Comércio Exterior

Importações disparam na Argentina após abertura econômica e avanço do comércio eletrônico internacional

A reabertura econômica promovida pelo presidente Javier Milei está provocando uma mudança significativa no padrão de consumo da Argentina. Produtos importados como brinquedos Lego, eletrônicos da Apple e garrafas térmicas Stanley passaram a dominar as compras dos argentinos, impulsionando fortemente o volume de importações no país.

Dados oficiais mostram que as importações de bens de consumo cresceram 55% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando um recorde de US$ 11,4 bilhões. O avanço reflete a redução de tarifas e o fim de diversas barreiras comerciais que, por anos, limitaram o acesso a produtos estrangeiros.

Comércio eletrônico internacional ganha espaço

O comércio eletrônico transfronteiriço foi um dos principais motores desse crescimento. Em 2025, os argentinos compraram quase três vezes mais produtos do exterior por meio de plataformas internacionais do que em 2024, totalizando US$ 955 milhões — o maior volume já registrado.

Empresas como Amazon, Shein e Temu passaram a operar de forma mais estruturada no país, aproveitando o novo ambiente regulatório. A Amazon, por exemplo, lançou entregas gratuitas a partir dos Estados Unidos no fim de 2024 e incluiu a Argentina em seu aplicativo de compras de baixo custo, o Amazon Bazaar.

Mudanças nas regras facilitaram as compras externas

Em novembro de 2024, o governo ampliou o limite para remessas internacionais via correio de US$ 1.000 para US$ 3.000. Além disso, pessoas físicas passaram a poder importar até US$ 400 por ano sem pagamento de tarifas. As medidas reduziram entraves burocráticos e estimularam as compras diretas do exterior.

Segundo especialistas, o novo cenário diminuiu riscos que antes desestimulavam o consumidor. “Antes, havia grande chance de a encomenda ficar retida na alfândega. Agora o fluxo está mais ágil, o que explica o salto nas importações, mesmo partindo de uma base ainda pequena”, avalia Natacha Izquierdo, diretora da consultoria Abeceb.

Produtos mais vendidos e preços mais baixos

Entre os itens mais procurados em 2025 estiveram um conjunto Lego inspirado em Harry Potter, o Mac Mini da Apple (modelo 2024) e a tradicional garrafa térmica Stanley de 940 ml, muito utilizada no consumo de mate. Segundo a Tiendamia, marketplace regional de comércio eletrônico, as vendas na Argentina cresceram 55% no período.

A diferença de preços tem sido um fator decisivo. Em alguns casos, produtos importados chegam a custar cerca de 45% menos do que nas lojas oficiais no mercado argentino, pressionadas por elevados custos de produção e carga tributária.

Impactos na indústria local e tensões no mercado

O avanço das importações também acendeu o alerta em setores tradicionais. A indústria têxtil argentina, antes protegida por tarifas elevadas, pediu ao Congresso medidas contra o que chama de concorrência desleal de plataformas chinesas. De acordo com a Federação das Indústrias Têxteis Argentinas (FART), o setor perdeu 16 mil empregos — o equivalente a 13% da força de trabalho — desde o início do governo Milei.

Além disso, a chegada de Shein e Temu gerou atritos com o Mercado Livre, principal plataforma de e-commerce da América Latina. Em agosto de 2025, a empresa apresentou uma queixa ao Ministério da Economia acusando a Temu de práticas comerciais desleais e publicidade enganosa. A plataforma chinesa nega as acusações, e o caso deve ser analisado pela Suprema Corte da Argentina.

Importações ainda abaixo da média regional

Apesar do crescimento expressivo, analistas destacam que o nível geral de importações da Argentina segue inferior ao de outros países da região. Ainda assim, a tendência aponta para uma maior integração ao comércio global, com impactos diretos sobre o consumo, a indústria e a dinâmica do varejo local.

Fonte: Com informações do Financial Times.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CRIADA COM IA

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