Internacional

Banco Central da China eleva compulsório de reservas em moeda estrangeira para conter valorização do yuan

O Banco Popular da China (BPC) anunciou o aumento do percentual de reservas obrigatórias de moeda estrangeira exigido das instituições financeiras do país. A medida, que eleva o índice de 4% para 6%, representa o primeiro reajuste em quase cinco anos e tem como objetivo reduzir a pressão de valorização sobre o yuan, além de contribuir para a estabilidade do mercado cambial.

A nova regra entrará em vigor em 15 de novembro, conforme comunicado divulgado pela autoridade monetária chinesa nesta terça-feira.

O instrumento funciona como mecanismo de controle macroprudencial do mercado de câmbio. Na prática, determina a parcela dos depósitos em moeda estrangeira que os bancos e demais instituições financeiras precisam manter junto ao banco central.

Ao elevar esse percentual, o governo chinês reduz a quantidade de dólares disponíveis para circulação no sistema bancário, diminuindo a liquidez da moeda americana e, consequentemente, a pressão de valorização sobre o yuan.

Valorização do yuan motiva intervenção do banco central

A decisão ocorre em um período de fortalecimento da moeda chinesa diante do dólar. Nos primeiros nove meses do ano, o yuan acumulou valorização de 4,2% em relação à moeda norte-americana.

O movimento ganhou intensidade a partir de outubro. Desde 14 daquele mês, a cotação do yuan no mercado doméstico registrou valorização durante 14 pregões consecutivos.

Na avaliação de Wen Bin, economista-chefe do Banco Minsheng da China, o aumento das reservas obrigatórias busca equilibrar a oferta e a demanda no mercado de câmbio e evitar que as expectativas de valorização alimentem novos movimentos de alta.

O economista destaca que a medida também funciona como um sinal ao mercado de que a autoridade monetária pretende administrar as expectativas e preservar a estabilidade da moeda em um patamar considerado razoável e equilibrado.

China utiliza reservas obrigatórias para administrar o mercado cambial

O aumento anunciado faz parte de um conjunto de instrumentos utilizados pelo Banco Popular da China para influenciar a liquidez em moeda estrangeira.

Nos últimos anos, o percentual passou por diferentes ajustes. Em 2021, o índice foi elevado em duas ocasiões, chegando a 9%. Posteriormente, entre 2022 e 2023, houve três reduções consecutivas, até atingir os atuais 4%.

Com a nova decisão, o percentual retorna ao nível de 6%, reforçando a atuação do banco central diante do comportamento recente do câmbio.

Yuan registra desvalorização após anúncio

A reação inicial do mercado foi de enfraquecimento da moeda chinesa em relação ao dólar, especialmente nas negociações realizadas no mercado offshore.

Dados do Sistema de Comércio de Divisas da China apontaram que, às 16h30, a cotação à vista do yuan no mercado doméstico encerrou em 6,6765 por dólar.

O resultado representou uma desvalorização de 307 pips em comparação com o fechamento do pregão anterior.

O movimento ocorreu após o anúncio da elevação do compulsório cambial, indicando uma reação dos investidores à sinalização do banco central.

Banco central reforça compromisso com a estabilidade cambial

Em outubro, o Banco Popular da China já havia reafirmado sua estratégia de evitar oscilações bruscas na taxa de câmbio, com atenção especial a movimentos rápidos de desvalorização que possam comprometer a estabilidade financeira.

A instituição não trabalha com uma cotação fixa ou um valor-alvo para o yuan. Entretanto, informou que poderá adotar medidas de mercado caso sejam identificadas flutuações excessivas no curto prazo, acompanhadas de comportamentos especulativos ou expectativas consideradas irracionais.

O objetivo é evitar movimentos abruptos e desordenados na taxa de câmbio, preservando condições de estabilidade para o mercado financeiro.

Para Ming Ming, economista-chefe da CITIC Securities, o novo percentual de reservas obrigatórias deverá retirar entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões em liquidez de moeda estrangeira do sistema bancário.

Na avaliação do especialista, essa redução de recursos disponíveis poderá contribuir para reequilibrar a oferta e a demanda de divisas no mercado interno chinês.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Peng Ziyang

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