Internacional

E-commerce internacional exige modernização da fiscalização e dos órgãos anuentes no Brasil

O crescimento do comércio eletrônico internacional está ampliando a pressão sobre a estrutura logística e os sistemas de fiscalização do Brasil. Embora comprar produtos de outros países seja cada vez mais simples, garantir que as mercadorias cheguem ao consumidor com segurança depende de processos eficientes, tecnologia e integração entre os órgãos públicos responsáveis pelos controles de importação.

Nesse cenário, fortalecer os chamados órgãos anuentes, que atuam na fiscalização sanitária, agropecuária e ambiental, tornou-se uma necessidade estratégica. O desafio é acompanhar o aumento das encomendas sem comprometer a segurança nem criar atrasos desnecessários nas operações.

Segundo a Receita Federal, o Brasil recebeu quase 110 milhões de remessas postais e expressas apenas no primeiro semestre de 2026. Na União Europeia, as importações de produtos de baixo valor realizadas por meio do comércio eletrônico chegaram a quase 5,9 bilhões de itens em 2025.

Os números evidenciam a dimensão alcançada pelo setor e reforçam a necessidade de investimentos em orçamento, pessoal, tecnologia e procedimentos compatíveis com o volume crescente de mercadorias.

Fiscalização precisa acompanhar a expansão do comércio eletrônico

A popularização das compras internacionais exige uma revisão dos modelos tradicionais de fiscalização. Consumidores e empresas esperam prazos de entrega cada vez menores e maior previsibilidade, enquanto o poder público precisa identificar produtos irregulares e operações que representem riscos.

Procedimentos desenvolvidos para volumes menores podem gerar acúmulo de trabalho quando aplicados a milhões de pequenas encomendas. Por isso, a eficiência da fiscalização não deve ser medida apenas pelo tempo de retenção das mercadorias, mas também pela capacidade de identificar e tratar operações que realmente exigem atenção.

A modernização passa pela integração de sistemas, pelo uso antecipado de informações e pela aplicação de ferramentas de análise de risco aduaneiro. Também depende de recursos permanentes para manter as soluções em funcionamento.

Mesmo produtos de baixo valor podem apresentar riscos à saúde pública, à segurança ou ao meio ambiente. Por esse motivo, a qualidade dos dados disponíveis e a capacidade de analisá-los são fundamentais para conciliar agilidade e controle.

Programa Remessa Conforme ampliou o controle das importações

No Brasil, a Receita Federal avançou na adaptação dos procedimentos aduaneiros ao comércio eletrônico com a criação do Programa Remessa Conforme (PRC).

A iniciativa estruturou o fornecimento antecipado de informações sobre as compras internacionais e o recolhimento dos tributos no momento da aquisição. Com isso, o poder público passou a contar com mais dados para conhecer as operações e selecionar as remessas antes da chegada ao país.

Em março de 2026, o programa respondeu por 96,53% das declarações de importação de remessas registradas no Brasil, demonstrando sua ampla participação nesse segmento.

A arrecadação do Imposto de Importação também apresentou crescimento. Nas modalidades postal e expressa, o recolhimento passou de R$ 2,86 bilhões em 2024 para R$ 4,70 bilhões em 2025, uma elevação nominal de 64,5%.

Esse avanço, entretanto, não pode ser atribuído exclusivamente ao Remessa Conforme, já que as alterações tributárias também influenciaram o resultado. O programa contribuiu ao organizar o fluxo de informações e viabilizar o recolhimento antecipado dos tributos, favorecendo a conformidade das operações.

Parceria entre governo e empresas é essencial para o sistema

A experiência do PRC também evidencia a importância da cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. As empresas de remessas expressas contribuíram com conhecimento operacional e capacidade técnica para colocar o programa em funcionamento.

Esses operadores conectam os dados às operações logísticas, registram declarações, recolhem os tributos recebidos e apresentam as mercadorias para fiscalização. A participação dessas empresas foi um componente importante para viabilizar o modelo.

O desafio agora é preservar essa colaboração nas próximas etapas de modernização. A evolução dos processos depende não apenas de novas regras, mas também do conhecimento de quem atua diariamente no transporte, no desembaraço aduaneiro e na entrega das encomendas.

Remessa Conforme 2.0 pode ter implantação adiada

A próxima etapa do programa, conhecida como Remessa Conforme 2.0, tem implantação anunciada para janeiro de 2027. O cronograma, porém, poderá ser adiado em razão das adaptações necessárias à Reforma Tributária do Consumo.

Entre as mudanças previstas está o envio de informações sobre as compras diretamente pelas plataformas de comércio eletrônico. A medida tem potencial para ampliar a qualidade dos dados e fortalecer o acompanhamento das importações.

Para alcançar esses resultados, contudo, é importante que os operadores logísticos participem desde o início da definição dos procedimentos, das soluções tecnológicas e dos testes de implantação.

Os marketplaces concentram informações sobre as transações e os produtos comercializados. Já os operadores logísticos conhecem as exigências práticas de transporte, desembaraço e entrega. A combinação dessas experiências pode contribuir para um sistema mais eficiente.

Por isso, a participação das empresas responsáveis pela logística não deve ficar restrita à execução de regras definidas previamente. Sua contribuição é relevante na construção dos processos e na identificação de dificuldades que possam comprometer o funcionamento do programa.

Reforma tributária reforça necessidade de integração

A modernização do comércio eletrônico internacional também depende de uma atuação coordenada entre todos os envolvidos na fiscalização. Cabe ao governo garantir investimentos, promover a integração dos sistemas e estabelecer metas que considerem tanto a rapidez das operações quanto a efetividade dos controles.

A Reforma Tributária torna essa agenda ainda mais relevante, ao exigir adaptações nos procedimentos e nos fluxos de informações relacionados às operações comerciais.

Fortalecer os órgãos anuentes, ampliar a capacidade tecnológica e garantir equipes preparadas são medidas que precisam ter continuidade ao longo dos diferentes governos. A expansão do comércio eletrônico exige uma estrutura pública capaz de responder à escala atual das importações.

O objetivo é construir um ambiente em que a eficiência logística, a segurança das mercadorias e a competitividade brasileira avancem em conjunto. Para isso, os investimentos nas instituições responsáveis pela fiscalização precisam acompanhar a transformação do mercado e integrar o planejamento estratégico do Estado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels • Hameem Russel

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Comércio Exterior

Importações disparam na Argentina após abertura econômica e avanço do comércio eletrônico internacional

A reabertura econômica promovida pelo presidente Javier Milei está provocando uma mudança significativa no padrão de consumo da Argentina. Produtos importados como brinquedos Lego, eletrônicos da Apple e garrafas térmicas Stanley passaram a dominar as compras dos argentinos, impulsionando fortemente o volume de importações no país.

Dados oficiais mostram que as importações de bens de consumo cresceram 55% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando um recorde de US$ 11,4 bilhões. O avanço reflete a redução de tarifas e o fim de diversas barreiras comerciais que, por anos, limitaram o acesso a produtos estrangeiros.

Comércio eletrônico internacional ganha espaço

O comércio eletrônico transfronteiriço foi um dos principais motores desse crescimento. Em 2025, os argentinos compraram quase três vezes mais produtos do exterior por meio de plataformas internacionais do que em 2024, totalizando US$ 955 milhões — o maior volume já registrado.

Empresas como Amazon, Shein e Temu passaram a operar de forma mais estruturada no país, aproveitando o novo ambiente regulatório. A Amazon, por exemplo, lançou entregas gratuitas a partir dos Estados Unidos no fim de 2024 e incluiu a Argentina em seu aplicativo de compras de baixo custo, o Amazon Bazaar.

Mudanças nas regras facilitaram as compras externas

Em novembro de 2024, o governo ampliou o limite para remessas internacionais via correio de US$ 1.000 para US$ 3.000. Além disso, pessoas físicas passaram a poder importar até US$ 400 por ano sem pagamento de tarifas. As medidas reduziram entraves burocráticos e estimularam as compras diretas do exterior.

Segundo especialistas, o novo cenário diminuiu riscos que antes desestimulavam o consumidor. “Antes, havia grande chance de a encomenda ficar retida na alfândega. Agora o fluxo está mais ágil, o que explica o salto nas importações, mesmo partindo de uma base ainda pequena”, avalia Natacha Izquierdo, diretora da consultoria Abeceb.

Produtos mais vendidos e preços mais baixos

Entre os itens mais procurados em 2025 estiveram um conjunto Lego inspirado em Harry Potter, o Mac Mini da Apple (modelo 2024) e a tradicional garrafa térmica Stanley de 940 ml, muito utilizada no consumo de mate. Segundo a Tiendamia, marketplace regional de comércio eletrônico, as vendas na Argentina cresceram 55% no período.

A diferença de preços tem sido um fator decisivo. Em alguns casos, produtos importados chegam a custar cerca de 45% menos do que nas lojas oficiais no mercado argentino, pressionadas por elevados custos de produção e carga tributária.

Impactos na indústria local e tensões no mercado

O avanço das importações também acendeu o alerta em setores tradicionais. A indústria têxtil argentina, antes protegida por tarifas elevadas, pediu ao Congresso medidas contra o que chama de concorrência desleal de plataformas chinesas. De acordo com a Federação das Indústrias Têxteis Argentinas (FART), o setor perdeu 16 mil empregos — o equivalente a 13% da força de trabalho — desde o início do governo Milei.

Além disso, a chegada de Shein e Temu gerou atritos com o Mercado Livre, principal plataforma de e-commerce da América Latina. Em agosto de 2025, a empresa apresentou uma queixa ao Ministério da Economia acusando a Temu de práticas comerciais desleais e publicidade enganosa. A plataforma chinesa nega as acusações, e o caso deve ser analisado pela Suprema Corte da Argentina.

Importações ainda abaixo da média regional

Apesar do crescimento expressivo, analistas destacam que o nível geral de importações da Argentina segue inferior ao de outros países da região. Ainda assim, a tendência aponta para uma maior integração ao comércio global, com impactos diretos sobre o consumo, a indústria e a dinâmica do varejo local.

Fonte: Com informações do Financial Times.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CRIADA COM IA

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Comércio

E-commerce Brasil–China: MDIC debate oportunidades para ampliar exportações digitais

Workshop destaca potencial do comércio eletrônico brasileiro no maior mercado digital do mundo

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) realizou, nesta quinta-feira (9/10), o workshop “E-commerce para a China: Desafios e Oportunidades”, reunindo especialistas, setor privado e instituições parceiras para discutir como ampliar a presença do Brasil no comércio eletrônico chinês.

O encontro, promovido no âmbito do Fórum MDIC de Comércio Eletrônico, buscou aprofundar o conhecimento sobre o mercado digital da China, que já movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, e traçar estratégias para diversificar a pauta exportadora brasileira por meio do comércio eletrônico internacional.

Comércio eletrônico como ponte econômica e diplomática

Na abertura do evento, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, ressaltou que o comércio digital é um instrumento de aproximação econômica e diplomática entre os dois países. Segundo ele, a política econômica ganha relevância quando atinge “o chão da fábrica, o balcão do comércio e a casa das pessoas”.

Rosa destacou que a China é o maior mercado de e-commerce do mundo e defendeu que o Brasil conquiste espaço nesse ecossistema. “As portas do MDIC estão abertas para ouvir demandas e construir soluções em conjunto. Esse é o nosso compromisso”, afirmou.

Temas em debate

O workshop contou com dois painéis principais:

  • Visão estratégica e ambiente de negócios da China: análise de aspectos geopolíticos, culturais e institucionais que impactam o comércio bilateral.
  • Perspectivas do varejo e comércio eletrônico transfronteiriço (cross-border): tendências do varejo chinês, integração com inteligência artificial e oportunidades para empresas brasileiras.

A moderação foi conduzida por Adriana de Azevedo Silva (MDIC) e Cristina Franco (ABF). Já o secretário-adjunto Luís Felipe Giesteira destacou que Brasil e China são protagonistas no comércio internacional e devem ampliar sua influência nas próximas décadas.

Exportações e novas oportunidades

A diretora de Promoção das Exportações do MDIC, Janaína Batista, lembrou que o governo federal lançou a Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE) em 2023, para ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado internacional.

Ela também citou o estudo “Análise Socioeconômica do Comércio Brasil–China”, que aponta a necessidade de diversificação da pauta exportadora. Para Janaína, o comércio eletrônico é peça-chave nessa transformação, abrindo espaço para empresas de diferentes perfis e regiões.

Mercado chinês valoriza autenticidade

Diretamente de Pequim, Julieta Fan, representante da ApexBrasil na Ásia-Pacífico, apresentou um panorama do mercado chinês de e-commerce, que movimentou cerca de 9 trilhões de yuans em 2024.

Segundo ela, consumidores chineses valorizam autenticidade, origem e reputação — características que podem fortalecer a presença de produtos brasileiros, reconhecidos pela qualidade. A ApexBrasil oferece cursos, plataformas e ações de promoção comercial para apoiar a entrada nesse mercado.

Estratégias de inserção no digital chinês

Durante o segundo painel, o diretor da Novo Mel, Roberto Pamplona, destacou a entrada da empresa no mercado chinês pela Tmall Global (Alibaba), ressaltando a importância de adaptação cultural, marketing digital e planejamento estratégico.

Já a presidente da ABF, Cristina Franco, lembrou que a China é referência mundial em inovação e consumo digital, com alta penetração do e-commerce.

Encerrando as discussões, o presidente da Abiacomm, André Iizuka, afirmou que a inteligência artificial já é infraestrutura essencial nos negócios e peça central para a digitalização do comércio Brasil–China.

Conexão Brasil–China no comércio digital

O workshop integra a agenda do Fórum MDIC de Comércio e Serviços, que busca aproximar governo e setor privado, além de fortalecer a inserção do Brasil nos fluxos globais do comércio eletrônico internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júlio Cesar Silva/MDIC

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