Agronegócio

Ferrogrão avança sem aporte público de R$ 3,5 bilhões em nova modelagem

O projeto de concessão da Ferrogrão teve uma mudança importante em sua estrutura econômico-financeira. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou na quinta-feira (10) a retirada de um aporte público de R$ 3,5 bilhões que estava previsto na modelagem da futura ferrovia.

O valor seria viabilizado por meio de investimentos cruzados envolvendo Rumo Paulista, MRS e Vale. De acordo com a ANTT, porém, os estudos apresentados pela Infra S.A. em 2024 já não contemplavam o aporte, após as discussões sobre o formato da concessão.

O Ministério dos Transportes informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que a Ferrogrão continua apresentando atratividade mesmo sem a necessidade desse recurso público para a realização dos estudos.

Modelagem da Ferrogrão passa por revisão

A exclusão dos R$ 3,5 bilhões integra uma reformulação mais abrangente do projeto. A ANTT atualizou as minutas do edital e do contrato e modificou diferentes pontos da modelagem econômico-financeira da concessão.

Entre as mudanças estão as regras de alocação de riscos, os mecanismos de governança e os procedimentos para resolução consensual de conflitos.

Também foram reavaliados aspectos como premissas tributárias, receitas acessórias, investimentos obrigatórios, despesas operacionais e instrumentos de reequilíbrio econômico-financeiro.

Outra alteração importante envolve os trens e vagões. Esses equipamentos deixaram de fazer parte da relação de bens reversíveis da concessão.

Com a nova estrutura, a futura concessionária poderá formar sua frota por meio de arrendamento ou cessão de uso com terceiros. O contrato também prevê a aquisição direta de uma frota mínima destinada à manutenção, correspondente a aproximadamente 2% do total. Esses veículos igualmente não serão classificados como bens reversíveis.

Novas regras para demanda e compartilhamento ferroviário

A ANTT também modificou as normas relacionadas ao compartilhamento da infraestrutura ferroviária. A nova modelagem detalha ainda como será tratado o risco de demanda decorrente da eventual criação de rotas concorrentes.

A possibilidade de reequilíbrio econômico-financeiro permanece no projeto. Entretanto, a concessionária terá de apresentar comprovação técnica tanto da implantação da nova rota concorrente quanto da efetiva migração de cargas.

Projeto segue para análise do TCU

Com a atualização dos estudos e documentos jurídicos, a diretoria da ANTT aprovou nesta quinta-feira o encaminhamento da proposta ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A avaliação do órgão de controle é uma etapa obrigatória antes da publicação do edital e da realização do leilão da Ferrogrão.

O empreendimento já foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de uma disputa envolvendo uma área de proteção ambiental. Em maio deste ano, a Corte considerou constitucional a lei que autorizou a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, medida necessária para viabilizar a construção da ferrovia.

Paralelamente, o TCU acompanha um processo relacionado aos atos e procedimentos preparatórios para a concessão.

Ferrogrão terá quase 1 mil km entre Mato Grosso e Pará

O projeto prevê uma linha principal de aproximadamente 1 mil quilômetros, ligando Sinop (MT) a Miritituba, distrito de Itaituba (PA).

A estrutura também inclui dois ramais: Santarenzinho, com cerca de 32 quilômetros, e Itapacurá, de aproximadamente 11 quilômetros.

A proposta é transformar a Ferrogrão em um importante corredor ferroviário para o escoamento de grãos, conectando a produção do Centro-Oeste aos terminais e rotas de exportação do Arco Norte.

Ferrovia é vista como alternativa para o transporte de grãos

Apesar do avanço na modelagem, a construção da Ferrogrão continua cercada por questionamentos ambientais e também provoca divergências dentro do setor ferroviário.

Entre representantes do setor produtivo, o empreendimento é defendido como uma alternativa para reduzir os custos de transporte de grãos do Centro-Oeste e ampliar a utilização das rotas de exportação pelo Norte do Brasil.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Agronegócio

Veto da União Europeia ao agro brasileiro pode gerar impacto de US$ 2 bilhões nas exportações

A União Europeia (UE) começa a suspender nesta quinta-feira (3) a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão foi tomada diante da falta de comprovação considerada suficiente sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A restrição atinge carne bovina, carne de frango, ovos, mel e pescados e pode provocar perdas próximas de US$ 2 bilhões em exportações ao longo de um ano.

Por que a União Europeia suspendeu as compras do Brasil?

A União Europeia mantém regras rígidas para o uso de antimicrobianos na produção de alimentos de origem animal. O bloco veta substâncias utilizadas como promotores de crescimento e também medicamentos que tenham aplicação no tratamento de infecções humanas.

A política busca reduzir a resistência antimicrobiana, considerada um dos principais desafios sanitários globais, além de diminuir o risco de surgimento das chamadas superbactérias.

A proibição da entrada de alimentos produzidos com o uso dessas substâncias foi definida pela UE em 2019 e regulamentada em 2023. O Brasil recebeu o alerta sobre as novas exigências há sete anos, mas não conseguiu implementar a tempo mecanismos capazes de demonstrar o cumprimento das normas europeias.

Brasil tentou evitar a interrupção das exportações

Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou as negociações técnicas e diplomáticas para tentar impedir a suspensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou diretamente das tratativas, mas as iniciativas não foram suficientes para alterar a decisão anunciada pelos europeus em maio.

Com a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer esses produtos ao bloco, a exportação de carne bovina para a Europa pode permanecer interrompida até 2028.

No caso do frango brasileiro, entretanto, existe a possibilidade de uma retomada ainda em 2026, dependendo do resultado das avaliações realizadas pelos técnicos europeus.

Protocolo para bovinos não evitou o bloqueio

Para tentar cumprir as exigências, o Brasil apresentou um protocolo privado destinado a certificar bovinos livres de antimicrobianos, posteriormente homologado pelo Ministério da Agricultura.

A proposta brasileira previa um período de transição, durante o qual as exportações continuariam enquanto os mecanismos de controle fossem ampliados. A União Europeia, porém, rejeitou o pedido.

Frigoríficos e produtores começaram a aderir ao protocolo, mas a medida não produz efeitos imediatos. Isso ocorre porque são necessários cerca de dois anos entre o nascimento e o abate dos animais.

Dessa forma, caso o mercado europeu permaneça fechado para a carne bovina brasileira até 2028, os frigoríficos podem acumular perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões.

Fiscalização do frango passa por avaliação europeia

O governo brasileiro também colocou em funcionamento, em 1º de julho, um novo procedimento de fiscalização das cadeias produtivas. Na avicultura, foi acrescentada uma etapa adicional de controle.

Essas medidas estão sendo avaliadas por uma missão técnica da União Europeia, que está no Brasil desde a semana passada. A inspeção inclui o sistema de produção de frango e também visitas a empresas exportadoras de mel e produtos apícolas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que a avaliação europeia ocorre de forma satisfatória. Segundo a entidade, o setor avícola brasileiro já atende integralmente aos requisitos estabelecidos pela UE.

Frango pode voltar ao mercado europeu ainda em 2026

A expectativa do setor é de que a missão técnica aprove os procedimentos adotados pelo Brasil e recomende a volta do país à lista de exportadores autorizados.

A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, que poderá analisar o caso em uma reunião prevista para novembro.

O impacto sobre a cadeia de frango também tende a ser menor porque os exportadores brasileiros aumentaram os embarques para a Europa nos últimos meses, antecipando uma possível suspensão.

Importadores europeus chegaram a reforçar seus estoques. Segundo uma fonte do setor, as reservas seriam suficientes para cobrir pelo menos o mês de setembro.

Além disso, a União Europeia deverá aceitar os produtos que foram certificados no Brasil até 2 de setembro. Por isso, a interrupção das compras não necessariamente terá efeito imediato sobre os embarques.

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou quase 226,5 mil toneladas de frango para a Europa, volume 73,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Brasil pode recorrer à OMC e adotar retaliações

Com a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro poderá avaliar ações de reciprocidade contra produtos europeus. Entre as possibilidades estão restrições a azeites e produtos lácteos da Europa.

O país também pode recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou como “inadmissível” a exclusão do Brasil da lista de exportadores e mantém a expectativa de que o país consiga recuperar o acesso ao mercado europeu ainda neste ano.

Segundo declarações recentes do ministro, o impasse passou a depender principalmente de negociações diplomáticas e de uma ampla pactuação envolvendo diferentes setores do governo.

O presidente Lula também enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na tentativa de normalizar as exportações brasileiras de frango e mel.

Ovos e pescados terão impacto menor

Para os setores de ovos e pescados, os efeitos da suspensão tendem a ser mais limitados.

O mercado europeu foi reaberto aos ovos brasileiros apenas em abril. Desde então, foram exportadas somente 239 toneladas para o bloco, o que reduz o impacto econômico imediato da medida.

No caso dos pescados, as exportações já estavam suspensas desde 2018, devido à ausência de um sistema de controle sanitário adequado para as embarcações.

Além disso, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund, afirmou que o setor “nunca utilizou” antimicrobianos.

Governo ainda não comenta oficialmente

Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores foram procurados uma semana antes, mas não apresentaram resposta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o tema está sob responsabilidade do Ministério da Agricultura. O Palácio do Planalto também não se manifestou.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

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Agronegócio

Hidrovia do Tapajós: falta de dragagem pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

A falta de dragagem de manutenção na hidrovia do Tapajós pode provocar perdas de até R$ 850 milhões para a cadeia produtiva, segundo estimativas de entidades ligadas ao setor. O alerta foi encaminhado nesta sexta-feira (28) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, acompanhado de um pedido para que o governo federal tome medidas para preservar a navegabilidade do rio.

O documento é liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e reúne diferentes representantes do setor produtivo. As entidades consideram a realização da dragagem uma medida urgente diante do risco de queda acentuada no nível dos rios durante a safra 2026/2027.

A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos de uma restrição à navegação. Caso as embarcações tenham sua capacidade reduzida ou deixem de operar em determinados trechos, parte das cargas poderá ser transferida para as rodovias, aumentando os custos logísticos, a pressão sobre a cadeia produtiva e as emissões de carbono.

O que está em jogo no Tapajós

A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter condições adequadas de navegação. O serviço interfere diretamente no calado das embarcações, ou seja, na profundidade que fica submersa.

Com a diminuição do nível da água, a distância entre o fundo do rio e o casco das embarcações também fica menor. Isso pode obrigar os operadores a reduzir a quantidade de carga transportada ou até interromper a navegação em trechos onde a profundidade se torne insuficiente.

O governo federal chegou a contratar uma intervenção de manutenção, mas o serviço acabou suspenso após manifestações contrárias de povos indígenas com territórios próximos ao Rio Tapajós.

Dragagem foi suspensa após protestos

Em janeiro de 2026, uma empresa foi contratada para executar a dragagem de manutenção na hidrovia. No mês seguinte, porém, o governo federal suspendeu a operação diante da resistência das comunidades indígenas da região.

A possibilidade de uma seca extrema associada ao El Niño fez o assunto voltar à pauta. Uma nova intervenção emergencial chegou a ser autorizada, mas posteriormente foi desautorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos monitora diariamente o nível do Rio Tapajós e as condições de navegação. Até o momento, a profundidade ainda não chegou a uma situação considerada crítica.

O setor produtivo, entretanto, cobra uma alternativa preventiva para o caso de uma estiagem mais severa comprometer a navegabilidade.

Transporte de grãos pode ser afetado

De acordo com a FPA, uma eventual redução ou interrupção da capacidade de transporte pela hidrovia poderá acrescentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada aos custos logísticos.

As entidades também estimam que até 5 milhões de toneladas de grãos possam ter o escoamento prejudicado. A transferência dessas cargas para caminhões poderia gerar ainda cerca de 55 mil toneladas adicionais de emissões de carbono.

A hidrovia do Tapajós é considerada um dos principais corredores do Arco Norte, rota utilizada para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos das regiões Norte e Nordeste.

A importância da via cresceu nos últimos anos. Em 2025, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas pelo Rio Tapajós, alta de 14,3% em comparação com 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Soja e milho dominam as cargas

O agronegócio é o principal usuário da hidrovia. Aproximadamente 88% das cargas transportadas pelo Tapajós são compostas por soja e milho.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos dois produtos chegou a 2,04 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do rio para o escoamento da produção agrícola brasileira.

Setor alerta para risco de nova seca

A possibilidade de uma nova queda expressiva no nível dos rios é a principal preocupação das entidades. O documento encaminhado ao governo cita a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode provocar redução das chuvas na região Norte.

O setor produtivo lembra os efeitos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando a estiagem reduziu o nível do Tapajós e dificultou o transporte de cargas pela hidrovia.

Diante desse cenário, a avaliação das entidades é de que uma intervenção preventiva poderia evitar problemas maiores durante o período de seca.

Dragagem poderia ser custeada pelo setor privado

As entidades defendem ainda que a manutenção da hidrovia seja realizada sem utilização de recursos públicos.

O documento menciona um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), que permite a participação da iniciativa privada na execução de serviços de dragagem de manutenção.

Segundo o setor produtivo, esse modelo possibilitaria realizar a intervenção sem gerar despesas para o governo federal. A solicitação é para que a alternativa seja viabilizada antes do período de estiagem mais intenso.

Pedido também envolve outras hidrovias

A preocupação das entidades não está restrita ao Tapajós. O documento também chama atenção para a necessidade de manutenção contínua de hidrovias estratégicas, citando como exemplo o Rio Madeira.

A intenção é reduzir a vulnerabilidade da matriz logística brasileira diante de períodos de seca e garantir alternativas para o transporte de grandes volumes de commodities.

O novo pedido foi apresentado aproximadamente dois meses depois de a FPA encaminhar outra solicitação ao governo federal para assegurar as condições de navegação no Tapajós. De acordo com a frente parlamentar, as medidas solicitadas anteriormente ainda não haviam sido executadas.

Agora, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura e Pecuária intensifique a articulação com a Casa Civil e demais órgãos envolvidos para viabilizar os serviços de manutenção nos pontos considerados críticos antes do período mais severo de estiagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil

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Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro se aproximam da liderança global dos Estados Unidos

As exportações do agronegócio brasileiro avançam rapidamente no comércio internacional e já estão próximas de superar as vendas externas dos Estados Unidos. Enquanto o mercado norte-americano apresenta crescimento mais moderado nos últimos anos, o Brasil mantém uma trajetória de expansão no setor.

Em cinco anos, a receita brasileira com exportações agropecuárias cresceu 68%, chegando a US$ 169 bilhões. No mesmo período, os Estados Unidos registraram US$ 171 bilhões, com alta de apenas 14%. A diferença, portanto, caiu para cerca de US$ 2 bilhões.

Brasil amplia participação no mercado internacional

O avanço brasileiro ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola dos Estados Unidos. Entre os principais fatores estão limitações de área produtiva, redução do rebanho e mudanças na dinâmica do comércio exterior.

Nos EUA, a área destinada ao plantio permanece praticamente estagnada, enquanto o rebanho bovino atingiu o menor nível em cerca de sete décadas. A menor disponibilidade de animais reduziu a capacidade de oferta interna e contribuiu para o aumento das importações de carne bovina brasileira.

Política comercial afeta vendas dos Estados Unidos

As medidas protecionistas adotadas durante o governo de Donald Trump também pressionaram as relações comerciais americanas com parceiros estratégicos.

Um dos reflexos aparece nas vendas para a China, que recuaram 49% em cinco anos. Também houve perda de espaço nas relações comerciais dentro do USMCA, acordo que reúne Estados Unidos, Canadá e México.

Enquanto isso, o Brasil aproveitou oportunidades abertas no comércio global para ampliar seus embarques e diversificar os destinos das exportações brasileiras.

Brasil ganha força em soja, milho e carnes

A disputa pela liderança no mercado de grãos também mudou de configuração. Nos Estados Unidos, a soja deixou de ser o principal produto em receita de exportação e foi ultrapassada pelo milho.

Esse movimento ajudou a consolidar a posição brasileira como líder mundial em oleaginosas e ampliou a relevância do país no comércio internacional de proteína animal.

Exportações brasileiras avançam na América do Norte

A expansão do agronegócio brasileiro não se limita aos mercados tradicionais. Os produtos nacionais ganharam espaço em diferentes continentes, com crescimento também na América do Norte.

Nos últimos cinco anos, as vendas brasileiras para a região aumentaram 11%. Parte desse avanço está relacionada à demanda dos Estados Unidos por proteína animal, especialmente diante das limitações da produção doméstica.

Com a combinação de aumento da produção, diversificação de mercados e maior presença internacional, o agronegócio brasileiro se aproxima de um novo marco: ultrapassar os Estados Unidos em valor de exportações agropecuárias.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Agronegócio

China acelera compras de soja dos EUA diante de risco de safra menor e preços mais altos

A China aumentou o ritmo de compras de soja dos Estados Unidos em meio às preocupações com o potencial da nova safra norte-americana e à possibilidade de preços mais elevados nos próximos meses.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta sexta-feira (21) uma venda de 1,432 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27. Desse total, 712 mil toneladas foram destinadas à China, enquanto outras 720 mil toneladas tiveram como destino países não divulgados — volume que o mercado considera que também possa ter como destino os chineses.

China já responde por quase metade das vendas

A nova operação reforça o avanço da demanda pela soja norte-americana. Segundo levantamento da Agrinvest Commodities, o relatório semanal divulgado na quinta-feira apontava 11,86 milhões de toneladas já comprometidas da safra 2026/27.

Com os negócios anunciados posteriormente, o volume indicado de vendas chega a 13,58 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 30% das 45,18 milhões de toneladas que o USDA estima que os Estados Unidos exportarão no ciclo.

Desse total, 6,54 milhões de toneladas têm a China como destino, o equivalente a 48% das vendas já contabilizadas.

A Agrinvest também destaca que outras 870 mil toneladas atualmente registradas como “destinos desconhecidos” ainda podem ser atribuídas a compradores específicos ao longo do ano comercial.

Vendas americanas ganham ritmo

De acordo com a consultoria, os dados oficiais de 13 de agosto já mostravam que o programa de exportação dos Estados Unidos estava acima dos níveis registrados nas três temporadas anteriores, ficando atrás somente de 2022/23.

Os anúncios mais recentes ampliaram essa diferença e reforçaram a percepção de aceleração da demanda internacional pela soja dos EUA.

Somente nesta semana, além da venda anunciada nesta sexta-feira, o USDA havia informado negócios de 136 mil toneladas na terça-feira (18) e de outras 150 mil toneladas para destinos não revelados na quinta-feira (20).

Compras ocorrem antes de possível alta em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o anúncio do USDA ajudou a limitar as perdas durante o pregão desta sexta-feira, mas não foi suficiente para impedir a realização de lucros após uma semana de fortes altas.

Por volta das 13h50, no horário de Brasília, o contrato de novembro era negociado a US$ 12,34 por bushel, enquanto o vencimento de março de 2027 estava em US$ 12,54.

As cotações ganharam força ao longo da semana após os dados do Pro Farmer Crop Tour indicarem problemas relevantes em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. Os resultados levantaram dúvidas sobre o potencial produtivo da nova safra e aumentaram as expectativas de possíveis revisões nas estimativas de produção, produtividade e estoques pelo USDA.

Clima nos EUA aumenta preocupação com oferta

O cenário de clima adverso nos Estados Unidos é acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante da possibilidade de uma produção abaixo das expectativas iniciais.

A perspectiva de menor oferta potencial ocorre justamente em um momento de fortalecimento da demanda chinesa. A China, maior importadora mundial de commodities agrícolas, vem ampliando as compras de soja americana enquanto busca garantir matéria-prima para a produção de ração.

Até meados de agosto, os dados oficiais indicavam que os chineses já haviam comprado quase 6 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos.

A operação de 712 mil toneladas anunciada nesta sexta-feira representa o maior volume de compra diária da temporada, em um movimento que ocorre antes do encontro previsto para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Produtores americanos acompanham reação do mercado

A movimentação dos compradores chineses também é observada pelos produtores dos Estados Unidos. Lee Brooke, presidente do conselho da Associação de Soja de Iowa, afirmou à Bloomberg que os agricultores vêm buscando demanda em mercados menores enquanto a China também recorre a outros fornecedores.

Para o produtor Brian Nilson, do Nebraska, um dos estados atingidos por condições climáticas adversas, o cenário evidencia o dilema entre produção agrícola e preços da soja.

Na avaliação do produtor, preços mais elevados normalmente aparecem quando há problemas na produção, criando um equilíbrio delicado para quem depende da atividade agrícola.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Proteína animal brasileira ganha espaço no mercado global com aumento da demanda e novas oportunidades

A proteína animal brasileira mantém perspectivas positivas de crescimento no mercado internacional, impulsionada pela alta demanda global, pela competitividade do agronegócio nacional e pela abertura de novos destinos comerciais.

A avaliação foi um dos principais pontos debatidos durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, realizado em São Paulo (SP), evento considerado um dos mais importantes encontros das cadeias de aves, suínos, ovos, peixes de cultivo e bovinos do Brasil e da América Latina.

Para Miguel Gularte, CEO da MBRF, o setor brasileiro vive um cenário em que a procura internacional ainda supera a capacidade de oferta. Segundo ele, essa característica abre espaço para que o país amplie sua participação no comércio mundial.

Produção e exportações devem avançar em 2026

Durante o evento, representantes das principais empresas do setor destacaram que o Brasil reúne condições para continuar crescendo, desde que avance na abertura de mercados, na diversificação de compradores e na oferta de produtos com maior valor agregado.

Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que a produção nacional de carne de frango pode crescer até 5,6% em 2026, enquanto a produção de carne suína deve avançar até 5% e a de ovos cerca de 4,1%.

As exportações também apresentam expectativa positiva. A previsão é de aumento de até 10,3% nos embarques de carne de frango e de 5,9% na carne suína, acompanhando a maior disponibilidade interna e o crescimento do consumo por habitante.

Dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura, mostram que as exportações brasileiras de frango, carne suína e ovos cresceram 2,8% em volume no último ano, alcançando 6,7 milhões de toneladas. Em receita, a alta foi de 3,3%, chegando a US$ 13,3 bilhões.

Diversificação reduz dependência de grandes compradores

Apesar dos números favoráveis, líderes do setor reforçaram que o futuro da indústria de proteína animal dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que a redução das compras chinesas de carne suína não representa uma mudança definitiva no comércio internacional, mas uma retomada aos níveis anteriores ao período da peste suína africana.

Na avaliação dele, países da Ásia, da África e do chamado Sul Global devem concentrar parte relevante do crescimento do consumo de proteínas nos próximos anos.

A expectativa da entidade é que o setor mantenha uma expansão anual entre 3% e 3,5%, sustentada pela competitividade brasileira e pela ampliação de acordos comerciais.

O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, também defendeu a redução da dependência de poucos compradores internacionais.

Segundo ele, o Brasil precisa evitar a concentração das vendas externas em um único mercado e ampliar sua presença em destinos como Coreia do Sul, Japão e outros países estratégicos.

Competitividade depende de tecnologia e eficiência produtiva

Para João Campos, presidente da Seara, a força da proteína brasileira está diretamente ligada à evolução dos sistemas de produção.

Segundo o executivo, a integração entre produtores e indústria, os investimentos em tecnologia, a inovação no campo e a capacidade de adaptação às mudanças do mercado são diferenciais importantes para manter o protagonismo brasileiro.

Miguel Gularte destacou que o setor demonstrou capacidade de resposta diante de desafios recentes, como a pandemia e conflitos internacionais, mantendo padrões sanitários elevados e garantindo o abastecimento de mercados estratégicos.

Na avaliação dele, a estratégia de vender para diferentes países reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

Exportação de produtos industrializados é próximo desafio

Outro tema recorrente nos debates foi a necessidade de ampliar a participação brasileira em produtos processados e de maior valor agregado.

Neivor Canton afirmou que o país ainda concentra boa parte das exportações em produtos básicos e precisa avançar na construção de marcas e no desenvolvimento de produtos diferenciados para o consumidor internacional.

João Campos destacou que a internacionalização da indústria vai além da venda ao exterior, envolvendo também a criação de canais de distribuição, relacionamento com consumidores e fortalecimento das marcas brasileiras.

Para Gularte, a aproximação dos hábitos de consumo em diferentes regiões do mundo cria novas oportunidades para empresas nacionais ampliarem sua atuação internacional.

SIAVS reforça protagonismo brasileiro no comércio mundial

O SIAVS 2026 reuniu representantes da indústria, produtores, pesquisadores, fornecedores e compradores internacionais para discutir os caminhos da proteína animal brasileira.

Segundo Ricardo Santin, o crescimento do evento acompanha a evolução do setor e consolida o Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos.

Os debates mostraram que o próximo ciclo de expansão da agroindústria brasileira dependerá não apenas do aumento da produção, mas também da conquista de novos mercados, da agregação de valor e da manutenção da confiança dos consumidores internacionais.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/SIAVS

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Agronegócio

Preço do café sobe no Brasil após chuvas afetarem a colheita e a oferta do grão

O preço do café registrou alta em julho, contrariando o comportamento esperado para o período de maior oferta da safra brasileira. O café arábica acumulou valorização de 10,5% no mês, enquanto o café conilon teve aumento de 3%, mesmo com a colheita dessa variedade já concluída.

Tradicionalmente, os meses de junho, julho e agosto costumam apresentar recuo nas cotações devido ao aumento da disponibilidade do produto. Neste ano, porém, fatores climáticos alteraram esse cenário e pressionaram os preços do grão.

Segundo especialistas, o aumento dos custos pagos pela indústria aos produtores tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva, podendo refletir no valor final pago pelos consumidores.

Clima prejudica colheita e secagem dos grãos

As chuvas nas principais regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais e no interior de São Paulo, são apontadas como a principal causa da valorização do café. As precipitações atrasaram tanto a colheita quanto o processo de secagem dos grãos, reduzindo o ritmo esperado de disponibilização da safra.

Esse cenário também influenciou o mercado internacional, gerando preocupação quanto ao cumprimento do cronograma de embarques do café brasileiro. A valorização começou nas bolsas internacionais, impactou os preços nos portos e acabou sendo transmitida para toda a cadeia de comercialização.

Produção deve crescer, mas preços podem demorar a cair

Apesar do cenário de alta, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de aproximadamente 66 milhões de sacas em 2025, volume 18% superior ao registrado no ciclo anterior. Desse total, cerca de 44 milhões de sacas correspondem ao café arábica.

Mesmo com a expectativa de maior produção, analistas avaliam que a queda nos preços pode acontecer de forma mais lenta do que o previsto, já que os impactos climáticos seguem influenciando o mercado.

Floração antecipada preocupa produtores

Além dos atrasos na colheita, as chuvas fora de época provocaram outro efeito que preocupa o setor cafeeiro: a floração antecipada dos cafezais.

O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e outubro, foi registrado ainda em julho em diversas propriedades. Especialistas alertam que essa floração precoce pode comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzindo a energia disponível para a formação dos frutos na próxima safra.

O setor também acompanha com atenção os reflexos das condições climáticas observadas nos últimos anos. Eventos como o El Niño e perdas de produção registradas entre 2024 e o início de 2025 contribuíram para a forte valorização do café no mercado internacional, cenário que ainda influencia as cotações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Data Mercantil

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Agronegócio

Algodão do Matopiba ganha nova rota ferroviária para exportação pelo Porto de Santos

A cadeia do algodão do Matopiba passou a contar com uma nova alternativa logística para atender o mercado internacional. A Brado e a SLC Agrícola concluíram a primeira operação multimodal de transporte da fibra produzida no Maranhão com destino ao Porto de Santos (SP), criando um novo corredor de exportação para uma das regiões agrícolas que mais crescem no país.

O embarque inaugural transportou 246,2 toneladas de pluma de algodão. A carga saiu de Davinópolis (MA), percorreu a Ferrovia Norte-Sul até Sumaré (SP) e, na etapa final, seguiu por caminhão até o porto paulista, de onde foi enviada ao Sudeste Asiático. A expectativa das empresas é ampliar gradualmente o volume de operações nos próximos meses.

Operação fortalece integração entre ferrovia e rodovia

A nova rota representa mais um avanço na parceria entre Brado e SLC Agrícola, que desde 2020 trabalham juntas no transporte de algodão para exportação produzido em Mato Grosso, maior estado produtor da fibra no Brasil.

Com a expansão da cultura para o Matopiba — região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, a necessidade de soluções logísticas mais eficientes se tornou estratégica para acompanhar o crescimento da produção.

Segundo a Brado, a utilização da Ferrovia Norte-Sul oferece mais capacidade operacional, previsibilidade e eficiência, além de contribuir para preservar a qualidade da carga durante todo o trajeto por meio de monitoramento e planejamento especializado.

Porto de Santos amplia competitividade das exportações

A escolha do Porto de Santos como ponto de embarque também foi considerada estratégica. O maior complexo portuário da América Latina concentra elevado fluxo de navios e ampla disponibilidade de contêineres, fatores que facilitam o escoamento da produção e fortalecem a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional.

Para a SLC Agrícola, a nova alternativa logística amplia a integração entre os diferentes modais de transporte e gera conhecimento para futuras operações, tornando a cadeia mais eficiente, segura e sustentável.

Expansão do Matopiba impulsiona novos corredores logísticos

O desenvolvimento dessa nova rota acompanha o avanço da produção agrícola na região do Matopiba, considerada uma das principais fronteiras de expansão do agronegócio brasileiro.

Nas últimas décadas, o cultivo de algodão avançou para além das áreas tradicionais, aumentando a necessidade de corredores logísticos capazes de atender à crescente demanda por transporte até os portos exportadores.

Antes da nova operação, grande parte da produção seguia exclusivamente por rodovias. Agora, a integração entre ferrovia e transporte rodoviário surge como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência logística e ampliar a competitividade do setor.

Brasil consolida liderança nas exportações de algodão

O fortalecimento da infraestrutura logística acompanha o crescimento da produção nacional. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou mais de 3 milhões de toneladas de algodão em 2025, resultado 9,1% superior ao registrado no ano anterior.

Atualmente, o país responde por 30,7% das importações globais da fibra, consolidando-se como líder mundial no segmento.

Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam ainda que a área cultivada com algodão mais que dobrou nas últimas duas décadas e já ultrapassa 2 milhões de hectares. Parte significativa dessa expansão ocorreu justamente no Matopiba, onde as condições de produção e a disponibilidade de terras favoreceram o crescimento da atividade.

Com a abertura de novos corredores ferroviários, o setor espera garantir maior eficiência logística, reduzir gargalos no transporte e fortalecer a presença do algodão brasileiro nos principais mercados internacionais.

FONTE: Conexão Tocantins
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Conexão Tocantins

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