Comércio

Acordo Mercosul-União Europeia pode elevar PIB do Brasil em 1,5%, aponta Banco Mundial

O acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB do Brasil) em 1,5% até 2035, segundo estudo do Banco Mundial que está em fase final de elaboração. Além de impulsionar a atividade econômica e o comércio exterior, o tratado tende a fortalecer a competitividade das empresas brasileiras, especialmente no setor industrial.

O acordo foi assinado no sábado (17), mas ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos legislativos dos países do Mercosul para entrar em vigor.

Impacto no PIB pode chegar a R$ 400 bilhões

Para mensurar os efeitos do tratado, os autores utilizaram projeções do Ministério da Fazenda que ainda não consideram o acordo. Nesse cenário-base, o PIB brasileiro passaria de R$ 12,7 trilhões em 2025 para R$ 25,2 trilhões em 2035. Com a implementação do acordo, o PIB poderia atingir R$ 25,6 trilhões no mesmo período — um acréscimo de R$ 400 bilhões em relação ao cenário sem o tratado.

Mesmo após 2035, o ritmo de crescimento da economia brasileira continuaria superior ao cenário sem o acordo, ainda que o ganho total de 1,5% não seja imediatamente alcançado.

Segundo José Signoret, economista sênior do Banco Mundial e um dos autores do estudo, deixar de implementar o acordo tem custo direto para o país. De acordo com ele, cada ano sem o tratado representa uma perda equivalente a 1,5% do PIB, efeito que se acumula ao longo do tempo.

Exportações e importações devem crescer de forma significativa

As estimativas indicam que, até 2040, as exportações brasileiras para a União Europeia serão 31% maiores do que seriam sem o acordo. Já as importações provenientes do bloco europeu devem crescer 33% no mesmo horizonte.

Apesar do impacto positivo sobre o comércio, os economistas ressaltam que o aumento do PIB não virá apenas do maior volume exportado. A abertura comercial também deve gerar ganhos internos, ao reduzir tarifas e barreiras não tarifárias que hoje encarecem a produção no Brasil.

Redução de distorções fortalece a indústria

Entre os entraves citados estão barreiras sanitárias, exigências de licenças, autorizações administrativas e medidas antidumping. Esses fatores, segundo o Banco Mundial, dificultam o acesso da indústria brasileira a insumos mais baratos e competitivos, como componentes e bens intermediários.

Com isso, muitas empresas acabam dependendo de fornecedores locais mais caros ou optam pela integração vertical, produzindo internamente insumos que poderiam ser adquiridos a custos menores no mercado internacional.

Mais concorrência pode gerar ganhos de eficiência

De acordo com o estudo, o Brasil ainda é uma economia relativamente fechada, o que limita a exposição das empresas nacionais à concorrência global. Com o acordo, alguns setores industriais podem perder participação no mercado interno para empresas europeias, mas essa competição tende a estimular ganhos de eficiência e produtividade.

Os autores avaliam que, por esse motivo, os impactos negativos sobre segmentos específicos da indústria devem ser menores do que se imaginava anteriormente.

Efeitos indiretos sobre sustentabilidade ambiental

O estudo também aponta possíveis efeitos positivos indiretos na área ambiental. Ganhos de produtividade em setores menos intensivos em uso da terra, como a indústria, podem contribuir para reduzir a pressão sobre o desmatamento, conforme já indicado em pesquisas anteriores do Banco Mundial.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jorge Saenz/AP

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