Sustentabilidade

São Paulo terá primeira planta industrial de combustível sustentável de aviação produzido a partir da cana

O estado de São Paulo vai sediar a primeira planta industrial voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) obtido a partir de biogás gerado por resíduos da biomassa da cana-de-açúcar. A unidade será implantada no município de Elias Fausto, localizado a cerca de 45 quilômetros de Campinas.

A iniciativa prevê um cronograma de três anos e receberá investimentos de aproximadamente 7,8 milhões de euros. Desse total, 1,5 milhão de euros será financiado pelo governo da Alemanha.

Parceria internacional impulsiona o projeto

O empreendimento será executado pela Geo Bio Gas & Carbon, em parceria com a Coopersucar. A cooperação também conta com o apoio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha.

Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, o projeto está alinhado às metas climáticas do Estado de São Paulo, que busca ampliar a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de soluções sustentáveis.

Produção de SAF deve alcançar 750 litros por dia

A expectativa é que a planta produza cerca de 750 litros diários de SAF, combustível que poderá ser misturado ao querosene de aviação (QAV) convencional. A previsão inicial era de início da produção a partir de 2025.

O combustível sustentável de aviação é considerado uma das principais alternativas para diminuir a pegada de carbono do transporte aéreo, permitindo sua utilização na infraestrutura já existente do setor.

O que é o combustível sustentável de aviação?

O SAF é um biocombustível produzido a partir de diferentes matérias-primas renováveis, como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e até óleo de cozinha usado.

Dependendo da matéria-prima e do processo de fabricação, esse combustível pode reduzir entre 60% e 80% das emissões de carbono em comparação ao querosene de aviação utilizado atualmente.

SAF é peça-chave para a descarbonização da aviação

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) estima que o SAF responderá por aproximadamente 65% da redução das emissões de carbono necessária para que a aviação alcance a meta de neutralidade climática até 2050.

A entidade também projeta que novas tecnologias, como aeronaves elétricas e movidas a hidrogênio, contribuirão com 13% dessa redução, enquanto melhorias operacionais e de infraestrutura representarão 3%. Os 19% restantes deverão vir de soluções de captura de carbono.

Brasil tem potencial para liderar a produção de SAF

Estudos elaborados pela consultoria Agroicone em conjunto com a organização Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB) apontam que o Brasil possui capacidade para produzir mais combustível sustentável de aviação do que consome atualmente.

A análise considera cinco principais fontes de matéria-prima: resíduos da cana-de-açúcar, resíduos de eucalipto, sebo bovino, gases provenientes do refino do aço e óleo de cozinha usado.

Atualmente, o consumo nacional de querosene de aviação gira em torno de 7,5 bilhões de litros por ano. Com o aproveitamento dessas matérias-primas, o país teria potencial para produzir cerca de 8,4 bilhões de litros de SAF anualmente, sendo que apenas os resíduos da cana responderiam por aproximadamente 77% desse volume.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Pixabay

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