Transporte

Túnel Santos-Guarujá terá 1,5 km e reduzirá viagem de uma hora para cinco minutos

Um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do litoral paulista promete mudar a ligação entre Santos e Guarujá. O empreendimento prevê a construção de um túnel imerso sob o canal que dá acesso ao Porto de Santos e poderá reduzir para menos de cinco minutos uma viagem que atualmente pode levar cerca de uma hora.

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, a estrutura terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão e seis faixas de circulação. Cerca de 870 metros do empreendimento ficarão instalados no fundo do canal, em um trecho construído pelo método de túnel imerso.

Além da travessia entre as duas cidades, o projeto prevê novas conexões rodoviárias e integração com a malha que permite acessar a BR-101, no trecho conhecido como Rio-Santos.

Túnel deve reduzir travessia para menos de cinco minutos

Atualmente, a ligação entre Santos e Guarujá depende principalmente das balsas ou de um percurso rodoviário mais extenso. O tempo de deslocamento pode chegar a aproximadamente uma hora, dependendo das condições do trânsito.

As filas nas balsas também podem aumentar o tempo de viagem nos períodos de maior movimento.

Com o novo túnel, a expectativa da concessionária é que a travessia entre as duas margens seja feita em menos de cinco minutos.

A ligação permanente deverá beneficiar moradores, trabalhadores e empresas que circulam entre os municípios, além de melhorar o acesso às atividades relacionadas ao Porto de Santos.

A nova estrutura também funcionará como alternativa ao transporte aquaviário atualmente utilizado para cruzar o canal.

Novo acesso conectará túnel à malha da BR-101

O empreendimento inclui intervenções no sistema viário do entorno. No lado de Guarujá, está prevista uma nova ligação de aproximadamente dois quilômetros com a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, identificada como SPA-248/055.

A rodovia é uma das principais vias de acesso ao complexo portuário e integra a rede que permite seguir em direção ao litoral paulista.

Por meio dessa conexão, os motoristas poderão acessar o corredor associado à SP-055 e à BR-101, seguindo principalmente em direção ao Litoral Norte de São Paulo.

O túnel, portanto, não terá uma saída diretamente na BR-101. A ligação ocorrerá por meio da rede rodoviária conectada ao empreendimento, especialmente pela Cônego Domênico Rangoni.

Como será construído o túnel imerso

Uma das características mais importantes do projeto é o método construtivo escolhido. Em vez de escavar todo o trajeto subterrâneo, a obra utilizará a tecnologia de túnel imerso.

Grandes módulos de concreto serão produzidos inicialmente em uma estrutura chamada doca seca.

Depois de prontos, os segmentos serão colocados na água e transportados por reboque até o local onde ficarão instalados. Antes disso, uma trincheira será preparada no fundo do canal.

Os módulos serão então posicionados e afundados de maneira controlada. Na sequência, as estruturas serão conectadas umas às outras até formar o túnel.

Após a instalação, materiais como areia e pedras serão utilizados para recobrir e proteger a estrutura.

Com o túnel em funcionamento, veículos circularão dentro dos módulos enquanto os navios continuarão utilizando o canal normalmente, passando sobre a estrutura submersa.

Estrutura terá seis faixas e espaço para ciclistas

O projeto foi planejado para atender diferentes formas de deslocamento. Serão seis faixas de tráfego, com três em cada sentido.

Uma das faixas poderá ser adaptada futuramente para a implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O empreendimento também prevê espaços destinados à circulação de pedestres e ciclistas, além da passagem de caminhões, ônibus e veículos particulares.

Para completar a infraestrutura, serão construídas rampas, viadutos, novas vias e estruturas de apoio voltadas à operação, segurança e administração do sistema.

Concessão terá duração de 30 anos

O projeto avançou após o leilão realizado em 5 de setembro de 2025, quando a Mota-Engil venceu a disputa para implantar e operar o empreendimento.

O contrato estabelece uma concessão de 30 anos. Durante esse período, a empresa responsável deverá construir, administrar, operar e realizar a manutenção da estrutura.

O investimento estimado é de aproximadamente R$ 6,8 bilhões, com participação de recursos públicos e privados. A estrutura financeira conta com a União e o Governo de São Paulo.

Outro marco ocorreu em 7 de julho de 2026, quando a TSG Concessionária assinou o Termo de Transferência Inicial. A partir desse momento, começaram oficialmente a contar os prazos estabelecidos no contrato.

Obras devem ganhar ritmo a partir de 2027

Apesar de o projeto já ter passado pelo leilão e pelas primeiras etapas contratuais, a construção do túnel submerso ainda exige uma série de preparativos.

Ao longo de 2026, a previsão é concentrar os trabalhos na elaboração dos projetos funcionais e executivos, nos estudos técnicos complementares, nos procedimentos ambientais e na preparação das áreas necessárias.

A execução física deverá ganhar maior ritmo em 2027, com a implantação dos canteiros, o início das atividades da doca seca e os primeiros trabalhos de dragagem.

Em 2028, o cronograma prevê a fabricação dos grandes módulos de concreto, a preparação da trincheira no fundo do canal e a construção das rampas de acesso.

A etapa considerada mais complexa está programada para 2029. Nesse período, os módulos deverão ser levados até o canal, posicionados, afundados e conectados.

Já em 2030, a previsão é concentrar os trabalhos na instalação dos equipamentos, acabamentos e testes operacionais.

Túnel Santos-Guarujá tem operação prevista para 2031

O cronograma mais recente aponta 2031 como ano previsto para o início da operação.

Estimativas anteriores chegaram a considerar 2030 como possível data de conclusão. A programação atual, entretanto, reserva esse período para a conclusão dos serviços e realização dos testes necessários antes da abertura ao tráfego.

Se o cronograma for cumprido, Santos e Guarujá terão, no início da próxima década, uma ligação fixa que vem sendo discutida há anos.

Além de encurtar significativamente o tempo de travessia, o túnel Santos-Guarujá deverá contribuir para a circulação no entorno do Porto de Santos e integrar a nova passagem à infraestrutura rodoviária da Baixada Santista.

A partir do túnel, os usuários poderão acessar a Cônego Domênico Rangoni e seguir pela rede que leva ao corredor da Rio-Santos e à BR-101, enquanto o tráfego de grandes embarcações continuará ocorrendo pelo canal sobre a estrutura submersa.

FONTE: Portal Tempo Novo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

Ler Mais
Portos

Porto de Santos: como o maior complexo portuário do Brasil se transformou e mira virar um dos maiores hubs

O Porto de Santos nasceu sobre simples trapiches cravados no mangue e hoje opera perto de 180 milhões de toneladas de cargas por ano, consolidando-se como o principal complexo logístico do país. O avanço contínuo de infraestrutura — que inclui dragagem profunda, novos terminais, digitalização e o futuro túnel imerso — coloca o porto em rota para se tornar um dos maiores hubs portuários do mundo.

Distribuído entre Santos, Guarujá e Cubatão, o porto saltou de um ancoradouro rudimentar para 24 km de cais contínuo, apoiado por ferrovias, energia própria, saneamento e sucessivos projetos de expansão.

Do mangue ao coração da logística nacional

Em pouco mais de um século, áreas alagadiças foram aterradas, aprofundadas e adaptadas até formar o principal corredor de exportação e importação do país. Hoje, o Porto de Santos integra o interior paulista, o agronegócio do Centro-Oeste e cadeias industriais inteiras ao comércio internacional.

A cada ampliação, novas frentes de dragagem, reforço estrutural e modernização moldaram o estuário. Agora, o objetivo é deixar de ser apenas o maior porto brasileiro para disputar posição entre os grandes hubs globais em eficiência, capacidade e integração logística.

A ferrovia que mudou a história

O embrião do porto organizado surge no século XVI, mas ganha força real a partir de 1867, quando a São Paulo Railway, idealizada pelo Barão de Mauá, encurta drasticamente a viagem entre o planalto e o litoral. O trem substitui tropas de mulas e inaugura uma era de escoamento acelerado da produção cafeeira, consolidando a vocação exportadora de Santos.

Companhia Docas e o início da industrialização portuária

Com o crescimento do café, a Coroa lança em 1888 uma concessão de 90 anos para modernizar o porto. Surge a Companhia Docas de Santos, responsável por transformar trapiches dispersos em um sistema organizado, com canal dragado, cais contínuo e armazéns.

O marco ocorre em 1892, quando o vapor inglês Nasmith atraca no primeiro trecho de cais de alvenaria do país — o verdadeiro início da era moderna do Porto de Santos.

Aterros, ferrovia própria e energia de Itatinga

Entre o fim do século XIX e o início do XX, grandes obras remodelam o estuário. A Docas executa aterros na região de Paquetá e Outeirinhos, prolonga o cais e constrói estruturas de contenção com rochas extraídas do Jabaquara.

Em 1910, entra em operação a Usina Hidrelétrica de Itatinga, projetada para abastecer o porto e, ao longo do tempo, também parte de Santos e Guarujá. Mais de um século depois, a usina permanece ativa.

Da crise sanitária ao redesenho urbano

Enquanto o porto crescia, Santos enfrentava epidemias agravadas pela falta de saneamento. As obras de Saturnino de Brito — canais de drenagem, redes de esgoto e ventilação urbana — transformaram o chamado “Porto da Morte” em referência de urbanização e saúde pública.

Era CODESP, modelo landlord e expansão dos contêineres

Com o fim da concessão da Docas em 1980, a CODESP assume o porto. A grande virada vem em 1993, com o modelo landlord, que mantém a autoridade portuária responsável pela infraestrutura, enquanto operadores privados passam a administrar terminais.

Daí em diante, o Porto de Santos se consolida como um ecossistema logístico, conectado a terminais retroportuários e interiores por rodovias e ferrovias. Na carga conteinerizada, ultrapassa 4 milhões de TEUs, entrando no radar dos principais portos do hemisfério sul.

Dragagem profunda, STS10 e o túnel imerso: a nova transformação

O estuário passa novamente por um ciclo de renovação. O projeto de dragagem profunda busca ampliar o calado para cerca de 16 metros, abrindo espaço para navios maiores.

Paralelamente, trechos antigos de cais são reforçados para suportar novos guindastes e operações mais intensas. No Saboó, nasce o STS10, projetado para ser um megaterminal de contêineres com forte integração ferroviária e pátios de alta densidade.

No Guarujá, a expansão da retroárea se articula a centros logísticos conectados por trilhos e rodovias. E costurando as duas margens do estuário, avança o projeto do túnel imerso Santos–Guarujá, que deve reduzir a dependência das balsas e reorganizar o fluxo de caminhões.

Porto digital e desafios climáticos

Além das obras físicas, o porto avança na digitalização. Sistemas de agendamento de caminhões, monitoramento de navios e gestão integrada de pátios reduzem filas e ampliam a eficiência operacional.

Estudos de risco climático guiam novas intervenções em drenagem, contenção e elevação de áreas vulneráveis, combinando expansão com resiliência — pré-requisito para qualquer porto competitivo no cenário global.

O próximo salto rumo aos maiores hubs do mundo

Ao longo de sua trajetória, Santos se reinventou para acompanhar as demandas da economia brasileira. Agora, dragagem profunda, mega terminais, túnel imerso e digitalização constroem o caminho para que o complexo se consolide como um dos principais hubs portuários do mundo, integrado por ferrovia, rodovias, retroárea e tecnologia.

A questão que permanece é se país, iniciativa privada e gestão portuária conseguirão alinhar governança, investimentos e planejamento de longo prazo para transformar esse potencial em realidade.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook