Indústria

Seca na Europa: crise hídrica ameaça indústria e pode gerar prejuízo de € 180 bilhões

A seca na Europa já provoca impactos em setores essenciais da economia e pode gerar perdas de pelo menos € 50 bilhões no curto prazo, segundo estimativas citadas pelo Financial Times. Se a escassez de água persistir e os efeitos da onda de calor forem considerados em conjunto, o prejuízo econômico pode chegar a € 180 bilhões.

Os níveis excepcionalmente baixos de rios e reservatórios já afetam o transporte de cargas, a geração de energia, a agricultura e a produção industrial. Empresas de diferentes países passaram a adaptar suas operações diante da redução da disponibilidade de água.

Baixo nível do Reno encarece transporte de cargas

No porto de Roterdã, na Holanda, um dos principais centros logísticos da Europa, embarcações que utilizam o rio Reno precisam navegar com aproximadamente 30% da capacidade de carga.

A redução do peso é necessária para evitar encalhes em trechos onde a profundidade do rio diminuiu. A consequência é o aumento dos custos de transporte e a perda de eficiência nas cadeias de abastecimento.

Para compensar a menor capacidade de cada embarcação, operadores passaram a contratar cerca de 100 navios adicionais por semana. Mesmo com o reforço da frota, o volume transportado continua abaixo dos níveis habituais.

A autoridade portuária de Roterdã considera o episódio um dos mais relevantes enfrentados pelo setor nas últimas décadas. O cenário também evidencia a vulnerabilidade da logística europeia diante do avanço de eventos climáticos extremos.

Rios europeus atingem níveis historicamente baixos

A crise hídrica se espalha por diferentes regiões do continente. Rios importantes para o comércio, a indústria e a irrigação registram alguns dos menores níveis médios mensais já observados.

Entre os cursos d’água afetados estão o Reno, o Danúbio, o Pó, na Itália, o Ródano, que atravessa a Suíça e a França, e o Tâmisa, em Londres.

O Reno tem importância estratégica para o transporte de mercadorias e para a indústria alemã. Uma seca ocorrida em 2018, por exemplo, teria provocado uma redução de aproximadamente 0,4% no PIB da Alemanha — equivalente hoje a cerca de € 18 bilhões.

O episódio atual preocupa ainda mais porque os rios apresentam níveis inferiores aos registrados naquela ocasião e a estiagem começou mais cedo.

Estudos citados pelo Financial Times indicam que um mês de vazão reduzida pode diminuir em cerca de 25% o transporte fluvial e provocar uma queda próxima de 1% na produção industrial alemã.

Onda de calor agravou déficit hídrico

A Europa iniciou o ano em condições relativamente favoráveis, com níveis de umidade do solo e precipitação acima da média em fevereiro. A situação começou a mudar em abril e se agravou em maio, com a sucessão de ondas de calor.

Junho e julho registraram temperaturas recordes, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e solos. A perspectiva de poucas chuvas nas semanas seguintes mantém a preocupação com a continuidade da crise de água.

Energia também sofre com falta de água

O setor elétrico está entre os mais afetados pela estiagem. Usinas nucleares na França e na Hungria precisaram reduzir a produção devido à menor disponibilidade de água para os sistemas de resfriamento.

A geração hidrelétrica também enfrenta dificuldades em regiões atingidas pela seca.

Na Romênia, o governo chegou a recorrer a explosões subaquáticas controladas no leito do Danúbio para tentar direcionar água para a usina nuclear de Cernavodă. A medida não produziu o resultado esperado e a unidade também precisou reduzir suas atividades.

Agricultura enfrenta perdas e mudança de culturas

A agricultura europeia também sofre com a falta de água. No norte da Itália, uma das principais áreas produtoras de arroz do continente, agricultores relatam perdas totais em algumas lavouras porque a água destinada à irrigação não conseguiu chegar a determinadas áreas.

Na região do Vale do Pó, produtores afirmam que algumas propriedades perderam metade ou mais da produção.

A repetição de períodos prolongados de estiagem começa a provocar mudanças nas decisões dos agricultores. Parte deles avalia substituir o arroz por culturas menos dependentes de água, enquanto outros consideram deixar algumas áreas sem plantio.

Data centers entram no radar da crise hídrica

A escassez também representa um desafio para setores ligados à economia digital. Mais de um terço dos aproximadamente 3.000 data centers da Europa está localizado em regiões submetidas a níveis elevados ou extremos de estresse hídrico.

A disponibilidade de água é especialmente relevante para sistemas de resfriamento dessas instalações, aumentando a preocupação sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica em determinadas áreas.

Seca pode pressionar inflação

Economistas também alertam para possíveis efeitos da crise sobre a inflação europeia.

A redução das colheitas tende a elevar os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o encarecimento do transporte e eventuais restrições na geração de energia podem aumentar os custos para empresas e consumidores.

O resultado pode dificultar a recuperação econômica em um momento de maior pressão sobre diferentes setores produtivos.

Empresas aceleram adaptação ao novo cenário climático

Diante da perspectiva de períodos mais frequentes de calor e estiagem, empresas já começam a investir em medidas de adaptação. Entre as iniciativas estão embarcações preparadas para rios rasos, sistemas de monitoramento e alerta, tecnologias de redução do consumo de água e métodos de resfriamento menos dependentes do recurso.

Para especialistas, a seca deixou de ser apenas um problema temporário para se transformar em um risco estrutural para a economia europeia.

A capacidade de adaptar infraestrutura, agricultura, transporte e geração de energia será determinante para limitar os prejuízos provocados por futuras crises hídricas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Logística

Super El Niño pode afetar produção de alimentos e logística na América Latina

A América Latina se prepara para a possibilidade de enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, fenômeno que pode provocar impactos significativos sobre a produção agrícola, geração de energia, transporte e comércio na principal região exportadora de alimentos do mundo.

O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima do normal no Pacífico tropical central e oriental. A alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar mais chuvas no Sul e aumentar o risco de seca nas áreas mais ao norte.

Os efeitos já começam a aparecer. Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e períodos de estiagem no Caribe e na Amazônia estão entre os sinais observados.

Pesquisadores estimam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade registrada no ciclo de 2015-2016, considerado o mais forte da era moderna.

Mais chuva pode favorecer lavouras no Sul

Nas áreas agrícolas da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média. Para a agricultura, o aumento da disponibilidade de água pode ser positivo, especialmente durante o período de plantio.

Segundo o meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, o fenômeno pode favorecer as safras de soja, milho e trigo, principalmente ao melhorar a umidade do solo e ampliar a disponibilidade hídrica durante o verão, entre dezembro e fevereiro.

O excesso de chuva, porém, também traz riscos. A elevada umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e provocar a perda de nutrientes aplicados ao solo.

Chuvas intensas ameaçam estradas e infraestrutura

Um El Niño mais forte também pode aumentar a ocorrência de alagamentos e enchentes em áreas rurais e urbanas já vulneráveis.

Estradas de terra podem ficar intransitáveis, dificultando o acesso dos produtores às propriedades e comprometendo operações como aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Muitas dessas vias já apresentam condições precárias nas principais áreas agrícolas do Cone Sul.

A partir de setembro, períodos de chuva intensa também podem afetar cidades e corredores de transporte até os portos, criando novos obstáculos para o escoamento das exportações.

No Paraguai, as autoridades chegaram a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia diante da possibilidade de enchentes.

Costa do Pacífico pode enfrentar extremos opostos

Os impactos também devem variar dentro de um mesmo país.

No norte do Peru, por exemplo, o cenário esperado inclui maior risco de inundações, enquanto áreas montanhosas podem enfrentar escassez de água. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prevê padrões semelhantes em partes do Chile e de outros países da costa do Pacífico.

O aquecimento das águas também pode alterar a distribuição de espécies marinhas. Algumas populações de peixes comerciais estão migrando para águas mais profundas, reduzindo a disponibilidade para a pesca.

No Peru, um dos principais produtores pesqueiros da região, a atividade caiu 31% nos cinco primeiros meses do ano.

El Niño pode aumentar demanda por gás e favorecer hidrelétricas

As diferenças na distribuição das chuvas também podem criar oportunidades no setor de energia.

Condições mais quentes e secas no norte e oeste do Brasil podem aumentar a necessidade de geração termelétrica e, consequentemente, elevar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).

Ao mesmo tempo, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas. A maior vazão do rio Paraná pode favorecer a geração de energia hidrelétrica ao longo de sua bacia.

Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas de usinas do Sul do Brasil chegaram a 256% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Para Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño não são idênticos em todos os ciclos. Em determinadas regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, o volume de chuva esperado para um mês pode se concentrar em poucos dias.

Seca ameaça hidrovias da Amazônia

Enquanto o Sul pode receber mais água, o Norte do Brasil enfrenta o risco oposto.

A previsão de condições mais secas aumenta a possibilidade de redução dos níveis dos rios da Bacia Amazônica, uma rede hidroviária essencial para o transporte de mercadorias e especialmente importante para o escoamento da produção de soja brasileira.

O cenário climático também eleva os riscos de seca, calor extremo e incêndios em partes do Brasil, Colômbia e Venezuela, com possíveis consequências para lavouras e criação de animais.

Canal do Panamá enfrenta pressão sobre disponibilidade de água

Os efeitos do El Niño podem alcançar rotas estratégicas do comércio internacional. No Canal do Panamá, a autoridade responsável pela operação vem ampliando as restrições ao peso das embarcações para preservar a água doce utilizada no funcionamento da via e no abastecimento da população.

As previsões indicam que o país pode enfrentar uma seca tão severa quanto a registrada durante o episódio de El Niño de 2023-2024.

Como um novo reservatório planejado para reforçar o abastecimento ainda não estará pronto, a autoridade do canal vem reduzindo gradualmente os limites de calado dos navios. Na prática, embarcações com maior restrição de calado precisam transportar menos carga.

A medida pode elevar os custos do transporte marítimo e aumentar o risco de interrupções no comércio global.

Comércio internacional pode sentir os efeitos

O Panamá está entre os países com maior volume de chuvas do mundo. Por isso, uma redução significativa das precipitações é considerada um importante sinal de alerta para as condições hídricas da região.

Até o momento, a autoridade do Canal do Panamá afirma não esperar reduzir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota, a menos que isso se torne indispensável.

A pressão sobre a passagem, porém, já aumentou. Leilões de última hora para obtenção de vagas chegaram a movimentar milhões de dólares, enquanto empresas buscam alternativas diante de problemas em outras rotas marítimas, incluindo as afetadas pelas tensões de segurança no Oriente Médio.

Se o super El Niño confirmar a intensidade projetada, seus efeitos poderão ultrapassar a agricultura e atingir toda a cadeia de abastecimento, da produção de alimentos e geração de energia até as hidrovias, portos e principais corredores do comércio internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Indústria

China fortalece ecossistema industrial e amplia liderança global em energia e tecnologia

A transformação econômica da China deixou para trás explicações baseadas apenas em mão de obra barata, câmbio desvalorizado ou reprodução de tecnologias estrangeiras. Hoje, o avanço industrial do país é sustentado por um modelo integrado que combina energia elétrica, processamento de minerais estratégicos e fabricação de tecnologias voltadas à transição energética.

Um relatório divulgado pelo Rhodium Group, em março de 2026, aponta que Pequim consolidou um sistema conhecido como “Estado elétrico” (“electro-state”), capaz de criar um ciclo de produção altamente eficiente e difícil de ser reproduzido por outras economias.

Modelo integra energia, mineração e indústria

Segundo o estudo, o diferencial chinês está na conexão entre três setores considerados essenciais para a indústria moderna: geração de energia de baixo custo, refino de metais industriais e produção de equipamentos ligados à energia limpa.

Nesse modelo, a oferta abundante de eletricidade reduz os custos para processar materiais como lítio, alumínio e cobre. Com insumos mais baratos, a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas também se torna mais competitiva.

Ao mesmo tempo, a expansão das fontes renováveis amplia a disponibilidade de energia, criando um ciclo contínuo de redução de custos e aumento da capacidade produtiva.

Escala da infraestrutura impressiona analistas

Os números apresentados pelo Rhodium Group evidenciam a dimensão da estratégia chinesa.

Em 2025, a geração combinada de energia solar e eólica da China superou todo o consumo industrial dos Estados Unidos. A projeção do relatório indica que, em 2026, essa produção também ultrapassará a soma do consumo residencial e industrial norte-americano.

Outro indicador destacado é o crescimento da mobilidade elétrica. A frota de veículos elétricos em circulação no país já reduz o consumo equivalente a cerca de 1,76 milhão de barris de petróleo por dia, diminuindo a dependência chinesa dos combustíveis fósseis e aumentando sua segurança energética.

Desde o início dos anos 2000, a China respondeu por aproximadamente 60% do crescimento mundial no consumo de eletricidade, mantendo expansão da demanda energética mesmo durante a desaceleração provocada pela crise do setor imobiliário.

Carvão continua sendo peça-chave da estratégia chinesa

Apesar da liderança em energia renovável, o relatório ressalta que o sistema industrial chinês continua apoiado em uma ampla estrutura de geração baseada em carvão mineral.

A utilização desse recurso garante fornecimento constante de energia para setores intensivos, como siderurgia e metalurgia, que exigem estabilidade para operar continuamente.

Além disso, o carvão oferece vantagens estratégicas para o país por ser amplamente disponível em território nacional, reduzindo a dependência de importações de petróleo e gás natural.

Em 2024, a China adicionou cerca de 88 gigawatts de capacidade instalada em usinas termelétricas a carvão. Embora as fontes renováveis tenham liderado o crescimento da geração elétrica, o carvão permanece como elemento fundamental para assegurar o funcionamento da indústria pesada.

Ocidente enfrenta dificuldades para replicar modelo

O estudo afirma que a integração entre infraestrutura energética, processamento de minerais e manufatura avançada foi construída ao longo de décadas, com forte participação do Estado, financiamento subsidiado e planejamento de longo prazo.

Na avaliação do Rhodium Group, reproduzir esse ecossistema em outros países representa um desafio significativo, especialmente para economias que buscam desenvolver cadeias próprias de minerais críticos e reduzir a dependência da indústria chinesa.

Segundo a análise, iniciativas de reorganização das cadeias globais poderão exigir políticas industriais robustas e medidas de proteção comercial, o que tende a elevar os custos para consumidores e empresas.

Brasil possui potencial, mas enfrenta desafios industriais

Embora o relatório não trate especificamente do Brasil, o cenário apresentado reforça um debate recorrente sobre o papel do país na cadeia global de valor.

O Brasil reúne importantes reservas de minério de ferro, lítio, alumínio e nióbio, além de contar com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e elevado potencial para geração de energia solar e eólica.

Entretanto, grande parte desses recursos ainda é exportada como matéria-prima, enquanto produtos industrializados de maior valor agregado continuam sendo importados.

Nesse contexto, especialistas apontam que ampliar a industrialização exigiria políticas de longo prazo, incentivos ao investimento, financiamento e fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Planejamento de longo prazo explica avanço chinês

O relatório conclui que o chamado “Estado elétrico” não surgiu de forma espontânea, mas é resultado de décadas de planejamento estratégico, investimentos públicos, coordenação industrial e expansão da infraestrutura energética.

A combinação desses fatores permitiu à China consolidar uma posição de liderança em setores considerados fundamentais para a economia do futuro, como energia limpa, baterias, veículos elétricos e minerais críticos, tornando seu modelo uma referência para o debate sobre competitividade industrial global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Maxim Shemetov

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Tecnologia

Índia e Japão ampliam parceria em inteligência artificial, energia e defesa

A Índia e o Japão deram um novo passo no fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países ao firmarem acordos voltados para inteligência artificial (IA), energia, metais, defesa e segurança econômica. Os entendimentos foram anunciados nesta quinta-feira após encontro entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e a premiê japonesa, Sanae Takaichi, em Nova Délhi.

A visita oficial de Takaichi, com duração de três dias, reforça o avanço da cooperação bilateral em um momento de mudanças no cenário geopolítico e econômico internacional.

Cooperação busca ampliar segurança econômica

Após a reunião, os dois governos confirmaram a elaboração de um roteiro conjunto para aprofundar a cooperação em áreas consideradas estratégicas para o crescimento econômico e a estabilidade regional.

Durante coletiva de imprensa, Sanae Takaichi destacou que Índia e Japão pretendem aproveitar as competências de cada país para impulsionar o desenvolvimento mútuo.

Segundo a premiê japonesa, o cenário internacional cada vez mais instável torna essencial a construção de uma relação baseada em complementaridade e cooperação.

Inteligência artificial e tecnologia ganham protagonismo

Entre os principais resultados do encontro está a adoção de três documentos considerados históricos pelos governos, abrangendo segurança econômica, resiliência energética e inteligência artificial.

Narendra Modi afirmou que a combinação da tecnologia de precisão desenvolvida pelo Japão com a expertise da Índia em desenvolvimento de software poderá acelerar a evolução global da IA e abrir novas oportunidades de inovação.

Os dois líderes não responderam a perguntas da imprensa após o anúncio dos acordos.

Primeiro projeto conjunto na área de defesa

Outro destaque da reunião foi a assinatura do primeiro acordo de codesenvolvimento na área de defesa entre Índia e Japão.

Os dois países integram o Quad, grupo formado também por Estados Unidos e Austrália, que atua na cooperação estratégica na região do Indo-Pacífico e é frequentemente visto como um contraponto ao crescimento da influência chinesa na área.

Além da defesa, as conversas abordaram temas como comércio exterior, investimentos, tecnologias emergentes, energia e intercâmbio entre as populações dos dois países.

Comércio e investimentos seguem em expansão

As relações econômicas entre Índia e Japão vêm registrando crescimento contínuo. No ano fiscal de 2025/26, o comércio bilateral alcançou US$ 27,5 bilhões.

No mesmo período, os investimentos japoneses na economia indiana somaram US$ 3,2 bilhões entre abril e dezembro de 2025, segundo dados do governo da Índia.

A visita de Sanae Takaichi ocorre menos de um ano após a viagem de Narendra Modi a Tóquio, quando o governo japonês anunciou a intenção de ampliar seus investimentos no mercado indiano para mais de US$ 61 bilhões ao longo da próxima década.

Japão amplia presença em projetos estratégicos na Índia

O Japão figura entre os principais investidores estrangeiros na Índia e participa de importantes projetos de infraestrutura, como a construção da ferrovia de alta velocidade que ligará Mumbai a Ahmedabad.

Empresas japonesas também vêm ampliando sua participação no setor privado indiano. Um dos negócios recentes foi a aquisição de uma participação de 20% no Yes Bank, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1,6 bilhão.

A agenda da premiê japonesa inclui ainda encontros com representantes do setor empresarial e participação em uma conferência de negócios durante a visita oficial.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Altaf Hussain

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Internacional

Crise energética na Europa: estoques de gás preocupam antes do inverno

A Europa pode enfrentar um inverno desafiador no abastecimento de gás natural. Mesmo com a redução das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, especialistas alertam que os níveis de armazenamento de combustível no continente permanecem abaixo do esperado, elevando o risco de pressão sobre os preços nos próximos meses.

Um estudo da consultoria Wood Mackenzie, divulgado pelo jornal britânico Financial Times, projeta que os reservatórios da União Europeia (UE) deverão encerrar a temporada de reabastecimento, que ocorre entre abril e outubro, com apenas 76% da capacidade ocupada.

Reservatórios de gás devem atingir menor nível em 15 anos

Caso a projeção se confirme, os estoques de gás natural da Europa entrarão no inverno do Hemisfério Norte nos níveis mais baixos registrados em pelo menos 15 anos. O cenário pode resultar em aumento dos custos de energia para consumidores e empresas durante o período de maior demanda.

Após um inverno rigoroso, que reduziu os estoques para cerca de 28% da capacidade, os países europeus tentam recompor as reservas, mas enfrentam dificuldades para alcançar os volumes considerados ideais.

Dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) indicam que os reservatórios operam atualmente com ocupação média de 48,29%. Tradicionalmente, junho representa o mês de maior ritmo de armazenamento, porém o desempenho ficou abaixo do esperado neste ano.

Calor e demanda por energia dificultam recomposição dos estoques

Outro fator que preocupa o setor energético é a previsão de temperaturas acima da média durante julho e agosto. O aumento do uso de sistemas de refrigeração deve elevar o consumo de eletricidade e reduzir a quantidade de gás natural destinada ao armazenamento.

Embora os preços do combustível tenham disparado durante o período de maior tensão no Oriente Médio, as cotações voltaram a se estabilizar nas últimas semanas.

Atualmente, o gás é negociado em torno de 40 euros por megawatt-hora (MWh), valor próximo ao registrado antes da escalada do conflito e muito inferior ao pico de 342 euros/MWh alcançado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

Oferta de GNL segue como fator decisivo para o mercado europeu

Especialistas avaliam que o cenário pode mudar caso haja aumento da oferta global de Gás Natural Liquefeito (GNL). Após a redução das tensões no Golfo, navios transportadores voltaram a operar normalmente na região, o que pode ampliar o fornecimento internacional.

Segundo Tom Marzec-Manser, diretor de gás e GNL para a Europa da Wood Mackenzie, a maior disponibilidade de cargas pode pressionar os preços para baixo no curto prazo. No entanto, ele avalia que a chegada do inverno tende a elevar novamente as cotações, principalmente se houver temperaturas abaixo da média.

Redução da oferta amplia preocupação com abastecimento

A atual situação é resultado de diversos fatores que reduziram a disponibilidade de gás natural no mercado europeu.

Entre eles estão as dificuldades recentes nas rotas de transporte de GNL pelo Estreito de Ormuz, a redução da produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos e o encerramento do trânsito de gás russo pelo território da Ucrânia.

Com isso, a União Europeia passou a depender ainda mais das importações de GNL para garantir o abastecimento interno e também atender à demanda ucraniana.

No ano passado, o bloco importou 109 milhões de toneladas de GNL, volume equivalente a aproximadamente 142 bilhões de metros cúbicos, crescimento de 28% em relação ao ano anterior.

Apesar desse avanço, as compras externas perderam ritmo. Em junho, as importações caíram cerca de 17% na comparação anual, totalizando 7,8 milhões de toneladas, o menor volume registrado nos últimos dez meses.

Embargo ao gás russo também pressiona o mercado

Outro elemento que contribui para a incerteza é a estratégia da União Europeia de eliminar gradualmente a dependência de produtos energéticos russos.

Atualmente, a Rússia ainda responde por aproximadamente 14% das importações europeias de GNL. Pelo cronograma aprovado pelo Conselho Europeu, a compra desse combustível será totalmente proibida a partir de 1º de janeiro de 2027.

Já a importação de gás natural russo por gasodutos deverá ser encerrada até setembro de 2027, exigindo que os países do bloco ampliem a diversificação de fornecedores.

Mesmo mantendo capacidade de armazenamento de cerca de 109 bilhões de metros cúbicos e ocupando a posição de maior importadora mundial de GNL, a Europa ainda enfrenta desafios para garantir estoques suficientes antes da chegada do inverno.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Exportação

Exportação de diesel russo pode ser suspensa e gerar impactos no mercado brasileiro

A possibilidade de um veto às exportações de diesel russo acendeu um alerta em mercados que dependem do combustível produzido pelo país. Entre eles está o Brasil, atualmente um dos principais compradores do derivado e maior destino do diesel exportado pela Rússia na América Latina.

A medida está sendo analisada pelo governo russo como forma de controlar os preços internos dos combustíveis e enfrentar problemas de abastecimento provocados pelos recentes ataques da Ucrânia à infraestrutura energética do país.

Ataques a refinarias pressionam produção de combustíveis

Segundo autoridades russas, os bombardeios e ataques com drones contra refinarias e instalações estratégicas afetaram significativamente a produção de derivados de petróleo. Consultorias locais apontam que a fabricação de combustíveis, incluindo gasolina e diesel, chegou a registrar queda expressiva nas últimas semanas.

O vice-primeiro-ministro da Rússia, responsável pela coordenação do setor energético, indicou que o governo estuda diferentes alternativas para equilibrar a oferta doméstica. Entre elas estão restrições às exportações e a adoção de novas tarifas para vendas ao exterior.

Caso sejam implementadas, essas medidas podem elevar os custos do combustível para importadores internacionais.

Brasil depende cada vez mais do diesel vindo da Rússia

Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, o Brasil ampliou significativamente as compras de diesel russo, atraído pelos descontos oferecidos após as sanções impostas por países ocidentais.

Atualmente, o produto tem participação dominante nas importações brasileiras do combustível. Em maio, aproximadamente 75% do diesel desembarcado no país teve origem na Rússia, enquanto os Estados Unidos ocuparam posição bem mais modesta entre os fornecedores.

O cenário reforça a importância estratégica do combustível russo para o abastecimento nacional.

Transporte rodoviário aumenta sensibilidade do mercado brasileiro

A economia brasileira possui forte dependência do transporte rodoviário para a circulação de mercadorias, o que torna o diesel um insumo essencial para diferentes setores produtivos.

Embora a Petrobras responda por cerca de 70% da oferta nacional do combustível, o restante é complementado por importações. Dessa forma, qualquer redução na disponibilidade internacional ou aumento nos preços pode repercutir diretamente nos custos logísticos e de transporte.

Brasil está entre os maiores compradores do diesel russo

Com a reconfiguração do comércio global de energia após as sanções europeias, o Brasil passou a ocupar posição de destaque entre os destinos do diesel exportado pela Rússia.

Levantamentos internacionais apontam que o país absorveu cerca de 11% das exportações russas do derivado desde a implementação das restrições impostas pela Europa. O percentual fica próximo ao registrado pela China, enquanto a Turquia lidera a lista dos principais compradores.

No caso do petróleo bruto, os maiores mercados para a Rússia continuam sendo China e Índia.

Crise de abastecimento preocupa autoridades russas

Além das perdas na produção, os danos causados à infraestrutura energética afetaram a distribuição de combustíveis em algumas regiões russas. Relatos apontam dificuldades de abastecimento, filas em postos e limitação na venda de gasolina e diesel em áreas mais afetadas.

O governo também enfrenta desafios relacionados ao reparo de refinarias e terminais atingidos pelos ataques, fator que contribui para a pressão sobre a oferta doméstica.

Mercado global acompanha cenário com atenção

A possível suspensão das exportações de diesel ocorre em um momento de elevada sensibilidade para o mercado internacional de energia. Alterações no fluxo de combustíveis russos podem influenciar preços globais e gerar reflexos em países importadores.

Para o Brasil, eventual restrição nas vendas russas representa um fator de risco para o abastecimento e para os custos do combustível, especialmente em um cenário de forte dependência do diesel importado para atender à demanda interna.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Serguei Pivovarov /Reuters

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Comércio Internacional

Brasil e Rússia ampliam parceria estratégica em comércio, energia e agronegócio

Brasil e Rússia avançaram nas discussões para fortalecer a cooperação bilateral durante a 13ª Reunião da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia (CIC), realizada nesta semana. O encontro reuniu autoridades dos dois países para debater temas ligados ao comércio exterior, energia, investimentos, agricultura e inovação tecnológica.

A reunião foi copresidida pela secretária-geral das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Maria Laura da Rocha, e pelo ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov.

Cooperação bilateral ganha foco em setores estratégicos

Durante o encontro, representantes brasileiros e russos reafirmaram o interesse em ampliar a parceria estratégica entre as duas nações, especialmente em áreas consideradas essenciais para o crescimento econômico e tecnológico.

Entre os temas discutidos estiveram o fortalecimento das relações comerciais, expansão de investimentos, desenvolvimento industrial, cooperação científica e projetos conjuntos no setor energético.

Os dois governos também destacaram a importância do diálogo político em organismos multilaterais como o BRICS, o G20 e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Comércio entre Brasil e Rússia supera US$ 10 bilhões

Dados apresentados durante a reunião apontam que o comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu US$ 10,9 bilhões em 2025, consolidando a relevância econômica da parceria.

O agronegócio brasileiro segue como um dos principais pilares dessa relação, principalmente pela dependência do Brasil em relação aos fertilizantes russos e pelo aumento das exportações agropecuárias para o mercado da Rússia.

Segundo os números divulgados, a Rússia respondeu por 26% das importações brasileiras de fertilizantes minerais e químicos em 2025, tornando-se o principal fornecedor internacional desses produtos ao país.

Rússia lidera fornecimento de diesel ao Brasil

Além dos fertilizantes, a Rússia também ampliou sua participação no setor energético brasileiro. O país foi responsável por 45% do diesel importado pelo Brasil no período analisado.

O avanço da cooperação energética é visto como estratégico diante das transformações econômicas globais e da necessidade de garantir segurança no abastecimento de combustíveis e insumos agrícolas.

Relação entre países ganha importância geopolítica

O fortalecimento das relações entre Brasil e Rússia ocorre em meio a um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, reorganização das cadeias globais de produção e maior aproximação entre países emergentes.

Nesse contexto, os dois governos defendem o aprofundamento das relações diplomáticas, comerciais e tecnológicas como forma de ampliar oportunidades de negócios e estimular o desenvolvimento sustentável.

A 13ª edição da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia reforçou ainda o interesse mútuo em ampliar investimentos e fortalecer áreas consideradas estratégicas para segurança alimentar, inovação e energia.

FONTE: O Mundo Diplomático
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Mundo Diplomático

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Informação

Petroleiras lucram quase US$ 3 mil por segundo em meio à crise global de energia

Mesmo diante da crise global de energia e do avanço da inflação, as maiores companhias do setor petrolífero seguem ampliando seus ganhos. Levantamento da organização Oxfam aponta que seis gigantes — Chevron, Shell, BP, ConocoPhillips, ExxonMobil e TotalEnergies — devem registrar, juntas, cerca de US$ 2.967 por segundo em lucros ao longo de 2026.

Na prática, isso representa aproximadamente US$ 94 bilhões no ano, um volume expressivo em um cenário em que consumidores enfrentam combustíveis mais caros, aumento nas tarifas de energia e maior pressão sobre o orçamento doméstico.

Crescimento acelerado dos ganhos

De acordo com a análise, os lucros dessas empresas cresceram significativamente em relação ao ano anterior. O avanço é estimado em quase US$ 37 milhões por dia a mais em comparação com 2025.

O resultado evidencia um contraste marcante: enquanto famílias ajustam despesas básicas, o setor petrolífero mantém trajetória de expansão financeira.

Instabilidade global impulsiona resultados

A tensão geopolítica no Oriente Médio e a volatilidade no mercado internacional de petróleo estão entre os principais fatores que explicam o aumento dos lucros.

Com a alta no preço do barril, as companhias ampliam suas margens e fortalecem o desempenho financeiro. Por outro lado, os impactos recaem sobre consumidores e empresas, que enfrentam custos mais elevados e pressão inflacionária crescente.

Oxfam aponta aumento da desigualdade

A Oxfam critica o cenário, destacando o contraste entre os lucros elevados e as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas. Para a entidade, a situação reforça o avanço da desigualdade econômica e levanta questionamentos sobre políticas de incentivo ao setor de combustíveis fósseis.

A organização também chama atenção para o fato de que diversos governos continuam concedendo subsídios à indústria, mesmo diante da necessidade de acelerar a transição energética e enfrentar a crise climática.

Debate envolve economia e meio ambiente

O desempenho financeiro das petroleiras reacende discussões sobre o papel dessas empresas no cenário global. De um lado, elas permanecem essenciais para garantir o abastecimento energético. De outro, enfrentam críticas por manter modelos que contribuem para o aumento das emissões e dificultam mudanças estruturais no setor.

Especialistas apontam que o desafio está em conciliar segurança energética com responsabilidade ambiental, sem transferir integralmente os custos para o consumidor final.

Um tema que vai além do petróleo

O debate sobre o setor petrolífero ultrapassa a esfera econômica e passa a envolver questões como justiça social, política energética e o futuro climático do planeta.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Petrobras

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Economia

Diesel mais caro que gasolina: entenda por que o combustível virou um problema econômico global

O avanço dos preços do diesel tem sido mais intenso do que o da gasolina desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou diretamente a oferta global de petróleo. O impacto é especialmente preocupante para setores que dependem fortemente desse combustível, como transporte e agricultura.

Desde o fim de fevereiro, o valor médio do diesel subiu cerca de 45%, enquanto a gasolina teve aumento próximo de 35%. Projeções indicam que o diesel pode ultrapassar US$ 5,80 por galão, contra aproximadamente US$ 4,30 da gasolina. Apesar de uma leve queda recente motivada por expectativas de acordo de paz, a diferença entre os dois combustíveis continua significativa.

Escassez global impulsiona preços do diesel

A elevação acelerada do preço do diesel não começou com a guerra. Antes mesmo do conflito, o mercado já operava com oferta limitada. Com a redução das exportações por países do Golfo Pérsico — importantes produtores —, o desequilíbrio se intensificou.

Outro fator relevante é que o petróleo extraído nessa região é mais adequado para a produção de diesel e combustível de aviação. Com menos disponibilidade, houve escassez simultânea desses derivados, enquanto a gasolina manteve um nível de oferta relativamente mais estável.

Além disso, países com capacidade de compensar parte da produção, como a China, restringiram exportações para priorizar o abastecimento interno, agravando ainda mais o cenário global.

Limitações na produção dificultam resposta rápida

Mesmo sendo exportadores líquidos de derivados, os Estados Unidos não conseguem suprir totalmente a demanda mundial. Parte disso se explica pelas características do petróleo produzido no país, mais indicado para a fabricação de gasolina do que de diesel.

As refinarias também enfrentam limitações técnicas. Embora consigam ajustar parcialmente a produção, não é possível ampliar significativamente a oferta de diesel sem investimentos elevados e mudanças estruturais. Isso reduz a capacidade de resposta imediata diante da crise.

Diesel é essencial e difícil de substituir

Diferentemente da gasolina, cujo consumo pode ser reduzido por alternativas como caronas ou menos deslocamentos, o consumo de diesel é mais rígido. Caminhoneiros, agricultores e operadores de máquinas pesadas dependem diretamente do combustível, o que mantém a demanda elevada mesmo com preços altos.

Diferenças entre diesel e gasolina

Ambos os combustíveis são derivados do petróleo, mas possuem características distintas. A gasolina é mais utilizada em veículos leves, enquanto o diesel, mais eficiente energeticamente, abastece caminhões, tratores e equipamentos industriais.

Essa diferença de uso contribui para a pressão sobre o diesel em momentos de crise, já que ele está ligado a cadeias produtivas essenciais.

Por que o diesel costuma ser mais caro?

Nos Estados Unidos e em outros países, o diesel geralmente custa mais do que a gasolina. Um dos motivos é o processo adicional necessário para reduzir o teor de enxofre, exigido por normas ambientais — o que encarece a produção.

Além disso, o diesel sofre tributação maior e tem preços mais sensíveis ao mercado internacional, já que grande parte da produção é destinada à exportação.

Outro desafio é logístico: a infraestrutura para transporte de diesel, como oleodutos, é mais limitada, o que pode gerar variações regionais de preço.

Quando os preços podem cair?

A normalização dos preços depende diretamente da retomada do fluxo de petróleo, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, a tendência é de redução gradual dos custos.

No entanto, especialistas apontam que o diesel caro pode persistir por mais tempo, já que a cadeia de abastecimento foi profundamente afetada. A recomposição dos estoques e da distribuição global pode levar meses.

No cenário atual, o diesel segue como peça-chave da economia mundial, influenciando diretamente custos de transporte, alimentos e diversos produtos.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NY Times

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Tecnologia

Centros de dados e IA ampliam “ilhas de calor” e elevam impacto ambiental

Os centros de dados responsáveis por sustentar a expansão da inteligência artificial (IA) estão gerando impactos ambientais que vão além do alto consumo de energia. Uma nova pesquisa indica que essas estruturas também contribuem para a formação de “ilhas de calor”, elevando a temperatura em áreas próximas.

De acordo com o estudo liderado por Andrea Marinoni, da Universidade de Cambridge, o aumento térmico pode atingir um raio de até 10 quilômetros ao redor dessas instalações.

Aquecimento pode chegar a até 9°C em casos extremos

Os pesquisadores analisaram duas décadas de dados de temperatura obtidos por sensores remotos e cruzaram as informações com a localização de grandes centros de dados, conhecidos como hyperscalers — estruturas com milhares de servidores e alta demanda energética.

O levantamento considerou mais de seis mil unidades instaladas fora de áreas urbanas densas, reduzindo interferências como atividade industrial ou aquecimento residencial.

Os resultados mostram que, em média, houve aumento de cerca de 1,8°C na temperatura da superfície após a instalação desses centros. Em situações mais críticas, o crescimento chegou a 9,1°C.

Impacto térmico afeta milhões de pessoas

O fenômeno foi observado em diferentes regiões do mundo. No Bajío, no México, a temperatura subiu aproximadamente 3,6°C nas últimas duas décadas, enquanto padrões semelhantes foram identificados em Aragão, na Espanha.

Um dos pontos mais preocupantes é que o aquecimento não se restringe às áreas imediatas dos centros de dados. O efeito se estende por quilômetros, impactando diretamente mais de 340 milhões de pessoas.

Expansão da IA pode agravar cenário climático

O avanço acelerado da tecnologia de IA e a crescente demanda por infraestrutura digital indicam que o número de centros de dados deve aumentar significativamente nos próximos anos.

Segundo Marinoni, esse crescimento pode gerar consequências relevantes para o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida da população, especialmente em um contexto já marcado por mudanças climáticas e ondas de calor mais intensas.

Especialistas pedem mais estudos e soluções sustentáveis

Para Deborah Andrews, da London South Bank University, o estudo chama atenção por abordar diretamente o calor gerado por essas estruturas — um aspecto ainda pouco explorado.

Ela alerta que o avanço da inteligência artificial ocorre em ritmo mais rápido do que o desenvolvimento de práticas sustentáveis, o que pode ampliar os impactos ambientais.

Outros especialistas, como Ralph Hindeman, do Borderstep Institute for Innovation and Sustainability, defendem cautela na interpretação dos dados e reforçam a necessidade de mais pesquisas. Segundo ele, embora relevantes, os números apresentados podem estar superestimados, e o principal desafio climático ainda está nas emissões associadas à geração de energia.

Debate sobre sustentabilidade digital ganha força

Os autores do estudo defendem que os resultados devem incentivar discussões sobre formas de reduzir o impacto ambiental da infraestrutura digital. Entre os caminhos possíveis estão o uso de energia renovável, melhorias na eficiência térmica e planejamento mais sustentável na expansão dos centros.

A expectativa é que ainda haja espaço para equilibrar o avanço da IA com práticas que minimizem seus efeitos no clima.

FONTE: Tribuna do Planalto
TEXTO: Redação
IMAGEM: Start Campus, Sines Nuno Tavares / RTP

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