Internacional

Copom decide taxa Selic sob impacto da alta do petróleo e tensão no Oriente Médio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) em um cenário desafiador, marcado pela pressão do petróleo no mercado internacional devido à guerra no Oriente Médio. Apesar das incertezas, a expectativa predominante no mercado é de início do ciclo de corte da taxa Selic após dois anos.

Expectativa de queda da Selic ganha força

Atualmente fixada em 15% ao ano — o maior nível desde 2006 —, a Selic pode sofrer sua primeira redução desde o ciclo de alta iniciado em 2024. A decisão será anunciada no início da noite.

De acordo com projeções do mercado financeiro, a tendência é de um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano. Antes da escalada do conflito internacional, parte dos analistas apostava em uma redução mais agressiva, de 0,5 ponto.

Guerra pressiona petróleo e influencia decisão

O aumento das tensões entre países no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, impactando diretamente os combustíveis e aumentando a incerteza sobre o comportamento da inflação global e doméstica.

Esse cenário trouxe dúvidas sobre o ritmo de flexibilização da política monetária, com algumas instituições chegando a considerar o adiamento do corte de juros.

Inflação segue no radar do Banco Central

A trajetória da inflação continua sendo um dos principais pontos de atenção do Copom. A prévia do índice oficial (IPCA-15) registrou alta de 0,7% em fevereiro, influenciada principalmente pelo aumento nos custos de educação.

No acumulado de 12 meses, porém, o índice recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde 2024.

Ainda assim, as projeções para 2026 sofreram revisão. Segundo o boletim Focus, a estimativa subiu para 4,1%, reflexo direto do impacto da crise internacional sobre os preços.

Meta de inflação e política monetária

O Banco Central trabalha com uma meta contínua de inflação de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Nesse modelo, o acompanhamento ocorre de forma contínua, com base na inflação acumulada em 12 meses, permitindo uma análise mais dinâmica ao longo do tempo.

Como a Selic afeta a economia

A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação no Brasil. Ela influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e os investimentos.

  • Juros mais altos: reduzem o consumo e ajudam a conter a inflação;
  • Juros mais baixos: estimulam o crédito, a produção e o crescimento econômico.

O Banco Central atua diariamente no mercado para manter a taxa próxima da meta definida, por meio da compra e venda de títulos públicos.

Reunião ocorre com diretoria incompleta

A reunião desta quarta ocorre com duas cadeiras vagas na diretoria do Banco Central, após o término dos mandatos de responsáveis por áreas estratégicas no fim de 2025. As indicações dos substitutos ainda não foram encaminhadas ao Congresso.

Mercado acompanha decisão com cautela

O desfecho da reunião do Copom é aguardado com atenção por investidores e agentes econômicos, especialmente diante do risco de novos choques externos.

A combinação de juros, inflação e preços internacionais de energia será determinante para os próximos passos da política monetária no país.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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