente nos números da safra que inicia. Há a possibilidade de menor tecnologia nas lavouras e pode, inclusive, impactar no tamanho das áreas cultivadas. “É uma situação mais extrema, mas como nós nunca experimentamos isso antes, entendemos que todas as possibilidades estão sobre a mesa” avalia.

Inadimplência

Atrelado a esse cenário, outro ponto de preocupação está na elevada inadimplência do setor. Em julho de 2025, a taxa de inadimplência estava em 5,14%, a maior registrada até então. “O recorde anterior, que tinha sido em 2017, tinha sido pouco mais de 3% e nos preocupa porque isso ainda está subindo”, alerta Antonio. A taxa com crédito controlado está em 1,86%, enquanto a de taxas de mercado atingiu 9,35%.

Em relação a inadimplência com juros livres, a péssima notícia é que o cenário está longe de ser estabilizado ou retrair, mas, pelo contrário. “O juro livre tem uma correlação com a Taxa Selic de 8 períodos atrás, ou seja, ainda não chegamos no fundo do poço da inadimplência. Vamos aumentar mais porque ainda temos efeitos de aumentos de juros anteriores. Existe uma defasagem entre a decisão do COPOM e o que acontece na economia. Inflação, inadimplência, tudo isso tem efeito defasado. Por isso que o Banco Central chama isso de Horizonte”, explica Luz.

“Uma decisão do COPOM hoje não é para resolver os problemas de hoje, é para resolver os problemas daqui 9 a 12 meses. Então, nós ainda estamos tendo o efeito não da Selic estável em 15%, mas, ela subindo ainda. Ou seja, ainda vai piorar a inadimplência antes de começar a melhorar”, afirma o economista-chefe.

O caminho, para Luz, começa com o Governo Federal anunciando planos exequíveis e enfrentando as questões da inadimplência e disponibilização de recursos de crédito. “Assim como o uso de mitigadores como seguro rural e Proagro que sofreram retrocessos enormes no Brasil nos últimos anos. A crise de confiança sobre o produtor ficou muito grande. Irá leva anos para levantar o seguro de novo”, exemplifica.

Alienação Fiduciária

A origem da inadimplência está relacionada aos juros, mas o aumento dela torna o crédito rural mais escasso e, consequentemente, a crise mais grave. “São duas coisas que caminham juntas, elas se retroalimentam”, destaca Antonio da Luz. “A inadimplência faz com que os bancos aumentem o seu nível de segurança. Só que para aumentar o seu nível de segurança, eles estimulam o aumento da inadimplência, porque o produtor não pega crédito. Ele não tem o que fazer, ele vai lá e vende o produto para comprar insumo e vem a inadimplir”, descreve.

Um dos reflexos está no aumento de exigências para liberação dos recursos. O sistema financeiro passou a utilizar a alienação fiduciária para aprovação e crédito. “O agravamento, em todo o Brasil, das questões ligas a adimplência de obrigações contraídas por produtores e alavancagem demasiada trouxe uma incerteza neste panorama e os bancos aproveitaram a ocasião para se utilizar de um instituto que é o da alienação fiduciária”, ressalta o diretor Jurídico da Farsul, Nestor Hein.

O advogado reforça a orientação da Federação aos produtores sobre a questão. “Temos alertado ao produtor que já está numa situação que não é boa, que está sujeito a licitudes de secas novamente. Qualquer problema que haja, ele poderá não ter o recurso e perder a sua propriedade. Então, que ele procure sempre tomar recursos por outra modalidade. Por hipoteca, por exemplo, ou outros meios que não a alienação fiduciária, que é um meio muito expedido, muito rápido e muito comprometedor do património”, destacou.

Hein faz questão de esclarecer que não se trata de uma crítica ao sistema financeiro ou ao instrumento. “A alienação fiduciária não é um mal. Ela se justifica, por exemplo, na compra de um automóvel, um bem que não tinhas e que se não o pagar, irá perder rapidamente. Agora, para quem não está nessa situação, é algo que não recomendamos. Não é nada contra o sistema bancário. Mas, se trata de uma atividade que é feita a céu aberto, sujeita a intempéries. Uma garantia tão larga não nos parece uma boa ideia e não aconselhamos”, justifica.

FONTE: Farsul
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agronegócio

Agronegócio de Santa Catarina bate recordes e reforça protagonismo nacional

Santa Catarina se mantém como referência nacional no agronegócio, registrando desempenho expressivo em diversas cadeias produtivas, segundo dados de 2024 do IBGE e do Observatório Agro Catarinense. Com apenas 95,7 mil km² e 8,2 milhões de habitantes, o estado ocupa a 20ª posição em extensão territorial, mas está entre os oito maiores destaques do setor agropecuário do Brasil.

Peso econômico do agronegócio em SC

O agronegócio catarinense representa cerca de 25% do PIB estadual, sendo 6,7% do valor adicionado total proveniente diretamente da agropecuária. O estado conta com 183 mil estabelecimentos agropecuários, ocupando 6,4 milhões de hectares e gerando quase 500 mil empregos diretos. Em 2024, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) atingiu R$ 63,8 bilhões, distribuídos entre produção animal (R$ 38,9 bilhões), lavouras (R$ 21,6 bilhões) e produção florestal (R$ 3,3 bilhões).

Segundo Carlos Chiodini, secretário de Agricultura e Pecuária, o desempenho reflete o trabalho conjunto de produtores, cooperativas, agroindústrias e políticas públicas estaduais.

“Santa Catarina aposta em desenvolvimento sustentável, tecnologia, inovação e sanidade, agregando valor à produção e garantindo presença internacional. Seguimos ampliando a competitividade e fortalecendo a economia do campo”, afirma Chiodini.

Eficiência produtiva e exportações

Em 2024, as exportações agropecuárias somaram US$ 7,6 bilhões, correspondendo a 65% das vendas externas do estado. Produtos como carnes, madeira, frutas e mel reforçam o perfil diversificado e competitivo de Santa Catarina no comércio exterior.

A agricultura e a silvicultura também se destacam: o estado possui 1,97 milhão de hectares cultivados, sendo 1,89 milhão em lavouras anuais, 78 mil hectares de lavouras permanentes e 981 mil hectares de silvicultura, com predomínio de pínus (667 mil ha) e eucalipto (283 mil ha).

Para Luiz Toresan, analista da Epagri/Cepa, a eficiência produtiva e a agregação de valor garantem competitividade nacional e internacional, permitindo acesso a mercados exigentes.

“A integração da agroindústria, sobretudo em carnes, leite e frutas, proporciona ganhos de escala e maior controle de qualidade, consolidando Santa Catarina como produtora de alimentos de excelência”, explica Toresan.

Destaques nacionais em produção agropecuária

Santa Catarina liderou em 2024 a produção de carne suína (29,3% do total nacional, 1,6 milhão de toneladas), cebola (31,8%, 534,5 mil toneladas) e maricultura, com 7,2 mil toneladas, representando 91,6% da produção nacional.

O estado também se destacou como vice-campeão nacional em diversas cadeias: arroz (1,1 milhão de toneladas, 10,6%), carne de frango (1,83 milhão de toneladas, 13,8%), maçã (464,8 mil toneladas, 46,6%), fumo (170 mil toneladas, 26,7%), além de carpas, palmito, pêra, pinhão e truta.

Na terceira colocação nacional, figuram produtos como aveia (51,1 mil toneladas, 4,7%), trigo (421,3 mil toneladas, 5,5%), erva-mate (139,8 mil toneladas, 11,5%), lenha (8,3 milhões m³, 11,1%) e frutas de clima temperado, como pêssego e noz.

Em quarto lugar, o estado se destacou na produção de banana (752,6 mil toneladas, 10,3%), leite (3,3 bilhões de litros, 9,2%), tilápia (35,7 mil toneladas, 8,1%), madeira plantada (20,2 milhões m³, 10,8%) e maracujá (37,4 mil toneladas, 5,1%).

Exportações reforçam protagonismo internacional

Santa Catarina liderou as exportações de carne suína (US$ 1,7 bilhão), madeira e obras de madeira (US$ 1,3 bilhão) e móveis de madeira (US$ 236,4 milhões). Também se destacou em carne de peru, sucos de maçã, carne de pato e banana.

Na segunda posição nacional, figuram carne de frango (US$ 2,3 bilhões), outras proteínas animais (US$ 197,6 milhões), tabaco (US$ 137,2 milhões) e produtos complementares, além de bebidas não alcoólicas e maçãs frescas.
O estado conquistou ainda o terceiro lugar em ovos e gemas, papel, mel e arroz, com faturamento relevante.

“Santa Catarina consolida-se como referência em qualidade, sanidade e valor agregado, impulsionada por um modelo produtivo eficiente e competitivo”, afirma Dirceu Leite, presidente da Epagri.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
TEXTO: Redação
IMAGENS: Aires Mariga/Epagri/Eduardo Valente/Secom GOVSC

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Agronegócio

Abertura de novos mercados para o Brasil nos Estados Unidos, no Irã, em Santa Lúcia e no Uruguai

Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 453 novas aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com quatro países, que resultaram em nove novas aberturas de mercado para o agronegócio brasileiro.

Nos Estados Unidos, as autoridades locais aprovaram as exportações brasileiras de alimentos para cães com origem vegetal. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou mais de US$ 9 bilhões em produtos agropecuários para os Estados Unidos.

No Irã, as autoridades locais autorizaram o Brasil a exportar sementes de abobrinha e sementes de melancia. Entre janeiro e setembro de 2025, as exportações agrícolas do Brasil para o Irã superaram US$ 1,8 bilhão, com destaque para milho, produtos do complexo soja e do complexo sucroalcooleiro.

Em Santa Lúcia, as autoridades locais aprovaram as exportações brasileiras de carne de aves e seus produtos, carne suína e seus produtos, bem como carne bovina e seus produtos. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou mais de US$ 216 milhões em produtos agropecuários para a Comunidade do Caribe (CARICOM), de que Santa Lúcia faz parte.

No Uruguai, as autoridades locais autorizaram as exportações brasileiras de mudas de eucalipto, mudas de oliveira e plantas ora-pro-nóbis. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou mais de US$ 719 milhões em produtos agropecuários para o Uruguai, com destaque para proteína animal, produtos florestais, mate, fibras e produtos têxteis.

Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 453 novas aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
IMAGEM: Redação/Ministério da Agricultura e Pecuária

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