Tecnologia

BYD começa a vender kits de energia solar em concessionárias no Brasil

A BYD decidiu ampliar sua atuação no mercado brasileiro e passou a oferecer kits de energia solar em sua rede de concessionárias. A estratégia conecta dois segmentos em expansão — carros elétricos e geração solar residencial — e coloca a fabricante chinesa em um mercado com elevado potencial de crescimento.

A empresa já produz painéis fotovoltaicos no Brasil desde 2015, em uma unidade localizada em Campinas (SP). Até agora, porém, os equipamentos eram destinados principalmente ao mercado atacadista, atendendo utilities e empresas integradoras.

Com a nova estratégia, a BYD pretende levar a geração de energia solar diretamente ao consumidor final.

Rede de concessionárias será usada para vender energia solar

Segundo Henrique Antunes, diretor de qualidade e value chain da BYD Brasil, a companhia identificou uma conexão natural entre a compra de um veículo elétrico e a instalação de um sistema de geração própria de energia.

A fabricante conta atualmente com 233 concessionárias no país e pretende ampliar essa estrutura para 300 lojas até o fim de 2026 e 400 unidades em 2027.

A rede recebe cerca de 70 mil pessoas por mês, público que passará a ter contato também com as soluções de energia da empresa.

“Quem compra um carro elétrico está num momento incrível para comprar também energia solar”, afirmou Antunes ao Brazil Journal.

A expectativa é que, futuramente, a oferta seja ampliada para baterias de armazenamento e outros produtos relacionados à geração e ao consumo de energia.

Kit solar terá instalação e financiamento

O produto vendido nas concessionárias será um sistema para instalação em telhados, composto por oito módulos fotovoltaicos.

A capacidade média de geração chega a 600 kWh por mês, segundo a companhia. O pacote inclui instalação e homologação junto à distribuidora de energia.

A BYD também fechou uma parceria com o Santander para oferecer financiamento em 36 parcelas. A compra do sistema não estará condicionada à aquisição de um carro.

A empresa aposta justamente na facilidade de apresentar o produto dentro das concessionárias, em um ambiente no qual o consumidor já está acostumado a avaliar tecnologias relacionadas à mobilidade e à energia.

Estratégia mira consumidores de carros elétricos

As equipes das concessionárias começaram a receber treinamento para comercializar os sistemas solares há cerca de um mês. A operação foi apresentada durante o lançamento do Song Pro 2027, em agosto.

De acordo com Antunes, a procura inicial pelo produto tem sido positiva.

A iniciativa ocorre pouco depois de a BYD conquistar a liderança no varejo brasileiro de automóveis. Em julho, a companhia vendeu 17,1 mil veículos para consumidores pessoa física, alcançando participação de 12,6%.

Consideradas também as vendas corporativas, a montadora aparece na quarta colocação geral. No segmento de carros elétricos, porém, mantém liderança isolada, com quase 60% do mercado.

Economia pode incluir conta de luz e combustível

A BYD afirma que a produção de energia do sistema pode gerar economia suficiente para compensar o financiamento do equipamento, considerando tanto a redução na conta de energia elétrica quanto os gastos com combustível.

Segundo Antunes, um consumidor que utiliza pouco o automóvel poderia economizar entre R$ 600 e R$ 700 por mês. Para motoristas que utilizam o veículo intensivamente, como profissionais de aplicativos, a economia poderia chegar a aproximadamente R$ 2 mil mensais, mesmo com o pagamento do kit.

Os valores, porém, dependem do perfil de consumo, do uso do veículo e das condições específicas de cada instalação.

Mercado de geração solar já supera 3,5 milhões de residências

A expansão da BYD ocorre em um mercado que já apresenta forte crescimento no Brasil. Mais de 3,5 milhões de residências possuem sistemas próprios de geração solar, enquanto somente em 2025 foram instalados cerca de 708 mil novos sistemas.

A geração solar em telhados foi regulamentada em 2012 e ganhou impulso a partir de mudanças realizadas em 2015, que ampliaram os incentivos econômicos para consumidores interessados em produzir a própria eletricidade.

O modelo permite transformar parte da energia produzida em créditos na conta de luz.

Subsídios e custos ainda geram debate

O crescimento acelerado da energia solar residencial também provocou discussões sobre os custos associados aos incentivos concedidos ao segmento.

Em 2020, o Congresso debateu um novo marco regulatório que reduziu gradualmente parte dos benefícios existentes e estabeleceu a cobrança de determinados encargos sobre a energia gerada.

A mudança foi defendida por especialistas do setor elétrico sob o argumento de que os custos não pagos pelos consumidores com geração própria acabam sendo distribuídos entre os demais usuários, pressionando as tarifas.

Mesmo após as alterações regulatórias, continuam em discussão os impactos dos subsídios à geração distribuída e os efeitos do excesso de geração de energia em determinados períodos.

Para especialistas, a expansão da geração solar em telhados tende a continuar, ainda que o setor precise discutir novamente a divisão dos custos e os mecanismos de incentivo.

A avaliação é que o avanço tecnológico e a queda dos custos tornaram a expansão da energia solar fotovoltaica uma tendência difícil de reverter.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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