Comércio

E-commerce no Brasil movimentou R$ 450 bilhões em três anos, aponta levantamento

O comércio eletrônico brasileiro ganhou força nos últimos anos e movimentou R$ 450 bilhões em operações de compra e venda entre 2020 e 2022, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre os hábitos de consumo. Os dados integram o Observatório do Comércio Eletrônico, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A iniciativa reúne estatísticas oficiais sobre as vendas realizadas pela internet no país e oferece informações que podem ajudar empresas e gestores públicos a compreender a evolução do mercado digital.

De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2022, o e-commerce no Brasil movimentou R$ 628 bilhões em valores brutos, considerando operações com emissão de nota fiscal. No período, o volume financeiro anual passou de R$ 36 bilhões, em 2016, para R$ 187 bilhões, em 2022.

Governo lança painel com dados oficiais do comércio eletrônico

O principal recurso do Observatório é o Dashboard do Comércio Eletrônico Nacional, plataforma que reúne informações sobre as vendas online realizadas entre 2016 e 2022.

A ferramenta foi desenvolvida pelo Departamento de Comércio e Serviços da Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços (SDIC), com base em dados de notas fiscais eletrônicas fornecidos pela Receita Federal.

O painel representa uma iniciativa inédita de disponibilização pública de estatísticas oficiais sobre o setor. Até então, grande parte das informações utilizadas para analisar o comércio eletrônico brasileiro vinha de bases privadas.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, a divulgação dos dados busca ampliar a transparência da economia digital e apoiar a elaboração de políticas públicas. As informações também podem orientar decisões empresariais e investimentos.

A plataforma pode ser acessada no portal oficial do governo federal:

Observatório do Comércio Eletrônico — MDIC

Celulares lideram as vendas pela internet

Os aparelhos celulares ocuparam a primeira posição entre os produtos vendidos pela internet no Brasil de 2016 a 2022, considerando o valor movimentado. A comercialização de telefones portáteis, incluindo smartphones, somou R$ 72,1 bilhões, equivalente a 11,5% do total registrado no período.

Na sequência, aparecem outras categorias de produtos:

  • Televisores: R$ 28 bilhões, ou 4,5% do total.
  • Notebooks, tablets e similares: R$ 21 bilhões.
  • Geladeiras e freezers: R$ 17,8 bilhões, correspondentes a 2,8%.
  • Livros, brochuras e impressos semelhantes: R$ 16,8 bilhões, ou 2,6%.
  • Máquinas de lavar roupas: R$ 10,8 bilhões, equivalentes a 1,7%.

A base de dados contempla milhares de itens comercializados no ambiente digital. Entre eles estão roupas, calçados, alimentos, móveis, cosméticos, medicamentos, acessórios, eletroeletrônicos, pneus, automóveis e embarcações.

Quatro categorias concentram mais da metade das vendas

Para organizar as informações, o dashboard utiliza a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), sistema de classificação de mercadorias adotado no comércio exterior e em operações fiscais.

Segundo o levantamento, 56% do valor das vendas online ficou concentrado em quatro capítulos da classificação:

  • Capítulo 85: produtos como celulares, smartphones, televisores e fogões.
  • Capítulo 84: notebooks, tablets, refrigeradores, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado.
  • Capítulo 64: calçados e polainas.
  • Capítulo 61: vestuário e acessórios de malha.

O detalhamento permite identificar quais segmentos têm maior participação no comércio digital e observar as características das mercadorias comercializadas em diferentes mercados.

Para o MDIC, essas informações podem contribuir para o mapeamento de oportunidades de expansão do mercado digital brasileiro, tanto em âmbito nacional quanto regional.

Sudeste concentra a maior parte do comércio eletrônico

Os dados também revelam diferenças importantes na distribuição geográfica das operações. Entre 2016 e 2022, a Região Sudeste concentrou 74,1% das vendas online registradas no levantamento.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se destacaram como os estados com maior participação tanto nas vendas quanto nas compras realizadas pela internet.

Juntos, os três estados responderam por 68% do valor transacionado na condição de emitentes das operações e por 54% na condição de destinatários.

A concentração regional evidencia as diferenças na estrutura produtiva e na distribuição das atividades comerciais pelo país. Na avaliação do MDIC, os dados podem ajudar o governo a identificar desequilíbrios e desenvolver políticas públicas voltadas ao fortalecimento econômico das diferentes regiões brasileiras.

Plataforma permite consultar produtos por estado e destino

Um dos diferenciais do Observatório do Comércio Eletrônico é a possibilidade de analisar as transações com elevado nível de detalhamento, incluindo os produtos comercializados e os destinos das mercadorias.

As consultas permitem identificar, por exemplo, para quais estados são enviados determinados produtos vendidos pela internet. Entre os casos destacados pelo levantamento estão:

  • Rendas de algodão do Ceará: São Paulo recebeu 13,5% dos produtos, seguido por Pernambuco, com 11%, e Bahia, com 10,5%.
  • Vinhos do Rio Grande do Sul: São Paulo foi o principal destino, com 30%, seguido por Santa Catarina, com 14%.
  • Castanha-do-pará: 87% do volume comercializado pelo e-commerce permaneceu no próprio estado de origem.

Esses dados ajudam a compreender os fluxos interestaduais de mercadorias e a identificar mercados consumidores para diferentes segmentos produtivos.

Além da pesquisa por produto, o usuário pode consultar as informações por posição tarifária, correspondente aos quatro primeiros dígitos da NCM, ou por capítulo, identificado pelos dois primeiros dígitos.

Dados podem orientar empresas e políticas públicas

O lançamento do painel amplia o acesso a informações sobre o comércio eletrônico no Brasil e oferece uma base para acompanhar a evolução das vendas digitais, a distribuição das operações e o desempenho das categorias de produtos.

Na avaliação do secretário Uallace Moreira, a ferramenta também pode ser aprimorada com a inclusão de novas informações, como transações realizadas entre empresas.

A ampliação da base permitiria aprofundar as análises sobre o funcionamento do mercado e abrir novas possibilidades para a formulação de políticas públicas.

Com dados oficiais e consultas detalhadas, o Observatório busca contribuir para decisões mais bem fundamentadas, apoiar a transformação digital da economia e ampliar o conhecimento sobre as oportunidades do comércio eletrônico brasileiro.

FONTE: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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