Investimento

WEG investe R$ 840 milhões em geradores para atender demanda de data centers nos EUA

A WEG anunciou na segunda-feira (28) um investimento de US$ 165 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 840 milhões, para ampliar a capacidade de produção de geradores de energia na América do Norte. A expansão busca acompanhar o avanço da demanda por equipamentos destinados a aplicações críticas, especialmente nos data centers dos Estados Unidos.

Com o novo plano, a empresa estima elevar em cinco vezes sua capacidade global de fabricação de geradores, passando de aproximadamente 10 para 50 unidades por dia. O cálculo considera as fábricas da companhia no México, Estados Unidos, Brasil e China.

WEG amplia produção de geradores no México

A primeira fase do projeto terá investimento de US$ 24 milhões. Os recursos serão destinados à compra e adaptação de um imóvel industrial vizinho ao atual complexo da WEG em Atotonilco de Tula, no México.

A nova instalação será voltada à montagem de geradores e deve iniciar as operações no segundo trimestre de 2027.

A WEG já possui outras unidades industriais no país. Em Atotonilco de Tula, a companhia também mantém operações ligadas a fundição e revestimentos. Já a fábrica de Huehuetoca produz motores de baixa e média tensão, geradores, painéis, transformadores e subestações.

Em Monterrey, a empresa opera a estrutura incorporada após a aquisição da Marathon, que fabrica motores e geradores e mantém atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Na segunda etapa do plano, serão aplicados os US$ 141 milhões restantes na construção de duas novas instalações industriais em uma localização ainda não divulgada na América do Norte.

A estrutura deverá contar com produção verticalizada, reunindo etapas como fabricação de lâminas, bobinas de baixa e média tensão, eixos e carcaças. A previsão da WEG é concluir essa fase até 2030.

Demanda por data centers impulsiona infraestrutura elétrica

A expansão acontece em meio ao crescimento da necessidade de infraestrutura de energia nos Estados Unidos, impulsionada, entre outros fatores, pela construção e ampliação de data centers.

A exposição da WEG ao setor vai além dos geradores. De acordo com relatório do BTG Pactual, cerca de 20% da receita de transmissão e distribuição (T&D) da empresa nos Estados Unidos já está associada a clientes de data centers, segundo informações fornecidas pela própria companhia.

Os sistemas de geração de energia de emergência são fundamentais para esses empreendimentos, que precisam manter suas operações mesmo diante de interrupções no fornecimento da rede elétrica.

A WEG atende esse mercado por meio de suas próprias operações e da Marathon Electric. Segundo o BTG, as duas marcas, juntas, representam cerca de 10% do mercado mundial de alternadores e grupos geradores.

A empresa também fornece outros equipamentos empregados na infraestrutura dos data centers, incluindo sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), motores industriais e inversores de frequência utilizados em sistemas de refrigeração.

Expansão inclui produção de transformadores

O movimento ocorre paralelamente ao aumento da capacidade de fabricação de transformadores, equipamentos essenciais para a infraestrutura elétrica dos data centers.

A WEG mantém projetos de expansão nos Estados Unidos, México, Colômbia e Brasil. No mercado americano, a companhia destinou US$ 77 milhões para uma nova unidade de transformadores especiais, com conclusão estimada entre 2027 e 2028.

No México, outra fábrica deve entrar em operação no fim de 2026 ou no começo de 2027. Considerados em conjunto, os projetos devem aproximadamente dobrar a capacidade de produção de transformadores da WEG em relação ao nível registrado no fim de 2023.

Segundo o BTG Pactual, o impacto dessa capacidade adicional sobre os resultados deve ocorrer de maneira gradual, conforme as novas instalações entrarem em funcionamento. A utilização integral da estrutura ampliada é esperada somente no fim de 2027.

WEG adapta produção às tarifas dos EUA

A estratégia de expansão também está relacionada às mudanças nas tarifas de importação dos Estados Unidos.

Segundo o BTG, aproximadamente 41% do fornecimento associado às vendas da WEG no mercado americano tem origem no México. Outros 33% são provenientes da produção doméstica nos Estados Unidos, enquanto o Brasil responde por uma fatia entre 20% e 21%.

A companhia vem ajustando sua cadeia produtiva para o mercado americano, utilizando mudanças na origem da fabricação e reajustes de preços para compensar parte dos impactos provocados pelas tarifas.

O tema deve ser abordado no WEG Day, evento anual da companhia programado para sexta-feira (2), em Jaraguá do Sul (SC). Entre os assuntos esperados estão a expansão da produção de transformadores, a participação no mercado de data centers, os efeitos das tarifas americanas e os próximos passos da estratégia de crescimento.

O que acompanhar nos investimentos da WEG

Apesar do avanço da demanda por equipamentos elétricos, a expansão da capacidade produtiva também cria pontos de atenção para a companhia.

Um deles é o possível aumento da oferta nos próximos anos. A WEG e outros fabricantes estão investindo em novas fábricas para acompanhar o crescimento da demanda por eletricidade, transformadores e equipamentos destinados aos data centers.

Na avaliação do BTG Pactual, a entrada simultânea de novas unidades em 2027 e 2028 pode ampliar a oferta e provocar pressão sobre os preços em determinados segmentos. O risco tende a ser maior em produtos nos quais novos concorrentes conseguem aumentar a capacidade produtiva com maior facilidade.

As tarifas americanas também permanecem entre os fatores a serem monitorados. Embora a WEG esteja compensando parte dos custos com reajustes e alterações na origem da produção, eventuais mudanças na política tarifária ou na capacidade de repassar custos aos clientes podem afetar as margens da empresa.

Outro fator é o intervalo entre os investimentos e a geração de receita. Uma parcela significativa da nova capacidade de produção de geradores e transformadores só estará disponível nos próximos anos, enquanto os desembolsos começam antes da entrada completa das novas estruturas em operação.

Por fim, o ritmo de expansão dos data centers será importante para determinar a velocidade de absorção da capacidade adicional da WEG. A companhia possui diferentes linhas de produtos ligadas ao setor, mas o crescimento desses projetos nos Estados Unidos deverá influenciar diretamente a demanda por parte dessa nova estrutura produtiva.

A WEG encerrou 2025 com receita líquida de R$ 40,8 bilhões. A empresa possui unidades industriais em 18 países, presença comercial em mais de 135 mercados e mais de 49 mil funcionários. No ano passado, aproximadamente 59% da receita veio de vendas realizadas fora do Brasil.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Indústria

Agenda Brasil Mais Competitivo reúne setor produtivo para discutir competitividade e ambiente de negócios

Mais de 100 representantes do setor produtivo, entidades empresariais e sociedade participaram de uma reunião voltada à apresentação dos avanços da agenda federal para reduzir entraves à atividade econômica.

Durante o encontro, foi anunciada também a mudança de nome da iniciativa, que passará de Agenda para a Redução do Custo Brasil para Agenda Brasil Mais Competitivo. A alteração deverá ser oficializada em uma norma ainda a ser publicada.

A reunião marcou a primeira vez, desde a criação do Grupo de Trabalho (GT), que o encontro contou com participação aberta de representantes do setor produtivo, entidades e sociedade em geral.

A iniciativa foi organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e pela Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Ministérios apresentam avanços em energia e logística

Durante a programação, representantes dos ministérios responsáveis pelas áreas de energia e transportes apresentaram resultados de políticas e iniciativas relacionadas ao ciclo 2023-2025.

As apresentações abordaram medidas consideradas relevantes para a melhoria do ambiente de negócios e para o aumento da competitividade da economia brasileira.

Entre os órgãos participantes estavam os Ministérios de Portos e Aeroportos, dos Transportes e de Minas e Energia.

Biometria, logística e mercado de gás entram na pauta

O Ministério de Portos e Aeroportos apresentou detalhes da Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica.

Na sequência, o Ministério dos Transportes abordou o Plano Nacional de Logística 2050, que reúne diretrizes para o planejamento da infraestrutura e da movimentação de cargas e pessoas no país.

Representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), por sua vez, apresentaram iniciativas relacionadas ao mercado de gás natural e destacaram a importância do setor para a competitividade brasileira.

A programação também incluiu medidas voltadas ao mercado de energia elétrica, com destaque para ações destinadas a aperfeiçoar o sinal de preços.

Entre os temas discutidos estiveram a Consulta Pública MME nº 218/2026, a regulamentação do curtailment e as regras relacionadas ao Encargo de Reserva de Capacidade (Ercap), considerando o perfil de carga.

Setor produtivo aponta gargalos

Depois das apresentações dos ministérios, os participantes tiveram espaço para apresentar sugestões e apontar dificuldades enfrentadas no ambiente de negócios.

As manifestações reforçaram a necessidade de aumentar a agilidade na prestação de serviços públicos, especialmente em processos que podem gerar entraves e custos adicionais para empresas e setores produtivos.

A abertura do debate ampliou a interação entre governo, empresas e entidades representativas, permitindo que demandas do setor privado fossem incorporadas à discussão sobre as próximas medidas.

Nova agenda terá carteira de projetos prioritários

A Agenda Brasil Mais Competitivo foi apresentada como resultado do trabalho desenvolvido nos últimos anos para identificar e selecionar propostas capazes de enfrentar obstáculos concretos à atividade econômica.

O processo também envolveu a identificação de oportunidades de aperfeiçoamento regulatório, com foco na redução de entraves e na criação de condições mais favoráveis para a competitividade da economia brasileira.

A nova carteira de projetos foi construída a partir de uma consulta pública que recebeu mais de 270 contribuições.

A partir desse processo, foram selecionadas novas propostas prioritárias, que serão somadas aos projetos remanescentes do ciclo anterior.

Projetos entram em fase de planejamento

A nova agenda está atualmente na etapa de desenho e validação dos planos de ação de cada iniciativa que integra a carteira.

O trabalho está sendo realizado em conjunto com os ministérios responsáveis pelas diferentes áreas, que deverão detalhar as ações necessárias para a implementação dos projetos.

A expectativa é que as medidas da nova Agenda Brasil Mais Competitivo avancem ao longo do próximo ciclo, com foco em reduzir gargalos regulatórios, melhorar a prestação de serviços públicos e criar condições para elevar a competitividade das empresas brasileiras.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNI

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Internacional

Guerra entre EUA e Irã: petróleo, China e eleições aumentam pressão por acordo

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em uma nova etapa sob pressão de fatores econômicos, diplomáticos e políticos. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta semana que espera que o conflito esteja próximo do fim e disse ter recebido sinais de Teerã sobre a disposição para negociar.

Trump também deve se reunir com representantes dos países do Golfo Pérsico durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A expectativa é que as conversas tratem do conflito e de possíveis estratégias para o período posterior à guerra.

O cenário ocorre enquanto os efeitos da guerra continuam atingindo o mercado de petróleo, as rotas marítimas e os custos de energia em diferentes países.

Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão econômica

A instabilidade no Oriente Médio mantém os preços do petróleo em níveis elevados. Na sexta-feira (18), o Brent era negociado próximo de US$ 104 por barril, enquanto o WTI permanecia acima de US$ 102.

As cotações são influenciadas pelos riscos para o transporte de petróleo na região, incluindo as restrições no Estreito de Ormuz e os ataques envolvendo a Arábia Saudita e os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen.

A elevação dos combustíveis também passou a representar uma preocupação econômica dentro dos Estados Unidos. O governo Trump vem discutindo medidas para ampliar a capacidade de refino do país diante do aumento dos preços dos combustíveis.

Inverno europeu aumenta preocupação com energia

A aproximação do inverno no Hemisfério Norte adiciona outro elemento às discussões sobre o conflito. Países europeus acompanham os impactos da guerra sobre o abastecimento e os preços de energia, enquanto os mercados permanecem atentos aos riscos de novas interrupções no transporte de petróleo.

O conflito já provocou alterações em rotas marítimas e aumentou a preocupação com a segurança do fornecimento energético global. Segundo a Reuters, a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo da média anterior ao conflito.

China busca espaço para reduzir tensão

A China também aparece entre os atores envolvidos nos esforços diplomáticos em torno do conflito. Pequim mantém relações econômicas importantes com o Irã e tem interesse na estabilidade do comércio e do abastecimento energético.

Além disso, a agenda internacional prevê uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em meio às tensões provocadas pela guerra e às disputas econômicas entre as duas maiores economias do mundo.

A atuação chinesa ocorre paralelamente às negociações e aos contatos diplomáticos que buscam reduzir os efeitos do conflito sobre o comércio e os mercados de energia.

Eleições de novembro colocam preços dos combustíveis no debate

Nos Estados Unidos, a proximidade das eleições legislativas de novembro acrescenta uma dimensão política ao debate sobre os preços dos combustíveis.

O aumento da gasolina e do diesel afeta diretamente consumidores e empresas e se tornou uma questão relevante para o governo Trump. A Reuters aponta que os preços elevados dos combustíveis estão entre os fatores econômicos que cercam a disputa eleitoral norte-americana.

A votação de novembro definirá a composição do Congresso dos Estados Unidos, enquanto o governo enfrenta os efeitos econômicos de um conflito que já se prolonga há meses.

Assembleia Geral da ONU concentra negociações

A Assembleia Geral da ONU será um dos principais espaços diplomáticos para as discussões sobre a guerra. Líderes de diferentes países estarão em Nova York a partir da próxima semana, com o conflito entre Estados Unidos e Irã entre os temas de maior repercussão internacional.

Trump deverá utilizar os encontros para discutir a situação regional com representantes dos países do Golfo. Ao mesmo tempo, a reunião na ONU reunirá autoridades de países diretamente ou indiretamente afetados pelos impactos militares, econômicos e energéticos do conflito.

Fim da guerra ainda depende de negociações

Embora Trump tenha declarado que espera que a guerra esteja chegando ao fim, o conflito permanece ativo. A Reuters informou que a guerra entrou em seu sétimo mês e que ainda existem divergências importantes entre Washington e Teerã.

Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores como preço do petróleo, segurança das rotas marítimas, abastecimento energético, atuação da China e pressão econômica interna nos Estados Unidos fazem parte do contexto que envolve uma possível solução diplomática.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/R7

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Comércio Internacional

Petrobras fecha acordo para importar gás dos EUA por 20 anos

A Petrobras firmou um contrato de longo prazo para compra e venda de Gás Natural Liquefeito (GNL) com a norte-americana Sempra. O acordo prevê o fornecimento de gás dos Estados Unidos à estatal brasileira durante 20 anos.

O anúncio foi feito na noite de segunda-feira (14.set.2026). O contrato havia sido assinado no fim de agosto e estabelece a aquisição de 800 mil toneladas de GNL por ano pela Petrobras.

Gás será produzido no Texas

O combustível terá origem no Terminal de Liquefação de GNL de Port Arthur, localizado no Texas, nos Estados Unidos. O empreendimento está em fase de desenvolvimento e construção pela Sempra Infrastructure, subsidiária da companhia norte-americana.

A previsão da Sempra é que os primeiros trens de liquefação da unidade entrem em operação comercial entre 2027 e 2028.

O terminal está situado na costa do Texas e terá acesso à produção de gás natural dos Estados Unidos, além de uma estrutura logística integrada para o escoamento do combustível.

Petrobras busca reduzir exposição ao mercado spot

De acordo com a Petrobras, a contratação de volumes de GNL de longo prazo faz parte da estratégia para diminuir a exposição às oscilações do mercado spot.

A empresa também afirma que o acordo deverá contribuir para uma gestão mais eficiente dos riscos relacionados ao portfólio de gás natural e ampliar a capacidade de atendimento aos contratos firmados pela companhia.

Segundo a estatal, a estratégia busca oferecer maior flexibilidade e segurança na gestão do suprimento de gás.

Sempra atua em infraestrutura de energia

A Sempra Infrastructure é responsável por projetos ligados à infraestrutura energética, incluindo empreendimentos de Gás Natural Liquefeito, redes de energia e iniciativas relacionadas a soluções de baixo carbono.

Com o novo contrato, a Petrobras assegura uma fonte de fornecimento de GNL dos Estados Unidos para as próximas duas décadas, com início previsto após a entrada em operação comercial do empreendimento de Port Arthur.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Logística

Irã suspende taxa de frete de 10% para navios estrangeiros de petróleo e gás

O governo do Irã decidiu suspender temporariamente a cobrança de uma taxa de 10% sobre os custos de frete de embarcações estrangeiras que transportam petróleo, gás e derivados de petróleo com origem ou destino no país. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pela agência de notícias semioficial Fars.

Suspensão ocorre em meio a dificuldades nas exportações de petróleo

A medida acontece em um momento de forte pressão sobre as exportações marítimas de petróleo do Irã. Um bloqueio naval promovido pelos Estados Unidos tem afetado de maneira significativa o transporte de petróleo iraniano por via marítima.

Segundo a Fars, a determinação para interromper a cobrança partiu do vice-chanceler jurídico da Presidência. A suspensão deverá permanecer em vigor até que o governo iraniano aprove e divulgue oficialmente a relação de produtos que estarão sujeitos à tarifa.

Taxa elevava custos do transporte marítimo

A cobrança de 10% havia provocado aumento nos custos relacionados ao transporte de petróleo, gás e produtos líquidos, de acordo com a agência iraniana.

Com a suspensão temporária, o governo espera diminuir as despesas de frete e tornar o transporte de produtos energéticos iranianos mais atrativo para embarcações estrangeiras.

A expectativa é que a redução dos custos contribua para ampliar a disponibilidade de frotas internacionais dispostas a transportar cargas de e para o Irã, especialmente em um cenário de restrições ao comércio marítimo do país.

FONTE: Investing
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Estreito de Ormuz fechado: produtores de petróleo buscam oleodutos alternativos para manter exportações

O prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz está levando grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio a acelerar a busca por rotas alternativas de exportação. Iraque, Kuwait e Qatar estão entre os países mais expostos à interrupção do tráfego na passagem estratégica, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos trabalham para ampliar a capacidade de seus oleodutos de desvio.

O Japão, que depende fortemente do petróleo produzido na região, também pretende apoiar iniciativas para reduzir os efeitos do bloqueio sobre o comércio internacional de energia.

Iraque avalia novas rotas para exportar petróleo

O Iraque aparece entre os países com maior potencial para ampliar suas alternativas de escoamento. Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um plano para recuperar um oleoduto que conecta a região central iraquiana ao porto de Baniyas, na Síria.

Caso seja reativada, a infraestrutura permitiria transportar petróleo iraquiano até o Mediterrâneo sem utilizar o Estreito de Ormuz. A Chevron, uma das maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos, estaria envolvida em um estudo de viabilidade do projeto.

Com produção superior a 4 milhões de barris por dia, o Iraque é o segundo maior produtor da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita. Grande parte do petróleo produzido nos enormes campos do sul do país precisa atravessar o Estreito de Ormuz para chegar aos mercados internacionais.

A história do oleoduto entre Iraque e Síria, porém, é marcada por conflitos. Construído nos anos 1950, o sistema deixou de funcionar em 1982, depois da deterioração das relações entre os dois países. Embora tenha sido parcialmente recuperado posteriormente, voltou a ser interrompido em 2003, durante a Guerra do Iraque.

Desde então, guerras, instabilidade política e a guerra civil síria mantiveram a estrutura inativa por mais de duas décadas.

Síria deixa lista de Estados patrocinadores do terrorismo

Um possível fator de mudança no cenário ocorreu em 24 de agosto, quando os Estados Unidos retiraram a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

A classificação permanecia em vigor havia quase 50 anos e representava um dos obstáculos políticos para projetos de infraestrutura envolvendo o território sírio.

Além da rota para o Mediterrâneo, o Iraque analisa outras possibilidades. Entre elas está a ampliação do uso do oleoduto que leva petróleo dos campos do norte até Ceyhan, na Turquia.

Também está em avaliação uma rota independente com destino a Aqaba, na Jordânia, o que aumentaria as opções de exportação iraquianas.

Kuwait tem menos alternativas para escoar petróleo

A situação é mais delicada para o Kuwait. Diferentemente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o país não dispõe atualmente de um sistema de oleodutos capaz de desviar suas exportações para fora do Estreito de Ormuz.

O ministro do Petróleo kuwaitiano, Tariq Sulaiman Al-Roumi, afirmou recentemente que, enquanto a passagem permanecer fechada, as exportações de petróleo do país poderão chegar a zero.

Diante desse cenário, o Kuwait busca acordos com os países vizinhos. Uma das possibilidades estudadas é a conexão com o oleoduto saudita que atravessa o território do Golfo Pérsico até o Mar Vermelho.

Outra alternativa seria utilizar o sistema de oleodutos dos Emirados Árabes Unidos, que permite transportar petróleo para pontos de embarque localizados além do Estreito de Ormuz.

Qatar enfrenta risco ainda maior no mercado de gás

O Qatar está diante de um problema particularmente grave porque sua economia energética depende muito mais do gás natural do que do petróleo.

O país abriga o maior complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, mas praticamente toda a sua exportação passa pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito militar entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, os embarques de gás do Qatar praticamente pararam. A situação elevou o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.

Para cumprir contratos com compradores do Japão e da Coreia do Sul, a estatal QatarEnergy recorreu ao mercado à vista e comprou dos Estados Unidos uma quantidade de GNL equivalente à carga de 33 navios-tanque, segundo a Reuters.

Sem uma alternativa operacional para exportar o produto, Doha passou a considerar a retomada da navegação segura pelo Estreito de Ormuz como prioridade.

O Qatar também ganhou protagonismo nas tentativas de mediação entre Washington e Teerã, buscando contribuir para uma solução diplomática que permita a normalização do tráfego.

Arábia Saudita e Emirados ampliam oleodutos

Enquanto países como Iraque, Kuwait e Qatar procuram novas opções, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já possuem infraestruturas capazes de reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.

Os Emirados começaram a ampliar o oleoduto que transporta petróleo de uma área próxima a Abu Dhabi até Fujairah, no Golfo de Omã. O porto está localizado fora do estreito e permite o embarque do petróleo diretamente para o mercado internacional.

A Arábia Saudita, por sua vez, planeja aumentar a capacidade do oleoduto Leste-Oeste, responsável por conectar áreas produtoras no Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

Japão vê rotas alternativas como questão estratégica

Para o Japão, a ampliação dessas alternativas é especialmente relevante. O país compra mais de 80% do petróleo bruto consumido internamente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Iraque, Kuwait e Qatar, juntos, enviam aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz. O volume corresponde a cerca de um quarto de todo o petróleo bruto transportado pela rota.

No caso do Qatar, o impacto é ainda maior no mercado de gás: o país responde por aproximadamente 20% da demanda mundial por GNL.

Quanto mais tempo durar a interrupção da navegação, maior tende a ser o impacto sobre os preços, o abastecimento e a economia global.

Japão pode ampliar cooperação com produtores do Golfo

Além da dependência energética, Japão e os três países mantêm relações econômicas construídas ao longo de décadas.

Empresas japonesas participaram de diversos projetos de infraestrutura, energia e indústria no Iraque, Kuwait e Qatar, muitos dos quais permanecem em funcionamento.

Nesse contexto, apoiar a criação ou expansão de rotas de exportação pode representar para Tóquio não apenas uma medida de segurança energética, mas também uma oportunidade para fortalecer sua presença econômica no Oriente Médio.

Rotas alternativas também estão expostas a ataques

Apesar das vantagens, os oleodutos alternativos não eliminam os riscos geopolíticos da região.

Em abril, por exemplo, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi atingido por drones iranianos. O ataque danificou instalações de bombeamento responsáveis por manter a pressão necessária para o transporte do petróleo.

O terminal de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também já foi alvo recorrente de ataques.

Os episódios mostram que simplesmente deslocar as rotas de exportação para fora do Estreito de Ormuz não garante segurança absoluta.

Ainda assim, a expansão dessas estruturas pode ajudar a preservar parte do fluxo de petróleo e gás e reduzir a pressão sobre os mercados globais de energia.

Para o Japão, que depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, apoiar investimentos em alternativas ao Estreito de Ormuz pode ser uma estratégia importante para reforçar sua segurança energética.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Internacional

Irã descobre 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural em Fars

O Irã anunciou a descoberta de mais de 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural na província de Fars, no sul do país. A informação foi divulgada no domingo (23) pelo ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad.

Do total identificado, aproximadamente 5,7 trilhões de pés cúbicos são considerados recuperáveis, segundo o governo. O volume representa uma importante expansão das reservas de gás natural do Irã.

Descoberta equivale a anos de produção

Para dimensionar o tamanho da nova reserva, Paknejad comparou o volume recuperável à produção de uma das fases de South Pars, considerado o maior campo de gás natural do mundo.

De acordo com o ministro, os 5,7 trilhões de pés cúbicos recuperáveis correspondem a cerca de 15 anos de produção de uma das fases de South Pars.

A descoberta na província de Fars pode, portanto, ampliar a capacidade do país de atender à demanda interna e fortalecer sua posição entre os principais produtores globais de gás.

Gás doce pode reduzir custos de exploração

Outro fator destacado pelo ministro é a qualidade do recurso encontrado. O gás natural descoberto no Irã é classificado como gás doce, característica que tende a diminuir os custos relacionados ao desenvolvimento e à operação do campo.

A área também apresenta condensado de gás, um hidrocarboneto associado à produção de gás natural. Segundo Paknejad, esse recurso adicional pode representar a geração de bilhões de dólares em novas riquezas para a economia iraniana.

Irã quer acelerar desenvolvimento do campo

O governo iraniano pretende avançar rapidamente com os estudos, o planejamento e o desenvolvimento da nova área de produção.

A expectativa é colocar o campo em operação o quanto antes, permitindo que o gás natural seja direcionado principalmente para a indústria e para outros setores com alto consumo de energia.

A descoberta ocorre em um momento em que o Irã busca ampliar sua capacidade energética e aproveitar novas reservas para atender às necessidades do mercado doméstico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo

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Internacional

Irã ameaça 45 petroleiros com multas e confisco em nova escalada no Estreito de Ormuz

O Irã incluiu 45 navios-tanque em uma lista de embarcações que, segundo o governo, violaram regras para atravessar o Estreito de Ormuz. Teerã também advertiu que poderá adotar medidas contra navios que realizarem operações de transferência de cargas com essas embarcações, ampliando a tensão em torno de uma das principais rotas marítimas de energia do mundo.

Embarcações podem sofrer multas e ter cargas confiscadas

De acordo com uma publicação feita no domingo, 23, pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado recentemente pelo Irã para administrar a passagem marítima, os navios incluídos na relação estão sujeitos a multas, retenção e confisco de cargas.

A advertência ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos ameaçarem o Irã com as “sanções mais duras da história”. Em resposta, autoridades iranianas afirmaram que qualquer nova ameaça americana provocaria uma reação “devastadora”.

A lista reúne diferentes tipos de embarcações, entre elas grandes petroleiros de petróleo bruto, navios para transporte de gás natural liquefeito (GNL), gás liquefeito de petróleo (GLP) e embarcações destinadas ao transporte de produtos refinados.

Empresas de Emirados, Arábia Saudita e Coreia do Sul aparecem na lista

Entre os navios citados estão embarcações ligadas à ADNOC Logistics and Shipping, dos Emirados Árabes Unidos, à subsidiária Navig8 Tankers e à companhia marítima estatal saudita Bahri.

Também aparecem na relação navios pertencentes à Klaveness Ship Management, Stolt Tankers e à sul-coreana Sinokor. As empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

A autoridade iraniana afirmou ainda que qualquer embarcação envolvida em transferências de carga entre navios, conhecidas como operações ship-to-ship, com um dos navios listados poderá ser incluída posteriormente na relação de embarcações consideradas não conformes.

Irã exige autorização para passagem pelo Estreito de Ormuz

A publicação não detalhou quais regras teriam sido descumpridas. No entanto, o governo iraniano já declarou anteriormente que os proprietários de navios precisam obter autorização para atravessar o Estreito de Ormuz e pagar por serviços de segurança e outras atividades relacionadas à navegação na região.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico orientou proprietários de cargas a consultar a lista atualizada de embarcações consideradas em situação irregular em viagens relacionadas ao Golfo.

Empresas que desejarem retirar seus navios da relação deverão apresentar um pedido às autoridades marítimas iranianas, acompanhado de explicações sobre a situação, segundo a publicação.

Tráfego de petróleo e gás enfrenta impacto da guerra

Antes de o conflito entre Irã e Estados Unidos afetar o transporte marítimo, a região do Golfo respondia por aproximadamente 20% da oferta diária mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

Com a redução do tráfego de petroleiros, operações coordenadas pelos Estados Unidos passaram a permitir que algumas embarcações atravessem discretamente o Estreito de Ormuz para abastecer superpetroleiros posicionados do lado de fora da passagem.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na sexta-feira, 21, que a média de sete dias das exportações de petróleo pelo estreito havia superado 8 milhões de barris por dia. Segundo ele, a atuação da Marinha americana tem contribuído para manter o fluxo de petróleo pela região.

A nova lista de embarcações aumenta a pressão sobre armadores e operadores em um momento de forte tensão geopolítica, elevando os riscos para o transporte marítimo, o comércio de energia e a circulação de petroleiros no Golfo Pérsico.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Hamad I Mohammed 

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Indústria

Seca na Europa: crise hídrica ameaça indústria e pode gerar prejuízo de € 180 bilhões

A seca na Europa já provoca impactos em setores essenciais da economia e pode gerar perdas de pelo menos € 50 bilhões no curto prazo, segundo estimativas citadas pelo Financial Times. Se a escassez de água persistir e os efeitos da onda de calor forem considerados em conjunto, o prejuízo econômico pode chegar a € 180 bilhões.

Os níveis excepcionalmente baixos de rios e reservatórios já afetam o transporte de cargas, a geração de energia, a agricultura e a produção industrial. Empresas de diferentes países passaram a adaptar suas operações diante da redução da disponibilidade de água.

Baixo nível do Reno encarece transporte de cargas

No porto de Roterdã, na Holanda, um dos principais centros logísticos da Europa, embarcações que utilizam o rio Reno precisam navegar com aproximadamente 30% da capacidade de carga.

A redução do peso é necessária para evitar encalhes em trechos onde a profundidade do rio diminuiu. A consequência é o aumento dos custos de transporte e a perda de eficiência nas cadeias de abastecimento.

Para compensar a menor capacidade de cada embarcação, operadores passaram a contratar cerca de 100 navios adicionais por semana. Mesmo com o reforço da frota, o volume transportado continua abaixo dos níveis habituais.

A autoridade portuária de Roterdã considera o episódio um dos mais relevantes enfrentados pelo setor nas últimas décadas. O cenário também evidencia a vulnerabilidade da logística europeia diante do avanço de eventos climáticos extremos.

Rios europeus atingem níveis historicamente baixos

A crise hídrica se espalha por diferentes regiões do continente. Rios importantes para o comércio, a indústria e a irrigação registram alguns dos menores níveis médios mensais já observados.

Entre os cursos d’água afetados estão o Reno, o Danúbio, o Pó, na Itália, o Ródano, que atravessa a Suíça e a França, e o Tâmisa, em Londres.

O Reno tem importância estratégica para o transporte de mercadorias e para a indústria alemã. Uma seca ocorrida em 2018, por exemplo, teria provocado uma redução de aproximadamente 0,4% no PIB da Alemanha — equivalente hoje a cerca de € 18 bilhões.

O episódio atual preocupa ainda mais porque os rios apresentam níveis inferiores aos registrados naquela ocasião e a estiagem começou mais cedo.

Estudos citados pelo Financial Times indicam que um mês de vazão reduzida pode diminuir em cerca de 25% o transporte fluvial e provocar uma queda próxima de 1% na produção industrial alemã.

Onda de calor agravou déficit hídrico

A Europa iniciou o ano em condições relativamente favoráveis, com níveis de umidade do solo e precipitação acima da média em fevereiro. A situação começou a mudar em abril e se agravou em maio, com a sucessão de ondas de calor.

Junho e julho registraram temperaturas recordes, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e solos. A perspectiva de poucas chuvas nas semanas seguintes mantém a preocupação com a continuidade da crise de água.

Energia também sofre com falta de água

O setor elétrico está entre os mais afetados pela estiagem. Usinas nucleares na França e na Hungria precisaram reduzir a produção devido à menor disponibilidade de água para os sistemas de resfriamento.

A geração hidrelétrica também enfrenta dificuldades em regiões atingidas pela seca.

Na Romênia, o governo chegou a recorrer a explosões subaquáticas controladas no leito do Danúbio para tentar direcionar água para a usina nuclear de Cernavodă. A medida não produziu o resultado esperado e a unidade também precisou reduzir suas atividades.

Agricultura enfrenta perdas e mudança de culturas

A agricultura europeia também sofre com a falta de água. No norte da Itália, uma das principais áreas produtoras de arroz do continente, agricultores relatam perdas totais em algumas lavouras porque a água destinada à irrigação não conseguiu chegar a determinadas áreas.

Na região do Vale do Pó, produtores afirmam que algumas propriedades perderam metade ou mais da produção.

A repetição de períodos prolongados de estiagem começa a provocar mudanças nas decisões dos agricultores. Parte deles avalia substituir o arroz por culturas menos dependentes de água, enquanto outros consideram deixar algumas áreas sem plantio.

Data centers entram no radar da crise hídrica

A escassez também representa um desafio para setores ligados à economia digital. Mais de um terço dos aproximadamente 3.000 data centers da Europa está localizado em regiões submetidas a níveis elevados ou extremos de estresse hídrico.

A disponibilidade de água é especialmente relevante para sistemas de resfriamento dessas instalações, aumentando a preocupação sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica em determinadas áreas.

Seca pode pressionar inflação

Economistas também alertam para possíveis efeitos da crise sobre a inflação europeia.

A redução das colheitas tende a elevar os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o encarecimento do transporte e eventuais restrições na geração de energia podem aumentar os custos para empresas e consumidores.

O resultado pode dificultar a recuperação econômica em um momento de maior pressão sobre diferentes setores produtivos.

Empresas aceleram adaptação ao novo cenário climático

Diante da perspectiva de períodos mais frequentes de calor e estiagem, empresas já começam a investir em medidas de adaptação. Entre as iniciativas estão embarcações preparadas para rios rasos, sistemas de monitoramento e alerta, tecnologias de redução do consumo de água e métodos de resfriamento menos dependentes do recurso.

Para especialistas, a seca deixou de ser apenas um problema temporário para se transformar em um risco estrutural para a economia europeia.

A capacidade de adaptar infraestrutura, agricultura, transporte e geração de energia será determinante para limitar os prejuízos provocados por futuras crises hídricas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Logística

Super El Niño pode afetar produção de alimentos e logística na América Latina

A América Latina se prepara para a possibilidade de enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, fenômeno que pode provocar impactos significativos sobre a produção agrícola, geração de energia, transporte e comércio na principal região exportadora de alimentos do mundo.

O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima do normal no Pacífico tropical central e oriental. A alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar mais chuvas no Sul e aumentar o risco de seca nas áreas mais ao norte.

Os efeitos já começam a aparecer. Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e períodos de estiagem no Caribe e na Amazônia estão entre os sinais observados.

Pesquisadores estimam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade registrada no ciclo de 2015-2016, considerado o mais forte da era moderna.

Mais chuva pode favorecer lavouras no Sul

Nas áreas agrícolas da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média. Para a agricultura, o aumento da disponibilidade de água pode ser positivo, especialmente durante o período de plantio.

Segundo o meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, o fenômeno pode favorecer as safras de soja, milho e trigo, principalmente ao melhorar a umidade do solo e ampliar a disponibilidade hídrica durante o verão, entre dezembro e fevereiro.

O excesso de chuva, porém, também traz riscos. A elevada umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e provocar a perda de nutrientes aplicados ao solo.

Chuvas intensas ameaçam estradas e infraestrutura

Um El Niño mais forte também pode aumentar a ocorrência de alagamentos e enchentes em áreas rurais e urbanas já vulneráveis.

Estradas de terra podem ficar intransitáveis, dificultando o acesso dos produtores às propriedades e comprometendo operações como aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Muitas dessas vias já apresentam condições precárias nas principais áreas agrícolas do Cone Sul.

A partir de setembro, períodos de chuva intensa também podem afetar cidades e corredores de transporte até os portos, criando novos obstáculos para o escoamento das exportações.

No Paraguai, as autoridades chegaram a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia diante da possibilidade de enchentes.

Costa do Pacífico pode enfrentar extremos opostos

Os impactos também devem variar dentro de um mesmo país.

No norte do Peru, por exemplo, o cenário esperado inclui maior risco de inundações, enquanto áreas montanhosas podem enfrentar escassez de água. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prevê padrões semelhantes em partes do Chile e de outros países da costa do Pacífico.

O aquecimento das águas também pode alterar a distribuição de espécies marinhas. Algumas populações de peixes comerciais estão migrando para águas mais profundas, reduzindo a disponibilidade para a pesca.

No Peru, um dos principais produtores pesqueiros da região, a atividade caiu 31% nos cinco primeiros meses do ano.

El Niño pode aumentar demanda por gás e favorecer hidrelétricas

As diferenças na distribuição das chuvas também podem criar oportunidades no setor de energia.

Condições mais quentes e secas no norte e oeste do Brasil podem aumentar a necessidade de geração termelétrica e, consequentemente, elevar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).

Ao mesmo tempo, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas. A maior vazão do rio Paraná pode favorecer a geração de energia hidrelétrica ao longo de sua bacia.

Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas de usinas do Sul do Brasil chegaram a 256% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Para Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño não são idênticos em todos os ciclos. Em determinadas regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, o volume de chuva esperado para um mês pode se concentrar em poucos dias.

Seca ameaça hidrovias da Amazônia

Enquanto o Sul pode receber mais água, o Norte do Brasil enfrenta o risco oposto.

A previsão de condições mais secas aumenta a possibilidade de redução dos níveis dos rios da Bacia Amazônica, uma rede hidroviária essencial para o transporte de mercadorias e especialmente importante para o escoamento da produção de soja brasileira.

O cenário climático também eleva os riscos de seca, calor extremo e incêndios em partes do Brasil, Colômbia e Venezuela, com possíveis consequências para lavouras e criação de animais.

Canal do Panamá enfrenta pressão sobre disponibilidade de água

Os efeitos do El Niño podem alcançar rotas estratégicas do comércio internacional. No Canal do Panamá, a autoridade responsável pela operação vem ampliando as restrições ao peso das embarcações para preservar a água doce utilizada no funcionamento da via e no abastecimento da população.

As previsões indicam que o país pode enfrentar uma seca tão severa quanto a registrada durante o episódio de El Niño de 2023-2024.

Como um novo reservatório planejado para reforçar o abastecimento ainda não estará pronto, a autoridade do canal vem reduzindo gradualmente os limites de calado dos navios. Na prática, embarcações com maior restrição de calado precisam transportar menos carga.

A medida pode elevar os custos do transporte marítimo e aumentar o risco de interrupções no comércio global.

Comércio internacional pode sentir os efeitos

O Panamá está entre os países com maior volume de chuvas do mundo. Por isso, uma redução significativa das precipitações é considerada um importante sinal de alerta para as condições hídricas da região.

Até o momento, a autoridade do Canal do Panamá afirma não esperar reduzir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota, a menos que isso se torne indispensável.

A pressão sobre a passagem, porém, já aumentou. Leilões de última hora para obtenção de vagas chegaram a movimentar milhões de dólares, enquanto empresas buscam alternativas diante de problemas em outras rotas marítimas, incluindo as afetadas pelas tensões de segurança no Oriente Médio.

Se o super El Niño confirmar a intensidade projetada, seus efeitos poderão ultrapassar a agricultura e atingir toda a cadeia de abastecimento, da produção de alimentos e geração de energia até as hidrovias, portos e principais corredores do comércio internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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