Saúde

Doença de Newcastle: Mapa confirma novo foco em granja de Santa Catarina

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um novo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, desta vez em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas, no oeste do estado. A ocorrência foi identificada dentro da área de restrição delimitada após o primeiro caso, registrado em uma granja no município de Nova Itaberaba.

A detecção ocorreu durante ações de vigilância sanitária intensificada na região. Diante da confirmação, o Serviço Veterinário Oficial iniciou os procedimentos previstos nos protocolos de emergência zoossanitária, incluindo investigação epidemiológica, monitoramento e medidas para conter a disseminação do vírus.

Novo foco leva à adoção de medidas sanitárias

O processo de despovoamento sanitário das aves da propriedade afetada já foi iniciado. Como o estabelecimento está próximo da granja onde ocorreu o primeiro registro, foi necessário realizar apenas um pequeno ajuste na área de restrição, que continua sob monitoramento das autoridades.

Em outra ocorrência, sem vínculo epidemiológico com os casos registrados em aves comerciais, o Serviço Veterinário Oficial identificou o paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos encontrados fora da área de emergência sanitária.

Segundo o Mapa, essa detecção em aves silvestres não é classificada como foco de doença de Newcastle, conforme os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O ministério informou que mantém o trabalho conjunto com os órgãos estaduais de defesa agropecuária para controlar as ocorrências e preservar a sanidade da avicultura brasileira. Os dados sobre as investigações e os focos confirmados podem ser consultados no painel público de acompanhamento da pasta.

Fiscalização já alcançou 352 propriedades rurais

As ações de controle foram intensificadas após a confirmação do primeiro foco da doença, em uma granja comercial de perus de corte localizada em Nova Itaberaba, no dia 18 de outubro.

Conforme informações divulgadas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) em 23 de outubro, 28 equipes haviam vistoriado 352 propriedades rurais nas proximidades do estabelecimento afetado.

Do total de imóveis inspecionados:

  • 256 propriedades eram destinadas à criação de aves para subsistência;
  • 96 estabelecimentos eram de produção comercial.

O plano de vigilância prevê a inspeção de 1.680 propriedades. Desse número, 166 estão situadas em um raio de três quilômetros do primeiro foco, enquanto outras 1.514 ficam em um perímetro de até dez quilômetros.

As equipes realizam vigilância epidemiológica, orientam os produtores e coletam amostras para exames laboratoriais. A operação é coordenada pelo Mapa e pela Cidasc, com a participação de órgãos estaduais e federais e representantes do setor produtivo.

Descarte de 6.526 perus foi concluído na primeira granja

Na propriedade onde a doença foi identificada inicialmente, o descarte sanitário das aves já foi finalizado.

Em 21 de outubro, as equipes concluíram o enterrio das carcaças de 6.526 perus, além de insumos, em uma vala preparada de acordo com as normas técnicas e aprovada pelas autoridades ambientais.

Também foram concluídas a limpeza a seco e a retirada de materiais do local. Na ocasião, os trabalhos de desinfecção ainda estavam em andamento.

Como parte das medidas de contenção, foram instalados quatro postos de fiscalização de trânsito na região. Os pontos de controle são responsáveis por inspecionar e desinfetar veículos, além de fiscalizar a movimentação na área afetada.

O que é a doença de Newcastle e como ocorre a transmissão?

A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que pode atingir aves domésticas e silvestres. A enfermidade é causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) e pode provocar desde manifestações leves até elevados índices de mortalidade, dependendo da virulência da cepa envolvida.

Entre os principais sinais clínicos estão:

  • Dificuldade para respirar e espirros;
  • Perda de apetite;
  • Diarreia esverdeada;
  • Asas caídas;
  • Falta de coordenação motora;
  • Torção da cabeça e do pescoço.

A transmissão acontece principalmente pelo contato direto entre aves infectadas e sadias, além da exposição a secreções respiratórias, fezes e materiais contaminados. Água, alimentos e equipamentos utilizados na criação também podem contribuir para a disseminação do vírus.

A enfermidade pode afetar mais de 200 espécies de aves, o que reforça a importância da biosseguridade nas granjas, da vigilância sanitária e da comunicação imediata de suspeitas às autoridades veterinárias.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Rodolfo Buhrer

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