Transporte

Ataque com drone no Egito aumenta preocupação sobre segurança do Canal de Suez e transporte de petróleo

Um ataque com drone contra dois navios de gás em águas egípcias reacendeu os alertas sobre a segurança do Canal de Suez e do oleoduto Sumed, corredores estratégicos para o transporte de petróleo do Oriente Médio.

O incidente ocorreu com os navios Energos Winter e Gaslog Salem, no porto de Damietta, localizado no delta do Rio Nilo, próximo ao Mar Mediterrâneo. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria do ataque e não tenha havido ameaça direta declarada ao canal, o episódio elevou a preocupação entre operadores marítimos e mercados de energia.

Canal de Suez ganha importância após riscos no Mar Vermelho

Desde o início do conflito envolvendo o Irã, ataques atribuídos aos houthis contra navios nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb aumentaram os riscos para o transporte marítimo na região.

Com isso, o Canal de Suez e o oleoduto Sumed passaram a desempenhar papel ainda mais relevante como alternativas para o escoamento de petróleo saudita.

Segundo Saul Kavonic, diretor de pesquisa energética da consultoria MST Marquee, qualquer ameaça à rota egípcia pode comprometer o fluxo de até cinco milhões de barris de petróleo por dia que atualmente conseguem evitar o Estreito de Ormuz.

Petróleo saudita muda rota diante de ameaças no Mar Vermelho

Após o início da guerra, a Arábia Saudita passou a direcionar grande parte de sua produção para o Mar Vermelho, utilizando principalmente o terminal de Yanbu.

No entanto, as ameaças e ataques recentes contra embarcações na região levaram muitos navios-tanque a evitar a rota pelo sul do Mar Vermelho e pelo estreito de Bab el-Mandeb.

Dados da empresa de inteligência de mercado Kpler mostram que um volume crescente de petróleo saudita passou a seguir em direção ao norte, rumo ao Canal de Suez e ao oleoduto Sumed.

Para compradores asiáticos, a mudança representa viagens mais longas, com navios precisando contornar a África em vez de seguir diretamente pelo Golfo de Áden.

Oleoduto Sumed registra aumento no transporte de petróleo

As cargas de petróleo movimentadas pelo Sumed, que conecta o Mar Vermelho ao porto mediterrâneo de Sidi Kerir, cresceram nos últimos meses.

Segundo dados do setor, o volume transportado pelo oleoduto aumentou para 28,79 milhões de barris em julho, ante 19,52 milhões em abril, antes do aumento das ameaças no Bab el-Mandeb.

A movimentação de navios também cresceu na região. Dados da plataforma MarineTraffic indicaram que cerca de 30 embarcações ficaram reunidas na área de fundeio de Port Said, na entrada mediterrânea do canal, acima das aproximadamente 20 registradas no início da semana.

George Morris, analista da Vortexa, afirmou que houve aumento significativo de navios transportando petróleo bruto e condensado em direção ao norte após carregamentos no Mar Vermelho.

Mercado ainda não precifica paralisação do Canal de Suez

Apesar da preocupação, especialistas avaliam que o ataque em Damietta não representa necessariamente uma ameaça imediata ao funcionamento do Canal de Suez.

Aly Blakeway, responsável pela área de gás natural liquefeito (GNL) do Atlântico na S&P Global Energy, afirmou que os mercados ainda não incorporaram uma possível interrupção da rota.

Mesmo após o incidente, os preços do petróleo registraram queda em meio às negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz.

Seguros marítimos podem ficar mais caros

Especialistas alertam, porém, que uma escalada de ataques pode elevar os custos de seguro marítimo para navios que operam na região.

Martin Senior, responsável por preços de GNL na Argus, afirmou que um novo ataque próximo ao Canal de Suez poderia levar seguradoras a cobrar prêmios adicionais de risco de guerra, devido ao aumento da exposição de embarcações e infraestruturas energéticas.

Empresas de navegação já estariam revisando protocolos de segurança para operações próximas aos portos mediterrâneos egípcios localizados nas proximidades do canal.

Capacidade de Suez e Sumed limita transporte de grandes petroleiros

Embora o Canal de Suez continue sendo uma alternativa estratégica, existem limitações operacionais para o transporte de grandes volumes de petróleo.

Os superpetroleiros VLCCs não conseguem atravessar o canal totalmente carregados devido ao calado. Por isso, parte da carga precisa ser transferida pelo oleoduto Sumed antes que os navios retomem a viagem no Mediterrâneo.

Ainda assim, existe capacidade disponível para ampliar o fluxo de petróleo pela rota. Dados do setor indicam que o terminal de Sidi Kerir movimentou cerca de 1,4 milhão de barris por dia recentemente, abaixo do recorde semanal de 2,1 milhões de barris diários e da capacidade máxima do Sumed, estimada em 2,5 milhões de barris por dia.

A expectativa é que cerca de dez superpetroleiros carreguem no terminal nas próximas semanas, principalmente com destino a refinarias asiáticas.

Qualquer interrupção em Suez teria impacto global

Analistas destacam que o Canal de Suez pode se tornar ainda mais importante diante da incerteza envolvendo Ormuz e Bab el-Mandeb.

Corey Ranslem, diretor executivo da empresa de segurança marítima Dryad Global, afirmou que um ataque em qualquer ponto próximo ao canal poderia elevar significativamente os custos de seguro e alterar a avaliação de risco da região.

Matthew Wright, analista principal de fretes da Kpler, destacou que uma interrupção no Canal de Suez teria efeitos rápidos sobre os preços internacionais, com aumento de custos logísticos e possível pressão inflacionária para consumidores.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook