Internacional, Mercado Internacional

O acordo de Trump com o Reino Unido envia uma mensagem clara: tarifas de 10% vieram para ficar

O Reino Unido e os Estados Unidos fecharam um acordo comercial histórico na quinta-feira — mas o acordo está longe de estar livre de tarifas.

Este é o primeiro acordo feito pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump anunciou no mês passado suas chamadas tarifas recíprocas sobre diversos países ao redor do mundo.

A posição do Reino Unido como um dos poucos países com os quais os EUA têm superávit comercial em bens — ou seja, os EUA exportam mais para o Reino Unido do que importam — colocou o país no topo da lista para que autoridades negociassem com o governo Trump.

No entanto, nem mesmo o Reino Unido, com sua “relação especial” com os EUA, conseguiu convencer Trump a eliminar totalmente as tarifas durante as negociações.

Pelo acordo, o Reino Unido poderá exportar 100.000 veículos por ano com uma tarifa de 10%; veículos adicionais estarão sujeitos a uma tarifa de 25%. Já os produtores britânicos de aço e alumínio poderão exportar sem tarifas, uma redução em relação à tarifa de 25% imposta pelos EUA em fevereiro.

No entanto, todos os outros bens importados do Reino Unido pelos EUA continuarão sujeitos a uma tarifa básica de 10% — que, segundo Trump, é a menor tarifa específica por país que será aplicada aos parceiros comerciais.

Trump também sugeriu que esse acordo será raro, devido ao equilíbrio na relação comercial entre os dois países e aos laços políticos estreitos — ou seja, é improvável que algum país consiga isenção total de tarifas em um possível segundo mandato seu.

Quando questionado se a tarifa básica de 10% servirá de modelo para futuros acordos comerciais, Trump respondeu: “Esse é um número baixo.”

“Eles conseguiram um bom acordo”, acrescentou. “Outros terão tarifas muito mais altas porque têm enormes superávits comerciais.”

O que Wall Street está dizendo?
Analistas interpretaram isso como um sinal de que tarifas de pelo menos 10% são o melhor cenário que outros países ou blocos comerciais poderão alcançar.

“Os detalhes do acordo EUA-Reino Unido sugerem que a tarifa básica de 10% deve permanecer em vigor para outros parceiros comerciais, com praticamente nenhuma exceção, embora indique uma flexibilidade maior do que o esperado em tarifas setoriais”, disse Jan Hatzius, economista-chefe e chefe de pesquisa global de investimentos do Goldman Sachs.

O economista dos EUA do JPMorgan, Abiel Reinhart, também observou em um relatório a clientes que “há chances de que uma taxa de pelo menos 10% sobre a maioria dos bens de maioria dos países seja mantida neste ano.”

Acordos setoriais e impacto nos EUA
Reinhart também destacou que as exceções que o Reino Unido conseguiu para seus setores de automóveis, aço e alumínio indicam que os EUA podem estar dispostos a firmar acordos sob medida — embora mais restritos — com outras nações.

“Esse tem sido um ponto central nas negociações comerciais recentes com o Japão, dado o peso do setor automotivo japonês”, acrescentou Reinhart. “Mas também é possível que os EUA tenham estado mais dispostos a fazer concessões com o Reino Unido nesse setor, já que o país representa apenas cerca de 2,5% das importações americanas de veículos e peças. Em comparação, o Japão representa quase 12%.”

No entanto, Rella Suskin, analista de ações e especialista em automóveis da Morningstar, observou que o acordo para reduzir tarifas em apenas 100.000 carros, na prática, limita a fatia de mercado de muitos dos maiores fabricantes britânicos, incluindo a Jaguar Land Rover, pertencente ao grupo Tata Motors.

Em vez disso, quem mais se beneficia, segundo Suskin, são montadoras como a BMW, que importam algumas peças com isenção tarifária e montam veículos diretamente nos EUA.

“A limitação do benefício do Reino Unido poder exportar 100.000 carros anualmente para os EUA com uma tarifa de 10% significa que a Jaguar não consegue conquistar participação de mercado com uma tarifa ‘preferencial’ em relação às montadoras europeias,” disse Suskin.

Andrew Hood, chefe de comércio internacional do escritório de advocacia europeu Fieldfisher e ex-assessor do primeiro-ministro britânico David Cameron, afirmou que o acordo fez mais para apoiar “a relação mais ampla entre Reino Unido e EUA” do que para facilitar o comércio entre os dois países.

“É notável que o acordo seja muito mais restrito do que a maioria dos Acordos de Livre Comércio,” disse Hood. “Na verdade, o foco está em apoiar setores específicos — notadamente a indústria automotiva, os produtores de etanol e os fabricantes de aço e alumínio — onde as tarifas foram substancialmente reduzidas ou eliminadas.”

Embora as tarifas residuais de 10% possam ser prejudiciais para o Reino Unido, outros apontam que o acordo também pode afetar negativamente o crescimento econômico dos EUA.

“Embora as isenções reduzam um pouco a tarifa efetiva, com a tarifa básica de 10% permanecendo, a tarifa média dos EUA continuará em dois dígitos, o que causará uma grande redução na renda real dos americanos e fará com que o crescimento desacelere fortemente na segunda metade do ano,” afirmou Michael Pearce, economista-chefe adjunto dos EUA na Oxford Economics.

Fonte: CNBC

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Economia

Energia mais cara puxa a alta da inflação em junho, mostra a Udesc Esag

Com a bandeira tarifária vermelha, a energia elétrica ficou 4% mais cara em junho em Santa Catarina

A inflação sentida pelos consumidores em Florianópolis foi de 0,42% em junho, um pouco abaixo que a do mês anterior, quando os preços haviam subido 0,46%. Em junho, houve alguma alta em cinco dos nove grupos pesquisados, enquanto os outros quatro tiverem redução. A energia elétrica residencial (alta de 4%) pesou novamente, com a mudança da bandeira tarifária de amarela para vermelha.

A inflação acumulada nos cinco primeiros meses de 2025 é de 3,96%. Já se considerados os últimos 12 meses, o índice acumulado está em 6,98%.

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag).

Alimentos

O grupo Alimentação e Bebidas teve um aumento médio de 0,64% em junho (idêntico ao do mês anterior). Os alimentos comprados em feiras e supermercados para consumo em casa tiveram altas maiores (1,05%), enquanto as refeições fora de casa ficaram com os preços praticamente estáveis (alta de 0,01%). O padrão é praticamente o mesmo verificado em maio.

Entre os alimentos, os maiores aumentos foram novamente os dos tubérculos, raízes e legumes (14,2%). Os destaques são o tomate (34,9%) – cujo preço havia caído mais de 10% no mês anterior – e a cebola de cabeça (7,3%).

As hortaliças e verduras (4,8%) e as frutas (3,1%) também ficaram mais caras. Os maiores aumentos nesses subgrupos foram os do mamão (16,9%), morango (12,5%), alface (10,9%) e couve-flor (6,4%).

Houve ainda alguma alta nos preços das bebidas e infusões (1,5%), carnes e peixes industrializados (1%), enlatados e conservas (1%), aves e ovos (0,9%), sal e condimentos (0,6%), farinhas, féculas e massas (0,5%), carnes (0,4%), açúcares e derivados (0,4%) e leites e derivados (0,1%).

Mas alguns alimentos ficaram mais baratos. É o caso dos cereais, leguminosas e oleaginosas (-4,5%), incluindo milho de pipoca (-5,8%), arroz agulha (-4,5%), feijão preto (-4,3%) e amendoim (-4%). Também caíram os preços dos pescados (-1,7%), óleos e gorduras (-1%) e panificados (-0,2%).

Outros preços

Com a alta da energia elétrica, a habitação teve o maior aumento (1,17%) entre os nove grupos pesquisados, seguida de alimentação e bebidas (0,64%). Nos transportes, mesmo com queda nos preços dos combustíveis (-1,1%), o grupo teve alta de 0,8% – os carros próprios subiramv1,8%. Também subiram as despesas pessoais (0,40%) e gastos com saúde e cuidados pessoais (0,15%).

Por outro lado, quatro grupos pesquisados tiveram redução de preços em junho: artigos de residência (-0,41%), vestuário (-0,58%), educação (-0,26%) e serviços de comunicação (-1,27%).

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários-mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 30 de junho. O índice é publicado regularmente desde 1968.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag) na atualização das ferramentas utilizadas.

Fonte: Núcleo de Comunicação da Udesc Esag

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Internacional, Mercado Internacional

Manufatura dos EUA segue fraca em junho por tarifas

Esse foi o quarto mês consecutivo em que o PMI ficou abaixo da marca de 50, o que indica contração no setor que responde por 10,2% da economia

A manufatura dos Estados Unidos permaneceu lenta em junho, com o volume de novos pedidos mostrando fraqueza e os preços pagos pelos insumos aumentando, sugerindo que as tarifas do governo Trump sobre produtos importados continuaram a prejudicar a capacidade de planejamento das empresas.

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou nesta terça-feira que seu PMI de manufatura subiu para 49,0 no mês passado, em comparação com a mínima de seis meses de 48,5 em maio.

Esse foi o quarto mês consecutivo em que o PMI ficou abaixo da marca de 50, o que indica contração no setor que responde por 10,2% da economia. Economistas consultados pela Reuters previam leitura de 48,8.

A pesquisa juntou-se aos dados fracos sobre o mercado imobiliário, os gastos dos consumidores e o aumento do número de desempregados, sugerindo que o impulso da economia desacelerou ainda mais no segundo trimestre, mesmo com a provável recuperação do Produto Interno Bruto uma vez que o peso de um déficit comercial recorde diminuiu devido à queda das importações.

Uma medida da demanda doméstica cresceu em seu ritmo mais lento em mais de dois anos no trimestre de janeiro a março. As tarifas abrangentes do presidente Donald Trump, que levaram as empresas e as famílias a antecipar as importações e as compras de produtos para evitar preços mais altos decorrentes das tarifas, confundiram o cenário econômico.

Economistas alertaram que pode levar algum tempo para que as distorções relacionadas às tarifas sejam eliminadas dos dados econômicos.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia, Internacional

JPMorgan prevê desaceleração “estagflacionária” dos EUA com tarifas

As políticas comerciais dos EUA provavelmente vão desacelerar o crescimento econômico global e reacender a inflação nos Estados Unidos, onde há 40% de probabilidade de recessão no segundo semestre deste ano, disseram analistas do JPMorgan nesta quarta-feira (25).

O crescimento dos EUA deve ser de 1,3% neste ano, abaixo da previsão de 2% do início de 2025, com as tarifas mais altas vistas como choques negativos para a economia, disse o banco em uma nota de pesquisa de perspectiva de três meses.

“O impulso estagflacionário das tarifas mais altas foi o que impulsionou nossa perspectiva reduzida de crescimento do PIB para este ano”, afirmou. “Ainda consideramos os riscos de recessão elevados.” Estagflação é uma mistura preocupante de crescimento lento e inflação implacável, um fenômeno que assombrou os EUA na década de 1970.

O banco norte-americano tem uma perspectiva pessimista em relação ao dólar devido ao avanço mais lento dos EUA, na comparação com as políticas de apoio ao crescimento fora do país, que impulsionarão outras moedas, inclusive em mercados emergentes.

A instituição também espera que a parcela da demanda por títulos do Tesouro dos EUA por parte de investidores estrangeiros, do Federal Reserve e de bancos comerciais diminua devido ao tamanho crescente do mercado de dívida norte-americano. A compensação exigida dos investidores pelo risco de manter títulos do Tesouro dos EUA, conhecida como prêmio de prazo, pode aumentar em 40-50 pontos-base ao longo do tempo, disse o banco, embora ele não espere aumentos acentuados nos rendimentos dos títulos do Tesouro como os vistos no primeiro semestre deste ano.

Em abril, os rendimentos dos títulos do Tesouro dispararam em meio à volatilidade mais ampla do mercado, causada pelo anúncio de tarifas comerciais feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O JPMorgan espera que os rendimentos dos títulos do Tesouro de dois anos encerrem o ano em 3,5% e os dos papeis de 10 anos terminem em 4,35%.

Nesta quarta-feira, eles estavam em 3,8% e 4,3%, respectivamente. Devido à inflação persistente causada por tarifas e à resiliência da economia, o banco espera que o Federal Reserve corte as taxas de juros em 100 pontos-base entre dezembro e a primavera de 2026 (do fim de março ao fim de junho) — mais tarde do que o consenso entre os operadores de futuros de juros, que até esta quarta-feira apostavam em dois cortes de 25 pontos-base neste ano.

Uma recessão ou uma desaceleração econômica mais acentuada do que o previsto desencadearia um ciclo de cortes mais agressivo, disseram os analistas do JPMorgan. Ainda assim, o banco seguiu otimista em relação às ações dos EUA, dada a contínua resiliência econômica e do consumidor, apesar da incerteza política.

“Na ausência de grandes surpresas políticas e/ou geopolíticas… acreditamos que o caminho de menor resistência para novas máximas será apoiado por fundamentos fortes liderados por tecnologia/IA, uma oferta constante de estratégias sistemáticas e fluxos de investidores ativos durante as quedas (dos mercados)”, disse.

Fonte: MSN

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Internacional, Negócios

Acordo automotivo Brasil-Argentina é ampliado com tarifa zero para peças

Decreto assinado por Alckmin flexibiliza condições de acesso ao mercado entre os dois países para ônibus, vans e caminhões com até 5 toneladas

O presidente em exercício, ministro Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (17) um decreto que amplia o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, flexibilizando as condições de acesso ao mercado entre os dois países para ônibus, vans e caminhões com até 5 toneladas. O ato foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça.

O decreto também retoma a redução a zero das tarifas de importação de autopeças não produzidas no país. Em contrapartida, as empresas que utilizarem este benefício ficam obrigadas a investir 2% do valor dessas importações em pesquisa, inovação ou programas industriais prioritários para o setor automotivo.

O documento incorpora à legislação brasileira o 46º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 14. O Protocolo foi firmado entre Brasil e Argentina em 29 de abril deste ano, a partir de negociações que envolveram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Por sua vez, o ACE-14, que traz regras para o comércio automotivo entre os dois países, foi assinado em 1990 e vem sendo sucessivamente aprimorado.

“Além de melhorar as condições de acesso a mercados e desonerar a importação de autopeças não produzidas localmente, o 46º Protocolo Adicional atualiza a classificação dos produtos e aprimora os critérios sobre regras de origem, que determinam se um item é realmente fabricado em um dos dois países”, diz o MDIC em nota.

Aprimoramento

De acordo com Alckmin, essa é uma medida que aprimora o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, facilita o comércio, reduz custos e aumenta a competitividade da indústria brasileira.

“O setor automotivo brasileiro ocupa hoje a 8ª posição do ranking mundial na produção de veículos e gera mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. No ano passado, teve crescimento de 14,1% nas vendas”, disse, ressaltando a contribuição do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) para o desenvolvimento do setor.

O Mover, que oferece incentivos de R$ 19,3 bilhões até 2028, alavancou anúncios de investimentos privados de R$ 140 bilhões, segundo o MDIC.

Em nota, a pasta reforçou que os produtos automotivos são os principais bens do fluxo comercial Brasil-Argentina. A corrente de comércio bilateral dessas mercadorias, no ano de 2024, alcançou o patamar de US$ 13,7 bilhões, o que representa 50% do total de US$ 27,4 bilhões comercializados no ano.

Em 2025, a corrente de comércio total entre Brasil e Argentina já alcançou US$ 12,6 bilhões até maio, um crescimento de 26,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Fonte: CNN Brasil


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Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

Empresas tentam driblar tarifas dos EUA sobre produtos chineses; entenda

Quando a passarela metálica é baixada, a tripulação começa a trabalhar para fixar o navio ao cais – seus macacões laranja parecem minúsculos comparados ao imenso navio porta-contêineres rosa atrás deles. Uma vez que o navio ONE Modern está devidamente atracado, três operadores de guindaste iniciam uma corrida contra o tempo para descarregar e recarregar mais de 700 contêineres no Porto de Hong Kong, em menos de 10 horas.

Para inúmeras empresas ao redor do mundo na mesma situação, há uma corrida ainda maior em jogo: a operação massiva para retirar mercadorias da China e levá-las aos EUA antes que expire, em 12 de agosto, a suspensão das tarifas mais altas impostas pelo presidente Donald Trump. “Os índices de imprevisibilidade e caos estão realmente em um nível sem precedentes”, disse Roberto Giannetta, presidente da Associação de Navegação de Linha de Hong Kong, à CNN.

“Esta instabilidade está criando muito caos.” Negociações entre os EUA e a China ocorreram em Londres na semana passada, resultando em um acordo sobre uma estrutura de trégua comercial, segundo autoridades de ambos os lados. Mas aqueles que estão na linha de frente lidando com essas políticas comerciais mutáveis não estão correndo riscos.

A China é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos, atrás do México.   O comércio entre os dois países ultrapassou US$ 688 bilhões no ano passado, de acordo com dados chineses. “As regras mudam três vezes por semana”, disse Rick Woldenberg, CEO da Learning Resources, uma empresa de brinquedos educativos baseada em Chicago. “Não temos absolutamente nenhuma ideia de quais serão as regras quando o produto chegar.”

Quando os EUA anunciaram tarifas abrangentes sobre a maior parte do mundo em 2 de abril, isso desencadeou o caos nas complexas cadeias de suprimentos globais que permitem o livre fluxo de mercadorias ao redor do mundo – especialmente na indústria naval, que transporta 90% de todos os bens manufaturados.

Apesar de uma pausa separada de 90 dias na maioria das tarifas, líderes empresariais dizem que precisam operar como se as tarifas fossem retornar. Empresas americanas têm tentado estocar mercadorias durante o período de trégua, fazendo com que as fábricas chinesas trabalhem em ritmo acelerado para atender à demanda e pressionando as empresas de navegação para entregar o máximo possível nesta janela atual. “As empresas querem antecipar cargas porque simplesmente não sabem como será a realidade daqui a algumas semanas”, disse Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da UE na China, baseado em Pequim. “Isso torna muito difícil planejar, cria ineficiência e, eventualmente, isso também aumentará os custos.”

A bordo do ONE Modern, com 302 metros de comprimento (990 pés), propriedade da Ocean Network Express do Japão, há até 7.000 contêineres cheios de produtos como roupas, móveis e peças automotivas – majoritariamente fabricados na China – destinados aos EUA.

Apesar das mudanças bruscas no comércio americano, a tripulação do navio parece notavelmente estoica, um sinal da resiliência que se tornou a marca registrada da indústria naval. Nos últimos anos, o setor enfrentou crises constantes, incluindo a pandemia de Covid-19, o bloqueio do Canal de Suez e a ameaça de mísseis Houthi no Mar Vermelho. “O transporte marítimo sempre continua, não importa o que você jogue contra ele”, disse Giannetta. “Esta é uma indústria que não para.”

Após deixar Hong Kong, o navio viajará mais de 10.000 milhas náuticas – parando em três portos na China continental e um na Coreia do Sul, antes de atravessar o Oceano Pacífico, passar pelos estreitos canais do Canal do Panamá e finalmente chegar a Houston, Texas. Do lado americano, algumas empresas que dependem de importações chinesas estão lutando para se manter à tona. “Você verá uma extinção de algumas dessas empresas”, disse Woldenberg. “Há uma tremenda destruição de riqueza, e não acho que isso seja recuperável.”

A indústria de brinquedos foi particularmente afetada, pois quase 80% de todos os brinquedos vendidos nos EUA são fabricados na China, segundo a Associação Americana de Brinquedos. Woldenberg processou com sucesso a administração Trump por causa da guerra comercial, embora a decisão de um tribunal distrital dos EUA de conceder uma liminar sobre as tarifas esteja atualmente suspensa após um recurso do governo.

A Learning Resources, um negócio familiar de quarta geração com 100 anos de história, emprega 500 pessoas nos EUA. Eles estão agora ativamente movendo parte da produção de brinquedos para fora da China para evitar os “altos e baixos novelescos entre os EUA.” Mas transferir a fabricação para os EUA, um dos objetivos declarados da guerra comercial, é apenas “uma fantasia burocrática”, disse Woldenberg, porque a capacidade não está atualmente disponível em solo nacional.

Trump anteriormente minimizou o impacto das tarifas sobre empresas e consumidores americanos, dizendo em uma reunião de gabinete em 30 de abril que os navios porta-contêineres que chegam aos EUA estão “carregados de coisas, muito das quais não precisamos.” “Talvez as crianças tenham duas bonecas em vez de 30”, acrescentou Trump “Talvez as duas bonecas custem alguns dólares a mais do que custariam normalmente.” “Os varejistas ficarão sem produtos”, afirmou Woldenberg. “Isso é algo absolutamente certo de acontecer.”

Além da escassez nas prateleiras, os líderes do setor também deixam claro que qualquer prejuízo financeiro será repassado ao público americano. Woldenberg concordou: “Eles podem chamar de tarifas ou do que quiserem, mas é um imposto e eles transformaram nossa empresa em uma coletora de impostos.”

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Combate às barreiras não tarifárias ganha novo impulso

Com o comércio internacional se tornando cada vez mais complexo, o governo brasileiro intensifica esforços para coordenar órgãos públicos e dialogar com o setor privado

O Comitê Gestor do Sistema Eletrônico de Monitoramento de Barreiras às Exportações (CGS/SEM Barreiras) aprovou, nesta terça-feira (17/06), o Plano de Ação 2025-2026. A reunião, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), contou com representantes dos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE).

A aprovação do plano reforça o compromisso com a governança desse sistema, define as prioridades para os próximos dois anos e estabelece objetivos gerais e específicos. Além disso, prevê ações e metas em cinco eixos de trabalho: governança, sistemas, capacitações, transparência e comunicação, e a identificação, análise, monitoramento e superação das barreiras comerciais.

A reunião também resultou na inclusão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) como convidados permanentes do Grupo Executivo do CGS e consolidou o processo de modernização tecnológica do SEM Barreiras. Em 2024, foi lançada a versão 3.0 da plataforma, mais estável, segura e com melhorias de usabilidade. Foi elaborado um novo manual para usuários do setor privado que pode ser acessado por meio deste link.

O que são Barreiras Não Tarifárias?

Barreiras não tarifárias são medidas que restringem o acesso de bens e serviços estrangeiros a um mercado, sem envolver a aplicação de tarifas. Elas integram o conjunto das chamadas barreiras comerciais, que se dividem, em geral, em duas categorias:

a)      Barreiras tarifárias: como impostos de importação/exportação e cotas tarifárias;

b)     Barreiras não tarifárias: como exigências técnicas, sanitárias e fitossanitárias, subsídios, regras de origem, padrões privados, restrições quantitativas e exigências em compras governamentais, entre outras.

As barreiras não tarifárias têm um peso importante no comércio internacional. Sua identificação é mais complexa e exige análise detalhada, dado seu caráter técnico. O monitoramento dessas barreiras é cada vez mais importante, especialmente porque seu número tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, com impacto direto sobre as exportações brasileiras.

Conquistas

Desde sua criação, o sistema já contribuiu para conquistas expressivas. Dentre os  resultados concretos do enfrentamento de barreiras não tarifárias, estão:

a)      Peru (2023): aperfeiçoamento das regras de tratamento de rotulagem nutricional, beneficiando US$ 34 milhões em exportações;

b)     Argentina (2024): revogação da exigência de Declaração Jurada de Composição de Produto (DJCP) para têxteis e calçados, facilitando cerca de US$ 400 milhões em vendas externas;

c)      Argentina (2024): eliminação da exigência de certificação obrigatória para placas cerâmicas, evitando prejuízos estimados em US$ 37,6 milhões.

Conheça o SEM Barreiras

Instituído pelo Decreto nº 10.098/2019, o Sistema SEM Barreiras é uma plataforma online do Governo Federal criada para identificar, acompanhar e apoiar a superação de barreiras comerciais impostas a exportações brasileiras de bens, serviços e investimentos.

A ferramenta permite que empresas e entidades informem medidas adotadas por outros países que estejam restringindo o acesso de produtos brasileiros a mercados externos. Essas informações são analisadas tecnicamente pelos órgãos competentes, considerando seu impacto comercial e a compatibilidade com acordos internacionais firmados pelo Brasil.

Além de facilitar a articulação governamental para enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, o SEM Barreiras promove maior transparência e aproximação com o setor privado, que pode acompanhar o andamento de cada caso.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Internacional, Mercado Internacional

Tarifaço de Trump pode influenciar em acordo entre União Europeia e Mercosul

Avaliação é do economista Ricardo Amorim, diante da entrada em vigor das novas tarifas impostas pelo presidente americano

Os conflitos econômicos entre Estados Unidose a China, bem como outros países, à exemplo da Rússia e Ucrânia, têm beneficiado o Brasil e a América Latina. Segundo análise do economista Ricardo Amorim, o acordo entre União Europeia e Mercosul pode sair após 25 anos de tratativas entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.

Palestrante do primeiro dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), em Rondonópolis, nesta quarta-feira (11), a perspectiva da assinatura do acordo decorre da possibilidade de no próximo dia 9 de julho novas tarifas impostas pelos Estados Unidos entrarem em vigor para a União Europeia entrar em vigor.

“O que bloqueia esse acordo até hoje é o protecionismo do produtor na Europa, mas, fundamentalmente, em três países: Áustria, Polônia e França”.

De acordo com Ricardo Amorim, a Áustria já teria se posicionado que “pode aprovar isso amanhã”, assim como a Polônia.

“O último é a França, mas vai acontecer. A França é um barril de pólvoras, particularmente, em volta de Paris. Se de fato no dia 9 de julho a tarifa que o Trump prometeu que colocaria entrar em vigor e o preço dos alimentos começarem a subir pesadamente na Europa, a popularidade dos governos lá vai despencar”.

Ainda segundo a análise do especialista, “na hora em que o Macron falar entre o pescoço dele e o produtor francês vai ter: ‘agricultor sinto muito, eu vou proteger o meu pescoço nessa brincadeira’”.

Brasil grande país emergente de risco zero

Atualmente existem 165 países emergentes e o Brasil nos últimos meses se tornou o único com risco geopolítico perto de risco zero no mundo.

Outro fator diante dos conflitos econômicos e geopolíticos vividos hoje, uma vez que há cerca de um ano investidores começaram a retirar dinheiro da China em eminência da reeleição do presidente Donald Trump e a promessa de endurecer as questões comerciais com a gigante da Ásia.

“A Rússia já estava em guerra e a Índia entrou há cerca de duas semanas. Só sobrou o Brasil. O resumo da ópera é simples. Vai entrar investimento no Brasil, que por sua vez vai gerar emprego, porque estamos ganhando de WO. ‘Ah, está tudo as mil maravilhas no Brasil’. Muito longe disso. É só que não está pior”, pontuou Ricardo Amorim.

Conforme o economista, entender o Brasil, entender a economia brasileira hoje, requer entender o conceito do “é o que temos para hoje”.

Diante do cenário atual brasileiro e mundial, Ricardo Amorim conclui que o “agro vai crescer em volume e receita mais do que se imagina”, uma vez que diversos países estão mirando os olhos para o Brasil, bem como a economia nacional vai crescer, “apesar dos muitos problemas que o país tem, lembrando que existem fases, então vamos aproveitar a boa fase”.

Além disso, ressaltou a importância do uso da tecnologia para as tomadas de decisões. “Da mesma forma que a tecnologia de sementes faz toda a diferença, a tecnologia geral também faz”.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional

Tarifas de Trump: EUA incluem eletrodomésticos em lista de derivados de aço importados com sobretaxa

Os Estados Unidos ampliaram o escopo das tarifas sobre o aço importado para incluir uma série de eletrodomésticos, segundo documento divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Departamento de Comércio americano.

A ordem inclui novas categorias de derivados de aço que serão alvos da sobretaxa a partir de 23 de junho. A decisão adiciona os seguintes produtos à lista de itens tarifados:

  1. Combinado de geladeira/refrigerador
  2. Secadoras grandes e pequenas
  3. Máquinas de lavar
  4. Máquinas de lavar louça
  5. Refrigeradores horizontais e verticais
  6. Fogões e fornos
  7. Máquinas de descartes de resíduos alimentares
  8. Painel de cerca de arame soldado

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou as tarifas a importações de aços poucas semanas após ter tomado posse, no começo deste ano. Inicialmente, os produtos estariam sujeitos a uma sobretaxa de 25%, mas o republicano dobrou a alíquota no início deste mês.

Fonte: MSN

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Internacional, Mercado Internacional

EUA e México se aproximam de acordo para reduzir tarifas de 50% sobre o aço

Acordo permitiria que compradores dos EUA importassem aço mexicano sem tarifas, desde que mantivessem os embarques totais abaixo de um nível

Os EUA e o México estão próximos de um acordo que removeria as tarifas de 50% sobre importações de aço impostas pelo presidente Donald Trump, até um certo volume, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Trata-se de uma reformulação de um acordo semelhante entre os parceiros comerciais durante o primeiro mandato de Trump. Trump não tem participado diretamente das negociações e precisaria aprovar qualquer acordo.

As conversas estão sendo lideradas pelo Secretário de Comércio Howard Lutnick, segundo as fontes, que pediram anonimato devido à privacidade das discussões. As pessoas disseram que o acordo ainda não foi finalizado.

Nos termos atuais, o acordo permitiria que compradores dos EUA importassem aço mexicano sem tarifas, desde que mantivessem os embarques totais abaixo de um nível baseado nos volumes históricos de comércio, segundo as fontes. O novo limite seria maior do que o permitido no acordo semelhante durante o primeiro mandato de Trump, que nunca foi um número fixo, mas projetado para “prevenir aumentos repentinos”.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O gabinete da presidente mexicana Claudia Sheinbaum também não respondeu ao pedido.

As ações de aço dos EUA caíram no final do pregão após o relatório da Bloomberg. Cleveland-Cliffs Inc. caiu mais de 7%, e Nucor Corp. caiu mais de 4%. O peso mexicano reduziu as perdas.

Em um evento na terça-feira, o ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, disse que informou autoridades dos EUA em reuniões na semana passada que as tarifas sobre aço não são justificadas no caso do México, porque os EUA enviam mais aço para o México do que o contrário. Na sexta-feira passada, ele postou uma foto mostrando um aperto de mãos com Lutnick sorridente em Washington.

“Estamos aguardando a resposta deles, porque na sexta-feira demos os detalhes do argumento do México e estamos certos”, disse Ebrard a repórteres na terça-feira. “Então vamos esperar a resposta deles, que provavelmente será ainda esta semana.”

Na semana passada, Trump anunciou que dobraria as tarifas sobre o aço para 50%, após dizer que aprovaria a compra da United States Steel Corp. pela japonesa Nippon Steel Corp., uma medida que, segundo ele, protegeria a indústria doméstica e a segurança nacional. Enquanto os produtores domésticos de aço recebem bem a medida, os usuários finais têm pedido ao governo que alivie as tarifas.

As negociações ocorrem enquanto Sheinbaum busca um acordo com Trump sobre imigração e tráfico de drogas na fronteira compartilhada, que o líder dos EUA exige que o México interrompa. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou Sheinbaum na terça-feira de “incentivar” mais protestos contra deportações em Los Angeles, onde os EUA enviaram tropas. Sheinbaum chamou a alegação de Noem de “absolutamente falsa”.

As conversas também acontecem antes da cúpula do Grupo dos Sete no Canadá, onde os dois presidentes provavelmente se encontrarão.

As importações de aço dos EUA vindas do México totalizaram cerca de 3,2 milhões de toneladas métricas no ano passado, representando 12% do total de embarques do material, segundo dados do Departamento de Comércio. Um acordo anterior entre os EUA e México em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, concordou em prevenir volumes de importação que excedessem níveis médios do período de 2015 a 2017.

Fonte: Info Money

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