Internacional

Pequim e Londres reforçam parceria econômica com pacote de investimentos e diálogo estratégico

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente chinês, Xi Jinping, celebraram nesta quinta-feira a retomada do diálogo estratégico entre Reino Unido e China, destacando acordos que incluem um significativo investimento da AstraZeneca. Segundo os líderes, o pacote econômico beneficiará ambos os países e marca uma nova fase nas relações bilaterais.

A cúpula ocorreu no Grande Salão do Povo, durante a visita de quatro dias de Starmer à China — a primeira de um primeiro-ministro britânico em oito anos. A reunião formal e o almoço duraram cerca de três horas, e os dois líderes discutiram não apenas cooperação econômica, mas também segurança internacional, a guerra da Rússia na Ucrânia, direitos humanos, futebol e Shakespeare.

Investimento da AstraZeneca fortalece cooperação

Starmer apresentou um plano da AstraZeneca para investir US$ 15 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos na China, mostrando como a parceria econômica pode gerar benefícios mútuos.

O primeiro-ministro britânico enfatizou que laços mais estreitos permitirão ao Reino Unido manter um diálogo franco em áreas de desacordo, reforçando a importância de uma relação madura e estratégica.

“A China é um ator vital no cenário global, e é fundamental que construamos uma relação mais sofisticada, na qual possamos identificar oportunidades de colaboração, mas também permitir um diálogo significativo sobre áreas em que discordamos”, disse Starmer.

Xi Jinping, por sua vez, destacou que as relações passaram por “reviravoltas” que não beneficiaram nenhum dos lados e reafirmou a disposição da China em desenvolver uma parceria de longo prazo com o Reino Unido.

“Podemos alcançar um resultado que resista ao teste da história”, afirmou Xi, acompanhado de seus principais ministros.

Contexto internacional e avanços comerciais

A visita de Starmer acontece em meio a tensões comerciais provocadas pelas políticas do ex-presidente Donald Trump, incluindo ameaças de tarifas e disputas territoriais. Nesse contexto, outros líderes ocidentais, como o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também buscaram estreitar laços econômicos com Pequim para reduzir barreiras comerciais.

Durante a viagem, Starmer anunciou avanços em negociações para reduzir tarifas sobre uísque britânico e um novo acordo de isenção de visto para turistas do Reino Unido que permaneçam na China por até 30 dias.

O líder britânico afirmou que a relação bilateral atravessa “um bom momento” e está acompanhado por mais de 50 líderes empresariais, reforçando a dimensão econômica da visita.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carl Court/Pool via REUTERS

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Exportação

Exportações da China sobem 5,9% em novembro enquanto envios para EUA caem 29%

As exportações da China cresceram 5,9% em novembro na comparação anual, recuperando-se da contração de 1,1% registrada em outubro, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas. O valor total das vendas externas alcançou US$ 330,3 bilhões, superando as expectativas dos economistas e indicando uma melhora frente ao mês anterior.

O resultado reforça o aumento do superávit comercial, que nos primeiros 11 meses de 2025 ultrapassou US$ 1,08 trilhão, maior nível anual da série histórica, acima do excedente de US$ 992 bilhões registrado em 2024.

Exportações para os EUA em queda

Apesar do crescimento geral, as exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram quase 29% em novembro, marcando o oitavo mês consecutivo de quedas de dois dígitos. O declínio reflete o impacto de tarifas aplicadas durante a guerra comercial, embora a trégua anunciada em outubro entre Xi Jinping e Donald Trump abra espaço para recuperação nos próximos meses.

Economistas apontam que os efeitos do corte de tarifas ainda não foram totalmente refletidos nos números de novembro, e o desempenho futuro dependerá do avanço do acordo e da demanda externa.

Exportações para outros mercados se fortalecem

Enquanto os envios para os EUA caíram, as exportações chinesas dispararam para outras regiões, incluindo Sudeste Asiático, América Latina, África e União Europeia, diversificando os mercados e compensando parcialmente o recuo no principal parceiro comercial.

As importações da China também apresentaram crescimento de 1,9% em novembro, atingindo US$ 218,6 bilhões, melhorando frente à alta de 1% de outubro, apesar da crise persistente no setor imobiliário e da desaceleração nos investimentos empresariais.

Foco em manufatura avançada e crescimento interno

Em paralelo, o governo chinês reforçou a aposta no fabrico avançado como motor de crescimento para os próximos anos. Durante a reunião anual de planejamento econômico, liderada por Xi Jinping, foi destacado o compromisso com “prosseguir o progresso garantindo a estabilidade”, priorizando novas tecnologias e indústrias emergentes.

Apesar das tensões comerciais e do protecionismo internacional, especialistas esperam que a China continue ganhando quota de mercado global. A Morgan Stanley projeta que, até 2030, o país alcance 16,5% da participação nas exportações mundiais, impulsionado por setores de alto crescimento, como veículos elétricos, robótica e baterias.

Perspectivas para a economia chinesa

Mesmo com a trégua comercial temporária, analistas destacam que o ambiente global de comércio permanece incerto, com relações entre China e EUA ainda fragilizadas. No entanto, o crescimento das exportações fora do mercado americano e o foco em inovação tecnológica reforçam a capacidade do país em manter a liderança no comércio internacional nos próximos anos.

FONTE: Euronews
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Chinatopix

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Internacional

China lança novo plano estratégico para América Latina e Caribe

O governo chinês divulgou nesta quarta-feira (10) o terceiro Livro de Políticas para a América Latina e o Caribe (ALC), reafirmando sua estratégia de longo prazo na região. Segundo a agência Xinhua, este é o terceiro documento do tipo publicado em menos de vinte anos, sucedendo as versões de 2008 e 2016.

A nova publicação atualiza diretrizes, reafirma compromissos diplomáticos e econômicos e indica continuidade no aprofundamento das relações políticas e comerciais entre a China e os países latino-americanos e caribenhos.

A região como eixo estratégico

O documento consolida a política externa chinesa de longo prazo para a ALC, destacando a importância da região devido ao crescimento de parcerias comerciais, investimentos e programas de desenvolvimento. O lançamento ocorre em um contexto de transformações globais, no qual Pequim busca expandir sua presença em mercados emergentes e fortalecer laços multilaterais.

O texto enfatiza que a América Latina e o Caribe são essenciais para a estratégia internacional chinesa, tanto pela sua relevância econômica quanto pelo papel geopolítico na governança global.

Compromissos e cooperação

Segundo o governo chinês, a China mantém um interesse permanente na região. O presidente Xi Jinping estabeleceu medidas para intensificar a cooperação bilateral em diversas áreas, ampliando a relação política, econômica e cultural com os países da ALC.

O documento destaca que a região possui uma tradição de independência, união e força coletiva, contribuindo para a paz, estabilidade e desenvolvimento global. A China reforça que pretende compartilhar experiências, planejar políticas futuras e levar a cooperação com a ALC a um novo patamar.

Perspectivas futuras

De acordo com Pequim, os países latino-americanos e caribenhos vêm explorando caminhos de desenvolvimento adaptados às suas realidades nacionais, buscando influência por meio da união regional e da participação na governança global. A China enxerga a região como uma força estratégica para a construção de um mundo multipolar e para o avanço da globalização econômica.

O documento ressalta que são prósperas entre a China e a América Latina e o Caribe e aponta que a China une forças com a América Latina e o Caribe para promover os cinco programas para a construção de uma comunidade China-América Latina e Caribe com um futuro compartilhado.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/RT

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Agronegócio

Acordo entre Estados Unidos e China pode causar impacto maior no agronegócio brasileiro do que o tarifaço

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), pode representar um desafio para o agronegócio brasileiro. O entendimento prevê a retomada das compras de soja americana pelo país asiático — uma decisão que tende a reduzir a demanda pela commodity produzida no Brasil. Especialistas avaliam que o efeito pode ser mais negativo ao agro nacional do que o recente tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

China volta a comprar soja dos EUA

Durante declaração a jornalistas, o presidente Donald Trump afirmou que a China se comprometeu a adquirir “quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas” dos Estados Unidos. Segundo ele, as compras devem começar imediatamente. O anúncio foi feito a bordo do Air Force One, após encontro com o presidente Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.

“Estamos de acordo em muitos pontos. Grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou Trump.

O acordo marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre as duas potências, que vinham travando uma guerra tarifária desde o início do ano.

Brasil pode perder espaço no mercado chinês

Com o agravamento da disputa comercial entre EUA e China nos últimos meses, os chineses haviam suspenso totalmente a compra de soja americana, o que beneficiou diretamente o Brasil, principal fornecedor do grão ao mercado global. A abertura do mercado chinês aos produtos norte-americanos pode, portanto, reduzir o volume de exportações brasileiras e pressionar os preços internos.

Analistas do setor destacam que a China é o maior comprador de soja do mundo, e qualquer mudança em sua política de importação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente nos estados produtores como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A retomada das importações de soja dos EUA, aliada ao aumento da oferta global, pode provocar queda nas cotações internacionais e afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Efeitos no comércio agrícola internacional

O acordo também tem potencial para reconfigurar o comércio mundial de commodities agrícolas, alterando o equilíbrio de forças entre os grandes exportadores. O Brasil, que se consolidou como principal fornecedor de soja à China durante o período de tensões comerciais, pode ver sua participação no mercado asiático diminuir caso os chineses ampliem as compras dos EUA.

Enquanto isso, os agricultores brasileiros acompanham com cautela as negociações e aguardam detalhes sobre os volumes e prazos de compra previstos no acordo. A expectativa é de que o impacto seja sentido nas próximas safras, caso os embarques norte-americanos se intensifiquem.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gazeta do Povo

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Comércio Exterior

China lança iniciativa “Grande Mercado para Todos” para ampliar importações e reduzir superávit comercial

Com foco em equilibrar sua balança comercial e reforçar o compromisso com o livre comércio, a China anunciou nesta terça-feira (4) a criação da iniciativa “Grande Mercado para Todos: Exportar para a China”, voltada a incentivar importações e fortalecer a cooperação econômica global.

Estratégia para reduzir desequilíbrios comerciais

A medida surge em meio a crescentes tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, num contexto em que o país asiático mantém altos superávits com diversas nações. Apesar do avanço nas exportações de produtos manufaturados, o ritmo das importações chinesas tem sido tímido, o que, segundo economistas, contribui tanto para pressões deflacionárias internas quanto para atritos no comércio internacional.

Plano global de cooperação econômica

O ministro do Comércio, Wang Wentao, explicou que o programa prevê a realização de dez grandes eventos anuais, com a participação de cinco a seis países em cada edição. O objetivo, afirmou, é tornar a China o principal destino de exportação e promover “cooperação vantajosa para todos”.

O anúncio ocorreu durante uma cerimônia em Xangai, com a presença do primeiro-ministro Li Qiang, na véspera da China International Import Expo (CIIE) — feira internacional de importação que acontece de 5 a 10 de novembro e serve como vitrine para o comércio global.

Abertura comercial e desafios de credibilidade

Lançada em 2018 pelo presidente Xi Jinping, a CIIE busca reforçar a imagem da China como defensora do livre comércio e contrapor críticas sobre seu expressivo superávit comercial com parceiros internacionais.

No entanto, o evento já foi alvo de questionamentos. Em 2023, a Câmara de Comércio Europeia classificou a feira como uma “vitrine política”, afirmando que os superávits chineses com países europeus continuavam crescendo, mesmo após o início da exposição.

A nova iniciativa tenta responder a essas críticas ao incentivar maior abertura de mercado, diversificação de importações e parcerias comerciais equilibradas, reforçando o papel da China como ator central no comércio internacional.

FONTE: Investimentos e Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ling Tang/Unsplash

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Internacional

Trump faz concessões a Xi Jinping e analistas apontam vitória diplomática da China

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, resultou em uma série de concessões concretas de Washington, incluindo redução de tarifas e suspensão de novas sanções comerciais. Já as promessas de Pequim foram descritas como vagas e temporárias, levando analistas a concluir que a China saiu fortalecida nas negociações.

Segundo o Ministério do Comércio da China, os EUA concordaram em diminuir em 10% a tarifa aplicada como punição pelo tráfico de fentanil e suspender uma nova tarifa de 100%, que começaria em 1º de novembro. Além disso, a trégua tarifária entre os países foi prorrogada por mais um ano — uma das maiores desescaladas desde o início da guerra comercial entre EUA e China.

Em contrapartida, Pequim aceitou manter temporariamente a suspensão dos controles de exportação de terras raras, insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar. Trump, no entanto, reconheceu que o acordo precisará ser renegociado ao final do prazo.

China explora vantagem em terras raras

Para especialistas, a China soube usar seu domínio sobre as terras raras como instrumento de pressão. O pesquisador Jonathan Czin, do Brookings Institution, afirmou ao The New York Times que Pequim “orquestrou com sucesso um jogo de ‘whack-a-mole’ com a administração Trump”, reagindo estrategicamente a cada movimento americano.

O colunista Nicholas Kristof, também do New York Times, observou que o resultado da reunião “parece um retorno ao status quo, mas na prática representa uma rendição americana”, já que as tarifas impostas por Trump acabaram fortalecendo a posição chinesa no mercado global.

De forma semelhante, Joe Mazur, analista da Trivium China, disse à Reuters que o encontro confirmou a estratégia de Pequim de “nunca atacar primeiro, mas sempre contra-atacar”, classificando o controle chinês sobre as terras raras como “o maior trunfo da China”, diante da falta de alavancagem dos EUA.

Analistas veem pausa, não avanço

Outros especialistas consideram que o acordo adiou uma nova crise comercial, mas sem representar um avanço real. “Foi menos um progresso do que uma pausa para respirar”, avaliou Craig Singleton, da Foundation for Defense of Democracies, em entrevista ao Politico. Já a revista The Economist descreveu o encontro como “mais um grande bazar do que um grande acordo”.

Conversas continuam em clima cauteloso

Apesar de Trump ter classificado a reunião como “incrível” e nota “12 em uma escala de 1 a 10”, o tom do comunicado chinês foi mais diplomático. Pequim destacou que as equipes “devem continuar o diálogo com igualdade, respeito e benefício mútuo”.

Entre os temas paralelos discutidos, estão o aumento das importações chinesas de soja, petróleo e gás, a possível venda da TikTok e restrições à exportação de chips semicondutores americanos. Trump comentou sobre a venda de chips: “isso cabe a vocês e à Nvidia — somos apenas árbitros”.

Em postagem posterior, o republicano afirmou que a China comprará “quantidades enormes” de soja e pode realizar uma “grande compra” de petróleo e gás do Alasca. O governo chinês, por sua vez, declarou que pretende expandir o comércio agrícola e resolver adequadamente as questões envolvendo o TikTok.

Trump também suavizou sua exigência para que Pequim reduzisse as compras de petróleo russo, admitindo que “não há muito mais que eles possam fazer” sobre a relação com Moscou.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: XINHUA NEWS AGENCY via GETTY IMAGES

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Internacional

Concessão de Trump à China sobre o fentanil acende alertas na guerra comercial com Xi Jinping

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma concessão inédita ao líder chinês Xi Jinping, ao concordar em reduzir em 10% as tarifas sobre produtos chineses em troca do compromisso de Pequim reprimir a produção e o envio de fentanil.

A decisão, anunciada após o encontro entre os dois líderes nesta quinta-feira (30), representa um movimento significativo na complexa guerra comercial entre EUA e China, mas também expõe riscos estratégicos para Washington.

A medida reduzirá a tarifa mínima sobre as importações chinesas para 20%, com média de 47% — ainda elevada, mas mais próxima dos padrões internacionais.

Um acordo promissor ou uma aposta arriscada?

Embora o corte tarifário possa restaurar parte do comércio bilateral e oferecer alívio para consumidores americanos, analistas alertam que Trump cede terreno diplomático a Xi. Historicamente, a China tem descumprido compromissos anteriores, e há dúvidas se os EUA obterão benefícios concretos dessa nova concessão.

Nos bastidores, autoridades de Washington reconhecem que Trump tem enfrentado dificuldades para manter vantagem nas negociações. Cada novo encontro direto com Xi é visto como sinal de flexibilidade americana diante da pressão chinesa.

A guerra comercial e os objetivos de Trump

Desde o início de sua política tarifária, Trump estabeleceu quatro metas principais:

  • Reduzir o fluxo de fentanil para os EUA;
  • Repatriar a manufatura americana;
  • Equilibrar a balança comercial com a China;
  • Definir o futuro da TikTok no território americano.

Alguns avanços são visíveis: a China intensificou o controle sobre químicos usados na produção de fentanil, empresas americanas ampliaram investimentos no país, e o déficit comercial entre as duas economias atingiu o menor nível em 21 anos. Além disso, Trump e Xi chegaram a um esboço de acordo sobre a TikTok.

Por outro lado, a tensão entre as potências trouxe impactos negativos. Pequim restringiu exportações de terras raras, essenciais para a indústria tecnológica e militar, suspendeu a compra de soja americana e lançou investigações antitruste contra empresas dos EUA.

Terras raras e TikTok seguem como pontos críticos

Apesar das promessas chinesas, as restrições às terras raras continuam a afetar setores estratégicos. Mesmo com o novo acordo, as medidas anunciadas por Pequim em abril ainda estão em vigor.

O impasse sobre a TikTok também permanece. A China evita confirmar um desfecho definitivo, limitando-se a afirmar que continuará “trabalhando com os EUA” para resolver a questão.

O próprio Trump já expressou ceticismo sobre as promessas chinesas, lembrando que Pequim “nunca cumpriu” compromissos anteriores de combater o tráfico de drogas sintéticas.

Por que Trump decidiu ceder agora

Especialistas apontam dois motivos principais para a decisão de Trump: avanços concretos da China no combate ao fentanil e a necessidade política de aliviar pressões internas.

Recentemente, Pequim incluiu novos precursores químicos na lista de substâncias controladas e intensificou a fiscalização de exportações ilegais. A Agência de Combate às Drogas (DEA) dos EUA relatou queda na pureza e nas apreensões de fentanil em 2024, sugerindo impacto positivo das restrições.

Trump reconheceu o esforço chinês, afirmando: “Acredito que eles vão nos ajudar com a questão do fentanil.

China mantém vantagem nas negociações

Mesmo assim, Pequim segue em posição de força. As tarifas impostas por Trump afetaram agricultores americanos, geraram escassez de minerais estratégicos e não reduziram a influência comercial chinesa.

A China continua controlando o mercado de terras raras e restringe a entrada de chips de inteligência artificial dos EUA — áreas cruciais para a competitividade americana.

A redução das tarifas e o encontro com Xi atendem a exigências antigas de Pequim, o que pode dar à China espaço para negociar concessões adicionais em contrapartida.

Impacto nas relações com aliados

O anúncio também provocou reação de desconfiança entre México e Canadá, que enfrentam tarifas semelhantes relacionadas ao tráfico de fentanil. Embora o impacto dessas nações seja menor, o gesto de Trump em favor da China pode abalá-las diplomaticamente, mesmo sendo principais aliados comerciais dos EUA.

Por outro lado, a diminuição das tarifas pode trazer alívio aos consumidores americanos, que há anos enfrentam preços mais altos por conta da guerra comercial.

Se o acordo com Xi Jinping realmente surtirá efeito — ou se repetirá o ciclo de promessas não cumpridas —, apenas o tempo dirá.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrew Harnik/Getty Images

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Comércio Internacional

Soja, terras raras e tarifas: O que acordaram Trump e Xi em reunião

Na manhã desta quinta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu com o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul – o primeiro encontro presencial entre os dois no segundo mandato de Trump.

Trump anunciou que os dois chegaram a um acordo sobre “quase tudo” – ao concluir sua viagem de três paradas pela Ásia. Segundo o presidente americano, as tarifas sobre produtos chineses cairão 10%, devido ao progresso nas negociações sobre as importações de soja, terras raras e questões relacionadas ao fentanil.

Tarifas alfandegárias

Falando a bordo do Air Force One após seu encontro com Xi, Trump disse que os EUA reduziram a tarifa geral sobre produtos chineses de 57% para 47%, após observarem progressos nas negociações com a China sobre as importações de soja, terras raras e fentanil.

Exportações de terras raras

Após a cúpula, o Ministério do Comércio da China confirmou que Pequim suspenderá a implementação de seus mais recentes controles de exportação de terras raras, bem como as taxas portuárias especiais aplicadas a navios americanos.

Pequim havia endurecido drasticamente suas restrições à exportação de terras raras no início deste mês. Enquanto isso, os EUA também suspenderão por um ano as taxas portuárias especiais aplicadas a navios chineses que atracam em portos americanos.

A China detém um quase monopólio no fornecimento e na produção global desses recursos essenciais.

Soja

Trump disse que ele e Xi estão “em acordo sobre muitos elementos, e grandes quantidades, enormes quantidades de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”.

As tarifas de Trump levaram a China a interromper as compras de soja americana em maio, deixando agricultores em todo o país com bilhões em safras não vendidas.

Visita futura

Trump disse que visitará a China em abril e que Xi visitará os EUA algum tempo depois. “Irei à China em abril e ele virá aqui algum tempo depois, seja na Flórida, em Palm Beach ou em Washington, D.C.”, disse ele a repórteres.

FONTE: CNN Brasil

IMAGEM: Reuters

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Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Comércio Exterior

Aproximação entre EUA e China acende alerta no mercado da soja brasileira

A reaproximação entre Estados Unidos e China nas negociações comerciais reacende a preocupação entre produtores e exportadores de soja no Brasil. Caso um acordo tarifário seja firmado, o país pode enfrentar queda nas exportações e recuo nos preços internos do grão, que ainda está no início do plantio da nova safra.

Desde o início da guerra comercial, em fevereiro deste ano, a soja brasileira vinha se beneficiando da perda de espaço do produto americano no mercado chinês. Em setembro, a China não importou um único grão de soja dos EUA, algo que não acontecia desde novembro de 2018, segundo autoridades alfandegárias chinesas. No mesmo período, as compras de soja brasileira somaram 10,96 milhões de toneladas, um aumento de 30% em relação a setembro de 2024, representando 85% do total das importações chinesas.

Encontro entre Trump e Xi Jinping pode mudar cenário

O presidente americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping durante a Cúpula da APEC, em novembro, e a soja será um dos principais temas da pauta. Embora as tensões entre os dois países ainda sejam evidentes, analistas acreditam que há uma tentativa concreta de aproximação diplomática.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, as recentes declarações públicas de ambos os governos indicam que um acordo comercial está sendo costurado.

“Toda vez que as tensões aumentam, os países criam um problema para depois inventar uma solução. A China pode negociar o acesso às suas terras raras em troca da compra de soja americana — e tem poder de barganha para isso, já que mostrou que pode ficar sem importar dos EUA por um bom tempo”, afirma.

Impactos diretos sobre a soja brasileira

Caso o acordo se concretize, o Brasil pode ser o principal prejudicado. De janeiro a setembro de 2025, a China respondeu por 77% das exportações brasileiras de soja, com alta de 4,83% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fernandes explica que o preço da soja seria pressionado por diversos fatores.

“O dólar cairia, os preços na bolsa de Chicago subiriam e o prêmio nos portos brasileiros despencaria, podendo ficar negativo nos contratos de fevereiro e março de 2026. Ou seja, a soja brasileira apanharia de todos os lados”, avalia.

Com esse cenário, os analistas estimam uma queda acentuada nos preços internos. De acordo com Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, a saca de soja no interior do Paraná, atualmente cotada a R$ 131, poderia cair para R$ 100. O prêmio de exportação, que hoje está em 167 pontos positivos no porto de Paranaguá (PR), teria redução de 82%.

Brasil segue como pêndulo entre China e EUA

“Hoje, o Brasil é o pêndulo do comércio global de soja”, resume Pacheco. Ele lembra que, caso a produção nacional atinja as 176 milhões de toneladas estimadas pela Conab para a safra 2025/26, a China poderá manter a estratégia de não comprar soja americana por mais um ano. Porém, qualquer problema climático pode inverter esse quadro e devolver o poder de negociação aos Estados Unidos.

China desacelera compras à espera de acordo

Após um primeiro semestre de forte demanda, os chineses reduziram o ritmo de importações da soja brasileira.

“Neste mês, a China comprou apenas um navio de soja do Brasil para embarque em novembro. A demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de importar 9 milhões de toneladas entre dezembro e janeiro”, explica Pacheco.

A justificativa chinesa seria o alto custo da soja brasileira, mas, segundo Fernandes, isso serve como pretexto estratégico para diversificar fornecedores.

“Na primeira guerra comercial, o prêmio da soja brasileira chegou a 300 pontos, e hoje está abaixo de 200. A China usou esse argumento para buscar soja no Canadá e na Argentina”, relembra.

Com estoques elevados, o país asiático pode evitar novas compras até fevereiro — ou até que haja um desfecho nas negociações com os EUA.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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