Comércio Internacional

Brasil e Rússia ampliam parceria estratégica em comércio, energia e agronegócio

Brasil e Rússia avançaram nas discussões para fortalecer a cooperação bilateral durante a 13ª Reunião da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia (CIC), realizada nesta semana. O encontro reuniu autoridades dos dois países para debater temas ligados ao comércio exterior, energia, investimentos, agricultura e inovação tecnológica.

A reunião foi copresidida pela secretária-geral das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Maria Laura da Rocha, e pelo ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov.

Cooperação bilateral ganha foco em setores estratégicos

Durante o encontro, representantes brasileiros e russos reafirmaram o interesse em ampliar a parceria estratégica entre as duas nações, especialmente em áreas consideradas essenciais para o crescimento econômico e tecnológico.

Entre os temas discutidos estiveram o fortalecimento das relações comerciais, expansão de investimentos, desenvolvimento industrial, cooperação científica e projetos conjuntos no setor energético.

Os dois governos também destacaram a importância do diálogo político em organismos multilaterais como o BRICS, o G20 e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Comércio entre Brasil e Rússia supera US$ 10 bilhões

Dados apresentados durante a reunião apontam que o comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu US$ 10,9 bilhões em 2025, consolidando a relevância econômica da parceria.

O agronegócio brasileiro segue como um dos principais pilares dessa relação, principalmente pela dependência do Brasil em relação aos fertilizantes russos e pelo aumento das exportações agropecuárias para o mercado da Rússia.

Segundo os números divulgados, a Rússia respondeu por 26% das importações brasileiras de fertilizantes minerais e químicos em 2025, tornando-se o principal fornecedor internacional desses produtos ao país.

Rússia lidera fornecimento de diesel ao Brasil

Além dos fertilizantes, a Rússia também ampliou sua participação no setor energético brasileiro. O país foi responsável por 45% do diesel importado pelo Brasil no período analisado.

O avanço da cooperação energética é visto como estratégico diante das transformações econômicas globais e da necessidade de garantir segurança no abastecimento de combustíveis e insumos agrícolas.

Relação entre países ganha importância geopolítica

O fortalecimento das relações entre Brasil e Rússia ocorre em meio a um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, reorganização das cadeias globais de produção e maior aproximação entre países emergentes.

Nesse contexto, os dois governos defendem o aprofundamento das relações diplomáticas, comerciais e tecnológicas como forma de ampliar oportunidades de negócios e estimular o desenvolvimento sustentável.

A 13ª edição da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia reforçou ainda o interesse mútuo em ampliar investimentos e fortalecer áreas consideradas estratégicas para segurança alimentar, inovação e energia.

FONTE: O Mundo Diplomático
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Mundo Diplomático

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Informação

Petroleiras lucram quase US$ 3 mil por segundo em meio à crise global de energia

Mesmo diante da crise global de energia e do avanço da inflação, as maiores companhias do setor petrolífero seguem ampliando seus ganhos. Levantamento da organização Oxfam aponta que seis gigantes — Chevron, Shell, BP, ConocoPhillips, ExxonMobil e TotalEnergies — devem registrar, juntas, cerca de US$ 2.967 por segundo em lucros ao longo de 2026.

Na prática, isso representa aproximadamente US$ 94 bilhões no ano, um volume expressivo em um cenário em que consumidores enfrentam combustíveis mais caros, aumento nas tarifas de energia e maior pressão sobre o orçamento doméstico.

Crescimento acelerado dos ganhos

De acordo com a análise, os lucros dessas empresas cresceram significativamente em relação ao ano anterior. O avanço é estimado em quase US$ 37 milhões por dia a mais em comparação com 2025.

O resultado evidencia um contraste marcante: enquanto famílias ajustam despesas básicas, o setor petrolífero mantém trajetória de expansão financeira.

Instabilidade global impulsiona resultados

A tensão geopolítica no Oriente Médio e a volatilidade no mercado internacional de petróleo estão entre os principais fatores que explicam o aumento dos lucros.

Com a alta no preço do barril, as companhias ampliam suas margens e fortalecem o desempenho financeiro. Por outro lado, os impactos recaem sobre consumidores e empresas, que enfrentam custos mais elevados e pressão inflacionária crescente.

Oxfam aponta aumento da desigualdade

A Oxfam critica o cenário, destacando o contraste entre os lucros elevados e as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas. Para a entidade, a situação reforça o avanço da desigualdade econômica e levanta questionamentos sobre políticas de incentivo ao setor de combustíveis fósseis.

A organização também chama atenção para o fato de que diversos governos continuam concedendo subsídios à indústria, mesmo diante da necessidade de acelerar a transição energética e enfrentar a crise climática.

Debate envolve economia e meio ambiente

O desempenho financeiro das petroleiras reacende discussões sobre o papel dessas empresas no cenário global. De um lado, elas permanecem essenciais para garantir o abastecimento energético. De outro, enfrentam críticas por manter modelos que contribuem para o aumento das emissões e dificultam mudanças estruturais no setor.

Especialistas apontam que o desafio está em conciliar segurança energética com responsabilidade ambiental, sem transferir integralmente os custos para o consumidor final.

Um tema que vai além do petróleo

O debate sobre o setor petrolífero ultrapassa a esfera econômica e passa a envolver questões como justiça social, política energética e o futuro climático do planeta.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Petrobras

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Economia

Diesel mais caro que gasolina: entenda por que o combustível virou um problema econômico global

O avanço dos preços do diesel tem sido mais intenso do que o da gasolina desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou diretamente a oferta global de petróleo. O impacto é especialmente preocupante para setores que dependem fortemente desse combustível, como transporte e agricultura.

Desde o fim de fevereiro, o valor médio do diesel subiu cerca de 45%, enquanto a gasolina teve aumento próximo de 35%. Projeções indicam que o diesel pode ultrapassar US$ 5,80 por galão, contra aproximadamente US$ 4,30 da gasolina. Apesar de uma leve queda recente motivada por expectativas de acordo de paz, a diferença entre os dois combustíveis continua significativa.

Escassez global impulsiona preços do diesel

A elevação acelerada do preço do diesel não começou com a guerra. Antes mesmo do conflito, o mercado já operava com oferta limitada. Com a redução das exportações por países do Golfo Pérsico — importantes produtores —, o desequilíbrio se intensificou.

Outro fator relevante é que o petróleo extraído nessa região é mais adequado para a produção de diesel e combustível de aviação. Com menos disponibilidade, houve escassez simultânea desses derivados, enquanto a gasolina manteve um nível de oferta relativamente mais estável.

Além disso, países com capacidade de compensar parte da produção, como a China, restringiram exportações para priorizar o abastecimento interno, agravando ainda mais o cenário global.

Limitações na produção dificultam resposta rápida

Mesmo sendo exportadores líquidos de derivados, os Estados Unidos não conseguem suprir totalmente a demanda mundial. Parte disso se explica pelas características do petróleo produzido no país, mais indicado para a fabricação de gasolina do que de diesel.

As refinarias também enfrentam limitações técnicas. Embora consigam ajustar parcialmente a produção, não é possível ampliar significativamente a oferta de diesel sem investimentos elevados e mudanças estruturais. Isso reduz a capacidade de resposta imediata diante da crise.

Diesel é essencial e difícil de substituir

Diferentemente da gasolina, cujo consumo pode ser reduzido por alternativas como caronas ou menos deslocamentos, o consumo de diesel é mais rígido. Caminhoneiros, agricultores e operadores de máquinas pesadas dependem diretamente do combustível, o que mantém a demanda elevada mesmo com preços altos.

Diferenças entre diesel e gasolina

Ambos os combustíveis são derivados do petróleo, mas possuem características distintas. A gasolina é mais utilizada em veículos leves, enquanto o diesel, mais eficiente energeticamente, abastece caminhões, tratores e equipamentos industriais.

Essa diferença de uso contribui para a pressão sobre o diesel em momentos de crise, já que ele está ligado a cadeias produtivas essenciais.

Por que o diesel costuma ser mais caro?

Nos Estados Unidos e em outros países, o diesel geralmente custa mais do que a gasolina. Um dos motivos é o processo adicional necessário para reduzir o teor de enxofre, exigido por normas ambientais — o que encarece a produção.

Além disso, o diesel sofre tributação maior e tem preços mais sensíveis ao mercado internacional, já que grande parte da produção é destinada à exportação.

Outro desafio é logístico: a infraestrutura para transporte de diesel, como oleodutos, é mais limitada, o que pode gerar variações regionais de preço.

Quando os preços podem cair?

A normalização dos preços depende diretamente da retomada do fluxo de petróleo, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, a tendência é de redução gradual dos custos.

No entanto, especialistas apontam que o diesel caro pode persistir por mais tempo, já que a cadeia de abastecimento foi profundamente afetada. A recomposição dos estoques e da distribuição global pode levar meses.

No cenário atual, o diesel segue como peça-chave da economia mundial, influenciando diretamente custos de transporte, alimentos e diversos produtos.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NY Times

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Tecnologia

Centros de dados e IA ampliam “ilhas de calor” e elevam impacto ambiental

Os centros de dados responsáveis por sustentar a expansão da inteligência artificial (IA) estão gerando impactos ambientais que vão além do alto consumo de energia. Uma nova pesquisa indica que essas estruturas também contribuem para a formação de “ilhas de calor”, elevando a temperatura em áreas próximas.

De acordo com o estudo liderado por Andrea Marinoni, da Universidade de Cambridge, o aumento térmico pode atingir um raio de até 10 quilômetros ao redor dessas instalações.

Aquecimento pode chegar a até 9°C em casos extremos

Os pesquisadores analisaram duas décadas de dados de temperatura obtidos por sensores remotos e cruzaram as informações com a localização de grandes centros de dados, conhecidos como hyperscalers — estruturas com milhares de servidores e alta demanda energética.

O levantamento considerou mais de seis mil unidades instaladas fora de áreas urbanas densas, reduzindo interferências como atividade industrial ou aquecimento residencial.

Os resultados mostram que, em média, houve aumento de cerca de 1,8°C na temperatura da superfície após a instalação desses centros. Em situações mais críticas, o crescimento chegou a 9,1°C.

Impacto térmico afeta milhões de pessoas

O fenômeno foi observado em diferentes regiões do mundo. No Bajío, no México, a temperatura subiu aproximadamente 3,6°C nas últimas duas décadas, enquanto padrões semelhantes foram identificados em Aragão, na Espanha.

Um dos pontos mais preocupantes é que o aquecimento não se restringe às áreas imediatas dos centros de dados. O efeito se estende por quilômetros, impactando diretamente mais de 340 milhões de pessoas.

Expansão da IA pode agravar cenário climático

O avanço acelerado da tecnologia de IA e a crescente demanda por infraestrutura digital indicam que o número de centros de dados deve aumentar significativamente nos próximos anos.

Segundo Marinoni, esse crescimento pode gerar consequências relevantes para o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida da população, especialmente em um contexto já marcado por mudanças climáticas e ondas de calor mais intensas.

Especialistas pedem mais estudos e soluções sustentáveis

Para Deborah Andrews, da London South Bank University, o estudo chama atenção por abordar diretamente o calor gerado por essas estruturas — um aspecto ainda pouco explorado.

Ela alerta que o avanço da inteligência artificial ocorre em ritmo mais rápido do que o desenvolvimento de práticas sustentáveis, o que pode ampliar os impactos ambientais.

Outros especialistas, como Ralph Hindeman, do Borderstep Institute for Innovation and Sustainability, defendem cautela na interpretação dos dados e reforçam a necessidade de mais pesquisas. Segundo ele, embora relevantes, os números apresentados podem estar superestimados, e o principal desafio climático ainda está nas emissões associadas à geração de energia.

Debate sobre sustentabilidade digital ganha força

Os autores do estudo defendem que os resultados devem incentivar discussões sobre formas de reduzir o impacto ambiental da infraestrutura digital. Entre os caminhos possíveis estão o uso de energia renovável, melhorias na eficiência térmica e planejamento mais sustentável na expansão dos centros.

A expectativa é que ainda haja espaço para equilibrar o avanço da IA com práticas que minimizem seus efeitos no clima.

FONTE: Tribuna do Planalto
TEXTO: Redação
IMAGEM: Start Campus, Sines Nuno Tavares / RTP

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Importação

Brasil busca ampliar importação de gás da Bolívia e reforçar parceria energética

A cooperação energética entre Brasil e Bolívia ganhou novo impulso com a sinalização de aumento na produção e no fornecimento de gás natural ao mercado brasileiro. A iniciativa ocorre em meio a um cenário internacional de incertezas no abastecimento de combustíveis, o que reforça a importância de parcerias regionais estratégicas.

Parceria energética ganha força

Durante encontro oficial em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o interesse brasileiro em ampliar tanto a produção quanto a importação de gás natural boliviano, considerado um recurso essencial para a segurança energética do país.

Segundo o presidente, a Bolívia segue como um fornecedor confiável, mesmo diante de crises globais que afetam o setor. Ele também mencionou a possibilidade de novos investimentos para expandir a oferta do insumo ao Brasil.

A atuação da Petrobras ao longo das últimas décadas foi apontada como fundamental para a integração energética entre os dois países. Atualmente, a estatal responde por cerca de 25% da produção de gás na Bolívia — número inferior aos 60% registrados anteriormente, mas ainda relevante.

Gasoduto e integração regional

O Gasoduto Brasil–Bolívia continua sendo uma peça-chave para o desenvolvimento industrial brasileiro e para o setor de hidrocarbonetos boliviano. A expectativa é que a estrutura seja utilizada de forma mais ampla, promovendo a integração dos mercados de gás no Cone Sul.

Além disso, há potencial de uso do gasoduto para abastecer projetos industriais, como uma possível fábrica de fertilizantes na região de Puerto Quijaro.

Interligação elétrica e energia renovável

Outro avanço importante foi o acordo para interconexão dos sistemas elétricos entre os dois países. O projeto prevê a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, na Bolívia, e o município de Corumbá (MS).

A proposta busca otimizar o uso de recursos energéticos e ampliar o acesso à eletricidade em áreas ainda dependentes de diesel. O Brasil também demonstrou interesse em colaborar com a Bolívia no desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes renováveis, fortalecendo a diversificação da matriz energética e contribuindo para a descarbonização.

Mineração e cooperação ampliada

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, ressaltou o potencial de cooperação no setor de mineração, destacando a diversidade e abundância de recursos minerais no país.

Além da energia, os dois governos discutiram temas como integração física, combate a crimes transnacionais, comércio, investimentos e questões migratórias. Também foram firmados acordos nas áreas de turismo e segurança, com foco no enfrentamento ao crime organizado.

Comércio bilateral e novos investimentos

Apesar de o Brasil ser o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, o volume de trocas entre os países vem diminuindo. Em 2013, a balança comercial atingiu US$ 5,5 bilhões, enquanto em 2025 caiu para US$ 2,6 bilhões.

Ainda assim, há expectativa de retomada, com oportunidades em setores como agronegócio, alimentos, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de avanços em biotecnologia com apoio da Embrapa.

Infraestrutura e integração logística

A construção de uma nova ponte sobre o Rio Mamoré, ligando Guajará-Mirim (RO) a Guayarámerin, deve facilitar o fluxo comercial entre os países. A obra integra as Rotas de Integração Sul-Americana e tem início previsto para 2027.

O projeto permitirá melhor acesso aos portos do Chile e do Peru, ampliando a conexão com mercados asiáticos por meio do Oceano Pacífico.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Petrobras/Divulgação)

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Negócios

WEG amplia presença na Índia ao adquirir fabricante Sanelec por US$ 5,2 milhões

A WEG anunciou a compra da fabricante indiana Sanelec Excitation Systems por US$ 5,2 milhões, passo que reforça a presença do grupo no mercado global de soluções para geração de energia.

Especialização em sistemas de excitação
A Sanelec atua no desenvolvimento e produção de reguladores automáticos de tensão e sistemas de excitação para geradores e motores síncronos — tecnologias essenciais para o funcionamento de usinas e operações elétricas de grande porte. A companhia emprega cerca de 40 colaboradores, registrou receita líquida de US$ 2,3 milhões em 2024 e alcançou margem Ebitda de 29%, indicadores considerados sólidos para o segmento.

Fortalecimento da Reivax no mercado indiano
A empresa indiana já era parceira exclusiva da Reivax, integrante do grupo WEG, no mercado local. A aquisição deve ampliar a atuação da marca no país e fortalecer sua posição entre fornecedores de soluções de controle e automação para geração de energia, com expectativa de crescimento no portfólio e na base de clientes.

Próximos passos da operação
A transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes para ser concluída. O pagamento será realizado após o fechamento formal da operação, conforme informou a WEG.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Importação

Preços de importados dos EUA permanecem estáveis em setembro

Os preços de importados dos Estados Unidos ficaram estáveis em setembro, contrariando estimativas do mercado. De acordo com o Departamento do Trabalho, os aumentos em bens de consumo — exceto veículos automotores — foram neutralizados pelo recuo nos valores de produtos energéticos, resultando em uma leitura geral inalterada.

Mercado esperava nova alta

O relatório divulgado pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho mostra que o indicador permaneceu estacionado após um avanço revisado para 0,1% em agosto. Economistas consultados pela Reuters projetavam um aumento de 0,1% para setembro, repetindo a alta inicialmente reportada no mês anterior.

No acumulado de 12 meses até setembro, os preços de importados subiram 0,3%, registrando o primeiro crescimento anual desde março. Em agosto, o índice havia recuado 0,1%.

Impacto das tarifas ainda é limitado

A publicação do relatório sofreu atraso devido à paralisação de 43 dias do governo federal. Até agora, o repasse das tarifas aos preços ao consumidor tem sido pequeno, já que muitas empresas optaram por absorver parte dos custos extras.

Mesmo assim, economistas avaliam que essa estratégia tem limite: margens corporativas comprimidas podem reduzir investimentos em capital e contratação de mão de obra, pressionando a economia no médio prazo.

Custos de energia recuam; núcleo avança

Dados do governo revelam que os preços ao produtor subiram em setembro, influenciados principalmente por alimentos e energia. No mercado externo, os combustíveis importados caíram 1,5% no mês, após retração de 0,5% em agosto. O gás natural também registrou queda de 3%.

Os preços de alimentos importados diminuíram 0,8% no período. Quando excluídos combustíveis e alimentos, os preços de importados avançaram 0,3%, repetindo o desempenho de agosto. Em 12 meses, o núcleo acumulou alta de 0,8%.

Influência cambial

A leve pressão altista no núcleo também reflete a fraqueza do dólar frente às moedas de parceiros comerciais dos EUA, o que tende a elevar o custo de produtos comprados no exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Internacional

UE aprova acordo para proibir importação de gás russo até 2027

Decisão marca nova etapa na política energética europeia
A União Europeia fechou, nesta quarta-feira, um acordo político para interditar todas as importações de gás russo até o outono de 2027. A informação foi adiantada pela agência AFP e representa um consenso entre o Parlamento Europeu, que defendia um prazo mais curto, e os Estados-Membros, que pediam mais tempo para adaptação.

Calendário da proibição para gasodutos e GNL
Pelo acordo, os contratos de longo prazo relacionados ao gás transportado por gasoduto serão proibidos a partir de 30 de setembro de 2027, desde que os níveis de reserva estejam assegurados. Caso contrário, a data limite será 1º de novembro de 2027.
No caso do gás natural liquefeito (GNL), a interrupção de contratos de longo prazo começa antes: 1º de janeiro de 2027, conforme detalhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como parte das medidas de pressão econômica contra Moscou.

Já os contratos de curto prazo terão bloqueios antecipados:

  • Para GNL, a proibição passa a valer em 25 de abril de 2026
  • Para o gás transportado por gasoduto, em 17 de junho de 2026

O calendário ainda precisa de aprovação formal pelo Parlamento Europeu e pelos governos nacionais, mas o entendimento político indica que a votação não deve enfrentar obstáculos.

Impacto jurídico e estratégia para evitar vetos
Pelo texto, empresas europeias poderão alegar força maior para justificar o rompimento de contratos com fornecedores russos, uma vez que a própria UE estará impondo a proibição.
Diferentemente de outros pacotes de represálias, o bloco optou por adotar uma proposta legislativa em vez de sanções diretas — mecanismo que permite aprovação por maioria qualificada e evita vetos de países como Hungria e Eslováquia, alinhados a Moscou.

Redução da dependência e novo cenário do mercado de gás
Quase quatro anos após a invasão da Ucrânia, o objetivo europeu é claro: reduzir as receitas de gás da Rússia e consolidar a transição energética do bloco.
A participação do gás russo nas importações europeias caiu de 45% em 2021 para 19% em 2024, resultado de esforços para diminuir a dependência dos gasodutos operados por Moscou.
Parte dessa redução, entretanto, foi suprida pelo aumento das compras de GNL, que chega por navios, é descarregado em terminais portuários e depois regaseificado. Em 2024, a Rússia foi o segundo maior fornecedor de GNL para a Europa, atrás apenas dos Estados Unidos: forneceu 20 bilhões de m³, de um total de aproximadamente 100 bilhões importados pelo bloco.

FONTE: Observador
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Observador

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Investimento

China intensifica investimentos no Brasil e expande portos, energia, transporte e agronegócio

A China amplia sua atuação no Brasil com uma onda de investimentos bilionários em portos, ferrovias, energia e exportações agrícolas. Estatais e grandes conglomerados chineses assumem operações relevantes, compram participações estratégicas e fortalecem sua presença em ativos essenciais para o escoamento de grãos, petróleo e para o transporte de passageiros.

Esse avanço permite que grupos chineses controlem partes importantes da cadeia de exportação agrícola, ao mesmo tempo em que participam de projetos de mobilidade urbana e de geração e transmissão de energia. O movimento ajuda a redesenhar a infraestrutura brasileira e consolida o país asiático como um dos principais parceiros econômicos do Brasil.

COFCO amplia domínio na exportação agrícola
Na exportação de commodities, o avanço mais evidente vem da COFCO, gigante estatal chinesa que atua como uma das maiores tradings de grãos do país. A empresa compra soja, milho e açúcar, opera terminais portuários e possui estruturas logísticas que conectam o campo ao embarque internacional.

Em Santos, a companhia já operava dois terminais e utilizava instalações de terceiros. Em março, iniciou a operação parcial do novo terminal TEC (STS11), que será concluído no próximo ano. Com ele, a capacidade da empresa no porto passa de 4 milhões para 14 milhões de toneladas anuais, tornando o local seu maior terminal fora da China.
A mudança reduz custos logísticos e reforça o peso dos investimentos chineses no agronegócio brasileiro.

CM Ports avança em portos estratégicos
No setor de contêineres, a presença chinesa também se destaca. Cerca de 11% dos contêineres movimentados no Brasil passam pelo TCP, em Paranaguá (PR), terminal controlado desde 2018 pela estatal CM Ports, uma das maiores operadoras globais do segmento.

Em novembro, a empresa fechou um acordo com o governo brasileiro para expandir ainda mais o terminal. O pacote de investimentos deve elevar a capacidade operacional e fortalecer a influência chinesa na logística de comércio exterior.

A ofensiva vai além dos contêineres. No Porto do Açu (RJ), responsável por aproximadamente 30% das exportações de petróleo do país, a CM Ports assinou em fevereiro de 2025 um acordo para adquirir 70% do terminal de petróleo – negócio ainda sujeito à aprovação regulatória. Se concluído, ampliará o domínio chinês na logística do setor petrolífero brasileiro.

CRRC se firma no transporte de passageiros
Os investimentos chineses também chegam ao transporte sobre trilhos. A concessão do trem intercidades entre São Paulo e Campinas, leiloada em 2024, foi vencida por um consórcio formado pela brasileira Grupo Comporte (60%) e pela estatal chinesa CRRC (40%). O projeto prevê cerca de R$ 14 bilhões em investimentos.

A CRRC será responsável pela implantação do sistema e pela fabricação dos trens. Além disso, venceu em 2025 a licitação para fornecer 44 novos trens ao Metrô de São Paulo, em um contrato de R$ 3,1 bilhões, com montagem prevista em Araraquara.

Essas iniciativas mostram como o Brasil incorpora a expertise da China em grandes projetos ferroviários e metroviários.

Energia e petróleo reforçam a rede integrada chinesa
No setor de energia, as estatais chinesas ocupam posições centrais. A State Grid controla a CPFL, que atua na distribuição elétrica, enquanto a CTG (China Three Gorges) participa da geração de energia no país. Ambas utilizam tecnologias e componentes produzidos pela própria indústria chinesa, criando um ciclo integrado de produção e operação.

No petróleo, petroleiras como CNPC e Sinopec operam em campos brasileiros, contribuindo para o fluxo que chega ao Porto do Açu – justamente o terminal que a CM Ports busca controlar.

Essa interligação de empresas evidencia um sistema integrado de investimentos, do qual a China se beneficia ao operar múltiplas etapas da cadeia energética e logística.

Um novo cenário para a infraestrutura brasileira
Especialistas apontam que a China consolidou sua economia com investimentos robustos em portos, ferrovias e metrôs, desenvolvendo empresas com grande capacidade técnica e acesso a financiamento. A expansão para países com déficit de infraestrutura, como o Brasil, segue essa estratégia.

O resultado é um conjunto diversificado de investimentos que vão de portos de grãos e contêineres a terminais de petróleo, linhas de trem e redes elétricas. Em muitos casos, diferentes empresas chinesas alimentam umas às outras, ampliando a atuação do próprio Estado chinês em território brasileiro.

O impacto desse movimento envolve ganhos de infraestrutura, mas também desafios regulatórios e questões sobre dependência externa – elementos que influenciarão o futuro do desenvolvimento nacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Inovação

Turbina 100% a etanol inaugura nova fase da geração térmica no Brasil

A instalação da primeira turbina 100% movida a etanol no Brasil, localizada no Distrito Industrial de Suape (PE), marca um avanço que pode redefinir a participação do etanol na matriz elétrica nacional e reduzir a dependência de combustíveis fósseis na geração térmica. Segundo o Jornal do Comércio de Pernambuco, a iniciativa nasceu há pouco mais de um ano a partir de uma proposta da Suape Energia e da Wärtsilä à matriz finlandesa da companhia, que inicialmente recebeu o pedido com surpresa, mas decidiu apostar na ideia.

Projeto ganha forma em Suape com apoio da Petrobras

A turbina foi instalada na planta da Suape Energia, empresa controlada pelo empresário Carlos Alberto Mansur com participação de 20% da Petrobras. O equipamento, testado previamente na Finlândia, deve ser finalizado pelos engenheiros da fabricante até o fim de dezembro. A previsão é de que a unidade acrescente 4 MW de energia firme, tornando-se o 18º módulo da usina, que hoje entrega 380 MW ao Operador Nacional do Sistema (ONS).

Tecnologia entra em operação em fase de testes

Como ainda não há homologação do Ministério de Minas e Energia, da Aneel e do ONS, a turbina precisará operar por um ano em regime de testes antes de ser integrada ao Sistema Interligado Nacional. Apesar dessa etapa inicial — que inclui a compra do etanol utilizado como combustível —, o projeto já chama a atenção de agentes do setor elétrico, da EPE, da Petrobras, do mercado livre e de produtores de biocombustíveis.

Demanda crescente movimenta o mercado de etanol

O potencial econômico é significativo. Somente nas regiões Norte e Nordeste, 37 usinas podem se tornar fornecedoras de etanol para esse tipo de tecnologia. Para a Wärtsilä, a solução também abre portas em setores como datacenters, combinando energia solar, eólica, turbinas a etanol e sistemas de baterias para garantir potência firme em operações digitais de alta demanda.

Thiago Prado, presidente da EPE, avaliou a turbina em visita a Suape e considera que a tecnologia poderá ter espaço nos próximos leilões de potência da Aneel.

Setor marítimo também mira o etanol como combustível

Além do setor elétrico, o mercado marítimo observa avanço no uso de etanol por grandes empresas, como Maersk e MSC, interessadas em soluções mais sustentáveis para uma frota que soma cerca de 1,5 mil navios. A Organização Marítima Internacional estabelecerá, a partir de 2026, a exigência de que 10% do combustível utilizado seja renovável — o que pode criar um mercado projetado em 50 bilhões de litros de etanol, número superior à atual produção brasileira de 37 bilhões de litros por safra.

Datacenters veem oportunidade com geração off-grid

Para o professor Reive Barros, da Conferência Ibero-Brasileira de Energia (Coniben), a tecnologia reforça a necessidade de estruturas off-grid, com usinas térmicas acopladas a parques solares e eólicos. Segundo ele, essa combinação reduz a dependência de linhas de transmissão e coloca o Nordeste em posição de vantagem diante da crescente demanda global por infraestrutura de dados.

FONTE: RPA News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cenário Energia

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