Internacional

UE define proibição total de importações de gás russo até 2028

A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira (20) a formalização de um acordo entre os Estados-membros para proibir integralmente as importações de gás natural russo até 1º de janeiro de 2028. A medida faz parte do plano REPowerEU, que visa reduzir a dependência energética da Rússia e reforçar a segurança energética europeia.

Proibição gradual e juridicamente vinculativa

De acordo com o comunicado oficial, a nova regulamentação estabelece uma proibição gradual e legalmente obrigatória tanto para o gás de gasoduto quanto para o gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Rússia. O objetivo é consolidar um mercado energético da UE mais resiliente e independente.

O Conselho da UE detalhou que a proibição terá início em 1º de janeiro de 2026, mas haverá uma fase de transição para contratos já existentes. Contratos de curto prazo assinados antes de 17 de junho de 2025 poderão vigorar até 17 de junho de 2026, enquanto contratos de longo prazo poderão permanecer ativos até 1º de janeiro de 2028.

Impacto e supervisão das importações

O ministro dinamarquês de Clima e Energia, Lars Aagaard, que preside o Conselho de Energia, destacou que “uma Europa energeticamente independente é uma Europa mais forte e segura”, celebrando o apoio “esmagador” dos Estados-membros à legislação que eliminará definitivamente o gás russo da UE.

O acordo também prevê mecanismos de monitoramento, autorização prévia de importações e exigência de planos nacionais de diversificação. Países ainda dependentes do gás russo terão que apresentar estratégias concretas para reduzir essa dependência. Segundo dados da UE, mesmo após quedas significativas desde 2022, o gás russo ainda representava cerca de 13% das importações europeias em 2025, equivalentes a mais de 15 bilhões de euros por ano.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

Ler Mais
Comércio Exterior

União Europeia propõe tarifa de 50% para aço importado fora de cota

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira (7) uma proposta que pode transformar o mercado siderúrgico do bloco. O plano prevê a elevação da tarifa sobre importações de aço e alumínio fora da cota de 25% para 50%, medida que busca conter os efeitos da supercapacidade global na indústria europeia.

Tarifa mais alta contra concorrência desleal

Segundo a Comissão, o objetivo é proteger a indústria siderúrgica europeia dos impactos da entrada de produtos mais baratos, principalmente da China e de outras economias asiáticas. Para o comissário europeu da Indústria, Stéphane Séjourné, essa é uma “nova cláusula de salvaguarda para o aço” e faz parte do esforço de reindustrialização da Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de agir com rapidez: “A supercapacidade global está prejudicando nossa indústria. Precisamos avançar agora”.

Redução de cotas e novo sistema de rastreabilidade

Além da tarifa mais alta, o pacote inclui a redução das cotas de importação de aço sem tarifa para 18,3 milhões de toneladas anuais — uma queda de 47% em relação ao ano anterior. A proposta também cria um mecanismo de rastreabilidade dos mercados de aço para evitar desvios comerciais.

Substituição do mecanismo atual

As medidas sugeridas devem substituir o atual sistema de salvaguarda, que estabelece uma alíquota de 25% e tem validade até junho de 2026. Caso aprovada, a mudança dobrará a tarifa fora de cota, ampliando a proteção ao setor.

Próximos passos

O texto segue agora para análise do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia. Para entrar em vigor, será necessário o apoio de uma maioria qualificada dos países-membros.

Em comunicado, a Comissão afirmou ainda que convida “outros países com ideias semelhantes” a cooperar contra a supercapacidade mundial, defendendo cadeias de suprimento seguras e maior acesso mútuo aos mercados.

Contexto internacional

A indústria do aço na Europa enfrenta dificuldades há anos devido às importações baratas. O cenário se intensificou após os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, elevarem para 50% as tarifas sobre aço e alumínio logo no início de sua gestão.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrey Rudakov/Bloomberg

Ler Mais
Exportação

Mesmo com tarifaço dos EUA, Brasil bate recorde de exportações em setembro

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 18,5% em setembro de 2025, após a implementação do tarifaço de 50% sobre produtos nacionais pelo governo de Donald Trump. Apesar da retração no comércio com os norte-americanos, o Brasil conseguiu alcançar US$ 30,53 bilhões em exportações no período, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Superávit em queda, mas projeções revisadas para cima

As importações brasileiras somaram US$ 27,54 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 2,99 bilhões no mês. O saldo positivo, no entanto, foi 41% menor em comparação a setembro de 2024.

De janeiro a setembro, o país acumula superávit de US$ 45,5 bilhões, queda de 22,5% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, diante do cenário, o MDIC revisou suas projeções para 2025:

  • Superávit comercial: de US$ 50,4 bilhões para US$ 60,9 bilhões;
  • Exportações: de US$ 341,9 bilhões para US$ 344,9 bilhões;
  • Importações: de US$ 291,5 bilhões para US$ 284 bilhões.

Diversificação de mercados compensa perdas

Embora o tarifaço tenha reduzido as vendas aos EUA, o Brasil ampliou suas exportações para outros mercados internacionais estratégicos. Na Ásia, os principais destaques foram:

  • China: aumento de 14,9% (US$ 1,1 bilhão);
  • Singapura: alta de 133,1% (US$ 0,5 bilhão);
  • Índia: crescimento de 124,1% (US$ 0,4 bilhão);
  • Bangladesh: avanço de 80,6% (US$ 0,1 bilhão);
  • Filipinas: elevação de 60,4% (US$ 0,1 bilhão).

Na América do Sul, as exportações brasileiras subiram 29,3%, com destaque para a Argentina, que comprou 24,9% a mais de produtos nacionais. Já para a União Europeia, o crescimento foi mais modesto, de 2%.

Brasil reforça posição no comércio global

Mesmo diante das barreiras impostas pelos EUA, o desempenho em outros mercados mostra a resiliência do comércio exterior brasileiro e reforça a estratégia de diversificação de destinos para manter o ritmo de crescimento das exportações.

FONTE: Bahia Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Diego Baravelli/Minfra

Ler Mais
Internacional

China está no Brasil para auditoria sobre gripe aviária; União Europeia reabriu comércio nesta terça-feira

Uma comitiva do governo chinês está no Brasil nesta semana para fazer uma auditoria com o objetivo de comprovar que o Brasil está livre da gripe aviária, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, ao g1.

“Depois de finalizada a auditoria, eles emitirão um parecer”, afirmou Rua, acrescentando que esse documento já pode conter uma decisão da China.

Os chineses são os maiores importadores de carne de frango do Brasil. Eles interromperam o comércio em 16 de maio, após o país detectar o seu 1º e único caso de gripe aviária em uma granja comercial, em Montenegro (RS).

O foco foi encerrado no mesmo mês e o Brasil já se declarou livre da doença.

UE retomou comércio

Nesta terça-feira (23), a União Europeia, que é a sétima maior importadora de frango do Brasil, retomou as suas compras de forma gradual.

O cronograma ficou assim:

a partir de 23 de setembro: todo o território brasileiro, com exceção do Rio Grande do Sul, fica liberado para exportar. A autorização, contudo, é voltada para os frangos produzidos a partir de 18 de setembro;

2 de outubro: Rio Grande do Sul é liberado, com exceção da área ao redor da granja atingida em Montenegro (RS);

16 de outubro: liberação das exportações de áreas ao redor da granja.

No início de setembro, a UE já tinha reconhecido o Brasil como livre da gripe aviária.

“Com a oficialização da reabertura, a expectativa do setor é que as exportações se restabeleçam nos patamares anteriormente praticados, com possibilidade de incrementos devido à demanda reprimida durante este período de suspensão”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em nota.

Entre janeiro e maio, as exportações de carne de frango para o bloco europeu alcançaram 125,3 mil toneladas, volume então 20,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em receita, foram cerca de US$ 386,3 milhões, saldo 38% maior em relação ao obtido no ano anterior.

Com a mudança, a China passa a ser o único grande mercado do produto que mantém restrições ao frango de todo o país.

O Brasil se declarou livre da doença no dia 18 de junho, após ficar 28 dias sem registrar novos casos em granjas.

O prazo começou a ser contado em 22 de maio, depois do fim da desinfecção da granja de Montenegro (RS). Lá, cerca de uma semana antes, foi detectado o primeiro e único foco da doença em aves comerciais no Brasil.

Além da União Europeia, outros 16 países já tinham retirado as restrições de exportação à carne de frango do Brasil. Entre eles, está o Japão, terceiro maior comprador do Brasil, e o Iraque, 9º maior comprador.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior

Santa Catarina volta a vender frango para a União Europeia

Retomada acontece cinco meses após a interrupção

Santa Catarina voltará a exportar carne de frango para a União Europeia a partir desta terça-feira, após cinco meses de suspensão. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o bloco reabriu o mercado europeu para frango e peru produzidos no Brasil. A interrupção começou em maio por causa de um foco isolado de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul.

Como fica o cronograma de liberação

Segundo o Mapa, o regulamento europeu foi publicado na segunda-feira e já autoriza a entrada de produtos brasileiros com data de produção a partir de 18 de setembro. A retomada será escalonada:

• Todo o Brasil, exceto o Rio Grande do Sul: liberado com produção desde 18/9.

• Rio Grande do Sul (fora da área foco): autorizado a exportar a partir de 2/10.

• Raio de 10 km ao redor da granja foco: retomada em 16/10.

Por que a UE reabriu

De acordo com o Mapa, a reabertura foi resultado de negociações do ministro Carlos Fávaro com o comissário europeu Olivér Várhelyi em 4 de setembro. O Mapa afirma que a rápida contenção do foco permitiu ao Brasil recuperar em 28 dias o status de livre da doença, o que pesou na decisão europeia.

O impacto para o setor

O Mapa destaca que o Brasil segue como maior exportador mundial de carne de frango. De janeiro a agosto de 2025, as vendas externas somaram 3,28 milhões de toneladas e renderam US$ 6,15 bilhões. Com a liberação, as plantas catarinenses voltam a embarcar para o bloco europeu dentro das regras sanitárias definidas pela UE.

China em auditoria

Ainda segundo o Mapa, começou nesta segunda-feira a auditoria da China para avaliar os controles sanitários relacionados à influenza aviária. A missão é etapa essencial para a retomada das exportações ao mercado chinês, o último grande destino que mantém restrições à carne de frango brasileira.

Fonte: DIARINHO

Ler Mais
Comércio Exterior

Acordo União Europeia–Mercosul elimina tarifas em 91% dos produtos e transforma Brasil em fornecedor estratégico de alimentos

acordo União Europeia–Mercosul marca um dos maiores avanços comerciais das últimas décadas, eliminando tarifas em 91% dos produtos negociados entre os blocos. Para o Brasil, o impacto é direto: além de consolidar-se como fornecedor essencial de alimentos para a Europa, o país ganha espaço em um mercado altamente competitivo e exigente.

De acordo com analistas, esse tratado altera de forma significativa a dinâmica geopolítica do comércio global. A Europa busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e da China, enquanto o Mercosul garante maior estabilidade para seus principais produtos, especialmente carne, soja, açúcar e café.

Por que o acordo representa uma mudança histórica

O acordo União Europeia–Mercosul vinha sendo negociado há mais de 20 anos e enfrentava resistências internas, sobretudo da França, devido às preocupações ambientais e com a concorrência agrícola. A decisão de Bruxelas de abrir mão de barreiras tarifárias agrícolas em larga escala representa um tabu quebrado e demonstra a urgência em diversificar fornecedores diante da crise energética e das tensões comerciais globais.

Para o Brasil, que sozinho responde por cerca de 75% do PIB do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um dos mercados mais ricos do mundo. Produtos como carne bovina, aves, arroz, mel, açúcar e derivados terão novas cotas de exportação, muitas delas com tarifas reduzidas ou até isentas.

Ganhos europeus e reação de agricultores locais

Do lado europeu, a grande conquista está na abertura do mercado sul-americano para setores estratégicos.

Carros, peças automotivas, máquinas industriais e produtos químicos terão tarifas reduzidas, o que pode recuperar parte do espaço perdido para a China no Brasil.

Para a indústria automotiva alemã, por exemplo, o acordo é visto como um movimento essencial diante da crescente presença de fabricantes chineses como a BYD.

Apesar do otimismo, agricultores europeus denunciam concorrência desleal. Eles alegam que os custos de produção no Brasil são menores e que as regras ambientais são menos rígidas.

Ainda assim, o cálculo político em Bruxelas foi claro: a necessidade de estabilidade econômica e de novos parceiros pesou mais do que as pressões internas.

O papel estratégico do Brasil no novo cenário

Mais do que apenas números de exportação, o tratado reposiciona o Brasil como ator central na segurança alimentar europeia.

A União Europeia passa a contar com o país como fornecedor confiável em um momento de instabilidade global.

Em contrapartida, abre portas para sua indústria avançada, reforçando a lógica de interdependência econômica.

A parceria também tem um componente geopolítico. Ao estreitar relações com o Mercosul, a Europa reduz sua vulnerabilidade em relação aos Estados Unidos e à China, criando um novo eixo de cooperação com a América do Sul.

Esse movimento pode redefinir fluxos de comércio globais nos próximos anos.

O acordo União Europeia–Mercosul é um divisor de águas para os dois blocos.

Para o Brasil, significa consolidar seu papel como potência agrícola mundial e fortalecer sua relevância estratégica.

Para a Europa, abre espaço para sua indústria e cria alternativas diante da crise de confiança nas relações com Washington e Pequim.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Comércio Exterior

União Europeia reabre mercado para carne de frango do Brasil após suspensão por gripe aviária

Exportações estavam suspensas desde maio por conta de um foco isolado de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul

A União Europeia anunciou, nesta segunda-feira (22), a reabertura do mercado europeu para a carne de frango e de peru produzida no Brasil. As exportações estavam suspensas desde maio, após a confirmação de um foco isolado de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul.

O regulamento europeu, publicado nesta segunda-feira, entra em vigor a partir de terça (23), mas já autoriza a entrada de produtos brasileiros com data de produção a partir de 18 de setembro.

Segundo o governo federal, a medida foi resultado de negociações conduzidas pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, com o comissário europeu de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivér Várhelyi, no último dia 4 de setembro.

A retomada será feita de forma escalonada. Confira:

  • Todo o território brasileiro, exceto o Rio Grande do Sul: liberado para exportar com data de produção a partir de 18 de setembro;
  • Rio Grande do Sul (exceto área foco): autorizado a exportar a partir de 2 de outubro;
  • Raio de 10 km em torno da granja foco: retomada em 16 de outubro.

Nesta segunda-feira, também teve início a auditoria da China no Brasil, destinada a avaliar os controles sanitários relacionados à influenza aviária. A missão técnica é considerada etapa essencial para a retomada das exportações ao mercado chinês, último grande destino a manter restrições à carne de frango brasileira.

Gripe aviária gerou preocupação no Brasil

Relembre o caso no RS 

O Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou no dia 15 de maio a detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em aves comerciais. O caso foi registrado em Montenegro, no Rio Grande do Sul, sendo o primeiro foco desse tipo já confirmado no Brasil.

Por conta disso, vários estados brasileiros proibiram a entrada de aves e ovos de 12 municípios do Rio Grande do Sul: Cachoeirinha, Canoas, Capela Santana, Esteio, Gravataí, Montenegro, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Portão, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Triunfo.

Gripe aviária

Esse foi o primeiro foco de gripe aviária detectado em sistema de avicultura comercial no Brasil. O vírus circula desde 2006, principalmente na Ásia, África e no norte da Europa. A Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) é uma doença das aves causada por vírus.

O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas).

O consumo da carne de aves e ovos é seguro e não representa qualquer risco ao consumidor final.

Considerado o maior exportador da carne no mundo, o Brasil enfrentava restrições desde a confirmação do caso na granja comercial do Rio Grande do Sul. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de frango do Brasil devem cair até 2% em volume, em 2025, na comparação com o ano passado. Isto, segundo a organização, é reflexo direto dos embargos relacionados à gripe aviária.

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

**Com informações do g1

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Internacional

Acordo Mercosul-EFTA é “praticamente uma cópia” do tratado com a União Europeia e serve como argumento para destravar o acordo maior

O recém-assinado acordo Mercosul-EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) está sendo visto por especialistas como uma manobra estratégica fundamental. Segundo analistas consultados por veículos como a CNN, o tratado é “praticamente uma cópia” do acordo maior e mais complexo negociado com a União Europeia. O pacto envolve o bloco sul-americano e os quatro países da EFTA: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Embora abra um mercado de alto poder aquisitivo, o impacto econômico imediato é considerado modesto. A verdadeira importância do movimento, segundo fontes do setor, é política: ele serve como um poderoso argumento para pressionar e destravar as negociações paralisadas com a União Europeia, mostrando que o Mercosul é capaz de fechar parcerias com economias desenvolvidas.

O “espelho” do acordo da União Europeia

Aálise de que o pacto é um “clone” do tratado com a UE foi destacada por Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, em entrevista repercutida pela CNN. “Politicamente, ele é importante porque mostra para a União Europeia que o Mercosul está avançando com outros blocos”, afirmou. Essa similaridade estrutural não é coincidência; ela funciona como um teste e um precedente para o pacto maior.

Márcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no BID, corrobora essa visão, classificando o acordo Mercosul-EFTA como uma “mensagem” clara para Bruxelas. Num momento de crescente protecionismo global e barreiras tarifárias, como as impostas pelos Estados Unidos, o Brasil sinaliza que está buscando ativamente a diversificação de parceiros e que pode, sim, concluir negociações complexas com nações ricas, quebrando a inércia diplomática.

Mais símbolo político do que impacto econômico

Diversos setores, incluindo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), minimizaram o impacto prático imediato do acordo. José Augusto de Castro, presidente da AEB, afirmou à CNN que o tratado “vale mais pelo simbolismo” do que pelas vendas em si. Atualmente, os países da EFTA compram menos de 1% das exportações brasileiras, e há dúvidas se o Brasil conseguirá competir com China e os próprios vizinhos europeus nesse mercado.

Mesmo com a eliminação de 100% das tarifas de importação para setores industrial e pesqueiro (e acesso preferencial para o agro), os gargalos históricos do Brasil persistemInfraestrutura precária, carga tributária elevada e alto custo da mão de obra qualificada continuarão sendo desafios para que a indústria nacional, como a de máquinas e equipamentos (Abimaq), aproveite as mais de 700 oportunidades de exportação mapeadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O que o acordo Mercosul-EFTA realmente abre?

A EFTA é um bloco de 15 milhões de pessoas com um PIB combinado de US$ 1,4 trilhão, ostentando um dos maiores PIBs per capita do mundo. Apesar dos números atuais de comércio serem baixos (Brasil exportou US$ 3,1 bilhões no ano passado, com 38% concentrados em alumina calcinada), o governo estima um impacto positivo de R$ 2,69 bilhões no PIB brasileiro até 2044.

acordo Mercosul-EFTA, assinado no Rio de Janeiro, inicia agora os trâmites de internalização, exigindo a aprovação dos parlamentos de todos os países envolvidos. Para a indústria brasileira, como a Abimaq, o tratado é celebrado não pelo volume, mas pela sinalização de abertura econômica num cenário global de barreiras, sendo um passo crucial para reduzir a dependência de mercados tradicionais e fortalecer a posição negociadora do Mercosul.

Fica claro que o acordo Mercosul-EFTA joga um jogo duplo. No campo econômico, abre um mercado rico, mas de impacto modesto e com grandes desafios de competitividade para o Brasil. No campo estratégico, porém, ele funciona como a principal ferramenta diplomática do Mercosul no momento, servindo de argumento para destravar o prêmio maior: o acordo com a União Europeia.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Agricultura

Agricultores franceses contra o pacto UE-Mercosul e as tarifas de Trump

O principal sindicato dos agricultores franceses, a FNSEA, convocou para o próximo 25 de setembro uma jornada nacional de protesto contra o acordo comercial UE-Mercosul, as tarifas de Donald Trump e “as importações de produtos que não respeitam a regulamentação francesa”.

Assim anunciou em entrevista ao semanário Journal du Dimanche o secretário-geral do sindicato, Arnaud Rousseau, que voltou a se mostrar especialmente hostil ao acordo por considerar que a entrada na França de produtos latino-americanos, mais baratos e com diferentes normas de produção, pode prejudicar a produção nacional.

Esse anúncio acontece em pleno período de protestos nas ruas contra a austeridade na França. No último 10 de fevereiro se manifestou o movimento social Bloqueemos tudo e, neste dia 18, está prevista uma importante jornada de greve convocada pelos sindicatos.

Os protestos acontecem também em meio a uma instabilidade política. Nesta semana, a Assembleia Nacional derrubou François Bayrou como primeiro-ministro — o segundo a cair no hemiciclo em menos de um ano — e o presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou outro chefe de Governo, Sébastien Lecornu.

Esse aliado fiel de Macron deu sinais de querer suavizar o plano de austeridade de 2026, que havia levado as forças parlamentares a forçar a queda de Bayrou, como a retirada da polêmica supressão de dois feriados por ano. No entanto, os movimentos de protesto, como o do dia 18, continuam de pé.

A convocatória da FNSEA — um sindicato favorável à agricultura intensiva — acontece no momento em que o acordo comercial entre o bloco europeu e latino-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) está em fase de ratificação nos 27 parlamentos da UE. No papel, quase todos os deputados franceses se opõem a esse acordo.

Há quase dois anos, em janeiro de 2024, houve um grande movimento de protestos de pecuaristas e agricultores franceses que, além de denunciar o acordo UE-Mercosul, reclamavam da perda de competitividade devido a normas ambientais supostamente mais rígidas na França do que em outros países e ao excesso de burocracia.

Para tentar apaziguar esse descontentamento, a Assembleia Nacional aprovou no verão uma polêmica lei, chamada “Duplomb”, que chegou a reautorizar um pesticida, mas que, em meio a uma forte mobilização ecologista contra a medida, acabou sendo modificada pelos tribunais.

Fonte: El Economista

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Importação, Informação, Logística

Brasil tem 13 vezes mais empresas que importam do que exportam para a China

Embora a China seja o país que mais compra produtos do Brasil no exterior, há mais empresas brasileiras que importam do que exportam nas trocas comerciais com o gigante asiático. Esta é uma das descobertas de um estudo sobre o perfil socioeconômico do comércio entre os dois países, feito pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em parceria com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

São mais de 40 mil empresas que importam da China, entre lojas do varejo, atacadistas, tradings e indústrias, contra menos de 3 mil que exportam ao país. Enquanto há uma grande diversidade de produtos manufaturados e insumos industriais importados pelo Brasil da China, as vendas ao gigante asiático são concentradas em um número bem menor de fornecedores de produtos primários. Somente três produtos — soja, minério de ferro e petróleo — representaram três quartos do total vendido à China no ano passado.

É bem maior o número de empresas brasileiras que exportam para o Mercosul (11,7 mil), os Estados Unidos (9,6 mil) e a União Europeia (8,6 mil), ainda que, no montante em dólares, estes mercados comprem menos do Brasil. As vendas para a China são mais concentradas em commodities do que para qualquer outro parceiro comercial .

Já quando se olha para as importações, o total de empresas que trazem produtos da China — 40.059, em número preciso de 2024 — é quase dez vezes superior ao número de importadores de produtos do Mercosul, o triplo dos Estados Unidos e o dobro da União Europeia. Desde 2000, o número de importadores de produtos chineses no Brasil foi ampliado em 11 vezes.

O estudo mostra que, embora em menor ritmo, também houve um avanço no número de empresas que vendem à China: quadruplicou de 2000 para cá, incluindo microempresas que passaram a fornecer ao país.

A urbanização acelerada, a ascensão da classe média e o crescimento da indústria puxaram nas últimas décadas a demanda chinesa por produtos que o Brasil tem condições de fornecer. Nos últimos dez anos, a China respondeu por mais da metade do superávit da balança comercial brasileira, sendo, em 2024, o destino de 28% das exportações do Brasil.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook