Importação

Petrobras realiza primeira importação de gás natural da Argentina

A Petrobras concluiu na última sexta-feira (3.out.2025) a primeira importação de gás natural proveniente da formação de Vaca Muerta, na Argentina. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6.out) pela estatal, que firmou parceria com a Pluspetrol para viabilizar a operação.

Operação-piloto de gás natural

O transporte envolveu cerca de 100 mil m³ de gás não convencional, produzido pelas subsidiárias Petrobras Operaciones S.A. (POSA) e Pluspetrol. O objetivo do teste foi avaliar a viabilidade comercial e operacional da iniciativa.

O trajeto do combustível foi realizado por gasodutos, saindo da Argentina, passando pela Bolívia e chegando ao Brasil. Pelo contrato assinado, a Petrobras poderá importar até 2 milhões de m³ de gás na modalidade interruptível, ou seja, com fornecimento sujeito a suspensão caso a infraestrutura seja necessária para outras demandas.

Segundo a empresa, essa flexibilidade garante que o experimento ocorra sem afetar o abastecimento regular do mercado de gás natural no Brasil.

Integração de mercados de energia

Para Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, a operação marca um avanço estratégico.

“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para a importação de gás natural pelo Brasil, reforçando nosso compromisso com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado”, destacou.

A Petrobras mantém presença na Argentina por meio da POSA, onde detém 33,6% de participação não-operada no campo de Rio Neuquén, nas províncias de Neuquén e Rio Negro. A produção local é majoritariamente de gás não convencional (tight gas), extraído das formações geológicas Punta Rosada e Lajas.

O que é o gás de xisto?

O gás de xisto é uma forma de gás natural aprisionado em rochas densas chamadas xistos. Diferentemente do gás convencional, que se acumula em reservatórios porosos, ele exige técnicas avançadas para extração, como o fraturamento hidráulico (fracking).

Nesse método, uma mistura de água, areia e produtos químicos é injetada sob alta pressão, abrindo fissuras nas rochas e permitindo a liberação do gás. Apesar da eficiência para acessar grandes reservas, a técnica é cara, intensiva em recursos e envolve riscos ambientais.

Entre as preocupações, estão o possível contato com lençóis freáticos, o alto consumo de água, a ocorrência de abalos sísmicos e a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa.

No Brasil, a exploração de gás de xisto por fracking não é regulamentada. Decisões judiciais já suspenderam atividades do tipo em áreas da Bahia e do Paraná, que haviam sido leiloadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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