Portos

Portos do Paraná registram recorde histórico e lideram crescimento nacional em movimentação de cargas

Os Portos do Paraná alcançaram, em 2025, o maior volume de cargas já registrado em sua história, somando 73,5 milhões de toneladas entre exportações e importações. O desempenho garantiu ao complexo portuário paranaense o maior crescimento percentual do Brasil, com alta de 10,1% em relação a 2024, segundo dados atualizados do Comex Stat, divulgados em janeiro. O Porto de Santos ficou na segunda colocação.

O avanço representa um salto significativo frente às 66,7 milhões de toneladas movimentadas no ano anterior. Ao longo de 2025, a média mensal foi superior a 6,1 milhões de toneladas, enquanto em 2024 esse número era de 5,5 milhões.

Marca histórica superou projeções oficiais

O recorde já havia sido superado no início de dezembro, quando a movimentação ultrapassou 70 milhões de toneladas. No fechamento do ano, em 31 de dezembro, o total chegou a 73.506.480 toneladas.

Estudos técnicos desenvolvidos em conjunto com o Ministério de Portos e Aeroportos indicavam que esse patamar só seria alcançado por volta de 2035. O resultado antecipado é atribuído a investimentos contínuos, planejamento estratégico e modernização da gestão portuária.

“O porto, que já foi reconhecido seis vezes consecutivas como o melhor do Brasil, reforça sua posição de referência nacional”, destacou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Crescimento acumulado supera ciclos anteriores

Nos últimos sete anos, a movimentação da Portos do Paraná cresceu 38,16%, percentual superior ao registrado entre 2011 e 2018, quando o aumento foi de 29,15%.

Para o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o resultado vai além dos números. “É uma conquista que impacta toda a cadeia econômica do Estado e mostra que estamos adequando o porto às demandas do mercado”, afirmou.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, também ressaltou o marco. Segundo ele, o desempenho consolida o Paraná entre os portos mais eficientes do mundo.

Milho, óleos vegetais e soja puxam exportações

Entre as commodities, o maior crescimento em 2025 foi registrado no milho, cuja movimentação saltou de 1,07 milhão para 5,09 milhões de toneladas, alta de 375%.

Os óleos vegetais cresceram 32%, mantendo o Porto de Paranaguá na liderança nacional desse tipo de exportação. Celulose e açúcar ensacado também avançaram, com altas de 16% e 15%, respectivamente.

A soja seguiu em trajetória positiva, com 14,6 milhões de toneladas exportadas, crescimento de 11% frente a 2024. Na safra 2024/2025, o Paraná produziu 21,4 milhões de toneladas do grão, o que ilustra a relevância do porto na logística estadual e interestadual, incluindo cargas de estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo.

O farelo de soja fechou o ano com 6,5 milhões de toneladas, avanço de 5%.

Madeira e fertilizantes mantêm relevância estratégica

A madeira figurou entre os três principais produtos exportados, com 1,6 milhão de toneladas, ligeira alta de 0,24%. Os Estados Unidos seguem como principal destino, mesmo diante de incertezas no mercado internacional ao longo do ano.

Na importação, os fertilizantes lideraram o volume, alcançando 11,6 milhões de toneladas, crescimento de 4% e novo recorde histórico. Mais de 25% do consumo nacional entra no Brasil pelos portos de Paranaguá e Antonina. Já o grupo de cereais (trigo, malte e cevada) também bateu recorde, com 1,1 milhão de toneladas desembarcadas.

Obras estruturais ampliam eficiência logística

Além da estratégia de logística inteligente, implantada nos últimos oito anos, os portos paranaenses receberam melhorias estruturais relevantes. A conclusão da derrocagem da Pedra da Palangana, no fim de 2024, tornou o canal de acesso mais seguro e ágil.

As dragagens periódicas permitiram ampliar o calado operacional, possibilitando que os navios transportem mais carga por viagem. Em menos de um ano, duas autorizações elevaram o calado de 12,8 metros para 13,3 metros, permitindo embarques adicionais de até 3,7 mil toneladas por navio.

Esse avanço viabilizou, em dezembro, o carregamento recorde de 77 mil toneladas de milho no navio MV Minoan Pioneer, o maior volume de granel vegetal sólido já embarcado em uma única operação no Porto de Paranaguá.

Canal poderá chegar a 15,5 metros de profundidade

Com a concessão do canal de acesso, leiloada em outubro, a expectativa é que o calado chegue a 15,5 metros nos próximos anos. A ampliação permitirá embarcar até 14 mil toneladas adicionais de granéis ou cerca de mil contêineres por navio.

Garcia ressalta ainda o papel da qualificação profissional. Entre 2019 e 2025, cerca de 80% dos trabalhadores da empresa pública passaram por algum tipo de capacitação. Ele também destacou a integração da comunidade portuária, formada por operadores, empresas e trabalhadores.

Geração de empregos cresce no litoral

Dados do OGMO de Paranaguá apontam aumento no número de Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs). Em 2025, 1.849 profissionais atuaram no porto, crescimento de 12% em relação a 2024.

Investimentos bilionários impulsionam futuro do porto

O potencial de crescimento da Portos do Paraná será ampliado com novos projetos. Até fevereiro, deve ser concluído o Moegão, maior obra portuária pública do Brasil, com mais de 80% de execução. O investimento supera R$ 650 milhões e permitirá a recepção de até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano via ferrovia.

Outro projeto estratégico é o Píer em “T”, orçado em R$ 1,2 bilhão na primeira fase, com quatro novos berços equipados com tecnologia de carregamento de alta performance. A segunda etapa prevê mais R$ 1 bilhão, marcando o primeiro grande investimento direto do Estado na área portuária em mais de cinco décadas.

Também estão previstos o Píer em “F”, no Corredor Oeste, e a expansão do píer de líquidos.

Essas iniciativas fazem parte dos nove leilões portuários realizados desde 2019, que somam R$ 5,1 bilhões em investimentos, incluindo a concessão do canal de acesso. Os prazos de execução variam entre cinco e sete anos, conforme cada contrato.

“Os arrendamentos garantem segurança jurídica, contratos equilibrados e clareza de direitos e deveres para empresas e Autoridade Portuária”, concluiu Luiz Fernando Garcia.

FONTE: Marechal News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook