Internacional, Mercado Internacional

Trump prorroga negociações com UE e pausa em tarifas vai até 9 de julho

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse neste domingo, 25, que aceitou dar à União Europeia uma extensão no prazo de negociação para um acordo sobre tarifas. Segundo Trump, ele teve uma conversa telefônica com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e que ela foi “simpática”.

“Ela disse que quer começar uma negociação séria”, disse Trump a repórteres em Nova Jersey, segundo a CNN. O prazo acertado com Leyen é 9 de julho. “9 de julho seria o dia, foi a data que ela pediu. ‘Poderíamos adiar de 1º de junho para 9 de julho?’ Eu concordei. Ela disse que nos reuniremos rapidamente e veremos se podemos resolver algo”, afirmou.

Também neste domingo, Von der Leyen afirmou que teve uma “boa conversa” com Trump e confirmou a extensão no prazo de negociação para 9 de julho. “A Europa está disposta a avançar nas negociações de maneira rápida e decisva. Para chegar a um bom acordo, precisaremos de um tempo extra até o dia 9 de julho”, escreveu ela em sua rede social.

Após essa data, encerraria a “pausa” na imposição de tarifas estabelecidas pelos EUA. Na semana passada, Trump ameaçou impor taxação de 50% sobre produtos da União Européia.

Na última sexta-feira, Trump havia ameaçado, em publicação na Truth Social, impor uma tarifa fixa de 50% sobre a União Europeia, já que o bloco “tem sido difícil de lidar”. Segundo o republicano, a UE foi formada com o objetivo principal de tirar vantagem dos americanos no comércio.

“Nossas discussões com eles (União Europeia) não estão levando a lugar nenhum”, escreveu Trump na ocasião, ao mencionar que as barreiras comerciais europeias, manipulações monetárias e “processos injustos” contra empresas americanas, entre outros, levaram a um déficit comercial com os EUA de mais de US$ 250 milhões por ano.

No início de abril, Trump anunciou um forte aumento de tarifas, o que classificou como “Dia da Libertação” para os americanos. O Brasil, no entanto, ficou entre os países com a menor tarifa, de 10%.

De lá para cá, o presidente americano pausou por 90 dias a implementação do tarifaço contra inúmeros países, e também chegou a um acordo com a China, para suspender as alíquotas mais altas por três meses.

Fonte: MSN

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

UE reage à ameaça de Trump de impor tarifas de 50%

Bolsas europeias fecham no vermelho após anúncio de novas tarifas por Trump contra a UE

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, retomou sua ofensiva comercial ao ameaçar impor tarifas de até 50% sobre produtos da União Europeia (UE), cujos ministros responderam com críticas fortes.

Se aplicadas, essas tarifas representariam um aumento drástico sobre as atuais, que estão em média em 12,5% (2,5% anteriores a Trump e 10% desde abril). As medidas ameaçam renovar tensões entre a maior economia global e seus parceiros europeus.

Lamentando que as negociações comerciais “não estejam levando a lugar nenhum”, Trump anunciou em sua rede Truth Social a recomendação de “impor tarifas de 50% à União Europeia a partir de 1º de junho”.

“Tem sido muito difícil lidar com a União Europeia, que foi criada com o objetivo principal de tirar vantagem dos Estados Unidos no comércio”, afirmou.

Líderes europeus reagiram pedindo desescalada, mas prontos para responder. Laurent Saint-Martin, ministro delegado de Comércio Exterior da França, escreveu no X: “Continuamos no mesmo caminho: desescalada, mas estamos prontos para responder”.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que as tarifas “não ajudam ninguém e só servem para minar o desenvolvimento econômico de ambos os mercados”.

Impacto nos mercados financeiros

As bolsas europeias fecharam no vermelho após a ameaça de Trump: Paris caiu 1,65%, Frankfurt 1,54%, Milão 1,94% e Madri 1,18%. Londres perdeu 0,24%, influenciada pelo recente acordo comercial entre EUA e Reino Unido.

Em Wall Street, as ações caíram após o anúncio, mas algumas perdas foram recuperadas.

Contexto da ofensiva comercial de Trump

Trump ameaçou tarifas de ao menos 10% sobre a maioria dos produtos importados, incluindo setores como automóveis, aço e alumínio. Tarifas alfandegárias sobre a China chegaram a 145%, com resposta chinesa de 125%.

Após uma trégua de 90 dias para suspender tarifas, Trump anunciou um acordo com o Reino Unido e negociações com outros países, mas sem avanços significativos com a Europa.

Ele criticou o déficit comercial dos EUA com a UE, estimado por ele entre US$ 300 e US$ 350 bilhões, embora o Representante Comercial dos EUA (USTR) preveja US$ 235 bilhões para 2024. A Comissão Europeia contesta os dados, sugerindo US$ 160 bilhões e US$ 56 bilhões ao incluir serviços.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Bloomberg que a taxa mínima de 10% depende da negociação e adesão dos blocos, afirmando que Trump estava “frustrado com a UE”.

Ameaças específicas à Apple

Trump também ameaçou a Apple com tarifas: “Informei Tim Cook que esperava que seus iPhones vendidos nos EUA fossem fabricados nos EUA, não na Índia ou em outro lugar. Caso contrário, terão que pagar tarifa de pelo menos 25%”.

A maioria dos iPhones é montada na China, mas parte da produção tem migrado para Índia. A Apple não comentou.

O analista Dan Ives, da Wedbush Securities, afirmou que transferir a produção para os EUA é um “conto de fadas inviável”, com custo estimado de US$ 3.500 por iPhone e prazo de até 10 anos para completa transferência.

Fonte: Exame

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Comércio, Greve, Internacional, Tributação

Zona industrial da Argentina tem greve contra fim de tarifas a importados

Trabalhadores de fábricas de eletroeletrônicos da Terra do Fogo paralisam produção contra fim de impostos a celulares vindos do exterior

Trabalhadores da Terra do Fogo, província no extremo sul da Argentina, realizaram uma greve nesta quarta-feira (21), contra o decreto de Javier Milei que prevê zerar tarifas sobre a importação de celulares e reduzir impostos nacionais para esses produtos, além de televisores e aparelhos de ar condicionado.

A província da Terra do Fogo tem um parque industrial de eletrônicos e eletrodomésticos estimulado por um programa de incentivos fiscais e aduaneiros para a produção.

Os sindicatos de trabalhadores industriais e o governador da província, Gustavo Melella, afirmam, no entanto, que a redução de impostos sobre os importados anunciada pelo governo Milei ameaça a indústria local de eletroeletrônicos e coloca em risco cerca de 6 mil postos de trabalho.

“Decidi convocar os representantes dos trabalhadores do setor industrial e os empresários da Terra do fogo para esta quinta-feira 22, com o objetivo de avançar na assinatura de um acordo que garanta os postos de trabalho e proteja nossa indústria”, escreveu Melella na rede social X.

O governador também afirmou que a província não ficará “de braços cruzados diante de medidas que colocam em risco a produção” local.

Em forma de protesto contra o anúncio do governo Milei, trabalhadores de fábricas da província já vinham interrompendo a produção.

A administração de Milei decretou que as tarifas sobre a importação de celulares serão reduzidas de 16% para 8%, e zeradas a partir de janeiro. Os impostos sobre a importação de vídeo-games passará de 35% para 20%.

Já os impostos internos sobre celulares, televisores e aparelhos de ar condicionado importados serão reduzidos de 19% para 9,5%. As taxas sobre os produtos produzidos na Terra do Fogo, por sua vez, hoje em 9,5%, serão zeradas.

O objetivo da medida é baratear os preços dos eletroeletrônicos em pelo menos 30%, o que segundo o governo irá ajudar a combater roubos e contrabando.

Fonte: CNN Brasil

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Industria, Tributação

Indústrias de SC já sentem efeitos do incremento das tarifas

Durante o segundo dia de atividades da imersão, CEOs de empresas exportadoras e com negócios nos EUA apresentaram suas percepções sobre o atual cenário

O segundo dia da imersão Tarifaço Trump, promovida pela Federação das Indústrias de SC por meio da Academia FIESC de Negócios, trouxe a experiência do Grupo Rohden e da Portobello America. Confira os principais destaques dos cases:

O CEO da Rohden, Jorge Luís Rohden, explicou que a empresa é a maior exportadora de portas do país para os Estados Unidos. Em 2024, a Rohden despachou para os Estados Unidos 1.383 contêineres, o que faz da empresa a primeira no ranking dos maiores exportadores de portas por via marítima ao mercado norte-americano.

Ele destacou que o ritmo dos pedidos vem caindo, com os clientes em compasso de espera, diante da incerteza. Mas não é só a falta de clareza que motiva a redução dos pedidos. Por conta de gargalos logísticos no segundo semestre de 2024, e com a normalização das viagens marítimas de novembro em diante, os estoques dos clientes estão em nível elevado.

Com o apoio do Observatório FIESC, a empresa acompanha de perto o impacto das tarifas sobre os negócios. Isso se dá pelo monitoramento de diversos indicadores econômicos e de inteligência de mercado de seu principal parceiro externo.

“Para a Rohden, a informação rápida e de qualidade é essencial para a tomada de decisão. O relacionamento muito próximo com nossos principais clientes nos Estados Unidos também tem nos permitido entender as mudanças na perspectiva deles, e assim ajustarmos a nossa atuação”, afirmou.

Informação estratégica é especialmente relevante para a companhia, já que o principal produto da pauta exportadora da empresa está na lista da investigação sobre o impacto das importações de madeira e seus derivados sobre a segurança dos EUA – um dispositivo criado para defender a segurança nacional norte-americana, a chamada seção 232 e que resultado em tarifas ainda mais altas, a exemplo do aço.

Para o CEO da Portobello Americahttps://fiesc.com.br/pt-br/imprensa/cadeia-florestal-acompanha-desdobramento-do-pacote-tarifario, João Oliveira, embora exista um movimento de busca por fornecedores nos Estados Unidos para substituir em parte as importações, o processo até a formalização de negócios é lento. A empresa já foi abordada por um cliente que busca uma opção local para substituir produtos atualmente comprados da Espanha. De acordo com ele, apenas 30% do consumo norte-americano de porcelanato e revestimentos cerâmicos é produzido localmente. Os demais 70% têm origem na Índia e em países europeus, como Espanha e Itália.

“A tendência de valorização e do aumento da produção interna nos EUA deve prevalecer no longo prazo. Já há um grande movimento de valorização dos produtos Made in USA, com a bandeira americana em lugar de grande destaque no marketing das empresas com fabricação local.”

Durante o segundo dia da imersão, a FIESC apresentou também um estudo exclusivo da área de desenvolvimento industrial que traça os possíveis cenários decorrentes dos efeitos do tarifaço do governo norte-americano. O documento apontou os destinos possíveis e prováveis do excedente de exportações chinesas, considerando os custos de importação para esse novo destino, o potencial de mercado e também se já existem vendas chinesas daquele produto para o novo país.

Fonte: FIESC

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Importação, Internacional, Mercado Internacional, Tributação

UE vai impor tarifas para importações de baixo custo

A União Europeia (UE) pretende cobrar uma tarifa de 2 euros sobre bilhões de importações de baixo custo que entram anualmente no mercado interno do bloco. A medida afeta principalmente a China, e representa um duro golpe para varejistas online do país asiático, como Temu e Shein.

A informação foi dada pelo “Financial Times”. O comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, disse ao Parlamento Europeu que propôs nesta terça-feira (20) uma taxa de manuseio para lidar com os desafios representados pelos 4,6 bilhões de itens importados anualmente pela UE.

A proposta preliminar da Comissão Europeia prevê a cobrança de uma taxa de 2 euros sobre as vendas diretas. Itens enviados para armazéns serão tributados em 0,50 euros.

Parte da receita gerada serviria para cobrir custos de verificações alfandegárias extras, enquanto o restante deve ser repassado ao orçamento da UE.

Šefčovič prometeu enfrentar o aumento no volume dessas mercadorias, o que, segundo ele, levou a um crescimento de “produtos perigosos e fora das normas”, além de reclamações de varejistas da UE sobre concorrência desleal.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Mercado Internacional

Câmara dos EUA aprova projeto de lei de Trump de corte de impostos e gastos

Projeto agora será encaminhado ao Senado, onde os republicanos devem fazer modificações

Câmara dos Estados Unidos aprovou na manhã desta quinta-feira (22), por 215 a 214, o abrangente pacote de cortes de impostos e gastos do presidente Donald Trump.

Trata-se de uma grande vitória para Trump e para o presidente da Câmara, Mike Johnson, depois que os líderes republicanos venceram os principais opositores.

A legislação ainda enfrenta grandes desafios pela frente. Será encaminhada ao Senado, onde os republicanos na Câmara sinalizaram que planejam fazer suas próprias alterações.

A pressão para aprovar o projeto de lei na Câmara representou um teste à influência de Trump e Johnson.

Líderes republicanos se envolveram em negociações intensas sobre o projeto, e Trump fez apelos apaixonados aos membros do seu partido na Casa Baixa para que se juntassem a ele, em um esforço para abrir caminho para a aprovação.

Os líderes republicanos tiveram que encontrar cuidadosamente o equilíbrio entre as demandas conflitantes dos conservadores linha-dura e dos membros centristas de sua conferência — um delicado ato de equilíbrio, já que o presidente Johnson só pode se dar ao luxo de contar com algumas deserções.

O pacote inclui medidas que cortariam profundamente dois dos principais programas de segurança social do país: Medicaid e vale-alimentação.

Ao mesmo tempo, tornariam permanentes praticamente todos os trilhões de dólares em isenções de imposto de renda individuais contidos na Lei de Cortes de Impostos e Empregos de 2017 do Partido Republicano.

A legislação, que os republicanos chamaram de “One Big Beautiful Bill Act”, visa cumprir muitas das promessas de campanha de Trump e aborda uma ampla gama de questões políticas.

Antes da votação no plenário, os republicanos da Câmara divulgaram um pacote de mudanças no projeto de lei que refletia dias de negociações dos líderes do partido em um esforço para conquistar os resistentes.

Além das disposições que afetam os requisitos de trabalho do Medicaid e os créditos fiscais de energia da era Biden, o pacote de mudanças formaliza um dos maiores acordos de Johnson nesta semana: o chamado “teto SALT”.

Ele permite que as pessoas deduzam impostos de renda estaduais e locais de até US$ 40.000 para determinadas faixas de renda.

Líderes republicanos propuseram inicialmente um teto de US$ 30.000, mas importantes membros do partido em Nova York, Nova Jersey e Califórnia se recusaram a apoiá-lo.

Antes da divulgação das mudanças, Johnson esteve envolvido em reuniões com vários grupos para finalizar um acordo que conquistaria tanto os linha-dura do Partido Republicano, que ameaçavam bloquear o projeto de lei de cortes de impostos e gastos, quanto os membros centristas que estavam cautelosos com algumas das mudanças propostas pela direita.

Pouco depois da meia-noite de quinta-feira, o presidente Johnson projetou confiança de que o projeto de lei seria aprovado com sucesso na Câmara, apesar dos desafios.

“Nunca se sabe até a apuração final dos votos, mas estou convencido de que vamos aprovar este projeto hoje à noite”, disse ele.

“Esta é uma legislação enorme, com muitas partes em movimento. Então, vamos ver o que acontece. Mas acho que vamos concluir este trabalho e vamos fazê-lo até o Memorial Day, que é o que previmos desde o início.”

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional, Tributação

Brasil cogita aumento de tarifas para conter possível aumento nas importações da China

Aumentar impostos de importação é visto como alternativa mais simples às cotas em meio a tensões comerciais globais.

O governo brasileiro acredita que tem margem suficiente para aumentar tarifas de importação em vez de adotar medidas mais agressivas, como a implementação de cotas, caso uma enxurrada de produtos industrializados da China comece a invadir o mercado nacional. O risco de uma redireção de exportações chinesas para o Brasil aumentou com a escalada tarifária global iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o início dessas tensões comerciais, o Brasil vem monitorando de perto um possível aumento no fluxo de produtos chineses para o mercado interno, numa tentativa de “separar o joio do trigo”.

“É fundamental que nossas ações se baseiem em dados claros: precisamos saber se há de fato uma enxurrada de produtos ou não”, afirmou um representante do governo brasileiro, ressaltando que, até o momento, não foi observada nenhuma alta significativa.

De acordo com avaliações técnicas, os efeitos dos aumentos tarifários de Trump costumam levar cerca de três meses para se manifestar, dado que mudanças nas cadeias globais de suprimentos são complexas e não ocorrem de forma imediata. A imprevisibilidade da política dos EUA torna o cenário ainda mais incerto. Inicialmente, o governo Trump impôs tarifas generalizadas de até 145% sobre exportações chinesas. No entanto, os dois países chegaram a uma trégua temporária, reduzindo as tarifas para 30% por um período de 90 dias.

“Uma tarifa de 145% é proibitiva — equivale a um embargo. Mas 30% não é”, explicou o mesmo representante.

Caso os produtos chineses realmente comecem a ser redirecionados ao Brasil em grande volume, autoridades veem o aumento das tarifas de importação como uma ferramenta mais simples de aplicar. A fonte ressaltou que há margem legal, tanto nas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto nas do Mercosul, para implementar tais medidas.

“Ajustes tarifários, se considerados apropriados, podem ser feitos rapidamente, pois não exigem investigações, contestações legais ou compensações à parte afetada”, explicou.

Embora o uso de cotas seja tecnicamente possível, é um instrumento raramente utilizado no Brasil — ou mesmo globalmente — a menos que haja evidência clara de práticas comerciais desleais entre os países envolvidos.

Um exemplo de prática desleal é o dumping, quando uma empresa exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu mercado interno. Se o Brasil adotasse cotas apenas como reação a uma mudança comercial provocada pelas tarifas dos EUA, teria de oferecer medidas compensatórias a todos os parceiros afetados. “Seria como usar um canhão para matar um mosquito”, disse o representante.

Em relação ao comércio com os Estados Unidos, autoridades brasileiras receberam sinais de que empresas americanas, buscando diversificar fornecedores, já começaram a olhar para setores industriais do Brasil, diante de uma possível escalada da guerra tarifária com a China.

“O Brasil não está mal posicionado, relativamente falando”, observou a fonte, apontando que o país foi alvo de tarifas recíprocas de apenas 10% — uma das menores impostas por Trump.

Fonte: Valor International




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Comércio, Comércio Exterior

Tarifas turvam cenário, mas aposta no Brasil é estratégica, diz CEO da Electrolux

Em momento de guerra tarifária, incertezas sobre a demanda e aumento de custos no mundo, Yannick Fierling diz a jornalistas que o mercado brasileiro é uma das prioridades do grupo sueco, que trabalha na nacionalização de novos produtos no país

O cenário nunca esteve tão imprevisível quanto nos últimos cinco anos. Essa é a avaliação do CEO global da Electrolux, Yannick Fierling.

Executivos buscam deixar claro que o Brasil – segundo maior mercado em receita para o grupo global de eletrodomésticos, com sede em Estocolmo, na Suécia – segue como prioridade, apesar da guerra tarifária e das incertezas econômicas, em parte desencadeadas pelas políticas adotadas pelos Estados Unidos.

O país liderado por Donald Trump responde pelo maior faturamento da Electrolux.

“O ambiente é muito incerto e volátil, tanto da perspectiva de moeda quanto de tarifas e demanda. O cenário é hostil, mas mantivemos o nível de investimentos e até aumentamos se comparado aos anos anteriores. Não há dúvidas de que o Brasil é um mercado estratégico para nós”, disse o executivo a jornalistas.

A Electrolux atua em 120 mercados e faturou, globalmente, 136 bilhões de coroas suecas (US$ 13,8 bilhões) em 2024.

Atualmente, a companhia tem um programa de investimentos da ordem de R$ 700 milhões para uma nova planta industrial no Brasil, em estratégia que inclui a nacionalização de algumas linhas de produção de produtos.

Localmente, o grupo detém a operação tanto da Electrolux quanto da Continental, comprada em meados de 2017.

Segundo Fierling, há dois fenômenos que atualmente impactam a demanda no Brasil. O primeiro é a depreciação do real; o segundo, a taxa de juro elevada. “Não vemos um nível de crescimento para 2025 como no ano passado”, disse.

Apesar disso, ele destacou que o mercado na América Latina responde por cerca de 25% da receita global do grupo.

“LatAm é um dos mercados mais lucrativos que temos e é muito importante para nós. Em termos de market share, temos uma operação muito sólida, com liderança em diversos produtos.”

Diante desse contexto, o executivo afirmou que o grupo manterá os investimentos em produção local. “Estamos confiantes de que continuaremos a entregar bons resultados na região.”

Fierling classificou o desempenho da companhia sueca no Brasil, em 2024, como “excepcional”, com um verão quente, o que impulsionou a venda de aparelhos de ar condicionado, por exemplo.

O executivo disse acreditar que a funcionalidade e design dos produtos são diferenciais que garantem um desempenho positivo no mercado local. “Estamos expandindo as linhas de produtos no Brasil.”

Em maio, a companhia anunciou a nacionalização da linha de purificadores de água com compressor ecológico na fábrica do Paraná.

Na frente de funcionalidades, por exemplo, ele destacou que o produto economiza até cinco vezes mais energia em comparação com purificadores eletrônicos. “Na área de filtros de água, estamos com desempenho muito bom no país”, disse.

Competição acirrada

Diante do avanço de entrantes – principalmente marcas asiáticas – no mercado brasileiro de eletrodomésticos nos últimos anos, o que inclui grandes grupos como a Samsung, da Coreia do Sul, e a Midea, da China, Fierling disse que a Electrolux busca manter a confiança do consumidor nas categorias em que atua.

No caso do selo homônimo, o posicionamento se concentra no segmento premium, enquanto a Continental opera mais como “marca de combate”.

“Não subestimamos nenhum competidor, mas nós temos uma longa história na América Latina. O consumidor confia em nós”, afirmou.

Ele ressaltou que, além da posição nas categorias premium, as iniciativas do grupo incluem equipes locais que analisam constantemente o mercado regional.

“Nossos funcionários conhecem os consumidores, é uma situação difícil para nossos concorrentes. Eletrodomésticos e produtos voltados para bem-estar são categorias em que temos o maior market share na região”, afirmou.

Com a pandemia e a valorização do tempo passado dentro de casa, a demanda por eletrodomésticos cresceu de forma significativa.

Por outro lado, após o início da guerra na Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, e outros conflitos no Oriente Médio, o mercado recuou, contou Fierling, em paralelo com o aumento mais acentuado dos custos de insumos.

Nesse contexto, o executivo afirmou que a companhia busca ser cada vez mais adaptável e ágil para lidar com as mudanças constantes.

“Nossas equipes locais ao redor do mundo estão reagindo rapidamente a problemas como a desvalorização da moeda e as tarifas.”

Mercado nos Estados Unidos

Em balanço financeiro divulgado no final de abril, a Electrolux afirmou que a confiança do consumidor diminuiu ao longo do primeiro trimestre devido à incerteza econômica e às preocupações em torno da política comercial dos EUA.

Na América Latina, a demanda aumentou “marginalmente”, impulsionada principalmente pelo Brasil, em um mercado caracterizado por crescente pressão competitiva.

De acordo com o documento, os efeitos das mudanças nas políticas comerciais dos EUA tiveram um impacto reduzido no primeiro trimestre – Trump anunciou as tarifas recíprocas apenas no começo de abril, já no segundo trimestre.

Uma das prioridades do grupo é justamente crescer no mercado norte-americano, em que a maior parte das vendas acontece com a marca Frigidaire.

Segundo ele, haverá impactos das tarifas nos produtos vendidos no país, embora a maior parte do que é comercializado no país é fabricado localmente. “Aumentamos os preços nos Estados Unidos por causa das tarifas e da inflação.”

A estratégia global da Electrolux tem como um dos pilares a redução de custos, com a meta de cortar entre 3,5 bilhões e 4 bilhões de coroas suecas em 2025. Outro objetivo é buscar e estabelecer os melhores fornecedores em cada região.

“Isso não quer dizer os mais baratos, mas aqueles que possam nos atender da maneira mais eficiente.”

Outro pilar é crescer novamente de maneira lucrativa. “Perdemos market share nos últimos anos e em 2024 e 2025 voltamos a ganhar participação em todas as regiões”, disse Fierling.

Fonte: Bloomberg Línea

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Presidente da WEG fala sobre estratégia da empresa diante das tarifas de Trump

Alberto Kuba afirma que o cenário atual, de volatilidade, será ajustado com o tempo

Desde quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o tarifaço de importações, o mundo empresarial, em especial a indústria, enfrenta incertezas sobre quanto, quando e onde investir, entre outros desafios. Mas esse não é o caso da gigante WEG, de Santa Catarina. O presidente da companhia, Alberto Kuba, afirmou em entrevista para a coluna que no plano estratégico da empresa nada mudou. Ela segue investindo em diversos mercados.

A WEG adquiriu há poucos dias uma tradicional fábrica de tintas no país, a Heresite $ Protective Coatings, e está consolidando a integração da maior aquisição da sua história, da Regal Rexnord, concluída em maio de 2024. Sobre mais investimentos nos EUA, Kuba disse que a empresa está avaliando oportunidades.

Fonte: NSC

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Comércio Exterior, Internacional

Brasil tem espaço limitado para ganhos na guerra comercial entre EUA e China

Dos 1.832 produtos que tanto o Brasil quanto os Estados Unidos exportam para a China, apenas 17 — ou 0,9% — apresentam sobreposição significativa e concorrência direta entre os dois países. Em um portfólio comercial dominado por commodities, oito desses 17 itens estão relacionados a alimentos.

Entre os 20 países que mais exportaram para a China em 2024, o Japão lidera em número de produtos que competem diretamente com os EUA, com 391 itens. A Alemanha vem em seguida, com 373, e a Coreia do Sul com 222. O Brasil ocupa a 15ª posição, atrás de países como França, Malásia, Tailândia, Suíça, Rússia e Canadá. Entre os países sul-americanos, apenas o Brasil e o Chile (17ª posição) aparecem na lista.

Segundo economistas, os dados indicam que, devido à atual composição da pauta exportadora brasileira, o potencial de ganho de mercado na China em meio ao acirramento das tensões entre as duas maiores economias do mundo é limitado, especialmente em comparação a outros países.

A análise do Valor começou identificando todos os produtos que os 20 maiores exportadores para a China têm em comum com os Estados Unidos. Desse universo, o estudo filtrou os produtos cujas importações chinesas superaram US$ 100 milhões em 2024, abrangendo 96,5% do total importado pela China no ano passado. Dentro desse grupo filtrado, considerou-se que havia “concorrência com os EUA” quando ambos os países detinham pelo menos 5% do mercado de importações da China para aquele item.

Para o Brasil, houve sobreposição de 1.832 produtos exportados para a China em 2024. Destes, 730 tiveram importações chinesas superiores a US$ 100 milhões, mas apenas 17 produtos contavam com participação de mercado superior a 5% tanto para o Brasil quanto para os EUA.

A classificação utilizada foi no nível de oito dígitos, o que proporciona alta especificidade. Para referência, a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC) permite buscas por códigos de dois, quatro, seis ou oito dígitos — quanto mais dígitos, mais detalhada a classificação.

O Japão teve 4.943 produtos em comum com os EUA, dos quais 1.131 superaram o limiar de US$ 100 milhões em importações. Desses, 391 produtos apresentaram participação de mercado de pelo menos 5% tanto para o Japão quanto para os EUA, indicando que 34,6% dos produtos japoneses qualificados competiam com os americanos. As taxas foram de 33% para a Alemanha, 20,6% para a Coreia do Sul e apenas 2,3% para o Brasil.

“Esses números mostram que, embora o Brasil tenha algumas oportunidades, elas são muito mais limitadas em comparação a outros fornecedores que competem diretamente com os EUA”, afirmou Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador do FGV Ibre. “O que os dados revelam é que se trata majoritariamente de comércio intraindústria — peças, bens intermediários e de capital circulando entre países com cadeias de produção complexas”, acrescentou.

O comércio do Brasil com os EUA também apresenta elementos de comércio intraindústria, especialmente em setores como o de aço. “Mas, com a China, estamos posicionados de maneira diferente na cadeia de valor, atuando majoritariamente como fornecedores de produtos básicos. Portanto, qualquer argumento de que o Brasil poderia ganhar mercado em um cenário de desacoplamento entre EUA e China é mais aplicável às commodities do que a produtos manufaturados ou processados. Nesses setores, a concorrência é mais acirrada e muitos players já estão muito à frente do Brasil”, explicou Ribeiro.

Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, destacou que a relação comercial entre Alemanha e China está fortemente atrelada ao setor automotivo, com empresas como BMW, Mercedes-Benz e Audi operando fábricas em território chinês. “Isso confere às exportações alemãs um valor agregado maior, diferente do Brasil, cuja competição com os EUA é mais voltada ao agronegócio”, disse.

Segundo Ribeiro, Japão e Alemanha possuem bases exportadoras muito mais diversificadas. “Isso lhes dá mais opções de atuação, facilitando a busca por nichos de mercado, embora isso não garanta sucesso.” Ele alertou, no entanto, que nos segmentos de manufatura de alto valor agregado, predominam cadeias de fornecimento longas e complexas.

“Se você olha apenas para as exportações finais, perde de vista todos os componentes envolvidos na fabricação do produto. Pegue o iPhone como exemplo: o microprocessador vem de um país, a tela de outro, o invólucro, o giroscópio e o acelerômetro de outros diferentes. Esse tipo de montagem global conecta países como Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, China e EUA de uma forma que os números brutos do comércio não captam”, explicou Ribeiro.

Leal acrescentou que o Sudeste Asiático está fortemente integrado à economia chinesa. Malásia, Tailândia e Singapura ocupam, respectivamente, a sexta, sétima e oitava posições no índice de competição. Vietnã e Indonésia aparecem mais abaixo, na 12ª e 14ª posições. “Isso é natural, dado a proximidade geográfica e cultural, e também reflete a migração da produção da China para países com custos mais baixos”, explicou.

O Vietnã, destacou ele, chama atenção. “Foi um dos países mais afetados pelas tarifas de Trump, devido ao seu terceiro maior superávit comercial com os EUA, atrás apenas de China e México.” O Vietnã tornou-se um polo de exportação para os EUA de produtos cuja cadeia de suprimentos começa na China. Donald Trump impôs uma tarifa de 46% sobre as importações vietnamitas.

De acordo com Ribeiro, uma intensificação da guerra comercial entre EUA e China provavelmente levaria Pequim a aprofundar seus laços não apenas no Pacífico, mas também via a chamada Iniciativa Cinturão e Rota, estendendo-se à Ásia Central e gerando efeitos indiretos na Europa e na África. “Os EUA estão tentando isolar a China”, disse. “Mas em alguns mercados, especialmente no Sudeste Asiático, isso dificilmente terá sucesso. O mesmo se aplica à África e, em certa medida, à Ásia Central. É improvável que os EUA consigam substituir a presença chinesa, que já é dominante nessas regiões.”

Ribeiro lembrou ainda que, no final do ano passado, a China anunciou tarifas zero para produtos de países que reconhece como “Menos Desenvolvidos” (LDCs, na sigla em inglês) e com os quais mantém relações diplomáticas. Seguindo a definição da ONU, são países com renda nacional bruta per capita de US$ 1.088 ou menos. Dos 44 LDCs, 32 estão na África.

“A realocação dos mercados exportadores americanos para a China ocorreria majoritariamente no Pacífico, entre economias avançadas como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura”, explicou Ribeiro. “Em menor escala, pode envolver também Canadá, México, partes da Europa e da América Latina.”

Entre os 17 produtos em que Brasil e EUA concorrem diretamente na China, a soja lidera a lista. Atualmente, a soja é o principal produto exportado pelo Brasil para a China. Outros itens relevantes incluem carne bovina congelada sem osso e algodão. Segundo dados da alfândega chinesa, o Brasil respondeu por 70% das importações de soja da China em 2024, contra 23% dos EUA. Para Leal, o Brasil ainda pode ganhar um pouco mais de participação, “mas a maior parte do que poderíamos conquistar já ocorreu no primeiro mandato de Trump”.

Confira a seguir um histórico das exportações de carne bovina à China nos últimos quatro anos. Os dados são do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina à China| Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs

Em 2016, antes da primeira administração de Trump, o Brasil já era o principal fornecedor de soja para a China, com 45,8% de participação, enquanto os EUA detinham 40,5%. As mudanças no mercado desde 2019 impulsionaram fortemente a produção brasileira. Segundo dados da SECEX/MDIC, o Brasil exportou US$ 14,4 bilhões em soja para a China em 2016. No ano passado, esse número saltou para US$ 31,5 bilhões.

Esse boom da soja também aumentou a dependência do Brasil em relação à China. Em 2016, a China representava 19,6% das exportações brasileiras. Em 2019, esse percentual chegou a 28,7%, atingiu o pico de 30,7% em 2023 e recuou levemente para 28% em 2024.

O Brasil também tem forte participação na carne bovina congelada sem osso, detendo 53% do mercado chinês. Já os EUA possuem apenas 8%. No algodão, o Brasil detém 42% enquanto os EUA têm 35%, indicando espaço para ganhos adicionais. O milho é o quarto item da lista, e o Brasil também tem ampliado sua presença nessa categoria, com 51% das importações chinesas contra 15% dos EUA.

Ribeiro observou que os ganhos brasileiros nas exportações de milho também estão ligados às políticas comerciais de Trump. “A maior parte dos ganhos agrícolas já ocorreu. A próxima oportunidade pode vir de novas culturas”, afirmou, citando o sorgo como uma possível nova aposta que ainda não integra a lista de 17 itens compartilhados.

Barral acredita que o Brasil poderia encontrar mais oportunidades em produtos onde os EUA ainda são dominantes. Um exemplo é o caulim, no qual o Brasil detém 9% do mercado chinês e os EUA 62%. Contudo, as importações de caulim pela China somaram apenas US$ 150,5 milhões em 2024, muito menos que os US$ 52,2 bilhões da soja.

Leal ressaltou que eventuais ganhos com a substituição das exportações americanas também dependem da demanda interna chinesa. “No final das contas, o que mais importa é se o consumo na China cresce. Caso contrário, corremos o risco de aumentar nossa fatia em um mercado em retração, sem avançar de fato.”

No ano passado, Leal destacou que 30% do crescimento econômico da China veio das exportações. A guerra comercial entre EUA e China deve acelerar os planos de Pequim de estimular o consumo interno. “A China não pode continuar dependendo tanto das exportações ou do mercado americano. Todo mundo está atento a isso”, acrescentou.

Fonte: Valor International

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